Em Belém, ministra Luciana Santos anuncia criação do IPCC da Amazônia

Iniciativa é inspirada no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas e deverá reunir dados científicos sobre a Amazônia

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Foto: Luara Baggi

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, anunciou a criação do IPCC da Amazônia, que reunirá informações científicas sobre clima e biodiversidade. Inspirada no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, a iniciativa terá a participação de especialistas e pesquisadores para a consolidação das evidências científicas relacionadas à Amazônia. O anúncio foi feito neste domingo (6) durante seminário científico promovido pela Secretaria de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI nos Diálogos Amazônicos, em Belém (PA).

No evento, a ministra recebeu duas cartas com propostas da comunidade científica para políticas públicas voltadas à pesquisa e desenvolvimento da Amazônia. A presidente da Academia Brasileira de Ciências, Helena Nader, leu o documento em que as entidades cientificas que compõem a Rede Interamericana de Academias de Ciência (IANAS) defendem os esforços de todas as nações para a construção de uma estratégia abrangente para a preservação, conservação, restauração e remediação dos ecossistemas e da biodiversidade da Amazônia.

“Isso inclui uma bioeconomia sustentável baseada em florestas e rios saudáveis, maiores investimentos em pesquisa e educação, e o reforço da governança regional para aprimorar uma gestão justa e sustentável dos recursos naturais, direitos humanos e integridade territorial”, diz o documento.

Outra carta, entregue pelo Painel Científico da Amazônia, reúne sete propostas para a região, entre elas, a criação do IPCC da Amazônia, o programa Pro-Amazônia e o Sistema Cooperativo de Monitoramento do Bioma Amazônia.

“O MCTI quer contribuir ainda mais para que a implementação de políticas públicas em prol da Amazônia gere resultados para as populações que aqui vivem. É por isso que o MCTI vai liderar a iniciativa IPCC Amazônia, já aprovada pelo Presidente Lula. Será um painel que reunirá informações científicas climáticas e também da biodiversidade para gerar relatórios que auxiliem na tomada de decisões políticas e, sobretudo, na mitigação de ações deletérias ao clima e à biodiversidade amazônica”, disse a ministra Luciana Santos.

Segundo ela, a construção de uma agenda científica para a Amazônia é um importante passo em direção à Cúpula da Amazônia, “que será capaz de redesenhar o futuro da região amazônica, dos povos que a habitam e dos países que abrigam essa imensa selva, impactando, positivamente, a vida de todos os habitantes do planeta.”

“Aqui lançamos uma nova dinâmica de colaboração entre os países da OTCA. Este é um marco para que uma nova etapa se inicia”, avaliou o embaixador Antônio Ricarte, representante do Ministério das Relações Exteriores. “A Cúpula da Amazônia é a linha de partida para uma nova Amazônia. Os seminários realizados são contribuições importantes para o desenvolvimento científico com fundamentações políticas para o crescimento e enriquecimento da Amazônia”, acrescentou.
 

Acesse os links e confira as cartas na íntegra.

Carta Ianas

Carta Belém

A megera do Trianon

TRIANON

Por João Vicente Alvarenga*

Não devemos mais de nos estranhanharmos diante dos pequenos e grandes escândalos, protagonizados, sejam por agentes públicos menores ou por anônimos, sem constrangimento ou sem a cara vermelha. O leitor logo logo vai entender sobre o que escrevo. Segunda-feira, 31/07/2023, apresentamos, depois de muitos meses de intensos ensaios, a peça “A Magia do Trianon”, no próprio Novo Ttianon.

Um grande elenco, envolvendo atores, atrizes, cantores, cantoras e uma orquestra (por se tratar de um musical).

As principais lideranças e empreendedoras do evento, as atrizes Neusimar da Hora e Fernanda Gomes incansáveis na coordenação desse magistral evento, que o conduziu com muita competência e responsabilidade.

E o elenco não estava longe desse comportamento.

Todo gestor público traz consigo uma alta carga de cinismo, de exercício sado-masoquista de poder e um forte e perverso instinto de maldade. Em se tratando de gestores de segundo escalão, tudo isso se potencializa ao extremo.

Naquela noite do dia 31/07/2023, o Teatro Trianon se preparou para 2 grandes e importantes eventos: o primeiro foi a merecida homenagem ao ator (in memorian) Kapi, com sua imagem esculpida, transformada em troféu com o qual foram homenageados 18 talentosos artistas do cenário cultural campista. Parabéns a Antônio Filho pela iniciativa; Esse foi o primeiro evento. O segundo, o mais aguardado, era a peça “A Magia do Trianon” que comemorava seus 25 anos. Bailarinos, bailarinas, vedetes, música e muito humor.

Mas como sempre tem quem manifesta o sádico prazer de estragar a festa, fomos testemunhos desse horror. Quem urubuzou a festa? a presidente da FCJOL, cujo nome não será trazido à tona!, porque seu feito foi mesquinho e covarde, ou seja, ela proibiu que Neusimar da Hora e Fernanda Gomes participassem da peça. Decisão de última hora. Um desavergonhado ato de censura de fazer inveja aos censores de qualquer tempo e lugar onde se concentre um regime de exceção.

Duas atrizes fundamentais para o desenvolvimento do espetáculo foram impedidas de realizar seu trabalho. O espetáculo correu o risco de não acontecer se prevalecesse a insistência de também proibir a participação de do bailarino e ator Dudu Guedes. O elenco foi unânime. Sem Dudu, não haverá peça a ser apresentada. Se defendeu o elenco.

Ela então recuou e abriu exceção. Houve o espetáculo, porque Dudu foi mantido no elenco.

Perguntamos: o que tinham essas pessoas em comum para se tornarem presas de uma baleia fora d’água, de uma megerá indomável?

Um país como o nosso, onde o mal feito, a irregularidade, a ilegalidade são o pano de fundo da atividade dos três poderes da República, e do poder executivo, o que significa e de que forma se dimensiona a saudável desobediência civil, atitude nossa conhecida dos tempos da Ditadura Militar.

Quem é a voz que se cala e o corpo que, por incrível que pareça, some e se esconde pra não se mostrar em forma de um bicho de 4 patas, incongruente.

Neusimar da Hora e Fernanda Gomes, pelo fato de serem cargos de confiança da FCJOL foram caluniadas quando divulgou-se que elas estavam na relação dos artistas que receberiam cachê por um trabalho feito honestamente.

A presidente da FCJOL foi a arauto dessa asneirice, quando, ao fim do espetáculo, ela toma o palco, ao meio aos gritos do elenco, e pensando que vai prestar um prestimoso serviço ao Ministério Público Estadual – justificar a ausência das atrizes, o que fez será carregar esse fardo pro resto de sua vida.

Isso sim é indecente e imoral, ou seja, uma representante do executivo municipal, na função de leva-e-traz! Por determinação dessa instância jurídica (MPE), as 2 atrizes estavam fora do palco.


João Vicente Alvarenga é Professor, Mestre em Filosofia, Ator  e Escritor.

