Observatório de Agrotóxicos: após quebrar recorde em 2021, governo Bolsonaro começa 2022 com mais 12 liberações

tereza cristina jair bolsonaro

Jair Bolsonaro e Tereza Cristina seguem liberando agrotóxicos altamente perigosos e deixarão um legado tóxico para os brasileiros

Um dos aspectos em que o governo Bolsonaro vem se provando letal é no campo da liberação “fast track” de agrotóxicos, o que vem colocando uma quantidade significativa de substâncias altamente danosas no mercado nacional de venenos agrícolas. Como já mostrado em diferentes ocasiões neste espaço, parte significativa dos agrotóxicos liberados pelo governo Bolsonaro já está proibida em outras partes do mundo, a começar pela União Europeia, por causa dos efeitos danosos conhecidos para muitos deles.  A lista de produtos banidos em outras regiões do mundo mas amplamente usados no Brasil estão a atrazina, a ametrina, o acefato e o fipronil (mas a lista é bem mais longa do que isso).

A avidez do governo Bolsonaro, sob a batuta célere da “musa do veneno”, Tereza Cristina (DEM/MS), é tanta que em 36 meses de governo foram liberados 1.558 agrotóxicos, sendo que em cada ano com Jair Bolsonaro no poder foram quebrados novos recordes de aprovação (ver figura abaixo), tendo chegado a 2021 com incríveis 562 agrotóxicos disponibilizados para uso amplo nas monoculturas de exportação (i.e.,  algodão, cana de açúcar, milho e soja). Agora, com os 12 produtos liberados, o “grand total” do governo Bolsonaro chegou a astronômicos 1.570 agrotóxicos, uma verdadeira festa para os grandes fabricantes de venenos agrícolas como Bayer e Basf.

aprovação de agrotóxicos

Dentre os problemas que decorrem do grande volume de agrotóxicos sendo usados na agricultura nacional estão a contaminação de solos, corpos aquáticos superficiais, lençol freático e o extermínio de polinizadores (e.g., abelhas), mas ainda a contaminação de trabalhadores rurais, comunidades próximas às monoculturas, e ainda os consumidores de alimentos contendo grandes quantidades de resíduos de agrotóxicos conhecidos por causarem diversos tipos de doença, a começar por vários tipos de câncer.

Primeira lista de aprovações de 2022 confirma supremacia chinesa na oferta de produtos técnicos

pesticides china

Em uma demonstração de que busca novos recordes de liberação destas substâncias altamente venenosas, o governo Bolsonaro já soltou a sua primeira lista de “novos” agrotóxicos liberados para comercialização no Brasil a partir da publicação do Ato No 2. de 06 de janeiro de 2022. Esse ato traz a liberação de 12 produtos técnicos que são aqueles que serão formulados para venda direta nas lojas de agrotóxicos.

A partir de uma análise inicial já se pode confirmar que a China continua jogando o papel principal de produtos técnicos, já que empresas chinesas são as fabricantes de 9 dos 12 produtos, ficando a Índia com 2 e a Espanha com 1. No caso do agrotóxico fabricado na Espanha, este se trata do fungicida  Mefentrifluconazole que é fabricado pela multinacional alemã Basf.

A supremacia chinesa na oferta de produtos técnicos reforça o caráter desiquilibrado das relações comerciais sino-brasileiras, na medida em que as exportações brasileiras de diversas commodities tem a China como principal comprador que, por sua vez, se tornou um fornecedor preferencial de agroquímicos, incluindo agrotóxicos e fertilizantes.

Com o “Pacote do Veneno” tramitando no Congresso, governo Bolsonaro quer provar que o céu é olimite para o uso de agrotóxicos perigosos no Brasil

agrotoxicos comida

Mas se engana redondamente quem acha que a liberação dessa tsunami de agrotóxicos já matou a sede do latifúndio agro-exportador por venenos agrícolas. É que na volta das atividades legislativas no congresso nacional já está novamente tramitando o Projeto de Lei 6299/02, mais conhecido como Pacote do Veneno cujo objetivo é não apenas agilizar ainda mais a liberação de agrotóxicos, mas dar, digamos, um verdadeiro “banho de boutique” nos agrotóxicos que passarão a ser chamados por outros nomes com o objetivo de mascarar o óbvio sobre esses produtos, qual seja, que são altamente venenosos e prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana.

