Petrobras muda política de preços dos combustíveis e FUP diz que o “pesadelo chegou ao fim”

Em quase sete anos de PPI, o gás de cozinha aumentou 223,8%, na refinaria, custando R$ 108, em média, no Brasil, para o consumidor. Antes do PPI, o botijão era R$ 55

ppL

Rio de Janeiro, 16 de maio de 2023 – “Depois de quase sete anos assombrando o povo brasileiro, o pesadelo chega ao fim. Um dia para ser comemorado”, disse o coordenador- geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, aplaudindo o anúncio feito nesta terça-feira, 16, pelo presidente da Petrobrás, Jean Paul Prates, de nova estratégia comercial de preços dos combustíveis, em substituição ao mecanismo de preço de paridade de importação (PPI), implementado em 2016 por Michel Temer e mantido por Jair Bolsonaro.

“O governo Lula abrasileirando o preço dos combustíveis, conforme promessa de campanha. Com a nova política, o Brasil terá gás de cozinha, gasolina e diesel mais baratos, pois os custos nacionais de produção, em reais, entrarão na composição dos preços”, destaca Bacelar.

Ele explica que, com a nova política, o brasileiro deixa de pagar pelos combustíveis como se fossem importados, pois a Petrobrás, agora, não considera, apenas, a cotação do petróleo no mercado internacional e do dólar, e nem os custos de importação. “Afinal, o Brasil é autossuficiente na produção de petróleo, a Petrobrás tem grande parque de refino e utiliza majoritariamente petróleo nacional que ela mesma produz. Assim, com a nova política, reduz-se também a volatilidade de preços ao consumidor”, diz o dirigente da FUP.

A FUP e seus sindicatos lutam desde 2016 para derrubar o PPI, que promoveu no mercado interno repasses automáticos de aumentos de preços internacionais do petróleo, variação cambial e de custos de importação. Uma política que garantiu mega lucros à Petrobras e dividendos recordes a acionistas, em detrimento de investimentos.

Durante a vigência do PPI, de 15 de outubro de 2016 até hoje, 16 de maio, o preço do botijão de gás de cozinha de 13 quilos (GLP), na refinaria (produto mais demandado pela população de baixa renda), variou 223,8%, registrando 34 altas e 14 baixas. Enquanto isso, o barril do petróleo (em R$) subiu 61,9% no período e a inflação medida pelo IPCA/IBGE acumulou 36,6%. No mesmo período, a gasolina variou 112,7%, e o diesel, 121,5%, segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese/subseção FUP), com base em dados da Petrobrás.

Antes da existência do PPI, entre janeiro de 2003 e 14 de outubro de 2016, o preço do GLP acumulou alta de 15,5%, com dois reajustes em treze anos – período no qual o barril do petróleo no mercado internacional, também convertido em Reais (R$), variou 95,2%.

“O gás de cozinha, para o consumidor, custava em média R$ 55,35 no Brasil, um dia antes da implantação do PPI, em outubro de 2016. O litro da gasolina era vendido a R$ 3,65. O diesel custava R$ 3,00”, lembra Bacelar. Hoje, segundo pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o gás está em R$ 108,13, a gasolina em R$ 5,52 e o diesel em R$ 5,65.

Aluna da Unisinos faz descoberta rara na micropaleontologia

Novo gênero de microcrinóide foi descoberto durante triagem no ittt Oceaneon

unnamed (20)

Bruna Poatskievick tem 27 anos e é estudante da graduação em Geologia da Unisinos Crédito: Arquivo pessoal

Uma aluna do curso de graduação em Geologia da Unisinos descobriu um novo gênero de microcrinóide, espécie que é parente dos atuais lírios-do-mar, mas em miniatura. O achado pode não chamar atenção da população em geral, mas é um fato marcante para a micropaleontologia. Estima-se que o Sergipecrinus reticulatus tenha vivido há cerca de 114 a 112 milhões de anos. A nova espécie recebeu esse nome por ter sido encontrada em uma rocha vinda do estado de Sergipe e ser a primeira deste gênero biológico.

A estudante da Graduação em Geologia, Bruna Poatskievick, de 27 anos, também triadora do itt Oceaneon, descobriu o fóssil durante a triagem — processo de separação dos microfósseis do restante do sedimento. Feito de forma manual, com um pincel, o método é feito com muita delicadeza, para não danificar nem perder o fóssil. O achado foi publicado no volume 145 da revista Cretaceous Research, especializada em pesquisas sobre o período Cretáceo.

Lírios-do-mar são crinóides e pertencem à classe Crinoidea do filo Echinodermata. Exclusivamente marinhos, esses animais podem viver em diversas profundidades nos oceanos de todo o planeta. Embora exista, no registro geológico, uma grande biodiversidade neste grupo, hoje, apenas algumas centenas de espécies são conhecidas.

Ao encontrar o Sergipecrinus, Bruna relata que, imediatamente, o microfóssil chamou a atenção pelo formato de estrela. “Esse fóssil contém muitas partes que podem ser desarticuladas — quando isso acontece, ele pode se perder e quebrar. Para entender, uma das pecinhas corresponde a um indivíduo — é como se encontrássemos várias ossadas humanas com crânios, assim, saberíamos que cada um corresponde a um indivíduo diferente. Dei a sorte de encontrá-los em uma preservação muito boa e de conseguir recuperar muitos indivíduos iguais. Assim, conseguimos classificar um novo gênero e espécie”, destaca a estudante.

O animal foi encontrado na Bacia de Sergipe-Alagoas, pioneira na produção de petróleo no Brasil. “A bioestratigrafia é um método de datação de rochas a partir dos microfósseis encontrados nelas — e isso contribui para identificar as idades das camadas de petróleo do ponto de vista geológico, uma vez que cada microfóssil existe em um período específico. No momento da perfuração de poços, isso faz toda a diferença porque, como o maquinário é muito caro, quanto mais rápido for o processo, melhor, e saber em qual idade geológica estamos é fundamental”, destaca Bruna.

Para identificar e nomear o bichinho, a estudante contou com o auxílio de Andy Gale, professor britânico de Geologia da Universidade de Portsmouth.