A ligação entre agrotóxicos e alterações climáticas é parte de um ciclo vicioso, revela relatório da PAN/UK

Agrotóxicos derivados de combustíveis fósseis são uma fonte significativa, mas negligenciada, de gases de efeito estufa, alertam os ativistas. O uso de agrotóxicos, que inclui inseticidas, herbicidas e fungicidas, aumentou 16,7% em todo o mundo entre 2005 e 2020, de acordo com a Pesticide Action Network UK (PAN UK).climate-change-710x401

Por Danny Halpin, pa.media

O grupo publicou um relatório no qual aponta para um “círculo vicioso” entre o uso de agrotóxicos e as mudanças climáticas, cada um causando mais do outro. Cerca de 99% de todos os produtos químicos sintéticos, incluindo agrotóxicos, são derivados de combustíveis fósseis, com várias empresas petrolíferas como Exxon, Shell e Chevron envolvidas em sua produção, apontou.

Degradação

Fabricação, embalagem, transporte e aplicação de produtos químicos produzem emissões de gases de efeito estufa e agravam as mudanças climáticas, assim como a degradação ambiental que causam, disse a PAN UK.

Ao mesmo tempo, temperaturas mais altas incentivam o uso de mais agrotóxicos, permitindo a disseminação de insetos e doenças de plantas, criando um “ciclo vicioso”, afirma o relatório.

A PAN UK disse que o maior uso de agrotóxicos afetará desproporcionalmente as populações de animais selvagens já sob estresse devido aos efeitos climáticos, como temperaturas mais altas no verão e invernos mais amenos e úmidos. Assim estes organismos se tornarão mais resistentes aos produtos químicos, aumentando ainda mais as aplicações de agrotóxicos.

Os ativistas querem que o governo incorpore a redução de agrotóxicos nos planos climáticos, introduza metas de redução ambiciosas, apoie os agricultores no uso de métodos alternativos para proteger as plantações e proíba o uso deste tipo de substância em áreas urbanas.

Redução 

Josie Cohen, chefe de políticas e campanhas da PAN UK, disse: “O governo precisa urgentemente adotar uma abordagem conjunta para enfrentar a crise climática e da natureza, pois elas andam de mãos dadas. As soluções para essas emergências não devem prejudicar umas às outras.

“A meta de zero líquido do Reino Unido não pode ser alcançada sem transformar a agricultura, incluindo uma grande redução no uso de agrotóxicos, o que também trará enormes benefícios para a natureza e a biodiversidade”, disse ela.

A União Nacional dos Agricultores (NFU) disse que os agricultores só usam agrotóxicos quando precisam, e que sem eles os rendimentos cairiam, os preços para os consumidores aumentariam e que seria necessário usar o dobro da terra para cultivar o mesmo quantidade de comida.

Mas a PAN UK argumentou que a ideia de usar agrotóxicos para garantir a segurança alimentar era um “mito”, tendo em conta que contribuem para as alterações climáticas, que fragilizam a segurança alimentar.

Glifosato

Ele citou o herbicida glifosato – que esteve envolvido em vários casos legais nos EUA por causa de seu suposto impacto na saúde humana – como tendo uma pegada de carbono de 31,29 kg de CO2e para cada quilo fabricado.

Globalmente, a quantidade de glifosato usada em 2014 foi igual a abastecer 6,25 milhões de carros por um ano, afirmou o grupo.

No Reino Unido, o uso de glifosato aumentou 16% nos quatro anos até 2020, segundo  dados do governo . Isso gerou 81.410 toneladas de CO2 e – equivalente a mais de 75.000 voos de Londres a Sydney, disse a PAN UK.

Outros agrotóxicos são gases de efeito estufa, como o fluoreto de enxofre, que é quase 5.000 vezes mais potente que o dióxido de carbono, disse o grupo.

Doug Parr, cientista-chefe e diretor de políticas do Greenpeace do Reino Unido, disse: “A compreensão pública do papel que as empresas de combustíveis fósseis têm desempenhado na condução da emergência climática aumentou enormemente nos últimos anos e agora sabemos que precisamos adicionar a indústria de pesticidas à lista de poluidores climáticos.

“Reduzir o uso de agrotóxicos seria uma vitória dupla na abordagem do declínio da natureza e da crise climática”, acrescentou.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela “Sustainable Pulse” [Aqui!].

Organizações locais alertam para os perigos da exploração de petróleo na foz do rio Amazonas

Atos em Belém do Pará, que acontecem desta sexta-feira até os dias da Cúpula da Amazônia, envolvem performances artísticas, passeata e discussões sobre o impacto da perfuração de poços na região

unnamed (24)Oficina ministrada pela ONG Instituto Mapinguari sobre os riscos da extração de petróleo para a comunidade pesqueira, em Oiapoque (AP). Foto: Instituto Mapinguari

A discussão sobre a preservação ambiental será foco da Cúpula da Amazônia, que acontece em Belém (PA), nos dias 8 e 9 de agosto. Antes e durante o evento, que reunirá governantes e representantes dos países amazônicos, está prevista uma intensa agenda de atividades sobre os riscos da exploração de petróleo na foz do rio Amazonas. A iniciativa, promovida pelo Instituto Mapinguari e pelo Observatório Marajó – organizações não governamentais ligadas à populações da região -, busca alertar para o desastre ambiental que seria provocado por possíveis perfurações no local.

O movimento “Cuide da Amazônia: diga petróleo NÃO!” busca colocar em evidência o impacto social, ambiental e econômico que seria imposto às comunidades ribeirinhas, populações indígenas, campesinas e quilombolas que subsistem a partir da biodiversidade da região.

“Existe muita desinformação e fatos inverídicos sendo usados para contestar a decisão do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) de não autorizar a perfuração solicitada pela Petrobrás, por inconsistências técnicas”, afirma João Meireles (Secretário Executivo) do Observatório Marajó. Alegações que tratam a bacia como o novo pré-sal, o desenvolvimento regional trazido pelos royalties ou ainda a oferta de empregos, iludem a população sobre os “benefícios” imediatos de uma possível extração.

Estima-se (porque não há nenhum estudo conclusivo) que a bacia pode conter cerca de 9 bilhões de barris, menos de 10% do pré-sal. Além disso, é possível afirmar que os royalties e empregos que seriam gerados pela exploração não impulsionariam a economia local. Isso porque, mesmo que haja uma quantidade comercialmente viável de petróleo, esses valores levam, em média, 15 anos para retornar ao local. Em relação aos empregos, os postos criados exigem uma ampla formação técnica e profissionais especializados, que provavelmente viriam de outras localidades.

“A proposta não é impedir o desenvolvimento da região”, explica Flávia Guedes, mobilizadora da frente de bacias hidrográficas e oceanos do Instituto Mapinguari, “mas queremos que sejam respeitados os territórios e as populações de comunidades tradicionais, garantindo a transição para um modelo de matriz energética limpa. Investir neste projeto predatório é uma maneira de não dialogar com as gerações futuras e ir na contramão do mundo”, conclui.

