Contra PL do Veneno, petição com mais de 42 mil assinaturas apoiada por ativistas e artistas será entregue a parlamentares na Virada Sustentável

 A campanha contra o uso de agrotóxicos na moda, #ModaSemVeneno terá encontro  dia 20 de setembro às 18h em transmissão ao vivo com parlamentares para pressionar contra o PL 6299/02. Presenças confirmadas  dos deputados Nilto Tatto, Paulo Pimenta e Talíria Petrone da Frente Parlamentar Ambientalista.

Em meio à pandemia do Coronavírus no Brasil, a bancada ruralista vê oportunidade de aprovar o PL 6299/02, conhecido como PL do Veneno. Proposto pela frente parlamentar formada por empresários do agronegócio, o PL impacta diretamente a vida da população, mas foi construído de forma unilateral, sem qualquer diálogo com a sociedade. Os principais argumentos em favor do PL já foram rebatidos por uma série de especialistas. A Anvisa, a Comissão de Direitos Humanos,a Abrasco,a Fiocruz e uma série de entidades já se posicionaram contra a aprovação do projeto.

A campanha #ModaSemVeneno, contra a aprovação do PL, foi lançada em abril lançaram em abril durante a Semana Fashion Revolution pela união das organizações Fashion Revolution Brasil, Instituto Modefica e Rio Ethical Fashion,  especialmente por entender que não estamos no momento para ter um debate amplo com a sociedade sobre as consequências da aprovação do projeto de lei e pela estreita relação da indústria têxtil e de confecção com o agronegócio brasileiro

A petição já ultrapassou  42 mil assinaturas na plataforma Change Brasil e será entregue a representantes da Frente Parlamentar Ambientalista durante transmissão ao vivo dentro da programação da Virada Sustentável de São Paulo, no canal do Youtube do Instituto Modefica, além de divulgação de vídeo manifesto de diversos ativistas como  Paulina Chamorro, Marina Silva e Marina Colerato. Nomes da moda como Dudu Bertonlini, Flávia Aranha,  Feh Simon, Day Molina, Jackson Araújo, Yamê Reis, Elo Artuso e artistas engajados através do movimento 342 Artes também endossam a campanha. A ação tem apoio da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida,bem como de organizações da indústria têxtil e de confecção, como CNTRVCut, além de organizações de base, como Marcha das Margaridas, e mídias ativistas como Mídia Ninja e Design Ativista.

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Este vídeo não existe

O que o PL 6299/02 tem a ver com a moda?

O algodão é a quarta cultura que mais consome agrotóxicos, sendo responsável por aproximadamente 10% do volume total de pesticidas utilizado no país. Entre os agrotóxicos mais utilizados está o glifosato, que pode causar diversos efeitos na saúde, como aborto espontâneo e câncer.


A exposição cumulativa aos agrotóxicos deve ser considerada visto que alguns compostos amplamente utilizados podem permanecer presentes em organismos, água e solo por muitos anos. O Brasil é também um grande exportador de celulose solúvel, matéria-prima para a produção de viscose. As culturas de eucalipto e algodão utilizam de 7 a 10 tipos dos agrotóxicos mais vendidos no Brasil, respectivamente. Entre os mais utilizados está o acefato, na 4º posição, com alto potencial carcinogênico e o Imidacloprido, na 7ª posição, considerado um dos mais fatais para abelhas, polinizadoras importantes, o que gera preocupação tanto do ponto de vista econômico, quanto socioambiental.

Entre os riscos para o setor da moda estão: (i) a desinformação do consumidor; (ii) riscos reais à saúde de trabalhadoras e trabalhadores, incluindo questões de saúde reprodutiva das mulheres; (iii) ameaça à exportação nacional dado novos posicionamentos dos países em relação ao uso intensivo de agrotóxicos.

As petições demonstram a preocupação da sociedade e são utilizadas para pressionar congressistas a votarem contra a aprovação do PL. O grupo organizador irá entregar as assinaturas formalmente à Frente Parlamentar Ambientalista. Assine e compartilhe este abaixo-assinado e junte-se à luta de diversas organizações e indivíduos contra a aprovação do PL do Veneno.

Saiba mais em: https://modefi.co/por-uma-moda-sem-veneno.

Sobre as organizações:

Fashion Revolution Brasil

Fashion Revolution é um movimento presente em mais de 90 países, criado após um conselho global de profissionais da moda se sensibilizar com o desabamento do edifício Rana Plaza em Bangladesh, que causou a morte de mais de 1.000 trabalhadores da indústria de confecção e deixou mais de 2.500 feridos. A tragédia aconteceu no dia 24 de abril de 2013, e as vítimas trabalhavam para marcas globais, em condições análogas à escravidão. A campanha #QuemFezMinhasRoupas surgiu para aumentar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda e seu impacto no mundo, em todas as fases do processo de produção e consumo. No Brasil, o movimento atua há 7 anos e hoje está estabelecido como Instituto Fashion Revolution Brasil realizando ações e projetos que promovem mudanças de mentalidade e comportamento em consumidores, empresas e profissionais da moda. Saiba mais em https://www.fashionrevolution.org .

Instituto Modefica

Fundada por Marina Colerato em 2014, o Modefica é uma organização de mídia, pesquisa e educação que atua pela justiça socioambiental e climática com uma perspectiva ecofeminista. Temos como missão aumentar a percepção sistêmica sobre os problemas socioambientais para promover relações de equidade e justiça entre seres humanos, não-humanos e Natureza. Fazemos jornalismo, pesquisas e projetos de educação de jornalismo socioambiental que evidenciam como as alterações climáticas e a devastação ambiental impactam de forma mais sistemática mulheres e pessoas não-brancas. Nossa pesquisa mais recente, Fios da Moda: Perspectivas Sistêmicas Para Circularidade, salienta as relações entre as fibras têxteis e impactos socioambientais na vida da população brasileira, além de propor uma economia circular para o Sul global. Saiba mais em modefica.com.br.

Rio Ethical Fashion

O Rio Ethical Fashion é um movimento que reúne pessoas para discutir, inspirar, criar parcerias e divulgar os valores da sustentabilidade na indústria da Moda, suas vertentes culturais e socioeconômicas no Brasil e no mundo. O Rio Ethical Fashion é o Primeiro Fórum Internacional de Sustentabilidade no Brasil, com edições realizadas em 2019 e 2020 com as principais lideranças da sustentabilidade da moda global. Nosso objetivo é colocar o Brasil na rota da discussão internacional trazendo o olhar de fora para nossas potencialidades criativas e criando novas oportunidades para nossa indústria, é uma de nossas principais missões. Saiba mais em https://www.rioethicalfashion.com.

