IAgora: inteligência artificial e alienação

Aquilo que a IA acessa em seu banco de dados não é a inteligência artificial, mas o conjunto de saberes e experiências humanas objetivadas, distanciadas de seus criadores e que voltam a ele como uma força hostil que os ameaça. Em outras palavras, aliena-se

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Por Mauro Iasi para o Blog da Boitempo

“O cérebro eletrônico comanda
Manda e desmanda
Ele é quem manda
Mas ele não anda”

Gilberto Gil (Cérebro eletrônico, 1969)

Em uma brilhante charge, que infelizmente não sei quem é o autor, vemos uma pessoa perguntado a outra se ela se preocupa com o avanço da inteligência artificial e o outro responde que não, que se preocupa mais com o retrocesso da inteligência natural.

Não foram poucas as reações diante de aplicativos que prometem textos sobre qualquer assunto, desenhos criativos, fotos forjadas, debates sobre o sentido da vida ou da filosofia ou da sociologia ou da arte culinária, poemas e letras de música, tudo isso diante de um mero comando e certos indicativos daquilo que se deseja. Expoentes das empresas lançaram uma carta manifesto contra os perigos da IA e pediram um tempo, não se sabe se para poder entrar na concorrência ou pensar nas dimensões supostamente éticas de tal desenvolvimento tecnológico.

Outros mais pragmáticos lançaram livros, como por exemplo um que apresenta um manual de como escrever romances de sucesso usando o famoso aplicativo, não sabemos se escrito por aquele que se denomina autor ou pelo aplicativo. De qualquer maneira, estranhamente apresentado na forma impressa, naquilo que os mais antigos chamariam de “livro”. Neste pequeno manual se afirma que o pretendente a autor deve oferecer ao aplicativo um tema, protagonistas e personagens, uma linha de desenvolvimento da trama e outras dicas para que a inteligência artificial escreva por ele o romance.

Duas coisas nos chamam a atenção de pronto. Em primeiro lugar, o fato de as buscas e pesquisas sobre inteligência artificial já terem uma história bastante antiga, provavelmente nos anos 1950, despertando eufóricas esperanças e dúvidas éticas desde sempre. Aristóteles, desde a longínqua Antiguidade, já ironizava que se os instrumentos pudessem se mover sozinhos não seriam necessários escravos, evidentemente para, diante do absurdo de tal premissa, justificar a escravidão como necessária e natural. Hannah Arendt, diante dos avanços tecnológicos presenciados nos anos 1950, atualiza a premissa de seu mestre, agora não como ironia, mas como base para a sombria previsão que em poucos anos as fábricas se esvaziariam e a condição humana se veria diante do dilema catastrófico de uma sociedade fundada no trabalho que elimina o emprego.

A segunda ordem de reflexão nos remete a um mito ainda mais antigo, que marca a sociedade moderna. Refiro-me aqui ao receio de que as obras humanas fujam ao controle e se voltem contra seus criadores. Este medo atávico se apresenta de forma recorrente, tal como se expressa no clássico Frankenstein: o Prometeu moderno (1818) de Mary Shelley, no também clássico desespero de Mickey Mouse tentando controlar vassouras que colocou em movimento para evitar seu trabalho no filme da Disney, Fantasia (1940), sem nos esquecermos da premissa fundamental da saga Matrix (1999, 2003 e 2021), em que as máquinas substituíram os seres humanos (Animatrix, 2003).

No caso de Mary Shelley, não por acaso filha da filósofa feminista Mary Wollstonecraft, quando de uma estadia chuvosa com seus amigos divertindo-se no Lago de Genebra, contando histórias de terror e discutindo os estudos de Eramus Darwin (cientista e poeta do século XVIII, avô de Charles Darwin), que afirmava ter movido matéria morta por meio da eletricidade, teve a ideia de um conto que acabou tornando-se o famoso romance sobre Frankenstein. Sobre a ideia, a autora afirmou um tempo depois que seria “terrível, extremamente assustador o efeito de qualquer esforço humano na simulação do estupendo mecanismo do Criador do mundo”.

No entanto, tudo que a humanidade tem feito até hoje no desenvolvimento da tecnologia pode ser descrito como a sina de Prometeu, o subtítulo da obra de Shelley. Ele, diz a lenda, ficou encarregado pelos deuses de criar o homem a partir do barro (no qual observamos que a terceirização e o plágio são coisas antigas), mas acabou roubando o fogo dos deuses para oferecer aos homens e por tal crime foi condenado a ficar preso em um rochedo tendo seu fígado devorado e recriado para ser devorado novamente por abutres.

O ser humano é um ser que faz instrumentos para complementar sua anatomia natural precária, compensando seus dentes retos, a falta de garras e força, com machados de pedra, flechas e lanças. Para tanto, lança mão de duas características naturais da espécie: os polegares opositores e um telencéfalo altamente desenvolvido. Com isso desenvolveu, como afirma Marx, uma atividade exclusiva do gênero humano: o trabalho. Para o pensador alemão, o trabalho exige a capacidade teleológica, isto é, a incrível capacidade de antever o resultado desejado em seu cérebro, interessantemente a raiz do nome Prometeu (aquele que vê antes).

O cérebro humano tem a capacidade armazenar informações e associá-las, quando necessário, por isso pode responder às necessidades usando sua experiência anterior e sua habilidade com as mãos criando instrumentos e técnicas diversas.

O que faz a chamada Inteligência Artificial? Em princípio, ela busca informações e as associa de acordo com a necessidade de responder a algo ou alguém. Este seria o aspecto da inteligência, o caráter artificial é que ela não busca isso usando um cérebro que armazena pessoalmente experiências, ela busca em um banco de dados previamente alimentado de informações por meio de circuitos e algoritmos.

O grande salto desta ferramenta, dizem os especialistas, é que em comparação com as formas computacionais anteriores, que também buscavam dados e os associavam para executar tarefas,  elas podem (ou mais precisamente estão se desenvolvendo para tanto) aprender. Em outras palavras, acumular “experiências” que possam ser usadas em outras situações. A grande dificuldade neste campo, segundo ainda aqueles que entendem do assunto e que diferem de uma malta de palpitadores, é que os computadores não erram e o erro é um caminho importante da inteligência.

Existe uma sintonia muito fina na ação humana, que faz com que pela experiência a ação seja corrigida e assim aperfeiçoada, guardando-a na memória e aplicando quando exigida. Um cientista pesquisador da IA fez um teste interessante. Ele jogava uma bola para uma pessoa. Alterando aleatoriamente e com movimentos pequenos a trajetória da bola, a pessoa rapidamente conseguia pegá-la, corrigindo a posição das mãos e do seu corpo. Já para a máquina, isto implica em uma série de comandos pré-programados e a capacidade ver que a bola está vindo alguns milímetros para um lado ou outro, que não podem ser antecipados, isto é, a maquina tinha que aprender. Bom, é isso que o desenvolvimento da IA busca. Interessante notar que todo desenvolvimento da técnica foi para fazer o que nós como humanos não poderíamos fazer, mas agora seria para fazer aquilo que só nós como humanos fazemos. Estranho.