Confira a agenda dos atos planejados para sensibilizar a população e o poder público:

  • 04/08 – performance teatral e bike som | ver-o-peso | 11h
  • 04 a 06/08 – distribuição de materiais | hangar | horário a definir
  • 06/08 – Mesa: “Cadê a Juventude Amazônida nas políticas públicas federais?” | Sala 4 – hangar | das 10h às 12h
  • 06/08 – Coletiva de imprensa | Casa Amazônia | das 11h às 14h
  • 06/08 – Adiar ou acelerar o fim do mundo? A ameaça do petróleo e do gás na Amazônia | UFPA – Sala 308 Mirante do Rio | das 18h às 20h
  • 08/08 – oficina de cartazes | local a definir | horário a definir

Sobre o Instituto Mapinguari

É uma organização que atua desde 2015 apoiando e executando ações de defesa, preservação e conservação do meio ambiente, bem como incentivando a promoção do desenvolvimento sustentável da região. Desde sua fundação, o Instituto busca a consolidação e fortalecimento de Áreas Protegidas. Reconhecendo o papel fundamental das comunidades tradicionais na proteção da biodiversidade e seus territórios, o Instituto tem buscado fortalecer cada vez mais as pessoas que estão na linha de frente da proteção ambiental e na luta pela justiça social e climática.

Sobre o Observatório Marajó

É uma iniciativa da Lute Sem Fronteiras para posicionar o Marajó como território material e simbólico central na construção de um futuro diferente para a realidade amazônica, brasileira e global, atuando de forma estratégica para mudar os números da região, a partir de um movimento social de reapropriação do debate, da política e do futuro enquanto espaços que ainda podem ser disputados e reconstruídos.

Primeira análise global mostra como os agrotóxicos se infiltram no meio ambiente

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Por Sustainable Pulse

Um estudo global publicado narevista Nature  que  analisou a distribuição geográfica de 92 dos agrotóxicos mais usados, descobriu que aproximadamente 70.000 toneladas de produtos químicos potencialmente nocivos vazam para os aquíferos a cada ano, impactando os ecossistemas e os recursos de água doce.

O professor associado Federico Maggi , principal autor do estudo da  Escola de Engenharia Civil da Universidade de Sydney , disse: “Nosso estudo revelou que os agrotóxicos se afastam de sua fonte original. Em muitos casos, esses produtos químicos acabam em um longo caminho a jusante e, muitas vezes, embora em quantidades muito menores, até o oceano”.

O estudo mostrou que cerca de 80% dos agrotóxicos aplicados se degradam em moléculas filhas – ou subprodutos – no solo ao redor das plantações.

“Essa degradação dos agrotóxicos geralmente ocorre como uma ‘cascata’ de moléculas no ambiente circundante, que pode persistir no ambiente por muito tempo e pode ser tão prejudicial quanto a molécula original ou o agrotóxico aplicado. Um desses exemplos é o glifosato. Embora seja altamente degradável, ele se decompõe em uma molécula conhecida como AMPA, altamente persistente e tóxica”, disse o professor associado Maggi.

Embora o estudo tenha descoberto que apenas uma fração dos agrotóxicos entra nos sistemas fluviais após a aplicação no campo, uma vez na água, a maioria dos ingredientes ativos acaba no oceano, com potenciais impactos negativos na vida selvagem marinha e nos recifes de corais. Isso põe em risco a própria base das cadeias alimentares marinhas e de água doce.

“No papel, 0,1 por cento de lixiviação em cursos de água doce pode não parecer muito”, disse o professor associado Maggi. “Mas é preciso apenas uma pequena quantidade de agrotóxicos para ter um impacto negativo no meio ambiente.”

O estudo mostrou que 730 toneladas de agrotóxicos entram nos rios a cada ano, com cerca de 13.000 quilômetros de rios atingindo concentrações químicas acima dos limites de segurança para várias plantas aquáticas e invertebrados, com consequências pouco conhecidas nos ecossistemas dos rios.

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Fiona Tang, professora de engenharia hídrica na Monash University e coautora do artigo, disse: “Só porque não vemos resíduos de agrotóxicos no solo e na água não significa que eles não estejam lá, impactando sistemas críticos em terra, rios e oceanos.”

O co-autor do artigo, Dr. Francesco Tubiello, Estatístico Ambiental Sênior da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, disse: “Devemos adotar urgentemente estratégias de manejo sustentável para promover reduções nas aplicações de campo de agrotóxicos nocivos e estabelecer sistemas para monitorar efetivamente seu uso sob a Agenda de Desenvolvimento Sustentável 2030”.

A equipe de pesquisa usou uma grande coleção de dados geoespaciais publicamente acessíveis para conduzir o estudo.

No entanto, os autores dizem que o artigo é uma estimativa conservadora porque nem todos os agrotóxicos foram incluídos na análise. Eles não analisaram agrotóxicos herdados e usados ​​na aquicultura, residências particulares e espaços públicos, o que significa que o risco de exposição dos ecossistemas e das pessoas a esses produtos químicos pode ser maior.

Na semana passada, o professor associado Maggi foi co-autor de um artigo separado na  Nature Ecology and Evolution  que delineou recomendações para reduzir o uso de agrotóxicos, inclusive pedindo um conjunto confiável de indicadores e monitoramento aprimorado.

Ele e os co-autores do artigo argumentam que as metas para reduzir a poluição por agrotóxicos devem ser focadas na diminuição do risco, incluindo a redução de quantidades e toxicidade, porque alguns organismos correm alto risco de agrotóxicos muito tóxicos, mesmo quando usados ​​em pequenas quantidades.

“É importante que as autoridades nacionais divulguem estatísticas sobre o uso de insumos agrícolas, sejam eles fertilizantes ou agrotóxicos, dado o efeito que têm no meio ambiente e no serviço ecossistêmico”, afirmou.

O professor associado Maggi disse que uma redução global no uso de agrotóxicos, mantendo a segurança alimentar, é possível desde que tais iniciativas sejam concebidas e implementadas em consulta com os produtores de alimentos.

“Globalmente, há muito espaço para aumentar a eficiência e o rendimento, ao mesmo tempo em que se mantém um suprimento abundante de alimentos por meio de novas tecnologias e práticas modernas de gerenciamento de culturas”, disse ele.


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Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela “Sustainable Pulse” [   ].

Governo Lula segue ritmo de Bolsonaro na liberação de agrotóxicos

Maior que todas até aqui em governos do PT – essa liberação pode sugerir apoio tácito à aprovação do Pacote do Veneno e a toda permissividade na entrada de mais agrotóxicos no já inflacionado mercado brasileiro, alerta o pesquisador Marcos Pedlowski

A liberação de agrotóxicos é defendida por ruralistas. Segundo eles, são produtos mais modernos e menos tóxicos. Mas não é verdade, já que as classificações de risco foram rebaixadas pela Anvisa de Bolsonaro
Por Cida Oliveira para a Rede Brasil Atual

São Paulo – Nesses sete meses do terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Ministério da Agricultura mantém o ritmo alucinado de liberação de agrotóxicos. Até meados de julho, foram registrados mais 231 pesticidas, segundo levantamento o jornal Folha de S.Paulo. Esses “novos” produtos, segundo especialistas, são em sua maioria moléculas antigas. Devido a sua elevada toxicidade à saúde e ao meio ambiente, foram banidos em diversos países há décadas. Ou sequer obtiveram o registro.

