Rede Irerê de Proteção à Ciência lança nota sobre negacionismo científico na Embrapa

Nota Pública sobre o Negacionismo Científico na Embrapa: o caso Evaristo Miranda

evaristo bolsonaro

  1. A Rede Irerê de Proteção à Ciência compreende o acesso à Ciência como um Direito Humano fundamental, assegurando aos povos o direito de usufruir do progresso científico e seus benefícios. Para isso, a Rede Irerê entende que a promoção da livre expressão científica e da proteção de pesquisadores, cientistas e demais trabalhadores do campo científico é tarefa fundamental, especialmente em tempos de aprofundamento de governos totalitários e arbitrários.
  2. No entanto, faz-se necessário afirmar que a liberdade científica não pode ser confundida com irresponsabilidade e até mesmo negacionismo científico. Especialmente, quando este se coloca de forma interessada junto aos grandes grupos políticos e econômicos, dispostos a atacar os direitos humanos, ambientais e de saúde da população.
  3. Como bem demonstrado no recente artigo científico “O risco de falsas controvérsias para as políticas ambientais brasileiras” (https://doi.org/10.1016/j.biocon.2021.109447), a fabricação artificial de dúvidas sobre aquilo que já se apresenta como certeza científica, consiste numa tática conhecida e bem documentada das grandes corporações multinacionais e de grupos conservadores para imporem narrativas ideológicas para manter seus lucros às custas do interesse coletivo e da proteção à saúde e ao meio
  4. Provas do negacionismo científico e os danos promovidos à população podem ser revisitados ao longo da história, e foram usados para justificar a escravidão, a submissão da mulher, dos povos indígenas, a criminalização dos pobres, a negação dos efeitos nocivos do tabaco, do amianto, de agrotóxicos já proibidos em diversos países, e até mesmo da eficácia de vacinas contra Covid-19.
  5. O caso Evaristo Miranda desnuda, por sua vez, essa prática negacionista e a submissão, omissão e conivência ao poder econômico e político em uma das maiores empresas de pesquisa pública agropecuária do mundo!
  6. Inegável reconhecer que o negacionismo científico tem duas faces na Embrapa: de um lado da moeda, ela promove a distorção dos fatos científicos por tais grupos alinhados ideologicamente ao poderio econômico conservador do setor (foi assim no debate científico sobre os transgênicos, código florestal, agrotóxicos…) e, por lado, busca promover uma verdadeira perseguição aos cientistas divergentes, que apontam os impactos negativos deste modelo agropecuário atrasado, predador, baseado na exploração de recursos naturais sem qualquer critério técnico como no caso dos níveis alarmantes de desmatamento no país, em especial na Amazônia, queimadas, uso de agrotóxicos, mau uso do solo e água, etc.
  7. Importante destacar ainda que, no lado “b” da Embrapa, há dezenas, e provavelmente centenas, de pesquisadores e pesquisadoras que se sentem preteridos, isolados, desprestigiados, desmotivados,   perseguidos, adoecidos e até mesmo sumariamente demitidos, por não se alinharem ao negacionismo científico, intensificado nos últimos anos com o amparo do atual São vítimas de uma violência científica, administrativa e ideológica quase invisível, dissimulada e ignorada por muitos, mas hoje conhecida na literatura como whistleblowing científico (http://www.cesteh.ensp.fiocruz.br/noticias/manifesto-em- defesa-dos-cientistas-que-alertam-sobre-os-perigos-dos-agrotoxicos, https://www.ohchr.org/EN/Issues/Environment/SRToxicsandhumanrights/Pages/right-to-science.aspx)
  8. Assim, ao contrário da postura adotada pela Anvisa ou pelo INPE, por exemplo, o negacionismo científico na Embrapa precisa ser compreendido como uma política institucional perpetrada pelo seu próprio quadro diretivo, uma vez que o sr. Evaristo Miranda, mesmo após esta denúncia humilhante, ainda permanece no cargo de Assessor do Presidente da ..
  9. Desta forma o combate a essa violência institucional contra à ciência deve ser feita de maneira estrutural, com o apoio da ciência e dos órgãos de controle de vigilância e das leis trabalhistas, de probidade administrativa, e na esfera criminal dos direitos humanos e
  10. A Rede Irerê de proteção à Ciência finaliza a presente nota solidarizando-se com todos os trabalhadores e trabalhadoras da Embrapa, seus pesquisadores e pesquisadoras, e cobra a apuração profunda da fabricação de falsas controvérsias científicas na empresa e a perseguição àqueles cientistas que optaram por cumprir seu papel em defesa dos interesses da sociedade.

