Instrumento para defesa de direitos, comunidades tradicionais da Ilha do Mel (PR) lançam protocolo de consulta

Documento apresenta acordos e regras coletivas sobre como comunidades se organizam e decidem sobre ações que afetam seus modos de vida

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Brasília, 09 de novembro de 2021 –  As comunidades de Brasília, Farol, Fortaleza e Praia Grande, localizadas na Ilha do Mel (PR), lançam nesta quarta-feira (10) o Protocolo Comunitário de Consulta Prévia, Livre e Informada. A atividade é aberta ao público e inicia às 17h, no trapiche de Brasília.

Instrumento de autodefesa, autoafirmação e busca pela garantia de direitos das comunidades tradicionais, o protocolo de consulta prévia é fruto de um conjunto de debates realizados pelas comunidades nos últimos meses e apresenta os acordos e regras coletivas sobre como comunidades se organizam e decidem sobre ações que afetam seus modos de vida. Diante de empreendimentos, projetos de leis ou outras medidas administrativas que possam impactar a vida das comunidades, o protocolo é uma referência orientadora para as comunidades sobre como proceder para a escuta às famílias e para a tomada de decisão.

“Por meio do protocolo de consulta, retomaremos a participação na gestão do nosso território que é a Ilha do Mel, podendo ter poder decisório sobre todas as ações que nos envolvam direta ou indiretamente”, destaca a secretária da Associação dos Nativos da Ilha do Mel (Animpo), Marinelli Campos Pedrussi.

Questões como enfrentamento à especulação imobiliária e necessidade de extensão da área de moradia para a população nativa são fortemente presentes no cotidiano das comunidades. Amparados pelo direito à consulta prévia, livre e informada – direito previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), um tratado internacional ratificado pelo Brasil desde 2004 – as comunidades descrevem no protocolo como as instituições governamentais e não governamentais devem promover mecanismos de escuta e consulta às comunidades tradicionais.

“O território da Ilha do Mel sofre repressões no acesso à direitos, dentre eles o direito à moradia em decorrência, sobretudo, da especulação imobiliária, a injustiça ambiental e um Estado que não compreende os modos de ser e viver das populações tradicionais em convívio com os espaços ambientalmente protegidos. Por essas razões o Protocolo de Consulta é importante instrumento que unifica a identidade tradicional e serve como um documento de enfrentamento das violações e garantia de direitos”, destaca a assessora jurídica da Terra de Direitos, Jaqueline Andrade.

Para além da apresentação de acordos coletivos o documento ainda reúne elementos que compõem a memória, práticas e cultura entre outros, das comunidades tradicionais. A elaboração dos Protocolos de Consulta dos Quilombos de Monte Alegre contou com apoio da Animpo e teve assessoria técnica da Terra de Direitos e do Centro de Pesquisa e Extensão em Direito Socioambiental (Cepedis).

A atividade de lançamento contará com falas das comunidades, das organizações apoiadoras e exposição de conteúdo sobre a história local, além de comidas típicas e música tradicional caiçara. Em razão da pandemia os protocolos de segurança sanitária serão mantidos, tais como uso obrigatório de máscara e distanciamento social.

Serviço

Lançamento Protocolo Comunitário de Consulta das Comunidades Tradicionais de Brasília, Farol, Fortaleza e Praia Grande – Ilha do Mel (PR)

Data: 10 de novembro, às 17h

Local: Trapiche de Brasília

Na COP26, verde é a cor mais jovem

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Geralmente cautelosa, a ONU, compreensivelmente abalada com os resultados do último relatório do IPCC, fez soar este ano as trombetas do apocalipse: botou o dinossauro (de computação gráfica) Frankie para anunciar a COP26, dizendo que o fim está próximo. O vídeo fez o maior sucesso; mas, incrivelmente, a extinção da Humanidade não foi um tema capaz de sensibilizar todo mundo. Com sinceridade rara, o primeiro-ministro britânico, o conservador Boris Johnson, resumiu o porquê, no discurso de abertura do evento: “Caros líderes, todos aqui falamos o que faremos em 2050 0u 2060, mas metade da população do mundo tem menos de 30 anos, enquanto a média de idade das pessoas presentes a este encontro é de mais de 60 anos”. Os sete últimos anos foram os mais quentes já registrados.

É duro, mas é verdade: a geração anterior quer legar a vocês, jovens, a responsabilidade de salvar um mundo em frangalhos para a próxima – se ainda der tempo. Como generais que mandam garotos para a guerra. Enquanto eles aproveitam o fim de festa, vocês herdam o rabo de foguete. “Estamos a um minuto da meia-noite e precisamos agir mais. Se não fizermos nada hoje, será muito tarde para os nossos filhos fazerem algo no futuro. Se não formos sérios a respeito da mudança climática hoje, será tarde demais para nossos filhos fazê-lo amanhã”, acrescentou Johnson, dando uma dimensão ainda mais exata do tamanho do problema. Ele terá 96 anos em 2060.

O presidente do Brasil, que tem 64 anos, preferiu não ir a Glasgow. Na abertura da COP, o país foi  representado por uma jovem indígena de Rondônia, que se apresentou assim: “Meu nome é Txai Suruí, eu tenho só 24, mas meu povo vive há pelo menos 6 mil anos na Floresta Amazônica. Meu pai, o grande cacique Almir Suruí, me ensinou que devemos ouvir as estrelas, a Lua, o vento, os animais e as árvores. Hoje o clima está esquentando, os animais estão desaparecendo, os rios estão morrendo, nossas plantações não florescem como antes. A Terra está falando. Ela nos diz que não temos mais tempo”.

Por trás de sua aparente calma, os indígenas têm a exata noção da urgência da situação; quando também são jovens, têm menos travas na língua. “Precisamos tomar outro caminho com mudanças corajosas e globais. Não é 2030 ou 2050, é agora!”, emendou Txai. Relembrando a primeira vez que viu a fumaça dos incêndios na Austrália chegarem ao seu território ancestral, a neozelandesa India Logan-Riley, do povo Maori, discursou no mesmo microfone usado pela brasileira e Boris Johnson: “Naquele momento, nossa vida foi afetada pelos impactos da mudança do clima em outro país”. Vanessa Nakate, jovem ativista de Uganda, lembrou que quem menos polui, paga mais caro: “Historicamente, a África é responsável por apenas 3% das emissões globais e ainda assim os africanos estão sofrendo alguns dos impactos mais brutais da crise climática”.

É um sentimento global, que não é exclusivo dos povos tradicionais: “São 30 anos de blá-blá-blá”, discursou em Milão, na Itália, a ativista sueca Greta Thunberg, para um grupo de 400 jovens de 200 países. Eles foram selecionados pela ONU para elaborarem um documento dirigido aos líderes mundiais, em evento paralelo à COP. O Fridays For Future, movimento inspirado em Greta, promoveu sua já tradicional passeata em Glasgow. Os jovens também eram a maioria entre as mais de 100 mil pessoas que enfrentaram o frio, o vento e a chuva para protestar contra a inércia dos governantes na Marcha pela Justica Climática, que aconteceu no sábado (6/11) na cidade escocesa. Não esperamos meias-palavras. Mais jovem também pode significar mais verde.

O governo brasileiro continua agindo como o comerciante espertalhão que dobra o valor da mercadoria para vendê-la pela metade do preço no dia da liquidação. Tropeçou na pedalada climática, mas se bobear a ausência do presidente acabou sendo benéfica para o país, que assinou importantes acordos multilaterais – o de zerar o desmatamento até 2030 e o de reduzir em 30% as emissões de metano, via pecuária, também até 2030 –, que ao menos servirão de âncoras até a próxima rodada de negociações. Também serviu para abrir novos canais de interlocução; na falta de Bolsonaro, o príncipe Charles marcou encontro com governadores brasileiros, por exemplo.

