E no sprint final, Wladinho, quem diria, derrotou até Pinóquio

wladinho pinoquio

Por Douglas Barreto da Mata

Não há problema no boneco Wladinho imitar uma pessoa, nesse caso, o prefeito Wladimir Garotinho.  Sério é quando a oposição quer imitar um boneco, neste caso, o Pinóquio, conhecido personagem da literatura infantil. Feito de madeira, Pinóquio ganha vida, e tenta desesperadamente ser o que não era, gente de verdade, e para isso recorre às mentiras, denunciadas pelo crescimento imediato de seu nariz.

O pessoal da oposição, do jeito deles, busca, também, aparentar o que não são, isto é, não são os preferidos dos eleitores, e também recorreram, como vemos hoje, à mentira.  A divulgação de uma pesquisa mentirosa é outro capítulo do desespero da oposição na luta por votos na eleição do dia 06 de outubro próximo.

Já publicamos vários textos nesse blog, tanto eu, quanto o seu “inoxidável” editor, Marcos Pedlowski, onde demos conta de que, se é verdade que Wladimir se mostrou um candidato eficiente, a oposição, a seu modo (o da infinita capacidade de dar tiros no próprio pé), ajudou demais.

Não acho que será o último ato tresloucado da oposição, liderada pela Delegada-candidata, mas, certamente, a reprimenda pública da Justiça, chamando de fantasiosa (um jeito delicado de dizer mentirosa) a pesquisa divulgada, apontando para possível abuso de poder econômico, e uso indevido dos meios de comunicação, pode ainda repercutir, e muito, nas esferas jurídicas dos envolvidos, para além do 06 de outubro.

Por vias transversas, discurso de um dos líderes do grupo, na manifestação deste fim de semana, na Praça São Salvador, quando disse que a eleição não acaba no domingo, pode ter algo de profecia, caso a Justiça resolva ir a fundo na questão da pesquisa, e das condutas adjacentes elencadas pelo Meritíssimo Senhor Juiz Eleitoral Leonardo Cajueiro

Note o peso da decisão, cujo trecho reproduzimos abaixo:

“(…)Se é certo que a exiguidade dos prazos eleitorais, por si só ,não justifica o reconhecimento do perigo na demora, não é menos certo que, no presente caso concreto, o periculum in mora é manifesto. Estamos na semana imediatamente anterior à votação e temos pesquisa manifestamente fantasiosa (resultado antes da coleta de dados !?!?) e divulgação de margem de erro equivocada maior até que a margem metodologicamente comunicada ao TSE.

Portanto, estão presentes a plausibilidade do direito e o perigo de dano necessários ao deferimento de liminar para  suspender a divulgação dos resultados da pesquisa. Por fim, há indícios de abuso de poder econômico (caso provada pesquisa com propósito de ludibrio ao eleitorado) e uso indevido dos meios de comunicação. (…)”

Bem, nada mais a dizer sobre a enrascada jurídica em que se meteram os oposicionistas.  Quanto aos tropeços políticos tragicômicos, resta dizer que não há como esperar que as coisas melhorem, ou seja, me parece que o limite do ridículo e do grotesco foram ultrapassados, sem sinais de que possa haver um retorno à razão pelos oposicionistas. 

Infelizmente, esses Pinóquios não serão transformados em bons meninos e meninas pela fada madrinha, já que a condição é bom comportamento.

Nas eleições de Campos, qual é o teto do candidato-prefeito?

ceu é o limite

Por Douglas Barreto da Mata

Faz algum tempo, um veículo de comunicação campista lançou essa pergunta a um grupo de analistas, acadêmicos e estatísticos.  Buscava estabelecer um limite para a popularidade de Wladimir Garotinho, neste caso expressa em intenções de votos na corrida eleitoral, onde ele é candidato à reeleição.

Pois é, era difícil responder antes, e parece mais difícil agora. Porém, eu acrescento uma outra variável a essa dúvida:  até onde, ou melhor dizendo, qual é a profundidade onde será enterrada a oposição e suas incapacidades?

Se por um lado, nos parece que o candidato-prefeito chegou a um estágio que pode ser chamado “teflon”, pois nada de negativo parece “grudar” nele, e as pesquisas qualitativas disponíveis, que circularam entre os dois principais lados da disputa, apontavam nessa direção, por outro lado, a oposição tem  nos brindado com um espetáculo grotesco de incompetência e mal gosto.

Assim, o candidato-prefeito, além de imune aos ataques, que não aderem à sua pessoa, alcançou outro patamar, o de massa de pão, que quanto mais apanha, mais cresce. Então, hoje eu diria que é difícil estabelecer um teto para Wladimir, porque ele parece não ter um, na medida que, do lado contrário, a imbecilidade para não ter um fundo, ou seja, um piso.

Eu já disse isso aqui, aqui e aqui.   Hoje à tarde, Marcos Pedlowski, o editor desse blog que acolhe minhas palavras rotas e mal escritas, também nos brindou com seu humor ferino, que serve a uma lógica afiada.

E quando eu pensava que nada mais me surpreenderia, desde recolocar Rafael Diniz na sala (o bode), como fez a deputada Carla Machado ao pular do barco petista para a “nau dos insensatos” da oposição, mas não sem antes furar o casco e deixar Jefferson Azevedo se afogar nele, passando pelo briga com os números de pesquisas e IDEB, o processo contra um boneco, e outras tantas trapalhadas, agora no fim da tarde, a oposição trouxe mais uma: está comemorando a retirada da divulgação de pesquisas já publicadas, e pelo que se sabe até aqui, a motivação que foi acolhida pela Justiça Eleitoral seriam aspectos formais das autorizações, ou seja, não houve erro nos dados, mas sim em aspectos como informações dos dias das entrevistas, por exemplo, registros no TSE, etc.

Claro que a oposição está alardeando como se fosse um gol de placa, e como se isso fosse mudar o que já foi veiculado e assimilado por todos, exaustivamente.  No calor das campanhas, cada um conta a versão dos fatos que melhor lhe convém, mas há limites para distorção da realidade, ou pelo menos, deveria haver.  Tem que existir um sentido prático na mentira, na meia-verdade, senão fica parecendo coisa de maluco. 

