Comportamento dos elementos climáticos da Amazônia ao Tibete mostra que há um processo drástico de mudança em curso

Os pontos de inflexão no sistema climático afetam uns aos outros ao longo de milhares de quilômetros e alguns podem ser superados em breve

groenlandiaA camada de gelo o da Groenlândia, com um quilômetros de altura, também está está descongelando.  Por isso, o estado da camada de gelo da Groenlândia é um dos elementos decisivos no sistema climático. Foto: dpa/Sepp Kipfstuhl/AWI

Por Ingrid Wenzl para o “Neues Deutschland”

Se a floresta amazônica secar, isso terá consequências para todo o planeta. Não só desempenha um papel crucial no ciclo global do carbono, como também é caracterizado por uma imensa diversidade de espécies. Assim como os mantos de gelo da Groenlândia e da Antártica Ocidental, a Circulação de Revitalização do Atlântico (AMOC), que também inclui a Corrente do Golfo , e os recifes de corais tropicais, é um dos 16 principais elementos de inclinação no sistema climático. Em algum lugar entre 1,5 e dois graus de aquecimento global médio em relação aos tempos pré-industriais, os primeiros atingem o chamado ponto de inflexão: a partir daí, os processos utilizados não podem mais ser interrompidos. Desta forma  “os pulmões verdes da terra” são transformados em uma espécie de savana, e as camadas de gelo estão derretendo irrevogavelmente. É possível que já tenhamos ultrapassado os primeiros pontos de inflexão, por exemplo, no caso de recifes de corais tropicais moribundos.

Como mostra um estudo publicado recentemente na revista “Nature Climate Change” , mesmo os elementos que estão geograficamente distantes estão mais interconectados do que se pensava anteriormente. Fala-se das chamadas teleconexões. Milhares de quilômetros se estendem entre a bacia amazônica e o planalto tibetano e, no entanto, eles se influenciam. “Se esquentar na Amazônia, esquentará no Tibete. Há, portanto, uma interação positiva para as temperaturas. É diferente com a precipitação. Se chover mais na região amazônica, menos neve cairá no Tibete”, diz o coautor Jürgen Kurths, do Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK), resumindo a descoberta surpreendente.

Os pesquisadores descobriram que campos de fluxo de grande escala transportam campos de temperatura e precipitação para o Tibete: fortes correntes de vento estimuladas por anticiclones sul-americanos – certos tipos de áreas de alta pressão – os transportam para a África do Sul, e o sistema de monções africano os leva de lá para o Oriente Médio e ventos de oeste na região do Himalaia.

Os cientistas também descobriram que o planalto tibetano vem perdendo estabilidade desde 2008 e está se aproximando de um ponto crítico. “Isso foi negligenciado até agora”, diz Kurths. Ao contrário dos depósitos de gelo de lá, havia uma longa falta de dados confiáveis ​​sobre a cobertura de neve do planalto. Até agora, o foco da ciência tem sido principalmente o derretimento dos pólos, o AMOC e a Amazônia. “O derretimento das geleiras no Tibete tem efeitos enormes em todo o sistema de monções da Índia”, explica o pesquisador de complexidade do PIK. Apesar de sua localização remota, o planalto tibetano é de grande importância como reservatório de água para a vida de muitas pessoas.

“Quando os pólos derretem, sabe-se que eles desencadeiam uma reação em cadeia”, diz Kurths. A alta entrada de água doce no oceano circundante leva a mais estratificação porque é menos densa que a água salgada. Normalmente, grandes quantidades de água superficial fortemente resfriada afundam nas profundezas da Groenlândia porque são mais pesadas que a água abaixo e, a partir daí, fluem de volta para o equador como fundo rico em oxigênio ou águas profundas. A entrada de água doce inibe esse processo e, portanto, enfraquece o AMOC. No entanto, o conhecimento de que a Bacia Amazônica e o Tibete estão ligados climaticamente é novo. Pesquisas intensivas estão sendo realizadas atualmente sobre como os elementos de tombamento influenciam uns aos outros. Quando aumentam, como neste caso, significa que a Humanidade caminha para uma catástrofe ainda mais rápido do que se pensava.

O relatório especial de 1,5 grau do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) de 2019 adverte urgentemente contra ultrapassar a marca de temperatura de 1,5 grau. “Qualquer aquecimento adicional, especialmente acima de 1,5 graus, aumenta o risco de mudanças duradouras ou irreversíveis, como a perda de ecossistemas”, citou o pesquisador climático do “Die Zeit” e membro do IPCC, Hans-Otto Pörtner.

Mesmo ultrapassando temporariamente 1,5 ou 2 graus aumenta o risco de vários elementos do sistema terrestre tombarem em mais de 70% em comparação com um cenário em que as temperaturas permaneçam abaixo desse limite. Esta é a conclusão de Nico Wunderling da PIK e colegas em uma análise de risco publicada na revista Nature Climate Change em dezembro . “Mesmo que conseguíssemos limitar o aquecimento global a 1,5 grau depois de ultrapassar dois graus, isso não seria suficiente, pois o risco de desencadear um ou mais pontos de inflexão global ainda seria superior a 50%”, disse Wunderling.

