Mais de 90% do desmatamento na Amazônia são para abrir pastagens

MapBiomas indica que esmagadora maioria da área desmatada na Amazônia entre 1985 e 2023 foi ocupada por pastagem, crescimento superior a 360%

QUE1 QUERÊNCIA 29/01/2008  VIDA & DESMATAMENTO QUERÊNCIA MATO GROSSO  . FOTO: JF DIORIO/AE

Por ClimaInfo

O desmatamento da Amazônia nas últimas quatro décadas está intimamente relacionado ao avanço das pastagens sobre o território do bioma. Segundo uma nova análise divulgada pelo MapBiomas nesta 5a feira (3/10), cerca de 90% da área desmatada entre os anos 1985 e 2023 foi ocupada por pasto, que saltaram de 12,7 milhões de hectares (ha) para 59 milhões de ha, um crescimento de mais de 363%.

A partir de imagens de satélite, o MapBiomas conseguiu reconstituir as mudanças de uso da terra na Amazônia ao longo do tempo, de forma a compreender como a terra desmatada foi ocupada nos anos subsequentes. Do desmatamento ocorrido entre 1987 e 2020, 77% viraram pasto e apresentaram o mesmo uso em 2020.

Já 12% das áreas desmatadas tiveram como primeiro uso a pastagem, mas em 2020 voltaram a ter vegetação nativa. A agricultura passou a ocupar 8% da área desmatada originalmente para pecuária, além dos 2% utilizados permanentemente para produção agrícola.

Uma das regiões com maior transformação de floresta em pasto é a fronteira do desmatamento do sul da Amazônia, que compreende áreas do Acre, Amazonas e Rondônia (AMACRO). Nela, a área de pastagem aumentou 11 vezes, uma expansão de 6,9 milhões de ha, ou quase a totalidade dos 7 milhões de ha de vegetação nativa perdidos entre 1985 e 2023. Nesse período, 13% da perda líquida de vegetação nativa ocorreu nesta região.

Já a área utilizada pela agricultura na Amazônia teve um crescimento ainda mais notável: de 154 mil ha em 1985 para 7,3 milhões em 2023, um salto de 4.647%. Por outro lado, o desmatamento para uso direto da produção agrícola vem caindo significativamente desde seu auge em 2004, quando foram desmatados 147 mil ha para esse fim. O MapBiomas sugere que a queda é reflexo direto da moratória da soja.

O avanço das pastagens e dos campos agrícolas teve como custo a perda monumental de vegetação nativa na Amazônia. De acordo com o MapBiomas, nos últimos 39 anos, foram perdidos 55,3 milhões de ha de área ocupada pela flora nativa amazônica, cerca de 14% da vegetação total original. Desse total, mais de 50 milhões de ha eram de formação florestal, o tipo de cobertura vegetal que mais perdeu área nesse período, passando de 336 milhões de ha para 285,8 milhões de ha.

“A quantidade de vegetação nativa removida nos últimos 39 anos é alarmante e a continuidade dessa perda pode levar a região ao chamado ‘ponto de não retorno’, ou tipping point”, observou Jailson Soares, pesquisador do IMAZON e do MapBiomas. “Nesse estágio, o bioma perderia sua capacidade de manter funções ecológicas essenciais e de se recuperar de distúrbios como queimadas e exploração madeireira, resultando em uma degradação irreversível da floresta”.

Os dados do MapBiomas foram destacados por diversos veículos, como CartaCapitalCNN Brasilg1MetrópolesO GloboPoder360Um Só Planeta e UOL.

ClimaInfo, 4 de outubro de 2024.

Divulgando o livro “Cartografia Social da Pesca Artesanal nos Alagados do rio Itabapoana”

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O livro “Cartografia Social da Pesca Artesanal nos Alagados do rio Itabapoana” que documenta e valoriza a cultura e a economia das comunidades pesqueiras acaba de ser lançado pela organização não-governamental “Restauração e Ecodesenvolvimento da Bacia Hidrográfica do Rio Itabapoana (REDI)“. Ao compartilhar as histórias, práticas e desafios dos pescadores,  a REDI espera contribuir para a conservação deste modo de vida essencial e incentivar práticas de pesca mais sustentáveis.

A REDI aponta que a luta pela conservação da pesca artesanal é também uma luta pela justiça social, ambiental e contra o avanço da crise climática, na esperança de que as futuras gerações possam viver e prosperar nas águas do rio Itabapoana.

Este livro foi desenvolvido pela REDI, com o apoio do Fundo Casa Socioambiental @fundocasasocioambiental, por meio do edital “Fortalecendo Comunidades para Conservação e Revitalização da Mata Atlântica e Resiliência Climática”. 

Baixe o livro completo no site da REDI [Aqui! ].

Quando o Porto do Açu se encontra com o “Expulsões” de Saskia Sassen

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Agricultores do V Distrito resistindo ao processo de expulsão promovido para beneficiar o Porto do Açu

Em meio à minha constante procura por produções intelectuais que me ajudem a ir além do que já li. Com isso, acabei de me deparando com o livro da socióloga holandesa Saskia Sassen que se chama “Expulsões:  brutalidade e complexidade na economia global que foi lançado no Brasil pela editora Paz e Terra.

Expulsões, de Saskia Sassen, por Debora Diniz - Grupo Editorial Record

Este livro de Sassen é um esforço analítico para compreender como a financeirização da economia capitalista abriu caminho para mecanismos de apropriação e expropriação de todo tipo de bem, incluindo a terra.  Todo esse processo serve aos processos de acumulação de riqueza por um grupo cada vez menor de pessoas e empresas que se encontram dispersas em diferentes pontos do planeta, mas que, invariavelmente, agem para deslocar multidões de seus territórios tradicionais para o estabelecimento de grandes projetos econômicos, principalmente aqueles voltados para a mineração e a implantação de grandes áreas de monoculturas, seja de alimentos, carne ou árvores.