Brasília, 08 de fevereiro de 2022

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Rio de Janeiro, movimentos sociais e mídia: como ir além da indignação

violencia

Por Luciane Soares da Silva*

Tenho estudado as situações de violência no Rio desde 2005. E gostaria de ofertar uma contribuição para pensar os desdobramentos atuais em dois casos de racismo (um deles de racismo e xenofobia): o caso de Moïse e o caso do sargento que atirou em seu vizinho. No primeiro caso, temos o linchamento de um refugiado político vivendo desde 2011 no Brasil. Morto pela ação brutal de 3 homens. Morto por exigir o pagamento pelo trabalho realizado. No segundo caso, Durval, homem negro de 38 anos, igualmente um trabalhador, foi confundido por seu vizinho, Aurélio, sargento da Marinha. E baleado dentro do próprio condomínio. Acredito que não precisamos recuperar o número de vezes em que um homem negro foi confundido pela polícia. Policiais já confundiram furadeiras, sombrinhas e até moedas de um real com armas. Já alvejaram pessoas inocentes neste estranho hábito de confundi-las com outras. Sempre o mesmo grupo é confundido: os negros.

Estes dois casos têm além do racismo outro ponto em comum: geram comoção social e ganham as redes e a grande mídia. Produzem pressão sobre o Estado. Voltando a 1992, o Jornal Nacional repetiu ad nauseum cenas de uma confusão em Ipanema, classificada como arrastão pela mídia. A Polícia Militar ofereceu outra explicação. Pesquisadores da área também. Mas desde então, não importa. A categoria funkeiro tem sido o motor de manchetes que associam bailes a tráfico. E portanto, chacinas praticadas nestes locais recebem o aval da sociedade. Foi o caso da chacina da Providência, mortes no Turano e recentemente Paraisópolis em São Paulo. Estar em um baile funk libera a sociedade civil para apoiar o extermínio da juventude trabalhadora de periferia.

O caso Tim Lopes é um marco fundamental para compreender a relação entre mídia, cidade e favelas.  O jornalista da rede Globo, premiado e reconhecido por suas matérias investigativas, estava disfarçado na Vila Cruzeiro e foi torturado e morto por ordem de Elias Maluco. Tim faria uma reportagem sobre denúncias envolvendo menores e uso de drogas em bailes. A favela está para a cidade do Rio de Janeiro como uma fonte inesgotável de crime, vícios, desordens e todo tipo de aberração. As manchetes colaboram para banalização de decapitações, corpos carbonizados, furados a balas, mutilados. Impossível que qualquer morador do Rio nunca tenha se deparado com a cena de 10 ou mais pessoas em frente a uma banca de jornal debatendo uma manchete do Povo com um cidadão sem cabeça ou sem as mãos. A questão envolvendo Tim Lopes foi uma ruptura definitiva com tempos menos violentos. A imagem de um homem andando com uma espada, as notícias de incremento cada vez maior das armas, tudo isto mostrava que o Rio entrava em uma nova era. A era da intensificação das mortes por atacado e das execuções bárbaras.

Em 2014, DG, dançarino do programa “Esquenta” apresentado por Regina Cassé, foi morto por uma ação policial no Pavão Pavãozinho. Em julho de 2013, o pedreiro Amarildo sumiu em uma unidade de polícia pacificadora. Sob comando do Major Edson, foi torturado e sua família jamais obteve o corpo. Não se sabe onde está Amarildo. Marcus Vinícius de 14 anos foi atingido em um incursão policial na Maré em 2018.  Usava camiseta da escola. Em maio de 2020, João Pedro e outras quatro crianças perderam a vida durante ação da Polícia Militar. Estes são casos que ganharam notoriedade. Tantos outros não tiveram o mesmo desfecho.

Por outro lado, os casos de linchamento a castigos físicos públicos se tornaram mais comuns nos últimos. Basta lembrarmos do caso de um jovem negro amarrado a um poste, nu, no Flamengo em 2014.

Todos estes casos têm elementos em comum. O fato de gerarem comoção pública é o primeiro. É importante dizer isto porque o número de mortes e violações que não ganham espaço na mídia é bastante expressivo. Recentemente este fato foi debatido na comparação do caso Henry com o caso do 3 meninos de Belford Roxo desaparecidos em dezembro de 2020. Ou seja, a mídia seleciona e dá maior visibilidade para certos casos. Dito isto, vamos ao segundo elemento importante: a mobilização da sociedade civil por justiça. Situações de violência nas favelas são cotidianas, a exigência de justiça pelos mortos e desaparecidos estão presentes na base de movimentos contra a violação dos direitos humanos.

Lamentavelmente a resposta do Estado é limitada. Famílias sem apoio psicológico em seu pós trauma, falta de resolução nas investigações e sobretudo falta de punição são uma constante neste sistema. A exoneração de secretários, a criação de programas como as Unidades de Polícia Pacificadora, o café da manhã na Providência com uma mãe que encontrou seu filho mutilado, em tudo isto funciona a mesma lógica cosmética de uma segurança pública que não pode (porque não quer poder) atacar problemas como eles devem ser atacados.

Em julho de 2013, vi um policial subindo a Rocinha com um tubo de conexão para improvisar um banheiro. Compreendi o que tinha ouvido alguns dias antes: a UPP dependia da crença em sua existência para que funcionasse como política. Não havia efetivo suficiente e nem recursos. Jogar um policial de 18 anos com formação de seis meses em uma favela de 100 mil habitantes? Descobrimos com o sumiço de Amarildo como as práticas da Ditadura seguem vivas dentro destas instituições.

