O Fridays For Future (Greve Pelo Clima) organiza ações globais pela Amazônia

A Floresta Amazônica é crucial para que a espécie humana possa prosperar na Terra.

unnamed (17)

Nos dias 28-30 de agosto, o Fridays For Future mobilizará ações globais pela Amazônia para que possamos exercer pressão nas responsabilidades dos políticos. As ações estão planejadas: serão online e nas ruas (de acordo com as diretrizes locais da COVID-19). As greves e mobilizações serão organizadas em mais de 20 países tais como: Áustria, Bélgica, Brasil, Bolívia, Colômbia, Finlândia, Alemanha, Itália, Nigéria, Paraguai, Peru, Polônia, Portugal, Romênia, Espanha, Suécia, Turquia, Uruguai e Venezuela.

unnamed (18)Entregas de cestas básicas pela campanha SOS Amazônia, do FFFBR. PH: Jorge Pimentel Ramos

Hoje, aproximadamente 17% da Amazônia já foi desmatada. Se 20-25% de desmatamento for excedido, mais da metade da nossa floresta poderá se transformar em uma savana, levando-nos assim, para um ponto de não retorno. Neste mês de julho, tivemos um enorme aumento dos incêndios na Amazônia, 28% a mais em comparação com julho de 2019.

O ministro brasileiro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, declarou que a pandemia é uma oportunidade de ‘passar a boiada’ e ‘mudar regras enquanto a atenção da mídia está voltada para a COVID-19’. Além disso, Bolsonaro quer aprovar uma lei que permite o desmatamento em terras indígenas. A terra protegida pelos povos indígenas tem uma biodiversidade maior do que qualquer outra terra na Amazônia. Portanto, também de acordo com pesquisas científicas, proteger os povos indígenas é, ao mesmo tempo, proteger a Amazônia.

“Sem a floresta amazônica, é impossível atingirmos a meta de 1.5 graus! A rápida queima da Amazônia não está apenas ameaçando o clima, a natureza e as espécies protegidas – mas também o lar de populações indígenas que vêm sendo exploradas há décadas. Agora é hora de os tomadores de decisão do mundo finalmente assumirem a responsabilidade” – Alma Andersson, ativista climática sueca do Fridays For Future. Entregas de cestas básicas pela campanha SOS Amazônia, do FFFBR. PH: Jorge Pimentel Ramos No topo da destruição da Floresta Amazônica, está sendo discutido o acordo comercial Mercosul-UE entre Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e a União Europeia. Se ratificado, este acordo alimentará a destruição da Amazônia.

“O aumento nas taxas de desmatamento da Amazônia seria uma vitória para o presidente Bolsonaro e um claro sinal de que a União Europeia não se importa com a floresta. Danos consequentes ao meio ambiente e à biodiversidade resultantes deste acordo afetarão o mundo inteiro, portanto isto deve ser levado a sério” – Anna Castro Kösel, ativista climática alemã do Fridays For Future.

Um ciclo de retroalimentação gera chuvas responsáveis pelo equilíbrio natural da Amazônia, e esse processo depende de árvores protegidas por povos indígenas – os maiores defensores da floresta amazônica. Quando as taxas de desmatamento aumentam, especialmente por causa de um governo brasileiro tão negligente e egocêntrico, esse equilíbrio natural é quebrado e a floresta começa a diminuir, então outro ciclo de retroalimentação assume o controle, já que menos árvores reciclam menos água e menos chuva é gerada para cultivar novas vegetações . Essas mudanças às vezes podem ser irreversíveis e, no caso da Amazônia, grande parte da floresta tropical pode se transformar em uma savana. O acordo UE-Mercosul só vai piorar a situação ” – João Duccini, ativista climático brasileiro do Fridays For Future.

