O governo e o desmatamento: a negação como mecanismo de defesa

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Leia artigo da Coalizão Ciência e Sociedade*, que inclui membros da ABC, entre outros (lista no final):

Em entrevista recente (03/07/2019) à BBC News, o General Augusto Heleno Ribeiro Pereira (Gabinete de Segurança Insitucional) quesiona os dados de desmatamento da Amazônia e, em grave acusação, aponta que os mesmos são manipulados.

A Psicanálise deine a negação como um mecanismo de defesa que basicamente se manifesta pela recusa em reconhecer que um evento ocorreu. A negação tem um componente inconsciente, mas também pode ter um elemento consciente signiicaivo, com o intuito de simplesmente “fazer vista grossa” para uma situação desconfortável.

As declarações do General Augusto Heleno Ribeiro Pereira são um exemplo triste de negação, em consonância com outras vozes inluentes no governo que também negam a extensão das preocupações ambientais no Brasil.

A negação da realidade objeiva do desmatamento nos cobra um alto custo, na diminuição do bem-estar da população brasileira, da credibilidade e reputação da comunidade cieníica nacional e de nossas perspecivas de inserção como parceiro comercial em um mundo onde a sustentabilidade abre as portas para mercados importantes e cooperações relevantes.

A comunidade cieníica brasileira trabalhando em insitutos de pesquisa e universidades públicas é reconhecida internacionalmente por seu pioneirismo não só no monitoramento de ecossistemas tropicais e apoio às políicas públicas mas também na apresentação transparente e fundamentada de seus resultados.

O sensoriamento remoto (principal ferramenta usada na avaliação do desmatamento) é igualmente importante e plenamente reconhecido no âmbito das Forças Armadas. Por exemplo, por meio dos projetos desenvolvidos pelo Centro de Imagens e Informações Geográicas do Exército (CIGEx )que colabora como Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais.

Em paricular, destaca-se o indiscuível desenvolvimento cieníico e tecnológico conduzido pelo Insituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O INPE desempenha um papel fundamental na pesquisa cieníica em sua área de atuação e na formação de recursos humanos no monitoramento ambiental (seus egressos nuclearam outros centros importantes em todas as regiões do Brasil), tendo diversiicado a plataforma brasileira de sistemas para o entendimento dos processos complexos associados à cobertura e uso do solo no Brasil. O já mencionado CIGEx conta com parceria do INPE e o Banco de Dados do Exército-BDGEx tem como pilar um sotware livre para Sistemas de Informação Geográica (SIG) desenvolvido no INPE.

O mundo inteiro hoje é capaz de, por meio de uma constelação ampla de satélites com alta resolução e frequência de imageamento, avaliar o desmatamento da Amazônia e dos demais biomas brasileiros. Ou seja, não é mais possível “tapar o sol com a peneira” ao negar dados reais e públicos com base em airmações sem embasamento, e muito menos despresigiar o trabalho sério e criterioso realizado pela ciência nacional. Ao contrário, nossos dirigentes demonstrariam amadurecimento e compromisso com o bem do país se tratassem de frente e com coragem a realidade objeiva do desmatamento, a começar pelo respeito e coniança na capacidade cieníica brasileira.

* Coalizão Ciência e Sociedade (em ordem alfabéica):