Mas, por que isto deveria nos assustar? Certamente existe uma série de funções muito úteis para este desenvolvimento tecnológico, desde controle de tráfego aéreo até pedir para a caixinha de som tocar sua música predileta.

Em sua bela cnação da década de 1960, Gilberto Gil procura destacar o que o distingue do cérebro eletrônico. Já no início da música, diz o querido Gil que o cérebro eletrônico “faz quase tudo, mas ele é mudo” e logo depois, em outra parte da letra, afirma que ele “comanda, manda e desmanda”, mas ele “ não anda”. Ora, hoje podemos dizer que a Alexa e alguns robôs estão aí para provar que falam e andam. Parece que alguns aplicativos podem estabelecer até uma interessante conversa sobre se deus existe ou juntar todas as informações disponíveis sobre o tema da morte e talvez oferecer reflexões pertinentes ou simulações de conforto espiritual para avançarmos em nosso caminho inevitável para a morte.

O receio atualizado, fiel à premissa de Arendt, é que tal capacidade venha a substituir os seres humanos. Já aparecem listas de profissões que estarão extintas com a generalização da IA, que incluem atendentes de telemarketing e de atendimento ao cliente, sociólogos, fotógrafos, jornalistas, tradutores, pesquisadores, analistas de dados, assistentes jurídicos, terapeutas e psicólogos, educadores físicos, nutricionistas, entre outras. A previsão, no caso de pesquisadores, é de um ano. Achei interessante que os filósofos não constam na lista, talvez por já serem considerados extintos.

Vamos com calma. Algumas chamadas profissões devem ser mesmo extintas, primeiro pelo fato de que não são profissões, como telemarketing ou serviços de atendimento ao cliente (previsão para desaparecerem de seis meses a um ano – acho muito), trabalhos extremamente precarizados que não oferecem nenhuma perspectiva profissional. Em segundo lugar, pelo fato de que algumas atividades são degradantes e emburrecedoras, por isso seria melhor que fossem relegadas a instrumentos ou algoritmos (que, diga-se logo, precisam melhorar muito – só quem sofreu com os autoatendimentos burros sabe do que se trata).

O que me chama a atenção é que o temor se fundamenta em uma total incompreensão do trabalho humano, reduzido a uma mera tarefa. Seria demais pedir que lessem Marx, mas já ajudaria ver a distinção realizada pela conservadora Hannah Arendt em seu livro sobre a condição humana entre labor e trabalho. O temor é uma expressão de nossos tempos de decadência, mas como tal é uma expressão fidedigna da materialidade miserável em que nos encontramos.

Se os instrumentos, além da mecanização de tarefas, desenvolverem a capacidade de guardar dados, relacioná-los para responder questões, aprenderem e serem capazes de simular experiência e memória, resta algo que parece ser desconsiderado: a intencionalidade. Em outras palavras o porquê de fazer tudo isso.

A resposta é que vivemos em tempos de subordinação real da vida e, portanto, do humano ao capital e ao processo de valorização do valor. Como tal, no auge da reificação na qual o humano se coisifica e as coisas se fetichizam. O lugar do ser humano na atividade do trabalho não se reduz a coisa na qual objetiva seu ser, nela está a intencionalidade e o fim último da coisa no consumo da substância última do  ser objeto, que é a satisfação de uma necessidade do corpo ou do espírito.

Pensando na perspectiva humana, nós seriamos o início e o fim de tal processo, mas subsumidos ao domínio do capital e do valor, nos tornamos meios do processo de valorização no qual a intencionalidade e o fim último é o capital e seu movimento de valorização. O capital é o sujeito e nós os meios de sua realização.

Aquilo que a IA acessa em seu banco de dados não é a inteligência artificial, mas o conjunto de saberes e experiências humanas objetivadas, distanciadas de seus criadores e que voltam a ele como uma força hostil que os ameaça. Em outras palavras, aliena-se. Aquilo que acessa não é mais que um instrumento que foi feito por seres humanos que nele se objetivaram e igualmente se alienaram. Tanto o instrumento tecnológico como o conjunto de dados é produto da inteligência humana que fica escondida em seu produto estranhado. Por precisão terminológica, a sigla IA deveria significar Inteligência Alienada.

O cérebro eletrônico agora fala e anda, pode discutir se deus existe ou o sentido da morte, pode até sistematizar um texto coerente sobre a teoria social marxiana e a possibilidade de uma revolução social, pode até assumir o comando e nos considerar obsoletos, inúteis e nos destruir como em O Exterminador do Futuro (1984) ou em 2001: uma odisseia no espaço (1968), quem sabe. No entanto, o sujeito desta ameaça não é a tecnologia, mas uma classe que transformou os meios necessários à vida em mercadorias e estas em veículos de valor e mais valor. O capital é a força estranhada que pode decidir se vivemos ou morremos, se produziremos vida ou morte. Por trás do capital existe uma classe que tem por interesse manter o processo de acumulação: a grande burguesia monopolista.

Há, ainda, um último elemento neste processo de alienação, aquilo que Marx e depois Lukács chamaram de “decadência ideológica”. Se a tecnologia é uma objetivação da inteligência humana, foi também um meio de desenvolvê-la. Agora, sob o invólucro das relações que constituem a sociedade do capital no máximo de seu desenvolvimento, ela se transforma em seu contrário, passa a constituir uma barreira para o desenvolvimento do saber humano. A ingenuidade decadente imagina um conjunto de dados e um instrumentos de busca, ambos isentos de interesses e valores, mas o simples uso de uma ferramenta de busca demonstra a falácia de tal neutralidade objetiva.

Um aplicativo pode fazer um texto adequado sobre os fundamentos da sociologia e seus três autores fundantes – Marx, Durkheim e Weber –, mas o preguiçoso aluno apreenderá algo ao pedir que a máquina faça seu trabalho? Graças ao aplicativo, até um imbecil pode escrever um romance, mas continuará um imbecil. Há uma diferença entre associar palavras dispersas e dar a isto um formato de um texto ou uma imitação de produção intelectual, porque esta implica a intencionalidade e a subjetividade do autor que ao contribuir com o saber coletivo engrandece a si mesmo. Subsumido à ordem da mercadoria e do capital, como dizia Marx, quanto mais o trabalhador realiza a mercadoria, mais se desrrealiza.

No caso sobre o qual nos debruçamos, o preguiçoso e suposto autor que só pede que a máquina reúna os dados existentes e previamente armazenados, sem acrescentar nada nem ao conhecimento coletivo nem a ele próprio: um algoritmo pode escrever um texto, mas nunca escrevera O Capital, pode escrever um romance, mas nunca escreverá As vinhas da ira. Pode. Pode juntar palavras belas em uma métrica perfeita, mas nunca será Maiakóvski, pode fazer uma música mas nunca poderá ser Caetano Veloso. E se um dia, por uma hipótese absurda o fizer, será para que enquanto máquina possa ser aquilo que nós, enquanto humanos, abdicamos de ser.