O presidente parece viver no mundo das mil e uma noites, enquanto o Reino Unido está entre os países que acreditam que poderão lucrar com a transição energética – sim, eles não fazem isso só porque são bonzinhos. O famoso biólogo americano Thomas Lovejoy, que criou o termo “biodiversidade”, dizia em 2016 que o Brasil poderia ser “a maior potência ambiental do planeta”. O cientista se dizia impressionado com o que o país havia feito nos 40 anos que o conhecia: “Existia apenas uma floresta nacional. Hoje, 57% da Amazônia está sob algum tipo de proteção”, dizia ele. De lá para cá, porém, o desmatamento vem crescendo em ritmo vertiginoso – a ponto de fazer o país seguir na direção inversa do resto do mundo, aumentando suas emissões de CO₂ durante a pandemia. Em nome de que estão abrindo mão de garantir um futuro melhor para as novas gerações? Por que o jovem brasileiro vai pagar esse pato?

Preservar as florestas têm custado muitas vidas também. Segundo o mais recente relatório da ONG Global Witness, nunca tantos ativistas ambientais foram assassinados como no ano passado: 228. Segundo o Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2020, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), os assassinatos entre indígenas no país cresceram 61%: foram registrados 182. Em debate realizado em Glasglow na quinta-feira (4/11), Juma Xipaia, uma das lideranças indígenas que lutaram contra a hidrelétrica de Belo Monte no Pará, foi firme: “Nunca nenhum povo indígena chegou impondo ou destruindo o lar de vocês, pelo contrário, nós defendemos o lar, a vida. Então respeitem a nossa existência”. Txai Suruí deu um exemplo concreto: “Enquanto vocês estão fechando os olhos para a realidade, o guardião da floresta Ari Uru-Eu-Wau-Wau, meu amigo de infância, foi assassinado por proteger a natureza”. Ari tinha só 32 anos e foi encontrado morto em 18 de abril de 2020.

Os povos tradicionais de todo o mundo cuidam de 80% da biodiversidade da Terra, mas só controlam 1% do orçamento global para a preservação. Ao menos esta distorção começou a ser corrigida nesta COP. Reino Unido, Noruega, Alemanha, EUA, Holanda e 17 doadores americanos se comprometeram em criar um fundo de US$ 1,7 bilhão até 2025 a ser administrado por indígenas. “É o princípio da proteção ao nosso povo, mas ele precisa de mais apoio. Não há solução para os problemas da natureza sem que os indígenas estejam no centro”, disse a ativista filipina Vitória Tauli-Corpuz, do povo Kankana-ey Igorot, ex-relatora especial da ONU para os direitos dos povos indígenas. Este é o ponto: é preciso que eles decidam. Para isso, precisam de toda ajuda possível. A Amazônia é importante para o mundo, mas é ainda mais importante para o Brasil. Sem ela não tem chuva, nem agricultura. É um tesouro que nos pertence e devemos deixar para as próximas gerações.

* Na foto: Juma Xipaia, Txai Suruí, Maria Gadu e Alice Pataxó. Crédito: Alice Pataxó.

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Este texto foi incialmente publicado pelo “Uma gota no oceano” [Aqui! ].

Novembro azul: Medo masculino de ir ao médico prejudica diagnóstico de câncer de próstata e outras doenças

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Sete em cada dez homens só vão ao médico por influência da mulher ou dos filhos, segundo dados do Ministério da Saúde. De acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mesmo com coberturas similares dos planos de saúde, 82% das mulheres consultou um médico em 2019 contra 69% dos homens. E durante a campanha do Novembro Azul, que alerta para a prevenção do câncer de próstata, é importante destacar que o Inca (Instituto Nacional de Câncer) estima 65 mil novos casos da doença no triênio 2020-2022, cujas chances de cura são de 90% para diagnósticos precoces.

O diagnóstico tardio muitas vezes nos impossibilita de oferecer um tratamento adequado porque os sintomas da doença são mais difíceis de manejar do que alguns efeitos colaterais de tratamentos. Então é preciso haver conscientização para tentar diminuir o medo do homem e fazer com que ele entenda que a terapia hoje é adaptada para a pessoa e temos como fazer isso ficar mais tolerável sem perder a sua eficácia ou a qualidade de vida”, diz a médica oncologista Danielle Laperche.

unnamed (37)Danielle Laperche, médica oncologista

Enquanto 80% das mulheres faz acompanhamento frequente com o ginecologista, mais de 50% dos homens jamais consultou um urologista, segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Estudo realizado por pesquisadores do Instituto Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz, com homens com vários níveis de escolaridade mostrou que, além de amarras culturais, como o preconceito com práticas de autocuidado, o medo de descobrir uma doença grave e a vergonha de expor o corpo são fatores que mantém os homens longe dos consultórios.

Novembro azul e fatores de risco

Um a cada seis homens irão desenvolver câncer de próstata ao longo da vida e o diagnóstico precoce aumenta muito as chances de cura da doença. Hoje, a prescrição do tratamento depende do estágio, do histórico, do tipo e agressividade do tumor. Os fatores de risco são os mesmos para outros tipos de tumores: sedentarismo, obesidade, alimentação inadequada, dietas ricas em gordura, carnes vermelhas e carboidratos. Além disso, idade acima de 60 anos, histórico familiar e homens negros tem mais chances de desenvolver a doença mais agressiva.

O ideal é fazer exames de rastreamento, como o toque retal, feito pelo urologista, e o exame de sangue do marcador PSA. Em casos suspeitos é realizada a biópsia. Sintomas como a piora da força do jato urinário, dificuldade para urinar, necessidade de urinar muitas vezes em um período de tempo curto, acordar a noite para urinar, sangramento ou obstrução do canal aparecem quando a doença está avançada”, finaliza Laperche.

Novos tratamentos mantêm qualidade de vida

O câncer de próstata é um dos tipos de tumor para os quais houve maior desenvolvimento de novas drogas e novas terapias nos últimos anos. “É importante a população saber dessas possibilidades até para não ter tanto medo de enfrentar o diagnóstico e o tratamento da doença porque conseguimos boa manutenção da qualidade de vida”, afirma a oncologista.

“Dependendo do estágio, avaliamos caso a caso e adequamos a melhor opção de cada tratamento de acordo com cada histórico, tipo e agressividade do tumor e extensão da doença; se está localizado na próstata ou se já saiu da próstata. Isso vai ser adequado de acordo com cada tipo de paciente, levando em conta suas crenças e medos em relação à cada terapia. Mas a verdade é que temos como fazer muitos ajustes e adaptações para o tratamento se tornar o mais adequado possível porque tratamos o paciente não a doença somente”, explica Laperche.

Além da necessidade de abordagem cirúrgica que será avaliada em cada caso, o médico pode avaliar também a necessidade de radioterapia localizada na próstata ou lançar mão de tratamentos que cada vez menos envolvem quimioterapia. As terapias hormonais com medicações orais têm apresentado resultados excelentes em função das novas drogas já aprovadas pela Anvisa.

Políticas climáticas federais estão em retrocesso no Brasil desde 2015 e a situação foi agravada ao extremo a partir de 2019

Tema será discutido no Foro Inteligência do próximo dia 10

politicas climaticas

A 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-26) termina no próximo dia 12, mas a pauta ambiental continua a ser o centro das atenções. Com base nisso, no dia 10 de outubro, às 19h, será realizada mais uma edição do Foro Inteligência, desta vez com o tema “O Brasil e a agenda ambiental: potência, pária ou ameaça internacional?”. O palestrante convidado será Eduardo Viola, pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), professor e pesquisador sênior do Centro de Estudos Globais do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais (IREL), da Universidade de Brasília, e professor sênior da Escola de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas.