Adalberto Luis Val (Insituto Nacional de Pesquisas da Amazônia)
Alexandre Turra (Universidade de São Paulo)
Blandina Felipe Viana (Universidade Federal da Bahia)
Carlos Afonso Nobre (Insituto de Estudos Avançados – Universidade de São Paulo)
Carlos Alfredo Joly (Universidade Estadual de Campinas)
Caia Nunes da Cunha (Universidade Federal de Mato Grosso)
Crisiana Simão Seixas (Universidade Estadual de Campinas)
Crisina Adams (Universidade de São Paulo)
Daniele Vila Nova (Painel Mar)
Eduardo José Viola (Universidade de Brasília)
Enrico Bernard (Universidade Federal de Pernambuco)
Erich Arnold Fischer (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Fabio Rubio Scarano (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
Francisca Soares de Araujo (Universidade Federal do Ceará)
Gabriela Marques di Giulio (Universidade de São Paulo)
Geraldo Wilson Fernandes (Universidade Federal de Minas Gerais)
Gerd Sparovek (Universidade de São Paulo)
Gerhard Ernst Overbeck (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
Gislene Maria da Silva Ganade (Universidade Federal do Rio Grande do Norte)
Gustavo Romero (Universidade Estadual de Campinas)
Helder Lima de Queiroz (Instituto Mamirauá)
Helena de Godoy Bergallo (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
Ima Célia Guimarães Vieira (Museu Paraense Emilio Goeldi)
Jean Paul Walter Metzger  (Universidade de São Paulo)
Jean Pierre Ometto (Centro de Ciência do Sistema Terrestre/INPE)
Joice Nunes Ferreira (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária)
José Alexandre Felizola Diniz Filho (Universidade Federal de Goiás)
José Antonio Marengo Orsini (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais)
José Sabino (Universidade Anhanguera – Uniderp, MS)
Leandra Gonçalves  (Universidade de São Paulo)
Leonor Costa Maia (Universidade Federal de Pernambuco)
Leopoldo Cavaleri Gerhardinger (Associação de Estudos Costeiros e Marinhos dos Abrolhos – ECOMAR)
Leticia Couto Garcia (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Ludmilla Moura de Souza Aguiar (Universidade de Brasília)
Luiz Antonio Martinelli  (Universidade de São Paulo)
Marcelo Tabarelli (Universidade Federal de Pernambuco)
Marcia Cristina Mendes Marques (Universidade Federal do Paraná)
Margareth da Silva Copertino (Universidade Federal do Rio Grande)
Maria Alice dos Santos Alves (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
Maria Manuela Ligeti Carneiro da Cunha (Uni Chicago)
Maria Teresa Fernandez Piedade (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia)
Mercedes Maria da Cunha Bustamante (Universidade de Brasília)
Michele Dechoum (Universidade Federal de Santa Catarina)
Paulo Eduardo Artaxo Netto (Universidade de São Paulo)
Pedro Luís Bernardo da Rocha (Universidade Federal da Bahia)
Rafael Dias Loyola (Universidade Federal de Goiás e Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável)
Renato Sérgio Balão Cordeiro (Instituto Osvaldo Cruz)
Ricardo Bomfim Machado (Universidade de Brasília)
Ricardo Ribeiro Rodrigues  (Universidade de São Paulo)
Rômulo Simões Cezar Menezes (Universidade Federal de Pernambuco)
Ronaldo Bastos Francini Filho (Universidade Federal da Paraíba)
Sergio Ricardo Floeter (Universidade Federal de Santa Catarina)
Sidinei Magela Thomaz (Universidade Estadual de Maringá)
Tatiana Maria Cecy Gadda (Universidade Federal Tecnológica do Paraná)
Thomas Michael Lewinsohn (Universidade Estadual de Campinas)
Valério De Patta Pillar (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

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Este artigo foi publicado inicialmente pela Academia Brasileira de Ciências [Aqui!].

Evento discute os rumos da ciência no Brasil pós corte

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“É o fim? Um debate sobre os rumos da ciência no Brasil. E inspirações de Berlim” é o tema do debate que acontece no dia 1º de fevereiro, às 18h30, no espaço de eventos da livraria Fnac Paulista. Depois do ano tumultuado no Brasil – ainda sem uma perspectiva de alívio –, convidados de peso discutem por que é importante para o país investir em ciência.

Para [a membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) ] Helena Nader , que esteve por 10 anos à frente da SBPC (Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência) e participa do debate, esse investimento não é despesa. Pesquisadora da Unifesp, ela fala em impactos negativos da redução de recursos para pesquisa, que abalam a prosperidade econômica e social do Brasil.

Não falta só dinheiro. Falta estratégia. Essa é a crítica feita por Paulo Artaxo , pesquisador da USP, Universidade de São Paulo [ e Acadêmico da ABC]. Um dos cientistas brasileiros de maior prestigio internacional, Artaxo vê a diminuição da importância do Brasil no cenário mundial como uma das sequelas da perda de recursos.

Para que tenha defensores, a ciência não pode ficar restrita aos laboratórios. Esse é o trabalho que Herton Escobar, jornalista do Estadão e colaborador da Science, leva muito a sério, e que ele dará mais detalhes no debate. O jornalista é um dos organizadores da USP Talks, iniciativa que aproxima o público da universidade.