Quando comecei a ler o “Expulsões” encontrei passagens que, apesar da escala em que o fenômeno aconteceu, são perfeitas para explicar o processo de expropriação de terras que ocorreu no V Distrito de São João da Barra para a implantação do Porto do Açu.  É interessante notar que nos casos analisados por Sassen não aparece nenhum envolvendo portos, e eu desconfio que tem a ver com a novidade que são as expropriações de terras para implantação de estruturas portuárias no sul Global.   E apenas no caso do Brasil podemos citar os casos dos portos do Açu (RJ), Pecém (CE), Suape (PE) e Sudeste (RJ).

A coisa simplesmente ainda não estava acontecendo ou sendo detectável quando Sassen escreveu o “Expulsões”.  Isso em parte é bom porque me permitirá alavancar as análises sobre o papel desses empreendimentos portuários, mesmo porque eles estão diretamente articulados com as causas primárias das expulsões de Sassen. É que esses portos estão destinados a serem o ponto de transbordo das produções que ocorrem nos territórios onde as expulsões ocorrem.  É uma espécie de articulação que merece ser melhor compreendida e analisada.

O papel da aquisição de terras por empresas estrangeiras na desarticulação do Estado nacional

Uma das elaborações de Sassen que mais me chama atenção no seu “Expulsões” é da conexão que ela faz entre o controle de terras por empresas ou fundos de investimento (como é o caso do EIG Global Partners que detém a propriedade do Porto do Açu) na criação de um “buraco estrutural no tecido do território nacional soberano”. 

Nesse sentido, vejam o que Sassen diz:

“Em conjunto, essas aquisições de terras em grande escala produziram um espaço operacional global que está parcialmente incorporado aos territórios nacionais. Eles produzem uma desnaturalização parcial e profunda no tecido dentro dos Estados nacionais, um buraco estrutural no tecido do território nacional soberano. Vejo a aquisição de terras por estrangeiros como um dos vários processos que desagregam o território nacional. Os contratos criados para essas aquisições tornam-se capacidades de uma lógica organizadora desarticulada do Estado nacional, apesar de essas aquisições operarem dentro de seu território. Além do mais, muitas vezes os contra os interesses de grande parte da população e do capital local, que teria muito mais probabilidade de gerar ciclos positivos de retroalimentação em diversas do país…”

Assim ainda que o montante terras efetivamente desnacionalizado no V Distrito seja relativamente pequeno em relação ao estoque global, toda a experiência do Porto do Açu me mostra que este já é suficiente para gerar o impacto diagnosticado por Saskia Sassen.  Assim, o que temos é a imposição de uma lógica que se coloca de fora do Estado nacional brasileiro, implicando na criação de um enclave geográfico que opera por fora da soberania nacional.  E o mais grave, contra os interesses da população local que, diga-se de passagem, continua até hoje sem receber o devido ressarcimento pela tomada de suas pequenas propriedades.

Inscrições abertas para a XI Jornada de Políticas Sociais na Uenf

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Em meio aos efeitos dramáticos das mudanças climáticas e de uma seca histórica que afeta boa parte do território brasileiro vai ocorrer entre os dias 8 e 9 de Outubro a XI Jornada de Políticas Sociais com o tema “Contribuições das Políticas Sociais para o Desenvolvimento Humano e Socioeconômico“.

O evento começará no dia 8 a partir das 9:30 na Sala de Multímidia do Centro de Ciências do Homem da Uenf Darcy Ribeiro, sendo a palestra de abertura intitulada “Direitos para Humanos e Não Humanos”, que contará como palestrante o Professor Dr. Marcus de Matos – Brunel University London, e como mediadora a Professora Luciane Soares Silva, docente do Programa de Políticas Sociais.

As inscrições para participação serão realizadas no início do evento, sendo a participação gratuita.

A programação completa da XI Jornada de Políticas Sociais pode ser acessada [Aqui!].

Inscrições gratuitas podem ser feitas [Aqui!].

Análise sugere que a EPA não está protegendo a população da exposição a agrotóxicos neonicotinóides

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Por Shannon Kelleher para o “The New Lede”

Estudos com roedores fornecidos aos reguladores dos EUA por fabricantes de inseticidas há quase 20 anos revelaram que os produtos químicos podem ser prejudiciais ao desenvolvimento do cérebro dos animais — dados preocupantes para humanos expostos a agrotóxicos populares, mas não devidamente contabilizados pelos reguladores, de acordo com um novo relatório de pesquisa publicado esta semana.

A análise examinou cinco estudos que expuseram ratas prenhes a vários tipos de inseticidas conhecidos como neonicotinoides (comumente chamados de neônicos). Os estudos descobriram que os filhotes nascidos das ratas expostas sofreram encolhimento cerebral e outros problemas.

Encolhimento estatisticamente significativo do tecido cerebral foi visto na prole de ratos expostos a altas doses de cinco tipos de neonicotinoides – acetamiprido, clotianidina, imidacloprido, tiacloprido e tiametoxam, afirma o artigo. Os autores disseram que os impactos no cérebro pareciam semelhantes aos efeitos da nicotina, que eles disseram ser conhecida por interromper o desenvolvimento neurológico dos mamíferos.

Os estudos com animais também reforçam a possibilidade de uma ligação entre a exposição aos neonicotinoides e o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), disseram os autores.

Na maioria dos casos, as empresas que enviaram os estudos não enviaram dados para todos os níveis de dosagem, levando a Agência de Proteção Ambiental (EPA) a supor que os efeitos negativos foram observados apenas na dose alta, de acordo com o estudo.

“Encontramos inúmeras deficiências na supervisão regulatória e nas análises de dados da Environmental Protection Agency (EPA)”, afirmam os autores no artigo, publicado no periódico  Frontiers in Toxicology . Os estudos da indústria, que a EPA usou para determinar quais níveis de exposição a neônicos são considerados seguros para humanos, não estavam disponíveis publicamente e foram obtidos por meio de uma solicitação da Freedom of Information Act (FOIA).