As porta-vozes do Fashion Revolution Brasil, Instituto Modefica e Rio Ethical Fashion estão disponíveis para entrevistas. Para maiores informações e agenda de pautas entre em contato com a equipe da Voice 176:

  • Larissa Henrici – lari@voice176.com 
  • ● Nathalia Anjos – nathalia@voice176.com

Agronegócio em xeque: carne bovina brasileira sofre ampliação de banimento depois da descoberta de casos do Mal da Vaca Louca

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Uma crise silenciosa está se expandindo sem muita cobertura da mídia corporativa após a descoberta de casos de Mal da Vaca Louca em frigoríficos de Minas Gerais e Mato Grosso. É que após a proibição de importação de carne brasileira por China e Arábia Saudita, agora mais quatro países resolveram banir importações brasileiras (Rússia, Indonésia, Irã e Egito).  O problema aqui é estes países representam uma parte substancial do montante total de compras de carne bovina feitas no Brasil, a começar pela China que é o nosso principal importador.

Mas é preciso lembrar que quando ainda era deputada federal em 2018, mas já anunciada como futura ministra da Agricultura,  Tereza Cristina (DEM/MS) anunciou a intenção, que depois seria levada a cabo, de afrouxar a fiscalização diária do governo federal em frigoríficos, sob a alegação (esfarrapada, diga-se de passagem) de que as regras então  vigentes não permitiam ampliar a produção aos finais de semana, porque os fiscais do governo não trabalhavam sábado e domingo, nem podiam receber horas extras.

A conversa anunciada e defendida com unhas e dentes pelos donos de frigoríficos é de que seria possível adotar regras de “autocontrole” que deixariam sob as responsabilidades dos abatedores as principais medidas para fiscalizar a sanidade dos animais sendo abatidos em suas unidades industriais. 

É importante frisar que já em 22 de dezembro de 2018, publiquei uma nota neste blog indicando a minha opinião de que a proposta do autocontrole nada mais era do que uma senha para “chutar o balde” no controle da produção de carne e do desmatamento. Eu, aliás, também afirmei que os anúncios de Tereza Cristina já tinham acendido todas as luzes de alerta em muitos países que adquirem produtos de origem animal que são produzidos pelo Brasil.  Agora passados quase  três anos daquela postagem, o que se vê é a confirmação de tudo o que escrevi. 

Mas o que está acontecendo era previsível, por que se permitiu o afrouxamento de regras que agora resultam no banimento da carne brasileira? É que claramente falou mais alto a disposição do lucro a qualquer custo, mesmo que isso colocasse em risco a saúde da indústria de carne brasileira, provavelmente por causa da aposta furada de que nossos compradores mais latem do que mordem quando se trata de impor suas regras sanitárias. Agora se vê que o caso não é bem esse.

Finalmente, se esse banimento se mantiver ou até mesmo for ampliado, o consumidor brasileiro pode ter até um alívio no preço interno. Mas esse barateamento poderá sair caro se as regras de fiscalização dentro dos frigoríficos não forem recolocadas nos níveis que garantam que não estamos comendo carne fora dos padrões internacionais.

A extração ilegal de madeira atinge o núcleo intocado da Amazônia, mostram pesquisas “aterrorizantes”

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  • Imagens de satélite mostram que a atividade madeireira está se espalhando de áreas periféricas da Amazônia em direção ao núcleo da floresta tropical, de acordo com pesquisas inovadoras.
  • O mapeamento por satélite de sete dos nove estados amazônicos do Brasil mostrou um padrão “assustador” de avanço da exploração madeireira que desmatou uma área três vezes o tamanho da cidade de São Paulo entre agosto de 2019 e julho de 2020 sozinho.
  • No nível estadual, a falta de transparência nos dados madeireiros torna impossível calcular quanto da produção de madeira é ilegal, dizem os especialistas.
  • Evidências de corte em reservas indígenas e unidades de conservação – onde a extração de madeira é proibida – deixam claro que a extração ilegal de madeira é responsável por grande parte da atividade, segundo o relatório.
  • Um dos principais temores sobre a Amazônia brasileira está começando a se materializar: a exploração madeireira está começando a se mover da periferia da floresta em direção ao núcleo do bioma, mostram novas pesquisas inovadoras.
Por  Juliana Ennes para o Mongabay News

Rastreando árvores cortadas por meio de dados de mapeamento de satélite, a pesquisa descobriu que as atividades madeireiras desmataram 464.000 hectares (1,15 milhões de acres) da Amazônia brasileira – uma área três vezes o tamanho da cidade de São Paulo – entre agosto de 2019 e julho de 2020. Mais da metade (50,8%) da exploração madeireira estaria concentrada no estado de Mato Grosso, seguido por Amazonas (15,3%) e Rondônia (15%).

“Há cerca de 20 anos, temíamos que a floresta fosse devastada no chamado ‘arco do desmatamento’ e o movimento migrasse das áreas periféricas em direção à região central da Amazônia”, disse Marco Lentini, coordenador sênior do projeto do Imaflora , uma ONG de desenvolvimento sustentável envolvida no projeto de mapeamento. “Nosso mapa mostra que isso está acontecendo agora: a extração de madeira está indo em direção ao núcleo da Amazônia.”

Ele disse que o padrão de extração era de “migração de fronteira”, acrescentando: “Isso é algo que nos apavora. Temos que estabilizar essa fronteira.”


A maior apreensão de madeira ilegal da história do Brasil viu a polícia recuperar 226.000 metros cúbicos (8 milhões de pés cúbicos) de madeira na fronteira entre os estados do Amazonas e Pará em março de 2021. Imagem cortesia da Polícia Federal no estado do Amazonas.

A pesquisa, divulgada na semana passada, foi desenvolvida pela rede Simex formada por quatro organizações ambientais brasileiras sem fins lucrativos: Imazon, Imaflora, Idesam e Instituto Centro de Vida (ICV). As instituições afirmam que formaram a aliança para mapear, pela primeira vez, o desmatamento em quase toda a Amazônia. Eles conseguiram mapear sete dos nove estados que compõem a Amazônia brasileira – Acre, Amazonas, Amapá, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima – que juntos respondem por quase 100% da produção de madeira da floresta tropical.

Embora o mapeamento não tenha sido capaz de especificar a quantidade exata de árvores extraídas ilegalmente de florestas intocadas, a maior parte das ilegalidades concentrou-se na tríplice fronteira entre Mato Grosso, Amazonas e Rondônia, onde foi detectada intensa atividade madeireira em uma reserva indígena e uma unidade de conservação. , segundo Vinicius Silgueiro, coordenador de inteligência territorial do ICV, organização sem fins lucrativos com sede em Mato Grosso. “As áreas protegidas nesta região apresentam grande presença de exploração madeireira e baixo nível de fiscalização, com muitos indícios de ilegalidade.”