Essas 231 liberações em tão pouco tempo dão a este terceiro governo Lula um triste recorde. O máximo até então em uma gestão petista foi 202. E isso ao longo do ano de 2008, segundo mandato do presidente. Depois disso, recorde somente com Jair Bolsonaro (PL).

Foi o ex-presidente, aliás, que publicou decreto em outubro de 2021 mudando regras na produção, utilização, importação e exportação no país​. A classificação de risco dos agrotóxicos também foi alterada, rebaixando, na lei, a periculosidade. Como se isso os tornasse menos venenosos. Para completar, limitou os prazo para os registros para atender interesses de fazendeiros aliados. Eles reclamavam que as liberações demoravam até 12 anos.

“O governo precisa puxar para si o debate, que hoje está no varejo de tramitações dispersas em diferentes projetos de leis”, disse à Folha o deputado federal Nilto Tatto (PT), considerando que a questão é estratégica para a saúde, o meio ambiente e a economia como um todo.

Redução do uso de agrotóxicos X incentivos a esses produtos

O parlamentar defende a discussão e aprovação de uma nova legislação, capaz de estimular a redução gradativa do uso de agrotóxicos com o incentivo a insumos, fertilizantes e defensivos de base biológica.

No final do ano passado, quando Lula derrotou Bolsonaro e seu projeto nas urnas, uma comissão especial do Senado, pressionada pelo agronegócio, tentou de tudo para aprovar o chamadoPacote do Veneno. O famoso pacote, que facilita o registro, produção e venda dos agrotóxicos – dificultando, porém, a fiscalização –, já havia sido aprovado na Câmara. Um dos integrantes dessa comissão especial era o então senador Carlos Fávaro (PSD-MT), defensor da liberdade total ao mercado desses produtos, hoje ministro da Agricultura.

A forte presença de especialistas e ativistas em defesa da saúde e do meio ambiente no governo de transição fortaleceu a resistência no Senado. E o pacote, pronto para ir a plenário ainda no final de dezembro, acabou sendo retirado da pauta. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), cedeu às pressões. A tramitação passou a incluir a discussão na Comissão de Meio e Ambiente do Senado, com relatoria do senador Fabiano Contarato (PT-ES). Contrário ao pacote, Contarato está ouvindo as partes envolvidas, segundo sua assessoria.

Responsável pelo Observatório dos Agrotóxicos, o professor e pesquisador Marcos Pedlowski, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), acompanha e denuncia, com preocupação, a continuidade das liberações. Em especial com o que chama de “flagrante contradição resultante das novas definições de risco” adotadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) durante o governo Bolsonaro.

Periculosidade mascarada por mudanças na lei

Dos 232 agrotóxicos liberados em 2023 pelo governo Lula, sublinha o professor da Uenf, apenas cinco produtos foram destacados com gradações diferentes dentro de “altamente tóxico”‘ para saúde humana. Já em relação ao meio ambiente, apenas dois foram catalogados como “altamente perigoso” e 47 “muito perigoso”. “É preciso lembrar que se os mesmos princípios ativos fossem classificados de acordo com a legislação anterior, tais números seriam muito mais altos”, alerta.

Mais: “Ao contrário do que havia sido prometido, Lula está mantendo o nível de aprovações de agrotóxicos semelhante ao que foi praticado por Jair Bolsonaro. E, pior, muito acima do que foi praticado nas gestões anteriores de Lula e e Dilma Rousseff”.

Para piorar, segundo Pedlowski, é que essas liberações todas sugerem um apoio tácito à aprovação do Pacote do Veneno e toda permissividade na entrada de mais agrotóxicos no já inflacionado mercado brasileiro. “A chance é que padrões ainda mais flexíveis sejam transformados em lei”, adverte.


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Este texto foi inicialmente publicado pela Rede Brasil Atual [Aqui!].

Documentário inédito investiga os impactos do consumo excessivo das redes sociais no cérebro

O filme revela que brasileiros ficam, em média, 5 horas e 30 minutos por dia nas telas dos smartphones — mais de um terço do tempo em que estamos acordados

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Em um mundo cada vez mais acelerado, os smartphones se tornaram uma extensão de nós mesmos, proporcionando acesso instantâneo a uma infinidade de conteúdos. As redes sociais, em particular, têm um poder magnético graças aos reforços intermitentes habilmente incorporados em nossas experiências digitais. Para jogar luz sobre o tema, o documentário científico inédito “Dopamina – Os Efeitos das Redes Sociais no Cérebro”, a ser exibido com exclusividade no Curta!, parte de pesquisas e depoimentos com especialistas, e questiona com humor nossos hábitos e comportamentos relacionados aos aplicativos. A direção é de Léo Favier, com produção da ARTE France e da Les Bons Clients.

Laurent Madelain, especialista em comportamento humano, nos explica como esses reforços moldam nossas interações com os aplicativos. “Quando somos recompensados de forma imprevisível, seja com likes, mensagens ou descobertas inesperadas, nosso cérebro entra em um estado de antecipação. A incerteza dessas recompensas cria um loop vicioso, onde nos sentimos compelidos a rolar o feed em busca de mais gratificação”, explica.

Outros especialistas narram que, com o tempo, esse padrão de comportamento se transforma em hábito. A motivação inicial de receber recompensas é substituída pela rotina diária. Ao entrar no metrô ou esperar em uma fila, nosso cérebro automaticamente recorre ao telefone, sem pensar na possível recompensa. É como se a própria situação se tornasse um gatilho para o uso do smartphone.

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No entanto, esse hábito não é impulsionado apenas pelas recompensas imediatas. Mesmo que elas se tornem escassas ou inexistentes, ainda continuamos rolando o feed em busca de algo interessante. Essa busca incessante por estímulos novos e agradáveis é alimentada pela memória de experiências passadas e pela esperança de que algo valioso esteja à espreita nas próximas rolagens.

O resultado é um fenômeno crescente: passamos cada vez mais tempo em nossos smartphones, muitas vezes sem perceber a quantidade de horas que se acumulam ao longo do dia. A produção apresenta dados, revelando que na França e na Alemanha o tempo de tela já chega a 3h30 diárias, um aumento significativo em relação a alguns anos atrás. Nos Estados Unidos, esse número ultrapassa as 4 horas, superando o tempo gasto assistindo televisão. E no Brasil, atinge impressionantes 5h30, mais de um terço do tempo em que estamos acordados.

O documentário também levanta questionamentos no que se refere a essa conexão contínua com nossos dispositivos. “Estamos aproveitando ao máximo nosso tempo de forma produtiva? Ou estamos nos perdendo em um ciclo vicioso de hábitos digitais? É essencial refletirmos sobre nosso uso de smartphones e redes sociais, reconhecendo a importância de estabelecer um equilíbrio saudável entre a tecnologia e o mundo real”, questiona.

Embora as redes sociais proporcionem valiosas conexões e oportunidades, os profissionais entrevistados garantem que é crucial que sejamos mais conscientes sobre nossos comportamentos digitais. Ao estarmos cientes dos efeitos dos reforços intermitentes e dos hábitos que criamos, podemos fazer escolhas mais informadas e construtivas em nosso relacionamento com a tecnologia. Afinal, o poder de moldar nossas experiências digitais está em nossas mãos.