Para Viola, em termos gerais, as políticas climáticas federais estão em estagnação ou retrocesso no Brasil desde 2015, situação que foi agravada ao extremo a partir de 2019. “A reversão da imagem extremamente negativa do Brasil de Bolsonaro é muito difícil. O mundo verá como positivas as últimas medidas anunciadas, de adesão às declarações sobre desmatamento; de diminuição em 30% das emissões de metano até 2030; e do aumento da meta de redução de emissões no mesmo período, de 43% para 50%. Mas, o decisivo mesmo será implementar essas medidas, e o mundo continua cético a respeito da postura do Governo”, afirmou.

O pesquisador destacou que o Brasil vem sofrendo pressões, particularmente da União Europeia, desde 2019 e dos Estados Unidos (no governo Biden), no sentido de tomar medidas efetivas para combater o forte desmatamento da Amazônia. “Apesar de essa pressão ter gerado, nos últimos meses, alguma mudança na retórica do governo, não houve correspondência com ações efetivas. Entre 2005 e 2012, tivemos um extraordinário avanço no controle do desmatamento, com custos mínimos, ou seja, sabemos como fazer. Mas precisamos de um presidente que tenha sensibilidade para essa questão, o que pode ocorrer a partir de 2023 com uma política similar à daquele período”, explicou.

O Foro Inteligência é uma parceria entre o BRICS Policy Center e a Insight Comunicação. E o intuito dos encontros é ampliar o debate sobre assuntos estratégicos e manter aberto um canal de comunicação com os países emergentes Rússia, Índia, China e África do Sul, tratando de temas de amplo interesse. São curadores do Foro, os professores Christian Lynch, IESP-UERJ e editor da revista Inteligência, Paulo Esteves e Marcio Scalercio, professores do IRI-PUC e pesquisadores do BRICS Policy Center.

Em eventos anteriores, o Foro Inteligência contou com a participação de Octavio de Lazari Jr., presidente do Bradesco; Rubens Ricupero, diplomata e ex-ministro; Conrado Hubner, professor de Direito na USP; e Jacqueline Muniz, cientista política e professora da DSP/UFF; em encontros que trataram, respectivamente, sobre os desafios dos grandes bancos, a diplomacia da vacina, a politização nas Supremas Cortes e controle da ação policial em democracias.

Palestra: O Brasil e a agenda ambiental: potência, pária ou ameaça internacional?
Data: 10 de novembro, quarta-feira
Horário: 19h
Para fazer inscriçãoclique aqui
Inscrições gratuitas

Líderes da indústria do Reino Unido se unem para cortar das cadeias de abastecimento a soja ligada ao desmatamento e à conversão até 2025

  • Marcas líderes, incluindo Tesco, Nestlé Reino Unido e Irlanda, Sainsbury’s, Nando’s, KFC Reino Unido e Irlanda, Morrisons e McDonald’s Reino Unido e Irlanda, assinaram o Manifesto de Soja do Reino Unido
  • Compromisso significa que os signatários do Reino Unido se comprometem a comprar soja livre de desmatamento, protegendo florestas e valiosa vegetação nativa
  • Os signatários representam cerca de 60% de toda a soja comprada no Reino Unido a cada ano

Veterinarian giving granules to piglets

Hoje (9 de novembro de 2021), líderes da indústria do Reino Unido de 27 grandes empresas – todos os maiores varejistas de alimentos do Reino Unido (incluindo Tesco, Asda, Sainsbury’s, Waitrose, Marks & Spencer e Islândia), alguns dos maiores produtores de carne (incluindo Avara Foods, 2 Sisters Food Group, Cranswick, Pilgrim’s UK) e empresas e marcas de serviços alimentícios (como Danone UK e Irlanda, Nestlé UK e Irlanda, Nando’s, KFC UK e Irlanda e McDonald’s UK e Irlanda) uniram-se para assinar o Manifesto da Soja do Reino Unido. Isso os compromete a cortar o desmatamento e a destruição ambiental das cadeias de suprimento de soja do Reino Unido o mais rápido possível e até 2025, o mais tardar.

A fim de garantir um progresso rápido em direção a este objetivo, todos os signatários concordam em:
1. Estabelecer um compromisso robusto de desmatamento e livre de conversão – de modo que nenhuma soja que chegue ao Reino Unido seja responsável pelo desmatamento ambiental para a agricultura após janeiro de 2020

2. Pedir aos fornecedores diretos que adotem o mesmo compromisso – e exigir que os seus fornecedores também

3. Escrever os compromissos do Manifesto em contratos e apoiar os fornecedores para garantir que as metas sejam cumpridas

4. Compartilhar publicamente os detalhes de seu progresso

5. Apoiar relatórios aprimorados, a fim de verificar se a soja que chega ao Reino Unido não é responsável pelo desmatamento ou destruição de outros ecossistemas.

Os signatários incluem 27 marcas, varejistas, empresas de serviços de alimentação e produtores de gado que operam no Reino Unido, representando quase 2 milhões de toneladas de compras de soja a cada ano e mais da metade (quase 60%) do consumo total do Reino Unido.

A conversão de florestas e outros ecossistemas para a produção agrícola – incluindo a produção de soja, palma, carne bovina e madeira – é um dos principais contribuintes para as mudanças climáticas, além de impulsionar a perda de biodiversidade. Quase um quarto (23%) das emissões globais de gases de efeito estufa causadas pelo homem vêm da agricultura, silvicultura e outros usos da terra, e a maioria dessas emissões se deve ao desmatamento . Não precisa ser assim: commodities agrícolas e florestais podem ser cultivadas sem destruir ainda mais a vegetação nativa.

O consumo de soja do Reino Unido – 3,5 milhões de toneladas em 2020 – embora pequeno em termos globais, está contribuindo para a pressão sobre paisagens biodiversas como o Cerrado, a Mata Atlântica, o Gran Chaco e a Chiquitânia na América do Sul. O consumo de soja no Reino Unido em 2017 levou a um desmatamento estimado em 3.081 hectares, uma área duas vezes maior que a cidade de Londres. A soja é um dos principais contribuintes para o desmatamento e a pegada de conversão do Reino Unido hoje. A maior parte dessa soja é usada na forma de ração animal.

A indústria do Reino Unido já começou a tomar medidas para proteger as florestas e outros ecossistemas naturais, melhorando a transparência e o compartilhamento de informações em todas as cadeias de abastecimento de soja do Reino Unido e aumentando o uso de certificação para apoiar a produção de soja sustentável na América do Sul. Mas há um reconhecimento compartilhado da necessidade de tomar ações mais ambiciosas, mais rápidas e em grande escala. A transformação em escala não pode ser alcançada por empresas que trabalham apenas em suas cadeias de suprimentos individuais. As empresas em todas as cadeias de abastecimento, assim como os produtores de soja, devem assumir a responsabilidade e agir em conjunto.

Os mercados globais precisam fornecer incentivos financeiros e suporte técnico para impulsionar a produção sustentável. Os governos em países e regiões produtores e consumidores também têm um papel importante a desempenhar.

A indústria do Reino Unido dá as boas-vindas aos compromissos anunciados na COP 26 pelos governos produtores e consumidores de promover o desenvolvimento sustentável e o comércio, protegendo as florestas e outros ecossistemas críticos, por meio da Declaração dos Líderes de Glasgow sobre Florestas e Uso da Terra e a declaração conjunta e roteiro de ação do Diálogo sobre Florestas, Agricultura e Comércio de Commodities (FATO ).

O Manifesto da Soja do Reino Unido se alinha e se baseia em iniciativas semelhantes em outros mercados, como o Manifesto da Soja da França, para mostrar a crescente demanda e planos de ação da indústria para remover todo o desmatamento e destruição do ecossistema das cadeias de abastecimento da soja.

O CEO da Tesco, Ken Murphy, e a CEO do WWF-UK Tanya Steele, falarão no lançamento virtual formal do Manifesto de Soja do Reino Unido hoje, terça-feira, 9 de novembro, onde se juntarão a eles signatários, representantes da indústria e especialistas.