O mapa do Sismex cobre as áreas onde a Polícia Federal realizou a maior apreensão de madeira ilegal da história do Brasil no início deste ano, recuperando 226 mil metros cúbicos (8 milhões de pés cúbicos) de madeira na fronteira entre os estados do Amazonas e Pará. Essa operação desencadeou a demissão do polêmico ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em junho, após ele ter pedido a liberação da madeira.

Dez municípios responderam por quase 200.000 hectares (494.000 acres) de exploração madeireira, cinco deles em Mato Grosso, dois no Amazonas e os demais em Roraima, Acre e Pará. A maior parte da atividade madeireira, 78%, supostamente ocorreu em propriedades privadas. As autorizações legais são freqüentemente usadas para mascarar a extração de madeira em áreas restritas por meio de um processo conhecido como lavagem de árvores, de acordo com as descobertas.

Um estudo mais detalhado desenvolvido pelo Imazon com foco no Pará mostra que mais da metade da exploração madeireira no estado não recebeu nenhuma autorização governamental. De agosto de 2019 a julho de 2020, 50.139 hectares (123.896 acres) de floresta foram devastados, sendo 55% sem autorização dos órgãos ambientais. Isso representou um crescimento de 20% em relação aos 12 meses anteriores, quando a extração não autorizada era de 38%, segundo o Imazon.

O mapa desenvolvido pela rede Simex mostra as concentrações da atividade madeireira no estado de Mato Grosso, seguido por Amazonas e Pará. Imagem cortesia da Simex. Antes do advento do projeto Simex , apenas Pará e Mato Grosso tinham mapas de satélite identificando áreas onde ocorria a exploração madeireira. O Imazon passou a monitorar o Pará em 2008 e o ICV aderiu à iniciativa em 2013, monitorando Mato Grosso. As instituições afirmam que esses estados foram seu foco inicial para a transparência de dados devido à alta atividade madeireira.

A extração de madeira não limpa a área florestal tão extensivamente quanto o desmatamento, e o crescimento da vegetação sobre os locais de extração pode dificultar a visualização via satélite, de acordo com Vinicius Silgueiro, coordenador de inteligência territorial do ICV.

“Com a exploração madeireira, diferente do desmatamento, ainda existe alguma cobertura vegetal. Podemos identificar cicatrizes na floresta feitas pelas estradas utilizadas para a movimentação das toras, bem como áreas desobstruídas para armazenamento. Existe toda uma infraestrutura em torno da exploração madeireira que nos ajuda a encontrar essas áreas ”, disse Silgueiro à Mongabay em entrevista por telefone.

Na maioria dos estados, no entanto, ele disse que é quase impossível verificar quando a atividade madeireira é ilegal, devido à falta de transparência ou barreiras tecnológicas. Muitas vezes, acrescentou, os certificados das atividades florestais legais são arquivados em papel, dificultando o cruzamento da base de dados de certificados com as imagens. Os únicos dois estados com bancos de dados digitalizados são Pará e Mato Grosso. 

Atividade madeireira no estado de Rondônia, com árvores já marcadas e aguardando transporte. Imagem cortesia de Vicente Sampaio / Imaflora.

Outro desafio é que os certificados que permitem o manejo florestal fornecem as coordenadas de localização, mas não o arquivo de formato – o mapa digital – da área, o que dificulta os esforços para identificar por meio de imagens de satélite onde ocorre a extração ilegal de madeira, segundo Lentini.

Apesar desses desafios, há casos em que fica muito claro que a exploração madeireira é ilegal, disse Lentini: quando acontece em áreas protegidas como reservas indígenas e unidades de conservação. O estudo constatou que 6% da extração madeireira na Amazônia, ou 28.112 hectares (69.466 acres), estava em unidades de conservação durante o período de estudo; 5% estava em reservas indígenas, em 24.866 hectares (61.445 acres). “Essas áreas não têm nenhum tipo de autorização para extração legal”, disse Silgueiro.

Um relatório de 2018 do Greenpeace, intitulado “Árvores imaginárias, destruição real ”, destacou a falta de confiabilidade dos sistemas de licenciamento e controle florestal do Brasil, o que torna mais difícil combater a fraude.

“Uma falha crítica na governança florestal dos estados amazônicos está na fraqueza do processo de licenciamento para planos de manejo florestal sustentável”, disse o relatório. Em sua maioria, não são realizadas inspeções de campo antes da elaboração dos planos de manejo, ou essas inspeções são de baixa qualidade, de acordo com o relatório.

“Isso permite que os engenheiros florestais … superestimem os volumes ou adicionem de forma fraudulenta árvores de alto valor comercial ao inventário florestal da área. Posteriormente, os órgãos estaduais emitem créditos pela colheita e movimentação dessa madeira inexistente ”, que será desmatada de florestas em terras indígenas, áreas protegidas ou públicas, segundo apuração do Greenpeace. 

Autoridades ambientais do estado do Pará apreendem madeira ilegal em operação de fiscalização em 2021. Imagem cortesia da Agência Pará.

Silgueiro, do ICV, disse que a extração legal e ilegal persiste em proporções em torno de 60:40. “Quanto mais documentação legal houver para explorar a floresta, mais madeira ilegal haverá”, disse ele. Ele acrescentou que a fraude madeireira só vai parar quando todo o processo se tornar rastreável por meio de tecnologias que ajudam a estimar o volume real de produção de madeira e rastrear cada árvore individualmente. “A rastreabilidade da produção é fundamental”, disse Silgueiro. “Essa tecnologia já existe, mas os estados produtores demoram a adotá-la”.

O impacto ambiental da extração ilegal de madeira é imenso. Estudos recentes mostram que a Amazônia brasileira é agora uma fonte líquida de CO2 , em vez de ser um sumidouro de dióxido de carbono como seria de se esperar, devido a fatores que incluem a exploração madeireira.

Imagem do banner:  Um caminhão carrega toras cortadas da Floresta Amazônica no estado de Rondônia. Imagem cortesia de Vicente Sampaio / Imaflora.

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Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pelo Mongabay News [Aqui!].

Com olho em vaga no Senado Federal, André Ceciliano (PT) acende uma vela para Deus e outra para o diabo

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De olho no Senado Federal, o presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), acenda velas para Deus e o diabo. Ingênuos serão os servidores públicos estaduais se caírem nas promessas dele.

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, André Ceciliano (PT), vem realizando uma série de ações aparentemente contraditórias na condução em regime de urgência da adesão do estado do Rio de Janeiro a uma nova rodada do famigerado “Regime de Recuperação Fiscal” (RRF). É que, por um lado, Ceciliano acertou com o governador acidental Cláudio Castro (PSC) a passagem em ritmo “The Flash” na série de projetos e emendas constitucionais cujo resultado imediato é cassar uma série de direitos dos servidores públicos estaduais.  Já, por outro lado, o político, cujas bases estão firmemente na Baixada Fluminense, promete que não irá aprovar nada que prejudique os direitos dos servidores públicos.