Segundo um dos relatos sobre o caso Moïse, a Guarda foi chamada mas preferiu não se envolver. Talvez porque soubesse quem era o dono do quiosque. Nestas relações de dominação territorial não há a menor possibilidade de cidadania efetiva. O homem comum, trabalhador, será tratado como estabelecido no Código do Império: coisa.  Ou seja, em minha avaliação há um acordo muito tácito em funcionamento entre aqueles que espancam um ser humano até a morte, aqueles que deveriam prover segurança e aqueles que rifam o território por terem as credenciais para isto. Não há espaço para a universalização de direitos. Nossa cordialidade nos obrigada a saber sempre com quem estamos falando.

As manifestações de indignação e luto deverão dar lugar a ações sem trégua dos movimentos sociais e da sociedade civil pela ampliação do debate sobre as instituições de controle. As oficiais e sobretudo, as extra-oficiais.

Entregar dois quiosques para que virem um memorial em homenagem a cultura congolesa e africana, segue a mesma lógica cosmética e diversionista descrita acima. É a lógica da UPP social, é a lógica de renomear as ruas com o nome dos mortos pela polícia. É a lógica do faz de conta. O Estado conta com nosso esquecimento. O Estado conta com nosso medo. E com a mídia em seu trabalho eterno de morder e assoprar. Mantendo altos seus índices de audiência.

É o Fado Tropical de Chico Buarque, que me faz pensar em um torturador sentimental. De tudo isto que trago o verso :

“Oh, musa do meu fado, Oh, minha mãe gentil, Deixo-te consternado,

No primeiro Abril, Não seja tão ingrata, não esqueças quem te amou,

E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou

Ai, esta terra ainda vai cumprir o seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal”.


*Luciane Soares da Silva é é docente da Universidade Estadual do Norte Fluminense  (Uenf), onde atua como chefe Laboratório de Estudos sobre Sociedade Social e do Estado (Lesce), e também participa da diretoria da Associação de Docentes da Uenf (Aduenf).

Três doses da CoronaVac induzem anticorpos contra a ômicron em 95% dos vacinados, mostra estudo chinês

Dose de reforço do imunizante também garantiu memória imunológica contra a nova variante ao ativar as células B

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Caixas com vacina da Sinovac contra a COVID-19 REUTERS/Tingshu Wang

Em um trabalho publicado na última sexta (28/1) na revista Nature, pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências mostraram que a dose de reforço da CoronaVac promove resposta imune contra a variante ômicron do SARS-CoV-2 em 95% dos vacinados, além de aumentar a capacidade de neutralização dessa cepa ao ativar rapidamente as células B de memória, que produzem anticorpos.

Os cientistas chineses coletaram amostras de sangue de 60 voluntários que tomaram três doses da CoronaVac para avaliar os títulos de anticorpos neutralizantes contra as variantes ômicron e delta – neste estudo, usou-se vírus vivo. Nenhum dos indivíduos recrutados tinha sido infectado pelo vírus SARS-CoV-2 antes da análise. 

Segundo a pesquisa, após a terceira dose, 95% dos participantes apresentaram soroconversão contra a ômicron. Os títulos de anticorpos neutralizantes contra a cepa original (de Wuhan, que desencadeou a pandemia) e contra as variantes delta e ômicron foram, respectivamente, 254, 78 e 15,5. A contagem de títulos de anticorpos, no entanto, representa apenas uma parte da resposta imune, que é completada pelas células B de memória, que podem reconhecer um invasor, se dividir e rapidamente começar a produzir anticorpos para combatê-lo. 

Para avaliar o potencial da memória imunológica de vacinados com três doses, os cientistas isolaram 323 anticorpos monoclonais derivados de células B, metade dos quais (163) reconheceu o domínio de ligação ao receptor (RBD) do vírus. Também foi identificado um subconjunto dos anticorpos monoclonais (24 dos 163) que foi capaz de neutralizar todas as variantes de preocupação do SARS-CoV-2, inclusive a ômicron.

De acordo com os pesquisadores, estudos têm mostrado que a ômicron pode resistir aos anticorpos produzidos com duas doses de vacina, o que reforça a necessidade de uma terceira dose. “Nosso estudo revelou que o regime de vacinação de três doses da CoronaVac induz uma resposta imune melhorada, com neutralização significativamente aumentada. Além disso, um subconjunto de anticorpos neutralizantes altamente potentes contra as variantes de preocupação estava presente em pelo menos quatro indivíduos [entre 60 investigados].”

Pesquisa aponta que 64% dos brasileiros acredita que ainda é possível reverter os impactos das mudanças climáticas

 Estudo realizado em cinco países mostra ainda que 71% dos entrevistados no Brasil também estão buscando informações sobre sustentabilidade

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Maior empresa de aprendizagem do mundo, a Pearson divulga os resultados da Global Learner Survey 2021 — Parte 4. A pesquisa, que ouve populações de diversos países para identificar suas percepções e expectativas sobre a educação e a sociedade em geral, está sendo realizada e publicada em vários capítulos temáticos ao longo do ano. A quarta parte ouviu pessoas com idades entre 16 e 70 anos em cinco países (Brasil, China, Estados Unidos, México e Reino Unido) para entender o que as pessoas pensam sobre as mudanças climáticas e como se sentem sobre a educação e as informações que recebem sobre o assunto.

