No enfrentamento da pandemia, os trânsfugas da esquerda são aliados preferenciais do negacionismo

Tránsfugas

Em meio ao debate sobre a volta às aulas presenciais, em meio ao agravamento da disseminação da variante “ômicron” que é considerada como mais nociva às crianças e não vacinados, tenho visto posicionamentos vindos de dentro das fileiras acadêmicas que se assemelham muito ao que vejo saindo do interior da redes de robôs negacionistas que comandam a sabotagem contra os esforços para acabar com a pandemia da COVID-19 no Brasil.

Entre as pérolas ditas por esses “intelectuais” é uma que equivale  a ação dos sindicatos docentes que cobram a cobertura vacinal de docentes e estudantes como condição para a volta às aulas presenciais como um exemplo de preguiça sindical.  Além disso, como cobertura desse “bolo” ainda aparecem frases de efeito como “já passou a hora de voltarmos às aulas presenciais” que, não raramente, são ditas por profissionais cuja presença em sala de aula é, digamos, rara.

Como alguns desses membros das fileiras acadêmicas já tiveram alguma pretensão de serem de “esquerda”,  não posso deixar de considerar que muitos dessas figuras estão jogando o papel de trânsfugas em meio a uma guerra contra um vírus assassino, apenas para explicitar a sua ojeriza ao papel dos sindicatos na defesa da segurança de seus membros, mesmo que discursivamente adotem um tom crítico do status quo. Nesse sentido,  essas figuras acabam ocupando por opção própria o papel de colunas preferenciais de sustentação do negacionismo oficialista que continua jogando pesado contra o acesso às vacinas contra a COVID-19, seja pela disseminação de propagandas pagas com o dinheiro público para disseminar o medo e a negação, seja pela demora na compra e disseminação das mesmas.

A questão é que em minha experiência de mais de duas décadas como docente de uma universidade pública,  já vi várias vezes, esses mesmos trânsfugas ocupando a cabeça das filas que se formam para auferir os direitos conquistados pelas lutas organizadas pelos sindicatos e pelos “membros preguiçosos” da sua própria categoria. Penso que seria mais coerente que depois combater a ação organizada dos sindicatos, se negassem a receber o fruto das lutas organizadas por eles.  Entretanto, a partir do que vivenciei no meu próprio sindicato, parece mais fácil que esses trânsfugas, mesmo após atrasarem as mensalidades sindicais, continuem se refestelando com os frutos  da luta alheia.

Então qual é o moral da história? É que os pós-pandemia demandará um devido ajuste de contas com aqueles que escondidos pelo verniz acadêmico estão atuando para desmantelar os instrumentos de resistência da classe trabalhadora brasileira. Sem esse ajuste me parece que continuaremos a ter que conviver não apenas com os bolsonaristas raiz, mas com um séquito de ex-esquerdistas que com seus discursos bonitos dão sustentação ao Bolsonarismo.

Dados de satélites mostram a colossal contribuição do degelo da Groenlândia para o aumento do nível do mar

O que é cinco vezes o tamanho da Alemanha, com até três quilômetros de espessura – e vem ficando cada vez menor nos últimos 25 anos? Isso mesmo, o degelo na Groenlândia. As consequências já são visíveis e vão durar muito, muito tempo.

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Geleira Sermeq Kujalleq perto de Ilulissat, Foto: Michael Kappeler/AP

Por Christopher Seidler para a Der Spiegel

14 de agosto de 2021 foi um dia simbólico na estação Summit, no ponto mais alto do manto de gelo da Groenlândia. De acordo com registros meteorológicos, as temperaturas na base de pesquisa, que fica a 3.200 metros acima do nível do mar, caso contrário, apenas valores médios diários de -13 graus, mesmo no verão. Mas neste dia, as temperaturas ficaram acima de zero por nove horas completas – chuva também foi registrada . Algumas semanas antes, em 28 de julho, houve outro extremo: enquanto 60% da superfície do gelo estava derretendo naquele dia, um recorde de temperatura de 23,4 graus Celsius foi estabelecido no aeroporto de Nerlerit, no leste da Groenlândia, perto de Ittoqqortoormiit.

Série negativa de 25 anos seguidos

Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicada pela revista Der Spiegel [Aqui!].