Esse exercício de “acender uma vela para Deus e outra para o diabo” simplesmente não tem como dar certo, pois, se a adesão ao RRF se der na forma determinada pelo Ministério da Fazenda, a coisa que vai acontecer, além do aumento da dívida pública estadual, é justamente o desaparecimento de direitos que têm mantido os vencimentos dos servidores estaduais com um mínima de proteção, pois reposição inflacionária que é bom não acontece há vários anos.

Mas se acender velas para entidades incompatíveis é um exercício fútil, o que espera ganhar André Ceciliano? Pelo que informa o site informativo “Diário do Rio“, o que Ceciliano mira mesmo é uma vaga no Senado Federal, em uma costura política que envolve forças que aparentemente (notem que eu disse aparentemente) são irreconciliáveis, alcançado até Flávio Bolsonaro e o próprio governador acidental Cláudio Castro.

Como a trajetória do PT do Rio de Janeiro é marcada por esse tipo de aliança amplíssima, os servidores públicos estaduais fariam melhor se não caíssem na conversa fácil de André Ceciliano e investissem forte na sua mobilização política, tanto contra a adesão ao RRF quanto a aprovação da chamada “Reforma Administrativa”.  É que ficar na dependência da boa vontade de Ceciliano seria, ao que tudo indica, uma espécie de morte anunciada. Por isso é tão importante apoiar as ações  que o Fórum Permanente de Servidores Públicos do Estado do Rio de Janeiro (FOSPERJ) está programando para pressionar os deputados estaduais na próxima semana (ver cartaz abaixo).

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The Guardian mostra “repressão para inglês ver” ao garimpo ilegal de ouro na Amazônia. Vem aí a COP26

‘Todo mundo está fugindo’: governo Bolsonaro reprime garimpo ilegal na Amazônia – por enquanto

jardim do ouroJardim do Ouro, que pertence ao município de Itaituba, no Pará. Sinais da devastação causada por décadas de exploração desenfreada estão por toda parte. Fotografia: Lucas Landau / The Guardian

Por Tom Phillips, em Jardim do Ouro (PA), para o “The Guardian”

O governo Bolsonaro está determinado a mostrar ao mundo uma face nova e mais verde, mas os ativistas estão céticos de que a repressão terá um impacto duradouro

Nas quatro décadas desde que ajudou a fundar o Jardim do Ouro, Fernando Viana teve um lugar na primeira fila para a corrida caótica por metais preciosos na Amazônia brasileira.

Discussões acirradas sobre as minas na selva espalhadas ao redor deste posto avançado à beira do rio. Cadáveres crivados de chumbo jogados fora dos bordéis de madeira barulhentos que ele dirigia uma vez.

“Esfaqueamentos. Balas. Atirando em todos os lugares. Muito tiro. Foi maravilhoso, cara. Uma explosão!” riu o travesso ex-chefe de polícia, que por anos ditou a lei neste canto do oeste selvagem do Brasil com seu revólver 38.

Nos últimos meses, no entanto, uma calma incomum desceu sobre o Jardim do Ouro depois que tropas do Exército brasileiro invadiram a cidade, como parte de uma repressão destinada a convencer o mundo de que o Brasil de Jair Bolsonaro está limpando seu ato ambiental.

“Todo mundo está fugindo da floresta … porque os garimpos foram fechados”, disse o ex-xerife do Garden of Gold, agora com 75 anos, enquanto observava sua comunidade estranhamente subjugada com olhos nublados pela catarata.

Fernando Viana, 75, o ex-xerife do Jardim do Ouro, viu sua outrora turbulenta cidade natal ficar estranhamente quieta como resultado da repressão ambiental.

Tarcísio Gomes de Freitas, um importante aliado do Bolsonaro e membro do gabinete, disse que seu governo está determinado a mostrar ao mundo uma nova face mais verde após três anos nos quais as taxas de desmatamento e a indignação global explodiram .

Uma das minas de ouro ilegais na região do rio Uraricoera, na reserva Yanomami Fotos aéreas do Brasil mostram a devastação de terras indígenas por garimpeiros

“Reconheço que houve uma deterioração da imagem [do Brasil] como resultado dos números do desmatamento e o que o governo está fazendo agora é aumentar sua capacidade de monitoramento para que essas estatísticas possam ser revertidas”, disse o ministro da infraestrutura durante uma recente visita ao região. “A luta contra o desmatamento será intensificada”, Freitas insistiu, alardeando a recente duplicação do orçamento de fiscalização ambiental.

Os ativistas estão céticos de que a repressão, que acontecerá na véspera da cúpula climática Cop26 de novembro em Glasgow, terá qualquer impacto significativo de longo prazo enquanto Bolsonaro permanecer no poder. O desmatamento atingiu seu pico em 12 anos sob um líder que os críticos afirmam ter encorajado os fora-da-lei da Amazônia com suas palavras e atos anti-ambientais.

“Esse abrandamento da retórica não me convence … [e] realmente não acho que o mundo vai comprar isso tão facilmente”, disse Suely Araújo, ex-chefe do Ibama, órgão ambiental do Brasil.

Araújo, agora especialista em políticas públicas do grupo ambientalista Observatório do Clima, disse que o governo brasileiro percebeu claramente a importância da Cop26 “e decidiu ver se essa [reforma verde] vai durar”. O controverso ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles, foi recentemente expulso do governo no que alguns viram como uma tentativa de apaziguar a comunidade internacional depois que ele foi vinculado a uma rede ilegal de extração de madeira

Um cabaré no Jardim do Ouro.

Um cabaré no Jardim do Ouro. Fotografia: Lucas Landau / The Guardian

“Mas o chefe ainda está lá. Quem manda é o presidente e ele tem uma visão tosca e defasada de política ambiental há 50 anos, como se desenvolver fosse derrubar a floresta e substituí-la por minas de ouro ”, disse Araújo.

Qualquer que seja o impacto duradouro da repressão brasileira pré-Cop26, ela teve um efeito real e imediato no Jardim do Ouro, onde muitos mineiros ilegais ficaram desempregados depois que seus patrões interromperam as operações por medo de seus equipamentos serem destruídos.

“Estou em uma situação de decadência”, reclamou Túlio Pinheiro, um mineiro desempregado e embriagado, enquanto tropeçava pela rua principal empoeirada do povoado em um almoço recente, depois de passar a noite anterior cochilando em uma mesa de sinuca porque não tinha dinheiro para um quarto em um albergue local.

Quando um caminhão verde do exército entrou na cidade carregando tropas suadas e armadas com rifles, Pinheiro se aproximou do comandante para reclamar. “Está tudo parado. Quando a operação vai terminar? ” o mineiro perguntou. O oficial riu evasivamente.