“Consistentemente, os efeitos foram encontrados em doses altas e a EPA não exigiu dados para doses mais baixas, deixando, portanto, incerto o quão pequena é a substância necessária para realmente causar efeitos adversos, como a redução do tamanho de certas regiões do cérebro”, disse Bill Freese, diretor científico do grupo de defesa ambiental Center for Food Safety e autor do estudo.

O estudo descobriu que a EPA consistentemente fez determinações sobre quais níveis de exposição a neônicos eram “seguros” para humanos sem dados suficientes para apoiar suas conclusões. Por exemplo, um estudo de 2001 submetido à agência pelo fabricante de pesticidas Bayer encontrou efeitos no desenvolvimento do cérebro fetal quando ratas prenhes foram expostas a altas doses do pesticida imidacloprida. A EPA pediu à empresa dados de dose média e baixa, então definiu um limite para imidacloprida no nível de dose média, embora nunca tenha recebido dados mostrando que a exposição nesse nível era segura.

“A EPA precisa exigir dados mais rigorosamente dos registrantes quando eles não os enviam”, disse Freese. “Eles estão tomando uma decisão para dizer que esses níveis mais baixos não causam danos, mesmo que não tenham dados para respaldar isso.”

Como dois dos neônicos, o imidacloprido e o tiacloprido, se decompõem nos chamados metabólitos, que são tão potentes quanto a nicotina, “pode-se esperar ver impactos no desenvolvimento neurológico da exposição aos seus produtos químicos originais em baixos níveis de exposição”, escrevem os autores.

Os autores também concluíram que a EPA deve avaliar a exposição cumulativa e o risco de neônicos como um grupo, uma medida exigida pela Lei de Proteção à Qualidade dos Alimentos para pesticidas que funcionam de forma semelhante.

As descobertas surgem enquanto a EPA propõe reavaliar exposições ocupacionais a três neônicos, clotianidina, imidacloprido e tiametoxam, até 2025, enquanto a agência realiza sua revisão de registro padrão de neônicos como uma classe. A EPA identificou riscos adicionais para os trabalhadores ao tratar as sementes com os produtos químicos e limpar o equipamento de tratamento de sementes, “mesmo quando o uso de equipamento de proteção individual máximo é considerado”.

“Esses compostos foram aprovados há décadas e agora a EPA está dizendo: ‘talvez tenhamos subestimado o risco’”, diz Freese.

A União Europeia proibiu o uso externo de todos os três agrotóxicos em 2018.

Os neonicotinoides, assim como outros pesticidas vendidos ou distribuídos nos EUA, passam por uma “avaliação aprofundada de riscos potenciais… para o meio ambiente e para a população dos EUA”, disse a EPA em um e-mail. “Os estudos de neurotoxicidade do desenvolvimento de roedores discutidos neste artigo foram revisados ​​de forma independente pela EPA e incorporados às avaliações de risco à saúde humana mais atuais para esses agrotóxicos neonicotinoides”, disse a EPA.

Os neônicos foram introduzidos pela primeira vez na década de 1990 como substitutos mais seguros para pesticidas mais antigos e agora são os produtos químicos mais amplamente usados ​​para matar insetos nos EUA e ao redor do mundo. Além de seu uso agrícola como revestimento em culturas de sementes, como milho e soja, os neônicos são pulverizados em gramados, jardins, parques e playgrounds, e são aplicados em animais de estimação em tratamentos contra pulgas e carrapatos.

Nos últimos anos, os neônicos foram detectados em águas superficiais e água potável tratada no Centro-Oeste, e um estudo de 2022 encontrou os produtos químicos nos corpos de mais de 95% das mulheres grávidas nos EUA. Um estudo de monitoramento de 2015-2016 pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças encontrou os níveis mais altos de neônicos em crianças pequenas. No relatório de monitoramento de resíduos de pesticidas mais recente da Food and Drug Administration , o imidacloprido empatou como o pesticida mais frequentemente encontrado em amostras de alimentos humanos, enquanto o acetamiprido e o tiametoxam ficaram entre os dez primeiros.

Pesquisas cada vez mais questionam a segurança dos neônicos. Alguns cientistas suspeitam que os neônicos estejam causando perdas em populações de polinizadores importantes, incluindo abelhas. Uma avaliação da EPA de 2023 descobriu que três neônicos comumente usados ​​podem estar levando mais de 200 plantas e animais ameaçados de extinção. Outro estudo de 2023 encontrou mudanças comportamentais em peixes-zebra expostos a neônicos, com efeitos persistindo na idade adulta, enquanto um estudo publicado neste verão descobriu que a exposição à clotianidina neônica causou mudanças comportamentais em camundongos fêmeas em desenvolvimento.

Em contraste, uma revisão de 2015 realizada pelas empresas Bayer, Syngenta e outros fabricantes de agrotóxicos concluiu que “as evidências coletivas indicam que os inseticidas neonicotinoides não são neurotóxicos para o desenvolvimento”.

(Imagem em destaque da Getty Images para Unsplash+).


Fonte: The New Lede

Grandes bancos e fundos internacionais lucraram bilhões com o comércio de carne produzida a partir da invasão de terras indígenas na Amazônia

Potências financeiras como Barclays, Vanguard e BlackRock ganharam milhões com o financiamento do frigorífico brasileiro JBS, cujas operações estão causando a destruição da terra indígena Apyterewa

Parakana_boyUm menino Parakanã fica sobre uma carcaça carbonizada de cobra, no estado do Pará, Brasil. Cícero Pedrosa Neto/Global Witness
Por Global Witness

O banco britânico Barclays lucrou US$ 1,7 bilhão com o financiamento da gigante brasileira de carnes JBS nos últimos cinco anos, já que as operações da empresa contribuíram para a invasão e destruição de um território indígena no Brasil, segundo uma investigação liderada pela organização climática Global Witness. 