Sabe Gil… permita-me mexer em seus versos:

Nosso caminho não precisa ser para a morte
Porque somos vivos
Somos muito vivos e sabemos
Que cérebro eletrônico nenhum nos dá socorro
Com seus botões de plástico e seus olhos de vidro


Quais são os impactos das tecnologias em nossa sociedade? Que consequências enfrentamos com a concentração das principais ferramentas tecnológicas que regem a vida de milhões de pessoas no domínio de um punhado de empresas estadunidenses? De que maneira é possível relacionar algoritmos a racismo, misoginia e outras formas de violência e opressão?

Em Colonialismo digital: por uma crítica hacker-fanoniana, Deivison Faustino e Walter Lippold entrelaçam tecnologia e ciências humanas, apresentando um debate provocador sobre diferentes assuntos de nossa era. Inteligência artificial, internet das coisas, soberania digital, racismo algorítmico, big data, indústrias 4.0 e 5.0, segurança digital, software livre e valor da informação são alguns dos temas abordados.

A obra se inicia com um debate histórico e conceitual sobre o dilema das redes e a atualidade do colonialismo para, em seguida, discutir as expressões “colonialismo digital” e “racismo algorítmico”. Ao fim, apresenta uma reflexão sobre os possíveis caminhos a seguir, partindo das encruzilhadas teóricas e políticas entre o hacktivismo anticapitalista e o pensamento antirracista radical. Para discutir a relação dialética entre tecnologia, dominação e desigualdade e propor pautas fundamentais a movimentos sociais, os autores dispõem, ao longo da obra, da contribuição de intelectuais como Frantz Fanon, Karl Marx, Julian Assange, Shoshana Zuboff, Byung-Chul Han, Marcos Dantas, entre outros.

A edição conta, ainda, com a colaboração de referências no debate nacional: a apresentação é de Sergio Amadeu, especialista em software livre e inclusão digital no Brasil; e o texto de orelha é deTarcízio Silva, pesquisador e um dos maiores nomes do hacktivismo brasileiro.

Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB.


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Este texto foi originalmente publicado pelo Blog da Boitempo [Aqui!].

Amazônia tem alta de 65% na área queimada de janeiro a abril

La Niña mais ameno pode ter contribuído para aumento, avaliam pesquisadores; acumulado foi divulgado pelo Monitor do Fogo nesta terça-feira (16)

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A Amazônia registrou alta de 65% na área queimada de janeiro a abril de 2023 em comparação com os quatro primeiros meses do ano anterior. O bioma teve 1,3 milhões de hectares atingidos pelo fogo, ou 91% de tudo o que queimou no Brasil no período. Divulgados nesta terça-feira, 16, os dados são do Monitor do Fogo, iniciativa do MapBiomas em parceria com o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

Acesse o boletim mensal com os destaques de abril e do quadrimestre.

Pesquisadores avaliam que uma fase mais amena do evento climático La Niña, direcionada para o fim do fenômeno neste ano, seria, ao menos em parte, a explicação para os números elevados.

“Um dos fatores que pode ter contribuído para o aumento está relacionado à transição do La Niña, que durou três anos, para uma condição de neutralidade. O La Niña traz mais umidade para a Amazônia, o que dificulta a propagação do fogo. No entanto, é importante ressaltar que a relação entre esse fenômeno e a ocorrência de queimadas também pode ser influenciada por atividades humanas, práticas agrícolas, e políticas de prevenção e controle de incêndios, por exemplo”, diz Felipe Martenexen, pesquisador no IPAM.

Foco em Roraima

O fogo se concentrou em Roraima: o estado teve 72% de tudo o que queimou no país de janeiro a abril. Foram 1 milhão de hectares atingidos, 95% a mais que o registrado no mesmo período do ano passado. Mato Grosso e Pará vêm na sequência, com 113 mil hectares e 81 mil hectares queimados. Os três estados somaram 85% da área queimada no Brasil nos quatro meses.

Os municípios Normandia, Pacaraima e Boa Vista, todos em Roraima, tiveram a maior área queimada: 331 mil hectares, 245 mil hectares e 140 mil hectares, respectivamente.

“Em particular, a região do lavrado de Roraima representou cerca de 93% da área queimada no estado nesse período. O lavrado é caracterizado por campos abertos e vegetação rasteira, composta principalmente por gramíneas e arbustos, sendo mais adaptado ao uso do fogo. Nessa região, muitas plantas dependem do fogo para a liberação de sementes e remoção de competidores”, explica o pesquisador.

Brasil e Cerrado

O Brasil teve 1,4 milhões de hectares queimados de janeiro a abril, uma área 48% maior do que a registrada no mesmo período de 2022. De tudo o que queimou, 71% era vegetação nativa e 7,5% eram pastagens de uso agropecuário.

Segundo bioma mais queimado, o Cerrado teve 86 mil hectares atingidos pelo fogo, ou 7% da área queimada do país no período. É um aumento de 10% em relação a 2022. Metade do fogo, 43 mil hectares, ocorreu em abril.

“O bioma Cerrado apresenta os maiores índices de chuva nos primeiros meses do ano, o que resulta em menor área queimada. As queimas prescritas são realizadas durante esse período como parte da estratégia de prevenção de incêndios florestais do MIF, o Manejo Integrado do Fogo”, acrescenta Vera Laísa Arruda, pesquisadora no IPAM.

UFRJ promove evento sobre “produção intelectual na universidade e ChatGPT”

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A Câmara Técnica de Ética em Pesquisa (CTEP), instância consultiva do Conselho de Ensino para Graduados (CEPG) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), associada à Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2), convida a comunidade universitária para uma discussão sobre “Produção intelectual na universidade e Chat GPT: Novos tempos para a integridade acadêmica”.

O evento será realizado no dia 25 de maio de 2023, das 15:30 às 18h, em formato virtual (link para inscrição ao final desta mensagem). Haverá interpretação de libras.

Detalhes de acesso serão disponibilizados por e-mail no dia 24 de maio, um dia antes do evento.

O tema é de amplo interesse público e, no âmbito da produção intelectual na universidade, são inúmeras as oportunidades e desafios que incluem questões de natureza autoral e de integridade acadêmica de amplo interesse na comunidade universitária. Este evento explorará algumas dessas oportunidades e desafios nas atividades de ensino e pesquisa na graduação e na pós-graduação.

A PR-2 e a PR-1 estimulam a participação, especialmente de docentes e discentes.

