Genivaldo de Jesus e Roberto Jefferson: a dualidade de tratamentos que escancara o Brasil de Jair Bolsonaro

dualidade

Dualidade brasileira: Genivaldo de Jesus, morto em uma câmara de gás improvisada, por cometer uma infração e de trânsito e Roberto Jefferson, contando sua história de agressão contra uma equipe da PF a um policial sorridente

Agora que Jair Bolsonaro já jogou o aliado Roberto Jefferson ao mar no melhor estilo de um capitão (pirata) punitivo, não vou nem me debruçar para a farsesca situação ocorrida no município de Comendador Levy Gasparian, pois já tem gente demais analisando o que aconteceu (de errado) naquela encenação recheada a balas e granadas.

Minha intenção aqui é comparar dois casos, um deles já esquecido pela maioria. Falo aqui da morte pelas mãos de agentes da Polícia Rodoviária Federal de um pai de família, Genivaldo de Jesus Santos, que acabou morto em uma câmara de gás improvisada no porta-malas de um camburão. Genivaldo morreu por uma simples infração de trânsito que teria sido resolvida com o lavrar de uma multa. Mas como era pobre, ele acabou sendo submetido a um grave processo de intoxicação que resultou na sua morte. Fecha o pano.

Agora, pensem em Roberto Jefferson, aliado do presidente Jair Bolsonaro, que se encontrava em prisão domiciliar por causa de crimes continuados, e que resolveu receber uma destamento da Polícia Federal com tiros de fuzil (inicialmente se fala em 20) e granadas (fala-se que ele arremesou duas contra os policiais). Pois bem, Roberto Jefferson não só teve mais de 8 horas para se entregar, mas as imagens da “negociação” mostram um policial federal (supostamente) rindo enquanto ouve a forma pela qual o ex-deputado bolsonarista tentou efetivamente assassinar seus colegas (ver vídeo abaixo).

Se essa situação toda não servir para mostrar que Roberto Jefferson fez o que fez porque tinha algum tipo de garantia de que não teria seus miolos estourados, pelo menos temos agora uma prova didática da imensa dualidade que rege a ação das forças do Estado no controle da situação social no Brasil.

É que se as cenas mostradas pelo próprio Roberto Jefferson do conforto de sua casa tivessem ocorrido no Complexo do Alemão ou na Favela da Maré, o que estariamos vendo hoje seriam cenas de violência extrema, poças de sangue de inocentes, e corpos sendo transportados pela própria população em carrinhos de mão.

Esses dois casos escancaram o Brasil de Jair Bolsonaro, e só não vê quem não quer.

Caso Roberto Jefferson ganha ares de Atentado do Rio Centro

rio centro

O sargento Guilherme Pereira do Rosário morto na explosão acidental da bomba dentro de um carro Puma no estacionamento do Riocentro 

Recém-chegado à cidade do Rio de Janeiro e morando no Alojamento Estudantil da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fui convidado por colegas para ir a um show musical que ocorreria no Rio Centro para celebrar o dia do trabalhador. Em meio à preguiça de ir tão longe e desconhecedor da noite carioca, resolvi ficar confabulando com os pernilongos naquele calourento 30 de abril de 1981.  Para minha surpresa, meus colegas voltaram contando um fato que depois entraria para a história do Brasil como o “Atentado do Rio Centro”.

O que hoje se sabe é que o episódio do Rio Centro foi um ataque terrorista conduzido por setores do Exército Brasileiro e da Polícia Militar do Rio de Janeiro  com o objetivo de incriminar grupos que se opunham à ditadura militar no Brasil e, assim, justificar a necessidade do seu aparato de repressão e retardar a abertura política que se encontrava em andamento.  O Caso do Rio Centro se tornou um exemplo emblemático do terrorismo de Estado praticado pela ditadura militar instalada em 1964, pois o plano dos militares envolvia a realização de uma série de explosões no Centro de Convenções do Riocentro, quando ali se encontravam 20 mil pessoas durante um espetáculo musical em comemoração do Dia do Trabalhador. 