Os microcrinóides do tipo Roveacrinidae são originários do período Albiano (113 milhões de anos atrás). O Sergipecrinus data do período anterior, o Aptiano — de 125 até cerca de 113 milhões de anos –, mostrando que os Roveacrinidae são mais antigos do que se esperava.

Para acessar o artigo completo, clique neste link.

Alerta ao vice-prefeito: sonhos de reeleição poderão esbarrar no avanço da miséria extrema em Campos dos Goytacazes

frederico paes

O normalmente pragmático vice-prefeito de Campos dos Goytacazes, Frederico Paes, parece ter sido picado pela mosca azul

Li em algum lugar uma previsão do vice-prefeito Frederico Paes de que o seu chefe (ou seria o contrário?), Wladimir Garotinho se encaminha para uma vitória em primeiro turno nas eleições municipais de 2024.

Pois bem, esse tipo de avaliação precoce já levou a muitos erros e tropeços na política, inclusive aqui mesmo em Campos dos Goytacazes. Basta lembrar quando o então candidato situacionista Geraldo Pudim perdeu uma eleição que o seu grupo político considerava ganha para Carlos Alberto Campista.

A verdade é que em política há sempre ter muito cuidado para que o otimismo exagerado não seja considerado soberba. Mas isso é só uma observação básica, pois existem outras considerações a serem feitas, especialmente um município em que a extrema miséria não para de crescer (aliás, cresce em ritmo exponencial).

É que o crescimento da miséria extrema sinaliza de forma enfática que, apesar de toda a propaganda oficial, o atual governo não age para elevar a condição de vida dos mais pobres. E, pior, com suas políticas que servem para a continuidade de um padrão que contribui para o avanço da miséria extrema serve como uma luva para os interesses daqueles que sempre beneficiaram dos ciclos virtuosos das finanças municipais.

Por outro lado, o atual deserto de candidatos viáveis para serem uma oposição eleitoral ao prefeito Wladimir Garotinho me parece meramente circunstancial, pois na guerra e na paz há sempre que se combinar antes com os russos. E eu vejo pelo menos uma possível candidatura que tem todo o potencial de mobilizar a juventude e segmentos populares campistas que é a da jovem professora Natália Soares do PSOL.  Para enxergar este potencial asta verificar o crescimento consistente da sua capacidade de angariar votos nas últimas eleições e mque participou com orçamentos bastante modestos. Se o PSOL não cair na besteira de lançá-la candidata a vereadora, ela tem tudo para exercer uma pressão real sobre as chances de reeleição de Wladimir Garotinho. E isso ssrá fato, mesmo se levando em conta a deficiente estrutura partidária e de cabos eleitorais que caracterizou as últimas participações eleitorais do partido em todo o Brasil.

Assim, alguém precisa avisar ao vice-prefeito Frederico Paes que há que se tomar muito cuidado com avaliações hiper otimistas para não se acabar no colo com mais um vexame como o que destruiu a carreira política de Geraldo Pudim (isto sem falar da surra implacável que Chicão Oliveira levou de Rafael Diniz).

Falo isso porque como ando mais pelas ruas do que em gabinetes refrigerados como faz Frederico Paz, e posso garantir que há mais razões para cuidado do que para certeza de vitória. Finalmente, como Frederico Paes parece entusiasmado com repetidas visitas de delegações chinesas, há que se lembrar do velho ditado que diz que “quem tem olho grande não entra na China”. Simples assim!

Desmatamento faz Cerrado perder duas vezes a área da cidade do Rio de Janeiro no início de 2023

Quatro primeiros meses do ano registraram aumento de 35% em relação ao ano passado; Abril registrou desmate de 69 mil hectares

Desmatamento-no-Cerrado

O desmatamento do Cerrado ultrapassou 69 mil hectares em abril de 2023. Esse número representa um aumento de 36% em relação a abril do ano passado, quando foram registrados quase 51 mil hectares desmatados, segundo dados detectados e confirmados pelo SAD Cerrado (Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado) divulgados nesta sexta-feira.

Dados de abril confirmam a tendência de aumento registrada no início de 2023. Os primeiros quatro meses do ano totalizaram cerca de 257,3 mil hectares desmatados, mais que o dobro da área da cidade do Rio de Janeiro. Números representam um aumento de quase 35% em relação ao registrado nos primeiros quatro meses do ano passado. Os estados da Bahia, Tocantins, Maranhão e Piauí responderam por volta de 69% do desmatamento do Cerrado nesse período, com cerca de 177,8 mil hectares derrubados.
 

Pesquisadoras do SAD alertam para a influência do período de chuvas nas imagens de satélite e que os desmatamentos confirmados em abril podem ter ocorrido em outros meses de 2023, em áreas cobertas por nuvens nos meses anteriores. Regiões do sul do Maranhão, como o municípios de Balsas, e do Tocantins são especialmente afetadas pelo fenômeno.

“A alta cobertura de nuvens nas imagens de satélite por sensores ópticos durante a época de chuva é um grande desafio para o monitoramento do desmatamento nesta época. Os alertas detectados neste último mês não necessariamente ocorreram no mês de abril, mas podem ter ocorrido em qualquer momento desde o início da época chuvosa. Além disso, o SAD Cerrado preza por confirmar o desmatamento mapeado antes de se tornar um alerta, o que pode gerar um atraso na detecção de novas áreas desmatadas. Apesar desses fatores, o mês de abril teve um aumento significativo em relação ao mesmo período do ano passado, o que indica uma possível tendência de aumento do desmatamento no Cerrado. Esse aumento só poderá ser de fato confirmado nos próximos meses”, aponta a pesquisadora do IPAM, Fernanda Ribeiro.

A pesquisadora também destaca que a chegada da estação seca traz também uma menor cobertura de nuvens, além de um clima mais propício para o desmate de novas áreas. Juntos, esses fatores podem contribuir para números ainda maiores para o desmatamento do Cerrado, que costuma atingir seu ponto mais crítico nos meses de junho, julho e agosto.

“Durante o mês de abril, que é o começo da transição para a época de seca, já foi possível detectar novas áreas desmatadas que antes estavam possivelmente cobertas por nuvens. É esperado que esse número de alertas aumente durante a época de seca, principalmente entre junho e agosto, devido às condições climáticas favoráveis nas imagens de satélite e também ao calendário agrícola, que tem mais atividade nessa época do ano.”

