E agora Juscélio? Relatório técnico do Inea aponta o dedo para a Águas do Paraiba na queda do dique na XV de Novembro

dique silvana dust

(Foto: Silvana Rust)

Um relatório preparado por técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) que acaba de ser divulgado pelo jornalista Ralfe Reis em seu blog traz duas possibilidades para o desabamento do dique lateral do Rio Paraíba do Sul nas proximidades do Hotel Palace que ocorreu em meio a uma forte chuva no dia 19 de dezembro.

É que muita gente, inclusive eu mesmo, chegou a estrahar a pressa com que a concessionária “Águas do Paraíba” saiu para explicar que não tinha nada a ver com o peixe, apesar de uma tubulação de sua propriedade ter sido rompida pelo desabamento do dique.

Como essa concessionária é famosa por não cuidar nem dos buracos (milhares deles) que abre nas ruas de Campos dos Goytacazes, a pressa em negar algo que então não lhe havia sido sequer imputado.  Tanta pressa me pareceu, no mínimo, estranha.

O problema é que agora temos um lado oficial sugerindo que a ruptura do dique pode ter duas explicações, uma delas sendo justamente a ruptura da tubulação.  Assim, o que antes parecia ser efeito, agora passa a ser causa. Eu explico: é que o pessoal da Águas do Paraíba sugeriu que sua tubulação foi mais uma vítima infeliz da ruptura do dique que teria sido causada pelo acúmulo da água trazida pelas fortes chuvas. Agora, o relatório técnico do Inea indica que a chuva pode até jogado algum papel, mas o essencial foi a ruptura da tubulação.

Quero ainda acrescentar um detalhe que corrobora a alternativa da ruptura da tubulação como causa. É que aquela região da cidade foi usada fartamente por caminhões ultrapesados que vinham do Porto do Açu e passavam por ali para alcançar a BR-101 até que alguma caridosa resolveu proibir o uso daquela via para este fim.

De todo modo, o que se espera agora é que este relatório do Inea enseje outros estudos mais aprofundados para determinar de vez o papel da tubulação nesse pequeno desastre que causa tormento diário aos campistas.

Quem desejar ler o relatório do Inea, basta clicar [Aqui!].

Águas do Paraíba finaliza agosto enviando conta “muy salgada” para os campistas

carteira

Não sei quantos dos leitores deste blog que residem em Campos dos Goytacazes já receberam a sua conta enviada pela concessionária “Águas do Paraíba”, mas eu já (ver imagem abaixo).  Ao me defrontar com essa conta, o primeiro pensamento que me vem à cabeça são os resultados fornecidos pelo chamado “Mapa da Água” que mostrou que a água que chega em nossas torneiras vem, digamos, “batizada” com várias substâncias que cedo ou tarde poderão me deixar doentes. Mas afora a lembrança dos resultados de análises feitas pela própria concessionária e enviadas sob força de lei para o Sisagua do Ministério da Saúde, o que me deixa estupefato é saber que a conta que já era salgada agora ganhou um teor a mais de sal graças a uma liminar obtida no Tribunal de Justiça após ter seu pedido de reajuste negado no plano municipal.

aguas do paraiba setembro

Eu ainda noto que a conta entregue pela “Águas do Paraíba” traz uma elevação do preço mínimo da conta cobrada em Campos dos Goytacazes que era de R$ 78,88 em agosto de 2018 para R$ 109,42 para o mesmo mês de 2022, representando um aumento de R$ 30,54 ou 38,7%.  Um detalhe a mais é que a nossa conta mensal vem com uma cobrança paritária entre a água fornecida e o esgoto tratado que eleva a conta de forma injusta. É que, por exemplo, no meu caso, a casa em que eu moro não há como haver o mesmo consumo de água e o despejo de esgoto na mesma proporção. Além disso, tenho informação que dentre todas as empresas controlados pelo Grupo Águas do Brasil, essa fórmula de cálculo é exclusivamente aplicada em Campos dos Goytacazes. Tal “honraria” faz com que, coerentemente, seja aqui a maior taxa de lucros auferida pelo grupo em todo o nosso país.