Segue a programação:

  • “Produção intelectual na universidade e Chat GPT: Novos tempos para a integridade acadêmica” [25 de maio 2023 – 15:30-18h]
    Abertura (15 min) – Profa. Denise Freire (IQ/CCMN) – Pró-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2); Prof. Marcelo de Pádula (FF/CCS) – Pró-Reitor de Graduação (PR-1); Profa. Sonia Vasconcelos (IBqM/CCS) – Coordenadora da CTEP
    Apresentação dos palestrantes (5 min)
  • Apresentação 1 (30 min) – Prof. Jesús Mena-Chalco – Centro de Matemática Computação e Cognição (CMCC); Escritório de Integridade em Pesquisa da UFABC – Universidade Federal do ABC (UFABC)
  • Apresentação 2 (30 min) – Prof. Renan Almeida – Programa de Engenharia Biomédica da COPPE/UFRJ; Membro da Subcâmara de Integridade em Pesquisa da CTEP/UFRJ (Vice-Coordenador)
  • Sessão de Debates com a Audiência (60 min) – Moderadores: Profa. Sandra Becker (Instituto de Relações Internacionais e Defesa/CCJE); Profa. Bianca Ortiz (Decania/CCS/UFRJ); Profa. Mariana Boechat (Decania/CCS/UFRJ); Ariane Roder (COPPEAD) – Superintendente Acadêmica de Pesquisa (PR-2)
  • Considerações Finais (10 min) – Prof. Edson Watanabe (PEE/COPPE)

Inscrições: (15 a 23 de maio de 2023): Aqui

Haverá Certificado de Participação – que deverá ser solicitado pelos participantes no final do evento. 

Petrobras muda política de preços dos combustíveis e FUP diz que o “pesadelo chegou ao fim”

Em quase sete anos de PPI, o gás de cozinha aumentou 223,8%, na refinaria, custando R$ 108, em média, no Brasil, para o consumidor. Antes do PPI, o botijão era R$ 55

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Rio de Janeiro, 16 de maio de 2023 – “Depois de quase sete anos assombrando o povo brasileiro, o pesadelo chega ao fim. Um dia para ser comemorado”, disse o coordenador- geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, aplaudindo o anúncio feito nesta terça-feira, 16, pelo presidente da Petrobrás, Jean Paul Prates, de nova estratégia comercial de preços dos combustíveis, em substituição ao mecanismo de preço de paridade de importação (PPI), implementado em 2016 por Michel Temer e mantido por Jair Bolsonaro.

“O governo Lula abrasileirando o preço dos combustíveis, conforme promessa de campanha. Com a nova política, o Brasil terá gás de cozinha, gasolina e diesel mais baratos, pois os custos nacionais de produção, em reais, entrarão na composição dos preços”, destaca Bacelar.

Ele explica que, com a nova política, o brasileiro deixa de pagar pelos combustíveis como se fossem importados, pois a Petrobrás, agora, não considera, apenas, a cotação do petróleo no mercado internacional e do dólar, e nem os custos de importação. “Afinal, o Brasil é autossuficiente na produção de petróleo, a Petrobrás tem grande parque de refino e utiliza majoritariamente petróleo nacional que ela mesma produz. Assim, com a nova política, reduz-se também a volatilidade de preços ao consumidor”, diz o dirigente da FUP.

A FUP e seus sindicatos lutam desde 2016 para derrubar o PPI, que promoveu no mercado interno repasses automáticos de aumentos de preços internacionais do petróleo, variação cambial e de custos de importação. Uma política que garantiu mega lucros à Petrobras e dividendos recordes a acionistas, em detrimento de investimentos.

Durante a vigência do PPI, de 15 de outubro de 2016 até hoje, 16 de maio, o preço do botijão de gás de cozinha de 13 quilos (GLP), na refinaria (produto mais demandado pela população de baixa renda), variou 223,8%, registrando 34 altas e 14 baixas. Enquanto isso, o barril do petróleo (em R$) subiu 61,9% no período e a inflação medida pelo IPCA/IBGE acumulou 36,6%. No mesmo período, a gasolina variou 112,7%, e o diesel, 121,5%, segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese/subseção FUP), com base em dados da Petrobrás.

Antes da existência do PPI, entre janeiro de 2003 e 14 de outubro de 2016, o preço do GLP acumulou alta de 15,5%, com dois reajustes em treze anos – período no qual o barril do petróleo no mercado internacional, também convertido em Reais (R$), variou 95,2%.

“O gás de cozinha, para o consumidor, custava em média R$ 55,35 no Brasil, um dia antes da implantação do PPI, em outubro de 2016. O litro da gasolina era vendido a R$ 3,65. O diesel custava R$ 3,00”, lembra Bacelar. Hoje, segundo pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o gás está em R$ 108,13, a gasolina em R$ 5,52 e o diesel em R$ 5,65.

Aluna da Unisinos faz descoberta rara na micropaleontologia

Novo gênero de microcrinóide foi descoberto durante triagem no ittt Oceaneon

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Bruna Poatskievick tem 27 anos e é estudante da graduação em Geologia da Unisinos Crédito: Arquivo pessoal

Uma aluna do curso de graduação em Geologia da Unisinos descobriu um novo gênero de microcrinóide, espécie que é parente dos atuais lírios-do-mar, mas em miniatura. O achado pode não chamar atenção da população em geral, mas é um fato marcante para a micropaleontologia. Estima-se que o Sergipecrinus reticulatus tenha vivido há cerca de 114 a 112 milhões de anos. A nova espécie recebeu esse nome por ter sido encontrada em uma rocha vinda do estado de Sergipe e ser a primeira deste gênero biológico.

A estudante da Graduação em Geologia, Bruna Poatskievick, de 27 anos, também triadora do itt Oceaneon, descobriu o fóssil durante a triagem — processo de separação dos microfósseis do restante do sedimento. Feito de forma manual, com um pincel, o método é feito com muita delicadeza, para não danificar nem perder o fóssil. O achado foi publicado no volume 145 da revista Cretaceous Research, especializada em pesquisas sobre o período Cretáceo.

Lírios-do-mar são crinóides e pertencem à classe Crinoidea do filo Echinodermata. Exclusivamente marinhos, esses animais podem viver em diversas profundidades nos oceanos de todo o planeta. Embora exista, no registro geológico, uma grande biodiversidade neste grupo, hoje, apenas algumas centenas de espécies são conhecidas.

Ao encontrar o Sergipecrinus, Bruna relata que, imediatamente, o microfóssil chamou a atenção pelo formato de estrela. “Esse fóssil contém muitas partes que podem ser desarticuladas — quando isso acontece, ele pode se perder e quebrar. Para entender, uma das pecinhas corresponde a um indivíduo — é como se encontrássemos várias ossadas humanas com crânios, assim, saberíamos que cada um corresponde a um indivíduo diferente. Dei a sorte de encontrá-los em uma preservação muito boa e de conseguir recuperar muitos indivíduos iguais. Assim, conseguimos classificar um novo gênero e espécie”, destaca a estudante.

O animal foi encontrado na Bacia de Sergipe-Alagoas, pioneira na produção de petróleo no Brasil. “A bioestratigrafia é um método de datação de rochas a partir dos microfósseis encontrados nelas — e isso contribui para identificar as idades das camadas de petróleo do ponto de vista geológico, uma vez que cada microfóssil existe em um período específico. No momento da perfuração de poços, isso faz toda a diferença porque, como o maquinário é muito caro, quanto mais rápido for o processo, melhor, e saber em qual idade geológica estamos é fundamental”, destaca Bruna.

Para identificar e nomear o bichinho, a estudante contou com o auxílio de Andy Gale, professor britânico de Geologia da Universidade de Portsmouth.

Os microcrinóides do tipo Roveacrinidae são originários do período Albiano (113 milhões de anos atrás). O Sergipecrinus data do período anterior, o Aptiano — de 125 até cerca de 113 milhões de anos –, mostrando que os Roveacrinidae são mais antigos do que se esperava.