O interessante é que um dos mais aguerridos defensores do Pacote do Veneno é o deputado federal Luiz Nishimori (PL/PR), um dublê de proprietário rural e vendedor de agrotóxicos, e um dos mais aguerridos membros da chamada Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a famosa “bancada ruralista”.

Como venho dizendo faz algum tempo, a luta contra o uso indiscriminado e abusivo de agrotóxicos deverá ser uma das bandeiras a serem agitadas na campanha eleitoral de 2022. Essa bandeira terá de ser agitada de forma inequívoca e resoluta, pois a manutenção de um modelo agrícola viciado em agrotóxicos deverá trazer efeitos dantescos nas próximas décadas para a população brasileira que hoje convive, entre outras coisas, com alimentos cada vez mais contaminados por resíduos de agrotóxicos altamente perigosos.

UE planeja proibir uso de agrotóxicos em parques e outros espaços públicos

Reino Unido instado a seguir o exemplo enquanto Bruxelas elabora proposta para reduzir o uso geral dos produtos químicos em 50%

parks pesticidesA Comissão Europeia diz que vários estados membros da UE não cumpriram as orientações anteriores sobre a redução do uso de controle químico de pragas. Fotografia: Martin Jenkinson/Alamy

Por Daniel Boffey em Bruxelas, para o “The Guardian”

O uso de agrotóxicos sintéticos em parques e outros espaços públicos verdes em áreas urbanas deve ser proibido na União Europeia (UE), com os estados membros obrigados a reduzir o uso geral em 50%, de acordo com um projeto de regulamento vazado.

A medida é considerada necessária pela Comissão Europeia devido ao fracasso de vários estados membros da UE em agir de acordo com as orientações anteriores sobre a redução do uso de controle químico de pragas.

As autoridades dizem no projeto de regulamento que, como resultado das propostas, “os consumidores da UE podem ver o aumento dos preços dos alimentos, o que pode levar ao aumento das importações de países terceiros com regulamentação menos rigorosa do uso de agrotóxicos”.

Mas as autoridades disseram que examinarão maneiras de mitigar o impacto, acrescentando que a UE precisa “mudar para um sistema alimentar justo, saudável e ecológico”. Sob o regulamento, os agrotóxicos também seriam proibidos em áreas de proteção da natureza.

Cerca de 70 cidades do Reino Unido estão tomando medidas para reduzir o uso de agrotóxicos, mas não há proibição legal. Um porta-voz da Pesticide Action Network UK (PAN UK) pediu ao governo britânico que siga o exemplo de Bruxelas.

Ele disse: “A PAN UK vem pedindo essa medida há muitos anos e ver a Comissão Europeia apresentar planos para acabar com o uso desnecessário de agrotóxicos em áreas urbanas é muito bem-vindo. Será um enorme benefício para os cidadãos e o ambiente da UE. A PAN UK gostaria de ver o Reino Unido seguir o exemplo e acabar com o uso de pesticidas em nossas cidades.”

O projeto de regulamento da UE, que precisará ganhar o apoio dos Estados membros e do Parlamento Europeu, recebeu uma reação mista de ativistas ambientais na Europa continental.

Preocupações foram levantadas sobre a falta de restrições impostas aos agricultores para usar métodos como rotação de culturas e capina mecânica. Potenciais lacunas em torno da meta de 50% também foram identificadas, relacionadas à falta de confiança na coleta de dados precisos.

Sarah Wiener, uma eurodeputada dos Verdes, disse temer que o regulamento se traduza em promessas vazias. Ela disse: “A proposta da comissão sobre o uso sustentável de agrotóxicos na UE é tudo menos estanque. Por um lado, a comissão reconhece que a antiga diretiva dá muita margem de manobra aos Estados membros e, consequentemente, quer transformá-la em regulamento. Por outro lado, a comissão enumera apenas medidas insuficientes para implementar essa ideia basicamente boa.