E neste caso, como já mencionamos, todo mundo já estava “careca” de saber os números, cuja veiculação a Justiça Eleitoral cassou. Essa “vitória”, por si só, já seria um “mico” do tamanho de um elefante, mas tem mais.  As pesquisas retiradas das redes sociais do prefeito caducaram, viraram notícia velha.

Explico. Hoje, o Instituto PreFab mostrou os dados da última sondagem registrada no TRE, e os números indicam  Wladimir com 79,7% dos votos.  Enquanto isso, a delegada patina em 15%, aproximados, dos votos válidos.  Se transformados em votos brutos, seria algo em torno de 68% de votos para o atual prefeito, e algo como 12% ou 11% para a delegada.

Olhados em perspectiva, e descontada a outra pesquisa O Dia/Paraná, escondida pelo grupo da oposição, em outra vergonha colossal, há um viés claro de queda, na série histórica, e como já dissemos em outro texto, esse é o desespero que tomou conta da oposição.

Ao que parece, mais umas duas semanas de campanha, a delegada ficaria devendo votos ao TRE, seguindo esse ritmo.

Voltando ao começo, eu diria: quem estiver à procura do candidato-prefeito Wladimir Garotinho, eu sugiro um telescópio, já para enxergar a oposição, só com a ajuda de um microscópio.

O cúmulo do desespero tem nome: tentar barrar Wladinho

wladinho

Acabo de ler uma notícia em relação à tentativa fracassada da coligação “Campos pode mais” de barrar o uso do alter ego de pelúcia do prefeito Wladimir Garotinho, o boneco Wladinho, nas veiculações eleitorais da chapa situacionista.

O juíz responsável pelo processo, o honorável Márcio Roberto da Costa, indeferiu o pedido de barrar Wladinho porque o uso do mesmo não fere a legislação eleitoral vigente.

E aí eu fico pensando: quem foi o gênio da campanha da coligação “Campos pode mais” que teve a ideia de barrar o uso de um boneco por uma campanha adversária? Isso parece, e é, um famoso tiro no pé e de bazuca. É que, primeiro, alguém deveria ter analisado se havia alguma ilegalidade no uso do boneco. Segundo, e mais importante, se a sua campanha não consegue fazer frente ao alter ego de pelúcia, isso mostra que a disputa com o prefeito está mais para lá de perdida.

Wladimir e Wladinho devem ter esfalfado com mais essa bizarrice da campanha da “Campos pode mais”, que poderá terminar mais para “pode menos”.

Particularmente, acho a ideia do uso de Wladinho “fofa”, mas também um tanto despolitizante. Coisa que seria melhor deixada para lá.   Agora, convenhamos Wladinho ficou e o estrago que ele vai causar só aumentou.

Mudanças climáticas: o que antes parecia alarmista, agora é tratado como conservador pela comunidade científica

Muitos acreditam que limite de aquecimento, de 1,5ºC até 2100, será ultrapassado bem antes do que se esperava

cchangeEm melhor cenário, temperatura global pode subir 1,5°C em duas décadas

Por Vivian Oswald, Especial para O Globo 

Sem reconhecer fronteiras, extremos do clima varreram o planeta em setembro. O caos provocado por seus efeitos domina as primeiras páginas dos jornais mundo afora. Tragédias anunciadas, não é de hoje, como repetirão cientistas. Talvez nem eles tenham antevisto a intensidade do que estava por vir.

Com a temperatura global batendo sucessivos recordes, períodos de seca cada vez mais longos e incêndios lambendo florestas nos dois hemisférios, cresce a pressão sobre academia e governos. Acusada de alarmista não muito tempo atrás, a primeira agora é vista como conservadora por subestimar a velocidade do aquecimento e seu potencial de danos. Criticados pela falta de celeridade, os últimos são instados a correr.

Redução de danos

Dados do observatório climático europeu Copernicus (C3S) mostram que os termômetros bateram novo recorde em junho, o 13° mês consecutivo de alta. No acumulado de 12 meses encerrados em junho, a temperatura média global foi a mais elevada já registrada: 1,63°C acima da média pré-industrial de 1850-1900.

No texto “Ondas de Calor, Calor Extremo e Mudança do Clima”, a Chatham House, um dos centros de pesquisa mais prestigiosos da Europa, mostra que, dos 152 estudos de atribuição de condições meteorológicas extremas feitos por cientistas de todo o mundo nos últimos 20 anos, 141 (93%) concluíram que as alterações climáticas induzidas pelo homem intensificaram os eventos de calor extremo.

Na COP15, o mundo concordou em evitar que o aumento da temperatura global passasse de 1,5°C até 2100. Está no acordo de Paris. O que muitos dizem é que já não há como evitar a “ultrapassagem”. O somatório das metas individuais com as quais cada nação se comprometeu — as NDCs (a sigla em inglês para contribuição nacionalmente determinada) — já não fecha a conta. Ou seja, será necessário esforço ainda maior de cada um na próxima revisão das NDCs, em 2025.

No debate “Como Enfrentar o Impensável”, na Chatham House, Pascal Lamy, chair da Climate Overshoot Comission (Comissão sobre a Ultrapassagem Climática), afirmou que pouco se fala na possibilidade cada vez menos improvável da ultrapassagem. Ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), ele critica o que chama de polarização Norte-Sul. Diz que a política cria obstáculos ao debate, em especial sobre quem vai pagar a conta.

Para Michel Obersteiner, diretor do Instituto de Mudança Ambiental da Universidade de Oxford, existe um jogo entre os países para dizer quem se tornará carbono neutro primeiro (até segunda ordem, a meta é 2050), em vez de se pensar no que vem depois.

— Não é segredo que vamos ultrapassar. Quem vai tirar CO2 da atmosfera, quando chegar 2050, se conseguirmos ser carbono neutros de fato?

Para a secretária de Mudança do Clima do Ministério do Ambiente do Brasil, Ana Toni, ainda há tempo de fechar 2100 dentro da meta. Mas para isso, diz, as ações de mitigação têm que ser aceleradas. Afinal, não adianta ter metas sem meios de cumpri-las. Toni alerta que as governanças econômica e financeira precisam estar alinhadas aos 1,5°C.