Municípios

Líderes do ranking em março, municípios do oeste da Bahia seguem liderando a lista de municípios que mais desmataram. Em abril, foram confirmados 3,9 mil hectares de Cerrado desmatado em São Desidério, número 5 vezes maior do que o registrado no município em abril de 2022.

“É muito preocupante esse aumento constante e acelerado do desmatamento no oeste da Bahia. Essa é uma região onde houve uma rápida expansão do setor agropecuário, resultando em uma baixa cobertura de vegetação nativa nos dias de hoje. Essa supressão da vegetação nativa impacta não somente o meio ambiente e a biodiversidade, como também a própria produção agrícola e a população local através da disponibilidade hídrica, que está diretamente relacionada com o desmatamento. Além disso, a maior parte da vegetação nativa remanescente na região está localizada em propriedades privadas. Por isso, é necessário um fortalecimento das políticas públicas de combate ao desmatamento e de restrição de uso do solo, além de um maior incentivo à conservação em áreas privadas.”

Área afetada por desmatamento na região de São Desidério (BA). Imagens ©Planet Scope

Sobre o SAD Cerrado

O Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado é um sistema de monitoramento mensal e automático utilizando imagens de satélites ópticos do sensor Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia. O SAD Cerrado é uma ferramenta analítica que fornece alertas de supressão de vegetação nativa para todo o bioma, trazendo informações sobre desmatamento no Cerrado desde agosto de 2020.

A confirmação de um alerta de desmatamento é realizada a partir da identificação de ao menos dois registros da mesma área em datas diferentes, com intervalo mínimo de dois meses entre as imagens de satélite. A metodologia é detalhada no site do SAD Cerrado.

Relatórios de alertas para o mês de abril e períodos anteriores estão disponíveis neste link. No painel interativo, é possível selecionar estados, municípios, categorias fundiárias e o intervalo temporal para análise.

O objetivo do sistema é fornecer alertas de desmatamentos maiores de 1 hectare, atualizados mês a mês. Pesquisadores entendem que o SAD Cerrado pode se constituir como uma ferramenta complementar a outros sistemas de alerta de desmatamento no bioma, como o DETER Cerrado, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), otimizando o processo de detecção em contextos visualmente complexos.

Acesse os dados georreferenciados clicando aqui.

Investigação de universidade canadense conclui que proeminente biólogo de aranhas fabricou e falsificou dados

Co-autores de artigos agora retratados de Jonathan Pruitt receberam descobertas resumidas de que o cientista violou a política de integridade de pesquisa da McMaster University

jonathan_pruitt

O ex-ecologista comportamental da McMaster University, Jonathan Pruitt, falsificou e fabricou dados, de acordo com o resumo de uma investigação fornecida aos coautores. Photo: Kara Holsopple / The Allegheny Front

Por Claudia Lopez Lloreda

A McMaster University finalmente divulgou os resultados de sua investigação sobre alegações de fraude de dados pelo ecologista comportamental Jonathan Pruitt, descobrindo que o outrora amplamente celebrado cientista se envolveu na “fabricação e falsificação” de dados. A universidade canadense anunciou a notícia em um comunicado hoje , depois de compartilhá-la recentemente com co-autores em alguns dos artigos agora retratados de Pruitt.

A McMaster University disse à Science há 2 anos que sua investigação, conduzida por um Comitê de Audiências, foi concluída e que Pruitt estava deixando a escola após um acordo. Mas, para frustração da comunidade ecológica, na época não detalhou publicamente nenhuma descoberta sobre má conduta. Agora diz que o comitê descobriu que Pruitt “geralmente falhou em atender aos requisitos esperados de um professor titular sob a [Política de Integridade de Pesquisa da universidade] ao conduzir pesquisas”.

“Não acredito que [a universidade] esteja realmente dizendo isso publicamente”, diz Kate Laskowski, co-autora de três artigos com Pruitt que foram especificamente abordados na declaração da McMaster University hoje. “É um grande alívio que eles chamem de fabricação, e falsificação de falsificação. Eles não protegeram suas apostas.” (Laskowski twittou sobre a revelação ontem e Retraction Watch foi o primeiro a relatar o e-mail da escola.)

Laskowski diz que ouviu os representantes da McMaster University pela última vez quando eles a informaram em julho de 2022 que a escola havia feito um acordo com Pruitt para rescindir seu cargo. “Achei que era o fim, nunca pensei que ouviria mais nada”, diz ela.

Laskowski foi uma das primeiras a levantar questões sobre o trabalho de Pruitt. Em janeiro de 2020, ela anunciou no Twitter que estava se retratando de um artigo do qual era a primeira autora e Pruitt coautor. “Havia um número inesperado de valores duplicados que eu nunca havia notado antes”, ela compartilhou, explicando que, como Pruitt também não conseguiu explicar as anomalias nos dados, suas descobertas – sobre o comportamento social das formigas – não foram suportadas. por dados.

Dois outros artigos que Laskowski co-escreveu com Pruitt seriam retratados, e isso também levou ao escrutínio de muitos dos outros co-autores do cientista. Até o momento, 15 artigos de Pruitt foram retratados nos últimos 3 anos.

Após uma série de descobertas de alto nível no início de sua carreira, Pruitt recebeu o prestigioso título de Canada 150 Research Chair em 2018. Mas quando a investigação da McMaster sobre o que ficou conhecido como #PruittGate terminou, ele  foi colocado  em licença e eventualmente renunciou ao cargo .  

Em resposta ao Science Insider hoje, Pruitt se recusou a comentar sobre a investigação da McMaster University. “Estarei disponível para conversar no outono, quando meu primeiro livro for lançado”, eles responderam.

Quando as acusações contra Pruitt surgiram pela primeira vez há 3 anos, muitos jornais inicialmente esperaram que a McMaster University conduzisse sua investigação, particularmente à luz das cartas dos advogados de Pruitt instando-os a não retratar imediatamente nenhum documento . Mas uma vez que alguns editores obtiveram os dados originais para os jornais e viram que a investigação da universidade levaria tempo, os editores foram em frente e decidiram retratar os artigos de Pruitt por conta própria.