Para assegurar a segurança e bem estar da raça humana para as futuras gerações, nós estamos pedindo à vocês que tomem ações imediatas para salvar os ecossistemas planetários e respeitar as metas do Acordo de Paris. “O Fridays For Future é um movimento de jovens conhecido pelas nossas greves estudantis pelo clima. Nós queremos que os líderes globais dêem ouvidos à união da melhor ciência disponível atualmente, mantenham o aumento da temperatura média global abaixo de 1.5ºC em relação aos níveis pré-industriais e garantam justiça climática e equidade.” – Valentina Ruas, ativista climática brasileira do Fridays For Future.

Se você quiser mais informações sobre os dias de ação da campanha SOSAmazônia, você pode nos contactar por:

Alma Andersson alma.a@hotmail.se (Sueco, Inglês)

Anna Castro Kösel annac-k@web.de (Alemão, Português, Inglês)

João Duccini joao@fridaysforfuturebrasil.org (Português, Inglês, Espanhol)

Max Pilz pilzmax@gmail.com (Alemão, Inglês)

Valentina Ruas valentina@fridaysforfuturebrasil.org (Português, Inglês)

Andrew Succar Andrew.succar@gmail.com (Inglês, Espanhol, Árabe, francês)

Kim Lê Quang riseforclimatebelgium@gmail.com (Francês, Inglês) Collette

Levy-Brown levybrowncollette@gmail.com (Tswana, Xona, Xhosa, Inglês)

   

Bancos criam o Conselho Consultivo Amazônia

amazonia

Bradesco, Itaú Unibanco e Santander anunciam hoje os nomes dos sete integrantes do Conselho Consultivo Amazônia, instância criada para apoiar a implementação das dez medidas propostas pelos bancos para impulsionar o desenvolvimento sustentável da região. Os profissionais escolhidos aportam ao projeto diferentes experiências e conhecimentos sobre as questões sociais e ambientais envolvendo a Amazônia.

Especialistas em sustentabilidade dos três bancos formaram um grupo de trabalho, que já tem se reunido regularmente para propor iniciativas e ações concretas para a região. O grupo de especialistas do Conselho Consultivo Amazônia se reunirá a cada três meses com o objetivo de trazer reflexões sobre as dinâmicas da região e desafiar os bancos quanto à efetividade do impacto das ações propostas. Conheça os profissionais que aceitaram o convite dos bancos:

• Adalberto Luís Val, biólogo e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), é um dos cientistas mais reconhecidos e com maior domínio sobre adaptações biológicas às variações ambientais na Amazônia.

• Adalberto Veríssimo, pesquisador associado e co-fundador do Imazon, um dos principais centros de pesquisa e ação estratégica da Amazônia, e diretor de programas do Centro de Empreendedorismo da Amazônia.

• André Guimarães, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), co-facilitador da Coalizão Brasil Clima Florestas e Agricultura, foi vice-presidente de Desenvolvimento da Conservação Internacional (CI), gerente de projetos do Banco Mundial e também dirigiu entidades do terceiro setor, como o Instituto BioAtlântica (IBio) e Imazon.

• Carlos Afonso Nobre, cientista destacado principalmente na área dos estudos sobre Mudanças Climáticas e Amazônia e atual responsável pelo projeto Amazônia 4.0, de fomento à Bioeconomia e Bioindustrialização.

• Denis Minev, diretor-presidente das Lojas Bemol, co-fundador da Fundação Amazonas Sustentável, do Museu da Amazônia e da Plataforma Parceiros pela Amazônia, foi secretário de planejamento e desenvolvimento econômico do Amazonas entre 2007 e 2009.

• Izabella Teixeira, bióloga e doutora em Planejamento Ambiental pela COPPE/UFRJ, foi ministra do Meio Ambiente de 2010 a 2016.

Teresa Vendramini, pecuarista e socióloga, é presidente da Sociedade Rural Brasileira.

“O conceito foi escolher um grupo de pessoas de alta qualificação e notório saber que são comprometidas com a ciência, com a defesa do meio ambiente e com a vida. Estamos bastante seguros que as diferentes visões e formações dos membros do Conselho darão substância e massa crítica ao trabalho de propor e orientar medidas que envolvem o futuro da Amazônia. São desafios não só ambientais, mas também sociais e econômicos”, afirma o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior.