“Dopamina – Os Efeitos das Redes Sociais no Cérebro” pode ser assistido também no Curta!On – Clube de Documentários, disponível na Claro TV+ e em CurtaOn.com.br. Novos assinantes inscritos pelo site têm sete dias de degustação gratuita de todo o conteúdo. 

O documentário tem produção da ARTE France e Les Bons Clients. A estreia é na Sexta da Sociedade, 25 de agosto, às 23h.

Sexta da Sociedade (História Política, Sociologia e Meio Ambiente) – 25/08

23h – “Dopamina – Os Efeitos das Redes Sociais no Cérebro” (Documentário)

Facebook, WhatsApp, Instagram, Tiktok… O que acontece em nosso cérebro para que consultamos compulsivamente esses aplicativos sociais? Bem-vindo ao mundo da dopamina, uma molécula que a indústria de tecnologia sequestrou para melhor capturar nossa atenção e nos tornam cada vez mais viciados. Direção: Léo Favier. Duração: 52 min. Classificação: Livre. Horários alternativos: 26 de agosto, sábado, às 03h e às 16h30; 27 de agosto, domingo, às 22h.

Perigo global: preocupações aumentam com o uso de agrotóxicos no Quênia

kenia pesticidesUm membro do Serviço Nacional da Juventude do Quênia pulveriza agrotóxicos em uma área infestada de gafanhotos do deserto em Lokichar, Condado de Turkana, Quênia. Copyright: FAO/Luis Tato

Muitos quenianos estão morrendo como resultado do uso impróprio de agrotóxicos na agricultura, de acordo com profissionais de alimentos e agricultura.

Os cientistas, que se reuniram para o debate Promoting Food Safety in Kenya: Mitigating Pesticide Risks in Fresh Fruit and Vegetables, organizado pela CABI ( organização matriz da SciDev.Net), mostraram-se preocupados com a entrada de agrotóxicos proibidos no país.

Segundo os pesquisadores, embora os agrotóxicos sejam autorizados e estejam disponíveis para os agricultores, eles podem ser intrinsecamente perigosos se usados ​​incorretamente.

De acordo com um estudo publicado no BMC Public Health, há aproximadamente 385 milhões de casos de envenenamento agudo por agrotóxicos em todo o mundo a cada ano, com 11.000 mortes.

“Pesticidas como o Sevin, usados ​​para controlar ácaros, pulgas, formigas, pulgões, carrapatos e aranhas, contêm carbaril que causa neurotoxicidade, defeitos congênitos e distúrbios de comportamento”, disse.

Brenda Obura, chefe de segurança, alimentos do Ministério da Saúde do Quênia

Brendah Obura, oficial de saúde pública do Ministério da Saúde do Quênia, afirmou que o risco associado à aplicação de agrotóxicos resultou em mortes prematuras ao longo dos anos.

Agrotóxicos como o Diclorodifeniltricloroetano (DDT) e o Lindano, por exemplo, podem persistir no solo e na água por anos, sendo prejudiciais à vida. Eles também se acumulam na cadeia alimentar, disse Obura.

“Agrotóxicos como o Sevin, usado para controlar ácaros, pulgas, formigas, pulgões, carrapatos e aranhas, contêm carbaril que causa neurotoxicidade, defeitos congênitos e distúrbios comportamentais”, disse ela no debate no mês passado (23 de junho ) .

Obura estava preocupado com o fato de os agrotóxicos ainda em uso conterem produtos químicos que nações como o Quênia e outras que ratificaram a Convenção de Estocolmo de 2001 proibiram.

“Gramoxone, usado para controle de ervas daninhas, contém ingredientes como paraquat que podem causar danos aos rins. Embora esses produtos químicos tenham sido proibidos pelo Quênia e outros países, eles ainda estão sendo usados ​​por agricultores no Quênia”, disse Obura.

De acordo com Obura, o governo queniano colabora com outros reguladores e com a equipe de monitoramento de fronteiras para garantir que tudo o que entra no país seja seguro.

Mas Dora Kilalo, professora sênior do departamento de ciência vegetal e proteção de cultivos da Universidade de Nairóbi, no Quênia, diz que o esforço atual do governo queniano pode não ser suficiente porque o uso indevido de agrotóxicos está causando perdas nas colheitas e, mais significativamente, a morte.

Ela fez campanha para aumentar o conhecimento entre os agricultores sobre os perigos dos agrotóxicos e os riscos decorrentes da exposição, principalmente porque os agricultores são o primeiro ponto de contato com estas substâncias.

“Quando possível, use meios naturais para permitir que o ambiente tenha seu efeito”, aconselhou Kilalo aos agricultores. “Bioracionais, controles biológicos e sintéticos devem ser usados ​​apenas como último recurso.”

Yetunde Oyeyiola, professor da Universidade de Tecnologia Ladoke Akintola , instou os formuladores de políticas na África a realizar campanhas de conscientização entre os agricultores sobre o uso correto de agrotóxicos. Ela disse que os formuladores de políticas e líderes na África também devem trazer conscientemente alternativas aos agrotóxicos sintéticos, que são perigosos para o ecossistema e os agricultores.

Wachira Kaguongo, do Conselho Nacional da Batata do Quênia, concordou.

“Como os agricultores sofrem perdas de até 75% devido ao uso indevido e resistência a agrotóxicos, concordo com Oyeyiola que métodos alternativos e de baixo risco de proteção de cultivos devem ser introduzidos”, disse Kaguongo.

MaryLucy Oronje, cientista sênior do CABI, disse que o CABI e seus parceiros desenvolverão um plano de ação centrado na redução dos fatores de risco de agrotóxicoscom base nas recomendações feitas pelas partes interessadas.

Este artigo é apoiado pelo  PlantwisePlus , um programa global liderado pelo CABI para ajudar os países a prever, prevenir e se preparar para ameaças à saúde das plantas – garantindo assim que os agricultores reduzam as perdas de suas safras e produzam a quantidade de alimentos necessária e também melhorem a qualidade dos alimentos cultivados , diante de um clima em mudança. O PlantwisePlus é financiado pelo Escritório de Relações Exteriores, Commonwealth e Desenvolvimento do Reino Unido pela Direção-Geral de Cooperação Internacional da Holanda pela Agência Suíça de Desenvolvimento e Cooperação pela Comissão Européia (DG INTPA) .O CABI é uma organização intergovernamental internacional e agradece o apoio financeiro básico de nossos países membros (e organizações líderes) Consulte http://www. cabi. org/ about-cabi/ who-we-work-with/ key-doors/ para detalhes completos.


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Este artigo foi produzido pela seção de inglês da África Subsaariana do SciDev.Net [Aqui!].

Observatório dos Agrotóxicos: Folha de São Paulo publica matéria confirmando que governo Lula segue ritmo de aprovações de Bolsonaro

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Com algum atraso e uma leve discrepância com o que foi apurado pelo Observatório dos Agrotóxicos do Blog do Pedlowski, o jornal Folha de São Paulo publicou hoje uma matéria assinada pela jornalista  Alexa Salomão que aponta para o ritmo relativamente alto de aprovações de agrotóxicos do governo Lula que se equivale ao que ocorreu durante o período de Jair Bolsonaro.