Em tempos de COP26 e de inúmeras ações de ativismo e debates sobre os efeitos do homem na natureza, os entrevistados estão divididos sobre a inevitabilidade do impacto das mudanças climáticas. Brasil e México são os mais otimistas: dois terços dos entrevistados nesses países (ambos com 64%) acreditam que os efeitos das mudanças climáticas ainda podem ser evitados. Os brasileiros (71%) também lideram o grupo de entrevistados que atualmente estão tentando se informar sobre as questões climáticas. A China tem a menor proporção (48%).

A maioria dos entrevistados (61%) em todo o mundo está ativamente tentando se educar sobre as questões climáticas. As três principais fontes de informação que os respondentes estão usando atualmente são: imprensa (58%), redes sociais (43%) e filmes (42%). Curiosamente, apesar do acesso às redes sociais ser alto, essa fonte de informação está entre as menos confiáveis para os participantes (51%). As mais confiáveis são experiência pessoal (77%), livros (76%) e filmes (72%).

A experiência pessoal parece ter um grande peso, de fato. 84% dos entrevistados em todo o mundo dizem que, depois de aprender mais sobre as mudanças climáticas, eles agiram em suas próprias vidas para reduzir seu impacto.

“As preocupações com a mudança climática e o meio ambiente crescem diariamente e permeiam nosso dia a dia das formas mais diversas, seja na cobertura jornalística do COP26 ou no fato de precisarmos de casaco às vésperas do verão. Não é à toa que o termo ESG, que tanto impulsiona as empresas a fazerem mais pela sociedade, começa com E de Environment, ou Meio Ambiente”, diz Juliano Costa, vice-presidente de Produtos Educacionais da Pearson Latam. “Para preservarmos o futuro do nosso planeta, temos a formidável ferramenta da educação, que sempre foi um motor poderoso para promover mudanças. Nesse ínterim, a educação assume um papel fundamental para preparar as gerações atuais e futuras para viver em um mundo sustentável”.

Outras descobertas desta edição da Global Learner Survey incluem:

  • Aproximadamente metade dos entrevistados em todo o mundo (55%) afirmam que provavelmente procurarão emprego em uma área que tenha um impacto positivo direto sobre o meio ambiente. México 68%, Brasil 63% e China 62% lideram os índices.
  • Mais da metade dos entrevistados em todo o mundo (58%) não sentem que os tópicos relacionados ao meio ambiente foram ensinados de forma adequada quando eles estavam na escola. O Brasil está na contramão desse índice, com 44%.
  • Mais da metade dos entrevistados em todo o mundo acreditam que as crianças devem começar a aprender sobre as mudanças climáticas na escola primária ou antes. Brasil e México são os dois países que preferem começar essa educação já na fase pré-escolar, com 48% e 51%, respectivamente.
  • Profissionalmente, essa questão também parece pesar. Mais da metade dos brasileiros (53%) e dos mexicanos (54%) acreditam que é muito importante que as suas carreiras tenham um impacto ambiental positivo, enquanto EUA (28%), Reino Unido (19%) e China (28%) tem índices mais baixos.

A Pearson conduziu o estudo em parceria com a Morning Consult, empresa global de inteligência de dados sediada nos Estados Unidos. Ao todo, foram ouvidas 5.000 pessoas com idades entre 16 e 70 anos, por meio de entrevistas online, entre os dias 26 de outubro e 2 de novembro. Os resultados são representativos da população com acesso à internet em cada país, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Sobre a Pearson 
 

Na Pearson, nosso propósito é simples: adicionar vida a uma vida inteira de aprendizado. Acreditamos que cada oportunidade de aprender é uma chance para avançar pessoalmente. É por isso que nossos cerca de 20.000 funcionários estão comprometidos em criar experiências de aprendizado vibrantes e enriquecedoras, projetadas para causar impactos positivos na vida diária. Somos a empresa líder mundial em aprendizado de mídia digital, atendendo clientes em quase 200 países com conteúdo digital, avaliações, qualificações e dados. Para nós, aprender não é apenas o que fazemos: é quem somos. Visite-nos

Faço a do Roberto Moraes a minha questão: cadê o DISJB?

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As desapropriações realizadas pelo governo do Rio de Janeiro para criar um distrito industrial que ainda não saiu do papel produziu uma reforma agrária ao contrário na retroárea do Porto do Açu

No último dia 4, o professor Roberto Moraes levantou uma pertinente questão com uma postagem intitulada “Cadê o DISJB?‘ em torno da situação das terras expropriadas pelo governo do Rio de Janeiro para criar um aparentemente natimorto Distrito Industrial no V Distrito do município de São João da Barra. É que passados 10 anos desde que o ciclo de tomadas, algumas vezes violentas, de terras apenas gerou uma reforma agrárias às avessas em uma área que era ocupada há várias gerações de forma altamente produtiva por milhares de famílias de pequenos agricultores.