“Estamos muito satisfeitos por termos conseguido reunir este grupo altamente qualificado e que conhece profundamente os desafios do Brasil na área ambiental e, mais especificamente, na Amazônia. A colaboração dos conselheiros consultivos será fundamental para que nossa atuação na região seja efetiva e gere os impactos positivos que buscamos”, afirma Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco.

“O conselho funcionará com um grupo de especialistas renomados, responsável por dar o respaldo necessário às nossas propostas para o desenvolvimento sustentável da região Amazônica. Para além disso, esses líderes excepcionais utilizarão sua vasta experiência acumulada em áreas de conhecimento complementares para nos ajudar a subir a régua, propondo ações e metas desafiadoras, que provem ser possível gerar riqueza para o País e beneficiar a população local sem sacrificar nossa biodiversidade e recursos naturais”, diz Sérgio Rial, presidente do Santander Brasil.

O Plano Amazônia inclui 10 medidas que foram construídas a partir de três frentes de atuação identificadas como prioritárias para a região: conservação ambiental e desenvolvimento da bioeconomia; investimento em infraestrutura sustentável; e garantia dos direitos básicos da população da região amazônica.

Medidas definidas pelo plano:

1) Atuar visando ao desmatamento zero no cadeia da carne, reforçando diligências internas, apoiando a transição e articulando com empresas e associações para a criação de compromisso setorial.

2) Estimular as cadeias sustentáveis, como a do cacau, açaí e castanha, por meio de linhas de financiamento diferenciadas e ferramentas financeiras e não financeiras.

3) Estimular o desenvolvimento da infraestrutura de transporte mais sustentável, como o hidroviário, com aplicação de metas ambientais, em troca de condições diferenciadas de financiamento.

4) Viabilizar investimentos em infraestrutura básica para o desenvolvimento social da região, como acesso à energia, internet, moradia e saneamento.

5) Fomentar projetos que visem o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental por meio de instrumentos financeiros de lastro verde, como o Pagamento por Serviço Ambiental (PSA) e Crédito de Carbono.

6) Incorporar os impactos das mudanças climáticas nas políticas de crédito e investimentos de longo prazo e dar ênfase a isso em nossos relatórios.

7) Ampliar o alcance de negócios que promovam a inclusão e a orientação financeira na região.

8) Articular e apoiar a implantação do sistema informatizado de registro de regularização fundiária.

9) Articular a criação de um fundo para atores e lideranças locais que trabalhem em projetos de desenvolvimento socioeconômico na região.

10) Atrair investimentos que promovam parcerias e desenvolvimento de tecnologias que impulsionem a bioeconomia.

Devastação da Amazônia já afasta investimentos, alerta presidente da Ramboll

Engenheiro Ambiental PhD e executivo enfatiza destruição da floresta Amazônica, fragilidade da fiscalização, relaxamento em exigências de proteção, ameaças à população indígena , a consequente redução de investimentos externos

incendioamazonia-640x426O Governo de Rondônia lançou a Operação Jequitibá de prevenção e combate aos focos de incêndios no Estado (Foto: Esio Mendes)

Eugenio Singer, presidente da Ramboll Brasil, subsidiária de uma das maiores consultorias ambientais do mundo, e do Conselho de Administração do Instituto Pharos, organização dedicada à defesa dos recursos naturais, salienta que a agenda ambiental torna-se decisiva para a retomada das atividades econômicas pós-pandemia da COVID-19. “No Brasil, porém, os graves impactos do desmatamento na Amazônia colocam o País na contramão dessa irreversível tendência”.

O especialista pondera que, no momento em que a crise deflagrada pela expansão do novo coronavírus cria gravíssimo impacto planetário de múltiplas consequências, alguns fatos de especial relevância causam inédita preocupação pelo poder que têm em interferir nos já difíceis e imprevisíveis rumos do desenvolvimento humano, social e econômico global no futuro pós-pandemia.