A conta de setembro tem ainda um ingrediente particularmente irônico que é a informação de que os “atrasados” obtidos com a liminar no Tribunal de Justiça serão “generosamente” distribuídos em três parcelas que irão de setembro a novembro, provavelmente por algum espírito gentil dentro da “Águas do Paraíba” que se apiedou dos milhares de consumidores compulsórios que estão desempregados neste momento. Aliás, há ainda outro gentil lembrete informando que as “tarifas de desligamento e religação poderão ter seus valores suspensos cobrados oportunamente em caso de ulterior (ou seja outra liminar favorável à empresa) autorização. É como se o incríve lucro obtido pela “Águas do Paraíba” com os serviços precários prestados aos campistas ainda fosse pouco, e é preciso apertar ainda mais o torniquete que nos faz sangrar todos os meses.

A perguntar que não quer calar

Após receber mais conta, eu fico me perguntando quando é que a Câmara Municipal de Vereadores vai abrir aquela famosa Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vive sendo prometida mas nunca sai do papel para examinar o contrato de concessão e os famosos aditivos que ninguém sabe direito como foram iniciados, nem quando serão encerrados.  

Eu particularmente penso que a recente notícia dando conta que o Ministério da Justiça acionou a “Águas do Paraíba” por causa da constatação feita por peritos por ele indicados para examinar os dados do “Mapa da Água” que chegaram à conclusão de que, sim, a água fornecida aos campistas em troca de contas exorbitantes realmente contém diversos contaminantes acima dos limites legalmente estabelecidos, já bastaria para se abrir uma CPI. Entretanto, pelo jeito não é ou não tem sido.

Mas a sofrida população de Campos dos Goytacazes merece saber como essa conta salgada é gerada e, principalmente, quando o sistema de paridada água-esgoto vai ser encerrado.

 

Resultados do Mapa da Água: Ministério da Justiça notifica 300 concessionárias em todo o Brasil

torneira-com-água-da-gota-contaminada-88761041 (1)

Divulgado aqui neste blog em março de 2022, o chamado “Mapa da Água” mostrou a contaminação da água de torneira pelo menos mil municípios brasileiros com uma quantidade significativa de contaminantes, incluindo agrotóxicos. Pois bem,  agora surgiu um resultado prático da divulgação dos dados obtidos junto ao Sisagua. É que Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, notificou, ontem (24/08), 300 organizações, entre empresas de saneamento básico e de outras naturezas, que são responsáveis pelo tratamento de água, por sistemas de distribuição gerais ou individuais em 1.194 cidades brasileiras.

A Senacon informou em nota que  uma perícia foi realizada pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC) da Polícia Federal, que examinou mais de 3 milhões de resultados de análises laboratoriais, referentes ao controle de qualidade na saída do tratamento ou nos sistemas de distribuição de 8.856 unidades de tratamento de água, localizados em 3.342 municípios, que tiveram dados lançados no Sisagua nos últimos cinco anos.  A partir dos resultados de tal pericia é que ficou comprovada a existência de substâncias químicas e radiológicas nocivas à saúde, em valor acima do máximo permitido, na água de 1.194 municípios.

Como apontado nas postagens realizadas por mim, uma das cidades que estavam servindo água contaminada por agrotóxicos e outros micropoluentes emergentes é Campos dos Goytacazes, cuja concessionária, a Águas do Paraíba, passa neste momento por uma análise de seu processo de concessão pela Câmara Municipal de Vereadores.

Um convite à “Águas do Paraíba”: divulguem seus resultados sobre os níveis  de agrotóxicos presentes na água servida aos campistas! – Tribuna NF

Uma pergunta que eu faria aos responsáveis pela gestão das águas servidas nas torneiras campistas é se a empresa concessionária já foi notificada pela Senacon (na verdade já foi, ver Aqui!), e o que se pretende fazer para eliminar os contaminantes que foram identificadas nas análises realizadas pela própria Águas do Paraíba e remetidas ao Ministério da Saúde. O detalhe aqui é que o Ministério da Justiça deu o prazo de 20 dias para que as concessionárias respondam à sua notificação. Como diria o relógio… tic.toc.tic.toc.

Responder isso não deverá ser difícil, especialmente quando se acaba de conseguir na justiça um generoso reajuste nas contas cobradas dos campistas.