“Tornou-se óbvio que poderia demorar muito até que a decisão viesse da McMaster”, diz Susan Healy, que era editora executiva da revista Animal Behavior , que publicou e subseqüentemente retirou três dos artigos de Pruitt. Healy sugere que a McMaster University pode ter precisado de tempo para fazer uma investigação completa em um grande conjunto de artigos. Mas ela acrescenta: “Decidimos, em última análise, que poderíamos tomar as decisões sem eles”. A Animal Behavior, na qual Healy agora supervisiona a ética editorial, ainda não foi contatada diretamente pela McMaster University sobre as conclusões de sua investigação.

As descobertas resumidas da McMaster abrangem oito artigos de Pruitt e concluem que ele fez duplicação de dados e manutenção inadequada de registros. A evidência apresentada à universidade nos três artigos em coautoria com Laskowski “estabeleceu que os dados e sequências de dados foram duplicados em todos os três artigos”, concluiu o Comitê, acrescentando que também estava “satisfeito com as evidências no sentido que o Dr. Pruitt se envolveu na fabricação e falsificação a respeito de se as aranhas foram coletadas para o estudo realizado, sobre quais aranhas foram usadas, e se os ensaios foram conduzidos para apoiar a publicação dos artigos”. O Comitê também disse que “não há explicações estatísticas ou biológicas para os tipos de duplicação observados em outros dois artigos investigados”. 

Lena Grinsted, co-autora de Pruitt em três artigos, também compartilhou ontem no Twitter um aviso por e-mail da McMaster University dizendo que descobriu que Pruitt também fabricou dados nesses artigos, o mais recente dos quais foi retratado pela Nature . “Foi realmente uma jornada dolorosa para todos os envolvidos”, tuitou Grinsted, bióloga evolutiva da Universidade de Portsmouth . “Espero que todos nós tenhamos aprendido algumas lições valiosas com tudo isso.”

Alguns editores de periódicos dizem que a conclusão oficial de má conduta da McMaster não mudará muito em termos de investigações e retratações. “A maioria dos periódicos que estavam prestando atenção já faziam isso”, diz Daniel Bolnick, um biólogo evolutivo da Universidade de Connecticut, co-autor de alguns artigos de Pruitt e editor-chefe do The American Naturalist. Assim que o escândalo estourou, ele começou a investigar todos os artigos de Pruitt publicados na revista.

“Minha perspectiva como editor era: ‘Acredito nas conclusões biológicas?’ E a resposta foi não”, diz Bolnick. Mas se isso foi devido à fabricação de dados ou incompetência, era mais difícil para ele discernir, então ele deixou esse julgamento para a McMaster. “Eles claramente voltaram com a conclusão de que era fabricação e falsificação”, diz Bolnick.

Laskowski acha que isso pode ajudar outros co-autores a limpar o registro com periódicos. Também sinaliza para ela e outros o fechamento de um calvário de 3 anos. Ela costuma dar uma palestra sobre integridade de dados que inclui sua história e geralmente termina dizendo que a comunidade ecológica acredita que Pruitt fabricou dados. “Agora, posso atualizá-lo e dizer ‘Aqui está o fim’.”


compass black

Este texto artigo escrito originalmente em inglês foi publicado pela Science [Aqui! ].

Rigoni e Rodrigo Agostinho são ‘despachantes das grandes empresas poluidoras’

Campanha Nem Um Poço a Mais repudia Licença de Instalação dada ao Porto Central pelo Ibama, com apoio da Seama

rigoni agostinho

Assembleia Legislativa/Câmara dos Deputados

Por Fernanda Couzemenco para o “Século Diário”

“Rodrigo Agostinho e Felipe Rigoni, vocês são despachantes das grandes empresas que ignoram seu papel em defesa do Meio Ambiente, dos povos tradicionais, da pesca tradicional, da sociobiodiversidade, do destino do planeta, ou são presidente do Ibama e Secretário de Meio Ambiente do Estado do Espírito Santo?”

A provocação é feita em nota de repúdio publicada nesta sexta-feira (12) pela Campanha Nem Um Poço a Mais, reagindo à notícia da liberação, pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Licença de Instalação (LI) para o Porto Central, em Presidente Kennedy, sul do Estado, com “lobby da Seama” para a consolidação do empreendimento.

“Entendemos que não há viabilidade de coexistência possível entre o empreendimento, as comunidades e a preservação do meio ambiente. Dizemos não à instalação do Porto Central e cobramos responsabilidade e comprometimento com a população capixaba e com a preservação do meio ambiente por parte do Governo do Espírito Santo, Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Seama) e Ibama”, afirma a Campanha.

A nota será encaminhada para o governador Renato Casagrande (PSB), a Seama, o Ibama, o deputado Gandini (PSB), presidente da Comissão de Proteção ao Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, e para o senador Fabiano Contarato (PT), da Frente Parlamentar Ambiental do Congresso Nacional.

A Campanha denuncia uma série de incoerências no processo de licenciamento em relação aos impactos sociais e ambientais que a construção e operação do empreendimento irão provocar na região. Entre eles, o desmatamento de quase mil hectares de vegetação nativa, protegida por lei; e os prejuízos para a pesca artesanal e outras comunidades tradicionais, sem cumprimento da consulta prévia, livre e informada, prevista na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que garante aos povos originários e comunidades tradicionais o direito à Consulta prévia, livre e informada.

Especificamente sobre a pesca artesanal, um fato que chama atenção é a invisibilização das comunidades ribeirinhas do rio Itabapoana, que somente agora, com a liberação da LI, é que serão caracterizadas. “É um absurdo. Os estudos até agora, o EIA-Rima [Estudo e Relatório de Impacto Ambiental], não contemplam os ribeirinhos”, repudia o professor do Instituto Federal Fluminense (IFF) em Bom Jesus do Itabapoana Carlos Freitas, vice-coordenador da ONG Reflorestamento e Ecodesenvolvimento do Itabapoana (Redi).

“Eles iriam se instalar como se não existissem essas comunidades. É o maior absurdo! O Porto vai aterrar parte dos alagados onde essas comunidades moram. O bota-fora da areia da restinga onde vai ser feito o canal para o mar entrar, possivelmente, vai ser jogado na parte de trás do porto, nos alagados do Itabapoana”, descreve.