O Barclays emergiu como o maior credor das operações globais da JBS, com a maior receita gerada por empréstimos e taxas de subscrição entre mais de 30 outros financiadores identificados pelo grupo de pesquisa independente Profundo.   

O papel da JBS no desmatamento ilegal  

A criação comercial de gado por povos não indígenas é ilegal em territórios indígenas designados pela lei federal brasileira. 

No entanto, entre 2018 e 2023, quase 8.000 vacas criadas no território indígena Apyterewa entraram na cadeia de suprimentos da JBS, de acordo com uma análise do Centro de Análise de Crimes Climáticos (CCCA) . 

A JBS não respondeu ao nosso pedido de comentário. 

O território Apyterewa, lar do povo Parakanã, no estado do Pará, no norte do Brasil, sofreu mais desmatamento do que qualquer outro território indígena nos últimos anos na Amazônia brasileira. 

Apesar das proteções legais, os criadores de gado invadem persistentemente essas terras, explorando o apetite global por carne bovina e desrespeitando os direitos das comunidades indígenas.  

Em outubro de 2023, o governo brasileiro expulsou esses invasores de terras, mas um sobrevoo recente da Global Witness revelou incêndios ativos, indicando que tanto o desmatamento quanto as invasões ainda estão em andamento. 

À medida que a floresta amazônica enfrenta a pior temporada de incêndios em duas décadas em meio a uma seca severa, a destruição de Apyterewa está se intensificando. Isso ocorre porque os incêndios na Amazônia são amplamente desencadeados pela atividade humana, especialmente por aqueles que desmatam florestas para grilagem de terras. 

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) confirmaram mais de 300 alertas de incêndio desde o início deste ano, ressaltando a ameaça persistente. 

O custo ambiental e humano

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Mama Parakanã, cacique da aldeia indígena Apyterewa e líder no combate às invasões em Apyterewa, no estado do Pará, Brasil. Cícero Pedrosa Neto/Global Witness

Eles destruíram tudo. Tudo o que nos resta é grama. Nossos animais morreram queimados- Mama Parakanã, cacique da Aldeia Indígena Apyterewa

Em Apyterewa, a destruição ambiental anda de mãos dadas com a violência. Um chefe Parakanã descreveu como sua aldeia foi queimada em um ataque de grileiros, enquanto outro membro da comunidade relatou ter sido baleado por um invasor. 

“A carne da terra indígena Apyterewa é carne do nosso território”, disse Mama Parakanã, cacique da Aldeia Indígena Apyterewa. “Eles destruíram tudo. Tudo o que nos resta é capim. Nossos animais morreram queimados.”

Falha de supervisão das instituições financeiras

Nossa investigação expõe falhas significativas tanto na indústria da carne bovina quanto no setor financeiro internacional. O primeiro luta com o monitoramento das cadeias de suprimentos, enquanto o último frequentemente negligencia medidas para mitigar os impactos ambientais e sociais de seus investimentos.

“Essas descobertas revelam como um acordo aparentemente rotineiro feito em Nova York ou Londres pode estar ligado à invasão evitável, mas devastadora, de terras indígenas”, disse Alexandria Reid, líder de estratégia de campanha da Global Witness. 

“Não há mundo em que consigamos deter a perda de biodiversidade e as mudanças climáticas sem que os governos tomem medidas para deter o desmatamento, o que é melhor alcançado ao capacitar os povos indígenas para fazer valer sua soberania e direitos à terra”, acrescentou.

Não existe um mundo em que consigamos travar a perda de biodiversidade e as alterações climáticas sem que os governos tomem medidas para travar a desflorestação- Alexandria Reid, Líder de Estratégia de Campanha da Global Witness

O Barclays negou ter fornecido financiamento às operações da JBS no Brasil desde 2021, acrescentando que suas políticas foram “atualizadas em abril de 2023 para incluir restrições à produção de carne bovina e ao processamento primário em países de alto risco de desmatamento na América do Sul”.

O banco, no entanto, não comentou sobre o financiamento das operações globais da empresa, por “razões de confidencialidade”. 

Para mais detalhes sobre as respostas da empresa a essas alegações, consulte o PDF da investigação .  

Apesar da adoção de regras de financiamento mais rígidas para empresas de desmatamento no ano passado, os laços do Barclays com a JBS persistem, já que uma brecha na política do banco permite que ele continue financiando as subsidiárias da empresa, inclusive nos EUA.

Incêndio na Amazônia - Apyterewa.jpgFumaça de queimadas na Terra Indígena Apyterewa, Pará, Brasil, julho de 2024. Cícero Pedrosa Neto / Global Witness

A procura global por carne bovina e a crise dos direitos à terra 

A demanda global por carne bovina tem impulsionado o desmatamento tropical generalizado , particularmente no Brasil. A maior parte do desmatamento florestal para pastagem de gado é ilegal, pois os fazendeiros invadem terras protegidas que incluem parques nacionais e territórios indígenas. 

Um estudo de 2023 na revista Nature relatou que o desmatamento em territórios indígenas da Amazônia aumentou em 129% desde 2013.

A terra indígena Apyterewa está no centro de uma crise. 

Sob a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, tanto as taxas de desmatamento quanto as ameaças à segurança da comunidade e aos meios de subsistência tradicionais aumentaram.

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Segundo estimativas do governo brasileiro , cerca de 2.500 indígenas estão distribuídos em 51 aldeias no território – principalmente das comunidades Parakanã, Mebengôkre Kayapó e Xikrim.

Enquanto isso, grupos indígenas afirmam que, quando a invasão atingiu o pico, havia aproximadamente 10.000 pessoas não indígenas ocupando a terra.