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Mas segundo a matéria da Folha de São Paulo, mais do que o número de agrotóxicos liberados (ver figura abaixo), o que marca até aqui o processo de aprovação de agrotóxicos pelo ministério da Agricultura comandado pelo ruralista Carlos Fávaro é a manutenção dos ditames do Decreto 10.833/2021 pelo meio do qual o governo Bolsonaro rebaixou gravamente os critérios de liberação destes venenos agrícolas.

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Alexão Salomão notou ainda em sua matéria algo que já vem sendo observado por mim que é a predominância de produtos genéricos ou formulações adaptadas com genéricos, muitos deles já banidos em outras partes do mundo por causa da sua alta toxicidade ambiental e para a saúde humana.

Nesse sentido, Salomão explicitou ainda a flagrante contradição resultante das novas definições de risco adotadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) durante o governo Bolsonaro. É que dos 232 agrotóxicos liberados em 2023 pelo governo Lula,  apenas cinco produtos  foram destacados com gradações diferentes dentro de “altamente tóxico” para saúde humana, enquanto que em relação ao meio ambiente apenas dois foram catalogados como”altamente perigoso”, e 47, “muito perigoso”. É preciso lembrar que se os mesmos princípios ativos fossem classificados de acordo com a legislação anterior,  tais números seriam muito mais altos.

O fato explicitado de forma objetiva por esta matéria é que o governo Lula, ao contrário do que havia sido prometido, está mantendo o nível de aprovações de agrotóxicos semelhante ao que foi praticado por Jair Bolsonaro e, pior, muito acima do que foi praticado nas gestões anteriores de Lula e e Dilma Rousseff. O pior é que estando o Pacote do Veneno em análise no Senado Federal, mantida a posição atual do governo Lula de tacitamente apoiar a entrada de mais agrotóxicos no já inflacionado mercado brasileiro, a chance é de que padrões ainda mais flexíveis sejam transformados em lei.

E tudo isso para quê? À primeira vista para favorecer o despejo de produtos indesejados na Europa e favorecer as demandas cada vez mais intensas pelo uso de agrotóxicos nas monoculturas de exportação como desejam os grandes latifundiários que controlam a produção de grãos no Brasil. Para o resto de nós, o que fica é o aumento exponencial dos riscos decorrentes da exposição direta ou indireta a estes potentes venenos agrícolas.

Sem clima para transição, América Latina insiste em combustíveis fósseis

Países da região investem em óleo e gás, na contramão da meta de limitar o aquecimento global a 1,5 grau Celsius. Mas pelo menos há alguma resistência: sociedade do Equador conseguiu um plebiscito sobre exploração na Amazônia

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Plataforma petrolífera no parque do Yasuni, na Amazônia equatoriana. País terá plebiscito sobre seguir explorando ou não um dos blocos da região. Foto: Rodrigo Buendia/AFP

Por Priscila Pacheco para o Observatório do Clima

Os equatorianos vão às urnas no dia 20 de agosto para votar em presidente, vice-presidente e parlamentares. As eleições antecipadas foram convocadas em maio após Guillermo Lasso, o atual mandatário, dissolver a Assembleia Nacional diante de um processo de impeachment. Na mesma data, os eleitores também vão votar em um plebiscito inédito, que decidirá se a exploração de petróleo numa zona ambientalmente sensível da Amazônia deve ser paralisada.

A realização do plebiscito põe fim a uma reivindicação judicial da sociedade civil que já dura dez anos sobre o Parque Nacional Yasuní, uma joia da biodiversidade amazônica, ocupado por povos indígenas. O caso do parque é apenas um exemplo de como países da América Latina ainda resistem a abrir mão dos combustíveis fósseis. Um argumento recorrente é que a exploração é importante para as economias e a independência energética. Só se esqueceram de combinar com o planeta.

De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), o mundo não poderá autorizar mais nenhum projeto fóssil se quiser ter a chance de manter o aquecimento global em 1,5 graus Celsius, como preconiza o Acordo de Paris. Dos EUA ao mundo árabe, da Noruega à Rússia, todos os grandes produtores de óleo e gás estão ignorando solenemente a agência e aumentando sua produção. Os países da América Latina, com uma exceção, estão mergulhando no mesmo poço.

A região tem a segunda maior reserva de petróleo do mundo (19,5%) e só fica atrás do Oriente Médio (47,8%), de acordo com relatório do Sistema de Informação Energética da América Latina e Caribe (sieLAC). Brasil, Argentina e Guiana são apontados como os países que vão liderar a produção na região. O Brasil, por exemplo, apresenta uma taxa de crescimento de 3,9% entre 2012 e 2022 na produção de óleo cru, segundo o relatório World Energy 2023. A Argentina tem uma taxa de 0,6% no mesmo período. Já a Guiana teve reservas de petróleo descobertas recentemente.

Chantagem

O Equador explora combustíveis fósseis há 51 anos, e a maioria de suas reservas está na Amazônia. O Parque Nacional Yasuní, com 10 mil quilômetros quadrados, fica na região e abriga milhares de espécies de árvores e animais.

No ano 2000, ambientalistas denunciaram petroleiras por estarem causando danos ambientais ao parque. Anos depois, organizações sociais manifestaram preocupação pelo fato de a brasileira Petrobras ter obtido uma licença para explorar um bloco no local – a autorização foi posteriormente suspensa pelo próprio Equador. Em 2019, o povo Waorani conseguiu barrar na Justiça a exploração de um dos blocos de petróleo.

Em 2007, o então presidente, Rafael Correa, apresentou um plano para evitar a extração de petróleo nos campos do Yasuní. A iniciativa consistia em criar um fundo, com o auxílio dos países ricos, no valor de 3,6 milhões de dólares para compensar o país por não explorar a área. O movimento foi visto como chantagem do Equador na COP-13, a Conferência do Clima de Bali, naquele mesmo ano, e a quantia estabelecida não foi alcançada. Em 2013, Correa encerrou o programa com o argumento de que o mundo havia falhado com o país.

A manobra seguinte do presidente foi conseguir uma autorização do Congresso Nacional equatoriano para a exploração na área. “A Constituição [do Equador] proíbe a exploração em parques nacionais, a não ser que seja declarada de interesse nacional. Para isso tem que passar pelo Parlamento, e, no Parlamento, Correa tinha a maioria”, explica Juan Crespo, coordenador de pesquisas na aliança de organizações indígenas Cuencas Sagradas Amazónicas.

Povo Waorani e Membros do Grupo Yasunidos em uma manifestação em Quito contrária à exploração petrolífera no Parque Yasuní. Foto: Rodrigo Buendia/AFP

Diante da reviravolta, surgiu o coletivo Yasunidos, que iniciou uma campanha de assinaturas ainda em 2013 para convocar uma consulta à população a fim de que ela decidisse se um dos blocos do parque poderia ou não ser explorado. Depois de uma série de problemas, entre eles a rejeição das assinaturas pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), a disputa foi parar na Corte Constitucional do Equador. Somente em maio deste ano foi reconhecido o direito de realizar o plebiscito. No meio desse conflito, a extração de petróleo começou em um dos campos do chamado Bloco 43, o Tiputini, em 2016.