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De lá para cá, as terras passaram das mãos do ex-bilionário Eike Batista para as do EIG Global Partners, um fundo de private equity sediado em Washington DC que tem preferido fazer seus negócios na chamada zona industrial do Porto do Açu, mas sem dar qualquer sinal de que pretende retornar as terras tornadas improdutivas para os seus legítimos donos.

Ao longo dessa década perdida para os moradores do V Distrito, o que se viu foi a morte de muitos agricultores expropriados, como no caso do meu amigo saudoso amigo Reinaldo Toledo cuja morte completará 4 anos no dia 06 de março, sem que eles ou suas famílias tenham tido qualquer tipo de reparação pela tomada de suas terras (ver vídeo abaixo onde o Sr. Reinaldo narra o seu caso em detalhes).

Já abordei o caso da grilagem de terras cometido pelo governo do Rio de Janeiro contra agricultores pobres em incontáveis postagens neste blog, bem como produzi solo ou acompanhado uma série de trabalhos acadêmicos (aliás, em breve teremos a história do Porto do Açu narrado em uma capítulo de livro que deverá ser publicado por uma grande editora universitária internacional).  Entretanto, tenho que reconhecer que o caso das desapropriações do V Distrito são uma chaga aberta cujos responsáveis estão longe de serem responsabilizados pelo que fizeram, e os atingidos continuam arcando com os prejuízos causados pela perda de suas terras e o desmantelamento de seu sistema de reprodução social.

E tudo isso para quê? Por essas e outras é que a pergunta do professor Roberto Moraes se faz tão pertinente: cadê o DISJB?

Desmatamento e mudança climática colocam em risco nova fronteira agrícola brasileira

A combinação desses fatores agravou na última década as condições de seca severa na zona de transição entre o leste da Amazônia e o Cerrado, onde está situada a região conhecida como Matopiba, aponta estudo. Pesquisadores alertam para o risco de queda na produção (foto: arquivo/Agência Brasil)

Elton Alisson | Agência FAPESP – O desmatamento para a expansão do agronegócio, juntamente com as mudanças climáticas, induziu o agravamento das condições de seca severa na última década na zona de transição entre o leste da Amazônia e o Cerrado.

Essa combinação de tendências pode colocar em risco a estabilidade dos biomas e, consequentemente, a produção de alimentos na região onde está situado o Matopiba – área considerada a nova fronteira agrícola brasileira, compreendida por porções dos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, e responsável por quase 12% da produção brasileira de soja.

O alerta foi feito por um grupo de cientistas ligados a instituições de pesquisa no Brasil e no exterior em artigo publicado na revista Scientific Reports.

O estudo, conduzido por pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), teve apoio da FAPESP por meio de um Projeto Temático e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC) – um dos INCTs financiados pela FAPESP em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no Estado de São Paulo.

“As condições atuais já mostram que essa região de transição entre a Amazônia e o Cerrado está sofrendo os impactos do uso da terra para expansão do agronegócio e também das mudanças climáticas”, diz à Agência FAPESP José Marengo, coordenador-geral de pesquisa do Cemaden e primeiro autor do estudo.

“Esses processos podem se tornar mais intensos no futuro e impactar tanto os biomas como a produção agrícola na região do Matopiba, particularmente a soja”, estima Marengo, que também coordena o INCT de Mudanças Climáticas.

Os pesquisadores usaram uma combinação de dados meteorológicos e de satélites para analisar mudanças nas variáveis hidrológicas e climáticas na América do Sul tropical durante as últimas quatro décadas.

As regiões que sofreram aquecimento de longo prazo ou apresentaram tendência de seca no período de 1981 a 2020 foram identificadas por meio da análise de padrões espaciais para diferentes variáveis radiativas, atmosféricas e hidrológicas.

Os resultados das análises indicaram que as maiores tendências de aquecimento e seca na América do Sul nesse período de 40 anos foram observadas justamente na região de transição entre o leste da Amazônia e o Cerrado.

A região experimentou nas últimas quatro décadas uma ampla e significativa tendência de aquecimento durante a estação de transição seca para úmida, que ocorre entre os meses de julho e outubro.

Essas tendências de aquecimento induziram o atraso na estação chuvosa e pioraram as condições de seca severa na última década.

“Os resultados evidenciam um aumento na temperatura, déficit de pressão de vapor, frequência de dias secos e diminuição na precipitação, umidade e evaporação”, afirma Marengo.

“Também apontam um atraso no início da estação chuvosa, o que aumenta o risco de incêndio durante a estação de transição seca para úmida”, explica.

A despeito do aquecimento nas últimas quatro décadas, a área agrícola na região mais do que dobrou no período entre 2003 e 2013, saltando de 1,2 milhão para 2,5 milhões de hectares.

Aproximadamente 74% das novas terras agrícolas na região são de áreas de Cerrado, até então intactas.

“Esses achados fornecem evidências observacionais da pressão climática crescente nessa área, que é sensível para a segurança alimentar global, e a necessidade de conciliar a expansão agrícola e a proteção dos biomas tropicais naturais”, avalia Marengo.

Plano de adaptação

De acordo com o pesquisador, as secas na Amazônia e na região adjacente ao Cerrado geralmente estão relacionadas a eventos como El Niño e/ou às temperaturas da superfície do Atlântico Norte.