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Alerta ao vice-prefeito: sonhos de reeleição poderão esbarrar no avanço da miséria extrema em Campos dos Goytacazes

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O normalmente pragmático vice-prefeito de Campos dos Goytacazes, Frederico Paes, parece ter sido picado pela mosca azul

Li em algum lugar uma previsão do vice-prefeito Frederico Paes de que o seu chefe (ou seria o contrário?), Wladimir Garotinho se encaminha para uma vitória em primeiro turno nas eleições municipais de 2024.

Pois bem, esse tipo de avaliação precoce já levou a muitos erros e tropeços na política, inclusive aqui mesmo em Campos dos Goytacazes. Basta lembrar quando o então candidato situacionista Geraldo Pudim perdeu uma eleição que o seu grupo político considerava ganha para Carlos Alberto Campista.

A verdade é que em política há sempre ter muito cuidado para que o otimismo exagerado não seja considerado soberba. Mas isso é só uma observação básica, pois existem outras considerações a serem feitas, especialmente um município em que a extrema miséria não para de crescer (aliás, cresce em ritmo exponencial).

É que o crescimento da miséria extrema sinaliza de forma enfática que, apesar de toda a propaganda oficial, o atual governo não age para elevar a condição de vida dos mais pobres. E, pior, com suas políticas que servem para a continuidade de um padrão que contribui para o avanço da miséria extrema serve como uma luva para os interesses daqueles que sempre beneficiaram dos ciclos virtuosos das finanças municipais.

Por outro lado, o atual deserto de candidatos viáveis para serem uma oposição eleitoral ao prefeito Wladimir Garotinho me parece meramente circunstancial, pois na guerra e na paz há sempre que se combinar antes com os russos. E eu vejo pelo menos uma possível candidatura que tem todo o potencial de mobilizar a juventude e segmentos populares campistas que é a da jovem professora Natália Soares do PSOL.  Para enxergar este potencial asta verificar o crescimento consistente da sua capacidade de angariar votos nas últimas eleições e mque participou com orçamentos bastante modestos. Se o PSOL não cair na besteira de lançá-la candidata a vereadora, ela tem tudo para exercer uma pressão real sobre as chances de reeleição de Wladimir Garotinho. E isso ssrá fato, mesmo se levando em conta a deficiente estrutura partidária e de cabos eleitorais que caracterizou as últimas participações eleitorais do partido em todo o Brasil.

Assim, alguém precisa avisar ao vice-prefeito Frederico Paes que há que se tomar muito cuidado com avaliações hiper otimistas para não se acabar no colo com mais um vexame como o que destruiu a carreira política de Geraldo Pudim (isto sem falar da surra implacável que Chicão Oliveira levou de Rafael Diniz).

Falo isso porque como ando mais pelas ruas do que em gabinetes refrigerados como faz Frederico Paz, e posso garantir que há mais razões para cuidado do que para certeza de vitória. Finalmente, como Frederico Paes parece entusiasmado com repetidas visitas de delegações chinesas, há que se lembrar do velho ditado que diz que “quem tem olho grande não entra na China”. Simples assim!

Desmatamento faz Cerrado perder duas vezes a área da cidade do Rio de Janeiro no início de 2023

Quatro primeiros meses do ano registraram aumento de 35% em relação ao ano passado; Abril registrou desmate de 69 mil hectares

Desmatamento-no-Cerrado

O desmatamento do Cerrado ultrapassou 69 mil hectares em abril de 2023. Esse número representa um aumento de 36% em relação a abril do ano passado, quando foram registrados quase 51 mil hectares desmatados, segundo dados detectados e confirmados pelo SAD Cerrado (Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado) divulgados nesta sexta-feira.

Dados de abril confirmam a tendência de aumento registrada no início de 2023. Os primeiros quatro meses do ano totalizaram cerca de 257,3 mil hectares desmatados, mais que o dobro da área da cidade do Rio de Janeiro. Números representam um aumento de quase 35% em relação ao registrado nos primeiros quatro meses do ano passado. Os estados da Bahia, Tocantins, Maranhão e Piauí responderam por volta de 69% do desmatamento do Cerrado nesse período, com cerca de 177,8 mil hectares derrubados.
 

Pesquisadoras do SAD alertam para a influência do período de chuvas nas imagens de satélite e que os desmatamentos confirmados em abril podem ter ocorrido em outros meses de 2023, em áreas cobertas por nuvens nos meses anteriores. Regiões do sul do Maranhão, como o municípios de Balsas, e do Tocantins são especialmente afetadas pelo fenômeno.

“A alta cobertura de nuvens nas imagens de satélite por sensores ópticos durante a época de chuva é um grande desafio para o monitoramento do desmatamento nesta época. Os alertas detectados neste último mês não necessariamente ocorreram no mês de abril, mas podem ter ocorrido em qualquer momento desde o início da época chuvosa. Além disso, o SAD Cerrado preza por confirmar o desmatamento mapeado antes de se tornar um alerta, o que pode gerar um atraso na detecção de novas áreas desmatadas. Apesar desses fatores, o mês de abril teve um aumento significativo em relação ao mesmo período do ano passado, o que indica uma possível tendência de aumento do desmatamento no Cerrado. Esse aumento só poderá ser de fato confirmado nos próximos meses”, aponta a pesquisadora do IPAM, Fernanda Ribeiro.

A pesquisadora também destaca que a chegada da estação seca traz também uma menor cobertura de nuvens, além de um clima mais propício para o desmate de novas áreas. Juntos, esses fatores podem contribuir para números ainda maiores para o desmatamento do Cerrado, que costuma atingir seu ponto mais crítico nos meses de junho, julho e agosto.

“Durante o mês de abril, que é o começo da transição para a época de seca, já foi possível detectar novas áreas desmatadas que antes estavam possivelmente cobertas por nuvens. É esperado que esse número de alertas aumente durante a época de seca, principalmente entre junho e agosto, devido às condições climáticas favoráveis nas imagens de satélite e também ao calendário agrícola, que tem mais atividade nessa época do ano.”

Municípios

Líderes do ranking em março, municípios do oeste da Bahia seguem liderando a lista de municípios que mais desmataram. Em abril, foram confirmados 3,9 mil hectares de Cerrado desmatado em São Desidério, número 5 vezes maior do que o registrado no município em abril de 2022.

“É muito preocupante esse aumento constante e acelerado do desmatamento no oeste da Bahia. Essa é uma região onde houve uma rápida expansão do setor agropecuário, resultando em uma baixa cobertura de vegetação nativa nos dias de hoje. Essa supressão da vegetação nativa impacta não somente o meio ambiente e a biodiversidade, como também a própria produção agrícola e a população local através da disponibilidade hídrica, que está diretamente relacionada com o desmatamento. Além disso, a maior parte da vegetação nativa remanescente na região está localizada em propriedades privadas. Por isso, é necessário um fortalecimento das políticas públicas de combate ao desmatamento e de restrição de uso do solo, além de um maior incentivo à conservação em áreas privadas.”