“Não apenas isso, mas a comissão não quer nem mesmo tornar obrigatório o básico do manejo integrado de pragas, que seria o mínimo absoluto para alcançar um menor uso de agrotóxicos e proteger a saúde humana e a biodiversidade”.

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui! ].

Campos dos Goytacazes: TJ suspende decisão pró-proprietários de escolas que autorizava aulas para crianças não vacinadas

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Em uma decisão que eu já esperava, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro cassou a liminar expedida pela justiça de Campos dos Goytacazes que autorizava o início das aulas para crianças ainda não vacinadas contra a COVID-19 (ver imagem abaixo).

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Um ponto que merece ser ressaltada é a observação pelo juiz Celso Luiz de Matos Peres é o que aponta para um fato elementar, qual seja, a “nítida pretensão por parte do Ministério Público no sentido de influenciar e ditar, não só as políticas municipais de saúde, bem como as políticas educacionais locais, sendo consistente e razoável a argumentação expendida pelo ente público recorrente“. Além disso, o meritíssimo observou outro aspecto elementar afirmando que “observo que as medidas prudenciais adotadas pelo agravante (i.e., a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes (PMCG))  se justificam plenamente, até porque não vislumbro prejuízo substancial ao ano letivo com a postergação do início das aulas para o dia 07/03/2022..”

Trocando em miúdos, o juiz Celso Luiz de Matos Peres assinalou a inapropriada interferência do Ministério Público em duas áreas de competência da PMCG, quais sejam, as políticas de saúde e educacionais; além de observar algo óbvio que não haverá prejuízo pedagógico substancial para a postergação do semestre letivo para depois do Carnaval.

Aos proprietários das escolas que se moveram para literalmente forçar a reabertura dos seus estabelecimentos em momento de franca expansão da variante “Ômicron” restará recorrer dessa decisão em instância superior ou reconhecer o óbvio para seguir a decisão em nome da saúde de seus empregados e clientes.

Projetos hidrelétricos estão expulsando tigres e onças de seus habitats

Barragens ameaçam grandes felinos

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Usinas hidrelétricas como a represa de Tucuruí, no rio Tocantins, estão destruindo o habitat de grandes felinos como a onça-pintada. Foto: dpa/Dieh Sacramento

Por Norbert Suchanek para o Neues Deutschland

A energia hidrelétrica é considerada uma fonte de energia limpa e amiga do clima. Grandes felinos como tigres e onças, cujos habitats foram inundados para isso, certamente veriam as coisas de forma diferente. Novas pesquisas mostram que os reservatórios existentes causaram a perda de mais de um quinto da população mundial de tigres e destruíram o habitat de centenas de onças.

Pelo menos 3.700 usinas hidrelétricas estão planejadas ou em construção, muitas delas em regiões de floresta tropical. Os efeitos negativos das barragens na biodiversidade de água doce já foram documentados em vários estudos. As consequências para as espécies de animais terrestres até agora foram negligenciadas pela pesquisa. Ana Filipa Palmeirim e Luke Gibson da Southern University of Science and Technology (SUSTech) em Shenzhen (China) estão agora a tentar colmatar esta lacuna de investigação.

Eles relatam os primeiros resultados na revista Communications Biology Depois disso, 421 barragens foram construídas em regiões de tigres até hoje. Os reservatórios inundaram 13.750 quilômetros quadrados do habitat do grande felino asiático. Os dois pesquisadores calculam que isso por si só levou à perda de 729 tigres, 20 a 23% da população mundial. Não atingiu o Jaguar com tanta força até agora.
Entretanto, 164 grandes usinas hidrelétricas inundaram um total de 25.397 km2 de áreas de floresta e savana que antes abrigavam o grande felino malhado da América Latina. De acordo com os cálculos dos dois pesquisadores, 915 onças perderam seu habitat, 0,53% da população total atual de cerca de 173 mil animais.