A equipe de pesquisa usou vários cenários em que a temperatura média global era temporariamente dois a quatro graus mais alta do que antes da industrialização. Isso o aplicou a quatro elementos de inclinação interativos: as camadas de gelo da Groenlândia e da Antártica Ocidental, o AMOC e a floresta amazônica. As camadas de gelo provaram ser particularmente vulneráveis. “Embora demore muito para que a perda de gelo se desenvolva completamente, os níveis de temperatura nos quais essas mudanças são desencadeadas podem ser alcançados em breve”, diz a coautora Ricarda Winkelmann, também do PIK. “Portanto, nossas ações nos próximos anos podem determinar o desenvolvimento futuro das camadas de gelo por séculos ou mesmo milênios.”

De fato, no caso da camada de gelo da Groenlândia, isso é mais avançado do que o esperado: Maria Hörhold, do Alfred Wegener Institute, Helmholtz Center for Polar and Marine Research (AWI) e sua equipe mostram em um estudo publicado na “Nature” em no início do ano, que no norte e centro da Groenlândia foi mais quente na primeira década do século 21 do que nos últimos 1000 anos. »O aquecimento na fase entre 2001 e 2011 difere claramente das flutuações naturais dos últimos 1000 anos. Temíamos isso em vista do aquecimento global, mas a clareza e a concisão são inesperadas”, diz o glaciologista.

A camada de gelo da Groenlândia , com mais de 3.000 metros de altura e um volume de cerca de três milhões de quilômetros cúbicos, desempenha um papel central no sistema climático global. Se continuarmos a emitir tantos gases de efeito estufa quanto emitimos hoje, seu derretimento poderá elevar o nível do mar em 50 centímetros até o final do século.

A destruição da floresta amazônica também está progredindo rapidamente. Em um estudo recente na Science, David Lapola, da Universidade Estadual de Campinas, e sua equipe chegaram à conclusão de que 2,5 milhões de quilômetros quadrados já foram degradados por incêndios, mudanças no uso da terra, desmatamento ou seca extrema. As áreas afetadas agora estão mais secas e, portanto, mais inflamáveis ​​e vulneráveis ​​do que antes, alertam os autores. De sua parte, Kurths vê como principal perigo para a Amazônia sua fragmentação. “Isso significa que toda a floresta tropical está ameaçada”, diz ele.

No entanto, ele está particularmente preocupado com os pontos de inflexão social resultantes das mudanças climáticas: o aumento do nível do mar pode levar milhões de pessoas nas cidades costeiras a fugir. É urgente uma mudança imediata de rumo por parte da política, dos negócios e da sociedade.


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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

Lista Qualis e a duvidosa qualidade dos critérios de qualidade

Critérios adotados para o sistema de avaliação de publicações científicas promovem distorções cujos impactos alcançam inclusive outras instâncias, como classificação de artigos de candidatos a concursos. Indicador deve ser visto como um meio, não um fim em si mesmo

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Por Marcelo Takeshi Yamashita para o “Jornal da Unesp”

A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC), tem, entre outras responsabilidades, a de zelar pela qualidade dos programas de pós-graduação brasileiros, o que implica a produção, ainda que de forma implícita, de juízos de valor sobre a qualidade da produção acadêmica e científica do país. Os rankings de pós-graduação publicados periodicamente pela Capes são aguardados com ansiedade, celebrados (e até temidos) por instituições públicas e privadas.

Os processos de avaliação utilizados valem-se de indicadores quantitativos e qualitativos que buscam trazer objetividade – números verificáveis e critérios bem-definidos – que, em tese, deixam de fora os preconceitos e favoritismos peculiares das pessoas físicas envolvidas na execução do processo. Um desses critérios é a lista Qualis, um ranking de classificação das revistas indexadas onde pesquisadores de instituições com pós-graduação publicam seus artigos.

No fim de 2022, a Capes anunciou que começaria a adotar uma nova lista, baseada na avaliação quadrienal 2017-2020. A despeito de os critérios de classificação terem mudado ao longo do tempo, não é de hoje que esse ranking de revistas científicas é alvo de críticas. Desta vez, a nova lista gerou reações negativas de pesquisadores de diversas áreas e a criação de um abaixo-assinado.

De acordo com a Capes, a lista Qualis é utilizada exclusivamente para avaliação dos programas de pós-graduação, sendo que o ordenamento das revistas é feito através da aferição das suas qualidades. O ranking classifica os periódicos científicos nos seguintes grupos (do melhor para o pior): A1, A2, A3, A4, B1, B2, B3, B4 e C. Artigos publicados em veículos que não constam da lista, ou em revistas do grupo C, são desconsiderados.