O povo Parakanã diz que os forasteiros estão poluindo suas fontes de água, esgotando os recursos florestais e ameaçando seu modo de vida tradicional.

Chefe e líder indígena lutando contra invasões de terras no Brasil.jpgTatuaro Parakanã, cacique da aldeia Caeté e liderança que combate as invasões em Apyterewa, diz que tem enfrentado ameaças de morte por parte de grileiros. Cícero Pedrosa Neto / Global Witness

Onde caçávamos, onde coletávamos nozes… os grileiros derrubaram tudo- Tatuaro Parakanã, cacique da aldeia Caeté

Tatuaro Parakanã, cacique da aldeia Caeté, relatou a devastação causada pelas desmatamentos: 

“Onde caçávamos, onde coletávamos nozes… os grileiros derrubaram tudo”, disse ele, citando ameaças de morte persistentes .

Ano passado, ele teve que se mudar com várias famílias por segurança, apenas para encontrar sua casa reduzida a cinzas mais tarde. “Tudo o que queremos é voltar para casa”, ele acrescentou.

Embora a presença de invasores criadores de gado tenha sido aparente há muito tempo, os compradores finais – e às vezes indiretos – de suas vacas permaneceram ocultos nessa complexa cadeia de suprimentos, até agora.

O ponto cego da cadeia de suprimentos indireta

Esta nova análise do CCCA revela que entre 2018 e 2023, 7.795 vacas abatidas pelo frigorífico brasileiro JBS vieram de cadeias de suprimentos que incluem fazendas localizadas em Apyterewa. 

Destes, o CCCA calcula que 561 foram adquiridos pela JBS diretamente de fazendas ilegais dentro do território Apyterewa – enquanto a maioria, 7.234 vacas, faziam parte da cadeia de fornecimento indireta da JBS. 

A CCCA identificou essas transações da cadeia de suprimentos usando um algoritmo que incorpora uma análise multinível de informações extraídas de registros de transferência de gado que documentam o comércio entre empresas relevantes de propriedade ou que realizam transações com a JBS.

Esse gado provavelmente foi “lavado” para a cadeia de suprimentos do frigorífico, com os fazendeiros transferindo o gado de fazendas dentro do território indígena para fazendas aparentemente “limpas”, sem nenhuma perda florestal recente ou conexão com a grilagem de terras original.

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Cadeias de suprimentos indiretas representam um ponto cego significativo no combate ao desmatamento. Um estudo recente da organização sem fins lucrativos Mighty Earth mostrou que, entre 2017 e 2022, fornecedores indiretos supostamente foram responsáveis ​​pela maior parte do desmatamento ligado a grandes frigoríficos. 

A nova análise do CCCA revelou que dois outros pesos pesados ​​da indústria da carne – Marfrig e Minerva – também obtiveram gado das terras de Apyterewa.

De acordo com a investigação, a Marfrig recebeu 94 vacas diretamente de fazendas ilegais e estava ligada a outras 2.691 vacas por meio de sua cadeia de fornecimento indireta, enquanto a Minerva estava associada a 277 vacas criadas em Apyterewa.

Ambos negaram ter comprado vacas de propriedades localizadas dentro de terras indígenas.

aldeia na Terra Indígena Apyterewa.jpgAldeia Parakanã na Terra Indígena Apyterewa, Pará, Brasil. Cícero Pedrosa Neto/Global Witness

A Marfrig acrescentou que monitora todos os seus fornecedores diretos e 87% dos indiretos na Amazônia. 

A Minerva disse que não tinha relações diretas com nenhuma das fazendas que se sobrepõem ao território indígena Apterewa, que fica a 88,6 km do raio de comercialização de 300 km do matadouro de Araguaina da Minerva. 

No entanto, Minerva também observou que os dados fornecidos pela Global Witness não foram suficientes para conduzir uma “avaliação mais detalhada das vendas indiretas fornecidas”. 

Para mais detalhes sobre as respostas da empresa a essas alegações, consulte o  PDF da investigação 

Durante o período de cinco anos da análise, a CCCA descobriu que, além dos Três Grandes frigoríficos, outros 37 frigoríficos tinham conexões com a terra de Apyterewa. 

No total, 14.217 vacas criadas em fazendas ilegais no território de Apyterewa parecem ter chegado a esses matadouros. 

Todos os grandes frigoríficos mencionados – JBS, Marfrig e Minerva – assinaram um acordo juridicamente vinculativo com o Ministério Público Federal em 2009 para parar de comprar gado de fazendas envolvidas em desmatamento ilegal ou localizadas em áreas protegidas ou territórios indígenas.

Essas empresas se beneficiam da compra de carne de origem ilegal, o que a torna mais barata- Leonardo Godoy, Diretor Interino do Programa Brasil do CCCA

Em 2022, a JBS se comprometeu a monitorar a origem de todo o gado de seus fornecedores da Amazônia e do Cerrado até 2025. Para o resto do mundo, a empresa disse que suas cadeias de suprimentos não serão totalmente monitoradas até 2030.

Os resultados apontam para um problema sistêmico de dois níveis que prejudica aqueles que estão na linha de frente do combate ao desmatamento na Amazônia, ressalta Leonardo Godoy, Diretor Interino do Programa Brasil do CCCA:   

“Essas empresas [JBS, Marfrig e Minerva] se beneficiam comprando carne de origem ilegal, o que a torna mais barata.” 

Além disso, há gigantes financeiros que simplesmente não conseguem “impor medidas regulatórias eficazes para garantir que não invistam em empresas que ameaçam o ambiente e os direitos humanos, [e que] lucram extensivamente com os empréstimos feitos a essas empresas”.

Lucros sobre o planeta

O comércio global de carne bovina é um negócio lucrativo. De acordo com a coalizão de ONGs Forests & Finance, os bancos financiaram empresas de agronegócio e florestais que impulsionaram o desmatamento tropical com mais de US$ 260 bilhões entre 2018 e 2023. 