De Berlim, capital da Alemanha, um dos países que mais investem em pesquisas científicas, Nina Mikolaschek, da Humboldt-Universität zu Berlin, trará exemplos de como o investimento é considerado uma das prioridades. Berlim, que carregou por décadas o slogan “É pobre, mas é sexy”, tenta cumprir à risca um planejamento para se tornar a “cidade cérebro”, novo slogan a ser emplacado.

O evento será mediado pela jornalista Nádia Pontes, que organizou o debate como parte das atividades do Berlin Science Communication Award, concedido pela Humboldt-Universität zu Berlin e financiado pela Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG), com apoio do Ministério de Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF).

Serviço:
“É o fim? Um debate sobre os rumos da ciência no Brasil. E inspirações de Berlim”
Data: 01/02
Horário: Às 18h30
Local: Fnac Paulista (Av. Paulista, 901 – Bela Vista, São Paulo). 
Entrada livre

FONTE: http://www.abc.org.br/centenario/?Evento-discute-os-rumos-da-ciencia-no-Brasil-pos-corte

Em entrevista à BBC, presidente da Academia Brasileira de Ciências fala sobre congelamento de pesquisas e êxodo de cérebros

Cortes na ciência geram êxodo de cérebros, congelam pesquisas e vão ‘penalizar’ Brasil por décadas, diz presidente da academia

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GETTY IMAGES/LOVEGULI Êxodo de pesquisadores se agrava com corte de investimentos devido à crise econômica do Brasil

Os pesados cortes de recursos para a área de ciência e tecnologia feitos pelo governo federal estão levando a produção científica brasileira a um “estado terminal”, interrompendo pesquisas, acelerando o êxodo de cérebros e gerando uma lacuna que “vai penalizar o Brasil por décadas”, afirma o presidente da Academia Brasileira da Ciências (ABC), Luiz Davidovich.

Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o físico carioca alerta para as grandes perdas trazidas pelo corte dramático imposto pelo governo Temer ao orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia e Comunicações em março deste ano, levando a verba para ciência ao patamar de 12 anos atrás.

O corte de 44% no orçamento para 2017, de R$ 5,8 bilhões para R$ 3,2 bilhões, repercutiu internacionalmente, deixando cientistas brasileiros “horrorizados”, segundo artigo na prestigiosa revista científica Nature.

“Espanta-me que justamente em uma época de crise tão grave, não se dê atenção à porta de saída da crise, já descoberta por outros países há muito tempo. É pesquisa e desenvolvimento, é ciência e inovação tecnológica. Nós estamos indo na contramão dessa consciência internacional”, afirma Davidovich, citando países como China, Cingapura, Coreia do Sul e membros da União Europeia como exemplos.

Em entrevista à BBC Brasil, o físico disse que laboratórios estão sendo forçados a interromper pesquisas por falta de, que a fuga de cérebros está se acelerando e que o cenário sombrio é um desestímulo para jovens que cogitam ou poderiam cogitar uma carreira científica.

Davidovich ressalta que a produção científica depende de continuidade e envolve uma corrida constante com outros países.

“Se você quer construir uma estrada e o país enfrenta uma crise financeira, você pode atrasar a obra. Ciência e tecnologia você não pode atrasar, porque perde a corrida. Você não tem como recuperar o atraso”, alerta.

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Arquivo Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira da Ciências

Leia [Aqui! ] os principais trechos da entrevista.

Nota de falecimento do Prof. Wolfgang Christian Pfeiffer

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A ciência brasileira perdeu nesta 4a .feira (15/02) o professor Wolfgang Christian Pfeiffer cuja trajetória foi marcada por uma incansável busca pela excelência acadêmica, principalmente nos estudos relacionados à contaminação ambiental por metais pesados. Foi ele  o idealizador do Projeto de Contaminação Ambiental e Humana por Mercúrio na Amazônia que a partir de 1986 contribuiu para importantes avanços no conhecimento existente sobre os impactos da contaminação ambiental e humana pelo uso deste metal pesado na extração do ouro.

Graças à sua importante constribuição à ciência brasileira, ele foi conduzido à um grupo seleto de pesquisadores que formam parte da Academia Brasileira de Ciências desde 1987.

Nascido na Alemanha, o Prof. Pfeiffer chegou ao Brasil com apenas 6 anos, e aqui  desenvolveu uma longa e trajetória acadêmica. Além disso, apesar de ter passado uma parte significativa da sua vida profissional no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF) da Universidde Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde ingressou como auxiliar de ensino em 1970 e ocupou paulatinamente importantes cargos de liderança científicas. Entretanto, a sua contribuição alcançou diversas instituições universitárias brasileiras, tendo o Prof. Pfeiffer ocupado um papel central na implantação da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), particularmente na criação do Laboratório de Ciências Ambientais.