Um canal como o que vai ser construído para o Porto Central, “é uma ferida que se faz dentro da restinga”, metaforiza. Ferida que fragiliza a capacidade da restinga proteger os alagados onde vivem as comunidades ribeirinhas, seja pela modificação da dinâmica da maré, que influencia o ambiente fluvial, seja pela salinização das águas do rio e alagados. “E há também as comunidades pesqueiras do norte do Rio de Janeiro, que não foram incluídas ainda”, acrescenta.

Rosilene Miliotti

A inclusão tardia dos ribeirinhos, pontua o ambientalista, só aconteceu por pressão da Colônia de Pesca Z-14, de Presidente Kennedy. E mesmo a pesca marinha, também foi subestimada e demorou para ser de fato contemplada nos estudos. “No início diziam que praticamente não havia pesca artesanal em Presidente Kennedy e que, por isso, o porto não iria impactar a atividade”, recorda.

Carlos Freitas ressalva, no entanto, que a caracterização dos ribeirinhos, que agora se inicia, não é garantia de atendimento de suas necessidades. “Eles [técnicos contratados pelo Porto Central para a caracterização] afirmam que o canal só vai começar em 2029, então a negociação com as comunidades só será iniciada nessa fase. As comunidades vão ficar por anos apreensivas, vendo as mudanças acontecendo, mas só poderão negociar compensações e reparação em 2029! Os advogados da Colônia estão tentando mudar isso também”, informa.

Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)

Outro ponto ressaltado na nota de repúdio da Campanha e testemunhado pela Redi é em relação à vulnerabilidade das mulheres e moças, em função da chegada de uma multidão de trabalhadores para a construção do porto. Os casos de assédios e verdadeiras epidemias de gestações de jovens que se tornam mães solos após a saída dos trabalhadores do local, com o fim das obras, são recorrentes em todas as experiências pretéritas semelhantes, em todo o país. Tanto, que o Rima do Porto Central tem tópicos específicos sobre o tema.

A forma como o assunto é abordado, no entanto, está longe de sanar os reais problemas, avalia o vice-coordenador da Redi. A inconsistência ficou explícita durante uma reunião em que ele participou no final de abril, em São Francisco de Itabapoana, no norte fluminense. 

“Não avisam a gente das reuniões, sempre chegando na surpresa. Eu assisti a apresentação de um relatório de atividades, onde constavam muitas palestras sobre prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) para estudantes. Perguntei se além de palestras sobre o assunto, se haveria também investimento em política pública, para apoiar os municípios nesse trabalho, e responderam que não era responsabilidade deles. Como se fazer palestras fosse o suficiente para evitar essa tragédia, que já vimos acontecer em tantos lugares”.

No Rima, é possível encontrar dois impactos sociais que abordam a questão: “Interferência no cotidiano da população” e “Agravamento de problemas sociais”. Para o primeiro, as medidas mitigadoras estabelecidas são “estabelecer normas de conduta à mão de obra contratada no que se refere ao relacionamento com os moradores e seu comportamento em áreas públicas e estabelecimentos”; “Aplicar programa sobre DSTs e seus efeitos à mão de obra contratada e população”; e “Fazer o acompanhamento de incômodos aos moradores decorrentes da presença de pessoas estranhas ao local pelo PMS [Programa de Monitoramento Socioeconômico]”.

Sobre o segundo, o Rima diz: “Ações devem ser estabelecidas no Programa de Comunicação, com aplicação periódica através de contatos com os representantes e organizações locais. Palestras devem ser realizadas para jovens nas escolas e centros comunitários sobre problemas como prostituição e doenças relacionadas à presença de tripulantes no local. Acompanhamento pelo Programa de Monitoramento”.

Santuário das Neves

A nota de repúdio pontua ainda que o projeto do Porto Central foi barrado na Comissão de Meio Ambiente do Conselho Estadual de Cultura (CEC), por impactar diretamente o patrimônio histórico e cultural da Igreja de Nossa Senhora das Neves, que recebe anualmente em sua romaria mais de 50 mil visitantes.

“Bispos do ES e RJ se manifestam contrariamente ao Porto Central. A igreja que foi construída pelos Padres Jesuítas no século XVII, e que é Patrimônio Histórico do Espírito Santo, corre o risco de ficar ilhada pelo parque industrial!”, acrescentando que “a construção da área industrial do porto colocará em xeque a preservação de sambaquis, patrimônios culturais, existentes nas proximidades da Igreja Nossa Senhora das Neves”.

Rosilene Miliotti

Clima

A carta ressalta a incoerência dos gestores que apoiam o empreendimento, mas se dizem comprometidos com o enfrentamento à crise climática. “Considerando os compromissos climáticos do Brasil em reduzir as emissões de gases do efeito estufa, não faz sentido implantar mais portos para atender a cadeia de petróleo e gás, principais causadores da emergência climática que vivemos”.

A Campanha enfatiza ainda que “o Porto Central estaria a cerca de 160 km do Porto do Açu, no norte do Rio de Janeiro, que funciona com menos de 1/3 de sua capacidade (1.200.000 barris/ano). Já implantaram a Imetame em Aracruz e ainda querem instalar a Petrocity em São Mateus! Lula e Casagrande como justificam esta contradição?”, questiona a Campanha. “O desenvolvimento que os senhores defendem é para quê e para quem? , reiteram.

Divulgação

Condomínio portuário

Conforme informa o empreendimento, “o Porto Central é um complexo industrial portuário privado multi-propósito desenvolvido no modelo de condomínio portuário, no qual os empreendedores são responsáveis pela construção, manutenção e administração da infraestrutura portuária, terrestre e de utilidades, e os clientes do Porto Central arrendam áreas para a implantação de suas respectivas indústrias e terminais”, citando os seguintes clusters a serem atendidos: “Óleo e Gás (incluindo GNL); Geração de Energia; Agronegócio (como soja, milho e fertilizantes); Carga Geral (como produtos siderúrgicos, granito e mármore, carros e equipamentos); Contêineres; Minerais (como minério de ferro); e Industrias Offshore (como base de apoio e estaleiros navais)”.

