Mudança na presidência da Petrobras agita vespeiro

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Não sei quantos acompanharam pela televisão o momento em que surgiu a demissão do privatista Roberto Castello Branco da presidência da Petrobras, mas confesso que a reação desesperada dos analistas globais ou diretamente do chamado “mercado” chegou a me causar curiosidade. É que em nome de uma suposta segurança corporativa, estes analistas caíram como vespas furiosas sobre a decisão do presidente Jair Bolsonaro de demitir Castello Branco e nomear o general da reserva Joaquim Silva e Luna para o cargo. Mais do que rejeitar o general Silva e Luna, coisa que não ousaram fazer, os analistas apontaram para o risco de se mudar uma política de preços que hoje asfixia os brasileiros, mas que enche os bolsos dos acionistas estrangeiros.

A revoada de notícias contendo previsões catastróficas continua neste sábado e já tem gente que diz que a Petrobras perderá zilhões de reais por causa dessa troca, sem que um mísero artigo toque em um ponto central: a política privatista inaugurada por Pedro Parente e continuada por Castello Branco causaram uma explosão nos preços não apenas da gasolina e do diesel, e também do gás de cozinha. Com isso, para ter a chance de vencer o pleito presidencial de 2022, Jair Bolsonaro não teve outra alternativa a não ser sacar Castello Branco e quase certamente a política de preços que ele aplica.  É essa mudança, e não simplesmente a questão da presidência, que alvoroça a mídia corporativa brasileira que se mostra, mais uma vez, uma vassala dos interesses estrangeiros que hoje se refastelam com a política de petróleo que é aplicada pelo governo Bolsonaro. 

Há que se notar, por exemplo, que não ouvi nenhuma crítica dos analistas nervosos com o presidente Bolsonaro em relação à dolarização da gasolina que poderá elevar o preço do litro a algo em torno de R$10 até o final de 2021, ou à venda da Refinaria Landulpho Alves na Bahia pela metade do seu valor ao fundo soberano de Abu Dabi, o  Mubaala. 

Certamente há uma série de riscos para o presidente Jair Bolsonaro nesse movimento que afronta tantos interesses inconfessáveis dentro da república. Dilma Rousseff caiu por coisa semelhante, pois era vista como um empecilho para a aplicação das políticas que o governo Bolsonaro vem aplicando.  Entretanto, ao fazer esse movimento sobre a pressão da conjuntura complexa que combina elementos políticos, econômicos e sanitários, Bolsonaro abriu uma brecha para que suas próprias ações possam ser questionadas pela classe trabalhadora.  Pode parecer contraditório vindo de alguém que busca consolidar sua posição de poder, mas ao mexer na Petrobras, Bolsonaro pode ter feito uma aposta maior que as cartas que têm na mão permitiriam. Resta saber como ficarão os generais que objetivamente sustentam o seu governo.

Volta às aulas: “já estamos num colapso. Fomos jogados no olho do furacão”

sala de aula

Criança levanta a mão ao lado de outros alunos em sala de aula da escola Thomaz Rodrigues Alckmin, no primeiro dia de retorno das escolas do estado de São Paulo para atividades extracurriculares em meio ao surto de coronavírus (COVID-19) em São Paulo, Brasil Outubro 7, 2020. REUTERS / Amanda Perobelli

Por Gabriel Brito para o Correio da Cidadania

Fevereiro de 2021 entra para a história como o mês em que, apesar do pico de casos de coronavírus no Brasil, o Estado brasileiro e seus gestores decidiram iniciar o ano letivo em condições pretensamente normais. De acordo com o Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo, já são 721 casos de contaminação na comunidade escolar e algumas mortes. Na entrevista ao Correio, o professor Severino Honorato comenta que a maior parte dos estabelecimentos não é apta a funcionar de forma segura e o governo só deu ouvidos às pressões do poder econômico na organização do retorno às aulas.

“As condições são péssimas. Faltam funcionárias para limpeza. As pessoas que existem são terceirizadas e ganham salários de fome. São mulheres que estão na linha de frente da higienização e limpeza do ambiente escolar. Estão expostas ao vírus. Têm casos em que só há uma funcionária para limpar toda a escola. Isso é semiescravidão. Antes de ser do sindicato, sou professor. Eu sou testemunha disso”.

Severino também ataca a má fé do governo Bolsonaro no tratamento da pandemia e na viabilização da vacina, e explica as razões pelas quais a greve dos trabalhadores da educação não se concretizou.

“As perspectivas são de tempos difíceis, duros, de ampliação do contágio e das mortes. Bolsonaro tem um modus operandi maléfico: boicota as medidas necessárias e depois de um tempo as aplica e diz que foi ideia do governo”, resumiu.

A entrevista completa pode ser lida a seguir. 

Correio da Cidadania: Como avalia a volta as aulas na rede pública no contexto da pandemia? Havia como fazer diferente em uma sociedade como a nossa?