Entidades divulgam documento em defesa da Sabesp: obra da PPP da Linha 6 do Metrô provocou rompimento do interceptor de esgotos e o surgimento da cratera na Marginal Tietê

metro 6

Na manhã de 1º de fevereiro, uma cratera se formou na pista da Marginal Tietê, em São Paulo, com desabamento de parte do solo escavado pelas obras da Linha 6 do sistema de metrô. As imagens dos noticiários mostraram um grande fluxo de esgotos entrando pelos túneis, poços e canteiros. Esses esgotos, coletados de cerca de 2 milhões de pessoas, eram conduzidos até a estação de tratamento de Barueri por um interceptor operado pela Sabesp.

Houve efeitos desastrosos ao tráfego da mais importante via urbana de São Paulo, à implantação da Linha 6 e à qualidade das águas do Tietê. Temos a comemorar a inexistência de vítimas fatais, embora lamentemos que alguns trabalhadores tenham sido contaminados pelo contato com os esgotos.

Obviamente haverá investigação dessa ocorrência por especialistas de solo e de estruturas que avaliarão as suas causas de forma isenta e criteriosa. A engenharia nacional é bastante qualificada para tanto, desde que a isenção e a imparcialidade não sejam subjugadas aos interesses das partes envolvidas, tal como se deu nos crimes de Brumadinho e Mariana.

Entretanto, em face de pronunciamentos de autoridades, divulgados na mídia, que atribuem – ou induzem – à SABESP a responsabilidade dessa ocorrência, devemos esclarecer à opinião pública sobre os seus fatos e as suas circunstâncias.

O interceptor avariado, denominado ITi-7, é um túnel de concreto armado de 4,3 metros de altura por 3,3 metros de largura e 7,5 km de extensão. Foi construído por escavação mecanizada a 15 metros abaixo da pista local da Marginal Tietê. Possui capacidade para transportar, por gravidade, os esgotos coletados nas bacias dos rios Tamanduateí e Anhangabaú, isto é, faz o saneamento de praticamente toda a região central da cidade de São Paulo. Portanto, é uma instalação essencial para a despoluição do Rio Tietê. Entrou em operação há cerca de um ano, substituindo uma antiga tubulação de menor capacidade situada sob a Avenida Marques de São Vicente.

A obra da Linha 6, que ligará Vila Brasilândia até a Estação São Joaquim (Linha 1) executa seus túneis por escavação mecanizada, sob um regime de Parceria Público-Privada (PPP) integral, isto é, sob a responsabilidade do consórcio Acciona / -Linha Uni contratado pelo estado de São Paulo, Toda a execução da obra e a subsequente operação da Linha 6 está sob a responsabilidade desse Consórcio, sem o acompanhamento e a fiscalização da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô-SP)[1].

Ao longo de seus 15 km de extensão há escavações a grandes profundidades, tanto para instalação das estações quanto para desviar de instalações de infraestrutura urbana de grande porte. Nas linhas de metrô em operação, por inúmeras vezes, durante a construção dos túneis houve cruzamentos em desnível com tubulações de abastecimento de água e de transporte de esgotos de grande porte da Sabesp. A experiência da engenharia do Metrô-SP na definição de projetos e na fiscalização da obra, sempre dedicou especial atenção para as adutoras de água e os interceptores de esgotos da Sabesp, evitando qualquer risco de instabilidade para essas estruturas. Não há registro de ocorrências de vazamentos ou rompimentos significativos em mais de 50 anos de obras que envolvam Metrô-SP e Sabesp.

Experientes engenheiros, entrevistados pela mídia, mostram que as vibrações ou movimentações de solo causadas pela escavação de túnel com um shield (o “tatuzão”) provocam movimentações ou pressões que podem causar o rompimento de tubulações metálicas ou de concreto. A boa técnica, adotada em outras tantas situações, é a de escavar o túnel do metrô cerca de 20 metros abaixo de um interceptor ou de uma adutora de grande porte, com velocidade a mais reduzida possível para evitar movimentos do solo[2].

Por isso, a informação preliminar do secretário de Transportes Metropolitanos que o túnel da Linha 6 estaria cerca de três metros abaixo do interceptor ITi-7 causa bastante estranheza[3].

A partir das informações já divulgadas, o empreendimento é executado sem o acompanhamento e a fiscalização da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô-SP) e, aparentemente, sem as precauções de projeto e execução antes adotadas[4]. A situação coloca em xeque decisões que podem ser vinculadas a interesses bastante afastados das melhores técnicas de engenharia. Caberá à investigação – que deverá ser isenta –averiguar esse e as motivações para que lições aprendidas do passado tivessem sido desconsideradas.