Se a maioria dos eleitores responder “sim” para o fim da exploração, a estatal Petroecuador terá um ano para sair do bloco – o quarto maior do país em extração de petróleo e cuja produção representa 15% do total nacional. O Equador, porém, ainda continuará extraindo petróleo de outros blocos. Mesmo assim, Crespo acredita que a suspensão da exploração será uma grande vitória. “O fato de haver um país, por menor que seja, que pode conseguir isso em um processo democrático, o que para mim é muito simbólico, acho que pode estimular a replicação de alguma forma em outros países”, diz.

Ilan Zugman, diretor para a América Latina da organização ambiental 350.org, ressalta a força de um movimento popular para conseguir realizar o plebiscito, mas observa que uma mudança mais robusta em relação aos combustíveis fósseis vai depender de quem for eleito presidente do Equador.

A Amazônia brasileira em risco

A saga da Amazônia não está restrita ao Equador. No Brasil, a carioca Eneva, uma operadora privada de gás natural, inaugurou, em setembro de 2021, a Unidade de Tratamento de Gás Azulão, entre as cidades de Silves e Itapiranga, no Amazonas. A área está próxima de terras do povo Mura. O cacique Jonas Mura relatou ao site InfoAmazonia que os animais para caça e peixes começaram a fugir após o início das atividades da empresa.

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), órgão do governo estadual, liberou a licença de instalação para a Eneva em 2019. A de operação veio em 2021. No entanto, o Estudo de Impacto Ambiental (EIA), documento essencial para o processo de licenciamento, é de 2013 e foi feito pela Petrobras, antiga dona do campo. Em maio último, a Justiça Federal do Amazonas havia suspendido as licenças por causa de denúncias sobre falhas no licenciamento e falta de consulta a indígenas. Poucos dias depois, porém, a empresa conseguiu reverter a liminar para voltar a operar.

Longe dali, mas ainda na Amazônia, a encrenca é com a Petrobras. Em maio, o Ibama negou uma licença ambiental à empresa para procurar petróleo na bacia da foz do Amazonas, no litoral do Amapá. O parecer técnico que embasou a decisão da entidade mostra que o estudo apresentado pela Petrobras não constatou todos os impactos ambientais do empreendimento, não contemplou a mitigação adequada de possíveis consequências do vazamento de óleo sobre a fauna marinha e não previu ações de monitoramento da costa. A chamada margem equatorial, que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte e é vista como uma nova fronteira para a exploração de petróleo, tem atiçado a ambição do Brasil de elevar sua posição no ranking dos maiores produtores de combustíveis fósseis do mundo – o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG), quer que o país salte da nona para a quarta posição. No Plano Estratégico 2023-2027 da Petrobras estão previstos 64 bilhões de dólares para exploração e produção, dos quais 3 bilhões de dólares se destinam à margem equatorial. Silveira diz que a região pode ser o novo pré-sal e que não tem sentido a Guiana estar atraindo investimentos e riquezas enquanto o Brasil fica parado.

A Guiana, citada pelo ministro de Minas e Energia, teve, em 2015, reservas descobertas pela americana ExxonMobil que contam com 11 bilhões de barris e podem colocar o país entre os maiores produtores do mundo. A exploração ainda é exclusiva da Exxon, mas em junho a canadense CGX Energy anunciou ter descoberto mais petróleo em águas profundas guianenses. Além disso, a Guiana vai leiloar blocos exploratórios, o que deve aumentar o número de empresas na região. A Petrobras não descarta a possibilidade de participar do leilão caso não consiga a licença para explorar o bloco 59 da margem equatorial.

De olho na vizinhança, a Petrobras estuda retomar investimentos na Venezuela, dona das maiores reservas de gás e petróleo da América Latina. A estatal brasileira também tem a intenção de voltar a investir na Bolívia para obter gás natural, já que a produção do país tem caído tanto que em 2015 o então presidente, Evo Morales, aprovou um decreto que permite sua exploração em áreas de proteção ambiental. Em abril, sob o comando do presidente Luís Arce, a Bolívia anunciou um plano de investimento para a execução de 18 projetos de exploração de combustíveis fósseis, o que inclui a extração de petróleo em áreas que estão localizadas na Amazônia.

“A Bolívia tem decidido ampliar a sua fronteira petroleira e flexibilizar normas ambientais e sociais. Além disso, tem incluído a Amazônia como zona de exploração”, lamenta Jorge Campanini, pesquisador do Centro de Documentação e Informação da Bolívia (Cedib), que destaca o fato de o país não ter projetos efetivos para a transição energética. Campanini lembra que a Bolívia deve perder mais mercado por causa das grandes reservas em Vaca Muerta, na vizinha Argentina.

Fraturando a Patagônia

Argentina: área de resíduos tóxicos derivados de fracking, técnica que injeta químicos no solo para a retirada de combustível. Foto: Greenpeace

Vaca Muerta é uma formação geológica que ocupa áreas nas províncias de La Pampa, Mendoza, Rio Negro e Neuquén, na Patagônia. Conforme o governo argentino, é a segunda maior reserva do mundo de gás e a quarta de petróleo não convencionais, chamados assim porque o combustível está alojado em pequenos poros de rochas, em vez de em um reservatório, o que impede que a extração seja feita por perfuração. O governo diz que o gás fóssil dessa região garantirá aos argentinos “energia abundante e limpa”, além de afirmar que está mudando a realidade energética do país.

Para explorar as reservas de Vaca Muerta, é preciso recorrer ao fraturamento hidráulico, ou fracking, técnica que consiste na injeção de grandes quantidades de água, areia e químicos para romper a rocha e fazer com que o combustível chegue à superfície. “O fracking precisa de mais energia que o método de extração convencional”, explica Juan Antonio Acacio, pesquisador no Instituto de Pesquisas em Humanidades e Ciências Sociais da Universidade Nacional de La Plata.

O maior esforço do governo argentino, diz Acacio, tem sido promover a ideia de que o gás natural é importante para a transição. O Plano Nacional de Transição Energética para 2030, publicado em maio pelo governo, reforça o uso do gás natural como fonte de energia. Decretos de 2020 e 2022 também são favoráveis a esse combustível.

O Peru usa o mesmo argumento para finalizar as obras do Sistema Integrado de Transporte de Gás. Um relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) publicado em 2021, porém, mostra que é falha a tese segundo a qual o gás natural poderia ser uma ponte para a transição porque sua combustão emite menos gás carbônico que a do carvão. A expansão do fornecimento de gás pode atrasar a descarbonização, segundo o relatório, já que o vazamento de metano durante sua produção costuma ser subestimado. Apesar de sua quantidade na atmosfera ser pequena em comparação com a de CO2, o metano é 28 vezes mais poderoso na retenção de calor.

Em julho de 2023, a Argentina inaugurou o primeiro trecho de um gasoduto para transportar a produção de Vaca Muerta – o Brasil pode vir a ser um financiador do segundo trecho. “Mais do que pensar em gasoduto, seria bom pensar em políticas regionais para a transição energética”, opina Acacio. Outro país interessado em bancar o projeto é a China.