Pinheiro, 33, disse que sabia exatamente a quem culpar por sua situação: não o Bolsonaro, mas o presidente norte-americano “Joe Bye”, que no ano passado alertou sobre “consequências econômicas significativas” se o Brasil continuasse a destruir a Amazônia. 

Túlio Pinheiro, mineiro de 33 anos, perdeu o emprego perto do Jardim do Ouro após a repressão militar: 'O Bolsonaro não apóia isso ... Se dependesse dele, nada disso estaria acontecendo.'

“Ele é um ambientalista, ele é”, o mineiro criticou, alegando que o presidente do Brasil estava fortemente armado para agir por seu homólogo americano. “O Bolsonaro não apóia isso … Se dependesse dele, nada disso estaria acontecendo”, argumentou Pinheiro.

Custódio da Silva, que dirige uma loja perto da balsa fluvial que leva garimpeiros para a floresta e traz ouro e madeira para fora, compartilha dessa visão, apesar de ser um apoiador de esquerda do Partido dos Trabalhadores (PT). “Caramba, Trump era muito melhor! Essa operação maluca aconteceu depois que Joe Biden apareceu ”, disse Silva, cujas vendas despencaram quando os garimpeiros empobrecidos fugiram da cidade.

Em Moraes Almeida, uma cidade próxima, um fazendeiro e empresário influente também alegou que Bolsonaro estava sendo coagido. “Ele não tem escolha. Ele está com uma faca na garganta ”, disse Ubiratan Filadelpho sobre a pressão internacional. “É o mundo inteiro contra o Bolsonaro quando se trata dessa questão ambiental.”

Sinais da devastação provocada por décadas de exploração desenfreada estão por toda parte no Jardim do Ouro e no estado do Pará, um dos nove que formam a Amazônia brasileira.

O rio Jamanxim, que serpenteia ao lado do bangalô à beira-mar de Viana, tem um tom marrom leitoso perturbador: resultado, dizem os moradores, da poluição das minas. Quando Viana chegou em 1981, as florestas tropicais da região estavam praticamente intocadas. Quarenta anos depois, como grande parte da Amazônia, eles foram substituídos por uma extensa colcha de retalhos de trilhas de terra e fazendas de gado – e a destruição continua.

Trinta quilometros rio acima, em uma área supostamente protegida perto da floresta nacional de Jamanxim, o zumbido de uma motosserra podia ser ouvido, apesar da presença de tropas do Exército. A máquina ficou em silêncio enquanto os repórteres do The Guardian se aproximavam, mas um dano enorme já havia sido feito. Imagens de satélite mostraram uma faixa de floresta de 541 hectares derrubada nos últimos meses – o equivalente a cerca de 650 campos de futebol. Pelo menos 4.147 km2 de floresta foram destruídos no estado do Pará entre agosto de 2020 e julho deste ano – uma área mais de 2,5 vezes maior do que a Grande Londres.

“Assim que eles vão embora, tudo volta a ser como era”, disse ela.

Um retorno aos negócios normais é exatamente o que muitos no Jardim do Ouro gostariam. Claudionor Silva, um gentil nordestino que parecia uma década mais velho do que seus 56 anos, disse que havia conseguido um emprego em um dos garimpos ilegais de ouro da região em abril, depois que a COVID-19 torpedeou seu trabalho como vendedor ambulante. Cinco meses depois, ele foi despedido novamente.

“Como vou sustentar minha família agora?” o pai de quatro filhos se perguntou enquanto se sentava ao lado de uma escavadeira ociosa que até recentemente estava arrancando pedaços do solo amazônico.

Benedito Ademar Leitão, um pregador local, disse temer que seu já pequeno rebanho encolheria ainda mais se a repressão obrigasse os moradores redundantes a migrar. No fundo, porém, o clérigo simpatizou.

“Deus não criou o universo para ser destruído assim”, disse Leitão, 63, um ex-garimpeiro que trocou o ouro por Deus depois de uma briga de bar movida a álcool em que levou um tiro no quadril e quase morreu.

“Quando ele criou Adão, onde o colocou? No Jardim do Éden ”, o pastor de boca -de- mel pregou enquanto outro caminhão do exército corria em direção à cidade. “E o que ele disse a Adam? Para cuidar disso.”

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Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui! ].

Mata Atlântica: o desafio de ZERAR o desmatamento para permitir a recuperação do Bioma onde vivem mais de 70% da população brasileira

Levantamento inédito do MapBiomas mostra que importantes bacias hidrográficas da região têm cobertura florestal baixa, ao redor de apenas 20%

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Um quarto da cobertura florestal da Mata Atlântica está preservado. O dado, inédito, foi obtido pelo MapBiomas a partir do mapeamento de imagens de satélite entre 1985 e 2020 segundo os contornos determinados pela Lei n° 11.428 de 2006, também conhecida como Lei da Mata Atlântica. Com isso, foram analisados todos os remanescentes florestais do bioma, incluindo partes do Piauí e Ceará. Os 465.711 km2 remanescentes da Mata Atlântica são encontrados em 17 estados (a área contínua estende-se por apenas 15 estados). Este e outros dados serão divulgados nesta quarta-feira (15/09), em webinar no canal do YouTube da organização, a partir das 10h30.
O mapeamento das transformações da Mata Atlântica indica que a cobertura florestal passou de 27,1% em 1985 para 25,8% em 2020. Atualmente, outros 25% são ocupados por pastagens; 16,5% por mosaicos de agricultura e pastagens; 15,% pela agricultura; 10,5% por formação savânica e outras naturais.

A cobertura florestal manteve-se praticamente estável nos últimos 30 anos, após um período de alto desmatamento ocorrido entre 1985 e 1990. Por trás dessa estabilidade, no entanto, esconde-se a perda de florestas maduras e a regeneração de matas jovens. Entre 1985 e 2020 a perda de vegetação primária foi de 10 milhões de hectares. Nesse mesmo período, a área de vegetação secundária ganhou 9 milhões de hectares. Essa perda ainda pode ser observada em determinadas regiões do bioma, como as florestas de araucárias do Paraná e ao norte de Minas Gerais, na fronteira com a Bahia. O mesmo processo ocorre em áreas de campos naturais, como na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Entre 1985 e 2020, a perda de formações campestres foi de 28%.

“A aparente estabilidade da cobertura florestal da Mata Atlântica é enganosa porque existe uma diferença de qualidade entre uma mata madura, rica em biodiversidade e com carbono estocado, de uma área em recuperação”, alerta Marcos Rosa, coordenador técnico do MapBiomas. Além disso, uma área abandonada por quatro ou cinco anos já tem floresta em estágio inicial, mas muitas vezes ela é desmatada, evitando que essa floresta se recupere. “Precisamos interromper essa tendência de destruição de florestas maduras e fomentar a manutenção das matas recuperadas para garantir os serviços ambientais prestados pelo bioma”, afirma Luís Fernando Guedes, coordenador da equipe Mata Atlântica e Pantanal do MapBiomas. Na região da Mata Atlântica vivem mais de 70% dos brasileiros, que dependem dos serviços ambientais do bioma para manter a qualidade do ar e o abastecimento de água e energia. Incentivar a recuperação de florestas no entorno dos rios, áreas de nascentes e de recarga dos sistemas de abastecimento urbano pode reduzir o risco hídrico para essa população.