Preocupa-nos sobremaneira a propagação em várias mídias, por representantes do estado e da Acciona, de que a causa do surgimento da cratera foi o rompimento do interceptor da Sabesp[5].

Não! A raiz da ocorrência não é o interceptor da Sabesp, mas sim a escavação do túnel da Linha 6 a pequena distância do interceptor em operação, agravada pela ausência de medidas preventivas para estabilização do solo no entorno, em absoluta divergência com as práticas adotadas há várias décadas em obras supervisionadas pelo Metrô-SP.

A SABESP possui larga experiência na execução e operação de tubulações desse porte. Sofrendo as consequências dos danos causados por terceiros, está direcionando esforços para minimizar as consequências ambientais..

A exposição pública da SABESP como causadora do surgimento da cratera é absolutamente equivocada, é uma fake news que desconsidera a sua excelência amplamente reconhecida, nacional e internacionalmente. É uma tentativa de colar uma pecha negativa à imagem da SABESP que serve apenas à sustentação do discurso de desqualificação de uma empresa pública, para escamotear a deficiência de um empreendimento cujo maior objetivo é a geração de lucro.

Não sabemos ainda se a ocorrência se deve à incompetência, à urgência, à ganância ou à omissão, ou à associação desses fatores.

Sabemos sim que a SABESP, a população paulista e o Rio Tietê são vítimas de uma ação cuja origem a obra executada pela PPP da Linha 6, capitaneada pela empresa Acciona[6].

 

AAPS – ASSOCIAÇÃO DOS APOSENTADOS E PENSIONISTAS DAS SABESP

APU – ASSOCIAÇÃO DOS PROFISSIONAIS UNIVERSITÁRIOS DA SABESP

SASP – SINDICATO DOS ADVOGADOS DO ESTADO DE SÃO PAULO

SINTAEMA – SINDICATO DOS TRABALHADORES EM ÁGUA, ESGOTO E MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO

SINTIUS URBANITÁRIOS  – SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS URBANAS DE SANTOS, BAIXADA SANTISTA, LITORAL SUL E VALE DO RIBEIRA

 [1] Disponível em: https://www.seesp.org.br/site/index.php/comunicacao/noticias/item/20880-fiscalizacao-e-solucoes-de-engenharia-poderiam-evitar-acidente-em-obra-do-metro

[2] Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/obra-do-metro-desmorona-em-sao-paulo-e-interdita-marginal-tiete/

[3] Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/obra-do-metro-desmorona-em-sao-paulo-e-interdita-marginal-tiete/

[4] Segundo Ivan Carlos Maglio, pesquisador do IEA/USP, “”O Metrô tem expertise para fiscalizar e atuar junto aos contratados. Neste modelo de PPP, ele deixa de acompanhar isso diretamente, o que é um problema.” Disponível em: https://noticias.uol.com.br/colunas/thiago-herdy/2022/02/02/falta-de-fiscalizacao-em-acidente-poe-em-xeque-modelo-de-ppp-do-metro-de-sp.htm  e em: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2022/02/03/cratera-metro-marginal-tatuzao-esgoto.htm

[5] Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=h378JsHycAw  e em: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2022/02/03/cratera-marginal-tiete-responsabilidade.htm

[6] Disponível em: https://www.reuters.com/world/americas/part-sao-paulo-expressway-collapses-near-metro-construction-site-2022-02-01/

Governos são os principais responsáveis por liderar iniciativas contra as mudanças climáticas, segundo consumidores no Brasil, China, EUA e Reino Unido

Empresas também devem protagonizar responsabilidades climáticas, de acordo com a opinião de 45% dos entrevistados no Brasil e 44% na China e no Reino Unido

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A maioria atribui ao governo federal a responsabilidade de impedir as mudanças climáticas provocadas pela emissão de gases de efeito estufa (GEE). De acordo com uma pesquisa internacional feita em quatro países (Brasil, China, Reino Unido e Estados Unidos) pela consultoria Oliver Wyman, 62% dos brasileiros afirmam que cabe ao governo liderar políticas e ações para controlar e reduzir as emissões de gases até o fim desta década, e zerá-las até 2050.

Em comparação com os demais países participantes do estudo, assim como os brasileiros, grande parte dos entrevistados na China (73%) e no Reino Unido (70%) também diz que é responsabilidade do governo nacional comandar os compromissos climáticos. Nos EUA, pouco mais da metade (53%) dos indivíduos tem a mesma opinião.

