Dados do sistema Deter apontam queda de 32% no mês de agosto, mas ainda não é motivo para comemorar
Queimada sobre área desmatada em área de floresta pública não destinada em Porto Velho, Rondônia
São Paulo, 10 de setembro de 2021 – Dados do sistema DETER, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados hoje, apontam que em agosto deste ano 918 km² da Amazônia estão com alertas de desmatamento. Apesar da queda em comparação com 2020, 32% menor, os alertas estão 42.7% maiores do que em agosto de 2018.
“Apesar dos dados divulgados hoje serem menores do que o mesmo mês de 2020, não podemos comemorar, pois é notório que não representa de fato uma queda, é apenas um declínio do padrão de destruição que se estabeleceu nos últimos anos, o “padrão Bolsonaro”. Não podemos normalizar a degradação da Amazônia e nos contentar com baixas tão irrisórias”, comenta Rômulo Batista, porta-voz da campanha de Amazônia do Greenpeace.
Veja aqui imagens de desmatamento registradas em julho de 2021
De janeiro a agosto de 2021 os alertas de desmatamento somam 6026 km², praticamente igual ao mesmo período em 2020, onde os alertas somaram 6099 km². Este é o terceiro ano seguido em que o período, de janeiro a agosto, fica acima de 6.000 km2, algo que só ocorreu durante o governo Bolsonaro. O que vemos é o aumento assustador das queimadas, que é a outra face da mesma moeda do desmatamento. Esses números são reflexos não só da política antiambiental do governo, mas também de seus aliados no Congresso Nacional, que tentam aprovar projetos de leis que ameaçam as florestas e seus povos, como os PL 2633, PL 490 e outros. São estes projetos que estimulam e intensificam a corrida de madeireiros, grileiros, fazendeiros e garimpeiros pela ocupação da Amazônia.
“Nesta gestão ainda não existe estratégia capaz de conter os altos níveis de destruição. O fortalecimento dos órgãos ambientais, a criação de unidades de conservação e terras indígenas, o combate à grilagem deveriam ser prioridades. Mas ao invés disso, temos acompanhado as ações dos poderes executivo e legislativo no caminho contrário, estimulando a destruição ambiental ao invés de punir e coibir o crime”, completa Rômulo.
Proteína da mistura de toxinas de uma jararaca-lança funciona em laboratório
O veneno do Bothrops Jararacussu poderá em breve ser usado na luta contra o vírus corona. Foto: wikimedia.com
Por Norbert Suchanek para o “Neues Deutschland”
Bothrops Jararacussu é uma das maiores cobras venenosas da América do Sul. Sua principal área de distribuição é a Mata Atlântica , que se estende do sul ao nordeste do Brasil. Embora já tenha sido reduzido para cerca de 90%, o veneno da cobra que vive lá pode salvar vidas humanas. Pesquisadores brasileiros descobriram uma molécula nas toxinas dessa espécie de jararaca que retarda a reprodução do novo coronavírus Sars-CoV-2 e pode, portanto, ser a base de um fármaco promissor.
Uma equipe de pesquisadores de universidades do estado de São Paulo isolou uma miotoxina chamada Bothropstoxin-I do veneno de Jararacussu e examinou mais detalhadamente um de seus componentes, o chamado peptídeo. Em testes com células de macaco, o peptídeo identificado, que não é tóxico para humanos, inibiu a capacidade do vírus mortal de se multiplicar em 75%, de acordo com o estudo publicado recentemente na revista Molecules .
O grupo de pesquisa já havia identificado toxinas antibacterianas no veneno de Jararacussu em um estudo anterior, explica o líder do estudo Eduardo Maffud, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Devido ao avanço da pandemia de COVID-19, queríamos ver se os peptídeos do veneno de cobra também funcionam contra Sars-CoV-2.” Uma possível droga com base nisso poderia dar ao corpo mais tempo para admitir anticorpos ao inibir a proteína 19 forma de patógeno para resistir à doença. Dependendo da dosagem, a molécula também pode proteger as células do vírus e, assim, até mesmo impedir que o patógeno entre no corpo.