Uma parte desse processo já está em curso: as imagens de satélite mostram recuperação em Áreas de Preservação Permanentes (APPs) em torno dos rios, principalmente no interior de São Paulo e do Paraná, onde o pasto foi substituído pela agricultura, como cana de açúcar. “As áreas de pastagem ocupavam até a margem dos rios, favorecendo a erosão e o assoreamento dos cursos d’água. Com a substituição pela agricultura, a APP na borda dos rios foi respeitada e se recuperou – naturalmente ou com plantio de nativas. Essa vegetação, principalmente no entorno das nascentes, é fundamental para a qualidade e quantidade da água”, detalha Marcos.

Apesar disso, a situação de importantes bacias hidrográficas para o abastecimento de água desses estados, onde se concentram grandes centros urbanos, é preocupante. Muitas têm baixa cobertura vegetal e isso afeta a produção de águas. A bacia do Paraná, por exemplo, teve sua cobertura nativa reduzida de 24% em 1990 para 19% em 2020. A do Rio Grande também teve uma leve oscilação negativa, de 21% (1990) para 20% (2020). A bacia do Tietê passou de 19% (1990) para 20% (2020). Paranapanema permaneceu estável em 23% nas duas datas. A bacia do Paraíba do Sul oscilou levemente para cima (de 27% em 1990 para 29% em 2020).

“O planejamento da recuperação florestal da Mata Atlântica de acordo com as bacias hidrográficas é uma enorme oportunidade para gestores públicos”, destaca Marcos. “Como metade da vegetação nativa da Mata Atlântica está em áreas privadas, políticas como a de Pagamento por Serviços Ambientais e criação de corredores assume papel estratégico para a recuperação e conservação do bioma”, completa.

Nos últimos 36 anos, 12 estados perderam vegetação nativa. A Bahia foi o campeão em perda (com 9.642 km2), seguido pelo Rio Grande do Sul (6.899 km2), Santa Catarina (6.359 km2) e Paraná (com 3.744). A década de maior recuperação de áreas florestais ocorreu entre 2000 e 2010, quando a Mata Atlântica ganhou 5.754 km2 de florestas. Por duas décadas, desde 2000, o estado de São Paulo manteve o crescimento da área de florestas.

Agrotóxicos voltam a intimidar os brasileiros e pacote do veneno pode ser votado a qualquer momento na Câmara

unnamed (42)Trator pulverizador em Barreiras, Bahia / © Victor Moriyama / Greenpeace

São Paulo, 14 de setembro de 2021 – A boiada da vez, o Projeto de Lei 6299/2002 conhecido como “pacote do veneno”, que visa flexibilizar e facilitar a liberação de fabricação e uso de agrotóxicos, pode ser votado no plenário da Câmara dos Deputados a qualquer momento.

De autoria do ex-senador Blairo Maggi, e já aprovado pelo Senado Federal, o projeto foi aprovado na Comissão Especial da Câmara em 2018, sob relatoria do Dep. Luiz Nishimori e pela presidência da Comissão da então Dep. Tereza Cristina (atual Ministra da Agricultura), mesmo sob intensa pressão da sociedade que naquele ano se mobilizou e quase 2 milhões de pessoas e diversas organizações públicas, se posicionaram contra. Na ocasião, mais de 20 órgãos públicos como a Fiocruz, Abrasco, Inca, Ibama e mais de 320 organizações da sociedade civil se manifestaram publicamente contra o pacote.

Agronegócio acima de tudo, agrotóxicos acima de todos!

No executivo, desde o começo do mandato de Bolsonaro, o governo vem ignorando a demanda da sociedade e liberando um número recorde de agrotóxicos, boa parte deles sendo altamente ou extremamente tóxicos e que estão também na lista de substâncias que já não são mais permitidas na União Européia. Já no legislativo, governistas e ruralistas encontram na Câmara, sob comando de Arthur Lira (PP – AL), a porteira aberta para passar mais essa boiada.

“Arthur Lira e os parlamentares ruralistas declararam guerra à sociedade e à natureza! O país, no caos em que se encontra, e os deputados pautando e aprovando projetos que nos prejudicam e colocam em risco nossas crianças e nosso futuro é no mínimo, absurdo. A sociedade não está dividida, ela não quer mais agrotóxicos e clama pela redução do uso dessas substâncias, não pelo aumento indiscriminado como prevê o pacote do veneno. Porém, Lira não quer saber, veneno é a boiada da vez e ele é o chefe da boiada”, afirma a porta-voz da campanha de Agricultura e Alimentação do Greenpeace Brasil, Marina Lacôrte.

Para escancarar a mensagem que os governantes não querem ouvir: “agronegócio acima de tudo, agrotóxicos acima de todos”, um grupo de ativistas nesta quarta-feira,15, irá projetar a mensagem por meio de imagens em prédios, muros e avenidas de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Maceió, Belo Horizonte e Belém. A ação também será realizada em Lisboa (Portugal), Lviv (Ucrânia) e Berlim (Alemanha).

Dentre os argumentos para justificar a matéria, ruralistas alegam que mais agrotóxicos são necessários para combater a fome em voga, já que sem eles é impossível produzir. Entretanto, o argumento não se sustenta, tendo em vista que o Brasil tem batido recordes de produção de grãos para exportação e tem uma boa parte do PIB ancorado na economia de base agro exportadora, enquanto aproximadamente mais de 125 milhões de brasileiras e brasileiros passam por algum grau de insegurança alimentar em 2021. Além disso, é a agricultura familiar e a agroecologia que têm sido determinantes no combate à fome nesta grave crise enfrentada pelo país. É deste grupo que tem partido ações de solidariedade e distribuição de alimentos às comunidades mais vulneráveis, e não de empresas ou produtores que fazem parte do agronegócio

Se o PL do veneno for aprovado:

• Transfere todo o poder de decisão de aprovação de um novo agrotóxico para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, tornando praticamente consultivas partes fundamentais do processo de avaliação e aprovação, como Ministério do Meio Ambiente e Anvisa, órgãos responsáveis pelos pontos mais importantes em jogo: saúde e meio ambiente;
• Garante o registro de substâncias comprovadamente cancerígenas. Atualmente ingredientes ativos que causam graves danos à saúde (teratogênicos, carcinogênicos, mutagênicos) são totalmente proibidos caso já tenha alguma evidência ou a partir do momento que demonstrem em novos estudos tais propriedades tidas como proibitivas. O pacote do veneno exclui esse texto e em troca diz que qualquer ingrediente pode ser liberado, desde que não apresentem “risco aceitável”, sem se quer definir aceitável;
• Muda o termo “agrotóxico” para “pesticidas” mascarando a nocividade dessas substâncias e não atendendo a realidade brasileira de baixa escolaridade no campo. O termo agrotóxico é amplamente conhecido por quem lida diariamente com essas substâncias e não foi adotado ocasionalmente na construção da Lei 7.802/1989, mas sim para colocar em evidência a toxicidade destas substâncias, representando perda de direito à informação correta;
• O PL também inclui conferir registro temporário sem avaliação para aqueles pesticidas que não forem analisados no prazo estabelecido pela nova Lei.