Empresas

As empresas também devem assumir a responsabilidade climática, segundo 45% dos entrevistados no Brasil e 44% na China e no Reino Unido. Nos EUA a proporção é menor. Só 34% apontaram para as empresas essa obrigação.

Órgãos Internacionais

Os órgãos internacionais, como a OMS (Organização Mundial da Saúde), são outras instituições que têm papel importante de delegar iniciativas de redução de gases do efeito estufa e zerar as emissões. 57% dos entrevistados na China, 41% no Reino Unido e 39% no Brasil concordam com essa afirmação.

Responsabilidade individual

Ainda segundo o levantamento internacional, o Brasil é o país onde mais pessoas (42%) afirmam que cada indivíduo também é responsável por cuidar do planeta e impedir as mudanças climáticas provocadas pelo homem.

Na China, é menor o número de pessoas que acredita na responsabilidade individual. Apenas 21% se sentem responsáveis pelo clima.

Participaram da pesquisa da consultoria Oliver Wyman 3,5 mil pessoas de 18 a 65 anos residentes nos quatro países — no Brasil foram cerca de 1 mil entrevistados.

Mais informações sobre a pesquisa clique aqui para acessar a plataforma Oliver Wyman Fórum.

Sobre a Oliver Wyman

A Oliver Wyman é uma empresa líder mundial em consultoria de gestão. Com escritórios em mais de 60 cidades em 29 países, a Oliver Wyman combina o profundo conhecimento da indústria com expertise especializada em estratégia, operações, gestão de risco e transformação da organização. A empresa tem mais de 5.000 colaboradores em todo o mundo, que auxiliam seus clientes a otimizar seus negócios, melhorar suas operações e seu perfil de risco, assim como acelerar seu desempenho organizacional para aproveitar ao máximo as melhores oportunidades. A Oliver Wyman é uma subsidiária integral da Marsh & McLennan Companies (NYSE: MMC).

Por que será que no pior momento da pandemia para as crianças, proprietários e MP querem reabrir escolas campistas?

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Venho assistindo com um misto de curiosidade e preocupação o movimento encabeçado por donos de escolas privadas e pelo Ministério Público para forçar o início das aulas para crianças não vacinadas em Campos dos Goytacazes. É que esse movimento opta por desconhecer um fato já apontado por pesquisadores e médicos: vivemos o pior momento da pandemia da COVID-19 para as crianças até 12 anos que fazem parte do grupo de não vacinados contra a infecção pelo novo coronavírus!

A razão para essa “pressa” não me parece estar ancorada em uma preocupação pedagógica, mas sim econômica. É que, por algum estranho motivo, não vi grandes movimentos por parte dos operadores do sistema privado de ensino para estabelecerem calendários que levem em conta os riscos que continuam postos não apenas para os profissionais que atuam nas escolas, mas principalmente para as crianças que estão sendo empurradas para escolas em meio a um agravamento da pandemia entre os mais jovens não vacinados.

Como está noticiado que foi proferida uma liminar em prol dessa demanda que me parece desfocada dos reais interesses das crianças, a minha expectativa é que o setor jurídico da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes aja para derrubá-la em instâncias superiores.

Finalmente, aos pais que estão neste momento, como eu, diante da decisão de recolocar seus filhos nas escolas sem que eles estejam vacinados, eu diria que deveriam se preocupar muito com o que pode acontecer caso os piores cenários de contaminação se confirmem. É que com UTIs em ritmo crescente de lotação, talvez seja melhor aguentar um pouco mais com as crianças em casa do que ceder aos apelos dos donos de escolas que,tudo indica, estão pensando nos cifrões primeiro do que na segurança de seus empregados e clientes.

Justiça do Paraná condena Oswaldo Eustáquio Filho por difamar o PSOL

Blogueiro bolsonarista foi condenado a pagar pena pecuniária de um salário mínimo, além de indenização ao partido no valor de R$ 10 mil

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A Justiça do Paraná condenou o blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio Filho por crime de difamação contra o PSOL. Em sentença proferida no último dia 27 de janeiro foi determinada uma pena pecuniária de um salário mínimo, além de indenização ao partido no valor de R$ 10 mil. A ação foi movida em 2020, após o condenado divulgar em uma matéria na internet que o PSOL teria ligação com Adélio Bispo em sua tentativa de esfaquear o então candidato à presidência Jair Bolsonaro. 