Mas mais estudos são necessários para isso. Uma das próximas etapas serão os testes in vitru, ou seja, experimentos com animais – em camundongos, por exemplo. Maffud afirmou que: “Se o resultado for positivo, vamos desenvolver um tratamento.”
Além de cientistas da UNESP, também participaram do estudo pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Bothrops Jararacussu é uma cobra majestosa e poderosa. Possui mais de dois metros de comprimento, sendo a segunda maior cobra venenosa do Brasil. Seu nome brasileiro Jararacuçu vem da língua indígena Tupi. Seu coquetel de veneno mortal enriquecido com miotoxinas, que ela injeta no corpo de suas vítimas com dentes venenosos particularmente longos, reduz a coagulação do sangue e danifica o sistema cardiovascular. Além disso, pode causar hemorragia cerebral, sangramento no trato digestivo, insuficiência renal e danos aos tecidos – até necrose e cegueira. Embora seu habitat, a Mata Atlântica, tenha sido amplamente destruído há décadas, ela não está na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção no Brasil.
Este texto foi inicialmente escrito em alemão e publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].
O governador acidental Cláudio Castro é só mais um personagem na trama que retirada do Rio de Janeiro a capacidade de pensar o seu futuro
Não há dúvida de que a nova rodada do “Regime de Recuperação Fiscal” (RRF) que está sendo firmada pelo governo comandado pelo dublê de cantor e governador, Cláudio Castro, desfere uma série de golpes duros nos servidores públicos estaduais, extinguindo direitos, impondo a continuidade do poder de compra dos salários, e congelando concursos públicos.
Mas esse ataque aos servidores, eternos bois de piranha das reformas neoliberais, possui facetas ainda mais draconianas no que tange ao fim da autonomia política e administrativa do estado do Rio de Janeiro, que impedirá a capacidade governamental de formular saídas para os seus graves problemas fiscais, os quais têm desembocado em uma destruição da sua capacidade produtiva, o que desemboca em uma grave crise social, a qual já era grave mesmo antes da erupção da pandemia da COVID-19.
Desde a sua concepção, o RRF é um instrumento que centraliza brutalmente o poder nas mãos do Ministério da Fazenda, e retira de governadores e das assembleias legislativas o poder de governar que é outorgado pela população no momento em que os governantes e representantes são eleitos.
Com a adesão do Rio de Janeiro ao RRF, quem de fato comanda os destinos dos quase 17 milhões de cidadãos fluminenses é um grupo obscuro de burocratas sentados confortavelmente em gabinetes refrigerados que têm em mente os interesses dos detentores da dívida pública, dívida essa que em boa parte foi produzida sem qualquer controle ou fiscalização, e cujo pagamento continuará infinitamente, sem que haja qualquer perspectiva de sua diminuição.
Mentem descaradamente todos aqueles que prometem que a adesão ao RRF vai recuperar a capacidade de investimento do estado do Rio de Janeiro. A verdade é que não apenas essa capacidade não irá aumentar, mas, muito pelo contrário, irá diminuir. De quebra,quaisquer decisões que pudessem retirar o estado do Rio de Janeiro do controle absoluto de fiscais das políticas neoliberais que ele consolida serão neutralizadas e impedidas de serem levadas a cabo.
Para quem quiser saber mais sobre os aspectos draconianos e piores consequências do RRF sugiro a leitura do texto “A ameaça do regime de recuperação fiscal” assinado por Maria Lúcia Fatorelli que é uma das cabeças pensantes mais preparadas e que atua no âmbito da Auditoria Cidadã da Dívida. Já no caso específico da manutenção do Rio de Janeiro no RRF, um texto a ser lido é o “Regime De Recuperação Fiscal Ou Implosão Fiscal do Estado do Rio de Janeiro?” assinado por Paulo Lindesay, Coordenador do núcleo da Auditoria Cidadã do Rio de Janeiro.