A JBS, a maior compradora de vacas Apyterewa, tinha vários financiadores ocidentais. 

A Global Witness e o grupo de pesquisa Profundo analisaram os laços de investimento e crédito entre a JBS e seus financiadores durante as invasões de terras de Apyterewa. 

A análise Profundo dos dados obtidos da Refinitiv Eikon e da Bloomberg revelou que instituições financeiras, incluindo Barclays, Royal Bank of Canada, Rabobank e Santander, geraram coletivamente bilhões de dólares em receitas de empréstimos e serviços de subscrição para as operações globais da JBS naqueles anos.

GW 3

Embora seu financiamento direto das operações brasileiras da JBS pareça ter sido mais limitado no período analisado, o Barclays tem sido há muito tempo o maior financiador internacional da empresa em todas as operações da JBS, continuando a dar suporte mesmo quando outros bancos se distanciaram do controverso frigorífico. 

Nossas descobertas se somam a mais de uma década de alegações contra a JBS, cujas ligações com a destruição ambiental e abusos de direitos humanos por meio de suas cadeias de suprimentos foram bem documentadas. 

A empresa removeu recentemente sua referência à “tolerância zero à invasão de áreas protegidas, como terras indígenas ou áreas de conservação ambiental” em seu último pedido de listagem de suas ações na Bolsa de Valores de Nova York.

GW 4

A análise do Profundo também examinou investimentos diretos e participações acionárias, indicando que instituições financeiras sediadas nos EUA embolsaram um total de US$ 660 milhões em investimentos da JBS globalmente. 

As gigantes de gestão de ativos Vanguard, BlackRock, Fidelity Investments e Capital Group detinham a maior parte, com Vanguard e BlackRock lucrando US$ 46 milhões cada com as operações brasileiras da JBS.

Nenhuma dessas instituições financeiras sediadas nos EUA comentou as alegações.  

GW 5

Separadamente, a Global Witness informou que a BlackRock e a Vanguard estão entre as seis empresas que detêm mais de US$ 11 milhões em títulos ativos emitidos pela JBS e suas subsidiárias por meio de fundos rotulados como “ambientais, sociais e de governança” (ESG).

Embora esses fundos excluam explicitamente empresas de combustíveis fósseis de seu portfólio, eles não excluem totalmente empresas ligadas ao desmatamento em seu processo de triagem.

A Global Witness contatou todas as instituições financeiras mencionadas neste relatório. Extratos relevantes das respostas recebidas estão disponíveis no  PDF da investigação .

Mama Parakanã disse à Global Witness: “Quero mandar uma mensagem aos bancos porque sofremos grandes perdas. Foi muito investimento. Às vezes, eles nem sabiam que era terra indígena. Então, estou dizendo a eles como eles são os culpados. A carne que saiu daqui, toda a nossa terra aqui, e a carne, tudo ilegal.”

Invasores ainda presentes

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Koxawewoxa Parakanã, vice-presidente da Associação Indígena Tato’a e líder parakanã que luta contra as invasões em Apyterewa, posa para um retrato. Cícero Pedrosa Neto / Global Witness

Os brancos estão vendendo carne para o mundo inteiro, mas é a nossa terra que eles estão destruindo- Koxawewoxa Parakanã, vice-presidente da Associação Indígena Tato’a e liderança Parakanã

Apesar da alegação do governo brasileiro de concluir as remoções em outubro do ano passado, invasores não indígenas permanecem no território Apyterewa, disseram membros da comunidade à Global Witness.

“Os brancos estão vendendo carne para o mundo inteiro, mas é a nossa terra que eles estão destruindo. Queremos que eles devolvam o dinheiro que ganharam”, disse Koxawewoxa Parakanã, vice-presidente da Associação Indígena Tato’a e líder Parakanã.

Riscos contínuos na cadeia de abastecimento

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A presença contínua de invasores levanta questões sobre como a carne bovina de Apyterewa ainda pode entrar nas cadeias de suprimentos dos principais frigoríficos hoje, apesar de suas alegações de práticas sustentáveis.

Esse risco destaca a necessidade de financiadores, como Barclays, Blackrock e outros, garantirem que seus investimentos não contribuam para o desmatamento ou invasões de terras, aponta Reid, da Global Witness.  

Nesse contexto, ela acrescentou, os governos também precisam se mobilizar e garantir que os bancos sejam obrigados a realizar verificações antes de financiar empresas que operam em setores que sabemos estarem regularmente ligados a abusos de direitos humanos, grilagem de terras e desmatamento.

“O setor financeiro não tem desculpa para fechar os olhos ao seu papel no financiamento de empresas que impulsionam o desmatamento.”


Fonte: Global Witness

Ex-chefe do meio ambiente da UE critica planos de adiar lei antidesmatamento

Credibilidade “prejudicada” pelo atraso proposto de 12 meses, que se seguiu ao lobby de governos e empresas em todo o mundo

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Virginijus Sinkevičius disse que qualquer adiamento da legislação de desmatamento da UE seria “um passo para trás na luta contra as mudanças climáticas”. Fotografia: Hans ter Steege/PA

Por Jennifer Rankin em Bruxelas para o “The Guardian”

Um ex-alto funcionário do meio ambiente disse que a credibilidade da UE em seus compromissos climáticos foi prejudicada pelos planos de adiar por um ano uma lei de combate ao desmatamento, após intenso lobby de empresas e governos ao redor do mundo.

Virginijus Sinkevičius, um eurodeputado lituano que foi comissário do ambiente até meados de julho, disse que adiar a regulamentação do desmatamento seria “um passo atrás na luta contra as alterações climáticas”.