Em reconhecimento a esta contribuição do Prof Pfeiffer no lançamento dos seus alicerces institucionais e científicos,  a Uenf o homenageou dando o seu nome Laboratório Experimental (base de campo) que a universidade possui no interior da Reserva Biológica União que está localizada no município de Casimiro de Abreu.

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Tive a oportunidade de conhecer e conviver  com o Prof. Pfeiffer  no final da década de 1980 quando ele gentilmente me possibilitou realizar no seu laboratório as análises de metais pesados nas amostras de chuva que terminaram compondo a minha dissertação de Mestrado que foi defendida em 1990 no Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFRJ. Desta interação pude notar a sua profunda paixão pela ciência e, em particular, pelo Brasil.  Em função disso, pude compreender o tipo de comprometimento que se demanda daqueles que adentram os sinuosos caminhos da Ciência com a intenção de efetivamente contribuir para o avanço do conhecimento.

Que a memória do Prof. Pfeiffer continue inspirando aqueles que irão continuar o seu esforço em prol do desenvolvimento da ciência brasileira.

Academia Brasileira de Ciências divulga documento sobre crise hídrica

Agência FAPESP – A Academia Brasileira de Ciências (ABC) divulgou, na sexta-feira (12/12), a “Carta de São Paulo”, um documento com análises e recomendações para enfrentar a crise hídrica no Sudeste.

Redigido sob a coordenação do pesquisador José Galizia Tundisi, do Instituto Internacional de Ecologia (IIE), o documento pede, por exemplo, modificações imediatas no sistema de governança dos recursos hídricos.

“É absolutamente necessário e imprescindível modernizar e dinamizar os sistemas de gestão”, afirmam os cientistas na carta. “As alterações devem ser implantadas de forma a promover mudança da gestão setorial, de resposta e em nível local, para uma gestão preditiva, integrada e em nível de ecossistema (bacia hidrográfica), levando em conta os processos ecológicos, econômicos e sociais.”

O documento foi elaborado após o simpósio “Recursos hídricos na Região Sudeste: segurança hídrica, riscos, impactos e soluções’”, promovido pela ABC no Instituto de Botânica de São Paulo, no fim de novembro.

De acordo com os especialistas, há uma ameaça real à segurança hídrica do Sudeste, em especial na Região Metropolitana de São Paulo e no interior de Minas Gerais e do Estado do Rio de Janeiro. Isso diante dos indícios “fortíssimos” de mudança climática – que devem trazer eventos climáticos cada vez mais extremos – e do fato de que os sistemas produtores de água não dispõem de capacidade para garantir as vazões necessárias ao atendimento da demanda atual e projetada.

Eles afirmam que a saúde pública, as economias local e regional, a produção de energia e de alimentos e a segurança das populações urbanas e rurais já estão sendo afetadas pela crise.

Entre outros pontos, os cientistas recomendam uma drástica redução de consumo de água para 2015 (na indústria, na agricultura e no abastecimento público), investimentos imediatos em medidas de longo prazo e projetos de saneamento básico e tratamento de esgoto. “Esse problema crônico referente a saneamento básico e tratamento de esgoto (…) está diretamente relacionado com a perda de qualidade de água de nossos mananciais, o que aumenta o risco e a vulnerabilidade das populações humanas e compromete ainda mais os efeitos da escassez.”

Eles defenderam também ações de divulgação e informação sobre as medidas emergenciais, os planos de longo prazo e a gravidade da crise. “Somente a transparência e a mobilização podem evitar uma maior instabilidade social, que corre o risco de acontecer se o abastecimento público continuar sendo drasticamente afetado, como indicam os dados científicos e as informações existentes”, diz a carta.

Entre os signatários da carta estão pesquisadores como Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); Eduardo Assad, do Centro Nacional de Pesquisa Tecnológica em Informática para a Agricultura (CNPTIA) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden); Carlos Tucci, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); e Luiz Pinguelli Rosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A íntegra da carta pode ser lida em http://www.abc.org.br/article.php3?id_article=3758

FONTE: http://agencia.fapesp.br/academia_brasileira_de_ciencias_divulga_documento_sobre_crise_hidrica/20417/