Ken Murphy, CEO da Tesco disse:

“A conversão de florestas e outros ecossistemas para a produção agrícola – incluindo a produção de soja – é um grande contribuinte para as mudanças climáticas, além de levar à perda de biodiversidade. A soja é a commodity de risco florestal de maior impacto da cadeia de suprimentos da Tesco. É por isso que já assumimos o compromisso de que até 2025 só compraremos soja de áreas inteiras verificadas como livres de desmatamento. Mas não podemos resolver esse problema por conta própria.

“O lançamento do Manifesto de Soja do Reino Unido é um marco crítico para a nossa indústria, reunindo marcas, varejistas, empresas de serviços alimentícios e produtores de gado que operam no Reino Unido e estabelecendo um compromisso claro para que todos os embarques físicos de soja para o Reino Unido sejam livres de desmatamento e conversão até 2025. “

Tanya Steele, Executiva Chefe do WWF, disse:

“Devemos acabar com o desmatamento e a destruição ambiental resultante da produção de soja com urgência se quisermos ter qualquer chance de limitar o aquecimento global a 1,5 ° C e reverter a perda da natureza. A indústria agora precisa intensificar sua ação e ambição para combater a devastação dos ecossistemas. O Manifesto da Soja do Reino Unido apresenta a chance de uma mudança real e todos os usuários de soja devem se comprometer com isso. Não esqueceremos aqueles que falharam em proteger nosso planeta. “

Marija Rompani, Diretora de Ética e Sustentabilidade, John Lewis Partnership disse:

“O lançamento do Manifesto de Soja do Reino Unido é uma conquista verdadeiramente histórica e uma clara declaração de intenções em toda a indústria do Reino Unido que a Waitrose tem o orgulho de apoiar. Proteger a natureza em regiões onde os produtos agrícolas são cultivados é fundamental se quisermos deter as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade. Mas a escala do desafio e da complexidade das cadeias globais de abastecimento da soja está além do que qualquer empresa sozinha pode resolver. Agindo em conjunto, as empresas no Reino Unido e mais amplamente podem atingir a massa crítica necessária para ajudar a transformar a maneira como a soja é cultivada e comercializada e permitir o fornecimento em escala de soja sem desmatamento.

Juntamente com outras iniciativas nacionais, legislação de due diligence e os compromissos sobre florestas anunciados por governos nacionais, o setor financeiro e traders de commodities agrícolas na COP26, temos esperança de que isso criará um verdadeiro ponto de virada para a natureza em ecossistemas preciosos como o Cerrado. Esperamos desempenhar um papel ativo na implementação do Manifesto da Soja do Reino Unido e cumprir sua meta de desmatamento e soja livre de conversão antes de 2025 “.

Paula MacKenzie, Diretora Administrativa, KFC UK&I disse:

“Temos que lidar com o desmatamento. É nossa responsabilidade gerenciar nossa cadeia de suprimentos, mas com a complexidade de distribuição e escala, será necessário mais do que apenas nossa influência para fazer a transição para a soja sustentável. É necessária a ação coletiva de toda a indústria alimentícia. É por isso que temos orgulho de ser signatários do Manifesto da Soja do Reino Unido e de colaborar para fazer um progresso real em conter e reverter o desmatamento. “

Paul Willgoss, Diretor de Tecnologia da Marks & Spencer Food, disse:

“A indústria global de alimentos se tornou excessivamente dependente da soja rica em proteínas e isso continua a impactar negativamente a natureza em lugares como a Amazônia brasileira. Na M&S, nossa prioridade é eliminar o desmatamento da produção de nossos produtos e nos comprometemos com 100% de nossa soja ser livre de conversão e proveniente de regiões verificadas livres de desmatamento até 2025.

“Queremos fazer nossa parte no apoio a uma ampla transição da indústria para um modelo mais sustentável de produção de soja que proteja a saúde de nosso planeta e esperamos trabalhar em estreita colaboração com outros signatários do Manifesto da Soja do Reino Unido para alcançar isso.”

Hannah Cornick, Chefe de Sustentabilidade e Inovação Social da Danone Reino Unido e Irlanda, disse:

“Acabar com o desmatamento impulsionado por commodities é vital para enfrentar a crise climática e preservar a biodiversidade, bem como proteger as comunidades em todo o mundo. Na Danone, temos o compromisso de garantir que toda a soja que compramos seja totalmente rastreável e não venha de zonas com risco de desmatamento. Nossos esforços para combater o desmatamento foram reconhecidos pelo CDP com uma classificação AAA.

A colaboração é essencial para impulsionar a ação necessária em todo o setor – e é por isso que compromissos coletivos como o anúncio de hoje são tão importantes. Relatórios abertos e transparentes também são essenciais à medida que continuamos a nos esforçar para ir mais longe e fazer mais pelas pessoas e pelo planeta. “

James McCulloch, chefe de alimentação da Agricultural Industries Confederation (AIC), disse:

“A Agricultural Industries Confederation (AIC), como representante da cadeia de fornecimento de ração animal do Reino Unido, apóia o Manifesto de Soja do Reino Unido em seu objetivo de promover uma transição para a produção e consumo sustentável de soja.

A cadeia de suprimentos de ração animal continuará desempenhando seu papel, ajudando a cumprir os objetivos do Manifesto. Continuamos convencidos de que a colaboração entre o mercado, o governo e outras partes interessadas pode garantir a proteção das florestas que são um recurso global vital. “

O governo do Reino Unido disse:

“O governo do Reino Unido dá as boas-vindas ao papel de liderança que as empresas britânicas estão assumindo para conduzir a transição para cadeias de abastecimento de soja sem desmatamento por meio do Manifesto de Soja do Reino Unido. Iniciativas como o manifesto podem complementar os esforços do governo para cumprir nossos objetivos climáticos e ambientais. “

Até o momento (9 de novembro de 2021), a lista completa de signatários do Manifesto do Reino Unido inclui:

• Sisters Food Group

• ABP UK

• Aldi GB

• Asda

• Avara Foods

• Co-op

• Cranswick Plc

• Danish Crown

• Danone UK and Ireland

• Dunbia

• Greencore Group Plc

• Hilton Food Group Plc

• Iceland Foods Ltd

• Kepak Group

• KFC UK & Ireland

• Lidl GB

• Marks and Spencer

• McDonald’s UK & Ireland

• Wm Morrison Supermarkets Plc

• Nando’s UK & Ireland

• Nestlé UK and Ireland

• Ocado

• Oscar Mayer

• Pilgrim’s UK

• Sainsburys

• Tesco Stores Ltd

• Waitrose & Partners

Para saber mais sobre a ação existente da indústria do Reino Unido sobre soja sustentável, visite:

     

“Marighella” já é o filme brasileiro mais visto desde o início da pandemia

Em uma semana, filme acumulou a marca de 100 mil espectadores em 300 salas por todo o país

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Primeiro longa-metragem de Wagner Moura como diretor, ‘Marighella’ estreou oficialmente nos cinemas brasileiros na última quinta-feira, 4 de novembro de 2021, exatamente 52 anos após o assassinato de Carlos Marighella pela Ditadura Militar Brasileira, em 1969. Desde então, o filme alcançou 100 mil espectadores em 300 salas, incluindo as sessões de pré-estreias.

A marca já é responsável por tornar ‘Marighella’ o filme brasileiro mais visto desde o início da pandemia, em março de 2020. O longa chegou ao Brasil depois de passar por importantes festivais mundo afora (Berlim, Seattle, Hong Kong, Sydney, Santiago, Havana, Istambul, Atenas, Estocolmo, Cairo, entre cerca de 30 exibições em países dos cinco continentes).

‘Marighella’ traz no elenco Seu Jorge, no papel-título, Bruno Gagliasso, Luiz Carlos Vasconcellos, Herson Capri, Humberto Carrão, Adriana Esteves, Bella Camero, Maria Marighella, Ana Paula Bouzas, Carla Ribas, Jorge Paz, entre outros. O filme conta a história dos últimos anos de Carlos Marighella, guerrilheiro que liderou um dos maiores movimentos de resistência contra a ditadura militar no Brasil, na década de 1960.