Um sistema que vincula a qualidade de um artigo científico unicamente ao local onde está publicado é bem questionável. O Clay Mathematics Institute é uma fundação privada de fomento a atividades que promovam a matemática. Dentre as suas ações está o pagamento de um prêmio de um milhão de dólares por cada solução de qualquer um dos “Problemas do Millenium”. Esses problemas, um total de sete, envolvem questões complicadíssimas relacionadas à matemática pura, alguns deles sem solução há mais de 100 anos.

Um dos problemas do milênio, a conjectura de Poincaré, foi resolvido em 2002 pelo matemático russo Grigori Perelman. O artigo, com a assinatura de Grisha Perelman, foi publicado no arxiv.org, uma base de acesso aberto onde pesquisadores publicam artigos ainda “crus”, para torná-los públicos antes de submetê-los a algum periódico científico. A complexidade da solução do problema fez com que levasse alguns anos para que a demonstração fosse reconhecida como válida pela comunidade de matemáticos. Mas, afinal, em qual revista Perelman publicou o artigo?

A resposta é: nenhuma. Grisha não somente não quis publicar em periódicos – preferiu compartilhar o conhecimento em uma plataforma de acesso aberto – como recusou prêmios do calibre da Medalha Fields (análogo ao Nobel concedido para a área de matemática). Este exemplo de Perelman (e existem outros) mostra que não há conexão intrínseca entre a qualidade de um artigo e o local de publicação.

Indicadores usados na definição e implementação de políticas públicas precisam (e isto deveria ser óbvio) ter validade – isto é, realmente medir o que se pressupõe que está sendo medido. Uma régua não é um instrumento válido para medir pressão atmosférica, por exemplo. Para o ranqueamento de revistas, porém, algumas comissões que elaboraram o ranking Qualis utilizaram o chamado Fator de Impacto (FI) – um parâmetro que não está relacionado à qualidade da revista.

O FI é um indicador bibliométrico que atribui um número ao periódico com base na quantidade de citações dos artigos publicados. O cálculo é feito tomando-se o total de citações, em determinado ano, dos artigos publicados nos dois anos anteriores, dividido pelo número de artigos publicados nesse mesmo período. Por exemplo:

A = Total de citações em 2020

B = Citações, em 2020, dos artigos publicados em 2019 e 2018 (subgrupo de A)

C = Artigos publicados em 2019 e 2018

D = B/C = Fator de impacto de 2020

O FI de uma revista pode ser definido por apenas uns poucos artigos que recebam muitas citações. Quando se assume o fator de impacto como representativo da qualidade de uma revista (pressupondo, por um momento, que o número de citações seja um indicador válido de qualidade, algo em si discutível) incorre-se em erro, pois boa parte dos artigos publicados naquele periódico sequer recebeu uma única citação.

Adotar o FI, ou outro fator estritamente numérico, pode gerar anomalias como a apontada pelo físico Silvio Salinas no Boletim da Sociedade Brasileira de Física, em 2009, no texto “Quo Vadis, Qualis?, do qual reproduzo alguns trechos a seguir:

“Francamente, acho que atingimos um limite perigoso, que coloca em risco o próprio conceito de avaliação. Por exemplo, o que significa classificar Physical Review D como A2 e Physical Review B como B1? Por acaso os particuleiros são melhores do que os solidistas? […] Acho que está na hora de refletir sobre essa numerologia, que pouco a pouco se acentua em todas as áreas, impulsionada pelas facilidades da informática e por uma vaga ideia de globalização”.

Apesar de as avaliações não utilizarem unicamente o FI para composição do Qualis, ele continua tendo um papel relevante na classificação dos periódicos. Ainda que haja a utilização de outros indicadores para o estabelecimento desse ranking, a avaliação qualitativa permanece comprometida. O problema de uma mesma revista ser classificada em estratos de Qualis diferentes, como apontado lá em 2009, ainda persiste (por exemplo, Physics Letters A é A3 e Physics Letters B é A2).

Poderíamos descrever longamente aqui os critérios Qualis das diferentes áreas de conhecimento – cada área tem os seus, e todos são passíveis de alguma crítica. Talvez isso mostre que existe um problema inerente ao modelo, que busca objetividade e pragmatismo em uma avaliação que deveria ser o oposto disso. Os indicadores deveriam ser utilizados como meio, e não fim. A avaliação da qualidade de um artigo vai muito além do local onde está publicado e demanda leitura atenta de alguém que tenha algum conhecimento da área de pesquisa.

Outro efeito colateral negativo da canonização de um ranking de revistas por um órgão como a Capes é a utilização dessa lista por outras instâncias e para finalidades para as quais ela não foi pensada. Utilizar o Qualis para avaliações individuais como, por exemplo, a classificação de artigos publicados por candidatos a concursos, atribuindo uma pontuação maior para uma publicação em Qualis A1 do que A3, pode acabar influenciando o direcionamento das pesquisas para periódicos mais bem avaliados, quando o que deveria ser levado em conta pelo pesquisador é a pertinência do artigo à revista.