Segundo a secretária, as NDCs definidas em Paris, se implementadas, levarão o mundo a uma temperatura entre 2°C e 2,5°C acima.

— A gente tem que primeiro aumentar as metas nas novas NDCs e acelerar a implementação. É isso que o Brasil quer com o novo Plano Clima — disse. — Na presidência da COP30, o país terá oportunidade de liderar pelo exemplo

‘Muito longe de cair’

Segundo o IPCC, o painel do clima da ONU, o aquecimento global ultrapassará a média pré-industrial em algum momento de hoje a 2040 nos seis cenários de emissões de gases de efeito estufa avaliados. O IPCC afirma que vários impactos climáticos irreversíveis ocorrerão no período de ultrapassagem. Para o climatologista Carlos Nobre, referência internacional no tema, se as temperaturas continuarem 1,5°C acima da média até 2025, como tem sido, é quase certo que teremos atingido essa temperatura muito antes do esperado.

— Estão muito longe de começar a cair. A meta indicava que não chegaríamos a 1,5°C se não reduzíssemos até 2030 e zerássemos em 2050 — explica. — Temos que cortar emissões muito mais depressa do que a COP previa e passar para a remoção do gás carbônico, com gigantesca restauração florestal dos biomas em todo o mundo. Isso é essencial para, aí sim, reduzir o risco. A temperatura vai passar de 1,5°C. Quem sabe na segunda metade desse século a gente consiga não deixar ela explodir e chegar a 3°C ou 4°C no final do século. Esse é o maior desafio que a humanidade já enfrentou.


Fonte: O Globo

Cenário alarmante é encontrado após 20 anos de pesquisas em microplásticos

microplasticos-1-996x567Os microplásticos são partículas sólidas de plástico com tamanho igual ou inferior a cinco milímetros e que atualmente podem ser encontrados não apenas em corpos d’água, mas também em superfícies terrestres e até mesmo no cérebro humano. Crédito da imagem: Oregon State University, Estados Unidos , licenciada sob Creative Commons CC BY-SA 2.0 Deed

Por Luís Fernandes para a SciDev

[GOIÂNIA] Após duas décadas de pesquisas científicas, microplásticos foram detectados em mais de 1.300 espécies aquáticas e terrestres e foram encontrados desde as calotas polares até o equador, das profundezas do mar até o topo do Monte Everest.

Foi em 2004 que foram chamados pela primeira vez de “microplásticos”. Atualmente, são definidas como partículas plásticas sólidas de tamanho igual ou inferior a cinco milímetros, compostas por polímeros, aditivos funcionais e outros produtos químicos adicionados intencionalmente ou não.

Numa revisão de 20 anos de investigação, publicada na revista Science há uma semana, os investigadores concluem que existem fortes evidências de que os microplásticos se acumularam em grande escala no ambiente , a nível global.

Seus efeitos em humanos também foram comprovados pela ciência.

“Os microplásticos estão presentes nos alimentos e bebidas que os humanos consomem, como cerveja e mel, por exemplo, bem como no ar que respiramos”, Richard Thompson , professor de Biologia Marinha na Universidade de Plymouth, no Reino Unido.

“Há evidências de acúmulo de microplásticos em vários tecidos do corpo humano, e há evidências crescentes de que esse acúmulo pode causar danos da mesma forma que já foi demonstrado em experimentos com animais”, continua Thompson, que também é o primeiro autor da revisão publicada na Science.

Microplásticos encontrados em sedimentos de rios europeus: Elba (A), Mosela (B), Neckar (C) e Reno (D). Observe a diversidade de formas (filamentos, fragmentos e esferas) e que nem todos os elementos são microplásticos (por exemplo, folha de alumínio (C) e esferas de vidro e areia (D), pontas de seta brancas). As barras brancas representam 1 mm. Crédito da imagem: Wagner et al. (2014). Microplásticos em ecossistemas de água doce: o que sabemos e o que precisamos saber . In: Ciências Ambientais Europa . 26. doi:10.1186/s12302-014-0012-7 , licenciado sob Creative Commons CC BY 4.0 Deed .

Num outro estudo publicado este mês na JAMA Network Open, investigadores relataram pela primeira vez a presença de microplásticos no cérebro humano. Foram analisados ​​os cérebros de 15 pessoas falecidas que viviam em São Paulo, a quinta cidade mais populosa do mundo e a mais populosa da América Latina. Resíduos plásticos foram encontrados em oito deles.

O Brasil também abriga uma das maiores iniciativas globais para mapear e monitorar a poluição por microplásticos em mais de 1.200 praias.

Guilherme Malafaia, professor do Instituto Federal Goiano, e que coordena o projeto MICROMar , explicou ao SciDev.Net que a iniciativa tem como foco regiões tropicais e subtropicais, “que tradicionalmente têm sido sub-representadas nos estudos globais sobre o tema”.

O projeto abrange aproximadamente 7.500 quilômetros de litoral, distribuídos em 211 municípios. Segundo Malafaia, dados preliminares de nove estados brasileiros indicam que todas as regiões investigadas apresentam altos níveis de poluição por microplásticos, com destaque para o litoral sul de São Paulo.

“O Brasil parece estar em uma posição mais vulnerável, principalmente nas áreas mais industrializadas e densamente urbanizadas”, destaca o coordenador.

Em outra frente de pesquisa, pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR), no norte do Brasil, enfrentam o desafio de mapear a situação na bacia amazônica.

Em revisão publicada na revista Science of The Total Environment , o grupo observou que, embora a poluição por microplásticos tenha sido sistematicamente detectada na região, apenas quatro dos nove países que a compõem publicaram estudos sobre o assunto: Brasil, Guiana, Equador e Peru.

Entre os motivos para essa falta de estudos, a professora da UFRR Franciele da Rocha cita o isolamento e a dificuldade de acesso a algumas áreas e a falta de investimentos, geralmente direcionados aos grandes centros urbanos, como Manaus e Belém, capitais dos estados do Amazonas e Pará, respectivamente.