Área afetada por desmatamento na região de São Desidério (BA). Imagens ©Planet Scope

Sobre o SAD Cerrado

O Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado é um sistema de monitoramento mensal e automático utilizando imagens de satélites ópticos do sensor Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia. O SAD Cerrado é uma ferramenta analítica que fornece alertas de supressão de vegetação nativa para todo o bioma, trazendo informações sobre desmatamento no Cerrado desde agosto de 2020.

A confirmação de um alerta de desmatamento é realizada a partir da identificação de ao menos dois registros da mesma área em datas diferentes, com intervalo mínimo de dois meses entre as imagens de satélite. A metodologia é detalhada no site do SAD Cerrado.

Relatórios de alertas para o mês de abril e períodos anteriores estão disponíveis neste link. No painel interativo, é possível selecionar estados, municípios, categorias fundiárias e o intervalo temporal para análise.

O objetivo do sistema é fornecer alertas de desmatamentos maiores de 1 hectare, atualizados mês a mês. Pesquisadores entendem que o SAD Cerrado pode se constituir como uma ferramenta complementar a outros sistemas de alerta de desmatamento no bioma, como o DETER Cerrado, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), otimizando o processo de detecção em contextos visualmente complexos.

Acesse os dados georreferenciados clicando aqui.

Investigação de universidade canadense conclui que proeminente biólogo de aranhas fabricou e falsificou dados

Co-autores de artigos agora retratados de Jonathan Pruitt receberam descobertas resumidas de que o cientista violou a política de integridade de pesquisa da McMaster University

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O ex-ecologista comportamental da McMaster University, Jonathan Pruitt, falsificou e fabricou dados, de acordo com o resumo de uma investigação fornecida aos coautores. Photo: Kara Holsopple / The Allegheny Front

Por Claudia Lopez Lloreda

A McMaster University finalmente divulgou os resultados de sua investigação sobre alegações de fraude de dados pelo ecologista comportamental Jonathan Pruitt, descobrindo que o outrora amplamente celebrado cientista se envolveu na “fabricação e falsificação” de dados. A universidade canadense anunciou a notícia em um comunicado hoje , depois de compartilhá-la recentemente com co-autores em alguns dos artigos agora retratados de Pruitt.

A McMaster University disse à Science há 2 anos que sua investigação, conduzida por um Comitê de Audiências, foi concluída e que Pruitt estava deixando a escola após um acordo. Mas, para frustração da comunidade ecológica, na época não detalhou publicamente nenhuma descoberta sobre má conduta. Agora diz que o comitê descobriu que Pruitt “geralmente falhou em atender aos requisitos esperados de um professor titular sob a [Política de Integridade de Pesquisa da universidade] ao conduzir pesquisas”.

“Não acredito que [a universidade] esteja realmente dizendo isso publicamente”, diz Kate Laskowski, co-autora de três artigos com Pruitt que foram especificamente abordados na declaração da McMaster University hoje. “É um grande alívio que eles chamem de fabricação, e falsificação de falsificação. Eles não protegeram suas apostas.” (Laskowski twittou sobre a revelação ontem e Retraction Watch foi o primeiro a relatar o e-mail da escola.)

Laskowski diz que ouviu os representantes da McMaster University pela última vez quando eles a informaram em julho de 2022 que a escola havia feito um acordo com Pruitt para rescindir seu cargo. “Achei que era o fim, nunca pensei que ouviria mais nada”, diz ela.

Laskowski foi uma das primeiras a levantar questões sobre o trabalho de Pruitt. Em janeiro de 2020, ela anunciou no Twitter que estava se retratando de um artigo do qual era a primeira autora e Pruitt coautor. “Havia um número inesperado de valores duplicados que eu nunca havia notado antes”, ela compartilhou, explicando que, como Pruitt também não conseguiu explicar as anomalias nos dados, suas descobertas – sobre o comportamento social das formigas – não foram suportadas. por dados.

Dois outros artigos que Laskowski co-escreveu com Pruitt seriam retratados, e isso também levou ao escrutínio de muitos dos outros co-autores do cientista. Até o momento, 15 artigos de Pruitt foram retratados nos últimos 3 anos.

Após uma série de descobertas de alto nível no início de sua carreira, Pruitt recebeu o prestigioso título de Canada 150 Research Chair em 2018. Mas quando a investigação da McMaster sobre o que ficou conhecido como #PruittGate terminou, ele  foi colocado  em licença e eventualmente renunciou ao cargo .  

Em resposta ao Science Insider hoje, Pruitt se recusou a comentar sobre a investigação da McMaster University. “Estarei disponível para conversar no outono, quando meu primeiro livro for lançado”, eles responderam.

Quando as acusações contra Pruitt surgiram pela primeira vez há 3 anos, muitos jornais inicialmente esperaram que a McMaster University conduzisse sua investigação, particularmente à luz das cartas dos advogados de Pruitt instando-os a não retratar imediatamente nenhum documento . Mas uma vez que alguns editores obtiveram os dados originais para os jornais e viram que a investigação da universidade levaria tempo, os editores foram em frente e decidiram retratar os artigos de Pruitt por conta própria.

“Tornou-se óbvio que poderia demorar muito até que a decisão viesse da McMaster”, diz Susan Healy, que era editora executiva da revista Animal Behavior , que publicou e subseqüentemente retirou três dos artigos de Pruitt. Healy sugere que a McMaster University pode ter precisado de tempo para fazer uma investigação completa em um grande conjunto de artigos. Mas ela acrescenta: “Decidimos, em última análise, que poderíamos tomar as decisões sem eles”. A Animal Behavior, na qual Healy agora supervisiona a ética editorial, ainda não foi contatada diretamente pela McMaster University sobre as conclusões de sua investigação.

As descobertas resumidas da McMaster abrangem oito artigos de Pruitt e concluem que ele fez duplicação de dados e manutenção inadequada de registros. A evidência apresentada à universidade nos três artigos em coautoria com Laskowski “estabeleceu que os dados e sequências de dados foram duplicados em todos os três artigos”, concluiu o Comitê, acrescentando que também estava “satisfeito com as evidências no sentido que o Dr. Pruitt se envolveu na fabricação e falsificação a respeito de se as aranhas foram coletadas para o estudo realizado, sobre quais aranhas foram usadas, e se os ensaios foram conduzidos para apoiar a publicação dos artigos”. O Comitê também disse que “não há explicações estatísticas ou biológicas para os tipos de duplicação observados em outros dois artigos investigados”. 

Lena Grinsted, co-autora de Pruitt em três artigos, também compartilhou ontem no Twitter um aviso por e-mail da McMaster University dizendo que descobriu que Pruitt também fabricou dados nesses artigos, o mais recente dos quais foi retratado pela Nature . “Foi realmente uma jornada dolorosa para todos os envolvidos”, tuitou Grinsted, bióloga evolutiva da Universidade de Portsmouth . “Espero que todos nós tenhamos aprendido algumas lições valiosas com tudo isso.”