Antes que a proposta de tornar as avaliações mais qualitativas seja vista como uma utopia, é importante lembrar que a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) solicita que em todos os pedidos de auxílio seja anexada uma súmula curricular do pesquisador. Neste documento deve-se constar uma lista de até cinco resultados de pesquisa mais relevantes e de maior impacto.

Uma iniciativa semelhante à da Fapesp poderia ser adotada para todas as avaliações, inclusive a dos programas de pós-graduação. Isso tornaria o trabalho dos avaliadores menos árduo e seria possível realmente avaliar a qualidade do que é submetido, reduzindo inclusive a dependência de indicadores externos – muitos deles, gerados por empresas que cobram para fornecer os números.

Recentemente, tomando como exemplo o modelo atual de orientação de alunos de doutorado, a Nature publicou um editorial defendendo a necessidade dos pesquisadores e das universidades se adaptarem às expectativas da sociedade. Sobre o Qualis, remeto novamente ao texto do professor Salinas: “Entretanto, nos dez anos de uso ele tem sido mudado para não mudar… Ou seja, o ‘sarrafo’ muda de posição, mas a lógica da avaliação continua a mesma, exacerbando a importância de um dos aspectos da pós-graduação e subjugando a relevância sob indicadores erigidos em critérios finais e únicos”. Isso foi lá em 2009. Será que estamos muito diferentes em 2023?

Marcelo Takeshi Yamashitaé assessor-chefe da Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp. Foi diretor do Instituto de Física Teórica (IFT) no período de 2017 a 2021.


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Este texto foi originalmente publicado pelo “Jornal da UNESP” [Aqui! ].

Marcos do Val e sua verdade inconveniente: a trama de Jair Bolsonaro e seu entorno para impedir a posse de Lula

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Língua afiada de Marcos do Val se mostra mais perigosa do que a “arminha” do dedo em riste e coloca Jair Bolsonaro em mãos lençóis

De ontem para hoje o senador Marcos do Val (Podemos-ES) adiantou uma bomba que agora aparece na capa da revista Veja: uma suposta trama para a realização de um golpe de estado envolvendo diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e hoje retornado ao cárcere, o ex-deputado Daniel Silveira (PL/RJ) (ver imagem abaixo).

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Eis que lendo os detalhes presente na matéria produzida pela Veja a partir das denúncias feitas por Marcos do Val (que frisemos sempre foi da base legislativa do governo Bolsonaro), fica ainda mais confirmado que existiram ações para anular o resultado das eleições presidenciais, impedir a posse do presidente Lula, e manter Jair Bolsonaro no cargo (e, sim, realizar a prisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) presidente do Tribunal Superior Eleitoral).

Em qualquer país com instituições funcionando minimamente, me parece óbvio que Jair Bolsonaro e os demais participantes  (os quais precisam ser identificados e nomeados) dessa trama rocambolesca já estariam sendo presos para impedir qualquer intenção similar no futuro. É que mais essa indiscrição feita por alguém do entorno de Jair Bolsonaro mostra o que já era mais ou menos sabido, qual seja, que havia efetivamente não apenas o desejo, mas também tratativas para a realização de um golpe de estado no Brasil.

E, pior, que esse golpe de estado visava permitir, entre outras coisas, que fosse continuado o genocídio que estava sendo cometido contra os povos indígenas, a começar pelo mais caso mais notório que é o do povo Yanomami. 

Agora vamos como se comportam os chefes dos três poderes em relação a essa situação. Se passar pano ou vão tomar o tipo de atitude que este caso requer.

Estudo na Science mostra que ameaças na Amazônia vão muito além do desmatamento

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A área degradada do bioma (38%) é maior do que a desmatada (17 %). Somados, os dois índices indicam que mais da metade das florestas da Amazônia foram destruídas ou alteradas.

Os autores explicam que “durante o processo de degradação, o uso da terra pode ou não mudar, mas a cobertura do solo não muda (a floresta segue sendo floresta)”. O desmatamento significa a conversão total das florestas para outro tipo de uso do solo, como a agricultura ou a pecuária .

Mas, os pesquisadores avisam que é um erro pensar que a degradação causa danos insignificantes em comparação com o desmatamento. Baseando-se em dados de diversos estudos realizados entre 2001 e 2018, quantificando a acumulação de perturbações que alteraram o ecossistema e o funcionamento do bosque, afetando a sua capacidade de armazenar carbono e água.

“Não podemos falar de prevenir o desmatamento sem falar da degradação. O desmatamento zero não é uma meta otimista. Se requer reajustar a discussão sobre a conservação da Amazônia, o processo de degradação já não pode ser ignorado”.

Marcos Pedlowski, Universidad Estatal del Norte Fluminense, Rio de Janeiro

Segundo o estudo, as estimativas sobre emissão de CO 2 e gases de efeito estufa resultantes da perda gradual de vegetação situam-se entre 50 e 200 milhões de toneladas ao ano, um nível comparável à perda de carbono por desmatamento.