Na ocasião, Oswaldo Eustáquio Filho afirmou que em depoimento à Polícia Federal Luciano Carvalho de Sá, conhecido como Mergulhador, contou que Adélio Bispo mantinha ligações com o ex-deputado federal do PSOL, Jean Wyllys. “A informação mostra fortes indícios de um braço político do esquema que tentou assassinar o então candidato Jair Bolsonaro. O depoimento de Mergulhador à Polícia Federal pode colocar Jean Wyllys e o PSOL como suspeitos de serem os mandantes do crime que tentou tirar a vida do presidente”, disse ele.

De acordo com a sentença da Justiça, o condenado deturpou o conteúdo do depoimento de Luciano à Polícia Federal, “de forma inequívoca atribuindo falas não ditas pelo depoente e ilações desprovidas de qualquer base que lhe possa dar, ainda que remotamente, a interpretação sugerida”. Dessa forma, entendeu como maliciosa a publicação, tendo como única intenção comprometer a dignidade do PSOL.

Uma revolta contra o agronegócio causa alvoroço na França

A campanha “Soulèvements de la Terre” está comprometida com a reviravolta agrícola e está causando alvoroço na França

frança revoltaManifestação contra o agronegócio no sábado em Passenans, França

Por Luc Skaille para o JungeWelt

Uma manhã cinzenta no final de janeiro no Jura francês. Quase 600 pessoas, equipadas com botas de borracha, tesouras de podar e alicates, reúnem-se num parque de estacionamento na aldeia de Passenans. Os coletes amarelos apresentam os recém-chegados. Representantes do sindicato dos agricultores Confédération Paysanne estão em cima de um trator. Os oradores abordarão a política agrícola da UE, as mortes nas quintas e a especulação. Juntamente com o movimento »Soulèvements de la Terre« (revoltas da terra, jW ) foi convocado um dia de ação com ocupação de terras. Apenas alguns gendarmes observavam os acontecimentos coloridos na garoa.

Desde março de 2021, após o seu lançamento em Besançon, a campanha concentrou-se nas principais questões agrícolas. Centenas de ativistas ocuparam fábricas pertencentes à empresa de cimento Holcim-Lafarge no porto de Gennevilliers em junho. Máquinas foram sabotadas, cabos cortados e calçadas bloqueadas. No outono, seguiu-se a sabotagem de bacias de retenção de água para a indústria de milho no sudoeste, acompanhada de confrontos com autoridades policiais. As buscas domiciliares não demoraram a acontecer. A crítica do movimento à devastação industrial do meio ambiente é aparentemente ampla.

O espectro varia desde o sindicato dos agricultores de esquerda e os “Amis de la Terre” (Amigos da Terra, jW ) até partes dos Autônomos. As consequências do crescimento da indústria alimentícia são inúmeras. A França tem menos 16.000 agricultores a cada ano e os danos causados ​​pela expansão das grandes fazendas são enormes. A consolidação de terras, o uso desenfreado de pesticidas e a globalização da indústria levam a enormes emissões de CO2, enquanto os modelos sustentáveis ​​de agricultura familiar quase não recebem nenhum financiamento.

A »Lei de Orientação Agrícola« introduzida em 1960 com a criação do órgão regulador SAFER pretendia limitar a especulação e a grilagem de terras. Mas durante anos, a evasão da lei tornou-se clara. As terras não são compradas como um todo, mas as corporações compram partes de terras. Isso também é evidente no Jura, onde o queijo Comté e as vinhas com o selo de origem AOC são muito procurados. Grandes proprietários de terras da vizinha Borgonha estão cada vez mais interessados ​​na reputação das vinhas do Jura e aumentam os preços. Mas o problema é a internacionalização. “A venda da adega “Ganevat”, que foi comprada em novembro pelo milionário Alexander Pumpjanski por 48.000 euros por hectare, é um exemplo do desenvolvimento”, disse o porta-voz do agricultor Steve Gormally. Isso significava quase dobrar o preço da terra local. Os agricultores coletivos e jovens têm poucas chances de fundar um negócio devido ao aumento dos custos.

