Os meus atropelos com o abastecimento de água na residência onde vivo não são novidade para ninguém que acompanha este blog. Após idas e vindas, passei o ano de 2017 com contas que refletem o meu perfil de consumidor cujos valores não ultrapassaram o valor mínimo cobrado pela concessionária Águas do Paraíba para o limite de 10 metros cúbicos de fornecimento.
Mas como alegria de servidor público com salários atrasados dura pouco, em Novembro tive um problema que elevou o consumo mensal para 30 metros cúbicos, o que me resultou numa conta salgada de R$ 433,56. Passado o atropelo inesperado, em Dezembro o valor retornou para R$ 92,20.
Eis que agora no início de Fevereiro, fui alvejado com uma conta no valor de R$ 492,72, já incorporando o generoso reajuste dado pelo jovem prefeito Rafael Diniz para sua parceira privada em ações para lá de pontuais e de eficiência questionável [1 e 2].
Acostumado que sou aos ritmos de relação corporativa mantidos pela Águas do Paraíba, convoquei dois trabalhadores especializados em serviços hidráulicos para detectar a raiz do vazamento e, felizmente, o problema foi identificado e sanado rapidamente.
Mas então qual é o problema afora a sangria nos meus já carcomidos saldos bancários? Para começar a elucidar a questão, posto as contas de Novembro/17 e Fevereiro/18 logo abaixo.

Se o leitor observar bem verá que houve, por causa do generoso de 135% acima do índice de inflação nacional, o preço do metro cúbico na faixa de 0 a 10 foi de R$ 3,69 para R$ 3,95, e o valor para a faixa de 10 a 30 foi de R$ 8,99 a R$ 9,86! E mais, o reajuste valeu tanto para a água como para o esgoto!
Neste ponto é que eu queria chegar. Sabemos que a base de cálculo que equaliza o valor da água e do esgoto foi equalizada há bastante tempo (se me lembro bem no governo de Arnaldo Vianna). E de lá para cá, nenhum prefeito se deu ao trabalho de questionar esse tipo de cobrança. Aliás, muito pelo contrário. O que se viu, como se vê agora, foram as tais “parcerias público privadas” que serviram apenas para encher os cofres das empresas que controlam o grupo Águas do Brasil (i.e., Carioca Engenharia, Queiroz Galvão, Construtora Cowan e New Water).
Enquanto isso, o cidadão campista, transformado em consumidor de fornecedor único, continua padecendo com serviços de qualidade questionável no abastecimento de água e uma situação ainda pior na coleta e tratamento de esgotos. Aliás, o volume de esgoto efetivamente tratado continua sendo um daqueles segredos comerciais estratégicos. Provavelmente para não alertar ao cidadão/consumidor que está se cobrando caro por um serviço que é prestado pela metade.
Para este cidadão/consumidor a hora de se abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para se passar a limpo não apenas o contrato vigente entre o município de Campos dos Goytacazes e a concessionária Águas do Paraíba já até tardou demais. Mas esse contrato que tem contornos lesivos contra todos os cidadãos, especialmente os mais pobres, há que ser olhado por meio de lupas bastante apuradas. De quebra, poderiam os nobres vereadores olhar com carinho o tipo de parceria público-privada que está por detrás do generoso aumento que foi concedido pelo jovem prefeito Rafael Diniz.
[1] http://www.robertomoraes.com.br/2018/01/reajuste-da-tarifa-de-agua-aprovado.html
[2] https://www.campos.rj.gov.br/exibirNoticia.php?id_noticia=43236