“A taxa de acúmulo de carbono pela floresta diminuiu cerca de 30% nos últimos 30 anos. Se continuarmos com este padrão, em mais ou menos 15 anos teremos uma Amazônia emitindo muito mais CO 2 do que absorve ”, afirmou à SciDev.Net David Lapola, ecólogo e líder do estudo.

Lapola, pesquisador do Centro de Investigações Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Universidade Estadual de Campinas, explica que o impacto sobre o estoque de carbono diminui a evapotranspiração da floresta, um processo que devolve a água à atmosfera por meio da transpiração das plantas .

“Quando aumenta o CO 2 , teoricamente a planta transpira menos, provocando menos chuva e umidfade. Com isso, podemos observar uma mudança de vegetação: as árvores com maior afinidade com climas úmidos estão desaparecendo e estão surgindo espécies mais resistentes ao clima seco”, revela.

O trabalho também sugere que a degradação ameaça a biodiversidade e provoca impactos socioeconômicos nas comunidades locais, como a ocorrência cada vez mais frequente de eventos extremos, por exemplo, as secas prolongadas anteriores às inundações recordes ocorridas em 2022 na Amazônia brasileira.

As perturbações na floresta podem ter diferentes origens mas danificam-na severamente, por vezes de forma irreversível. Crédito da imagem: Serfor-Peru, imagem de domínio público.

Ante este panorama, os pesquisadores da Amazônia consideram que se bem a meta de desmatamento zero para 2030 do governo brasileiro –mencionada no Foro Económico Mundial de Davos, Suíça, pela ministra de Meiio Ambiente e  Mudança Climática do Brasil, Marina Silva –é importante dentro da agenda ambiental global, falar apenas de ações para combater o desmatamento na região não é suficiente.

“As políticas públicas na Amazônia não podem cobrir apenas o desmatamento”, disse Marcos Pedlowski, geógrafo da Universidade Estadual do Norte Fluminense, ao SciDev.Net., no Rio de Janeiro, coautor de um dos primeiros estudos brasileiros , também publicado em Science , que chamou a atenção sobre o problema da degradação do bioma.

Para Pedlowski, as projeções das próximas décadas vão depender do modelo econômico e social que o Brasil vai adotar.

De acordo com o relatório do Painel Científico da Amazônia, entre os países da Pan Amazônia, o Brasil é responsável por mais da metade da produção de madeira (52%), seguido pelo Equador (11%), Peru (10%) e Bolívia (10%). Venezuela, Colômbia, Suriname e Guiana representam em conjunto o 17% restante.

Mais da metade da seleção extrativa de madeira dos países amazônicos está sendo realizada no Brasil. O país é seguido por Equador, Peru e Bolívia. Crédito da imagem: Serfor-Peru, imagem de domínio público

“Na Amazônia brasileira, a extração seletiva afeta uma grande área de floresta, sendo o segundo fator mais comum de degradação florestal, somente atrás dos chamados efeitos de borda”, destaca o informe.

“Toda essa suposta renda cria muito mais problemas e não gera tanto quanto as pessoas pensam. Os ganhos são superados pelos prejuízos”, garante Pedlowski.

E David Lapola acrescenta que “a degradação favorece alguns, mas oprime muitos”.

Os pesquisadores coincidem em recomendar o desenvolvimento de um sistema de monitoramento das perturbações florestais – imagens medianas de satélite combinadas com um escapamento laser de superfície – e de um modelo de “bosque inteligente”, com a instalação de dispositivos no bosque para monitorar o degradação, especialmente a tala seletiva.

Link para o resumo do estudo na Science


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Este artigo foi produzido pela edição de América Latina e Caribe de  SciDev.Net [Aqui! ].

De Guilheme Boulos para Marcelo Freixo: eu sou você amanhã

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Guilherme Boulos, aparentemente picado pela mosca azul, ensaia a mesma trajetória pouco gloriosa de Marcelo Freixo
O ex-líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e agora deputado federal pelo PSOL (SP), Guilherme Boulos, parece não ter entendido o destino inglório que acometeu agora petista Marcelo Freixo, e está seguindo a mesma trilha política que o ex-psolista trilhou para alcançar o surpreendente cargo de presidente da Embratur.
É que depois de pressionar e conseguir que o PSOL não tivesse um candidato a presidente da república, Guilherme Boulos vem se movimentando, à revelia do partido a que diz pertencer, para adotar uma série de passos esquisitos, o que incluiu até um momento de beija mão com o agora reeleito presidente da Câmara de Deputados, Arthur Lira quando o partido tinha candidatura própria para presidir a Câmara de Deputados (no caso o deputado Chico Alencar (PSOL/RJ)).
Para ser franco, eu nunca me enganei muito com o Guilherme Boulos, apesar de não negar sua capacidade de fazer política, pois sempre tive a impressão que ele se filiou ao partido errado, já que todos os seus trejeitos e molejos apontam mais para o Partido dos Trabalhadores (PT). Aliás, a entonação e timbre de voz do Boulos me faz lembrar o Lula das greves metalúrgicos do final dos anos de 1970 ( sei lá, apenas um detalhe).boulos lula