Severino Honorato: As condições são péssimas. Faltam funcionárias para limpeza. As pessoas que existem são terceirizadas e ganham salários de fome. São mulheres que estão na linha de frente da higienização e limpeza do ambiente escolar. Estão expostas ao vírus. Têm casos em que só há uma funcionária pra limpar toda a escola. Isso é semiescravidão. Antes de ser do sindicato, sou professor. Eu sou testemunha disso.

Correio da Cidadania: O que pensa da forma como governo e prefeitura conduzem o retorno às aulas, considerando também sua política de contenção do coronavírus de um modo geral?

Severino Honorato: A demagogia e a irresponsabilidade dos governos venceram. Demagogia porque alegam que as crianças estavam entrando em depressão, sofrendo violência doméstica. Mas isso sempre ocorreu e não existem políticas públicas sérias para conter esses problemas. A postura do governo federal foi desastrosa, condenável e criminosa. O negacionismo de Bolsonaro e sua turma de lunáticos custou a vida de muita gente. Na verdade, foi algo deliberado e orquestrado.

Correio da Cidadania: Quais as condições gerais das escolas? O que você pode descrever de acordo com a própria experiência?

Severino Honorato: O retorno foi desastroso do ponto de vista da segurança em relação ao contágio. Foi evidente que ocorreu uma pressão do setor privado e os governos cederam. Era possível fazer diferente, ouvir os segmentos interessados. Dialogar. Isso não ocorreu.

Correio da Cidadania: Já há muitos casos de contaminação? Como tem sido o dia a dia? Há chance de colapso das aulas?

Severino Honorato: O sindicato recebeu centenas de notificações de casos de covid-19, a grande maioria de professores. Têm escola com quase dez contaminados. Temos casos de gestores que morreram. Até porque as escolas não fecharam em nenhum momento. Temos casos de escolas com 50% de trabalho remoto, pois os profissionais são do grupo de risco. Já estamos num colapso. Fomos jogados no olho do furacão.

Correio da Cidadania: Houve uma tentativa de greve no meio do processo de retorno? Por que não ocorreu?

Severino Honorato: Greves são movimentos que podem ser um tsunami ou uma brisa. A greve aprovada pelo sindicato não pegou na base. São muitos os motivos. Destaco três: a) a pressão do governo, que criou uma estrutura hierárquica em que gestores e coordenadores “vestiram a camisa do governo”; b) a crise social provocada pela pandemia; c) o distanciamento do sindicato do chão da escola e também da comunidade escolar. O apelo do sindicato não sensibilizou a categoria. Os poucos que estão em greve estão sangrando.

Correio da Cidadania: Que perspectivas vocês enxergam neste contexto, levando em conta o ritmo da vacinação do país?

Severino Honorato: Tempos difíceis, duros, de ampliação do contágio e das mortes. Bolsonaro tem um modus operandi maléfico: boicota as medidas necessárias e depois de um tempo as aplica e diz que foi ideia do governo. Exemplo: Paulo Guedes propôs 200 reais de auxílio emergencial. O Congresso apontou 500, o Governo fechou com 600 e ganhou pontos com um setor da população que não tem tempo pra elucubrações, precisa comer. Só agora Pazzuello fala em agilizar a compra de vacinas, depois das inúmeras demonstrações de despreparo e mesmo desprezo sobre a urgência da situação. São genocidas.

Gabriel Brito é jornalista e editor do Correio da Cidadania.

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Esta entrevista foi inicialmente publicado pelo Correio da Cidadania [Aqui!].

Especialista afirma que virus ficará mais perigoso se o SARS-CoV-2 se fundir com outro coronavírus

virusMembros de uma equipe da Sinovac Biotech, uma empresa biofarmacêutica chinesa, realizam uma nova inoculação simulada de coronavírus em uma zona de biossegurança de alto nível de uma oficina de solução de estoque a ser colocada em produção de vacinas inativadas COVID-19 em Pequim, capital da China, 15 de julho 2020. A Administração Nacional de Produtos Médicos da China concedeu na sexta-feira a aprovação condicional de mercado para CoronaVac, uma vacina COVID-19 inativada desenvolvida pela Sinovac Biotech, disse a empresa no sábado. (Xinhua / Zhang Yuwei)

Por Leng Shumei e Liu Caiyu para o Global Times

 Uma cepa recombinante do novo coronavírus provavelmente foi detectada nos EUA, o que levou especialistas chineses a alertar na quinta-feira que um vírus mais perigoso poderia surgir se o SARS-CoV-2 se recombinar com outro coronavírus.

Bette Korber, cientista do Laboratório Nacional de Los Alamos, disse no início deste mês que descobriu evidências da nova cepa, que foi uma recombinação das variantes detectadas no Reino Unido e na Califórnia, e que pode ser responsável por uma recente onda de casos em Los Angeles, de acordo com um relatório publicado na revista New Scientist de Londres na terça-feira.