Esses aumentos de temperatura oceânica favorecem a ocorrência de déficits regionais anômalos de água, temperaturas mais quentes e intensas temporadas de incêndios, que podem ser fatores limitantes para o desenvolvimento, colheita e produção de soja no Matopiba.

Durante o El Niño de 2015-2016 foi registrada redução na produtividade da soja – que entre 2014 e 2015 foi de pouco mais de 96 milhões de toneladas e, no período do fenômeno climático, caiu para 95,4 milhões de toneladas.

“No futuro, eventos como o El Niño de 2015-2016 podem ser mais intensos. Por isso, é preciso começar a implementar medidas de adaptação para mitigar os impactos das mudanças climáticas naquela região, como redução do desmatamento da Amazônia e de mudanças do uso no Matopiba”, aponta Marengo.

“Se nada for feito, a produção agrícola vai cair porque é fortemente dependente do clima”, afirma.

O trabalho teve a participação de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e das universidades de Valência, na Espanha, e de Grenoble, na França.

O artigo Incresed climate pressure on the agricultural frontier in the Eastern Amazonia-Cerrado transition zone (DOI: 10.1038/s41598-021-04241-4), de José A. Marengo, Juan C. Jimenez, Jhan-Carlo Espinoza, Ana Paula Cunha e Luiz E. O. Aragão, pode ser lido em: www.nature.com/articles/s41598-021-04241-4.

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Este texto foi originalmente publicado pela Revista da Fapesp [Aqui ].
 

Observatório de Agrotóxicos: após quebrar recorde em 2021, governo Bolsonaro começa 2022 com mais 12 liberações

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Jair Bolsonaro e Tereza Cristina seguem liberando agrotóxicos altamente perigosos e deixarão um legado tóxico para os brasileiros

Um dos aspectos em que o governo Bolsonaro vem se provando letal é no campo da liberação “fast track” de agrotóxicos, o que vem colocando uma quantidade significativa de substâncias altamente danosas no mercado nacional de venenos agrícolas. Como já mostrado em diferentes ocasiões neste espaço, parte significativa dos agrotóxicos liberados pelo governo Bolsonaro já está proibida em outras partes do mundo, a começar pela União Europeia, por causa dos efeitos danosos conhecidos para muitos deles.  A lista de produtos banidos em outras regiões do mundo mas amplamente usados no Brasil estão a atrazina, a ametrina, o acefato e o fipronil (mas a lista é bem mais longa do que isso).

A avidez do governo Bolsonaro, sob a batuta célere da “musa do veneno”, Tereza Cristina (DEM/MS), é tanta que em 36 meses de governo foram liberados 1.558 agrotóxicos, sendo que em cada ano com Jair Bolsonaro no poder foram quebrados novos recordes de aprovação (ver figura abaixo), tendo chegado a 2021 com incríveis 562 agrotóxicos disponibilizados para uso amplo nas monoculturas de exportação (i.e.,  algodão, cana de açúcar, milho e soja). Agora, com os 12 produtos liberados, o “grand total” do governo Bolsonaro chegou a astronômicos 1.570 agrotóxicos, uma verdadeira festa para os grandes fabricantes de venenos agrícolas como Bayer e Basf.

aprovação de agrotóxicos

Dentre os problemas que decorrem do grande volume de agrotóxicos sendo usados na agricultura nacional estão a contaminação de solos, corpos aquáticos superficiais, lençol freático e o extermínio de polinizadores (e.g., abelhas), mas ainda a contaminação de trabalhadores rurais, comunidades próximas às monoculturas, e ainda os consumidores de alimentos contendo grandes quantidades de resíduos de agrotóxicos conhecidos por causarem diversos tipos de doença, a começar por vários tipos de câncer.

Primeira lista de aprovações de 2022 confirma supremacia chinesa na oferta de produtos técnicos

pesticides china

Em uma demonstração de que busca novos recordes de liberação destas substâncias altamente venenosas, o governo Bolsonaro já soltou a sua primeira lista de “novos” agrotóxicos liberados para comercialização no Brasil a partir da publicação do Ato No 2. de 06 de janeiro de 2022. Esse ato traz a liberação de 12 produtos técnicos que são aqueles que serão formulados para venda direta nas lojas de agrotóxicos.

A partir de uma análise inicial já se pode confirmar que a China continua jogando o papel principal de produtos técnicos, já que empresas chinesas são as fabricantes de 9 dos 12 produtos, ficando a Índia com 2 e a Espanha com 1. No caso do agrotóxico fabricado na Espanha, este se trata do fungicida  Mefentrifluconazole que é fabricado pela multinacional alemã Basf.

A supremacia chinesa na oferta de produtos técnicos reforça o caráter desiquilibrado das relações comerciais sino-brasileiras, na medida em que as exportações brasileiras de diversas commodities tem a China como principal comprador que, por sua vez, se tornou um fornecedor preferencial de agroquímicos, incluindo agrotóxicos e fertilizantes.