Estudo mostra que diversidade das árvores está diminuindo. No Brasil, Mata Atlântica tem mais espécies ameaçadas

De acordo com um estudo, 30 a 50 por cento das espécies de plantas lenhosas em todo o mundo estão ameaçadas de extinção

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Nevoeiro sobre a Mata Atlântica perto do Rio de Janeiro no Brasil.  Estritamente protegida como patrimônio cultural nacional desde 1998,  na verdade a realidade costuma ser diferente. Foto: Stock Adobe / 2011 Kay Fochtmann

Por Norbert Suchanek,  do Rio de Janeiro, para o “Neues Deutschland”

É uma corrida contra o tempo: enquanto por um lado as florestas, principalmente nos trópicos, são vítimas de operações de corte e queima ou motosserras em milhares de quilômetros quadrados, os botânicos pesquisam sua biodiversidade, que desaparece a cada dia. As espécies de árvores em particular são afetadas: 30 a 50 por cento das espécies do mundo estão na lista vermelha e, portanto, estão ameaçadas de extinção.

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Um “relatório sobre o estado das árvores no mundo” recentemente apresentado pela Botanic Gardens Conservation International mostra que 17.510 das 58.497 espécies de árvores conhecidas mundialmente, cerca de 30 por cento, estão gravemente ameaçadas de extinção. Outros 7% classificam o estudo realizado pela rede global de jardins botânicos e pela World Conservation Union nos últimos cinco anos como “possivelmente ameaçado”. Isso significa que mais de duas vezes mais espécies de árvores estão na notória Lista Vermelha do que mamíferos, pássaros, anfíbios e répteis combinados. Os pesquisadores classificam apenas 41,5% das plantas lenhosas conhecidas como inofensivas. 142 espécies descritas já estão, portanto, extintas, e de mais de 440 espécies de árvores, existem apenas menos de 50 espécimes na natureza.

“Nos últimos 300 anos, a área florestal do mundo diminuiu cerca de 40 por cento”, diz o relatório. A perda de habitat é a maior ameaça e a agricultura põe em perigo a maioria das espécies de árvores. 29 por cento das plantas lenhosas estão ameaçadas pela conversão de terras para o cultivo de safras.

“A segunda grande ameaça é a exploração direta, especialmente de madeira, que afeta mais de 7.400 espécies de árvores”, escreveram os pesquisadores. Com o desmatamento para produzir madeira, outros 27% das espécies de árvores podem desaparecer para sempre.

No ranking de países do relatório global de condição das árvores, o Brasil é bicampeão mundial. O maior país da América Latina não só possui a mais diversa flora arbórea com 8.847 espécies, mas também as espécies mais endêmicas: 4226 das plantas lenhosas cientificamente descritas até o momento só ocorrem aqui, que é mais de um quarto das espécies endêmicas no mundo todo.

No entanto, o Brasil também está no topo do ranking negativo de espécies de árvores ameaçadas, mas ainda é superado por Madagascar, onde 1.842 espécies estão na lista vermelha. A maior ilha tropical africana é particularmente preocupada com a fome da China por madeira tropical. Os pesquisadores relatam que a crescente prosperidade na República Popular da China levou a uma exploração intensiva de madeira tropical. “As espécies malgaxes de Diospyros e Dalbergia foram exploradas cruelmente para abastecer o mercado chinês.”

Embora os números do desmatamento na Floresta Amazônica permaneçam dramáticos, a maioria das espécies de árvores ameaçadas de extinção no Brasil são encontradas em outro lugar: na Mata Atlântica, um hotspot de biodiversidade. É um dos ecossistemas mais ricos do mundo em espécies endêmicas de árvores. Um hectare de Mata Atlântica pode acomodar até 450 espécies de árvores diferentes, descobriram botânicos. Mas de sua expansão original de cerca de 1,3 milhão de quilômetros quadrados do norte da Argentina ao nordeste do Brasil, cerca de 90 por cento já foram destruídos, o resto está fragmentado.

O ecossistema florestal único e pouco explorado é rigorosamente protegido como patrimônio cultural nacional no Brasil desde 1998, mas a realidade é diferente. Quem quiser derrubar a floresta aqui, seja para construção de uma nova casa de veraneio na costa verde do Rio de Janeiro, para sua própria villa na selva com campo de golfe ou para a expansão de monoculturas, ainda pode encontrar meios legais ou ilegais para fazê-lo. . No Brasil, existem apenas multas mínimas para crimes florestais, que muitas vezes nem são pagas. Além disso, há a expansão estadual da malha rodoviária, a construção de barragens e a expansão descontrolada das cidades da região.

De acordo com os dados mais recentes, a destruição da Mata Atlântica voltou a aumentar este ano . O Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais INPE registrou 10.634 focos de fogo na região entre 1º de janeiro e 23 de agosto, quase dez por cento a mais do que no mesmo período do ano anterior. Somente neste período, 7.746 quilômetros quadrados deste ecossistema florestal único foram queimados. Quantas espécies de árvores ainda podem ser descobertas aqui é incerto. Só uma coisa é certa: a cada incêndio florestal, há menos.

“Infelizmente, muitas pessoas ainda veem as árvores principalmente como uma fonte de madeira exposta a uma demanda insustentável e crescente”, resume o relatório. Isso, junto com práticas agrícolas destrutivas, leva ao desaparecimento de florestas em todo o mundo e à substituição de espécies de árvores naturais “não produtivas” por variedades industrializadas de crescimento rápido e, portanto, ao empobrecimento da diversidade de árvores. Embora haja uma grande oportunidade por meio de medidas de reflorestamento para mudar esse quadro sombrio, as práticas de plantio de árvores teriam que mudar em grande medida. As florestas podem se regenerar naturalmente – mas é preciso dar-lhes tempo para descansar.

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Este texto foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui! ].