Sobre as dimensões, “o Porto Central será instalado em uma área de aproximadamente dois mil hectares, o equivalente a três mil campos de futebol, (…) Acomodará vários terminais de grande escala ao longo de seus 10 Km de berços e píeres” e terá profundidade de até 25 metros, estando apto “a receber os maiores navios do mundo, tais como VLCC’s e Valemax, com até 400 mil toneladas de capacidade”. O canal de acesso, informa, terá 300 metros de largura, “permitindo duas vias de tráfego simultâneo para navios de médio porte e tráfego de sentido único para os maiores navios”.

Além do espaço do porto propriamente dito, “o município de Presidente Kennedy designou uma área de 6.815 hectares ao redor do porto para ser desenvolvida como um distrito industrial, contribuindo para o crescimento planejado e integrado da região”.


compass black

Este texto foi originalmente publicado pelo jornal “Século Diário” [Aqui!].

Com agricultura viciada em venenos agrícolas, o brasileiro é envenenado todos os dias via a ingestão de água e alimentos

afogados em veneno

Venho acompanhando a problemática dos agrotóxicos há pelo menos duas décadas e o quadro está cada vez mais preocupante. Além de já termos evidências científicas acumuladas mostrando que os resíduos de agrotóxicos já estavam presentes nos solos e recursos hídricos, agora estão aparecendo cada vez mais estudos apontando a presença dessas substâncias no sangue e urina não apenas de quem trabalha diretamente com elas, mas também em quem os ingere via água e alimentos.

Uma dificuldade que agora passa a ser superada é a relação do aumento dos resíduos de agrotóxicos (sozinhos ou combinados) no corpo humano. E o que está surgindo é algo que deveria já ter ser tornado um problema crítico de saúde humana, visto que vários estudos já estão relacionando a incidência de doenças graves com o consumo de água e alimentos contaminados com resíduos de agrotóxicos. E quando se fala de doenças graves, estou falando não apenas de múltiplos tipos de câncer, mas também de doenças neurológicas e do sistema glandular.

No caso do Brasil a lentidão de tomada de posição por parte das autoridades sanitárias é agravada pelo modelo econômico que se tornou cada vez mais dependente da renda gerada pela agricultura de exportação, como é o caso da soja.  Essa dependência é agravada pelo poder político dos setores que se beneficiam do modelo agrícola, sejam eles latifundiários ou grandes corporações multinacionais que estão ligadas à  exportação ao longo da cadeia de produção e de comercialização.

Como já disse de forma repetida, a questão dos agrotóxicos se tornou uma espécie de pedra angular no debate sobre o modelo de desenvolvimento econômico que se propõe para o Brasil.  É que sem haver uma virada no modelo agrícola, o que teremos é cada vez mais a aplicação de venenos agrícolas banidos em outras partes do mundo por serem extremamente danosos à saúde humana e ao meio ambiente.

O problema é que mais uma vez temos um governo central que é prisioneiro da lógica que não se pode mexer com o poder dos latifundiários por causa da dependência que está criada com o modelo agrícola que eles representam.  Com isso, o debate sobre as características desse modelo, que vive às custas não apenas do dinheiro doado pelo Estado via generosos subsídios entregues na forma de créditos agrícolas que nunca são pagos, mas também do adoecimento geral da população, terá que vir de dentro da própria população e dos setores mais organizados de dentro dela.

Uma boa oportunidade para se fazer o devido enfrentamento contra esse modelo agrícola viciado em agrotóxicos é a luta contra a aprovação do Pacote do Veneno que se encontra neste momento em debate no Senado Federal. E como ele deve ser aprovado, essa batalha terá que continuar como parte de um poderoso movimento social, que pode ser iniciado com uma campanha imediata contra o uso de agrotóxicos banidos em outras partes do mundo. Do contrário, o envenenamento diário cobrará um preço muito caro de todos nós.

Fóssil de dinossauro premiado será finalmente devolvido ao Brasil

Após acusações de roubo, um museu alemão deve entregar um espécime de dinossauro único com estruturas semelhantes a penas

bira jubatus

O fóssil Ubirajara jubatus é um holótipo – um espécime modelo que define a espécie. crédito: Felipe L. Pinheiro

Por Meghie Rodrigues para a “Nature”

Após mais de dois anos de negociações, um polêmico fóssil está a caminho de casa. O espécime – que representa o primeiro dinossauro não aviário com estruturas semelhantes a penas encontrado na América do Sul – retornará ao Brasil em junho, de acordo com o Instituto Guimarães Rosa, de Brasília, órgão do Ministério das Relações Exteriores do Brasil voltado para a cultura e diplomacia educacional.

O fóssil de 110 milhões de anos, atualmente no Museu Estadual de História Natural de Karlsruhe, na Alemanha, está desde dezembro de 2020 no centro de uma disputa entre autoridades brasileiras e alemãs. e o Reino Unido publicaram um trabalho de pesquisa descrevendo o espécime e seu dinossauro, Ubirajara jubatus , na revista Cretaceous Research 1 . Os pesquisadores obtiveram o fóssil na década de 1990 na Bacia do Araripe, no Brasil, e o guardaram no museu alemão.

No entanto, o Brasil possui uma lei, promulgada em 1942 , que estabelece que os fósseis são de propriedade federal e não podem ser retirados de suas fronteiras sem permissão. Os autores do artigo disseram ter uma autorização de um funcionário da mineração brasileira permitindo a exportação do espécime de Ubirajara . Rafael Rayol, promotor público de Juazeiro do Norte, Brasil, que está trabalhando no caso Ubirajara , disse à Nature que não houve doação explícita do fóssil quando ele foi removido do Brasil. “Houve uma doação de caixas contendo algum material fóssil desconhecido”, disse ele. “Em teoria, é possível que Ubirajara estava naquelas caixas — de qualquer forma, a autorização emitida pelo antigo Departamento de Produção Mineral do Brasil na década de 1990 não seguiu os trâmites legais.”

Vai e volta

O caminho do fóssil de Ubirajara de volta ao Brasil foi longo e tortuoso.