Pois bem, quanto mais eu penso e ouço fontes que acompanham de perto o que aconteceu em uma pacata rua do município de Comendador Levy Gasparian está com toda cara de uma reedição farsesca do Atetado do Rio Centro. Só que agora no lugar de oficiais militares, temos a figura tragicômica de Roberto Jefferson, um político que literalmente se encontra em estado terminal.

bob jefferson bolso

O ex-deputado federal Roberto Jefferson é um amigo íntimo de Jair Bolsonaro, e as fotos provam isso

O que ainda irá se apurar e a história irá registrar se refere ao que deu errado desta vez, já que no lugar de um bomba que explodiu no colo de quem a armava, as informações são de que uma granada foi lançada contra membros da Polícia Federal. 

Mas uma coisa é certa: algo não saiu de acordo com o planejado. Aqueles que viveram os dias seguintes após o Atentado do Rio Centro já sabem que isso terá consequências para a campanha de Jair Bolsonaro.

Bomba midiática bolsonarista visa esconder os planos de Paulo Guedes contra o salário-mínimo e as aposentadorias

bomba

Na última 6a. feira, logo após as revelações em torno dos planos de Paulo Guedes para congelar o salário-mínimo e aposentadorias, o economista Eduardo Moreira previu que a campanha de Jair Bolsonaro iria produzir um factóide para mover o debate para longe do debate econômico (ver vídeo abaixo).

Eis que hoje, pouco menos de 48 horas após as previsões de Eduardo Moreira, o político bolsonarista em estado terminal, Roberto Jefferson, tornou em realidade o que era antes apenas hipotético.  Por isso mesmo, não vou nem mostrar o  vídeo para lá de pouco explicado em que Jefferson supostamente atingiu com tiros e explosão de granada uma equipe da Polícia Federal.

Como outros já disseram, esse é uma bomba midiática (ou bomba semiótica), um verdadeiro apito de cachorro, que visa mover o debate para longe daquilo que está causando um estrago imenso na campanha de Jair Bolsonaro, qual seja, a informação confirmada pelo próprio Paulo Guedes de que existem planos para desindexar da inflação passada os valores do salário-mínimo, aposentadorias, pensões e outros benefícios sociais.

guedes salario

A revelação da Folha de São Paulo que abalou a campanha de Jair Bolsonaro e gerou a bomba midiática envolvendo Roberto Jefferson

Desarmar essa bomba midiática lançada por Roberto Jefferson é fundamental para que não se permita que a campanha de Jair Bolsonaro saia das cordas em que foi colocada, sabe-se lá por quê, por Paulo Guedes.

Finalmente, há que se reconhecer a capacidade intelectual de Eduardo Moreira que previu com exatidão algo que veio efetivamente a acontecer. 

O Garotismo como braço auxiliar do Bolsonarismo ou… o triste fim de uma carreira política promissora

bolsonaro-e-garotinho

De político promissor a braço auxiliar de Jair Bolsonaro, a peculiar trajetória de Anthony Garotinho

Morando em Campos dos Goytacazes desde janeiro de 1998, pude assistir ao auge e à decadência de uma importante liderança política que chegou a angariar impressionantes 17,86% dos votos para presidente em 2002 pelo PSB. Antes disso, essa personalidade havia sido eleito aos 39 anos para governar o estado do Rio de Janeiro, o que representou uma fenômeno eleitoral, na medida em que um político saído do interior bateu adversários fortes em uma eleição bastante concorrida.  Entretanto, após a perda das eleições de 2002, em vez de usar o capital político angariado para se firmar como importante liderança nacional, esse agora não tão jovem político abandonou suas raízes de esquerda e caminhou firme e resolutamente para a direita, até se tornar uma espécie de braço auxiliar da ideologia de extrema-direita que se convencionou chamar de “Bolsonarismo” (aliás, quem sabe qual é o partido atual desse personagem?). 

Obviamente falo acima de Anthony Garotinho, a fulgurante figura que saiu dos palcos do teatro campista para navegar por diversos partidos para aportar nos braços de Jair Bolsonaro. Como já tive a oportunidade de, ao longo dos anos, acompanhar o que considero o brilhantismo político de Anthony Garotinho, vê-lo como uma espécie de papagaio de pirata da extrema-direita chega a ser decepcionante, pois sempre respeitei a sua sagacidade e capacidade de sobrevivência política.