Serviço Geológico do Brasil disponibilizanovos dados geológicos da região sul do Ceará

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O Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) vai divulgar novos dados e informações para incentivar a pesquisa mineral no estado do Ceará. O projeto foi executado pela equipe da Residência de Fortaleza do SGB-CPRM, e apresenta a cartografia geológica contida numa área de 36.000 km2, englobando 12 folhas na escala 1:100.000.

As informações serão apresentadas em uma transmissão ao vivo na TV CPRM no Youtube, no dia 15/09, às 15h, pela pesquisadora em geociências Iris Pereira Gomes. O professor Afonso de Almeida, da Universidade Federal do Ceará, e os geólogos Irabson Cavalcante e Ismael Pinheiro, que atuam no setor privado, irão debater o estudo durante o evento. Acesse a transmissão pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=6V-d2u5sBuY

A área de estudo está localizada na porção sul do estado de Ceará, geologicamente inserida na Província Borborema. Trata-se de uma região portadora de um variado potencial mineral, que hospeda importantes depósitos e ocorrências minerais, principalmente de substâncias metálicas.

Os dados a serem divulgados são resultados do projeto Mapeamento Geológico e Integração Geológica-Geofísica-Geoquímica na Região de Granjeiro-Cococi, Ceará, vinculado ao Programa Geologia, Mineração e Transformação Mineral, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, e à ação Levantamentos Geológicos e de Potencial Mineral de Novas Fronteiras, que tem viabilizado estudos em diversas áreas do Pré-Cambriano do Brasil com características geológicas favoráveis para novas descobertas minerais.

O estudo abrange 29 municípios do estado do Ceará: municípios de Parambu, Tauá, Arneiroz, Catarina, Aiuaba, Antonina do Norte, Saboeiro, Campos Sales, Salitre, Potengi, Araripe, Santana do Cariri, Nova Olinda, Altaneira, Cariús, Acopiara, Quixelô, Iguatu, Orós, Icó, Jucás, Cedro, Umari, Lavras de Mangabeira, Várzea Alegre, Farias Brito, Baixio, Ipaumirim e Aurora, além do município de Cajazeiras no estado da Paraíba e Pio IX, no estado do Piauí.

Sugestões de perguntas para os pesquisadores:

• Quais os recursos minerais disponíveis na região pesquisada?

• Por que o estado do Ceará possui tanta diversidade geológica?

• Qual a contribuição desse conhecimento para a economia regional e nacional?

• Como e quando o setor minerário do local vai poder se beneficiar deste estudo?

• Como os demais pesquisadores poderão se apropriar deste estudo para fazer um trabalho melhor?

• Como esse mapeamento se insere dentro de uma cadeia produtiva e numa perspectiva de desenvolvimento sustentável?

Aproveite o lançamento do estudo para fazer perguntas aos pesquisadores!

Confirme sua presença pelo email: imprensa@cprm.gov.br

Mapa geológico

Em 2020, o Serviço Geológico do Brasil finalizou a atualização do mapa geológico do Ceará, que reúne mais de duas mil informações sobre diferentes tipos de rochas, idades das formações rochosas e recursos minerais presentes em mais de 148 mil km² do território do Estado. O mapa geológico, que sintetiza informações principalmente dos últimos 17 anos de mapeamento geológico executado pela Residência de Fortaleza e que estimulou o crescimento do setor.

O Ceará é um estado com grande diversidade geológica ao apresentar 911 ocorrências de recursos minerais. Do total, existem 613 pontos classificados como rochas e minerais industriais. É o caso das rochas ornamentais, magnesita e também materiais para o setor de construção civil como areia, argila e brita.

Wladimir Garotinho e a miragem da “faculdade pública” na Baixada Campista

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Li com um misto de curiosidade e incredulidade uma notícia bem documentada do site “Campos 24 horas na qual o prefeito Wladimir Garotinho e o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, o ilustre desconhecido “Doutor” Serginho (PSL), na qual é anunciada a criação de uma tal “faculdade pública” (na verdade um “Centro de Inovação Tecnológica”),  nas dependências  de uma fábrica de macarrão, que foi construída pela empresa Duvenêto Indústria de Alimentos Ltda com  recursos do Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam), e que fechou as portas deixando uma dívida de R$ 95 milhões para os cofres públicos municipais (ver vídeo abaixo).

Ainda que as intenções propaladas pelo prefeito de Campos dos Goytacazes façam sentido, alguém precisa informar a ele duas coisas básicas. A primeira é que asfixiada pelo administração estadual da qual o Dr. Serginho faz parte, a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) mal consegue pagar suas contas com as obrigações que já tem, o que só não é mais grave porque boa parte dos custos com energia, água e internet foram internalizadas pelos servidores que estão trabalhando em casa.  Essa crise financeira ficará explícita em breve, pois a reitoria da Uenf está impondo uma volta ao trabalho presencial sem a garantia do oferecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) aos servidores e professores da instituição.

A segunda é que adiantar a participação da Uenf em uma empreitada obscura como a criação dessa “faculdade pública” sem consulta prévia é o caminho mais rápido para isso não dar em nada. É que a a reitoria da Uenf pode até aparecer em fotos promocionais com os tradicionais apertos de mão (o atual reitor, aliás, se mostrou um expert nesse tipo de ação promocional), mas vai ficar nisso mesmo, pois objetivamente quem decide se haverá participação são servidores que acumulam perdas salariais de quase 50% só nos últimos sete anos, e que estão para ter tolhidos uma série de direitos graças ao pacote de maldades enviado à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALerj) pelo governo acidental Cláudio Castro. Daí que trabalhar mais sob essas condições só na base do chicote. Como o governo Bolsonaro, do qual a família Garotinho é aliada, ainda não conseguiu abolir a Lei Áurea, eu diria que anunciar a participação da Uenf dá alguma legitimidade ao anúncio, mas não garantirá absolutamente nada.

Há que se dizer que a necessidade de se oferecer formação profissional para jovens campistas, especialmente os que vivem na Baixada Campista, é fundamental para melhorar a situação dos quase 190 mil campistas que vivem em condições de pobreza ou extrema pobreza, segundo dados do governo federal. Mas não será oferecendo miragens que isso será feito. E da forma que está posto, esse anúncio de uma “faculdade pública” não passa disso, uma miragem que a realidade irá rapidamente desmanchar.

Finalmente, uma dica positiva para o prefeito Wladimir Garotinho. A Uenf,  após razoável negociação na Alerj, assimilou em 2019 a Escola Técnica Estadual Agrícola Antônio Sarlo (ETEAAS), instituição de trajetória fundamental na cidade de Campos dos Goytacazes. Entretanto, a prometida parceria com a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes nunca saiu do papel, o que já era esperado já que o ex-prefeito Rafael Diniz não era muito amigo da educação pública.  A dica é a seguinte: que tal apoiar o projeto de recuperação da Antonio Sarlo? Seria bem menos miragem e mais realidade ancorada na história da educação campista.