Comandando um grupo de jovens revolucionários, Marighella (Seu Jorge) tenta divulgar sua luta contra a ditadura para o povo brasileiro, mas a censura descredita a revolução. Seu principal opositor é Lucio (Bruno Gagliasso), policial que o rotula de inimigo público nº 1. Quando o cerco se fecha, o próprio Marighella é emboscado e morto – mas seus ideais sobrevivem nas ações dos jovens guerrilheiros, que persistem na revolução.

O filme tem produção da O2 Filmes e coprodução da Globo Filmes e Maria da Fé. A distribuição é da Paris Filmes e da Downtown Filmes.

Sinopse

1969. Marighella não teve tempo pra ter medo. De um lado, uma violenta ditadura. Do outro, uma esquerda intimidada. Cercado por guerrilheiros 30 anos mais novos e dispostos a reagir, o líder revolucionário escolheu a ação.

Em “Marighella”, o inimigo número 1 da Ditadura Militar tenta articular uma frente de resistência enquanto denuncia o horror da tortura e a infâmia da censura instalados por um regime opressor. Em uma experiência radical de combate, ele o faz em nome de um povo cujo apoio à sua causa é incerto — enquanto procura cumprir a promessa de reencontrar o filho, de quem por anos se manteve distante, como forma de protegê-lo.

Elenco

Seu Jorge como Marighella

Adriana Esteves como Clara

Ana Paula Bouzas como Maria

Bruno Gagliasso como Lúcio

Bella Camero como Bella

Herson Capri como Jorge Salles

Humberto Carrão como Humberto

Jorge Paz como Jorge

Luiz Carlos Vasconcelos como Branco

Equipe

Direção: Wagner Moura         

Produção: Bel Berlinck, Andrea Barata Ribeiro, Wagner Moura, Fernando Meirelles

Produtor Associado: Fernando Meirelles

Produtora Executiva: Cristina Abi

Roteiro: Felipe Braga e Wagner Moura

Direção de Fotografia: Adrian Teijido, ABC

Direção de Arte: Frederico Pinto, ABC

Produtor de Elenco: Hugo Aldado

Preparadora de Elenco: Fátima Toledo

Trilha: Antonio Pinto

Figurino: Verônica Julian

Maquiagem: Martin Macías Trujillo

Produtora: O2 Filmes

Coprodutoras: Globo Filmes e Maria da Fé

Distribuidoras: Paris Filmes / Downtown Filmes

Empresas associadas ao projeto

Com 30 anos de mercado, a O2 Filmes já produziu longas-metragens e séries que participaram e receberam prêmios nos principais festivais de cinema do mundo como Cannes, Berlim e Veneza, além premiações como o Emmy, Oscar e BAFTA. A produtora realiza projetos independentes e em parceria com grandes estúdios internacionais e emissoras de televisão, e hoje é considerada uma das mais criativas e importantes produtoras no mercado internacional, sendo a única do Brasil com 5 indicações ao Oscar. Com Wagner Moura, já realizaram filmes como “VIPs”, “A Busca”, “Trash” – e agora o épico “Marighella”.

Paris Filmes, empresa brasileira que atua no mercado de distribuição e produção de filmes, destacando-se pela alta qualidade cinematográfica. Além de ter distribuído grandes sucessos mundiais como as sagas “Crepúsculo” e “Jogos Vorazes”, o premiado “O Lado Bom da Vida”, que rendeu o Globo de Ouro®️ e o Oscar®️ de Melhor Atriz a Jennifer Lawrence em 2013 e “Meia-Noite em Paris”, que fez no Brasil a maior bilheteria de um filme de Woody Allen, a distribuidora também possui em sua carteira os maiores sucessos do cinema nacional, como as franquias “De Pernas Pro Ar”, “Até Que a Sorte nos Separe” e “DPA – O Filme”. Nos últimos anos a empresa esteve à frente de importantes lançamentos como “John Wick”, “La La Land – Cantando Estações”, “A Cabana”, “Extraordinário”, “Nada a Perder” e “Turma da Mônica – Laços”. Para os próximos lançamentos, a companhia aposta em um line-up diversificado, que inclui títulos como “Marighella”, “Turma da Mônica – Lições”, “A Sogra Perfeita”, “Detetives do Prédio Azul 3 – Uma Aventura no Fim do Mundo”, as sequências de “John Wick” e “Jogos Vorazes”, entre outros.

 A Globo Filmes atua como produtora e coprodutora de filmes brasileiros com foco na qualidade artística e na diversidade de conteúdos que valorizam a nossa cultura, maximizando a audiência no cinema e demais janelas.

Desde 1998, participou de mais de 400 filmes, levando ao público o que há de melhor do cinema brasileiro; comédias, romances, documentários, infantis, dramas e aventuras. Fazem parte de sua filmografia recordistas de bilheteria, como ‘Tropa de Elite 2’ e ‘Minha Mãe é uma Peça 3’ – ambos com mais de 11 milhões de espectadores –, sucessos de crítica e público como ‘2 Filhos de Francisco’, ‘Aquarius’, ‘Que Horas Ela Volta?’, ‘O Palhaço’ e ‘Carandiru’, e longas premiados no Brasil e no exterior, como ‘Cidade de Deus’ – com quatro indicações ao Oscar – e ‘Bacurau’, que recebeu o prêmio do Júri no Festival de Cannes. 

Material Adicional:

Trailer: https://youtu.be/bo5ohsd4T08

Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul busca aprovação da Unesco

Pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil vão acompanhar a comitiva internacional. Proposta do geoparque foi elaborada pelo SGB-CPRM em 2012

Um dos pontos famosos da região é o cânion Itaimbezinho, uma das atrações do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul (Foto: Arquivo CPRM)
Em novembro, o Geoparque Aspirante Caminhos dos Cânions do Sul buscará ser o segundo geoparque chancelado pela UNESCO no Brasil. Curiosamente, essa busca pela aprovação acontece 15 anos depois do reconhecimento internacional do primeiro geoparque brasileiro, o Geopark Araripe. Para isso, o Consórcio Caminhos dos Cânions do Sul receberá, entre os dias 12 e 16 de novembro, uma missão de avaliação da UNESCO que decidirá os rumos do projeto. Nela, estarão presentes um avaliador português e um mexicano, que serão acompanhados por pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM).

O consórcio de sete municípios, que dá vida ao projeto e cuida do mesmo com o apoio de diversas outras instituições desde 2017, se mostra bastante otimista sobre a avaliação e para a elevação do Geoparque de aspirante para a entrada na Rede Global de Geoparques (GGN). A idealização do projeto começou em 2007 e teve seu lançamento em 2012.

O projeto do geoparque aspirante engloba dois estados e sete municípios do Sul do Brasil. O território de 2.830 km² ocupa cidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Fazem parte do Geoparque Cânions do Sul, os municípios de Praia Grande, Jacinto Machado, Timbé do Sul, Morro Grande (Santa Catarina) e Torres, Mampituba e Cambará do Sul (Rio Grande do Sul). Dessa maneira, o parque engloba uma totalidade de 73.518 habitantes.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) faz parte do projeto desde a sua proposta em 2012. Os pesquisadores em geociências Michel Marques Godoy, Raquel Binotto e Wilson Wildner executaram os estudos e elaboração da proposta de criação do geoparque, que pode ser acessada na página do Rigeo . Além disso, o SGB-CPRM se fará presente na visita da comitiva, sendo representados pelos pesquisadores Andrea Sander e Carlos Peixoto.