A vinha ocupada em 29 de janeiro não é cultivada desde que foi adquirida pela empresa vitivinícola ABJ em 2008. Quando a manifestação chega a Passenans, centenas começam a limpar os vinhedos. Tratores e cavalos de tração recolhem arbustos e estacas desenraizados e os jogam em grandes pilhas; Nuvens de fumaça sobem ao céu. Ginette Meyer, uma agricultora alsaciana de 62 anos com chapéu e capa de chuva, observa o que está acontecendo. “Levamos muito tempo para contrariar a especulação. Milhares de fazendas morrem na França todos os anos e isso se deve a investidores implacáveis ​​e à falta de perspectivas para a nova geração.”

Um porta-voz da campanha anunciou mais atividades: “Em 2022, continuaremos a agir contra a indústria agrícola com demonstrações e ações diretas e arrebatar mais terras do capital!” Intervenções contra a gigante de sementes e  agrotóxicos da Monsanto/Bayer em 5 de março em Lyon já estão em vigor a próxima data de »Soulèvements«. As autoridades anunciaram que danos à propriedade e infrações criminais não seriam mais tolerados. Talvez fique em Lyon com uma aquisição pacífica.

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal JungeWelt [Aqui!].

Cidades inundadas são produto de formas tradicionais de governar e não do clima

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Sob pena de parecer repetitivo, volto aqui a mencionar a dissertação de mestrado do meu ex-orientando André Moraes Barcellos Martins, defendida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Universidade Estadual do Norte Fluminense, que foi intitulada “O desafio da gestão urbana em Campos dos Goytacazes no contexto das mudanças climáticas: entre a construção da resiliência e a persistência de fórmulas tradicionais de governar.  Começo citando essa dissertação para dizer que boa parte dos problemas que estamos vivenciando nas últimas 24 horas têm mais a ver com a forma pela qual a nossa cidade é governada do que com eventos meteorológicos. E isso deveria causar mais preocupação do que o nível das águas que teima em se manter alto pelas ruas da nossa cidade, inundando bairros inteiros, como, aliás, costuma sempre acontecer em ocasiões que chove forte.

O problema é que “as fórmulas tradicionais de governar” impedem processos de tomada de decisão que olhem para além das chuvas intensas como algo além do controle, e perpetuam uma postura de ignorar a necessidade de planejamento democrático das cidades.  E o que é pior,  deixam a população desarmada para um período de fortes mudanças no comportamento do clima onde uma das características principais é a ocorrência de eventos meteorológicos extremos que se caracterizam por altos níveis de precipitação em períodos curtos de tempo.

Uma curiosidade sobre o governo do prefeito Wladimir Garotinho que eu não me canso de repetir é a ausência de uma secretaria municipal de Meio Ambiente, com o setor tendo sido transformado em uma espécie de puxadinho da Secretaria Municipal de Planejamento. Com isso, não se viu no primeiro ano de governo nada que se possa chamar de uma política ambiental para o município, como se o meio ambiente fosse algo que possa ser ignorado ao mesmo modo em que se fazia, digamos, no final do século 19 quando incontáveis inundações traziam o flagelo para Campos dos Goytacazes. Com isso se esquece que vivemos o tempo das mudanças climáticas em que o despreparo técnico será punido com a perda de incontáveis somas de dinheiro e, pior, de vidas humanas.

Para não dizerem que não falei das flores, mostro abaixo uma figura produzida pelo mesmo André Moraes Barcellos Martins Vasconcellos para ser incluída em um artigo que estamos preparando sobre as injustiças ambientais ocorrendo na cidade de Campos dos Goytacazes como produto direto da persistência das formas tradicionais de governar.

alagamentos

Como se vê essa figura mostra os pontos críticos de inundação na região central da malha urbana campista que foram obtidos a partir de um levantamento de notícias publicadas na mídia local sobre pontos de alagamento em dias de chuvas mais intensas.  Além de mostrar onde os alagamentos ocorrem, o que esta figura deixa desnudo é o fato de que a inação do poder público municipal não se explica apenas pela ignorância de onde os fatos ocorrem, mas provavelmente pela postura de não priorizar soluções que não privilegiam a figura do “prefeito ostentação” que Wladimir Garotinho, como outros prefeitos no passado, parece tanto apreciar. Aliás, se nós no Setor de Estudos sobre Sociedade e Ambiente (SESMA) podemos gerar mapas deste “naipe”, o que dirá uma prefeitura bilionária como a de Campos dos Goytacazes, não é?