Mas há que se lembrar que esse percurso da esquerda para a direita não aconteceu sem que fosse possível notar a transmutação. É que para quem não se lembra, Anthony Garotinho foi um dos primeiros, senão o primeiro, político a falar da existência de um inexistente “Kit Gay” que seria distribuído pelo Ministério da Educação e Cultura. Aliás, foi ali que Garotinho ofereceu a primeira “dica” para Jair Bolsonaro para criar um fantasma para atacar o governo do PT que era comandado por Dilma Rousseff. Não é à toa que recentemente, a candidata derrotada e filha de Garotinho, Clarissa, reviveu mais uma vez a fábula do “Kit Gay” para reforçar seu discurso cada vez mais reacionário.

Agora em um segundo turno acirrado está anunciada a vinda do senador Flávio Bolsonaro para uma carreata na cidade de Campos dos Goytacazes, a qual deverá ter a participação da filha Clarissa e do filho-prefeito, Wladimir Garotinho. Esse evento marcará a consolidação do processo de subalternização da família Garotinho à Jair Bolsonaro.  Até aqui nenhuma surpresa, pois não me parece haver mais caminho de retorno para Anthony Garotinho e seus descendentes. Entretanto, ao se abraçar a Jair Bolsonaro, Anthony Garotinho não só se descola definitivamente de qualquer possibilidade de praticar uma política progressista, mas também se arrisca a afundar junto com Jair Bolsonaro.

A questão agora é saber como a herança de desmobilização e desorganização que acompanhou a trajetória do “Garotismo” será apagada da política campista. Pessoalmente vejo algumas possibilidades promissoras para que haja uma saída pela esquerda em um quadro que momentaneamente nos torna um dos municípios mais bolsonaristas do Brasil. De toda sorte, uma coisa me parece sorte: o Garotismo tenderá a uma maior fragmentação que desembocará num maior fracionalismo que poderá, entre outras coisas, gerar uma disputa pela marca Garotinho. Isso, aliás, já ficou claro por meio de um vídeo para lá de caótico no qual o patriarca cobrava e denunciava o que considerava ser um corpo mole do filho-prefeito em relação à campanha eleitoral da irmã-candidata a senadora. 

Estudo na Science mostra que a proteção climática não virá através do reflorestamento

O efeito Albedo compensa os efeitos positivos do armazenamento de carbono

niger refloresta

Projeto de reflorestamento na região do Sahel do Níger. Foto: AFP/FAO/Luis Tato
Por Norbert Suchanek para o “Neues Deutschland”

As árvores precisam de dióxido de carbono para a fotossíntese. À medida que crescem, removem o gás de efeito estufa da atmosfera e prendem o carbono na madeira por décadas. Especialmente nas zonas semi-áridas do nosso planeta existem grandes áreas não florestadas. O que poderia ser mais óbvio do que reflorestar essas áreas em grande escala para combater as mudanças climáticas e impedir a propagação dos desertos? Por esse motivo, programas de reflorestamento maciço estão em andamento em todo o mundo, como a Iniciativa da Grande Muralha Verde da África, que visa esverdear 100 milhões de hectares no Sahel. Mas o clima pode sair pela culatra. Um novo estudo mostra que isso dificilmente desacelera o aquecimento global e pode até ser contraproducente e aquecer ainda mais o clima.

As áreas secas cobrem cerca de 40 por cento da área terrestre do nosso planeta. Projetos de reflorestamento em grande escala estão sendo realizados ou planejados nessas áreas em todo o mundo, por exemplo, na China , na zona do Sahel e na Arábia Saudita. Juntas, essas iniciativas visavam reflorestar mais de 500 milhões de hectares, segundo um estudo agora publicado na revista Science .

Em seu trabalho de pesquisa, os pesquisadores do Technion – Instituto de Tecnologia de Israel e do Instituto Weizmann de Ciência – calcularam as consequências dessas plantações de árvores em grande escala influenciando o clima global. Eles assumiram um total de 448 milhões de hectares de áreas não florestadas em áreas semi-áridas e subúmidas secas que poderiam ser plantadas com árvores, cerca de seis por cento da área de terra seca global.