Apesar de sua reputação como uma fonte de energia ecologicamente correta, a energia hidrelétrica é uma das maiores causas mundiais de destruição de habitats, afirmam os autores. As áreas inundadas oferecem apenas um habitat limitado para a fauna de água doce e estão completamente perdidas para as criaturas terrestres. A influência das hidrelétricas no mundo animal é ainda maior, pois a construção da barragem é acompanhada pela construção da infraestrutura necessária. “Primeiro, os reservatórios de energia hidrelétrica estão cada vez mais localizados em regiões remotas, e sua construção aumenta muito o acesso humano a essas áreas naturais, por exemplo, através da construção de estradas e linhas de energia”, escrevem Palmeirim e Gibson. Isso fragmentou os ecossistemas ao redor dos reservatórios e as estradas de acesso também abriram habitats anteriormente remotos para caça e exploração de recursos.

Por último, mas não menos importante, a perda dos grandes felinos também representa uma ameaça para os ecossistemas florestais afetados: onças e tigres controlam a população de herbívoros. Sem os predadores, eles podem se tornar dominantes e impedir a regeneração natural da floresta.

Por fim, Palmeirim e Gibson temem que o maior felino da América Latina seja muito mais atingido nos próximos anos pelo novo boom de usinas hidrelétricas planejadas de grande porte. Um total de 429 novas barragens ameaçaram os habitats da onça-pintada , a maioria no Brasil.

Em áreas onde os últimos sobreviventes de aproximadamente 3.200 a 3.500 tigres estão localizados, 41 novos projetos hidrelétricos estão planejados. A subespécie do tigre de Sumatra é particularmente afetada . De acordo com os pesquisadores, os projetos hidrelétricos planejados na Ásia têm o potencial de minar a Declaração de São Petersburgo sobre Proteção aos Tigres.

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal “Neues Deutschland [Aqui!].

No enfrentamento da pandemia, os trânsfugas da esquerda são aliados preferenciais do negacionismo

Tránsfugas

Em meio ao debate sobre a volta às aulas presenciais, em meio ao agravamento da disseminação da variante “ômicron” que é considerada como mais nociva às crianças e não vacinados, tenho visto posicionamentos vindos de dentro das fileiras acadêmicas que se assemelham muito ao que vejo saindo do interior da redes de robôs negacionistas que comandam a sabotagem contra os esforços para acabar com a pandemia da COVID-19 no Brasil.

Entre as pérolas ditas por esses “intelectuais” é uma que equivale  a ação dos sindicatos docentes que cobram a cobertura vacinal de docentes e estudantes como condição para a volta às aulas presenciais como um exemplo de preguiça sindical.  Além disso, como cobertura desse “bolo” ainda aparecem frases de efeito como “já passou a hora de voltarmos às aulas presenciais” que, não raramente, são ditas por profissionais cuja presença em sala de aula é, digamos, rara.

Como alguns desses membros das fileiras acadêmicas já tiveram alguma pretensão de serem de “esquerda”,  não posso deixar de considerar que muitos dessas figuras estão jogando o papel de trânsfugas em meio a uma guerra contra um vírus assassino, apenas para explicitar a sua ojeriza ao papel dos sindicatos na defesa da segurança de seus membros, mesmo que discursivamente adotem um tom crítico do status quo. Nesse sentido,  essas figuras acabam ocupando por opção própria o papel de colunas preferenciais de sustentação do negacionismo oficialista que continua jogando pesado contra o acesso às vacinas contra a COVID-19, seja pela disseminação de propagandas pagas com o dinheiro público para disseminar o medo e a negação, seja pela demora na compra e disseminação das mesmas.

A questão é que em minha experiência de mais de duas décadas como docente de uma universidade pública,  já vi várias vezes, esses mesmos trânsfugas ocupando a cabeça das filas que se formam para auferir os direitos conquistados pelas lutas organizadas pelos sindicatos e pelos “membros preguiçosos” da sua própria categoria. Penso que seria mais coerente que depois combater a ação organizada dos sindicatos, se negassem a receber o fruto das lutas organizadas por eles.  Entretanto, a partir do que vivenciei no meu próprio sindicato, parece mais fácil que esses trânsfugas, mesmo após atrasarem as mensalidades sindicais, continuem se refestelando com os frutos  da luta alheia.