Por isso, quando Boulos se filiou ao PSOL pensei que ele o tinha feito aparentemente mais por questões de falta de espaço dentro do PT do que por convicção de modelo de partido. Mas ao fazer isso, Guilherme Boulos deu uma cara petista ao PSOL, o que nunca vi como algo que duraria muito. O problema é que ao fazer uma espécie de entrismo sui generis dentro do PSOL, Boulos vem agindo com eficiência para tornar o partido o satélite que a direita sempre disse que era em relação ao PT. E considero isso um grave equívoco, na medida em que o PSOL é um dos poucos partidos capazes de ocupar os espaços de rua (ainda que precariamente) que o PT resolveu abandonar para conseguir ocupar a presidência da república e governos estaduais.
Assim, apesar de algumas lideranças psolistas estarem tendo o trabalho de cobrar uma postura mais adequada ao que partido diz ser e não o que Boulos quer que seja, vejo isso como uma grande perda de tempo, como, aliás, foram esforços para reter Marcelo Freixo no partido. A questão é que quando determinados quadros políticos acham que são maiores que o partido que os abriga, o divórcio passa a ser uma questão de tempo. Além disso, dada a conjuntura histórica particularmente difícil, a energia que está se gastando para cobrar uma postura mais adequada de Boulos poderia ou deveria estar sendo gasta com a organização da classe trabalhadora e da juventude.
E se Boulos quiser seguir o caminho de Freixo, pode pedir até umas dicas de trajetos lá na Embratur que sabemos é subalterna da deputada Daniela do Waguinho, ministra do Turismo do governo Lula. Simples assim.

Campanha Financeira para cobrir custos e ampliar cobertura do Blog do Pedlowski

Os custos para manter o Blog do Pedlowski operando como um canal de informação independente têm sido pagos com meus recursos pessoais ao longo dos seus quase 12 anos de existência. Agora, premido pelo aumento dos custos na plataforma WordPress e também pela necessidade de ampliar a audiência dos conteúdos aqui publicados, resolvi iniciar uma campanha financeira juntos aos leitores deste espaço.

Faço isto porque penso que vivemos um momento historicamente complexo no qual o conteúdo aqui depositado continua a ser importante. Mas  adianto que entendo perfeitamente a situação caótica que a economia brasileira e a situação de insegurança financeira em que muitos brasileiros vivem neste momento. Por isto, adianto que qualquer quantia que for enviada para custear os custos de funcionamento do blog será bem vinda.

Por outro lado, reafirmo que apesar das sondagens feitas ao longo do tempo, não tenho qualquer interesse em monetorizar o blog, na medida em que acredito que isto poderia comprometer a autonomia e credibilidade deste espaço que foram mantidas ao longo da sua existência.

A forma de apoiar o blog será via PIX que no caso é a chave mostrada na imagem abaixo. Desde já, agradeço aos que eventualmente contribuírem. 

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Contaminantes emergentes e turismo: uma combinação perigosa

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Esmeraldas é uma das cidades mais turísticas do Equador, devido à combinação de belas praias e um clima muito agradável.  Mas afluência turística também pode jogar contra. Crédito da imagem: Aldo Barba/Wikimedia Commons , bajo licencia Creative Commons (CC BY-SA 2.5)

Por Carmina de la Luz para a SciDev

A presença de contaminantes emergentes na água dos rios e do mar está diretamente vinculada ao turismo costeiro.  É o que sugere um estudo realizado na provincia de Esmeraldas, no Equador,  que acaba de ser publicado na Science of The Total Environment .

Os contaminantes emergentes são um grupo diverso de substâncias de detecção recente no ambiente, como medicamentos, produtos de cuidado pessoal ou de limpeza de casas e produtos agrícolas, entre muitos outros.

No final de 2019, Isabel Cipriani Ávila, professora-investigadora da Pontificia Universidad Católica del Ecuador e autora principal da pesquisa e seus colaboradores avaliaram a qualidade da água neste destino popular pouco depois de ser iniciado o confinamento para evitar a propagação do COVID-19 e o fluxo de turistas.

“Em novembro de 2020 voltamos a coletar mostras e aproveitamos para fazer a comparação de contaminantes emergentes antes e durante a pandemia, a qual foi uma oportunidade de demonstrar o impacto tão forte que o turismo tem nos nossos hábitos e no meio ambiente ”, disse Cipriani Ávila em entrevista para a SciDev.Net .

O equipamento foi calibrado para identificar e quantificar cafeína, acetaminofén (paracetamol), diclofenaco, trimetoprima e sulfametoxazol em 10 desembocaduras de ríos e 14 praias de Esmeraldas. Esses compostos foram selecionados pelo fato do Ministério da Saúde Pública do Equador considerando-los de alto uso.entre a população.