Alguns editores de periódicos dizem que a conclusão oficial de má conduta da McMaster não mudará muito em termos de investigações e retratações. “A maioria dos periódicos que estavam prestando atenção já faziam isso”, diz Daniel Bolnick, um biólogo evolutivo da Universidade de Connecticut, co-autor de alguns artigos de Pruitt e editor-chefe do The American Naturalist. Assim que o escândalo estourou, ele começou a investigar todos os artigos de Pruitt publicados na revista.

“Minha perspectiva como editor era: ‘Acredito nas conclusões biológicas?’ E a resposta foi não”, diz Bolnick. Mas se isso foi devido à fabricação de dados ou incompetência, era mais difícil para ele discernir, então ele deixou esse julgamento para a McMaster. “Eles claramente voltaram com a conclusão de que era fabricação e falsificação”, diz Bolnick.

Laskowski acha que isso pode ajudar outros co-autores a limpar o registro com periódicos. Também sinaliza para ela e outros o fechamento de um calvário de 3 anos. Ela costuma dar uma palestra sobre integridade de dados que inclui sua história e geralmente termina dizendo que a comunidade ecológica acredita que Pruitt fabricou dados. “Agora, posso atualizá-lo e dizer ‘Aqui está o fim’.”


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Este texto artigo escrito originalmente em inglês foi publicado pela Science [Aqui! ].

Rigoni e Rodrigo Agostinho são ‘despachantes das grandes empresas poluidoras’

Campanha Nem Um Poço a Mais repudia Licença de Instalação dada ao Porto Central pelo Ibama, com apoio da Seama

rigoni agostinho

Assembleia Legislativa/Câmara dos Deputados

Por Fernanda Couzemenco para o “Século Diário”

“Rodrigo Agostinho e Felipe Rigoni, vocês são despachantes das grandes empresas que ignoram seu papel em defesa do Meio Ambiente, dos povos tradicionais, da pesca tradicional, da sociobiodiversidade, do destino do planeta, ou são presidente do Ibama e Secretário de Meio Ambiente do Estado do Espírito Santo?”

A provocação é feita em nota de repúdio publicada nesta sexta-feira (12) pela Campanha Nem Um Poço a Mais, reagindo à notícia da liberação, pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Licença de Instalação (LI) para o Porto Central, em Presidente Kennedy, sul do Estado, com “lobby da Seama” para a consolidação do empreendimento.

“Entendemos que não há viabilidade de coexistência possível entre o empreendimento, as comunidades e a preservação do meio ambiente. Dizemos não à instalação do Porto Central e cobramos responsabilidade e comprometimento com a população capixaba e com a preservação do meio ambiente por parte do Governo do Espírito Santo, Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Seama) e Ibama”, afirma a Campanha.

A nota será encaminhada para o governador Renato Casagrande (PSB), a Seama, o Ibama, o deputado Gandini (PSB), presidente da Comissão de Proteção ao Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, e para o senador Fabiano Contarato (PT), da Frente Parlamentar Ambiental do Congresso Nacional.

A Campanha denuncia uma série de incoerências no processo de licenciamento em relação aos impactos sociais e ambientais que a construção e operação do empreendimento irão provocar na região. Entre eles, o desmatamento de quase mil hectares de vegetação nativa, protegida por lei; e os prejuízos para a pesca artesanal e outras comunidades tradicionais, sem cumprimento da consulta prévia, livre e informada, prevista na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que garante aos povos originários e comunidades tradicionais o direito à Consulta prévia, livre e informada.

Especificamente sobre a pesca artesanal, um fato que chama atenção é a invisibilização das comunidades ribeirinhas do rio Itabapoana, que somente agora, com a liberação da LI, é que serão caracterizadas. “É um absurdo. Os estudos até agora, o EIA-Rima [Estudo e Relatório de Impacto Ambiental], não contemplam os ribeirinhos”, repudia o professor do Instituto Federal Fluminense (IFF) em Bom Jesus do Itabapoana Carlos Freitas, vice-coordenador da ONG Reflorestamento e Ecodesenvolvimento do Itabapoana (Redi).

“Eles iriam se instalar como se não existissem essas comunidades. É o maior absurdo! O Porto vai aterrar parte dos alagados onde essas comunidades moram. O bota-fora da areia da restinga onde vai ser feito o canal para o mar entrar, possivelmente, vai ser jogado na parte de trás do porto, nos alagados do Itabapoana”, descreve.

Um canal como o que vai ser construído para o Porto Central, “é uma ferida que se faz dentro da restinga”, metaforiza. Ferida que fragiliza a capacidade da restinga proteger os alagados onde vivem as comunidades ribeirinhas, seja pela modificação da dinâmica da maré, que influencia o ambiente fluvial, seja pela salinização das águas do rio e alagados. “E há também as comunidades pesqueiras do norte do Rio de Janeiro, que não foram incluídas ainda”, acrescenta.

Rosilene Miliotti

A inclusão tardia dos ribeirinhos, pontua o ambientalista, só aconteceu por pressão da Colônia de Pesca Z-14, de Presidente Kennedy. E mesmo a pesca marinha, também foi subestimada e demorou para ser de fato contemplada nos estudos. “No início diziam que praticamente não havia pesca artesanal em Presidente Kennedy e que, por isso, o porto não iria impactar a atividade”, recorda.

Carlos Freitas ressalva, no entanto, que a caracterização dos ribeirinhos, que agora se inicia, não é garantia de atendimento de suas necessidades. “Eles [técnicos contratados pelo Porto Central para a caracterização] afirmam que o canal só vai começar em 2029, então a negociação com as comunidades só será iniciada nessa fase. As comunidades vão ficar por anos apreensivas, vendo as mudanças acontecendo, mas só poderão negociar compensações e reparação em 2029! Os advogados da Colônia estão tentando mudar isso também”, informa.

Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)

Outro ponto ressaltado na nota de repúdio da Campanha e testemunhado pela Redi é em relação à vulnerabilidade das mulheres e moças, em função da chegada de uma multidão de trabalhadores para a construção do porto. Os casos de assédios e verdadeiras epidemias de gestações de jovens que se tornam mães solos após a saída dos trabalhadores do local, com o fim das obras, são recorrentes em todas as experiências pretéritas semelhantes, em todo o país. Tanto, que o Rima do Porto Central tem tópicos específicos sobre o tema.

A forma como o assunto é abordado, no entanto, está longe de sanar os reais problemas, avalia o vice-coordenador da Redi. A inconsistência ficou explícita durante uma reunião em que ele participou no final de abril, em São Francisco de Itabapoana, no norte fluminense. 

“Não avisam a gente das reuniões, sempre chegando na surpresa. Eu assisti a apresentação de um relatório de atividades, onde constavam muitas palestras sobre prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) para estudantes. Perguntei se além de palestras sobre o assunto, se haveria também investimento em política pública, para apoiar os municípios nesse trabalho, e responderam que não era responsabilidade deles. Como se fazer palestras fosse o suficiente para evitar essa tragédia, que já vimos acontecer em tantos lugares”.