Dentre tais fatores, ele aponta a maneira como distintas dimensões da crise entrelaçam-se no Brasil, fazendo convergir problemas anteriores e aqueles deflagrados pela COVID-19. Isso tem repercussões ambientais e sociais de alto risco para o País, seu povo e instituições, bem como para a humanidade. “Afinal, é inegável que o Brasil, por suas características geopolíticas, diversidade cultural e incomparável patrimônio ambiental, é um dos pilares para o turning-point que aponta cada vez mais, em escala global, para uma renovação estruturante dos conceitos de desenvolvimento prevalentes até o momento. Estes precisam ser reinventados com urgência, visando garantir até mesmo a vida na Terra, como alertam diariamente os efeitos dramáticos das mudanças climáticas, da perda de biodiversidade e da decrescente disponibilidade de água”, ressalta.

Eugênio Singer destaca que autoridades públicas dos distintos níveis de responsabilidade, centros de pesquisa, universidades, comunidade de saúde e sociedade civil empenham-se em atender às urgências da pandemia e, ao mesmo tempo, em preservar a capacidade do Brasil de se recuperar com a minimização possível de danos. “Porém, é preciso alertar sobre alguns pontos que podem ter efeitos desastrosos no futuro próximo do País e na sua inserção nos esforços globais de soerguimento, cada vez mais comprometidos com o desenvolvimento sustentável e a defesa dos direitos humanos”, observa, apontando cinco questões prioritárias:

1) Assim como grupos empresariais de diferentes nações, vinculados a diversos ramos de atividade econômica, manifestaram seu desconforto com os rumos que vem tomando a destruição da Floresta Amazônica, com aumento expressivo do ritmo e do volume do desmatamento, não poderíamos deixar de apresentar nosso ponto de vista. Nossa posição é lastreada pela presença de corporações estrangeiras no Brasil, especificamente da Europa, América do Norte e Ásia, em setores importantes, como os da agricultura, infraestrutura, transporte, mineração, saúde, telecomunicações, energia, petróleo e gás, automotivo, farmacêutico e alimentos. Vemos com crescente mal-estar a fragilização das condições de investimento no País. Este problema decorre das sinalizações efetivas, dadas por instituições e personalidades de governo, por meio de palavras, ações e omissões, de um afastamento dos preceitos ecológicos. Trata-se de postura em sentido contrário dos protocolos de ação consolidados no mundo inteiro, que reconhecem a necessidade – e, mais do que isso, a urgência inarredável – de respeitar e defender o meio ambiente como bem estratégico de uso coletivo, a ser planejado e utilizado como tal, e não mais como objeto de uso predatório e centrado em interesses produtivos mais imediatos. Fazemos parte da parcela crescente da sociedade global que, finalmente, reconhece na conservação rigorosa e de base científica dos recursos naturais e dos bens da natureza um ativo de imenso valor, preponderante para o crescimento econômico sustentável. É este o fator que garantirá às empresas uma inserção mais acolhedora e sensível nas questões sociais e culturais, imprescindíveis para um avanço civilizatório capaz de preservar, inclusive, nossos interesses e capitais. Tais movimentos transformadores são inadiáveis.

2) A pandemia atual e seus efeitos devastadores mostram-nos que a retomada das atividades e das esperanças individuais não deve pretender apenas recompor o desenho previamente existente no qual espelhávamos nossas vidas, nossas sociedades, nossa economia e nossas interações locais, nacionais e globais. A recuperação exige pensamento estratégico. É decisivo dar um passo à frente, dialogar com as reflexões e respostas positivas e inovadoras hoje gestadas no mundo todo. Dessa forma, é incompreensível e causa perplexidade que o Brasil não se dedique a inserir fortemente a Amazônia preservada como parte fundamental de seu cacife para a conjuntura necessariamente diferenciada que surgirá da crise da COVID-19. Mas, não é o que vemos. Ao contrário, observa-se o aumento expressivo e persistente do desmatamento, a fragilização dos órgãos de fiscalização com expertise na área ambiental e a redução significativa das punições impostas aos infratores, a despeito de novos arranjos institucionais formalmente destinados à proteção da Floresta Amazônica.