Em uma dura repreensão à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen , Sinkevičius, que elaborou a legislação que foi acordada em 2023, disse que o atraso de 12 meses colocaria 80.000 acres (32.375 hectares) de floresta em risco a cada dia, geraria 15% das emissões globais de carbono, quebraria a confiança com os parceiros globais da UE e prejudicaria sua credibilidade em seus compromissos climáticos.

Na quarta-feira, a Comissão Europeia propôs um atraso de 12 meses na lei, que foi aclamada por seus defensores como a mais ambiciosa do mundo para combater o desmatamento. A lei proibirá a venda na UE de commodities ligadas ao desmatamento, como cacau, café, soja, óleo de palma e borracha, bem como produtos como chocolate, couro e móveis. As empresas são obrigadas a usar monitoramento por satélite e outras verificações para garantir que seus produtos não tenham sido produzidos em terras desmatadas ou degradadas após 31 de dezembro de 2020.

O adiamento precisa ser aprovado pelos ministros da UE e pelo parlamento europeu para entrar em vigor.

Se aprovada, a lei entrará em vigor em 30 de dezembro de 2025 para grandes empresas e em 30 de junho de 2026 para micro e pequenas empresas.

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Virginijus Sinkevičius, foi comissário europeu para o meio ambiente até julho e elaborou a legislação inovadora. Fotografia: Emilie Madi/Reuters

O pedido de adiamento ocorreu após intenso lobby de governos e empresas ao redor do mundo, que argumentaram que a lei penalizava injustamente as exportações para a Europa e prejudicaria pequenos agricultores e empresas.

Em um comunicado divulgado na quarta-feira, a comissão disse que um atraso de 12 meses “para implementar o sistema gradualmente” era uma solução equilibrada que ajudaria as operadoras em todo o mundo a “garantir uma implementação tranquila desde o início”.

Países como Brasil e Austrália pressionaram por um adiamento, argumentando que autoridades da UE estavam usando dados errados para medir florestas, enquanto Indonésia e Costa do Marfim disseram que isso poderia penalizar pequenos agricultores e prejudicar suas exportações.

“Os parceiros globais expressaram repetidamente preocupações sobre seu estado de preparação”, mais recentemente durante a assembleia geral das Nações Unidas em Nova York na semana passada, disse a comissão.

“A proposta de extensão não coloca em questão de forma alguma os objetivos ou a substância da lei”, acrescentou.

A lei foi adotada por uma grande maioria de eurodeputados e estados-membros em abril de 2023, mas desde então tem havido uma reação crescente sobre os custos da legislação ambiental que levou a comissão, por exemplo, a descartar planos para regulamentação de pesticidas.

Ativistas ambientais disseram que Von der Leyen, que em breve iniciará um segundo mandato de cinco anos como presidente da comissão, estava minando uma das principais conquistas de seu mandato, o acordo verde europeu.

Anke Schulmeister-Oldenhove, uma oficial sênior de política florestal do WWF, disse: “A presidente Von der Leyen está efetivamente dando sinal verde para que o desmatamento continue por mais 12 meses em um momento em que uma ação urgente é necessária para pará-lo. Ao minar uma das principais conquistas do acordo verde europeu, esta decisão lança sérias dúvidas sobre o comprometimento da presidente da comissão em cumprir as promessas ambientais da UE.”

Nicole Polsterer, do grupo de campanha Fern, disse: “Ursula von der Leyen cedeu à pressão constante de empresas e países que sabiam que a regulamentação viria há anos, mas não se prepararam adequadamente para ela. Isso é inaceitável, especialmente quando tantas outras empresas investiram tempo e dinheiro para estarem prontas.”

Von der Leyen também enfrentou pressão para adiar a lei de seu próprio Partido Popular Europeu de centro-direita, que argumentou que a legislação criava uma carga administrativa “substancial” para empresas e autoridades públicas.

Peter Liese, um eurodeputado alemão que fala pelo EPP sobre política ambiental, disse que acolheu o atraso proposto e tinha certeza de que o parlamento europeu o aprovaria. “O regulamento que entraria em vigor em 30 de dezembro de 2024 nos teria mergulhado em um caos irresponsável. Muitas das condições para aplicação não são claras e muitos países terceiros estão reclamando com razão”, disse ele.

O desmatamento, acrescentou Liese, “é um desastre para o clima global, assim como para outras coisas, mas temos que fazê-lo da maneira certa e envolver mais aqueles afetados pela lei”.

A VDMA, que representa a indústria de engenharia mecânica da Europa, descreveu a lei como “um excelente exemplo de regulamentação bem-intencionada, mas malfeita”, que provavelmente tornaria todos os produtos afetados mais escassos e mais caros.

“Obter os dados de geolocalização necessários pode ser fácil para o gado e produtos feitos a partir dele. Para outros produtos de borracha abrangidos pela regulamentação, a realidade é muito mais complexa. As consequências aqui seriam grandes dificuldades de fornecimento”, disse.


Fonte:  The Guardian

Num mar de candidatos a vereador, três excelentes nomes merecem ser eleitos

Um sinal que diz vote nele com um fundo branco. | PSD Premium

Em que pese o mar de candidatos a vereador tornar a escolha no mínimo complicada, em 2024 penso que a população campista tem pelo menos 3 nomes em que se poderá votar com a certeza de que os eleitos brigariam pelas coisas certas e pela parte certa da população.

Ainda que eu tenha apenas um voto pessoal a dar, e será dado com a certeza que terei de fazer uma escolha difícil já que os 3 são excelentes candidatos, posto abaixo as imagens da Professora Natália Soares (50123), do Mateus do MST (13713) e do Hermes Mineiro (13014).

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Com esses 3 eleitos teremos finalmente quem luta efetivamente por uma educação pública de qualidade, pela reforma agrária que põe alimentos baratos na mesa dos trabalhadores, e por um efetivo controle das ações do executivo municipal.