No Rima, é possível encontrar dois impactos sociais que abordam a questão: “Interferência no cotidiano da população” e “Agravamento de problemas sociais”. Para o primeiro, as medidas mitigadoras estabelecidas são “estabelecer normas de conduta à mão de obra contratada no que se refere ao relacionamento com os moradores e seu comportamento em áreas públicas e estabelecimentos”; “Aplicar programa sobre DSTs e seus efeitos à mão de obra contratada e população”; e “Fazer o acompanhamento de incômodos aos moradores decorrentes da presença de pessoas estranhas ao local pelo PMS [Programa de Monitoramento Socioeconômico]”.

Sobre o segundo, o Rima diz: “Ações devem ser estabelecidas no Programa de Comunicação, com aplicação periódica através de contatos com os representantes e organizações locais. Palestras devem ser realizadas para jovens nas escolas e centros comunitários sobre problemas como prostituição e doenças relacionadas à presença de tripulantes no local. Acompanhamento pelo Programa de Monitoramento”.

Santuário das Neves

A nota de repúdio pontua ainda que o projeto do Porto Central foi barrado na Comissão de Meio Ambiente do Conselho Estadual de Cultura (CEC), por impactar diretamente o patrimônio histórico e cultural da Igreja de Nossa Senhora das Neves, que recebe anualmente em sua romaria mais de 50 mil visitantes.

“Bispos do ES e RJ se manifestam contrariamente ao Porto Central. A igreja que foi construída pelos Padres Jesuítas no século XVII, e que é Patrimônio Histórico do Espírito Santo, corre o risco de ficar ilhada pelo parque industrial!”, acrescentando que “a construção da área industrial do porto colocará em xeque a preservação de sambaquis, patrimônios culturais, existentes nas proximidades da Igreja Nossa Senhora das Neves”.

Rosilene Miliotti

Clima

A carta ressalta a incoerência dos gestores que apoiam o empreendimento, mas se dizem comprometidos com o enfrentamento à crise climática. “Considerando os compromissos climáticos do Brasil em reduzir as emissões de gases do efeito estufa, não faz sentido implantar mais portos para atender a cadeia de petróleo e gás, principais causadores da emergência climática que vivemos”.

A Campanha enfatiza ainda que “o Porto Central estaria a cerca de 160 km do Porto do Açu, no norte do Rio de Janeiro, que funciona com menos de 1/3 de sua capacidade (1.200.000 barris/ano). Já implantaram a Imetame em Aracruz e ainda querem instalar a Petrocity em São Mateus! Lula e Casagrande como justificam esta contradição?”, questiona a Campanha. “O desenvolvimento que os senhores defendem é para quê e para quem? , reiteram.

Divulgação

Condomínio portuário

Conforme informa o empreendimento, “o Porto Central é um complexo industrial portuário privado multi-propósito desenvolvido no modelo de condomínio portuário, no qual os empreendedores são responsáveis pela construção, manutenção e administração da infraestrutura portuária, terrestre e de utilidades, e os clientes do Porto Central arrendam áreas para a implantação de suas respectivas indústrias e terminais”, citando os seguintes clusters a serem atendidos: “Óleo e Gás (incluindo GNL); Geração de Energia; Agronegócio (como soja, milho e fertilizantes); Carga Geral (como produtos siderúrgicos, granito e mármore, carros e equipamentos); Contêineres; Minerais (como minério de ferro); e Industrias Offshore (como base de apoio e estaleiros navais)”.

Sobre as dimensões, “o Porto Central será instalado em uma área de aproximadamente dois mil hectares, o equivalente a três mil campos de futebol, (…) Acomodará vários terminais de grande escala ao longo de seus 10 Km de berços e píeres” e terá profundidade de até 25 metros, estando apto “a receber os maiores navios do mundo, tais como VLCC’s e Valemax, com até 400 mil toneladas de capacidade”. O canal de acesso, informa, terá 300 metros de largura, “permitindo duas vias de tráfego simultâneo para navios de médio porte e tráfego de sentido único para os maiores navios”.

Além do espaço do porto propriamente dito, “o município de Presidente Kennedy designou uma área de 6.815 hectares ao redor do porto para ser desenvolvida como um distrito industrial, contribuindo para o crescimento planejado e integrado da região”.


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Este texto foi originalmente publicado pelo jornal “Século Diário” [Aqui!].

Com agricultura viciada em venenos agrícolas, o brasileiro é envenenado todos os dias via a ingestão de água e alimentos

afogados em veneno

Venho acompanhando a problemática dos agrotóxicos há pelo menos duas décadas e o quadro está cada vez mais preocupante. Além de já termos evidências científicas acumuladas mostrando que os resíduos de agrotóxicos já estavam presentes nos solos e recursos hídricos, agora estão aparecendo cada vez mais estudos apontando a presença dessas substâncias no sangue e urina não apenas de quem trabalha diretamente com elas, mas também em quem os ingere via água e alimentos.

Uma dificuldade que agora passa a ser superada é a relação do aumento dos resíduos de agrotóxicos (sozinhos ou combinados) no corpo humano. E o que está surgindo é algo que deveria já ter ser tornado um problema crítico de saúde humana, visto que vários estudos já estão relacionando a incidência de doenças graves com o consumo de água e alimentos contaminados com resíduos de agrotóxicos. E quando se fala de doenças graves, estou falando não apenas de múltiplos tipos de câncer, mas também de doenças neurológicas e do sistema glandular.

No caso do Brasil a lentidão de tomada de posição por parte das autoridades sanitárias é agravada pelo modelo econômico que se tornou cada vez mais dependente da renda gerada pela agricultura de exportação, como é o caso da soja.  Essa dependência é agravada pelo poder político dos setores que se beneficiam do modelo agrícola, sejam eles latifundiários ou grandes corporações multinacionais que estão ligadas à  exportação ao longo da cadeia de produção e de comercialização.

Como já disse de forma repetida, a questão dos agrotóxicos se tornou uma espécie de pedra angular no debate sobre o modelo de desenvolvimento econômico que se propõe para o Brasil.  É que sem haver uma virada no modelo agrícola, o que teremos é cada vez mais a aplicação de venenos agrícolas banidos em outras partes do mundo por serem extremamente danosos à saúde humana e ao meio ambiente.

O problema é que mais uma vez temos um governo central que é prisioneiro da lógica que não se pode mexer com o poder dos latifundiários por causa da dependência que está criada com o modelo agrícola que eles representam.  Com isso, o debate sobre as características desse modelo, que vive às custas não apenas do dinheiro doado pelo Estado via generosos subsídios entregues na forma de créditos agrícolas que nunca são pagos, mas também do adoecimento geral da população, terá que vir de dentro da própria população e dos setores mais organizados de dentro dela.

Uma boa oportunidade para se fazer o devido enfrentamento contra esse modelo agrícola viciado em agrotóxicos é a luta contra a aprovação do Pacote do Veneno que se encontra neste momento em debate no Senado Federal. E como ele deve ser aprovado, essa batalha terá que continuar como parte de um poderoso movimento social, que pode ser iniciado com uma campanha imediata contra o uso de agrotóxicos banidos em outras partes do mundo. Do contrário, o envenenamento diário cobrará um preço muito caro de todos nós.