Então qual é o moral da história? É que os pós-pandemia demandará um devido ajuste de contas com aqueles que escondidos pelo verniz acadêmico estão atuando para desmantelar os instrumentos de resistência da classe trabalhadora brasileira. Sem esse ajuste me parece que continuaremos a ter que conviver não apenas com os bolsonaristas raiz, mas com um séquito de ex-esquerdistas que com seus discursos bonitos dão sustentação ao Bolsonarismo.

Dados de satélites mostram a colossal contribuição do degelo da Groenlândia para o aumento do nível do mar

O que é cinco vezes o tamanho da Alemanha, com até três quilômetros de espessura – e vem ficando cada vez menor nos últimos 25 anos? Isso mesmo, o degelo na Groenlândia. As consequências já são visíveis e vão durar muito, muito tempo.

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Geleira Sermeq Kujalleq perto de Ilulissat, Foto: Michael Kappeler/AP

Por Christopher Seidler para a Der Spiegel

14 de agosto de 2021 foi um dia simbólico na estação Summit, no ponto mais alto do manto de gelo da Groenlândia. De acordo com registros meteorológicos, as temperaturas na base de pesquisa, que fica a 3.200 metros acima do nível do mar, caso contrário, apenas valores médios diários de -13 graus, mesmo no verão. Mas neste dia, as temperaturas ficaram acima de zero por nove horas completas – chuva também foi registrada . Algumas semanas antes, em 28 de julho, houve outro extremo: enquanto 60% da superfície do gelo estava derretendo naquele dia, um recorde de temperatura de 23,4 graus Celsius foi estabelecido no aeroporto de Nerlerit, no leste da Groenlândia, perto de Ittoqqortoormiit.

Série negativa de 25 anos seguidos

Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicada pela revista Der Spiegel [Aqui!].

Entidades divulgam documento em defesa da Sabesp: obra da PPP da Linha 6 do Metrô provocou rompimento do interceptor de esgotos e o surgimento da cratera na Marginal Tietê

metro 6

Na manhã de 1º de fevereiro, uma cratera se formou na pista da Marginal Tietê, em São Paulo, com desabamento de parte do solo escavado pelas obras da Linha 6 do sistema de metrô. As imagens dos noticiários mostraram um grande fluxo de esgotos entrando pelos túneis, poços e canteiros. Esses esgotos, coletados de cerca de 2 milhões de pessoas, eram conduzidos até a estação de tratamento de Barueri por um interceptor operado pela Sabesp.

Houve efeitos desastrosos ao tráfego da mais importante via urbana de São Paulo, à implantação da Linha 6 e à qualidade das águas do Tietê. Temos a comemorar a inexistência de vítimas fatais, embora lamentemos que alguns trabalhadores tenham sido contaminados pelo contato com os esgotos.

Obviamente haverá investigação dessa ocorrência por especialistas de solo e de estruturas que avaliarão as suas causas de forma isenta e criteriosa. A engenharia nacional é bastante qualificada para tanto, desde que a isenção e a imparcialidade não sejam subjugadas aos interesses das partes envolvidas, tal como se deu nos crimes de Brumadinho e Mariana.

Entretanto, em face de pronunciamentos de autoridades, divulgados na mídia, que atribuem – ou induzem – à SABESP a responsabilidade dessa ocorrência, devemos esclarecer à opinião pública sobre os seus fatos e as suas circunstâncias.

O interceptor avariado, denominado ITi-7, é um túnel de concreto armado de 4,3 metros de altura por 3,3 metros de largura e 7,5 km de extensão. Foi construído por escavação mecanizada a 15 metros abaixo da pista local da Marginal Tietê. Possui capacidade para transportar, por gravidade, os esgotos coletados nas bacias dos rios Tamanduateí e Anhangabaú, isto é, faz o saneamento de praticamente toda a região central da cidade de São Paulo. Portanto, é uma instalação essencial para a despoluição do Rio Tietê. Entrou em operação há cerca de um ano, substituindo uma antiga tubulação de menor capacidade situada sob a Avenida Marques de São Vicente.

