Um epitáfio para Paulo Roberto Moreira

Na maioria das vezes, a morte de qualquer pessoa acaba sendo mais sentida dentro do seu círculo familiar.  Mas quando essa pessoa se insere dentro de comunidades maiores do que se sua própria família, a sensação de perda acaba se alargando.  Em uma instituição universitária relativamente pequena como é o caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), quando um dos nossos membros falece há sempre uma inevitável sensação de perda coletiva.  Mais ainda quando a pessoa esteve entre nós executando suas tarefas de forma eficiente e com requintes de gentileza e civilidade.

Por isso, o anúncio da morte do servidor Paulo Roberto Moreira, o Paulinho, acabou pegando muita gente de surpresa e com uma inevitável sensação de perda.  Conheci o Paulo Roberto Moreira assim que ele ingressou no nosso quadro de servidores em 2000.  Assim, ainda que eu não tenha tido contato com ele nos últimos anos após sua lotação na Agência de Inovação da Uenf, tenho dele a lembrança de um servidor que não recusava dar informações precisas a quem as solicitava.

Eu diria que o Paulo Roberto era o reverso da imagem que os detratores do serviço público gostam de colar nas costas dos servidores públicos. Ele era eficiente, discreto e comprometido com suas tarefas cotidianas.  E cumpria suas obrigações com ar de gentileza que tornava fácil a resolução de problemas complexos.

Na aula inagural ministrada por Darcy Ribeiro em 1993, o nosso fundador disse que universidades não feitas por prédios novos e equipamentos caros, mas por pessoas. Naquele dia Darcy disse que não queria que ninguém se deixasse enfeitiçar pelas coisas que compunham a Uenf, pois as pessoas é que faziam a coisa andar.  Esse ensinamento de Darcy Ribeiro não poderia ser mais adequado para expressar a importância que Paulo Roberto Moreira teve em seus 25 anos servindo com toda dedicação à causa da construção da Uenf.  Espero que ele seja sempre lembrado por isso.

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