A recombinação pode ser vista como uma variação maior do que as mutações descobertas anteriormente. Mas, enquanto ainda estiver limitado nas cepas SARS-CoV-2, não afetará amplamente a antigenicidade do vírus, disse um especialista em vacinas de Pequim ao Global Times na quinta-feira, sob condição de anonimato. 

No entanto, o especialista alertou que a situação seria pior se ocorrer uma recombinação entre o SARS-CoV-2 e outro coronavírus – por exemplo, o vírus SARS. 

A recombinação pode levar ao surgimento de variantes novas e ainda mais perigosas, embora não esteja claro o quanto de ameaça esta primeira recombinação pode representar, disse o relatório da revista New Scientist. 

Se confirmada, a recombinação seria a primeira a ser detectada nesta pandemia, enquanto as mutações contínuas e rápidas do SARS-CoV-2 trouxeram preocupações suficientes para o mundo sobre a doença mortal, já que algumas vacinas foram relatadas como menos potentes contra certas variantes.

“É certamente impossível para os humanos evitar a mutação do vírus. Diante das mudanças, temos que desenvolver vacinas multivalentes ou vacinas sazonais e aceitar inoculações para obter imunidade, assim como o que fazemos contra a gripe”, Jiang Chunlai, professor da Escola de Ciências da Vida da Universidade de Jilin, disse ao Global Times na quinta-feira. 

Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, parceiro brasileiro da produtora chinesa de vacinas Sinovac Biotech, disse à mídia nesta quarta-feira que receberam bons resultados sobre a eficácia da vacina Sinovac contra as variantes detectadas no Reino Unido e na África do Sul, enquanto a BioNTech / As vacinas Pfizer e Oxford / AstraZeneca relataram desempenho insatisfatório em algumas cepas.

As vacinas inativadas da China contêm mais epítopos antigênicos do que a vacina de mRNA da BioNTech / Pfizer e a vacina de vetor adenoviral recombinante Oxford / AstraZeneca, portanto, podem lidar com mais mutações, explicou o especialista acima mencionado.

Covas, do Instituto Butantan, não deu dados específicos sobre a eficácia, mas disse que o instituto também está testando a vacina contra a variante detectada no Brasil, e acredita que resultados positivos sairão em breve, informou a Reuters. 

No mesmo dia, um relatório divulgado na quarta-feira no The New England Journal of Medicine disse que os pesquisadores descobriram que a vacina BioNTech/Pfizer é menos potente contra a variante do coronavírus detectada na África do Sul e produz apenas um terço dos anticorpos que produziu para o vírus original.

No início deste mês, as autoridades de saúde sul-africanas anunciaram uma suspensão no lançamento da vacina contra o coronavírus Oxford/AstraZeneca no país depois que um estudo mostrou que ela oferecia proteção reduzida contra a variante COVID-19 que lá foi identificada pela primeira vez.

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Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo “Global Times” [Aqui!].

Governo Wladimir Garotinho coloca profissionais da educação na linha de fogo da COVID-19

professores

Uma rápida leitura da matéria postada no portal oficial da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes sobre a iminente adoção de um modelo “híbrido” para garantir o retorno às aulas presenciais na rede municipal de educação (pública e privada) já nos fornece o principal elemento de contradição do que está sendo imposto a milhares de servidores municipais da educação que serão obrigados efetivamente a voltar ao trabalho presencial. É que a reunião que decidiu o destino desses trabalhadores não foi presencial, mas na segurança da tela de computador (ver imagens abaixo).

Em termos da proposta que será implementada pela Secretaria Municipal de Educação, uma coisa salta aos olhos: afora as declarações protocolares de que cada escola criará uma tal “Comissão Pró-Saúde” para “monitorar o cumprimento dos protocolos estabelecidos, nada de concreto é indicado para garantir a chance zero de contaminação por parte de profissionais da educação e das crianças que frequentarão “hibridamente” as escolas públicas e privadas.

E isso em um momento que se sabe que pelo menos duas variantes com maior capacidade de contágio já estão presentes de forma comunitária no Rio de Janeiro (as originada no Reino Unido e em Manaus), e de que uma síndrome particularmente letal está se manifestando em crianças e adolescentes contaminadas pelo SARS-Cov-2 no Brasil e nos EUA.

Como sabemos que as condições de trabalho experimentados na rede pública são precárias para se dizer o mínimo, e inexistindo uma campanha de vacinação em massa orientada para os profissionais de educação, o que está se fazendo de maneira prática é colocar milhares de servidores, muitos deles com mais de uma comorbidade, na linha de frente de uma guerra onde o coronavírus está com a faca e o queijo na mão para vencer, causando ainda mais casos de contaminação e mortes.