A obra da Linha 6, que ligará Vila Brasilândia até a Estação São Joaquim (Linha 1) executa seus túneis por escavação mecanizada, sob um regime de Parceria Público-Privada (PPP) integral, isto é, sob a responsabilidade do consórcio Acciona / -Linha Uni contratado pelo estado de São Paulo, Toda a execução da obra e a subsequente operação da Linha 6 está sob a responsabilidade desse Consórcio, sem o acompanhamento e a fiscalização da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô-SP)[1].

Ao longo de seus 15 km de extensão há escavações a grandes profundidades, tanto para instalação das estações quanto para desviar de instalações de infraestrutura urbana de grande porte. Nas linhas de metrô em operação, por inúmeras vezes, durante a construção dos túneis houve cruzamentos em desnível com tubulações de abastecimento de água e de transporte de esgotos de grande porte da Sabesp. A experiência da engenharia do Metrô-SP na definição de projetos e na fiscalização da obra, sempre dedicou especial atenção para as adutoras de água e os interceptores de esgotos da Sabesp, evitando qualquer risco de instabilidade para essas estruturas. Não há registro de ocorrências de vazamentos ou rompimentos significativos em mais de 50 anos de obras que envolvam Metrô-SP e Sabesp.

Experientes engenheiros, entrevistados pela mídia, mostram que as vibrações ou movimentações de solo causadas pela escavação de túnel com um shield (o “tatuzão”) provocam movimentações ou pressões que podem causar o rompimento de tubulações metálicas ou de concreto. A boa técnica, adotada em outras tantas situações, é a de escavar o túnel do metrô cerca de 20 metros abaixo de um interceptor ou de uma adutora de grande porte, com velocidade a mais reduzida possível para evitar movimentos do solo[2].

Por isso, a informação preliminar do secretário de Transportes Metropolitanos que o túnel da Linha 6 estaria cerca de três metros abaixo do interceptor ITi-7 causa bastante estranheza[3].

A partir das informações já divulgadas, o empreendimento é executado sem o acompanhamento e a fiscalização da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô-SP) e, aparentemente, sem as precauções de projeto e execução antes adotadas[4]. A situação coloca em xeque decisões que podem ser vinculadas a interesses bastante afastados das melhores técnicas de engenharia. Caberá à investigação – que deverá ser isenta –averiguar esse e as motivações para que lições aprendidas do passado tivessem sido desconsideradas.

Preocupa-nos sobremaneira a propagação em várias mídias, por representantes do estado e da Acciona, de que a causa do surgimento da cratera foi o rompimento do interceptor da Sabesp[5].

Não! A raiz da ocorrência não é o interceptor da Sabesp, mas sim a escavação do túnel da Linha 6 a pequena distância do interceptor em operação, agravada pela ausência de medidas preventivas para estabilização do solo no entorno, em absoluta divergência com as práticas adotadas há várias décadas em obras supervisionadas pelo Metrô-SP.

A SABESP possui larga experiência na execução e operação de tubulações desse porte. Sofrendo as consequências dos danos causados por terceiros, está direcionando esforços para minimizar as consequências ambientais..

A exposição pública da SABESP como causadora do surgimento da cratera é absolutamente equivocada, é uma fake news que desconsidera a sua excelência amplamente reconhecida, nacional e internacionalmente. É uma tentativa de colar uma pecha negativa à imagem da SABESP que serve apenas à sustentação do discurso de desqualificação de uma empresa pública, para escamotear a deficiência de um empreendimento cujo maior objetivo é a geração de lucro.

Não sabemos ainda se a ocorrência se deve à incompetência, à urgência, à ganância ou à omissão, ou à associação desses fatores.

Sabemos sim que a SABESP, a população paulista e o Rio Tietê são vítimas de uma ação cuja origem a obra executada pela PPP da Linha 6, capitaneada pela empresa Acciona[6].