“O SGB é parte deste projeto ao elaborar a proposta, dando início a um processo de longo prazo, e que foi muito bem gerenciada pelo formato de organização e gestão que o Consórcio Intermunicipal Caminhos dos Cânions do Sul vem realizando tanto na área política, contando com o apoio dos sete municípios formadores do território do geoparque, como na área técnica com o apoio das universidades regionais e do comitê científico, onde o SGB tem a sua maior participação com duas vagas preenchidas por geólogos da SUREG Porto Alegre. Outro importante item a ser observado pelo avaliadores é o engajamento das comunidades locais no projeto de criação do geoparque com bases conceituais baseadas no desenvolvimento sustentável, além é claro da história geológica de formação do conjunto de cânions.” explicou Carlos Peixoto.

Registro de uma paletoca (Foto: Ana Lúcia Lopes de Lima Arquivo CPRM)
A proposta tem por base o potencial geoturístico dos cânions, também conhecidos como “Aparados da Serra”. A região é considerada patrimônio geológico nacional e conta com duas unidades de conservação federais, os parques nacionais Aparados da Serra e Serra Geral. Trata-se da região com maior concentração de cânions do Brasil, apresentando grandes escarpas que atingem até 1157 metros de altura e possuindo uma extensão total de aproximadamente 250 km. A combinação da fantástica geologia local com a biodiversidade da Mata Atlântica e os geomonumentos da Planície Costeira mostram o verdadeiro tamanho e valor deste parque para a geoconservação, turismo e geologia do país e do Mundo.

Conforme explica o geólogo Michel Godoy, a evolução geológica dos Cânions do Sul começou com a fragmentação do supercontinente Gondwana que, após sua separação, originou três continentes, a América do Sul, a África e a Antártida. “Há cerca de 130 milhões de anos, as movimentações das placas tectônicas causaram a separação dessa grande massa continental e despertaram um dos maiores eventos geológicos de todos os tempos, o vulcanismo Serra Geral. A grande região recoberta por esse vulcanismo ficou conhecida como Província Basáltica Continental Paraná-Etendeka que possui registros contínuos de rochas vulcânicas preservadas no Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai na América do Sul e Namíbia na África.

Este evento vulcânico ocorreu de forma incessante por aproximadamente 10 milhões de anos, sendo que neste período as lavas extravasaram por monumentais e incontáveis fissuras na crosta. A formação e a preservação das formas de relevo dos cânions do sul ou “Aparados da Serra” estão ligadas a questões geoquímicas dessas rochas que são resistentes a alteração e a forças de movimentação rúpteis da crosta, características que ajudaram a “talhar” as escarpas profundamente verticalizadas dos cânions.

Os cânions têm origem na separação do supercontinente Gondwana há cerca de 130 milhões de anos (Arquivo CPRM)

A beleza reconhecida da região é motivo de visitação de muitos turistas, para isso, o projeto construiu um georoteiro para os seus visitantes. Atravessando dias de Parques Estaduais, trilhas, cachoeiras, cânions, pontos religiosos e turísticos, o viajante poderá ter uma experiência fantástica podendo apreciar a natureza e a cultura local. Um exemplo de local para se conhecer são as inúmeras paleotocas preservadas, cavadas pela megafauna, como tatus e preguiças gigantes.

O projeto é candidato a geoparque aspirante desde 2019, quando o consórcio enviou o dossiê de candidatura. Posteriormente, o mesmo foi avaliado e aprovado, dessa maneira, a missão de avaliação é o último passo antes da adição do Caminhos dos Cânions do Sul à Rede Global de Geoparques.

A missão será realizada por dois avaliadores, profissionais com reconhecida experiência na gestão de Geoparques. Eles irão visitar os principais geossítios, atividades culturais, mostras de arte, artesanato e produção local, reuniões técnicas com prefeitos, comitê científico, pesquisadores parceiros e equipe do Consórcio Intermunicipal Caminhos dos Cânions do Sul, responsável pela gestão do Geoparque.

“Estes avaliadores estarão percorrendo todos os sete municípios para observar in loco o nosso trabalho. O objetivo é verificar se estamos de fato atuando de acordo com as diretrizes do Programa de Geoparques da UNESCO que envolve principalmente temas como: a conservação e valorização do nosso patrimônio geológico e cultural, a educação e o turismo sustentável”, destaca o prefeito de Torres, Carlos Souza, presidente do Consórcio Intermunicipal Caminhos dos Cânions do Sul. “A expectativa é bastante positiva. Esta missão de avaliação é um marco em nossa história, ela brinda todos os anos de esforços e luta para a composição deste aspirante a Geoparque Mundial da UNESCO”, acrescentou.

Passeio de balão é uma das atrações turísticas. Foto: Divulgação Canyons e Peraus
Depois da visita, os avaliadores terão até o ano de 2022 para produzir um relatório completo sobre o geoparque aspirante e enviar para os diretores. O documento será decisivo para que a Unesco possa decidir sobre a entrada do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul na GGN

Rede Mundial de Geoparques foi estabelecida em 2004 através de uma parceria entre a UNESCO e a União Internacional de Ciências Geológicas (IUGS). Visa distinguir áreas naturais com elevado valor geológico, nas quais esteja em prática uma estratégia de desenvolvimento sustentado baseado na geologia e em outros valores naturais ou humanos.

Entrega do relatório da CPI para órgãos de investigação é o primeiro passo da Frente Parlamentar Observatório da Pandemia

Grupo de senadores criam Frente Parlamentar Observatório da Pandemia para acompanhar os desdobramentos das investigações no Judiciário e no Legislativo. Presidente da CPI, o senador Omar Aziz, coordenará os trabalhos com o Senador Randolfe Rodrigues e o Senador Renan Calheiros

pandemia mortos

A Frente Parlamentar Observatório da Pandemia da Covid-19 cumpre agenda em São Paulo e no Rio de Janeiro nesta semana com o objetivo de acompanhar as investigações de todos os órgãos de perto. O relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito que foi aprovado no fim de outubro deve ser entregue para as autoridades da Organização das Nações Unidas, em Genebra, na Suíça, do Tribunal Penal Internacional, em Haia, na Holanda, entre outros.

Nesta terça-feira (9), a Frente Parlamentar se reúne com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, em Brasília. No dia seguinte (10), os membros cumprem agenda em São Paulo onde vão se reunir com o jurista Miguel Reale Júnior, com a juíza Sylvia Steiner, ex-integrante da Corte Internacional de Haia, com o Ministério Público do Estado de São Paulo, com a Câmara Municipal paulistana, além do Ministério Público do Trabalho e o Instituto Butantan.

Na quinta-feira (11), será a vez do Rio de Janeiro, onde haverá reuniões com o Ministério Público Federal, com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e com a Fiocruz.

Aprovada pelo Plenário do Senado no último dia 29 de outubro, a Frente Parlamentar Observatório da Pandemia de Covid-19 vai fiscalizar e acompanhar os desdobramentos jurídicos, legislativos e sociais das conclusões da CPI. Os integrantes do colegiado serão os mesmos da CPI, além de outros senadores que assinaram o projeto.

O Observatório será dividido por grupos de trabalho. Um vai acompanhar as investigações na Procuradoria-Geral da República e nos Ministérios Públicos, responsáveis pelos casos da crise em Manaus, Prevent Senior, hospitais federais e denúncias de corrupção na tentativa de compra de vacinas. Um outro vai cobrar a votação dos projetos sugeridos, a exemplo da criação da pensão para órfãos da covid-19. E outros senadores vão se dedicar ao inquérito das fake News e à atuação do governo federal, como o calendário de vacinação. O Observatório contará com a participação da sociedade civil e continuará recebendo denúncias relacionadas à pandemia.

A Frente Parlamentar Observatório da Pandemia ainda vai definir as regras de funcionamento, como os dias de reuniões, mas não terá atribuições de uma CPI ou de uma comissão permanente.