‘Autossuficiência’ para poluir

O México é outro país que trabalha para a manutenção da indústria de combustíveis fósseis. “Não há plano de médio e longo prazo para reduzir e retirar os combustíveis da economia. A prioridade do governo tem sido reduzir as importações de combustíveis fósseis”, comenta o mexicano José Maria Valenzuela, pesquisador no Instituto de Ciência, Inovação e Sociedade, da Universidade de Oxford, na Inglaterra.

O presidente Andrés Manuel López Obrador exaltou, numa entrevista em março, o “resgate da indústria petroleira” para a construção de um caminho para a autossuficiência energética. O México é o segundo maior produtor de petróleo da América Latina, mas importa quase 80% do combustível. O plano da gestão de López Obrador é aumentar a produção e transformá-la em gasolina e diesel dentro do próprio país até 2024. Para cumprir o projeto, o governo reabilitou seis refinarias, comprou a Deer Park, nos Estados Unidos, e construiu uma refinaria em Dos Bocas, no estado de Tabasco.

Perfuração de petróleo em águas profundas no México, a 100 Quilômetros da costa do estado de Veracruz. Foto: Prometeo Lucero/Greenpeace

Para Sandra Letícia Guzmán Luna, fundadora e diretora do Grupo de Financiamento Climático para América Latina e Caribe (GFLAC), o país poderia investir em uma transição energética, mas prefere manter uma fonte contaminante. “Há possibilidade de investimento, mas isso só acontecerá quando tivermos uma visão de longo prazo e entendermos a complexidade da crise climática, que esse governo simplesmente não entende”, diz.

A empresa que lidera os projetos do governo é a estatal Petróleos Mexicanos (Pemex), uma instituição suscetível a acidentes. A última tragédia ocorreu em 7 de julho, quando uma plataforma de gás natural onde havia mais de 300 trabalhadores explodiu em Campeche. Ao menos dois morreram e cinco foram feridos.

Apesar de o governo investir para que a Pemex domine a indústria de combustíveis fósseis, petroleiras internacionais continuam com contratos no país. A italiana Eni, por exemplo, que está no México desde 2006, anunciou em março a descoberta de uma reserva em águas profundas da bacia do Sureste com estimativa de ter 200 milhões de barris de petróleo.

Já a canadense TC Energy está planejando a construção de um gasoduto com 770 quilômetros que irá do Texas, nos EUA, a Veracruz, no México. O país é o maior importador de gás natural dos Estados Unidos e com esse novo gasoduto a expectativa é que as importações aumentem 40%.

Outra aposta do México é o carvão mineral, o combustível fóssil mais poluente. Apesar de não ser o maior produtor de carvão da América Latina, o México foi o maior emissor de CO2 no ano passado pelo fato de usá-lo, segundo o relatório World Energy 2023. Em 2020, a Comissão Federal de Eletricidade (CFE) anunciou que até o fim de 2021 compraria 2 milhões de toneladas de carvão principalmente de micro e pequenos produtores. Em 2022, a CFE disse que a aquisição de carvão havia sido um sucesso e que ampliaria o programa até 2024.

A CFE exalta o sucesso do programa, mas não relata os problemas. Em agosto do ano passado, dez trabalhadores morreram ao ficar presos em uma mina localizada em Sabinas, no estado de Coahuila. Eles trabalhavam em um poço a 60 metros de profundidade quando um jato de água subterrânea amoleceu as paredes. Outros cinco foram resgatados e sobreviveram.

Familiares dos dez trabalhadores que morreram presos em uma mina localizada em Sabinas, no México. Foto: Pedro Pardo/AFP

O México é o 14º maior emissor do planeta, com 1,35% do total. No entanto, isso não isenta o país de mudar sua matriz energética. Para Valenzuela, o México precisa ter uma política efetiva para não expandir o setor de combustíveis fósseis e o carvão poderia ser o primeiro a ser eliminado por responder por menos de 10% da matriz energética. “Priorizar os investimentos em outros setores faz com que esse vá ficando menor”, afirma.

Petro na contramão do negacionismo

Gustavo Petro assumiu a Presidência da Colômbia em agosto de 2022 com um discurso ambientalista. Em fevereiro, o presidente apresentou um Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) com destaque para o meio ambiente em que uma das propostas era não permitir novas concessões para a exploração de carvão em grande escala e a céu aberto. A medida, entretanto, foi considerada frágil por ambientalistas porque manteria as concessões em vigor. Mesmo aguada, ela foi derrubada pelo Congresso. Apesar das críticas, o plano tem artigos que incentivam o desenvolvimento da bioeconomia, a diversificação produtiva em distritos mineiros e investimentos em hidrogênio verde, além de outras ações para diminuir as emissões de gases poluentes.

O presidente colombiano também conseguiu que o Senado aprovasse um projeto de lei contra o fracking, mas enfrenta a oposição de senadores. O uso da técnica foi paralisado pela Ecopetrol, empresa colombiana cujo maior acionista é o governo, ainda em setembro do ano passado por causa da discussão sobre o projeto de lei. A empresa também não está extraindo combustível com fracking em operações fora do país.

Mina de carvão na Colômbia; país é dos poucos no subcontinente em que o presidente, Gustavo Petro, tem discurso ambientalista e em defesa da transição energética. Foto: Tenenhaus

Petro continua crítico ao carvão e ressaltou em um discurso em junho que a expansão desse combustível fóssil não tem sentido econômico nem ambiental. Álvaro Pardo, presidente da Agência Nacional de Mineração, já havia destacado que a Colômbia quer superar a dependência econômica dos combustíveis fósseis e fazer uma transição energética socialmente justa, cobrando ajuda internacional.

Cobrança essa que vem sendo repetida por Petro: no início do ano, ele provocou os países ricos ao propor que dívidas externas fossem trocadas por serviços ambientais efetivos para enfrentar a emergência climática e em junho elesugeriu a criação de um fundo financeiro internacional para o combate às mudanças climáticas. Há ainda o plano de a Colômbia participar de uma aliançaem que países fazem doações ou empréstimos para que outros avancem na transição energética.

“Ainda não há muitas coisas concretas, mas estamos vendo o esforço [da Colômbia]. Está indo além do discurso. Tem coisas que estão acontecendo, mas no tempo do país”, diz Ilan Zugman, o diretor para a América Latina da 350.org, destacando que o desafio da Colômbia é grande, pois a economia do país ainda é muito dependente dos combustíveis fósseis. Por fim, Petro pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que refletisse sobre a exploração de combustíveis fósseis naAmazôniaem um encontro no início de julho de 2023 em Leticia, cidade colombiana na fronteira com o Brasil. “Vamos deixar que os hidrocarbonetos sejam explorados na selva amazônica?”, perguntou. Lula desconversou.


Revisão ortográfica (português): Elvira Gago
Tradução para o espanhol: Julieta Sueldo Boedo
Tradução para o inglês: Sarah J. Johnson
Edição de fotografia: Mariana Greif
Montagem da página: Érica Saboya

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Este texto foi originalmente publicado pelo Jornal Sumaúma [Aqui!].