“Quando começamos a pesquisa, pensamos que poderíamos mostrar que o plantio em larga escala de florestas em áreas semiáridas diminuiria significativamente o aquecimento global”, explica o líder da pesquisa Yohay Carmel. “Mas nosso estudo refutou essa hipótese aceita. É realmente decepcionante. Mas é assim que a ciência funciona – ela descobre a verdade, independentemente do que queremos descobrir.«

Especificamente, o estudo descobriu que o reflorestamento máximo dessas terras secas durante um período de 80 anos pode compensar apenas cerca de 1% de todas as emissões de carbono da queima de combustíveis fósseis até o final deste século. O motivo é o chamado efeito albedo, ou seja, a refletividade da superfície da Terra para a radiação solar. O dossel escuro e sombrio das árvores simplesmente reflete menos radiação solar do que o solo mais claro de áreas áridas sem árvores, aquecendo ainda mais a atmosfera.

De acordo com os cálculos dos pesquisadores israelenses, embora as árvores plantadas armazenassem 32,3 bilhões de toneladas de carbono até o final do século, apenas 22,6 bilhões de toneladas são necessárias para compensar a redução do efeito albedo, diz o estudo. Em algumas regiões áridas, como Cazaquistão, China e Mongólia, a cobertura florestal pode até ser contraproducente para a proteção do clima devido à redução da reflexão da luz solar e, na verdade, aquecer o clima global em vez de resfriá-lo. A equipe de pesquisa também argumenta que o reflorestamento em grande escala pode eliminar espécies raras que dependem de terras secas não florestadas, “com sérias consequências para a biodiversidade”.

»Plantar florestas, por mais extensas que sejam, não nos salvará das mudanças climáticas. Em vez disso, devemos nos concentrar na redução das emissões”, conclui Carmel, líder do estudo.

“Este estudo é importante e bem feito. Fornece uma estimativa significativamente melhorada dos efeitos opostos da arborização: por um lado, o resfriamento através da redução de CO 2na atmosfera e, por outro lado, o aquecimento devido à redução da reflexão da luz solar pela folhagem escura das florestas”, diz Martin Claussen, do Instituto Max Planck de Meteorologia, que não participou do estudo. Plantar árvores, no entanto, continua sendo uma medida sensata se for realizada de forma inteligente. Claussen: »Se a floresta foi derrubada, então sabemos que a floresta pode crescer naturalmente nesta região. Por esta razão, o reflorestamento de florestas desmatadas faria mais sentido do que o reflorestamento de regiões em que é questionável se as florestas podem prosperar. .

Nadine Rühr, chefe do grupo de trabalho Ecofisiologia Vegetal do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (KIT), aponta outro problema que precisa ser investigado em projetos de reflorestamento: o risco de incêndios florestais, que podem dissolver o estoque de carbono em fumaça e cinzas em a qualquer momento. Stir: “Secas de longa duração e ondas de calor extremas podem aumentar a mortalidade das árvores e levar a incêndios florestais em grande escala e, assim, questionar o potencial de proteção climática do reflorestamento”.

Nina Buchmann, professora de Ciências de Pastagens do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique, ressalta que o arborização artificial de pastagens com alta biodiversidade é discutido no estudo, mas não descartado. Buchmann: »Na minha opinião, tal avaliação seria urgentemente necessária, já que no momento as pessoas estão quase ›cegas‹ contando com o plantio de árvores – de particulares, de empresas às Nações Unidas. Se a destruição de pastagens com alto nível de biodiversidade fosse levada em conta, o efeito climático calculado seria ainda menor.« Por último, mas não menos importante, o estudo questiona os atuais programas globais de compensação de emissões de dióxido de carbono (compensações de carbono). Porque, de acordo com Buchmann, “a maioria desses programas ignora o efeito albedo”.


compass black

Este texto foi escrito originalmente e publicado pelo jornal “Neues Deustchland” [Aqui!].

AVABRUM faz nota sobre outras duas barragens que ameaçam desabar em Brumadinho (MG)

Dois dias após STF adiar, novamente, decisão sobre julgamento do caso Brumadinho na justiça Estadual ou Federal, relatório da ANM aponta que duas barragens da cidade entraram em nível de emergência

bruma

A Agência Nacional de Mineração (ANM) divulgou na quarta-feira, 19 de outubro, relatório apontando que duas barragens em Brumadinho entraram para o nível de alerta de estabilidade de suas estruturas. Os dois diques pertencem à empresa Comisa Mineração e estão a cerca de 30km do centro da cidade.