Mineradora Anglo American apresenta grandes lucros, mas quem paga conta é a comunidade local

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  • Relatório aponta que a mineradora Anglo American obtém lucros enormes com sua mina de ferro Minas-Rio, mas gera pouco retorno para as comunidades locais cujas vidas foram arruinadas por suas operações.
  • A transparência dos fluxos financeiros da mina fica aquém das melhores práticas internacionais, enquanto que o uso dos recursos hídricos locais tem causado escassez para as comunidades, segundo o relatório do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e Publish What You Pay.
  • O mineroduto de 529 quilômetros que a Anglo American utiliza para transportar o minério processado até o porto rompeu duas vezes em 2018, derramando quase mil toneladas de minério de ferro nos rios vizinhos, o que resultou na contaminação de terras agrícolas, pastagens e fontes de água.
  • O prefeito local diz que o município ficaria falido sem a mina e que a Anglo American tem feito um esforço ativo para apoiar o desenvolvimento sustentável, embora os moradores discordem, temerosos por uma ruptura da barragem de rejeitos de minério.
 Por Shanna Hanbury | Traduzido por Carol De Marchi e André Cherri para a MongaBay

A mineradora Anglo American, sediada no Reino Unido, apresenta enormes lucros exportando minério de ferro do Brasil para a China, mas gera pouco retorno às comunidades locais, cujas vidas são agora dominadas pela incerteza e pelo medo. É o que revela um novo relatório conjunto do Instituto Brasileiro de Análise Social e Econômica (Ibase) e da Publish What You Pay, uma coalizão global de transparência voltada para o setor extrativista.

O projeto de mineração Minas-Rio extrai e processa minério de ferro nos municípios de Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas, no sudeste de Minas Gerais. Em seguida, transporta o minério em pó por um mineroduto de 529 quilômetros (considerado o mais longo duto mineral do mundo) até o Porto do Açu, no Rio de Janeiro, de onde é embarcado para a China. O mineroduto rompeu duas vezes em 2018, derramando quase mil toneladas de minério de ferro. Esses incidentes são sintomáticos da falta de transparência na forma como a mineradora faz negócios, o que é incompatível com as melhores práticas da indústria e oferece poucos benefícios materiais para as comunidades rurais mais afetadas, de acordo com o relatório.

A poeira e o barulho causados pelo projeto de mineração Minas-Rio substituíram a rotina calma da vida rural, e os rios e riachos da região estão agora assoreados e poluídos, afetando o abastecimento de água potável de várias comunidades, assim como suas atividades agrícolas. O uso dos recursos hídricos naturais da região é apontado pelas comunidades locais como causador da escassez e da poluição hídrica. Além disso, a falta de transparência no setor de mineração do país agrava os impactos, diz o relatório.

“A informação foi muito difícil de encontrar, e o que conseguimos encontrar revelou uma importante questão com a governança dos recursos naturais do Brasil”, diz Athayde Motta, diretor executivo do Ibase e co-autor do relatório, “Em Busca da Transparência”: Acabando com a Opacidade no Setor Extrativista do Brasil”“Desde que começamos a pesquisar para o relatório, essa governança tem sido ainda mais deteriorada.”

Desde o início do governo de Jair Bolsonaro, no início de 2019, 57 projetos de lei que enfraquecem a proteção ambiental foram aprovados no país, incluindo legislação que permite a emissão de licenças de mineração antes mesmo da conclusão das revisões ambientais, de acordo com um estudo publicado em março de 2021 na revista Biological Conservationreportado pela Mongabay. A Anglo American possui mais de 300 pedidos pendentes de prospecção ou mineração em terras indígenas na Amazônia brasileira – uma prática que é ilegal segundo a Constituição do país, mas que pode ser permitida em breve se outro projeto de lei controverso for aprovado.

Em 2018, a ONU advertiu o Brasil sobre ameaças a seis famílias da classe trabalhadora em Conceição do Mato Dentro, depois de entrarem com uma ação judicial contra as operações da Anglo American Iron Ore Brazil S.A, subsidiária local da mineradora. Mais tarde, eles entraram em um programa de proteção estatal para defensores de Direitos Humanos.

O relatório recomenda que o governo brasileiro se junte aos 55 países já filiados à Iniciativa de Transparência das Indústrias Extrativas, que visa estabelecer um novo padrão global para a mineração e a governança do petróleo.

Em uma declaração, a Anglo American disse que “cumpre rigorosamente a legislação vigente e tem suas atividades licenciadas e monitoradas pelas autoridades competentes” e que “já segue os melhores padrões e diretrizes internacionais”. A empresa alega que, no Brasil, “opera com total regularidade nas cidades-sede, atuando com ações de prevenção, mitigação, controle e monitoramento dos impactos sociais e ambientais”. O governo brasileiro e o Ministério de Minas e Energia não responderam ao pedido de comentários da Mongabay.

“Todas estas empresas multinacionais afirmam operar respeitando as leis locais, e o fazem. Porém, as leis locais são frequentemente inferiores às melhores práticas internacionais. Isso parece ser o caso do Brasil também”, diz Miles Litvinoff, outro co-autor do relatório e ex-diretor da Publish What You Pay U.K. “Um retorno financeiro positivo é muito difícil, se não impossível, sem transparência e responsabilidade”, comentou.

aa 2Riacho assoreado próximo à mina da Anglo American. Foto: Alexandre Guzanshe/Ibase.

Explosões, água poluída e medo

Alice passou a sua infância brincando numa cascata perto de sua casa. A cachoeira já se foi, e em seu lugar está a imensa represa de rejeitos de mineração da Anglo American.

Alice, que pediu que seu nome verdadeiro não fosse usado por medo de perseguição, diz que a sua comunidade está dominada pela ansiedade devido à expectativa de novos desastres. A comunidade assistiu ao colapso de duas outras grandes barragens de rejeitos nos últimos seis anos no estado de Minas Gerais, consideradas os piores desastres ambientais da história do Brasil.

Os moradores vivem dentro do que os socorristas chamam de zona de auto-salvamento: se a barragem de rejeitos da Anglo American se rompesse, a onda de lama tóxica os alcançaria antes que as equipes de emergência pudessem chegar. “Todos aqui vivem em constante medo, com ou sem chuva”, diz Alice à Mongabay. “Em noites chuvosas, esse medo cresce”.

A Anglo American ofereceu-se para pagar a recolocação de qualquer pessoa que viva nesta zona, e diz que 80% das famílias optaram voluntariamente por ela. No entanto, Alice diz que os termos não são bons o suficiente. “Nós subsistimos da agricultura familiar. Se sairmos hoje, teremos comida para comer quando o nosso dinheiro acabar?”, pergunta ela. “Talvez tenha trazido alguns benefícios para as pessoas nas cidades, mas não vi nenhum ponto positivo aqui. A nossa prioridade é partir, mas com os nossos direitos totalmente garantidos.”

Hoje, a rotina rural de sua família é atormentada por explosões repentinas e um cheiro desagradável da mina a menos de 1,5 km de sua casa. Segundo Alice, sem água doce disponível, sua família agora depende dos caminhões de água da Anglo American, enquanto seus animais bebem água contaminada do rio. “A vida era melhor antes”, lamenta.

De acordo com o relatório, as comunidades locais estavam preocupadas com os impactos sobre o seu modo de vida desde o início, antes de a mina ser totalmente licenciada, mas os riscos foram minimizados pelas autoridades locais. “Ansiedades das comunidades rurais (…) foram ignoradas durante os estágios de licenciamento, tratadas como meras expressões de ‘percepção’, e impactos qualificados como ‘alegados’ ou ‘supostos’, em vez de considerados de maneira

aa 3Comunidade de São Sebastião do Bonsucesso, com barragem de rejeitos da Anglo American ao fundo. Foto: Alexandre Guzanshe/IBASE

Os recursos hídricos da região em torno da mina Minas-Rio foram severamente impactados, de acordo com o relatório. Rios e cachoeiras foram desviados para serem usados pela mina, e a água restante está agora poluída, afetando a água potável e a produção de alimentos. Imagem gentilmente cedida por Alexandre Guzanshe/IBASE.