3) Ao mesmo tempo, causa-nos profundo pesar constatar a situação de risco extremo a que estão submetidos os povos indígenas em todo o País, sobretudo na Amazônia. À escalada da pressão de atividades ilegais de mineração e desmatamento em suas terras, mesmo as já demarcadas, soma-se agora a ação devastadora do novo coronavírus. Mesmo diante de tais ameaças concretas, esses brasileiros não vêm recebendo a atenção diferenciada que sua situação de maior vulnerabilidade exige. Em contraste com o esforço voluntário da sociedade civil brasileira e internacional para socorrê-los, é nítida a participação tímida dos órgãos governamentais destinados à proteção indígena, mesmo diante dos números que indicam um impacto que pode ser fatal para várias etnias.

4) Entendemos ser indissociáveis as duas questões aqui destacadas, ou seja, a proteção ao meio ambiente e os direitos indígenas. A destruição de uma acarretará graves danos à outra e vice-versa. E ambas são conquistas que estão na base do pensamento crítico e analítico que nos leva, desde o século passado, a rever padrões de valores que fundamentam a vida em sociedade e, principalmente, a arejar o pensamento empresarial sobre seus compromissos para além da realização econômica. Hoje, de maneira nítida e abrangente, tais princípios passam a fazer parte intrínseca da vida das empresas, dos critérios de mercado, de investimentos e de viabilidade de parcerias. E não há como ser diferente, dadas as duras lições que a humanidade tem aprendido sobre o uso predatório dos recursos naturais e sobre a desconsideração de direitos humanos, sociais e culturais básicos. Embora ainda não possamos afirmar a hegemonia desses novos parâmetros, sabemos que é um caminho sem volta, no qual países, corporações e indivíduos engajam-se cada vez mais. Afinal, não se trata de ideologia, mas de constatar, o que temos feito com frequência e bom senso, o efeito virtuoso de tal atitude, inclusive para os resultados da produção econômica. Trata-se, enfim, de trazer o futuro para os cálculos do presente e de não destruí-lo.

5) Assim, ao mesmo tempo em que reconhecemos no Brasil um tradicional ambiente propício a investimentos, não podemos ignorar e deixar de nos manifestar a respeito da insegurança atual quanto aos fatores aqui expostos. Ao mesmo tempo em que vemos o país como potência ambiental capaz de participar de maneira decisiva da recomposição planetária pós-pandemia, reconhecemos num possível estigma antiambiental e contrário aos direitos indígenas o poder de afastá-lo da interlocução global e do fluxo de capitais, para os quais este é um ponto de difícil superação. E, certamente, a política ambiental atual, com um nível ponderável de relaxamento dos protocolos básicos de licenciamento, controle e garantia de transparência dos dados sobre desmatamento, aliada ao insuficiente apoio às comunidades indígenas, não é um caminho que possa dar suporte a parcerias duradouras com corporações, instituições e fundos globais.

O Brasil de Bolsonaro segue em ritmo de “agro-suicídio”

bolso amazoniaAs ações de desmanche da governança ambiental e dos instrumentos de comando e controle pelo governo Bolsonaro colocam o Brasil em um ritmo de “agro-suicídio” que custará muito caro aos interesses nacionais

Emprestei o título desta postagem de um trecho de um tweet do professor Raoni Rajão em que ele comenta a mudança de postura da chanceler alemã Angela Merkel em relação à ratificação do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul em função, principalmente, da condição de “wild wild west” que o governo Bolsonaro instalou na Amazônia com o desmanche promovido nos mecanismos de governança e de comando e controle.