As barragens estão em nível 1 de emergência e foram categorizadas como de alto risco. Ambas somam quase 20 mil metros quadrados e apresentaram deformações e trincas. O relatório da ANM mostra ainda que, das 47 barragens embargadas no Brasil, 31 estão em Minas Gerais.

Diante desse novo dado, a presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos da Tragédia do Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (Avabrum), Alexandra Andrade, declarou: “É muito importante a haja fiscalização preventiva e efetiva, sem maquiagem! Não há reparação para morte! O lucro não VALE a vida e matar não pode VALER a pena! Em Brumadinho foram 272 mortes em menos de um minuto, e até hoje ninguém foi punido”.

Dois dias antes da divulgação desse relatório, ministros da segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF) se encontravam em plenário virtual para decidir se a competência para julgar o caso do rompimento da barragem da Vale em 2019 é da Justiça Federal ou Estadual. Para frustração de familiares de vítimas e atingidos pela tragédia-crime, que esperavam decisão favorável ao julgamento do caso em Minas Gerais, o ministro André Mendonça, que tinha acompanhado favoravelmente o relator da ação, ministro Edson Fachin, acabou pedindo vista, ou seja, mais tempo para julgar o processo.

“A associação lamenta que o processo sofra mais adiamento e espera que o voto de Mendonça seja mantido para que a ação não volte à estaca zero quase 4 anos depois da tragédia-crime que tirou a vida de 272 pessoas. Tudo isso vai ajudando a nos matar um pouco mais a cada dia, além de todo sofrimento pela perda dos nossos entes queridos. Muitos pais, mães, viúvas (os), irmãos e filhos nunca tinham ido ao psicólogo ou psiquiatra e hoje fazem tratamento e usam medicação antidepressiva e apresentam outros tipos de doenças que antes não tinham. O adiamento nos deixa ainda mais ansiosos, angustiados, adoecidos, tudo por causa do lucro acima da vida”, conclui Alexandra.

Enquanto os responsáveis pela maior tragédia humanitária do Brasil, que matou 272 pessoas, inundaram de lama toda região de Brumadinho, devastando o meio ambiente ao redor e poluindo com metais pesados as águas do Rio Paraopeba, segue impune, a população do município amarga a cada dia mais notícias que evidenciam a vulnerabilidade da região sob constante ameaça de mais rompimentos de barragens. Além de fatos novos que surgem a todo momento, Brumadinho vive todos os dias os impactos das obras e atividades da reparação do rompimento da barragem. Além de que, até o momento, quatro vítimas ainda não foram encontradas, enquanto suas famílias aguardam seu sepultamento digno, dentro do possível. Desde 25 de janeiro de 2019, a cidade não tem um dia de paz.

Com Bolsonaro apenas uma certeza: depois da gastança eleitoreira virá um arrocho profundo

guedes bolso

A revelação antecipada do plano de arrocho de salários e aposentadorias coloca Paulo Guedes e Jair Bolsonaro em mais um momento delicado em um relacionamento já turbulento

Enquanto a campanha eleitoral do presidente Jair Bolsonaro mostra robustez (muito em parte ao derrame abundante de dinheiro público em diversas ações de ditribuição aos trabalhadores e mais pobres), (ver imagem abaixo), há nela um quê de imprevisibilidade, muitas vezes por problemas causados pelo presidente e seus principais ministros. A mais recente prova disso foi o furo de reportagem do jornal Folha de São Paulo sobre o plano do ministro Paulo Guedes em desindexar o reajuste do salário mínimo e das aposentadorias do indíce de inflação passada. 

gastanca

Esse plano é uma verdadeira bomba atômica, na medida em que, de forma objetiva, haverá uma perda ainda maior maior do poder de compra dos trabalhadores e aposentados, já que a correção planejada deverá ter consequência o fato de que o reajuste dado ficará abaixo da realidade inflacionária.