Por fim, há que se notar que na esteira da contínua retirada do Estado da busca de soluções para os problemas crônicos que afligem a população fluminense, o que tem crescido é a influência de grupos criminosos, sejam eles de narcotraficantes ou das milícias (ou em alguns casos com esses grupos juntos e misturados) sobre o cotidiano das pessoas, tendo como consequência maior a privatização forçada de serviços públicos.
O governador (acidental) Cláudio Castro mostrado ao lado do senador Flávio Bolsonaro lança pacote que vai aniquilar o serviço público estadual
Os servidores públicos estaduais do Rio de Janeiro amanheceram esta 6a. feira com várias bombas colocadas no seu colo pelo dublê de cantor e governador acidental, Cláudio Castro. É que sob a escusa de firmar uma nova rodada do famigerado “regime de recuperação fiscal”(RRF), que até aqui só serviu para drenar recursos dos cofres estaduais e aumentar a dívida pública fluminense, Castro e seus secretários prepararam uma série de decretos e projetos de emendas constitucionais (PECs), cujo único efeito prático é desmanchar o que ainda resiste do serviço público estadual, com prejuízos incalculáveis para a população que depende dos serviços prestados pelos servidores.
Entre as medidas mais salgadas estão o aumento do tempo de serviço necessário para os servidores requererem suas aposentadorias e o fim de vantagens que até aqui serviram para amortecer os ônus causados pelos quase 7 anos sem recuperação das perdas inflacionárias.
Além disso, há ainda a medida, revestida da mais pura forma de cinismo, de restringir futuros reajustes ao que vier a acontecer, sem que haja qualquer menção ao que já foi corroído pela inflação. É como se Cláudio Castro dissesse aos servidores algo como “devo, não nego, mas aviso que não vou pagar”.
Uma medida que é uma verdadeira pá de cal é a restrição de novos concursos em função do comportamento fiscal do estado. É que qualquer calouro de um curso de Economia sabe que, dadas as condições impostas pelo governo Bolsonaro para que o Rio de Janeiro continue inserido no RRF, será o aumento ainda maior da bola de neve criada por diferentes governos, mas inflada fortemente por Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, o saldo final dessa adesão.
Como docente de uma instituição universitária que hoje agoniza financeiramente, no caso a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), a expectativa de ter trabalhar mais anos para bancar a permanência do Rio de Janeiro no RRF me parece uma punição injusta para quem já dedicou mais de 22 anos ao serviço público fluminense.
Mas o pior está reservado para a Uenf que não terá a menor capacidade de atrair novos servidores, pois perderá qualquer tipo de atratibilidade para jovens pesquisadores que preferirão trabalhar em regiões mais desenvolvidas ou mesmo procurar o caminho do aeroporto. Essa pacote é, na prática, uma sentença de morte para a instituição criada por Darcy Ribeiro e Leonel Brizola.
A única coisa que eu espero é que se esse ataque gigantesco ao serviço público passar, os servidores optem por não dar votos a Cláudio Castro nas eleições de 2022. É que aí, convenhamos, a perda de direitos seria até muito merecida.
Finalmente, para não dizerem que não falei das flores, o Fórum Permanente de Servidores Públicos do Estado do Rio de Janeiro (Fosperj) está preparando uma série de mobilizações para pressionar os deputados estaduais a não adotarem esse pacote de maldades. Penso que o caminho terá de ser esse, pois não será com reuniões fechadas com os pais desse pacote anti-servidor que este projeto será derrotado.
Dividido em três fases, o retorno de 20 mil empregados que estão em teletrabalho está previsto para ocorrer até janeiro do próximo ano
Rio de Janeiro, 10 de setembro de 2021 – A Petrobrás anunciou aos seus empregados do quadro administrativo que a retomada gradual das atividades presenciais da companhia será dividida em três fases. O retorno em “ondas” ao trabalho presencial, iniciado em julho de 2021, terá continuidade no próximo mês. De acordo com o calendário da empresa, os petroleiros têm até esta sexta, 10, para se posicionarem sobre a “Onda 1”, com início previsto para o dia 1º de outubro. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus sindicatos acreditam que este retorno vem sendo promovido de forma precipitada e sem a necessária negociação com as entidades de classe.