Caberá ao SEPE-Campos dos Goytacazes defender a integridade e o direito à vida dos servidores da educação, pois não vejo a mínima disposição de qualquer outro ator para fazer essa defesa.  Aos profissionais da educação está sendo reservada uma sorte madrasta, da qual eles só escaparão caso estejam organizados e prontos para documentar e difundir informações sobre casos de contaminação e morte que certamente advirão de uma volta intempestiva ao trabalho presencial.

E há que se diga que repousará sobre os gestores que estão impondo essa volta fora de hora ao ensino presencial todas as responsabilidades sobre o que inevitavelmente virá nas próximas semanas e meses nas escolas de Campos dos Goytacazes. Depois que o caos emergir que ninguém se faça de inocente.

Relatório da ONU aponta que um quarto das doenças globais tem causa ambiental

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De acordo com um relatório da ONU , cerca de um quarto da carga global de doenças vem do meio ambiente. Por um lado, trata-se de doenças que os animais pulam – como a COVID-19 – conforme afirma um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente . Por outro lado, existem riscos à saúde que estão relacionados às mudanças climáticas e aumentam com o aumento das temperaturas, como a desnutrição e as doenças transmitidas pela água e pelos alimentos. Em última análise, a poluição do ar também é uma grande ameaça, levando a quase nove milhões de mortes prematuras a cada ano.

“A deterioração da condição do planeta está minando os esforços para alcançar uma vida saudável e bem-estar para todos”, diz o relatório. A relação entre os humanos e a Natureza deve mudar radicalmente e a paz deve ser feita com os sistemas naturais da Terra.

Existem atualmente três crises ocorrendo simultaneamente: mudança climática, perda de biodiversidade e poluição. Tudo isso é auto infligido, interconectado e põe em risco o bem-estar das gerações atuais e futuras. Nem os objetivos do Acordo Climático de Paris, nem quaisquer objetivos globais para a proteção dos seres vivos, da terra e dos oceanos foram alcançados até agora. Para resolver essas crises, todas as inovações e investimentos futuros teriam que proteger as pessoas e a natureza ao mesmo tempo.

O Programa das Nações Unidas para o Ambiente publicou o relatório tendo em vista a Conferência das Nações Unidas para o Ambiente, que terá lugar online pela primeira vez na segunda e terça-feira e na qual se espera a participação do Secretário-Geral da ONU, António Guterres.

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Este artigo foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo Zeit.de [Aqui!].

Tribunal da França julga caso contra empresas fabricantes do Agente Laranja usado na Guerra do Vietnã

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Os EUA usaram o Agente Laranja por uma década durante sua guerra no Vietnã, Laos e Camboja.

ÉVRY, França: Um tribunal francês começou a ouvir no dia 25 de janeiro um caso contra mais de uma dúzia de multinacionais, acusadas por uma mulher franco-vietnamita de causar graves danos a ela e a outros ao vender o desfolhante agente laranja (uma mistura de dois herbicidas: o 2,4-D e o 2,4,5-T) ao governo dos EUA, que o usou para causar efeitos devastadores durante a Guerra do Vietnã.

Tran To Nga, nascida em 1942 na então Indochina francesa, trabalhou como jornalista e ativista no Vietnã por volta dos 20 anos.

Ela entrou com a ação em 2014 contra 14 empresas que fabricaram ou venderam o produto químico altamente tóxico, incluindo a Monsanto, agora propriedade da gigante alemã Bayer, e a Dow Chemical.

Apoiada por várias ONGs, ela acusa as empresas de serem responsáveis ​​pelos ferimentos sofridos por ela, seus filhos e inúmeras outras pessoas, bem como pelos danos causados ​​ao meio ambiente.

“O reconhecimento das vítimas civis vietnamitas constituiria um precedente legal”, disse a especialista em direito internacional Valerie Cabanes.

Até agora, apenas veteranos militares – dos EUA, Austrália e Coréia – ganharam compensação pelos efeitos colaterais do produto químico cujas propriedades tóxicas, Cabanes disse serem “absolutamente fenomenais”, cerca de 13 vezes a toxicidade de herbicidas de uso civil como, por exemplo, o Glifosato.

Quatro milhões de pessoas no Vietnã, Laos e Camboja foram expostas ao Agente Laranja, de acordo com ONGs, ao longo de uma década quando os militares dos EUA pulverizaram cerca de 76 milhões de litros (20 milhões de galões) do herbicida e desfolhante químico para deter os avanços do comunista Norte  e privar os combatentes inimigos de fontes de alimento.

O agente laranja destruiu plantas, poluiu o solo e envenenou animais e causou câncer e malformações em humanos, dizem ONGs.

“Não estou lutando por mim mesmo, mas por meus filhos e milhões de vítimas”, disse Tran To Nga, que afirma que o agente laranja ataca o sistema imunológico das pessoas.

Ela mesma estava sofrendo dos efeitos típicos do agente laranja, incluindo diabetes tipo 2 e uma alergia à insulina extremamente rara.

Ela disse que também contraiu tuberculose duas vezes, desenvolveu um câncer e uma de suas filhas morreu de malformação no coração.