Por causa deste anúncio, o comando de campanha de Jair Bolsonaro já realizou pressões para que Paulo Guedes desminta o seu próprio plano como uma “fake news”, o que o ministro fez de forma apenas parcial, o que contribui de forma prática para confirmar que o plano existe e será aplicado, caso Jair Bolsonaro vença o segundo turno.

Salários e aposentadorias desindexados causarão aumento da fome e da miséria

Para um país que paga um dos piores salários mínimos do planeta e onde o valor das aposentadorias da maioria das pessoas não garante sequer a compra dos remédios, esse plano significará jogar mais pessoas na miséria e o aumento das pessoas em condição de fome.

Mesmo para um governo ultraneoliberal como o de Jair Bolsonaro, a simples intenção de piorar o que já está ruim parece não fazer muito sentido. O problema é que Paulo Guedes é visto dentro do governo Bolsonaro como o garantidor da redução dos direitos sociais garantidos pela Constituição Federal de 1988, enquanto que fora dele é tratado como um despreparado para entender elementos mínimos do funcionamento da economia brasileira.

O mais emblemático é que a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro tem mostrado na sua propaganda um caminho oposto ao que pretende Paulo Guedes pretende implantar se Jair Bolsonaro for reeleito. O nome disso, obviamente, é estelionato eleitoral já que os eleitores que votarem em Bolsonaro estarão votando em um programa que, na prática, não existe.

De certo apenas uma coisa: se Jair Bolsonaro conseguir se reeleger, haverá um profundo arrocho salarial e nas aposentadorias, pois as benesses de campanha estão gerando um buraco difícil de ser preenchido com o simples andamento dos fundamentos econômicos. 

Finalmente, ganhando ou perdendo, o que se pode antecipar será ainda uma volta dos preços escorchantes dos combustíveis e uma grande disparada no preços dos alimentos. Esse cenário jogará o Brasil em um redemoinho perigoso de agitação social.

Governo Bolsonaro avalia fusão do Ministério de Ciência e Tecnologia com a Indústria e o Comércio

sem ciencia

Por Luiz Queiroz para a Capital Digital

Num eventual segundo mandato do presidente Jair Bolsonaro, expectativa que vem crescendo a cada anúncio das pesquisas eleitorais, existe uma forte possibilidade do atual Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) virar um braço de uma nova estrutura ministerial a ser criada, que envolveria também a Indústria e o Comércio Exterior. Os rumores dessa fusão correm soltos no mercado empresarial privado e pelos corredores do MCTI e do Ministério da Economia, que supostamente comandaria essa articulação.

O novo ministério que conjugaria a Ciência com a Indústria e o Comércio seria dado ao governador de Minas Romeu Zema, como pagamento político ao apoio dado à reeleição de Bolsonaro. E o cabeça da pasta viria da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), com o aval político da Confederação Nacional da Indústria (CNI), através do seu MEI- Movimento Empresarial pela Inovação. Essa entidade reúne hoje 429 empresas que representam expressiva parcela do PIB nacional. O nome mais cotado para virar ministro dessa nova pasta seria o do empresário mineiro do setor têxtil, Flávio Roscoe Nogueira (foto abaixo), atual presidente da FIEMG.

Se confirmadas essas especulações, considerando que o presidente Bolsonaro tenha revertido a campanha eleitoral e conseguido a reeleição, a nova pasta contaria com os recursos do BNDES e da Finep, e passaria a controlar a gestão dos R$ 9 bilhões arrecadados pelo FNDCT – Fundo Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

FNDCT

Independentemente se essa articulação vai vingar ou não passa de boato, o redirecionamento do FNDCT é uma realidade e vem sendo defendida abertamente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Este blog teve acesso a uma apresentação da entidade, cujo teor trata de uma “Nova governança da MEI e proposta de nova governança do FNDCT”, elaborado pelo Movimento Empresarial pela Inovação.

E na proposta fica clara que a indústria veria com bons olhos se o Governo Bolsonaro reordenasse o FNDCT para um cenário no qual a distribuição dos recursos acabaria majoritariamente na pesquisa aplicada e na indústria. O restante seria canalizado para a pesquisa acadêmica que, se já tem dificuldades de obtê-los via um ministério voltado para isso, imaginem numa nova pasta comandada por representantes de empresas?

O MEI tem a seguinte caracterização representativa:

 


compass black

Este foi inicialmente publicado pelo site “Capital Digital” [Aqui! ].