“Outra razão é que, apesar de terem sido identificados como importantes fontes de microplásticos para o oceano, os rios ainda são relativamente pouco estudados em comparação com as praias, mares e oceanos”, acrescenta Rocha.

Existe uma solução?

As evidências científicas apontam para a urgência de políticas públicas para resolver o problema. Modelos preditivos estimam que a libertação de microplásticos no ambiente poderá aumentar entre 1,5 e 2,5 vezes até 2040.

A situação é tão grave que, mesmo que fosse possível impedir todas as novas libertações, a quantidade de microplásticos continuaria a aumentar devido à fragmentação de plásticos maiores já existentes no ambiente.

Microplástico degradado do tipo fibra analisado por microscopia eletrônica de varredura em escala de 100 mícrons. Crédito da imagem: Zetnike Flores Ocampo/Wikimedia Commons, licenciado sob Creative Commons CC BY-SA 4.0 Deed .

Segundo o professor Thompson, embora a solução passe obviamente pelo triplo R: “reduzir, reutilizar, reciclar”, o problema é muito mais complexo e a ciência, até à data, não conseguiu identificar soluções objetivas que tenham em conta os diferentes contextos. sociais, económicos e geográficos.

“Para a maioria dos países não está claro de quais plásticos, especificamente, não precisamos. Qual é a melhor alternativa ou substituto? Quais produtos e usos são apropriados para formatos reutilizáveis? E como podemos, com um design melhor, aumentar as taxas de reciclagem?”

O Professor Malafaia concorda: “Há questões complexas envolvidas, como a viabilidade económica de alternativas ao plástico nos mercados emergentes, a resiliência das indústrias estabelecidas e a falta de infraestruturas adequadas de gestão de resíduos em muitas regiões.”

“Para a maioria dos países não está claro de quais plásticos, especificamente, não precisamos. Qual é a melhor alternativa ou substituto? Quais produtos e usos são apropriados para formatos reutilizáveis? E como podemos, com um design melhor, aumentar as taxas de reciclagem?”

Richard Thompson, Professor de Biologia Marinha, Universidade de Plymouth, Reino Unido

Os investigadores também concordam que o problema deve ser abordado a nível global.

Uma dessas iniciativas é a formulação de um Tratado Global sobre Plásticos , cujas discussões começaram em 2022 na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente. O objetivo é desenvolver e adotar um instrumento juridicamente vinculativo sobre a poluição plástica, baseado numa abordagem que inclua todo o ciclo de vida dos plásticos.

No final de Novembro, será realizada uma nova sessão do Comitê Intergovernamental de Negociação em Busan, na Coreia do Sul, para desenvolver o Tratado. Embora reconheça a importância da iniciativa, Thompson critica a ausência de um órgão científico independente da indústria que possa aconselhar nas discussões. Até agora, diz ele, os cientistas que participam nas reuniões o fazem apenas como observadores.


Fonte:  SciDev.Net

Professores temporários são a maioria nas redes estaduais, com precarização, diminuição de direitos trabalhistas e piora na performance dos estudantes

 

Um estudo elaborado pelo  Todos pela Educação, um movimento que articula um conjunto de instituições que atuam junto ao poder público na elaboração das políticas educacionais brasileiras desde meados dos anos 2000, revela dados assustadores sobre o avanço do processo de precarização do trabalho dos professores nos estados brasileiros nos últimos anos.

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O documento “Professores Temporários nas redes estaduais do Brasil, publicado em abril de 2024, revela que a contratação temporária nas redes estaduais do país se tornou o regime de trabalho hegemônico, no qual os professores são destituídos de direitos trabalhistas, já que são contratados a partir de processos seletivos bastante questionáveis, concentrados na comprovação de certificação ou de experiência profissional prévia.

Em somente 5 estados foram localizados editais que exigiram prova teórica sobre a disciplina a ser ministrada e, em 2, prova didática.   Segundo o estudo, em 2023, o cenário de professores temporários no Brasil foi de 51,46%, enquanto o de efetivos, foi de 46,5%. Além disso, o estudo sinaliza uma gradual diminuição de professores efetivos nas redes estaduais, desde 2013 (17%), enquanto ocorreu um crescimento de 41% no mesmo período de professores temporários (ver figura abaixo).

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Em alguns estados, como é o caso de Minas Gerais e de Tocantins, em  2023, o número de professores temporários foi de 80 e 79 %, respectivamente.  Enquanto isso, outros estados, como Paraná e São Paulo, dispõem de 51% de professores temporários, em relação ao número total de professores que atuam na rede estadual. Em geral, o relatório constata que, dos 27 estados da federação, em 15% a modalidade de contrato temporário é a que predomina nos sistemas estaduais de ensino. A partir de 2013, em 16 estados da federação houve um aumento significativo de professores temporários e a redução dos efetivos. No caso do estado de Minas Gerais, o aumento do total de professores temporários foi de 540%.

Os dados apontados no relatório ainda indicam que  os docentes temporários, em geral, permanecem 24 meses (em 9 estados  e, 48 meses, (em 6 estados), porém, podendo o tempo de contrato temporário chegar até 72 meses em 2 estados.

Em Pernambuco, a diferença salarial entre professor temporário e efetivo em início de carreira é de 140%. Contudo, é importante registrar que direitos trabalhistas assegurados aos concursados estão ausentes nos contratos temporários (por exemplo: férias e 13 salário),  não havendo para os temporários a possibilidade de atuar em cursos de formação continuada e, os trabalhadores precarizados ainda enfrentam uma  alta rotatividade, em função de terem que complementar o salário com outros empregos.

Finalmente, um dado dado importante, mas que está ausente no relatório, é que esse panorama de predomínio de professores temporários dificulta a organização sindical, na medida em que coexistem em unidades escolares diferentes categorias de trabalhadores, o que contribui para a fragmentação da categoria. Portanto, trata-se de um contexto de intenso ataque aos direitos dos trabalhadores da educação dos sistemas de ensino estaduais, contribuindo para a ampliação do processo de precarização da educação pública.