“Muitos trabalhadores são do grupo de risco, devem precisar de uma terceira dose da vacina. No caso do Rio de Janeiro, há o agravante de ser o epicentro da variação Delta, que é mais transmissível, segundo a OMS. A gente considera precipitado esse retorno, além de estar sendo feito sem diálogo. A empresa não procurou o sindicato para negociar. Vamos intervir para impedir isso e orientamos os trabalhadores e trabalhadoras que forem do grupo de risco a se manterem no teletrabalho”, afirma o coordenador geral do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra.
Em agosto, o governo do município do Rio de Janeiro afirmou que a capital do estado é o epicentro da variante Delta no país, em um ofício interno da Superintendência de Regulação, o que vem provocando um aumento de casos da doença. Em artigo publicado no dia 30/8, o Instituto Fernandes Figueira, da Fiocruz, explica que o grande problema da variante Delta é o seu alto poder de transmissibilidade. “Ela é considerada uma variante de preocupação por ser mais transmissível do que as anteriores (Alfa, Beta e Gama), o que a faz mais contagiosa do que a cepa original”.
As “ondas” começaram pela “Onda 0” em julho, com gerentes-executivos e gerais no Edifício Senado, no Rio de Janeiro. Após a “Onda 1”, de outubro, estão previstas ainda as ondas 2 (novembro) e 3 (dezembro). No modelo da gestão, os trabalhadores têm até o dia 10 de cada mês para se manifestarem sobre a permanência no teletrabalho (que passa a ser híbrido) ou para retorno total no mês seguinte. Na “Onda 1”, o limite de vagas em cada local de trabalho é de 20%.
Segundo o Sindicato dos Petroleiros de São Paulo (Sindipetro Unificado SP), na última quarta-feira (08), a FUP realizou reunião para discutir a maneira mais adequada para os trabalhadores voltarem às atividades presenciais, considerando normas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e fundações de pesquisa brasileiras, como a Fiocruz e o Butantã. Cibele Vieira, diretora da entidade, afirmou que o principal problema da decisão da empresa foi a falta de diálogo com a categoria sindical. “O que questionamos é a falta da participação do movimento sindical nesse planejamento de retorno da companhia. Não tivemos espaço para participar da discussão, só fomos avisados”, explicou.
Em julho deste ano, a FUP apresentou à Petrobrás uma pesquisa realizada com funcionários que trabalham remotamente neste período de pandemia. Os dados demonstraram que 92% dos entrevistados querem que o regramento do teletrabalho seja negociado com os sindicatos; 87% entendem que é preciso uma regra mais transparente sobre os critérios de quem pode ou não estar em teletrabalho; 81% querem previsibilidade sobre o tempo de permanência; 86% dos trabalhadores em home office são favoráveis ao controle da jornada, tanto para os que têm horário fixo, quanto flexível; e 54% preferem permanecer no teletrabalho integral após a pandemia da Covid-19.
A Petrobrás tem mais de 41 mil empregados; cerca de 21 mil em prédios administrativos. Desde março de 2020, início da pandemia, mais de 90 por cento dos trabalhadores destes prédios ficaram em regime de home office. As “ondas” de retorno ao trabalho presencial do setor administrativo da Petrobrás pretende ter 100 por cento do efetivo até janeiro de 2022.
Este ano, o Festival Internacional de Cinema de Urânio comemora o pior acidente radiológico da América Latina, ocorrido em 13 de setembro de 1987 na cidade de Goiânia, no centro do Brasil. De 13 a 19 de setembro de 2021, o festival exibirá oito filmes online e gratuitos sobre o acidente envolvendo o césio-137 altamente radioativo. Acima de tudo, o festival quer dar voz às vítimas do acidente de césio para que não sejam esquecidas. Começa com um evento online ao vivo no dia 13 de setembro com um dos sobreviventes das vítimas da radiação, Odesson Alves Ferreira, e o cineasta e biólogo brasileiro, Prof. Alphonse Kelecom. O Museu de Arte Moderna de Rios (MAM Rio) apóia o festival com seu canal Vimeo e Youtube.