Todos os anos, cerca de 6.000 crianças são diagnosticadas com malformações congênitas no Vietnã, disse Cabanes.

As multinacionais argumentaram que não podiam ser responsabilizadas pelo uso que os militares americanos fizeram de seu produto.

Contatada pela AFP, a Bayer disse que o Agente Laranja foi fabricado “sob a gestão exclusiva do governo dos EUA para fins exclusivamente militares”.

A demandante e seus advogados devem argumentar que os fabricantes do Agente Laranja enganaram o governo dos Estados Unidos quanto à sua verdadeira toxicidade.

O julgamento no subúrbio de Evry, no sul de Paris, deveria ter começado em outubro do ano passado, mas seu início foi adiado devido às restrições da COVID-19.

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Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “Bangkok Post” [Aqui!].

Acesso gratuito ao livro “Mineração: Realidades e Resistências”

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Já está disponível, nos formatos PDF, Mobi e ePub, o livro “Mineração: Realidades e Resistências”, uma articulação entre o Projeto Brasil Popular, o MAM, o Grupo de Estudos e Pesquisas Socioambientais (GESPA/UFOP) e o Laboratório de Estudos sobre Trabalho, Sociabilidade e Saúde (LETSS/UFMG), publicado pela editora Expressão Popular.

Confira os textos elaborados por pesquisadores, integrantes dos movimentos populares e pessoas atingidas, que constroem diariamente as resistências frente à exploração e expropriação mineral no país!

Para ter acesso, clique abaixo no formato que preferir!

👉🏾 PDF: https://bit.ly/2LZWoA5

👉🏾 ePub: https://bit.ly/3bjzCM8

Inconstitucional, ilegal, incerto e incongruente: análise preliminar do decreto de Bolsonaro que altera a concessão e manutenção de aposentadorias de servidores

Com informações do Sinasefe Nacional

A Assessoria Jurídica Nacional do SINASEFE (AJN) divulgou uma análise preliminar do Decreto nº 10.620/21, que trata da concessão e manutenção de aposentadorias e pensões para servidores da administração pública. Segundo os advogados, além de trazer novos prejuízos aos trabalhadores, a norma é vaga, gera insegurança jurídica e é inconstitucional.

Inovação: Sipec & INSS

“A norma em questão, embora mantenha a anterior sistemática de centralização das atividades de concessão e manutenção de benefícios aos servidores pertencentes à Administração Pública Federal Direta no órgão central do Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal (Sipec) (conforme anterior Decreto nº 9.498/2018, agora revogado), inova ao prever que a centralização das atividades de concessão e manutenção de benefícios aos servidores das autarquias e fundações públicas federais ocorrerá no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)” explicam os advogados.

Inconstitucionalidade ao prever regimes distintos

Um dos itens centrais abordados pelo jurídico é a separação na gestão dos regimes de previdência, o que é notadamente inconstitucional. “A partir da apertada síntese das alterações, percebe-se que a gestão do Regime Próprio de Previdência dos Servidores Públicos Federais (RPPS) passa a ser cindida: para os órgãos da Administração Federal direta, permanece com o Sipec, enquanto para as autarquias e fundações, passa ao INSS. Ora, é manifesta a inconstitucionalidade da previsão eis que, desde a edição da Emenda Constitucional nº 41/2003, há a vedação constitucional expressa à existência de mais de um regime próprio de previdência social para os servidores titulares de cargos efetivos, e de mais de uma unidade gestora do respectivo regime em cada ente estatal.” destaca a AJN.

Afronta à autonomia

A AJN também destacou que o decreto traz uma afronta à autonomia das autarquias. “De outra parte, a nova configuração trazida pelo decreto afronta a própria autonomia administrativa, financeira e patrimonial assegurada a autarquias e fundações, seja por força de norma constitucional (da qual é exemplo o art. 207, que versa sobre as universidades), seja por força de norma infraconstitucional (ilustrativamente, a assegurada pela Lei n. 11.892/2008 aos Institutos Federais de Educação). Tal afronta se delineia a partir da usurpação das competências administrativas e orçamentárias vinculadas à concessão de benefícios, bem como da imposição do decreto no sentido de que tais entes deverão apresentar proposta de revisão de suas estruturas regimentais ou de seus estatutos.

Acesse AQUI o documento na íntegra.

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Esta postagem foi inicialmente publicada pelo Sinasefe/SP [Aqui!].

‘Bolsa-agrotóxico’ inclui isenções de impostos que somam R$ 10 bilhões ao ano

Gigantes do setor de agrotóxicos também recebem milhões em verbas públicas para incentivo à pesquisa e por meio do BNDES; STF julga na semana que vem se benefícios fiscais ao setor são constitucionais ou não

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Por Mariana Della Barba e Diego Junqueira, da Repórter Brasil, e Pedro Grigori, da Agência Pública. Arte: Bruno Fonseca/Agência Pública

Imagine começar o ano sem ter de pagar IPTU, IPVA ou qualquer outro imposto. Imagine chegar ao supermercado e ter um desconto de 40% no shampoo e 30% no molho de tomate. Imagine conseguir um empréstimo no banco a juros bem abaixo do mercado.