Mas eu diria que a condição de “agro-suicídio em marcha” que acomete o Brasil neste momento é construída por muitas outras coisas que cedo ou tarde, já venho avisando isso há antes, colocaram as exportações de commodities brasileiras em uma espécie de “lista negra”, levando a nossa economia a um estado de completa anomia, visto a dependência proeminente da balança comercial brasileira em relação à exportação de produtos primários.

Uma faceta que apareceu repetidas vezes é o alto teor de resíduos de agrotóxicos que as principais commodities brasileiras, a começar pela soja, estão levando daqui de volta aos países que produzem e mantém proibidos em suas próprias fronteiras os venenos agrícolas que aqui são usados com sofreguidão.

boicote bolsonaroCampanha de boicote aos produtos brasileiros promovida por ONG alemã já ultrapassou 400 mil signatários

O primeiro importante anúncio que foi dado e solenemente ignorado pelas autoridades brasileiras foi o anúncio do Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Rússia (Rosselkhoznadzor) de que poderia proibir as importações de soja brasileira, caso não fosse tomadas providências para diminuir a quantidade de resíduos de Glifosato presente na principal commodity agrícola brasileira. Depois disso foi a Nestlé que anunciou restrições sobre a importação de café brasileiro pelo mesmo motivo.  

Mas um fator que está acelerando a disposição de se impor um banimento das commodities brasileiras é, sem dúvida, a situação explosiva no desmatamento na Amazônia que, sob o governo Bolsonaro, está claramente fora de controle. Além de redes de supermercado no Reino Unido e Alemanha que estão ameaçando suspender a importação de carne brasileira produzida em áreas de desmatamento ilegal, a gigante norueguesa da produção de salmão em cativeiro, Intrafish, foi mais além e baniu a Cargill da sua lista de fornecedores de soja por causa da suposta indisposição da corporação estadunidense de combater a derrubada das florestas amazônicas.

Mas um elemento que contribui para a péssima imagem e as nuvens carregadas que pairam no horizonte das commodities agrícolas brasileiras é sem dúvida nenhuma o ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles, cuja imagem está mais tostada do que churrasquinho esquecido no fogo. Ricardo Salles, autor da máxima “passar a boiada, de baciada” é visto em muitos círculos internacionais, e com justa razão, como o principal responsável pelo que está acontecendo na Amazônia.

garimpeirosAvião da FAB foi usado para levar garimpeiros ilegais do PA para reunião com ministro Ricardo Salles em Brasília

Uma última estrepulia de Salles, a qual deverá piorar ainda mais a péssima imagem brasileira, foi a constatação que ele usou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para transportar garimpeiros de ouro que operam clandestinamente na Terra Indígena Munduruku para reunião no Ministério do Meio Ambiente, sob a alegação de que estes eram representantes dos Munduruku, fato esse negado por lideranças deste povo indígena.

Mesmo que Salles se arrisque aqui, quando muito, a tomar um tapinha nas mãos, a circulação dessa informação deverá deteriorar ainda mais sua capacidade de negociar qualquer coisa em reuniões multilaterais, reforçando mais o seu perfil de “culpado inútil” que usa as estruturas do Estado brasileiro para promover interesses não republicanos.

Como a estação de queimadas na Amazônia ainda está longe de chegar ao seu auge em 2020,  o mais provável é que ainda vejamos cenas ainda mais dramáticas do que aquelas vistas em 2019, quando manifestações importantes já ocorreram em diversas partes do mundo contra o Brasil, servindo depois como combustível para diversas campanhas de boicote aos produtos brasileiros.

O governo Bolsonaro e seus aliados no latifúndio agro-exportador continuam ignorando olimpicamente todas as ameaças que pairam sobre as commodities brasileiras por causa dos malfeitos na área ambiental, especialmente na Amazônia.  Eles parecem contar com a fome mundial em torno das commodities brasileiras para continuar levando a vida na base da motosserra e do trator de esteira. Na prática, eles se acham mais inteligentes que o resto do mundo, e continuam com seu comportamento de colonizado altivo como se houvesse a possibilidade de um tratamento de igualdade entre forças tão díspares no cenário geopolítico existente.