Com o “Pacote do Veneno” tramitando no Congresso, governo Bolsonaro quer provar que o céu é olimite para o uso de agrotóxicos perigosos no Brasil

agrotoxicos comida

Mas se engana redondamente quem acha que a liberação dessa tsunami de agrotóxicos já matou a sede do latifúndio agro-exportador por venenos agrícolas. É que na volta das atividades legislativas no congresso nacional já está novamente tramitando o Projeto de Lei 6299/02, mais conhecido como Pacote do Veneno cujo objetivo é não apenas agilizar ainda mais a liberação de agrotóxicos, mas dar, digamos, um verdadeiro “banho de boutique” nos agrotóxicos que passarão a ser chamados por outros nomes com o objetivo de mascarar o óbvio sobre esses produtos, qual seja, que são altamente venenosos e prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana.

O interessante é que um dos mais aguerridos defensores do Pacote do Veneno é o deputado federal Luiz Nishimori (PL/PR), um dublê de proprietário rural e vendedor de agrotóxicos, e um dos mais aguerridos membros da chamada Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a famosa “bancada ruralista”.

Como venho dizendo faz algum tempo, a luta contra o uso indiscriminado e abusivo de agrotóxicos deverá ser uma das bandeiras a serem agitadas na campanha eleitoral de 2022. Essa bandeira terá de ser agitada de forma inequívoca e resoluta, pois a manutenção de um modelo agrícola viciado em agrotóxicos deverá trazer efeitos dantescos nas próximas décadas para a população brasileira que hoje convive, entre outras coisas, com alimentos cada vez mais contaminados por resíduos de agrotóxicos altamente perigosos.

UE planeja proibir uso de agrotóxicos em parques e outros espaços públicos

Reino Unido instado a seguir o exemplo enquanto Bruxelas elabora proposta para reduzir o uso geral dos produtos químicos em 50%

parks pesticidesA Comissão Europeia diz que vários estados membros da UE não cumpriram as orientações anteriores sobre a redução do uso de controle químico de pragas. Fotografia: Martin Jenkinson/Alamy

Por Daniel Boffey em Bruxelas, para o “The Guardian”

O uso de agrotóxicos sintéticos em parques e outros espaços públicos verdes em áreas urbanas deve ser proibido na União Europeia (UE), com os estados membros obrigados a reduzir o uso geral em 50%, de acordo com um projeto de regulamento vazado.

A medida é considerada necessária pela Comissão Europeia devido ao fracasso de vários estados membros da UE em agir de acordo com as orientações anteriores sobre a redução do uso de controle químico de pragas.

As autoridades dizem no projeto de regulamento que, como resultado das propostas, “os consumidores da UE podem ver o aumento dos preços dos alimentos, o que pode levar ao aumento das importações de países terceiros com regulamentação menos rigorosa do uso de agrotóxicos”.

Mas as autoridades disseram que examinarão maneiras de mitigar o impacto, acrescentando que a UE precisa “mudar para um sistema alimentar justo, saudável e ecológico”. Sob o regulamento, os agrotóxicos também seriam proibidos em áreas de proteção da natureza.

Cerca de 70 cidades do Reino Unido estão tomando medidas para reduzir o uso de agrotóxicos, mas não há proibição legal. Um porta-voz da Pesticide Action Network UK (PAN UK) pediu ao governo britânico que siga o exemplo de Bruxelas.

Ele disse: “A PAN UK vem pedindo essa medida há muitos anos e ver a Comissão Europeia apresentar planos para acabar com o uso desnecessário de agrotóxicos em áreas urbanas é muito bem-vindo. Será um enorme benefício para os cidadãos e o ambiente da UE. A PAN UK gostaria de ver o Reino Unido seguir o exemplo e acabar com o uso de pesticidas em nossas cidades.”

O projeto de regulamento da UE, que precisará ganhar o apoio dos Estados membros e do Parlamento Europeu, recebeu uma reação mista de ativistas ambientais na Europa continental.

Preocupações foram levantadas sobre a falta de restrições impostas aos agricultores para usar métodos como rotação de culturas e capina mecânica. Potenciais lacunas em torno da meta de 50% também foram identificadas, relacionadas à falta de confiança na coleta de dados precisos.

Sarah Wiener, uma eurodeputada dos Verdes, disse temer que o regulamento se traduza em promessas vazias. Ela disse: “A proposta da comissão sobre o uso sustentável de agrotóxicos na UE é tudo menos estanque. Por um lado, a comissão reconhece que a antiga diretiva dá muita margem de manobra aos Estados membros e, consequentemente, quer transformá-la em regulamento. Por outro lado, a comissão enumera apenas medidas insuficientes para implementar essa ideia basicamente boa.

“Não apenas isso, mas a comissão não quer nem mesmo tornar obrigatório o básico do manejo integrado de pragas, que seria o mínimo absoluto para alcançar um menor uso de agrotóxicos e proteger a saúde humana e a biodiversidade”.

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Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui! ].

Campos dos Goytacazes: TJ suspende decisão pró-proprietários de escolas que autorizava aulas para crianças não vacinadas

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Em uma decisão que eu já esperava, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro cassou a liminar expedida pela justiça de Campos dos Goytacazes que autorizava o início das aulas para crianças ainda não vacinadas contra a COVID-19 (ver imagem abaixo).