É mais ou menos assim que as empresas que produzem e vendem agrotóxicos operam no Brasil, embaladas por um pacote de benefícios que, somente com isenções e reduções de impostos, soma quase R$ 10 bilhões por ano, segundo estudo inédito da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), feito por pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

O valor que o governo federal e os Estados deixam de arrecadar com a isenção fiscal aos pesticidas é equivalente a quase quatro vezes o orçamento total previsto para o Ministério do Meio Ambiente neste ano (R$ 2,7 bilhões) e mais que o dobro do que o SUS gastou em 2017 para tratar pacientes com câncer (R$ 4,7 bilhões).

As isenções bilionárias aos agrotóxicos vão na contra-mão da promessa do ministro da Economia, Paulo Guedes, de passar um pente-fino nas renúncias fiscais para reduzir o déficit nas contas do governo (Foto: ShutterStock)

“Nosso estudo deixou claro que é o momento de a sociedade refletir sobre os subsídios aos agrotóxicos. Primeiro porque estamos em uma crise fiscal, em que os subsídios de vários setores estão sendo repensados. Mas principalmente pelo tamanho do valor que deixa de ser arrecadado”, afirma o coautor do estudo Wagner Soares, economista e professor de mestrado do programa de Práticas em Desenvolvimento Sustentável da UFRRJ. 

Essa “bolsa-agrotóxico” inclui ainda investimentos públicos milionários em gigantes transnacionais do setor. Levantamento feito pela Repórter Brasil e a Agência Pública mostra que, nos últimos 14 anos, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) emprestou R$ 358,3 milhões a empresas do setor (com juros subsidiados pelo governo) e a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), agência do governo que financia inovação em empresas, transferiu R$ 390 milhões a grandes produtores de pesticidas para pesquisa e inovação.  

Os investimentos e a manutenção das isenções vão na contramão das promessas do ministro da Economia, Paulo Guedes, de passar um pente-fino nas renúncias fiscais como forma de reduzir o déficit nas contas do governo. Durante a campanha presidencial de 2018, Guedes levantou a possibilidade de reduzir as isenções em até 20%. Entre as propostas está voltar a cobrar impostos dos alimentos da cesta básica. Questionado se pretende rever tais renúncias, o Ministério da Economia não se pronunciou. 

Questionamento no STF

As isenções e outras benesses ao setor de agrotóxicos são questionadas por quem acompanha de perto o orçamento público. “É como se você morasse em um prédio e o seu vizinho não pagasse o condomínio. E sujasse a piscina e o salão de festas, gerando mais gastos para todos. Esses benefícios dão para as grandes empresas do agronegócio o bônus, enquanto o prejuízo fica para a sociedade”, explica o defensor público do Estado de São Paulo, Marcelo Novaes, que há anos investiga o tema. 

As renúncias fiscais são amparadas por leis implementadas há décadas que veem os pesticidas como fundamentais para o desenvolvimento do país e que, por isso, precisam de estímulos – como ocorre com a cesta básica.

Mas esse cenário de benefícios para as empresas de pesticidas pode mudar a partir de 19 de fevereiro, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) deve julgar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 5553) que questiona a lógica de considerar os agrotóxicos como itens fundamentais para o desenvolvimento do país. A ação compara os agrotóxicos a categorias como a de cigarros, considerados perigosos à saúde e que geram custos que acabam sendo divididos para toda a população – e que por isso recebem taxação extra, em vez de descontos nos impostos.

A comparação com o cigarro – em que até 80% do valor é formado por impostos – é precisa, segundo o professor Andrei Cechin, do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB). “O cigarro prejudica quem fuma, e o fumante usará o SUS para arcar com o tratamento dessas doenças. Esse gasto é socializado, já que toda a população paga pelo SUS. Então se justifica ter um imposto alto sobre o cigarro”, explica o professor. 

A mesma lógica é válida para os pesticidas, segundo Cechin, porque o custo para o tratamento de casos de contaminação também recai sobre o SUS, o que justificaria a cobrança de uma taxação extra ao setor: “Mas em vez disso nós isentamos e ainda incentivamos o cultivo com agrotóxico.” O ministro da economia já defendeu taxação extra para cigarro e bebidas alcoólicas, no que chamou de “imposto sobre o pecado”. No entanto, nenhuma palavra foi dita sobre agrotóxicos.

Em 2017, a Procuradoria-Geral da República emitiu um parecer sobre a ADI no qual a então procuradora-geral Raquel Dodge defende ser inconstitucional dar benefícios e isenções tributárias aos agrotóxicos, já que o “ordenamento constitucional internacional demonstra preocupação com a utilização dos agroquímicos, impondo severas restrições à produção, registro, comercialização e manejo, com vistas à proteção do meio ambiente, da saúde e, sobretudo, dos trabalhadores”.