De toda forma, é preciso que se mova urgentemente da postura negacionista frente às mudanças climáticas para se adotar uma postura pró-ativa no sentido de preparar as cidades brasileiras para o advento de eventos persistentes de chuvas em períodos curtos de tempo que trarão fortes perturbações para a população, especialmente a mais pobre.  No caso de Campos dos Goytacazes, abandonar a postura negacionista requer a imediata recriação da secretaria municipal de Meio Ambiente (SEMA), com a devida dotação de recursos financeiros e humanos. Aliás, com um IPTU tão “salgado” quanto o que está sendo cobrado pelo governo de Wladimir Garotinho em 2022, recriar a SEMA não deveria ser problema, mas prioridade. Afinal de contas, nós que pagamos impostos merecemos uma cidade que esteja minimamente preparada para os desafios presentes e futuros.

Para quem tiver interesse em entender a natureza social dos riscos trazidos pelas mudanças climáticas, sugiro a leitura do artigo “Stop blaming climate for disasters” (ou em português “Parece de culpar o clima pelos desastres” que foi publicado recentemente pela revista  Nature na seção “Communications Earth and Environment”.

Desmatamento na Amazônia brasileira bate novo recorde em janeiro

fogo ilegalIncêndio ilegal na floresta amazônica, no estado de Mato Grosso, em 11 de agosto de 2020 afp_tickers

(AFP) O desmatamento na Amazônia brasileira atingiu um novo recorde para janeiro já nas três primeiras semanas do ano, segundo dados oficiais divulgados nesta quarta-feira (2), um sinal alarmante da destruição da maior floresta tropical do mundo.

Cerca de 360 km² de floresta foram destruidos entre 1º e 21 de janeiro, de acordo com dados preliminares divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Embora o registro pare em 21 de janeiro, a área desmatada até esse dia já é maior do que qualquer janeiro completo desde 2015, quando o Inpe lançou o programa de monitoramento periódico Deter. 

O desmatamento da Amazônia em janeiro do ano passado foi de 83 km², quatro vezes menos do que o registrado nas três primeiras semanas de 2022.  Especialistas ambientais disseram que os dados podem indicar um risco elevado de que 2022 se torne outro ano devastador para a Amazônia do Brasil, onde o desmatamento aumentou desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu o cargo em 2019.

“Um número tão alto em janeiro, que é o pico da estação chuvosa, certamente chama atenção e nos deixa extremamente preocupados”, disse à AFP Claudio Angelo, da ONG Observatório do Clima. 

Em novembro, o Inpe anunciou que o desmatamento da Amazônia brasileira havia se estendido a 13.235 km2 entre agosto de 2020 e julho de 2021, um número inédito em 15 anos.

Foi o terceiro aumento anual consecutivo desde a chegada ao poder de Bolsonaro, que é alvo de críticas internacionais por ter enfraquecido as políticas de proteção à floresta e por ter promovido a mineração e a exploração agrícola em áreas protegidas.

“Precisamos aguardar os próximos meses, mas o sinal não é nada bom”, acrescentou Angelo.

O Observatório do Clima revelou na terça-feira que o Ibama gastou apenas 41% de seu orçamento em 2021.

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Este texto foi inicialmente publicado pelo SWI swissinfo.ch [Aqui!].

Convocação do II Simpósio Nacional Geografia, Ambiente e Território (II SIMGAT)

Políticas ambientais no Brasil: desconstrução e resistência.  Confirmação do evento em Belém, Pará, novembro de 2022

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O II Simpósio Nacional Geografia, Ambiente e Território (II SIMGAT) é um evento organizado pela Rede de Pesquisadores em Geografia (Socio)Ambiental/RP-G(S)A.   A sua realização foi prevista, inicialmente, para 2020. Entretanto, em razão da Pandemia da COVID-19, o II SIMGAT foi adiado. Naquele momento, realizamos na modalidade virtual, o “Beiradeando o II SIMGAT” com três mesas de intensos debates que reuniram pesquisadores e representantes dos movimentos sociais, anunciando o tom do evento que será realizado este ano.

Estamos nos organizando para um evento presencial porque, na nossa concepção, os “Varadouros” (incursões de campo), incluídos na programação original, são fundamentais para a discussão sobre as políticas ambientais na Amazônia, além dos importantes “Tapiris” (mesas de debate) e dos “Puxiruns” (apresentações de trabalhos). No entanto, não descartamos que o evento seja on-line, caso não tenhamos condições sanitárias seguras para sua realização.

Em breve divulgaremos as datas para envio dos resumos. Fiquem ligados em nosso site e redes sociais!
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