Em caso de reeleição de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes planeja aplicar um forte arrocho do salário mínimo e das aposentadorias

bolso guedes

Em caso de reeleição de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes prepara forte arrocho sobre salários e aposentadorias

Um artigo de autoria das jornalistas Indiana Tomazelli e Juliana Sofia mostra que animado com a possibilidade de reeleição de Jair Bolsonaro, o atualmente sumido ministro da Fazenda, o Sr. Paulo Guedes está arquitetando um mega arrocho contra os trabalhadores brasileiros.

wp-1666270582142

 

Segundo o revelado por Tomazelli e Sofia, o plano sendo gestado por Paulo Guedes envolverá a desindexação do salário mínimo e dos benefícios previdenciários. Hoje, eles são corrigidos pelo INPC
(Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do ano anterior, o que garante ao menos a reposição da perda pelo aumento de preços observado entre famílias com renda de até cinco salários mínimos.

Ainda segundo as jornalistas da Folha,  trechos da proposta de Paulo Guedes afirmam que “o salário mínimo deixa de ser vinculado à inflação passada”. Assim, na nova regra que seria adotado no novo mandato de Jair Bolsonaro, o  gasto com benefícios previdenciários “também deixaria de ser vinculado à inflação passada”.  Com isso, fica aberta a possibilidade de uma correção abaixo da inflação nos benefícios previdenciários, que têm despesas projetadas em R$ 859,9 bilhões para 2023, e também do salário mínimo. Um novo piso nacional afetaria também os gastos com seguro-desemprego.

Somando todas essas informações, o que se vê é que depois de passada a fase do “Bolsonaro bonzinho”, o que se pretende mesmo é um ataque sem precedentes ao poder de compra dos trabalhadores brasileiros. E o nome disso é estelionato eleitoral, puro e simples.

Cantor e “Pastor celebridade” faz auto retratação fake para atacar Lula e o TSE nas redes sociais

valadao

O cantor gospel e “Pastor Celebridade André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha (MG), fez circular um vídeo de uma suposta  auto retratação que seria resultado de uma determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O único problema é que o TSE não determinou isso

Na tarde de ontem o cantor gospel e “Pastor Celebridade André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha (MG), fez circular um vídeo de uma suposta  auto retratação que seria resultado de uma determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em um tom que misturava ironia e sarcasmo, Valadão passou a enumerar todas as “fake news” envolvendo o ex-presidente Lula que ele está propalando, e que o TSE finalmente decidira interromper a circulação.

O vídeo chegou a ser circulado por outro membro da mesma igreja, o deputado federal André Janones (Avante/MG), como demonstração de que Valadão estaria reconhecendo o seu erro e que, por isso, haveria de se praticar o perdão em relação ao erro dele que é basicamente circular fake news eleitorais em benefício da candidatura de Jair Bolsonaro.

O que era estranho virou farsa quando a assessoria de comunicação do TSE negou que a corte tivesse emitido qualquer decisão obrigado Valadão a se retratar em relação às suas fake news sobre Lula.

Uma primeira consequência de se juntar os fatos acerca do vídeo de Valadão é que o “pastor celebridade” produziu outra fake news ao se utilizar de uma mentira (uma ordem judicial inexistente) para continuar propaganda suas mentiras contra o ex-presidente Lula.

A segunda consequência terá agora de partir do próprio TSE, segundo alvo do ataque de Valadão. É que está evidente que não é apenas este “pastor celebridade” que embarcou em uma campanha sem limites contra a candidatura de Lula, usando todos os métodos sujos disponíveis, mesmo sob pena de comprometer a própria capacidade de falar e ser ouvido com a devida seriedade pelos próprios membros  de sua congregação.

Essa situação toda envolvendo as lideranças evangélicas que foram fartamente beneficiadas pelo governo Bolsonaro consequências muito graves para a convivência política dentro do Brasil após as eleições de 31 de outubro, vide os ataques que estão sendo realizados dentro de templos católicos. 

Mas parece que para Valadão e outros “pastores celebridades” o que importa agora é vencer as eleições e garantir a continuidade das benesses concedidas. E pensar que antes o que os protestantes esperavam eram bençãos.