
Manifestação do “Grito dos Excluídos” em Campos dos Goytacazes/2025: reprimida como sempre é
O chamado “Grito dos Excluídos” é uma iniciativa que nasceu há exatos 30 anos como resultado de ações organizadas em prol dos pobres pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Ao longo dessas três décadas, organizações sociais do campo e da cidade se utilizam das celebrações do Dia da Independência para lembrar que somos uma sociedade extremamente desigual e demandar que mudam sejam feitas para gerar uma sociedade mais justa para a maioria dos brasileiros pobres.
Obviamente o “Grito dos Excluídos” nunca foi bem visto pelos governantes que organizam os atos oficiais do 7 de Setembro que preferem cerimônias militarizadas nas quais os pobres são, quando muito, expectadores passivos de desfiles que reforçam aquilo que o “Grito” demanda que seja mudado.
Aqui em Campos dos Goytacazes, a recepção nunca foi boa. Na última vez que participei, o “Grito” foi barrado nos portões do CEPOP e só pode entrar quando o desfile oficial já tinha sido encerrado e as arquibancadas esvaziadas rapidamente. E o resultado foi que não tinha mais ninguém para ver as faixas e ouvir os gritos do “Grito”. Eis que ontem, além de se impedir a entrada do Grito, usou-se da violência que é ensaiada todos os anos no momento em que os ativistas e populares participando da manifestação tentam exercer o direito democrático de serem ouvidos.
Soube hoje que até sobrou denúncia de um ato de racismo para um dirigente do Partido dos Trabalhadores (PT) que foi preso e enviado para ser encarcerado na Casa de Custódia Dalton Crespo de Castro. Esse caso me parece um exemplo de como se pode punir o mensageiro, deixando a razão da mensagem intacta: foi denunciar a desigualdade e as injustiças sociais e demandar equidade, e acabou preso por racismo.
Mas, convenhamos, em uma cidade que exala exclusão e injustiça social por todos os seus becos e avenidas, excluir o Grito dos Excluídos faz todo sentido. Impossível mesmo seria, pelo menos no governo Wladimir Garotinho, permitir que o Grito dos Excluídos abrisse as festividades da independência para que possamos começarmos a construir uma sociedade melhor para a maioria pobre que compõe a população brasileira. Afinal, Wladimir, mesmo com o seu jeito “clean”, não esconde o lado que ocupa no espectro ideológico brasileiro.
Ah, sim, espero estar vivo e saudável o suficiente para participar do Grito dos Excluídos de 2026. É que as condições objetivas para a manutenção da realização do Grito certamente serão mantidas intactas por quem grita “Semiárido”, e reprime quem ousar gritar contras injustiças que castigam os pobres desta pobre cidade rica.