Após a publicação do artigo na Cretaceous Research , uma campanha online com a hashtag #UbirajaraBelongsToBrazil pediu a devolução do espécime, citando o colonialismo paleontológico , no qual cientistas de nações ricas retiram fósseis de nações de baixa e média renda. Por ser o único espécime conhecido de seu tipo e estar bem preservado, os pesquisadores consideram o fóssil de Ubirajara um holótipo – um espécime padrão-ouro usado para descrever uma nova espécie.

A representação deste artista mostra como o Ubirajara jubatus , com lanças semelhantes a penas projetando-se de seus ombros, poderia ter sido. Crédito: Pavel Galvan

Os holótipos, em particular, são protegidos por uma lei brasileira de 1990 que proíbe sua exportação do Brasil. À luz das questões legais em torno do caso, a Cretaceous Research acabou retirando o artigo.

Em setembro de 2021, o museu de Karlsruhe disse que não repatriaria o espécime. O Ministério Público no Brasil então entrou com um pedido oficial ao governo alemão, pedindo a devolução do fóssil. Mas o Ministério Federal das Relações Exteriores da Alemanha emitiu uma nota em abril do ano passado afirmando que o país não o devolveria.

Em julho de 2022, no entanto, o estado alemão de Baden-Württemberg, onde está localizado o museu Karlsruhe, decidiu a favor da repatriação, em resposta a uma proposta da então ministra da ciência do estado, Theresia Bauer.

Segundo Gustavo Bezerra, conselheiro do Instituto Guimarães Rosa, o exemplar de Ubirajara deve ser entregue em junho ao Museu Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro, durante a visita de um oficial alemão. Este museu pegou fogo em 2018 após uma falha elétrica em seu sistema de ar condicionado e agora está sendo reconstruído.

“O museu quer a peça como uma contribuição para sua reconstrução”, diz Alexander Kellner, seu diretor. Mas ainda há alguma incerteza. O museu ainda não teve contato com o governo alemão sobre a transação, diz Kellner.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil disse à Nature que designou o Museu Nacional para receber o fóssil. A embaixada da Alemanha em Brasília disse à Nature que, no momento, parceiros brasileiros e alemães estão em “conversas em vários níveis” sobre como e em que contexto a entrega ocorrerá.

Uma nova era?

A comunidade científica brasileira espera que o retorno do fóssil de Ubirajara abra um novo capítulo para a paleontologia mundial.

“O retorno desse material significa muito”, diz Aline Ghilardi, paleontóloga da Universidade Federal do Rio Grande do Norte em Natal, Brasil, e uma das pesquisadoras que liderou a campanha #UbirajaraBelongsToBrazil.

É uma “mensagem importante contra o colonialismo da ciência no século XXI e abre um forte precedente para que mais fósseis voltem aos seus países de origem”, diz ela. Mas ela teme que ainda haja batalhas a serem travadas sobre o “colonialismo interno” – em que instituições em regiões mais ricas de um país exploram as mais pobres. Em particular, ela está preocupada com o fato de o fóssil de Ubirajara ir para o Museu Nacional e não para o Museu Paleontológico Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, que fica próximo à Bacia do Araripe, onde o espécime foi coletado.

Para Hermínio Araújo, paleontólogo da Universidade Federal do Rio de Janeiro e também presidente da Sociedade Brasileira de Paleontologia, a devolução do fóssil passa outra mensagem importante: ações como a de devolução de Ubirajara são importantes e mostram o poder que um comunidade pode ter quando “fala e denuncia tais situações”.

doi: https://doi.org/10.1038/d41586-023-01603-y

Referências

  1. Smyth, RSH, Martill, DM, Frey, E., Rivera-Sylva, HE & Lenz, N. Cretac. res . https://doi.org/10.1016/j.cretres.2020.104686 (2020).


Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela “Nature” [Aqui!].

O Porto do Açu e a extrema pobreza em São João da Barra: dados mostram que o tão prometido desenvolvimento econômico não passou de miragem

Lanlamento da pedra fundamental Porto do Açu -27-12-2006 (1)

Eike Batista e o lançamento da pedra fundamental do Porto do Açu no distante ano de 2006

Em função das minhas múltiplas tarefas semanais na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), acabei não cometendo mais uma excelente postagem vinda do blog do economista José Alves Neto. Me refiro ao texto em que ele aborda a prevalência da miséria extrema na região Norte Fluminense. Segundo dados apresentados pelo José Alves Neto, a  extrema pobreza afeta 17.294 pessoas ou 47,08% dos habitantes do município de São João da Barra (36.731), o que vem a ser o índice mais alto de todo o Norte Fluminense. José Alves Neto lembra ainda que  é justamente São João da Barra que abriga o Porto do Açu onde alegadamente foram investidos mais R$20 bilhões de desde 2014 e se deverá investir outros R$ 22 bilhões até 2033, conforme está anunciado no site do empreendimento.

Como tenho estudado o empreendimento com profundida desde que começou a sua implantação, sou obrigado a apontar para o fato de que a maior parte desses investimentos realizados serviram apenas para criar um enclave geográfico com pouquíssimo contato com as áreas externas pertencentes ao município de São João da Barra.

Além disso, a verdade é que, apesar de todo o dinheiro aplicado na custosa implantação do Porto do Açu, o empreendimento até hoje é  “mais espuma do que chopp”. Segundos dados levantados por movimentos sociais, o Porto do Açu funciona hoje com menos de um terço de sua capacidade na área de óleo e gás, reforçando o óbvio que é o fato de que todo o dinheiro ali investido pelo Estado brasileiro foi basicamente um grande desperdício econômico. É que, como mostram os dados levantados por José Alves Neto, o Porto do Açu não só não serviu para aliviar a extrema miséria, mas acabou retirando as fontes de geração da renda de milhares de famílias de agricultores e de pescadores artesanais que vivam modestamente, porém com dignidade, no território de onde foram defenestradas para a instalação do empreendimento.

A concorrência do Porto Central deverá aumentar a inoperância do Porto do Açu e agravar a extrema pobreza no Norte Fluminense

Mas como desgraça pouca é bobagem, o jornal “A Gazeta”  informou ontem (11/5) que o presidente do IBAMA, Rodrigo Agostinho, informou que foi emitida a licença de instalação do Porto Central que ficará sediado no município de Presidente Kennedy (ES).  O Porto Central é uma espécie de cópia minimizada do Porto do Açu, mas irá oferecer uma concorrência direta para um empreendimento que nunca esteve à altura das promessas mirabolantes de Eike Batista (ver imagem abaixo).