Para além do enquadramento ou não na legislação, o economista Cechin também alerta para o fato de que, assim como acontece com o cigarro, mais dinheiro é gasto para tratar intoxicações por agrotóxico do que com a compra do produto em si. Um estudo publicado na revista Saúde Pública revela que para cada US$ 1 gasto com a compra de agrotóxicos no Paraná, são gastos U$$ 1,28 no SUS com tratamento de intoxicações agudas — aquelas que ocorrem imediatamente após a aplicação. O cálculo deixou de fora os gastos em doenças crônicas, aquelas que aparecem com o passar do tempo devido à exposição constante aos pesticidas, como o câncer

10 bilhões de reais por ano

Mesmo diante dos impactos dos agrotóxicos na saúde da população e no meio ambiente, as empresas deixaram de pagar quase R$ 10 bilhões em impostos federais e estaduais em 2017 – e quem mais deixou de arrecadar foram os estados, de acordo com o estudo “Uma política de incentivo fiscal a agrotóxicos no Brasil é injustificável e insustentável”, da Abrasco. 

A renúncia fiscal apenas do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) no Rio Grande do Sul daria para cobrir mais da metade do déficit orçamentário do estado em 2017. Já no Mato Grosso, esse valor representa 66% de todo o orçamento da saúde estadual.

As isenções de ICMS nos Estados, que começaram em 1997, são responsáveis pela maior fatia de desoneração de impostos, com 63% total; seguido pelo IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), com 16,5%; pelo PIS/Pasep e Cofins, com 15,6%; e, por último, o imposto de importação (II), com 4,8%, conforme o estudo da Abrasco, assinado também pelo pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública (Fiocruz) Marcelo Firpo e pelo cientista ambiental Lucas Neves da Cunha. 

Segundos os autores, a tese de que reduzir o valor dos agrotóxicos é necessário para manter o preço dos alimentos não se sustenta. “Seria mais razoável subsidiar não o uso de agrotóxico, mas diretamente o consumo do alimento”, conclui o estudo, que levou em conta as despesas com agrotóxicos reportadas pelos produtores rurais no Censo Agropecuário 2017.

Empréstimos camaradas

Ainda que os investimentos diretos de verbas do governo ao setor sejam bastante inferiores às isenções de impostos, chama a atenção o fato de as gigantes produtoras de agrotóxicos serem as mais beneficiadas. Entre 2005 e 2019, o governo federal aplicou R$ 749 milhões por meio do BNDES e da Finep em 18 fabricantes de agrotóxicos, incluindo Monsanto, Syngenta, Ourofino e Dow Agrosciences (hoje Corteva). 

Dos recursos investidos em pesquisa em todo o setor farmoquímico desde 2005, a fabricante de agrotóxicos Ourofino foi a terceira mais beneficiada, atrás apenas de Hypera Pharma e Aché, que produzem medicamentos para saúde humana. Fabricante de mais de 30 produtos agrotóxicos, incluindo o glifosato e fipronil, a empresa recebeu R$ 334,6 milhões em recursos públicos nas divisões de agrotóxicos e pesquisas agrícolas. Procurada, a Ourofino não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

A renúncia fiscal apenas do ICMS no Rio Grande do Sul daria para cobrir mais da metade do déficit orçamentário do estado em 2017 (Foto: Pixabay)

Já a Finep reconhece o financiamento direto em agrotóxicos, mas diz também selecionar projetos que buscam substituir agrotóxicos por produtos biológicos e apoiar “projetos inovadores com a premissa de aumento de sua eficiência”. Confira a resposta completa da Finep. O BNDES não comentou.

Alimentos mais caros?

Entidades que representam o setor de agrotóxicos argumentam que suspender a isenção fiscal para agrotóxicos levaria a uma alta no preço dos alimentos com impacto sobre a inflação. 

“O fim do benefício impactará os preços dos insumos e, consequentemente, pesará sobre o valor da cesta básica. Essa desoneração, portanto, é muito mais benéfica para a sociedade do que para as indústrias”, diz Christian Lohbauer, presidente da CropLife Brasil, associação que representa empresas produtoras de agrotóxicos como Basf, Bayer, Corteva, FMC e Syngenta.

Para a Aprosoja (Associação Brasileira dos Produtores de Soja), o fim dos benefícios fiscais aumentará os custos da produção. “Parte da produção brasileira de grãos, frutas, fibras e hortaliças ficaria inviabilizada, pois ao computar o aumento tributário nos custos de defensivos agrícolas, com o custo da logística de transporte, os riscos climáticos e outros tributos e contribuições do setor, inviabilizaria boa parte das áreas do interior do país”, afirmou em nota.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informou que vai aguardar a decisão do STF para se manifestar. A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) não quis comentar. Já o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) declarou que “a tributação provocaria aumento nos custos dos alimentos e reduziria a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional”. Confira o posicionamento na íntegra do sindicato, da Croplife e da Aprosoja

Para o economista Cechi, da UnB, é difícil afirmar que o impacto da redução de benefícios aos agrotóxicos chegaria à mesa dos brasileiros, já que grande parte do seu uso vai para commodities, como a soja, e não para alimentos. 