O primeiro resultado deste cenário é a diferença de performance entre os estudantes

Ao analisar os resultados da performance de estudantes do 9º ano, os pesquisadores verificaram que o fato de um estudante ter um professor temporário tem uma relação, em média, negativa com o seu
desempenho, quando comparado àqueles alunos com características semelhantes que tiveram aulas com docentes efetivos. 

De maneira similar ao que foi observado para 9º ano, os pesquisadores notaram que os resultados para os alunos do Ensino Médio que têm professores temporários também é menor, com exceção de 2015, em que as diferenças são nulas. Ao analisar os dados de 2019, por exemplo, os estudantes que tiveram aulas com professores temporários obtiveram uma nota, em média, 5,5 pontos menor em Matemática e 5,6 pontos menor em Língua Portuguesa do que os estudantes que tiveram aulas com docentes efetivos.

Ainda que outras variáveis possam ter impactado a performance dos estudantes, o que fica patente é que o aumento de professores temporários tem sim um grau significativo de impacto nas notas dos estudantes.

E em Campos dos Goytacazes, como estamos?

Como o nível de análise do relatório é estadual,  eu fico curioso em saber como é a situação, por exemplo em Campos dos Goytacazes.  Pelo que eu me lembre bem,  o último concurso ocorreu em 2014,  mas ois aprovados não foram todos chamados para assumir seus cargos. 

A opção aqui, inclusive da atual administração, é lançar os famigerados processos seletivos para professores temporários, que se vê agora servem para precarizar o trabalho docente e, pior, diminuir as chances das crianças de terem uma educação minimamente qualificada que possa lhes assegurar o acesso à vagas oferecidas localmente pela Uenf, UFF e IFF.

Se alguém tiver a informação da porcentagem de professores temporários na municipal de Campos dos Goytacazes, por favor me envie que eu publicarei.

Faça o que eu falo, mas não o que eu faço. Ou como a oposição foi o maior aliada de Wladimir Garotinho

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Por Douglas Barreto da Mata

Este texto não procura diminuir as qualidades eleitorais e da gestão municipal, apesar de eu achar que há muita coisa a ser feita.  Nada disso.  No entanto, não é possível ignorar a capacidade de articulação política do atual prefeito, a forma como entendeu a carência deixada pelo seu antecessor, Rafael Diniz, O Incapaz, e mais, como dominou a comunicação de si mesmo, e do seu governo.

Não posso afirmar se Getúlio (Vargas) criou a obrigação de colocar o quadro do mandatário (no caso dele, presidente) nas repartições públicas, mas ficou para a História o jingle da sua campanha de 1950:  (bota o retrato de Velho outra vez/Bota no mesmo lugar/O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar, letra de Francisco Alves). 

Essa musiquinha dava contorno à concepção da onipresença, como se a imagem conferisse um olhar do líder sobre seus subordinados, compelindo-os a executar suas tarefas.  Ou seja, o líder cuida de todos, mas a todos observa.  Em tempos de rede social, a tarefa de se fazer presente se torna um pouco mais fácil. 

Nos tempos do pai do atual prefeito, o ex-Governador Garotinho, essa maneira de agir se manifestava em presença física em obras, escolas, etc, e justiça seja feita, o filho Wladimir ainda guarda essa rotina, para além da presença virtual nas redes sociais.

Zezé Barbosa, avô de Rafael Diniz, preferia madrugar no “triturador”, instalação usada para moer ossos em um antigo matadouro, convertida como instalação da prefeitura, ao lado do cemitério do Caju, de onde o então prefeito despachava desde muito cedo.

Essa conjugação de fatores (presença, marketing pessoal de rede e fracasso do antecessor) porém, não deve ser a única explicação, eu presumo, para tanta vantagem de Wladimir sobre os oponentes.

Como o título já entrega, a fragilidade, ou pior dizendo, a indigência intelectual dos opositores ajudou, e muito!  Vejam o caso do PT.  Primeiro, sob as ordens do grupo político que tem no presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) seu comandante, manteve a tese de que a deputada Carla Machado poderia ser candidata, ainda que até as pedras do Cais da Lapa soubessem que não.

A justificativa?  Mesmo na impossibilidade, a projeção do nome dela faria com que houvesse um capital político acumulado, que poderia ser herdado por quem ocupasse a vaga de dublê da deputada.

Bem, se foi isso, alguém tem que reclamar com o roteirista desse filme, que neste caso, dizem foi o pessoal do “Sou Feijó, mas Voto PT”, personificado em ninguém menos que Luciano D’  Angelo, considerado um dos alquimistas da político local, mas que, ao que tudo indica, perdeu um pouco a mão na dose de antigarotismo.

Além do constrangimento ao candidato, Jefferson, que sempre foi visto, e sempre se sentiu como um estepe, o tal capital político desejado (votos de Carla Machado) migrou sim, mas para o centro (Wladimir) e para a extrema direita (delegada), por um motivo simples: esse é o perfil do eleitor de Carla, a direita, conservadora, que enxerga nela um tipo de matriarca de São João da Barra.]

Pois bem, os tropeços e vergonhas se acumularam, com Jefferson debatendo dados do IDEB, mesmo com todas as evidências em seu desfavor, tingindo a campanha do PT de um negacionismo só visto nos piores tipos da extrema-direita, pois atacou, alucinadamente, dados de uma medição promovida pelo governo federal, que sabemos, hoje é liderado pelo PT.

Se já não fosse suficiente, Jefferson ainda teve que encarar o constrangimento de ter seu trágico desempenho nos índices de avaliação (ENEM-ENAD) trazidos ao público, já que em sua gestão a colocação do IFF Norte Fluminense despencou. 

O outro vexame se deu pelo fato de o PT funcionou como cavalo de aluguel da candidatura da extrema-direita, e essa certeza veio quando Jefferson tentou, de forma criminosa, criminalizar a campanha de Wladimir, inferindo que o prefeito tivesse vínculo com as supostas condutas ilícitas, atribuídas a um vereador, candidato à reeleição.  Logo o PT, querendo atacar e “lawfare”sendo o PT uma das grandes vítimas da ditadura das togas(Faça o que eu falo, não faça o que faço.)  Não ficaram só para o PT as trapalhadas.