“O que mais nos surpreendeu foi observar as maiores concentrações de contaminantes emergentes nos pontos onde o grau de urbanização era baixo, mas que estava muito próximo do local de descarga de águas residuais de um grande resort”, apontou a pesquisadora.

A análise evidenciou que a contaminação por cafeína e diclofenaco diminuiu notoriamente no contexto do confinamento, quando não houve  turismo. Da mesma forma, a aparição e a quantidade das substâncias estudadas foram menores durante esse tempo. O sulfametoxazol – um medicamento antibacteriano – resultou ser a exceção, pois não foi detectado nem antes ou durante a pandemia.

Os contaminantes emergentes são de interesse para os científicos no solo porque afetam a qualidade da água, mas também por suas conseqüências na vida silvestre e na saúde humana. Associarlos com uma atividade econômica específica –como se logró com o turismo neste estúdio– é complexo, já que nos ecossistemas aquáticos intervêm múltiplas variáveis.

Para o coautor Jon Molinero, o caso de Esmeraldas evidencia o problema da desigualdade no acesso a uma recreação com água limpa no Equador: “Vemos que os desejos do turismo de alta gama estão contaminando as zonas de entorno que são sedes de pequenos hotéis e negócios com os quais as pessoas humildes obtém sua renda”.

“Os turistas vêm em busca de água limpa para tomar banho, mas a atividade em si está prejudicando esse serviço. Se não fizermos algum tipo de controle não haverá turismo simplesmente porque as águas não vão ter qualidade suficiente”.

Jon Molinero, Escuela de Gestión Ambiental – Pontificia Universidad Católica, Equador

Tal cenário poderia estar se repetindo em outros países da América Latina, onde um quarto da população vive nas costas, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento . Nas nações caribenhas , o turismo equivale a 26% do Produto Interno Bruto total e no resto da região representa 10%, de acordo com um informe de 2020 elaborado pela Comissão Económica para América Latina e Caribe (CEPAL) .

“Os turistas vêm em busca de água limpa para tomar banho, mas a atividade em si está prejudicando esse serviço. Se não fizermos algum tipo de controle, não haverá turismo simplesmente porque as águas não terão qualidade suficiente”, acrescenta Molinero.

María Teresa Alarcón Herrera, que não participou da investigação, comentou no SciDev.Net que essas reflexões constituem a porta mais destacada do estudo em Esmeraldas.

“O diagnóstico ambiental que é importante, mas também está entendendo o tema desde o ponto de vista econômico. O chamado que faz com sua investigação é melhorar os sistemas de tratamento de águas para que o turismo marítimo seja mais sustentável ”, aponta a acadêmica do Centro de Investigações de Materiais Avançados no México.

Na América Latina, apenas 40 % das águas residuais são tratadas, e as plantas que realizam esse processo não são aptas para eliminar contaminantes emergentes. Germán Santacruz, que também participou do estúdio, relaciona esta deficiência com o fato de que a disposição final dos contaminantes emergentes a um menu não está regulamentada.

Estudos como o publicado na Science of The Total Environment “são relevantes para compreender o fenômeno dos contaminantes emergentes, mas também nos lembramos que a maneira de fazer frente à ‘epidemia silenciosa’ que representam está caminhando para a regulamentação em nossos países”, conclui o professor do programa Água e Sociedade do Colégio de San Luis, no México.

Acesse o artigo completo [Aqui!].


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Este artigo escrito originalmente em espanhol foi publicado pela SciDev [Aqui! ].

Carne representa 86% da pegada de carbono na dieta dos brasileiros, mostra pesquisa

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De 2008 a 2017, a presença da carne aumentou 12% no prato dos brasileiros de todas as faixas de renda. Por isso, o consumo deste alimento contribui com 86% da pegada de carbono da dieta, um indicador de emissão de carbono na atmosfera. Os dados são da análise de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) publicada hoje (31) no periódico científico “Environment, Development and Sustainability”. 

O estudo foi realizado a partir da análise da Pesquisa de Orçamento Familiar, nos anos 2008 e 2017, que divulgou informações sobre consumo individual e também do  preço dos alimentos. “Juntar informações sobre consumo e preço dos alimentos não é muito comum na literatura científica. Essa é uma inovação do artigo”, explica Aline Martins de Carvalho, docente da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Nele são especificados as características do consumo de acordo com cada tipo de carne. Entre todos os grupos, o consumo de peixe reduziu 23%; de porco aumentou 78%; frango, 36%; e a carne bovina não apresentou mudanças expressivas no consumo no período analisado, apesar de ser a carne mais consumida pelo brasileiro.