Tenho lido e ouvido incontáveis análises sobre o cenário criado pelas manifestações convocadas pelo presidente Jair Bolsonaro no dia 7 de setembro e seu desdobramento mais óbvio, o misto de greve e locaute liderada pelo auto proclamado líder caminhoneiro (não sei por quê, mas lembrei aqui do auto proclamado presidente venezuelano Juan Guaidó) Marcos Antônio Pereira Gomes, mais conhecido como Zé Trovão.
É que o desdobramento acabou resultando em bloqueios de estradas que, indo além das bravatas de palanque, obrigaram um contrito presidente Jair Bolsonaro a fazer um pronunciamento claramente a contragosto via Whatsapp onde pediu a desmobilização da categoria em nome, pasmemos todos, dos mais pobres, apenas para ser vítima de uma paródia impiedosa do humorista Marcelo Adnet (ver vídeo abaixo).
Agora se sabe que Pereira Gomes (a.k.a Zé Trovão), para evitar ser preso pela Polícia Federal, tinha se mandado para o México, pátria de famosos novelões. E de lá Zé Trovão foi do céu ao purgatório, visto que pode notar o seu lento abandono por parte do presidente da república, algo que já tinha ocorrido com outras figuras que se arvoraram a ser as mãos que transformariam os discursos de Jair Bolsonaro em ações reais, apenas para serem deixados ao léu.
Eu diria que, ao contrário de muitos analistas engalonados, eu modesto vejo que o presidente Bolsonaro acabou sendo enredado na teia que ele mesmo criou, pois agora se arrisca a perder o apoio de um grupo com conhecida capacidade de circulação não apenas de bens e mercadorias, mas também de conteúdos produzidos para acirrar a disputa política no Brasil. Esse desdobramento, convenhamos, promete abrir mais capítulos na telenovela mexicana em que acabamos enfiados nas últimas semanas.
Finalmente, vamos se daqui a pouco não aparece a Ana Raio para tentar salvar o Zé Trovão. É que tudo indica que se depender de Bolsonaro, Zé Trovão vai tomar o raio.
A Rede de Pesquisadores em Geografia (Socio)Ambiental e o GT ECOlutas convidam para Webinar/live: Políticas do Desmonte Ambiental no Brasil: a Facilitação do Licenciamento e os impactos na Mineração
– Raquel Giffoni Pinto: Profª do Depto de Análise Geoambiental da Universidade Federal Fluminense e integrante da Rede Brasileira de Justiça Ambiental (RBJA) e do Grupo Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS) – Marcos Pedlowski: Professor associado do Laboratório de Estudos do Espaço Antrópico (LEEA) da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) – Ana Paula dos Santos: Advogada do Movimento Justiça nos Trilhos (JnT) e integrante do Comitê em Defesa dos Territórios Frente à Mineração
Mediação:
Thiago Roniere R. Tavares: Membro da RP-G(S)A, Doutorando e Prof Substituto de Geografia da UFRJ
A ascensão do Neoconsevadorismo a impõe desafios à diversas esferas da realidade brasileira. Seja no âmbito sociopolítico, cultural ou cientifico, a matriz ideológica neoconservadora se insere de forma incisiva colocando em cheque o presente e o futuro das Políticas Sociais no Brasil.
Em função dessa conjuntura, a 8º Jornada de Politicas Sociais do Programa de Políticas Sociais (PPGPS) da Universidade Estadual do Norte Fluminense discutirá os impactos e alternativas frente à agenda conservadora e neoliberal. O evento, que ocorrerá de forma online viao canal oficial do PGPS no Youtube, e contará com a participação de pesquisadores e representantes de associações da sociedade civil.