O pessoal da candidata delegada também se esmerou. Primeiro a abordagem raivosa, quase bélica, contra um prefeito bem avaliado, com fama de bonachão e gente boa.  O episódio de um deputado estrangeiro ofendendo a primeira-dama foi o clássico tiro no pé, ainda mais para alguém que tem no seu único ítem no currículo a passagem pela DEAM. 

(Faça o que falo, não o que faço).

Ao invés de trazer debates necessários, a campanha da delegada preferiu o caminho do desgaste da imagem do atual prefeito, sem considerar o óbvio: na atual conjuntura, lendo as mesmas pesquisas qualitativas que, por certo, todos os grupos políticos têm acesso (ou deveriam), já deveria estar claro que essa tática não levaria a lugar algum.

O eleitor de Wladimir não identifica os erros como sua responsabilidade por dois motivos:  Wladimir conseguiu fazer com que parte dos erros sejam entendidos como resultado da gestão passada (o que é correto), mas principalmente, porque ele mesmo, Wladimir, tomou da oposição a narrativa desses erros, quando admite as suas existências, e diz que só ele poderá acertar no próximo mandato.

Isso só foi possível, como já dissemos, porque ele construiu uma relação bem sucedida com o eleitor, atributo pessoal dele, e que supera qualquer argumentação em contrário.

Restava à oposição falar daquilo que não se fala, mas aí faltou, do lado petista a coragem, e talvez também houvesse o impedimento pela estranha aliança com a extrema-direita, que interditou, por exemplo, uma discussão sobre tributos, questões fundiárias urbanas e rurais, ambiente, etc.

Já no caso da extrema-direita, esta agenda nunca seria trazida ao centro do debate, por questões óbvias.  Assim, o prefeito “cercou por todos os lados”, como se dizia na contravenção, antigamente. 

Claro que tudo isso foi salpicado com passagens grotescas, porém bem-humoradas, ao contrário do triste episódio do deputado alienígena ofendendo a primeira-dama, ao lado de uma sorridente delegada da DEAM.

Teve também, por exemplo, a piada que foi a representação pela censura de um boneco, o Wladinho.  Ao morderem a isca e passarem ao ataque a uma referência, os opositores mostraram o quanto perdidos estão.  Sim, a metalinguagem transferida ao boneco é um truque antigo, mas ainda hoje, como vemos, é super eficiente.

Para responder a uma metáfora, só outra.

Não se responde a um boneco com fala de gente, formal, séria…você responde a um boneco com a mesma linguagem, no mesmo campo do humor e da jocosidade.  Atributos que não se encaixam no raivoso figurino da extrema-direita, e como também já falamos, foi a escolha desde o começo.

Já no campo dos debates, assistimos a um vídeo cansativo da deputada Carla Machado, deitando longos minutos de falação, enquanto suas mãos repousavam sobre um tipo de diploma ou título, como se a conferir respeitabilidade à interlocutora, um tipo de chancela.

Aquilo que ela prega aqui, para Campos dos Goytacazes, a candidata dela em SJB não pratica, ou seja, lá em São João da Barra, Carla Caputi, favorita à reeleição e apoiada por Carla Machado, não vai fazer debate com o opositor.

(Faça o que falo, não o que faço).

Como ato de “grand finale”, a deputada Carla Machado deu a facada final na moribunda campanha de Jefferson do PT, ao declarar apoio à delegada candidata.  Matou duas campanhas com uma paulada só. Talvez nem se ela desejasse tal consequência, ela teria tanto êxito, a deputada.

Ao aderir à delegada, talvez tenha tirado qualquer chance de que ela (a delegada) fizesse um pouco mais de votos, e assim se revelasse como um quadro político relevante para o futuro próximo.

Eleitores de direita e de extrema-direita da delegada, provavelmente, não engoliram essa união, e se não migraram para o campo dos brancos e nulos, ainda podem fazer o pior, e votar em Wladimir.

Quanto ao Professsor Jefferson, eu nem sei ao certo, talvez essa “facada” fosse a deixa para ele retirar a campanha, e se poupar um pouco da extrema vergonha que se fez passar, em um auto flagelo poucas vezes visto na História.

Quem sabe faltou ensaio, e ele não seguiu o roteiro?  Por último, e não menos importante, nestes últimos dias, a oposição se superou.  É claro que é leviano dizer que o time da delegada tenha censurado a publicação dos resultados da pesquisa Paraná/O Dia.

Não acho que um veículo com a dimensão do O Dia aceite fazer um papel tão rasteiro.  Porém, as más línguas (sempre elas) juram que essa censura pode ser verdade, pois a situação é ainda mais grave.

O resultado não seria apenas uma confirmação do quadro anterior, mas traria notícias ainda piores, ou seja, confirmava a tendência de queda já observada.

Alguns se perguntam, atônitos:  Uai, se eles dizem que pesquisas não importam, e que o resultado que importa é o dos urnas (e é verdade), por que tanto trabalho para esconder os resultados (negativos) da pesquisa?

(Faça o que falo, não o que faço). 

Outros ainda mais maldosos dizem que a debandada de eleitores da delegada levou o comando da campanha a gestos desesperados, como a contratação de milhares de pessoas para empunhar bandeiras pelas ruas, para dar ideia de volume (e vitória). O evento pode ser chamado de Invasão dos Bandeirantes.

Mesmo assim, o efeito parece ser o contrário, e há a nítida impressão de que os bandeirantes aceitem a remuneração, mas votem no atual prefeito, o que não seria inédito na história e anedotário eleitoral.

Como a última pesquisa foi, de fato, censurada, o que fica é a especulação, a quiromancia estatística.

Eu lembro do sincericídio de Rubens Ricúpero, chanceler do Itamaraty nos tempos de FHC, falando das estratégias de marketing do Plano Real, que foi capturado antes da entrevista, mas vazado, para desespero dele:  “O que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”.