1 bilhão de dólares em três meses 

Enquanto a operação de mineração da Anglo American fatura bilhões de dólares, apenas uma pequena fração de sua produção permanece no Brasil. De acordo com os resultados do terceiro trimestre, publicados em 21 de outubro de 2021, a empresa exportou cerca de 1 bilhão de dólares de minério de ferro em três meses, apenas de sua operação Minas-Rio. Com royalties fixados em 3,5%, apenas 34 milhões de dólares são pagos aos municípios em que opera, com ativistas locais dizendo que nenhum benefício tangível impacta a vida dos mais prejudicados pela mina.

O custo de produção atual da Anglo American é de 21 dólares por tonelada de minério de ferro, e a commodity é vendida atualmente por 167 dólares por tonelada, de acordo com as mais recentes declarações de produção da empresa. Outros 5 dólares por tonelada são divididos entre “desenvolvimento de mercado e projetos estratégicos, custos de exploração e avaliação, custos de restauração e reabilitação e outros custos corporativos”, de acordo com o Resumo Global 2020 da mineradora.

Não há indício de qualquer atividade ilegal, mas os autores do relatório questionam por que o Brasil tem feito um negócio tão ruim com seus recursos naturais, que são finitos. “As empresas deveriam ter um lucro razoável com a extração, e ponto”, disse Litvinoff. “Além de um lucro razoável, todo o resto deveria ser de domínio público e usado para o bem comum”.

Um aviso de entrada não autorizada em área do projeto Minas-Rio, da Anglo American, no município de Conceição do Mato Dentro, no sudeste do estado de Minas Gerais. Imagem cortesia de Alexandre Guzanshe/IBASE.

Para José Fernando de Oliveira, prefeito de Conceição do Mato Dentro e autoproclamado ambientalista, o projeto de mineração vai dar frutos a longo prazo. Oliveira disse que a empresa tem feito um esforço ativo para compensar os impactos negativos, que ele descreve como inevitáveis. Ele disse à Mongabay  que, sem a Anglo American, a cidade estaria falida.  Acrescentou, ainda, que mais de 70% da receita do município agora vem dos royalties da mineração.

“Estamos atravessando um período de crescimento econômico, e nossa missão é transformar esse crescimento em desenvolvimento e qualidade de vida”, disse Oliveira por telefone, complementando que a mina apoia investimentos em ecoturismo e infraestrutura. “Há uma enorme preocupação por parte da empresa para mitigar os impactos negativos e investir em impactos positivos, como o financiamento da diversificação econômica. A mineração não tem uma segunda safra, é um recurso finito, por isso a sustentabilidade é o nosso objetivo”.

Porém, para a sociedade civil e os membros da comunidade rural, a realidade é diferente. “A Anglo American fala muito bem de todas as suas diversas iniciativas, mas se as suas práticas são tão boas, então por que há pessoas que se opõem à mina sob programas de proteção de testemunhas? Por que temos provas de que as comunidades estão divididas e incapazes de perseguir seus meios de subsistência tradicionais, e temem a ruptura de barragens?”, Litvinoff questiona. “É uma troca muito desigual.”

Imagem de banner: Mina da Anglo American em Conceição do Mato Dentro. Foto: Alexandre Guzanshe/Ibase.

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Este foi inicialmente publicado pela Mongabay News Brasil [Aqui!].

A mudança climática atinge os celeiros agrícolas do mundo

De acordo com estudo, a agricultura no Sul Global está se tornando a principal perdedora. Organizações de pequenos produtores estão pedindo mais apoio em Glasgow

agricultorasAgricultores trabalhando nos campos em Nsanje, Malawi: muita coisa está mudando para a agricultura como resultado das mudanças climáticas. Foto: dpa / epa Hrusa

Por Haidy Damm para o Neues Deutschland

O setor agrícola é uma das maiores fontes de gases de efeito estufa prejudiciais ao clima. Quase metade das emissões do setor são liberadas quando as florestas são convertidas em terras aráveis ​​e pastagens, as turfeiras são drenadas e a biomassa é queimada. A outra metade vem da própria agricultura, que não é apenas parte do problema, mas também parte da solução, como enfatizam reiteradamente os representantes das organizações de agricultores.

Mas eles têm que se apressar para continuar a fazer justiça à tarefa de garantir alimentos para o mundo em face da crise climática. Em simulações de computador inovadoras, a NASA e o Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático (PIK) previram mudanças profundas nas condições de cultivo e na produção das safras mais importantes nos próximos dez anos – se as tendências atuais no aquecimento global continuarem. “Estamos descobrindo que as novas condições climáticas estão tendo um impacto significativo na produtividade das safras em mais e mais regiões”, explica o autor principal Jonas Jägermeyr, cientista climático do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA e do PIK.

Ao combinar uma série de novas projeções climáticas e vários modelos de safra atualizados, a equipe de pesquisadores calculou o que é atualmente o maior conjunto de projeções futuras de rendimentos agrícolas. As emissões de gases de efeito estufa causadas pelo homem levam a temperaturas mais altas, mudam os padrões de precipitação e mais dióxido de carbono no ar. “Isso tem consequências para o crescimento das plantas. Vemos que em muitos dos maiores celeiros do mundo, anos anormais tornam-se anos normais na próxima década ou logo depois. Para nós, este é o momento em que o sinal de mudança climática abafa claramente todo o ruído histórico ”, diz Jägermeyr. Entre os anos de 2070 e 2100, por exemplo, a safra de milho pode cair quase um quarto globalmente.

Isso significa que os agricultores têm que se adaptar muito mais rapidamente, por exemplo, alterando a época de semeadura ou usando diferentes tipos de plantas. “Desta forma, grandes perdas podem ser evitadas, mas lucros também podem ser obtidos, por exemplo, nas latitudes mais altas”, diz Jägermeyr. Porque, embora as safras de safras importantes como o milho estejam diminuindo, a produtividade do trigo pode aumentar em cerca de 17% em todo o mundo. O grão cresce melhor em climas temperados, como o norte dos Estados Unidos e Canadá, bem como na China. O milho, por outro lado, é cultivado em países subtropicais e tropicais, que serão mais severamente afetados pelo aumento das temperaturas do que regiões mais frias em altas latitudes. Na América do Norte e Central, África Ocidental,

“Nossos dados mostram claramente que os países mais pobres provavelmente verão os maiores declínios na produção de seus alimentos básicos mais importantes. Isso agrava as diferenças já existentes em segurança alimentar e prosperidade «, diz o coautor Christoph Müller, do Instituto Potsdam. Os países pobres e, é claro, os próprios pequenos proprietários afetados muitas vezes não tinham os meios para colocar seus alimentos no mercado mundial. “Embora alguns no norte global provavelmente se beneficiem da mudança fundamental prevista nos padrões de produção agrícola, isso pode se tornar um risco para a segurança alimentar no sul global”, disse Müller.

Representantes de organizações de pequenos produtores africanos e comunidades indígenas pediram, portanto, uma conversão sustentável e favorável ao clima da agricultura na conferência climática da ONU em Glasgow. Elizabeth Nsimadala, presidente da Federação de Agricultores da África Oriental e da Associação Pan-Africana de Agricultores, disse que falou em nome de 80 milhões de agricultores que alimentaram mais de 800 milhões de pessoas. Muitas vezes, porém, os agricultores dificilmente conseguem sobreviver – também porque as secas causadas pelas mudanças climáticas estão cada vez mais secando o solo ou os desastres naturais estão destruindo as colheitas. O sistema agrícola está à beira do colapso, alertou. Para se posicionar contra a agricultura industrializada e sobreviver à crise climática, eles precisariam de apoio internacional.

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Este texto foi escrito inicialmente em alemão e publicado pelo Neues Deutschland [Aqui! ].