 

AAPS – ASSOCIAÇÃO DOS APOSENTADOS E PENSIONISTAS DAS SABESP

APU – ASSOCIAÇÃO DOS PROFISSIONAIS UNIVERSITÁRIOS DA SABESP

SASP – SINDICATO DOS ADVOGADOS DO ESTADO DE SÃO PAULO

SINTAEMA – SINDICATO DOS TRABALHADORES EM ÁGUA, ESGOTO E MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO

SINTIUS URBANITÁRIOS  – SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS URBANAS DE SANTOS, BAIXADA SANTISTA, LITORAL SUL E VALE DO RIBEIRA

 [1] Disponível em: https://www.seesp.org.br/site/index.php/comunicacao/noticias/item/20880-fiscalizacao-e-solucoes-de-engenharia-poderiam-evitar-acidente-em-obra-do-metro

[2] Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/obra-do-metro-desmorona-em-sao-paulo-e-interdita-marginal-tiete/

[3] Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/obra-do-metro-desmorona-em-sao-paulo-e-interdita-marginal-tiete/

[4] Segundo Ivan Carlos Maglio, pesquisador do IEA/USP, “”O Metrô tem expertise para fiscalizar e atuar junto aos contratados. Neste modelo de PPP, ele deixa de acompanhar isso diretamente, o que é um problema.” Disponível em: https://noticias.uol.com.br/colunas/thiago-herdy/2022/02/02/falta-de-fiscalizacao-em-acidente-poe-em-xeque-modelo-de-ppp-do-metro-de-sp.htm  e em: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2022/02/03/cratera-metro-marginal-tatuzao-esgoto.htm

[5] Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=h378JsHycAw  e em: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2022/02/03/cratera-marginal-tiete-responsabilidade.htm

[6] Disponível em: https://www.reuters.com/world/americas/part-sao-paulo-expressway-collapses-near-metro-construction-site-2022-02-01/

Governos são os principais responsáveis por liderar iniciativas contra as mudanças climáticas, segundo consumidores no Brasil, China, EUA e Reino Unido

Empresas também devem protagonizar responsabilidades climáticas, de acordo com a opinião de 45% dos entrevistados no Brasil e 44% na China e no Reino Unido

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A maioria atribui ao governo federal a responsabilidade de impedir as mudanças climáticas provocadas pela emissão de gases de efeito estufa (GEE). De acordo com uma pesquisa internacional feita em quatro países (Brasil, China, Reino Unido e Estados Unidos) pela consultoria Oliver Wyman, 62% dos brasileiros afirmam que cabe ao governo liderar políticas e ações para controlar e reduzir as emissões de gases até o fim desta década, e zerá-las até 2050.

Em comparação com os demais países participantes do estudo, assim como os brasileiros, grande parte dos entrevistados na China (73%) e no Reino Unido (70%) também diz que é responsabilidade do governo nacional comandar os compromissos climáticos. Nos EUA, pouco mais da metade (53%) dos indivíduos tem a mesma opinião.

Empresas

As empresas também devem assumir a responsabilidade climática, segundo 45% dos entrevistados no Brasil e 44% na China e no Reino Unido. Nos EUA a proporção é menor. Só 34% apontaram para as empresas essa obrigação.

Órgãos Internacionais

Os órgãos internacionais, como a OMS (Organização Mundial da Saúde), são outras instituições que têm papel importante de delegar iniciativas de redução de gases do efeito estufa e zerar as emissões. 57% dos entrevistados na China, 41% no Reino Unido e 39% no Brasil concordam com essa afirmação.

Responsabilidade individual

Ainda segundo o levantamento internacional, o Brasil é o país onde mais pessoas (42%) afirmam que cada indivíduo também é responsável por cuidar do planeta e impedir as mudanças climáticas provocadas pelo homem.

Na China, é menor o número de pessoas que acredita na responsabilidade individual. Apenas 21% se sentem responsáveis pelo clima.

Participaram da pesquisa da consultoria Oliver Wyman 3,5 mil pessoas de 18 a 65 anos residentes nos quatro países — no Brasil foram cerca de 1 mil entrevistados.

Mais informações sobre a pesquisa clique aqui para acessar a plataforma Oliver Wyman Fórum.