 
 
 
 

Saúde,biodiversidade e mudanças climáticas: as três crises que a Humanidade enfrenta

artaxo no planalto

Paulo Artaxo fazendo apresentação sobre mudanças climáticas no Palácio do Planalto no dia 17 de setembro– Foto: Ricardo Stuckert/PR – CC BY-ND 2.0

O físico e professor da Universidade de São Paulo, Paulo Artaxo, que também é membro do Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas (IPCC) publicou um artigo que deveria ter servido como alerta para os governantes brasileiros, mas, principalmente no plano federal, com Jair Bolsonaro et caterva no controle do leme, o aviso passou completamente despercebido.

No artigo publicado pela revista Estudos Avançados, Artaxo alertava que nossa sociedade “está simultaneamente convivendo com três emergências importantes: 1) a crise na saúde; 2) a crise de perda de biodiversidade; e 3) a crise climática.  Artaxo salinetou ainda que “essas crises têm ligações profundas entre si, e diferenças importantes, mas todas provocam impactos sociais e econômicos fortes e afetam nosso planeta globalmente”.

O texto afirmava ainda que “entre as diferenças importantes nas três crises está a questão temporal:
enquanto a crise na saúde associada ao Sars-CoV-2 pode durar cerca de dois  anos, o impacto das mudanças climáticas pode durar séculos, a perda de biodiversidade é para sempre.  Artaxo ponderava ainda que não haveria lockdown como o aplicado na pandemia da COVID-19, nas crises climáticas e de biodiversidade”.

Dentre as questões relacionando a perda das florestas e a mudança do clima, Artaxo citou o exemplo do estado de Rondônia onde  o desmatamento alterou a circulação atmosférica, resultando em menos chuva nas áreas desmatadas e mais chuva nas áreas adjacentes.  É que, com a  devastação de mais de 50% da floresta em Rondônia, houve uma mudança no mecanismo que controla as chuvas, afetando o clima local e a agropecuária.

Dentre as muitas conclusões de Artaxo, uma das que considero cada vez mais urgente foi a de que  a interferência das mudanças climáticas vêm influenciando alterações no regime de chuvas, na temperatura, no nível e na química de águas costeiras, causando mudanças na fenologia das plantas, no funcionamento de ecossistemas e, na distribuição da biodiversidade, inclusive na distribuição de vetores transmissores de doenças.  Artaxo afirmava ainda que essas mudanças interagiriam entre si e com  “múltiplos estressores” sociais e ambientais que poderiam ampliar seus impactos.  Em função disso, muitas dessas dimensões das mudanças climáticas, e suas interações, precisavam ser mais bem  compreendidas. As fortes alterações no regime de chuvas em todas as regiões do país iriam exigir soluções para minorar os problemas socioeconômicos advindos das secas mais fortes e frequentes, e inundações extremas em grandes áreas.

Passados pouco de mais de quatro anos dos alertas de Paulo Artaxo, eis que estamos diante não apenas de cenários teóricos, mas de fatos concretos. Mas mesmo diante deles, o que se vê é a ignorância e objetivamente a rejeição das evidências científicas, principalmente por parte daqueles segmentos que estão lucrando com a destruição das nossas florestas e dos importantes serviços ambientais. Isso prova que para mudar essa situação não basta ter conhecimento científico, mas força política para impor uma agenda governamental que se livre do domínio do agronegócio e das multinacionais que coletam a maior parte do lucro que ele gera.

Há que se notar que no dia 17 de setembro, Paulo Artaxo foi convidado para participar de uma reunião de emergência convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto para discutir o enfrentamento da crise climática no Brasil. Além de Lula, estavam presentes na sala os presidentes das duas casas do Congresso Nacional (Rodrigo Pacheco e Arthur Lira) e do Supremo Tribunal Federal (Luís Roberto Barroso), além do procurador-geral da República (Paulo Gonet), vários ministros de Estado e outras autoridades do mais alto escalão da política nacional.

Vamos ver se essa ida de Artaxo vai resultar em algo prático do ponto de vista das políticas federais que hoje objetivamente financiam a destruição das florestas brasileiras e envenenam nossos rios com agrotóxicos, muitos deles banidos em outras partes do mundo.  E aqui a conta é simples: ou se muda essa equação ou o que se viu em 2024 é apenas um aperitivo do que está por vir.

Sem biblioteca nem psicólogo: a vida nas escolas brasileiras

censo escolar 2023

Por Amanda Gorziza, Pedro Tavares e Renata Buono  para a “Piaui”

Os dados recém-divulgados do Censo Escolar formam um retrato detalhado da educação básica no Brasil. Permitem saber o gênero dos professores, assim como o número de colégios no Sergipe que oferecem tablets aos alunos. Apontam também problemas estruturais ainda não superados. A falta de bibliotecas é um deles: em 2023, só 39% da rede municipal – que concentra a maior parte dos alunos – tinha um cômodo destinado à leitura. Psicólogos só estão presentes em 12% das escolas públicas. E grande parte dos professores do ensino médio não têm formação acadêmica na área que lecionam. O =igualdades traz alguns destaques do Censo. 

O Brasil tem 2,4 milhões de professores escolares, dos quais 1,9 milhão são mulheres. A maioria feminina nas escolas é um dado histórico que pouco tem mudado: desde 2014, a presença de homens entre os professores aumentou só 0,7%. A maioria dos docentes, tanto homens quanto mulheres, são brancos (55%) e têm idades entre 40 e 44 anos (36%).

Nos Estados Unidos, o professor da rede pública precisa ter ao menos diploma de bacharel para poder exercer a função (embora alguns estados, por falta de profissionais, tenham flexibilizado a regra nos últimos anos). No Brasil, o diploma de ensino superior só é exigido de professores que lecionam para os anos finais dos ensinos fundamental e médio. Mas a formação em pedagogia ou a licenciatura em uma disciplina específica são recomendadas a todos os profissionais da educação. No ano passado, 13% dos professores brasileiros não tinham essas qualificações.

Somando todas as redes de ensino, apenas 52% das escolas brasileiras têm biblioteca ou sala de leitura. Nas zonas rurais, onde estão localizadas quase um terço das escolas, o número cai para 26%. O problema é mais agudo na Região Norte.