Esses três são verdadeiros e contudentes em sua militância, ainda que todos compartilhem um olhar solidário para quem mais sofre com a precarização dos serviços públicos em meio ao aprofundamento das políticas neoliberais que aprofundam a miséria dos brasileiros e dos campistas, em particular.

Por isso, quem ainda precisar de um nome para votar a vereador neste domingo, eu humildemente indico o nome de 3 em que o voto certamente será pelo avanço da luta dos trabalhadores e da juventude desta rica, porém, pobre cidade.

Em Campos, o prefeito-candidato recebeu muitos presentes da oposição “Papai Noel”

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Por Douglas Barreto da Mata

Se me perguntassem o que eu desejaria para ser candidato à reeleição, caso fosse prefeito de alguma cidade, eu diria, sem pestanejar: uma oposição como esta que enfrentou Wladimir Garotinho, o atual prefeito de Campos dos Goytacazes, e candidato à reeleição.

Eu não vou repetir aqui, para não ficar enfadonho, que as táticas e estratégias da oposição, em especial aquela representada no pessoal da delegada, e no pessoal do PT, foram um total desastre. Não me preocupa aqui o resultado das eleições, que podem sim, mudar até lá, diga-se de passagem.  Só voto apurado é voto certo, dizem as raposas políticas, apesar de todo favoritismo do atual prefeito. 

Hoje eu me refiro aqui a uma derrota muito pior.  A derrota de reputações de dois candidatos que, até o início das eleições, eram reconhecidos como pessoas corretas, com biografias de alguma importância, com carreiras profissionais respeitáveis, ainda que sem nenhum traço de genialidade, é verdade.

Porém, eu diria, sem medo de errar, que o professor e a delegada saem muito menores que entraram nessa campanha, a despeito dos votos que possam ter.  Os expedientes e truques aos quais recorreram o professor e a delegada foram vergonhosos.  Rebaixaram a si mesmos e a campanha a um nível rude e grotesco, com direito a acusações sem provas (como o professor no caso dos RPA), ou mentiras e distorções (o caso do IDEB), ou das pesquisas.

Teve coisa pior, eu sei, mas até cansa falar de novo.  Eu finjo que esqueço, para esquecer de fato, tamanha a decepção!  No caso da delegada tivemos ofensas do deputado que veio em seu socorro, no início da campanha, e que atacou a honra da primeira-dama, enquanto seus padrinhos políticos se esmeraram, ao longo da corrida eleitoral, em adjetivos inapropriados em direção ao atual prefeito, que, justiça seja feita, ou os ignorou, ou respondeu com a mais fina ironia.

Ironia, sabemos, é sinal de inteligência.  Claro que a gente sabe que eleição é terreno propício a temperaturas elevadas, debates mais acalorados.  Mas xingamentos e ofensas desvinculados de quaisquer propostas, beiram a vulgaridade, a falta de decoro, a pobreza intelectual, que não parecem combinar com figuras do professor e da delegada.

Neste sentido, se as urnas comprovarem as prospecções dos institutos de pesquisas (os sérios, não aquela fantasia da oposição), vamos ter, talvez, um alento.  Sim, apesar das tragédias pessoais dos candidatos, que se expuseram a tamanho vexame moral, paradoxalmente, essa queda acena para o fato de que, ainda que conservador, o eleitorado campista rejeitou a fórmula desqualificada apresentada pelo professor e pela delegada.

No atual contexto da política brasileira e local, não é pouca coisa!

Uma nova “Operação Delaware” aumenta incertezas sobre saúde financeira do RioPrevidência

Deputado encaminha denúncia ao TCE sobre operação do RioPrevidência com banco de investimento. Luiz Paulo argumenta que o risco de uma operação de quase R$ 500 milhões pode comprometer o órgão, responsável por pagar aposentados e pensionistas no estado

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Por Marcus Alencar para o “Agenda do Poder”

O deputado Luiz Paulo apresentou uma denúncia ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), nesta terça-feira (01/10), solicitando auditoria numa operação do RioPrevidência de compra de letras financeiras de um banco de investimento de cerca de R$ 500 milhões sem as cautelas exigíveis.

O parlamentar também apresentou um requerimento de informação à Mesa Diretora para oficiar ao presidente do órgão previdenciário, Deivis Marlon, para que encaminhe à Alerj a relação da carteira de investimentos dos fundos previdenciários administrados pela instituição.

Ele ainda quer informações sobre relação das instituições financeiras, fundos de investimentos e outros intermediários que oferecem ou gerenciam recursos financeiros do RioPrevidência.

“Isso é inaceitável, pois coloca em risco as finanças futuras do RioPrevidência. Já vimos esse tipo de situação no passado, e os resultados foram desastrosos. Como é possível contratar R$ 500 milhões em letras financeiras de um banco de médio porte, cujo lucro em 2023 foi exatamente o mesmo valor da contratação feita pelo RioPrevidência? O banco Master tem um patrimônio líquido, em 2023, na ordem de R$ 2,3 bilhões, e o RioPrevidência está contratando uma operação que representa 20% desse patrimônio líquido”, advertiu.

No documento, o parlamentar pede o detalhamento da composição atual da carteira, os ativos financeiros mantidos, sua classificação por classe de investimento (renda fixa, renda variável, entre outros), além de informações sobre o desempenho recente desses ativos e a estratégia de gestão empregada para sua valorização e proteção frente a riscos.

“Temos que ter os critérios de seleção dessas instituições, a política de alocação de recursos e o acompanhamento da performance desses investimentos. Além de Informações sobre o cumprimento da Política de Gestão de Riscos aplicada ao portfólio de investimentos do RioPrevidência, detalhando as medidas implementadas para mitigar os riscos de mercado, de crédito, de liquidez e de outros fatores que possam impactar negativamente a sustentabilidade dos fundos previdenciários, bem como os resultados obtidos com essa política”, disse.


Fonte: Agenda do Poder