Sobre a Oliver Wyman

A Oliver Wyman é uma empresa líder mundial em consultoria de gestão. Com escritórios em mais de 60 cidades em 29 países, a Oliver Wyman combina o profundo conhecimento da indústria com expertise especializada em estratégia, operações, gestão de risco e transformação da organização. A empresa tem mais de 5.000 colaboradores em todo o mundo, que auxiliam seus clientes a otimizar seus negócios, melhorar suas operações e seu perfil de risco, assim como acelerar seu desempenho organizacional para aproveitar ao máximo as melhores oportunidades. A Oliver Wyman é uma subsidiária integral da Marsh & McLennan Companies (NYSE: MMC).

Por que será que no pior momento da pandemia para as crianças, proprietários e MP querem reabrir escolas campistas?

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Venho assistindo com um misto de curiosidade e preocupação o movimento encabeçado por donos de escolas privadas e pelo Ministério Público para forçar o início das aulas para crianças não vacinadas em Campos dos Goytacazes. É que esse movimento opta por desconhecer um fato já apontado por pesquisadores e médicos: vivemos o pior momento da pandemia da COVID-19 para as crianças até 12 anos que fazem parte do grupo de não vacinados contra a infecção pelo novo coronavírus!

A razão para essa “pressa” não me parece estar ancorada em uma preocupação pedagógica, mas sim econômica. É que, por algum estranho motivo, não vi grandes movimentos por parte dos operadores do sistema privado de ensino para estabelecerem calendários que levem em conta os riscos que continuam postos não apenas para os profissionais que atuam nas escolas, mas principalmente para as crianças que estão sendo empurradas para escolas em meio a um agravamento da pandemia entre os mais jovens não vacinados.

Como está noticiado que foi proferida uma liminar em prol dessa demanda que me parece desfocada dos reais interesses das crianças, a minha expectativa é que o setor jurídico da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes aja para derrubá-la em instâncias superiores.

Finalmente, aos pais que estão neste momento, como eu, diante da decisão de recolocar seus filhos nas escolas sem que eles estejam vacinados, eu diria que deveriam se preocupar muito com o que pode acontecer caso os piores cenários de contaminação se confirmem. É que com UTIs em ritmo crescente de lotação, talvez seja melhor aguentar um pouco mais com as crianças em casa do que ceder aos apelos dos donos de escolas que,tudo indica, estão pensando nos cifrões primeiro do que na segurança de seus empregados e clientes.

Justiça do Paraná condena Oswaldo Eustáquio Filho por difamar o PSOL

Blogueiro bolsonarista foi condenado a pagar pena pecuniária de um salário mínimo, além de indenização ao partido no valor de R$ 10 mil

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A Justiça do Paraná condenou o blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio Filho por crime de difamação contra o PSOL. Em sentença proferida no último dia 27 de janeiro foi determinada uma pena pecuniária de um salário mínimo, além de indenização ao partido no valor de R$ 10 mil. A ação foi movida em 2020, após o condenado divulgar em uma matéria na internet que o PSOL teria ligação com Adélio Bispo em sua tentativa de esfaquear o então candidato à presidência Jair Bolsonaro. 

Na ocasião, Oswaldo Eustáquio Filho afirmou que em depoimento à Polícia Federal Luciano Carvalho de Sá, conhecido como Mergulhador, contou que Adélio Bispo mantinha ligações com o ex-deputado federal do PSOL, Jean Wyllys. “A informação mostra fortes indícios de um braço político do esquema que tentou assassinar o então candidato Jair Bolsonaro. O depoimento de Mergulhador à Polícia Federal pode colocar Jean Wyllys e o PSOL como suspeitos de serem os mandantes do crime que tentou tirar a vida do presidente”, disse ele.

De acordo com a sentença da Justiça, o condenado deturpou o conteúdo do depoimento de Luciano à Polícia Federal, “de forma inequívoca atribuindo falas não ditas pelo depoente e ilações desprovidas de qualquer base que lhe possa dar, ainda que remotamente, a interpretação sugerida”. Dessa forma, entendeu como maliciosa a publicação, tendo como única intenção comprometer a dignidade do PSOL.