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Um ponto que merece ser ressaltada é a observação pelo juiz Celso Luiz de Matos Peres é o que aponta para um fato elementar, qual seja, a “nítida pretensão por parte do Ministério Público no sentido de influenciar e ditar, não só as políticas municipais de saúde, bem como as políticas educacionais locais, sendo consistente e razoável a argumentação expendida pelo ente público recorrente“. Além disso, o meritíssimo observou outro aspecto elementar afirmando que “observo que as medidas prudenciais adotadas pelo agravante (i.e., a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes (PMCG))  se justificam plenamente, até porque não vislumbro prejuízo substancial ao ano letivo com a postergação do início das aulas para o dia 07/03/2022..”

Trocando em miúdos, o juiz Celso Luiz de Matos Peres assinalou a inapropriada interferência do Ministério Público em duas áreas de competência da PMCG, quais sejam, as políticas de saúde e educacionais; além de observar algo óbvio que não haverá prejuízo pedagógico substancial para a postergação do semestre letivo para depois do Carnaval.

Aos proprietários das escolas que se moveram para literalmente forçar a reabertura dos seus estabelecimentos em momento de franca expansão da variante “Ômicron” restará recorrer dessa decisão em instância superior ou reconhecer o óbvio para seguir a decisão em nome da saúde de seus empregados e clientes.

Projetos hidrelétricos estão expulsando tigres e onças de seus habitats

Barragens ameaçam grandes felinos

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Usinas hidrelétricas como a represa de Tucuruí, no rio Tocantins, estão destruindo o habitat de grandes felinos como a onça-pintada. Foto: dpa/Dieh Sacramento

Por Norbert Suchanek para o Neues Deutschland

A energia hidrelétrica é considerada uma fonte de energia limpa e amiga do clima. Grandes felinos como tigres e onças, cujos habitats foram inundados para isso, certamente veriam as coisas de forma diferente. Novas pesquisas mostram que os reservatórios existentes causaram a perda de mais de um quinto da população mundial de tigres e destruíram o habitat de centenas de onças.

Pelo menos 3.700 usinas hidrelétricas estão planejadas ou em construção, muitas delas em regiões de floresta tropical. Os efeitos negativos das barragens na biodiversidade de água doce já foram documentados em vários estudos. As consequências para as espécies de animais terrestres até agora foram negligenciadas pela pesquisa. Ana Filipa Palmeirim e Luke Gibson da Southern University of Science and Technology (SUSTech) em Shenzhen (China) estão agora a tentar colmatar esta lacuna de investigação.

Eles relatam os primeiros resultados na revista Communications Biology Depois disso, 421 barragens foram construídas em regiões de tigres até hoje. Os reservatórios inundaram 13.750 quilômetros quadrados do habitat do grande felino asiático. Os dois pesquisadores calculam que isso por si só levou à perda de 729 tigres, 20 a 23% da população mundial. Não atingiu o Jaguar com tanta força até agora.
Entretanto, 164 grandes usinas hidrelétricas inundaram um total de 25.397 km2 de áreas de floresta e savana que antes abrigavam o grande felino malhado da América Latina. De acordo com os cálculos dos dois pesquisadores, 915 onças perderam seu habitat, 0,53% da população total atual de cerca de 173 mil animais.

Apesar de sua reputação como uma fonte de energia ecologicamente correta, a energia hidrelétrica é uma das maiores causas mundiais de destruição de habitats, afirmam os autores. As áreas inundadas oferecem apenas um habitat limitado para a fauna de água doce e estão completamente perdidas para as criaturas terrestres. A influência das hidrelétricas no mundo animal é ainda maior, pois a construção da barragem é acompanhada pela construção da infraestrutura necessária. “Primeiro, os reservatórios de energia hidrelétrica estão cada vez mais localizados em regiões remotas, e sua construção aumenta muito o acesso humano a essas áreas naturais, por exemplo, através da construção de estradas e linhas de energia”, escrevem Palmeirim e Gibson. Isso fragmentou os ecossistemas ao redor dos reservatórios e as estradas de acesso também abriram habitats anteriormente remotos para caça e exploração de recursos.

Por último, mas não menos importante, a perda dos grandes felinos também representa uma ameaça para os ecossistemas florestais afetados: onças e tigres controlam a população de herbívoros. Sem os predadores, eles podem se tornar dominantes e impedir a regeneração natural da floresta.

Por fim, Palmeirim e Gibson temem que o maior felino da América Latina seja muito mais atingido nos próximos anos pelo novo boom de usinas hidrelétricas planejadas de grande porte. Um total de 429 novas barragens ameaçaram os habitats da onça-pintada , a maioria no Brasil.

Em áreas onde os últimos sobreviventes de aproximadamente 3.200 a 3.500 tigres estão localizados, 41 novos projetos hidrelétricos estão planejados. A subespécie do tigre de Sumatra é particularmente afetada . De acordo com os pesquisadores, os projetos hidrelétricos planejados na Ásia têm o potencial de minar a Declaração de São Petersburgo sobre Proteção aos Tigres.

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo jornal “Neues Deutschland [Aqui!].