Porto Central colocará  o Estado no caminho de  mais cargas

Maquete do Porto Central que teve sua construção em Presidente Kennedy (ES) liberada pelo IBAMA

O pior é que estando localizado a apenas 160 km de distância rodoviária de São João da Barra, o Porto Central deverá agravar os problemas ambientais que já foram gerados nas áreas ao norte do Porto do Açu, atingindo diretamente as cidades de Bom Jesus de Itabapoana e São João da Barra o que, por sua vez, deverá agravar os problemas sociais, com o risco de aumentar ainda mais a extrema pobreza nesses dois municípios. 

Não tenho dúvidas de que o somatório desses dois portos irá causar estragos ainda incalculáveis para toda a região Norte Fluminense, mas principalmente para os segmentos que hoje se encontram nas piores condições de vida.   É que esses enclaves geográficos não estão sendo idealizados para gerar desenvolvimento regional, mas sim formas ainda mais absurdas de exploração dos territórios onde são instalados. Aliás, no dia de hoje foi iniciada mais uma greve de trabalhadores no Porto do Açu que demandam  reajustes de até 30% em algumas categorias, além de reivindicar melhores condições de trabalho. Como se vê, mais um bom exemplo de que a miragem não resiste a um exame mínimo dos fatos.

Degradação florestal deve ser foco da agenda ambiental, afirmam pesquisadores

Por meio de policy brief, grupo de pesquisadores defende a atualização do PPCDAm para alinhar combate à degradação e ao desmatamento de maneira eficiente.

degradation 1

O combate à degradação florestal deve ser uma das prioridades do PPCDAm (Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal), principal projeto para conter o desmatamento no país, de acordo com o policy brief apresentado ao governo federal. O IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) integra o grupo de organizações que elaborou e entregou o documento ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em 25 de abril.

A degradação florestal é o processo de deteriorização das florestas remanescentes da Amazônia, resultado de distúrbios causados pela ação humana, como o fogo e a exploração madeireira ilegal. Enquanto o desmatamento remove toda a vegetação de uma área, a degradação mantém alguma parte, mas em um estado enfraquecido e ainda mais vulnerável, podendo contribuir para queimadas de grande extensão e perda de biodiversidade, por exemplo.

Entre 1992 a 2014, foram degradados 337.427 km², enquanto o desmatamento atingiu 308.311 km², segundo o policy brief. Áreas degradadas também respondem por um volume de emissões de CO² semelhante ao das áreas desmatadas. Pesquisas estimam que florestas degradadas bombeiam um terço a menos de água para a atmosfera do que florestas intactas, afetando diretamente o abastecimento hídrico e a produção de chuva em diversas regiões do país.

“O policy brief demonstra claramente que a situação das florestas da Amazônia vai muito além do desmatamento. A degradação, e principalmente aquela causada por incêndios florestais e a exploração madeireira desordenada, causa impactos que devem ser levados em consideração”, afirma a diretora de Ciência do IPAM e uma das autoras do documento, Ane Alencar.

Atualmente, as políticas públicas brasileiras estão concentradas no controle e na redução do desmatamento. Contudo, as características do fenômeno de degradação tornam ações focadas no combate e na fiscalização do desmatamento pouco eficazes, segundo o estudo, que também responde algumas concepções equivocadas sobre as florestas degradadas.

“A degradação acaba sendo um mal invisível. Ouvimos muito falar de cortes rasos, desmatamento e queimadas, mas muito pouco sobre a degradação que vai destruindo as florestas e minando os estoques de carbono, a biodiversidade, os serviços ecossistêmicos. Isso fica imperceptível até nos satélites que monitoram as florestas”, aponta Alencar.

Propostas

O policy brief apresentado pelos pesquisadores busca o aprimoramento das técnicas de mapeamento de florestas degradadas e defende a criação de um fundo de emergência capaz de apoiar a proteção de áreas degradadas consideradas prioritárias. O documento defende a criação de mecanismos específicos para garantir a qualidade das áreas dentro de reservas legais e outras áreas protegidas, além da necessidade de um grupo de trabalho técnico-científico que atue junto ao MMA no desenvolvimento de novas políticas.

“O principal ponto são as recomendações que nós fazemos com medidas específicas para o controle do problema da degradação amazônica. Recomendamos que seja criada a lista dos municípios que mais degradam e o aperfeiçoamento dos métodos de monitoramento. Temos as ferramentas e o conhecimento para isso e é possível aplicar”, destacou a pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental, Joice Ferreira.

Para os pesquisadores envolvidos na criação do documento, a cooperação entre institutos de pesquisa públicos e civis, órgãos de fiscalização e autoridades é parte fundamental do combate à degradação. Nesse sentido, as atualizações sugeridas ao PPCDAm permitiram a união entre as técnicas desenvolvidas por pesquisadores e os bancos de dados mantidos pelo poder público.

“O governo pode atuar auxiliando com dados para que áreas consumidas pela degradação da atividade madeireira sejam monitoradas e fiscalizadas. Existem áreas, por exemplo, em que a extração irregular de madeira é indicada por inconsistências nos dados apresentados pelas empresas. É importante que tenhamos ferramentas e mecanismos que consigam monitorar essas áreas para que a gente qualifique o debate à degradação”, destaca o pesquisador do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), Dalton Cardoso.

policy brief foi resultado do encontro “Degradação das florestas amazônicas: um diálogo entre ciência e sociedade em busca de soluções”, ocorrido em Belém (PA), no mês passado. Participaram da elaboração, além do IPAM, CEMADEN (Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais), Museu Paraense Emílio Goeldi, EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), SEMA-PA (Secretaria de Estado de Meio Ambiente) do Pará, Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), Woodwell Climate Research Center, UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), Universidade Federal Rural da Amazônia, NASA (National Aeronautics and Space Administration), UFPA (Universidade Federal do Pará), Universidade de Yale, Universidade de Oxford e Universidade de Lancaster.