No ensino médio, o conhecimento repassado aos alunos é mais específico: aprende-se sobre química, física, literatura, sociologia. A qualificação dos professores deveria espelhar isso, mas o Brasil ainda não chegou lá. No ano passado, 24% dos professores do ensino médio tinham concluído o ensino superior, mas não na área em que lecionavam. A pior situação era em sociologia, mas outras disciplinas, como filosofia (41%), seguiam de perto.

Tradicionalmente, professores da rede pública são contratados por meio de concurso. As contratações temporárias são previstas para situações excepcionais – por exemplo, quando um professor titular se ausenta por motivos de saúde e a escola precisa encontrar um substituto provisório. Alguns estados e municípios, no entanto, flexibilizaram a interpretação da lei, fazendo desses contratos o novo padrão. Foi o que aconteceu em Minas Gerais. Contratos temporários custam menos ao Estado, mas oferecem menor estabilidade aos professores. Duram entre um e três anos e não preveem progressão de carreira. A medida é criticada por especialistas em educação, que veem nisso um enfraquecimento do elo entre os professores e a escola.

Tragédias no Brasil e em outros países já acenderam o sinal de alerta para a importância do acompanhamento psicológico nas escolas. Mas, segundo os dados do Censo, pouco foi feito até agora para implementar essa política. A presença de psicólogos na rede pública, é verdade, quase dobrou desde 2019, mas isso se deu em patamares baixíssimos: eles estavam presentes em 7% das escolas, hoje estão em 12%. Há mais nutricionistas do que psicólogos. O estado mais bem posicionado nesse ranking é Santa Catarina, onde 30% das escolas oferecem atendimento psicológico aos alunos.

Quadras esportivas estão presentes em 36% das escolas públicas no Brasil. O Sergipe está abaixo da média. Por outro lado, está muito acima quando o quesito são tablets. Só 16% das escolas públicas no país oferecem esse equipamento tecnológico aos alunos. No Sergipe, o índice é mais que duas vezes maior (41%).


Fonte: Piauí

Relatório internacional pede mais precisão no monitoramento do aumento da temperatura global, limitado a 1,5ºC

Desmatamento da floresta amazônica e outros ecossistemas e produção de petróleo afastam Brasil de metas climáticas, segundo CCAG

bori conteudo

As medições de temperatura global de longo prazo estão falhando em capturar a taxa crescente de aquecimento do planeta. É o que aponta relatório lançado nesta segunda (23), pelo Grupo Consultivo para a Crise Climática (CCAG). Segundo os especialistas, isso mascara a verdadeira extensão e riscos de aumentos ininterruptos da temperatura, que já causam efeitos em comunidades vulneráveis e países, incluindo o Brasil.

O documento vem à tona na Semana do Clima de Nova Iorque (EUA), maior evento global anual sobre mudanças climáticas. Ele faz parte de uma série de análises feitas de forma independente pelo CCAG e divulgadas à imprensa brasileira em primeira mão pela Bori. O grupo reúne 16 especialistas do clima de dez países diferentes, entre eles o Brasil, com a missão de impactar na tomada de decisão sobre a crise climática.

O trabalho pede uma maior precisão nos esforços de monitoramento para limitar o aumento das temperaturas globais em até 1,5ºC. Ele recomenda a ampliação das metas climáticas para incluir os níveis atmosféricos de gases de efeito estufa, que são indicadores críticos em “tempo real” das mudanças climáticas.

Essa avaliação é baseada na análise dos desafios únicos enfrentados pelo Brasil, Gana, Estados Unidos e Índia no contexto da transição energética e crise climática.

No caso brasileiro, o relatório aponta que o país está fora do caminho para a redução de emissões de gases de efeito estufa até 2030, por causa do desmatamento contínuo da floresta amazônica e de outros ecossistemas e do investimento na produção de petróleo. Sem uma ação rápida, segundo os especialistas, o mundo corre o risco de perder um escudo vital contra a crise climática.

Desde a eleição do presidente Lula para o terceiro mandato (2023-2026), o desmatamento na Amazônia foi parcialmente reduzido, mas as taxas aumentaram em outros biomas, como o Cerrado – o que, de acordo com o documento, é um lembrete de que danos continuam a ser causados. A floresta é um importante depósito natural que captura e absorve o carbono.

A produção de petróleo brasileira atinge 3 milhões de barris por dia, colocando o Brasil entre os dez maiores produtores mundiais. Assim, o petróleo acaba representando 44% do consumo total de energia do país – o que impõe desafios para a transição energética, em direção a fontes de energia sustentáveis.

“O Brasil está enfrentando o desafio de apoiar a sua economia e reduzir a pobreza”, avalia a pesquisadora Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB), membro do CCAG. “Forças políticas relevantes estão defendendo o uso de mais receita de exploração de petróleo para fazer isso, ao mesmo tempo que financiam investimentos em energia renovável – mas isso é claramente insustentável”, pontua.

Bustamante comenta que, assim como outros países, o Brasil enfrenta uma crise de custo de vida e deve equilibrar as pressões econômicas e políticas de curto prazo com metas climáticas de longo prazo. “Dada a importância crítica das vastas florestas tropicais do Brasil para a estabilidade climática, é imperativo que o Norte Global forneça suporte eficaz para suavizar o caminho para um futuro sustentável”.

“A trajetória atual de aumento da temperatura global está jogando a humanidade em direção ao desastre”, destaca David King, líder do CCAG. Esse relatório, no entanto, mostra que ainda há o que ser feito para que isso seja evitado.

Nesta linha, o relatório do CCAG traz quatro recomendações para reverter a trajetória climática atual: promover a equidade global por meio de finanças, liderança e colaboração; desvincular o bem-estar do consumo de combustíveis fósseis; acabar com os subsídios aos combustíveis fósseis; e proteger a biodiversidade e as comunidades indígenas, parte crítica da resposta climática global para limitar os aumentos de temperatura. “Um futuro seguro para a humanidade ainda está ao nosso alcance, mas somente se todas as nações tomarem medidas urgentes”, finaliza King.


Fonte: Agência Bori