“O agrotóxico é utilizado principalmente em culturas que não são alimentos, ou seja, commodities cujos preços são estabelecidos pelo mercado internacional. Não são os produtores que escolhem o preço. Com isso, sem isenção, produtores terão que gastar mais em agrotóxicos, o que vai significar uma margem de lucro menor. O impacto [da redução de benefícios] seria para as empresas do agronegócio.” 

Em 2015, as plantações de soja foram o destino de 52% da venda de todos os agrotóxicos do Brasil. Milho e cana-de-açúcar aparecem em segundo lugar, com 10% cada, seguidos do algodão, com 7%. Só essas quatro commodities agrícolas representaram 79% do agrotóxico usado no país, segundo dados do Sindiveg. 

A “bolsa-agrotóxico” fica mais controversa se levado em conta que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo em valores totais, e que o setor cresceu 190% entre 2000 e 2010, acima dos 93% do cenário mundial. Além  disso, o governo do presidente Jair Bolsonaro aprovou um número recorde desses produtos em 2019, beneficiando principalmente as multinacionais

Tudo diante de um pano de fundo em que há uma concentração de mercado que, na visão do defensor público Marcelo Novaes, prejudica os cofres públicos, já que sem concorrência, as empresas podem manipular preços e ampliar seus lucros. “Somos dominados por cinco grandes multinacionais – Syngenta, Bayer-Monsanto, Basf, Corteva (ex-Dow) e DuPont – que mandam em tudo por serem donas de 80% do setor”, afirma o defensor, que denunciou no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) o que considera um oligopólio. 

Esta matéria também foi publicada no UOL.


Esta reportagem faz parte do projeto Por Trás do Alimento, uma parceria da Agência Pública e Repórter Brasil para investigar o uso de agrotóxicos. Clique para ler a cobertura completa no site do projeto.

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Esta reportagem foi inicialmente publicado pela Repórter Brasil [Aqui!].

Indígenas, paraguaios e menores escravizados são resgatados em fazenda de gado no Mato Grosso do Sul

Eram 17 trabalhadores em condições análogas às de escravo em uma fazenda de criação de gado. Com indenização, jovens comprarão primeira casa para mãe

escravo17Segundo o MPT, 25 trabalhadores já foram resgatados neste ano em propriedades rurais em Mato Grosso do Sul

São Paulo – Uma fiscalização em propriedade rural no município de Porto Murtinho (MS), na fronteira com o Paraguai, resgatou 17 trabalhadores em situação análoga à de escravo, incluindo indígenas, paraguaios e menores. A indenização, além de verbas rescisórias, supera R$ 1,2 milhão. Trata-se de uma fazenda voltada à pecuária, com área de 15 mil hectares.

Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), o dano moral individual, somou mais de R$ 718 mil. Já o dano coletivo, que deverá ser destinado a uma ou mais entidades sem fins lucrativos ou projetos sociais, totaliza R$ 500 mil.

Acordo na audiência

Em audiência na Vara do Trabalho de Jardim, foi assinado um termo de ajuste de conduta (TAC). De acordo com o MPT, o empregador depositou rapidamente os valores devidos nas contas bancárias indicadas pelos trabalhadores. Deverá ser firmado um outro TAC, relativo às condições de trabalho e do ambiente.

Os 17 trabalhadores compareceram à audiência. Entre eles, havia nove indígenas das etnias Guarani Kaiowá e Kadiwéu e seis paraguaios. Dois eram menores, de 14 e 15 anos. Este último, E.M., vivia no local com o irmão, de 27 anos, e aplicava agrotóxicos para limpeza do pasto. Com a indenização, comprarão a primeira casa própria da mãe, de 49 anos.

Neste ano, 25 resgatados

O outro menor que a fiscalização resgatou, o Kaiowá E.I., é órfão de mãe e não sabe onde está o pai, segundo o MPT. A avó o acompanhou na audiência. Ele declarou que o trabalho era necessário para comprar comida. Depois da pandemia, o menino indígena espera voltar à escola e conseguir um trabalho digno.

Segundo o Ministério Público, neste ano 25 trabalhadores já foram resgatados de condições análogas às de escravo em propriedades rurais de Mato Grosso do Sul. Em 2020, foram 63. Também participaram dos resgates a Superintendência Regional do Trabalho, com apoio das polícias Federal, Civil e Ambiental, além do MP estadual.

Com informações do MPT-MS

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Este artigo foi inicialmente publicado pela Rede Brasil Atual [Aqui!].