Veja a programação abaixo!
Para maiores informações siga o perfil do PPGPS no Instagram que é o seguinte: @pgpoliticassociais_uenf
Um apoiador do presidente Jair Bolsonaro segura uma bandeira nacional em pé em um veículo militar, em frente ao Palácio da Alvorada, durante as comemorações do Dia da Independência em Brasília, nesta terça-feira. Fotografia: Evaristo Sa / AFP / Getty Images
Por Tom Phillips em Brasília, para o “The Guardian”
Milhares se reuniram na capital atrás do populista de extrema direita, mas as pesquisas sugerem que sua presidência está saindo dos trilhos antes das eleições do próximo ano
André Meneses fez um sinal de arma com as mãos para transmitir o que achava que deveria acontecer com aqueles que se opunham ao projeto de Jair Bolsonaro para o Brasil.
Apoiadores do Bolsonaro enfrentam policiais antes de grande comício em Brasília
“A coisa certa a fazer é colocá-los na parede e foder … atirar neles”, declarou o manifestante de 60 anos na manhã de terça-feira, enquanto milhares dos apoiadores mais leais do presidente brasileiro se reuniam na capital do país para celebrar seu líder .
“Eles são traidores. Eles são traidores do Brasil ”, disse Meneses sobre os juízes da Suprema Corte e senadores de esquerda que ele alegou merecerem encontrar o pelotão de fuzilamento por ousar frustrar os planos de Bolsonaro.
“Se eu fosse o presidente, faria isso … e dormiria muito bem após a morte deles, entende o que quero dizer?” acrescentou Meneses, que viajou quase 2.000 km do nordeste do Brasil para se juntar ao comício do dia da independência em Brasília. “Espero que vocês coloquem isso em seu jornal assim.”
Meneses estava longe de ser o único a expressar essas opiniões extremistas na terça-feira, quando multidões de bolonaristas saíram das ruas das maiores cidades do Brasil para mostrar seu apoio a um líder cuja presidência altamente polêmica parece estar saindo dos trilhos.
André Meneses: ‘Se eu fosse o presidente faria isso … e dormiria muito bem após a morte deles.’ Fotografia: Antonello Veneri / The Guardian
“Vamos apoiá-lo onde quer que esteja … Mesmo que precisemos pegar em armas e morrer pelo Brasil, faremos isso”, disse Luis Bonne, um funcionário público de 50 anos que também estava entre os milhares que se transformaram Fora.
Ao seu redor, na avenida que leva ao Congresso e à Suprema Corte do Brasil, caminhões e picapes – dirigidos para a área horas antes depois de confrontos com a polícia– estavam cobertos de faixas pedindo uma tomada militar imediata liderada por Bolsonaro na maior democracia da América Latina.
“O presidente Bolsonaro faz uma intervenção. Nossas forças armadas estão comprometidas com a democracia e nossa liberdade ”, dizia uma placa verde e amarela brandida por um grupo de mulheres de meia-idade que faziam sinais de armas do lado de fora do ministério das finanças.
Do outro lado da esplanada do Ministério da Defesa, uma faixa pendurada na carroceria de um caminhão exigia a limpeza das instituições democráticas do Brasil: a Suprema Corte, o Congresso e a Suprema Corte Eleitoral.
Os manifestantes do Bolsonaro em Brasília levam sua mensagem internacionalmente. Fotografia: Antonello Veneri / The Guardian
Caso a mensagem não fosse clara para os visitantes estrangeiros, uma jovem ativista havia escrito um cartaz em francês. “ Monsieur Le Président ”, dizia. “ Utilisez L’Armée .”
Outras demandas bolsonaristas foram apresentadas em um inglês esquisito e cheio de pontos de exclamação. “O limite foi ultrapassado !!! Nossa indignação é enorme !!! Prisão para corruptos e comunistas !!! ” leia uma faixa branca colocada ao lado de um dos vários SUVs de luxo que haviam sido levados para o evento.