A partir de um recorte de renda, os pesquisadores constataram que as famílias mais pobres, com menos de meio salário mínimo por pessoa, não aumentaram o consumo total de carne no período analisado. Este grupo reduziu o consumo de peixe, mas as refeições com frango e porco aumentaram. Dessa forma, seu impacto ambiental foi menor que os demais grupos. Entretanto, isso pode ter se dado pelo preço, acesso e aspectos sociais envolvidos no consumo de carne.

De acordo com Carvalho, o consumo da carne em altas quantidades impacta o meio-ambiente e a saúde das pessoas, aumentando o risco  de quadros de câncer de intestino, hipertensão, diabetes e obesidade. Dessa forma, reduzir o seu consumo é uma saída importante, mas não é a única para melhorar a saúde das pessoas e do planeta. “Também é preciso verificar relações de preço, acesso, cultura, consumo e sustentabilidade nos diferentes grupos econômicos”, recomenda a pesquisadora.

Além disso, a nutricionista reforça a importância de discutir os impactos do consumo de carne com a população por meio das políticas públicas. “É necessária também uma abordagem inter e transdisciplinar para investigar as variações do consumo de carne no Brasil, com foco nos valores e na intencionalidade dos sujeitos”, conclui a autora do artigo. 


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Este texto foi originalmente produzido pela Agência Bori [Aqui!].

O gerente do porto, o reitor e os atingidos eternamente esquecidos e com seus direitos pisoteados

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A assessoria de comunicação da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) noticiou ontem, com pompa e circunstância, um encontro entre o reitor Raul Palácio e Gustavo Cruz, gerente do Porto do Açu, para aludidamente firmar um acordo de pesquisa envolvendo o  reuso da lama de dragagem que é continuamente retirada das estruturas do megaempreendimento/enclave construído no município de São João da Barra.

Para o Porto do Açu as imagens de um encontro dentro da Uenf para firmar um acordo em que não se sabe quanto (ou mesmo se algum) dinheiro será colocado pela empresa para financiar as pesquisas é uma oportunidade única de propaganda. Com certeza as imagens do encontro estarão brevemente no Instagram e no Facebook da empresa, pois estar na Uenf confere um nível de legitimidade que nem com muito dinheiro gasto com propaganda será possível de alcançar.

Já no caso dos pesquisadores da Uenf envolvidos nessa “parceria” ,  o mais provável é que tenham garantido o acesso que é negado frequentemente a quem mostra as múltiplas mazelas sociais e ambientais causadas por um empreendimento cada vez mais voltado para o seu interior.  Se só isso justificaria a chancela de legitimidade dada ao Porto do Açu? Obviamente que não, pois é muito pouco.  No caso do reitor da Uenf, sempre cioso de abraçar a oportunidade de aparecer em fotografias que escondam sua inoperância, o ganho já está aí.

O problema é que essa acolhida do Porto do Açu  irá dificultar outras pesquisas e projetos já em andamento, mas que dependem da acolhida dos moradores do V Distrito, pois a partir dessa visita, a Uenf será vista (e com razão) como uma instituição que está ao lado do porto e contra aqueles que foram e continuam sendo atingidos pela instalação do empreendimento.

Obviamente que quando menciono atingidos, estou fando dos milhares de habitantes do V Distrito de São João da Barra que tiveram suas vidas devastadas pela tomada de terras que ocupavam há várias gerações, e que continuam até hoje sem receber o dinheiro devido pelo estado do Rio de Janeiro.  Ao se aliar publicamente ao Porto do Açu, o que reitor da Uenf fez foi jogar água no moinho que esmaga os direitos sociais e econômicos dos que tiveram suas terras tomadas pelo governo estadual, e que hoje servem para que a Prumo Logística Global cobre aluguéis tão salgados quando o material de dragagem que foi objeto da “happy hour” entre o reitor e o gerente do Porto do Açu.

E enquanto isso, os ossos de Darcy Ribeiro devem estar se revirando no túmulo, em um sentimento que mistura vergonha e raiva.

Artigo sobre liberação de agrotóxicos no governo Bolsonaro agora é de acesso gratuito

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Nesta segunda-feira recebi a informação da editora Taylor & Francis que o artigo que co-escrevi com os meus colegas Ossi Ollinaho e Markus Kroger sobre a economia política dos agrotóxicos liberados pelo governo Bolsonro, que foi intitulado de “Toxic turn in Brazilian agriculture? The political economy of pesticide legalisation in post-2016 Brazil” agora é de acesso livre, ou seja, pode ser baixado gratuitamente por qualquer que queira lê-lo.

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Essa é uma informação interessante, pois além de permitir que o acesso ao artigo seja gratuito, a decisão de fazer isso implica em um desejo dos editores da revista Third World Quarterly de aumentar o número de leitores, na medida em que haverá uma natural perda de receita ao não se cobrar nada pelo direito de possuir uma cópia.

Desta forma, quem desejar acessar gratuitamente este trabalho que aborda as diferentes facetas e implicações por trás da aprovação recorde de agrotóxicos pelo governo Bolsonaro, basta clicar [Aqui!].