Bonne disse que veio para defender o que chamou de esforço de Bolsonaro para livrar o Brasil dos cleptomaníacos comunistas que estavam se infiltrando em seu país.
“O Brasil precisava de alguém como Bolsonaro – não de um filho de múmia namby-pamby que não faria nada”, ele insistiu.
“Precisávamos de um bruto – um cara como o Bolsonaro. Ele é capaz de enfrentar esses políticos que estão sangrando o Brasil. ”
O funcionário público disse não ter dúvidas de que seu líder seria reeleito nas eleições do próximo ano. “Ele é o presidente perfeito”, disse ele sobre o populista pró-armas. “Não acredito na possibilidade de a esquerda voltar ao poder.”
As pesquisas, no entanto, sugerem que Bolsonaro tem poucas chances de ganhar um segundo mandato em 2022, tendo ultrajado a maioria dos brasileiros com seu discurso radical e resposta caótica e anticientífica a um surto de Covid que matou mais de 580.000 cidadãos.
Os políticos da oposição rejeitaram as marchas de terça-feira como uma tentativa desesperada de ressuscitar a reputação decadente de um político cuja presidência está perdendo força rapidamente, em meio à fome crescente e aos problemas econômicos.
“As classificações de Bolsonaro estão em colapso e com esses ralis … ele quer mostrar que ainda está na corrida. Ele está tentando energizar sua base ”, disse Marcelo Freixo, deputado de esquerda do Partido Socialista Brasileiro (PSB).
“Não foram as pessoas que saíram às ruas – foram os fanáticos”, acrescentou Freixo sobre o que chamou de “protestos absolutamente criminosos e inconstitucionais”.
Jean Paul Prates, senador do Partido dos Trabalhadores (PT), disse que o “terrível espetáculo” de Bolsonaro foi planejado para criar a ilusão de que o presidente ainda gozava de amplo apoio quando, na verdade, a maioria dos brasileiros agora o rejeitava. “A maioria fará com que sua voz seja ouvida nas urnas no próximo ano”, previu Prates.
Torcedores do Bolsonaro se reúnem no Brasil. Fotografia: Antonello Veneri / The Guardian
Mas, enquanto marchavam pelo Rio, São Paulo e Brasília na terça-feira, os bolsonaristas radicais estavam sendo veementemente exagerados pela imprensa.
“Nós acreditamos nele”, disse João Paulo Temporini, um advogado de 27 anos, enquanto marchava para o Congresso com uma faixa dizendo: “No Bolsonaro nós confiamos”.
Meneses disse também ter fé total em seu líder e rejeitou a sugestão de que o ex-presidente esquerdista Lula Inácio Lula da Silva pode vencer o Bolsonaro no ano que vem, como sugerem as pesquisas. “Ele é o melhor presidente – em mais de 500 anos, nunca tivemos um cara assim. Ele é um exemplo para o mundo, sabe o que quero dizer? ” disse ele de Bolsonaro.
Discursando no rali depois de voar sobre a multidão em um helicóptero, Bolsonaro afirmou que os presentes decidirão os rumos do Brasil no futuro.
Milhares se reúnem para comícios pró-Bolsonaro enquanto os críticos temem pela democracia
“Diz ordem e progresso em nossa bandeira – e é isso que queremos”, proclamou Bolsonaro, em meio a relatos de que o ex-assessor de Donald Trump, Jason Miller, havia sido interrogado pela polícia federal que investigava atos antidemocráticos enquanto tentava deixar Brasília após participar de cúpula de direita organizada por um dos filhos do presidente brasileiro.
“Não queremos ruptura”, insistiu Bolsonaro ao se dirigir aos fãs em Brasília.
Mas, à medida que sua presidência de quatro anos se aproxima de sua reta final potencialmente dramática, alguns temem que o futuro possa trazer exatamente isso.
“É realmente perigoso termos chegado a um ponto de tal fanatismo e radicalismo”, disse Prates, o senador de esquerda. “Este é um momento de verdadeira apreensão.”
Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].