Mas a verdade é que essa é uma estimativa equivocada e os ponteiros do relógio continuam avançando para um confronto entre as necessidades de comprar soja e a de manter algum tipo de controle sobre as mudanças climáticas. Por isso é que, na prática, o Brasil está cometendo o que Raoni Rajão corretamente chama de “agro-suicídio brasileiro”. Depois que a vaca for para o brejo que ninguém finja surpresa, pois os sinais de fumaça são muitos.

Antes fiadora, Angela Merkel tem ‘sérias dúvidas’ sobre implementação do Acordo com o Mercosul por causa da destruição da Amazônia

handelsblatt

Diante do desmatamento na região amazônica, a chanceler Angela Merkel (CDU) tem “sérias dúvidas” sobre a implementação do acordo comercial da União Europeia com o Mercosul. O porta-voz do governo, Steffen Seibert, disse na sexta-feira em Berlim que as pessoas estão “muito preocupadas” com o desmatamento e com as queimadas. “E, neste contexto, surgem sérias questões sobre se a implementação do acordo no espírito pretendido estaria garantida no momento. Vemos isso com ceticismo.” Há “muitas dúvidas sobre se o acordo poderia ser implementado como pretendido, dados os desenvolvimentos atuais, as terríveis perdas florestais que são lamentáveis ​​lá”, disse Seibert.

De agosto de 2019 a julho de 2020, de acordo com dados iniciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais de lá, a ratificação do acordo da UE com Brasil , Argentina, Paraguai e Uruguai ficará paralisada na região amazônica brasileira . Um dos motivos é o debate na UE sobre o desmatamento da floresta tropical brasileira. A França já havia anunciado veto. Com o acordo, a UE e os quatro países sul-americanos querem construir a maior área de livre comércio do mundo.

De agosto de 2019 a julho de 2020, mais de 9.000 quilômetros quadrados de floresta tropical foram desmatados na Amazônia brasileira, segundo dados iniciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – um aumento de cerca de 35%. Os críticos argumentam que o acordo comercial vai abrir o mercado europeu para produtos de soja e carne do Brasil e que isso vai alimentar o desmatamento. Os fazendeiros alemães também criticam muito isso. Seibert enfatizou que a Amazônia tem importância climática para todo o mundo.

Um porta-voz da ministra do Meio Ambiente, Svenja Schulze (SPD), disse que o capítulo de sustentabilidade do acordo é melhor do que o dos acordos anteriores. O fator decisivo, porém, é que esteja presente a boa vontade de todos os envolvidos, “gostaríamos de ter mais segurança”.

A verificação da formalidade legal está em andamento, depois será submetida ao conselho para aprovação e iniciado o processo de homologação, explicou Seibert. “Claro, deve-se observar em toda esta rota se as condições-quadro para uma assinatura são dadas”. O governo federal da Alemanha defende “o espírito e as intenções do acordo de livre comércio”. E agora você tem que olhar com cuidado. E há perguntas. “

Depois de uma reunião com Merkel no dia anterior, representantes do movimento de proteção climática Fridays for Future disseram que a chanceler Angela Merkel havia prometido não assinar o acordo em sua forma atual. A ativista alemã Luisa Neubauer até escreveu no Twitter na sexta-feira que Merkel havia declarado que “definitivamente não assinaria” o acordo. Seibert disse que não informou sobre conversas confidenciais.

Ambientalistas alertaram que o acordo “com todas as suas falhas fundamentais” não poderia ser salvo com pequenas correções. “Angela Merkel deve rejeitá-lo completamente”, exigiu a porta-voz do Greenpeace, Gesche Jürgens. É necessário um novo acordo que enfoque a justiça social e a proteção do clima e das espécies.

O político econômico de esquerda Klaus Ernst disse que o próximo passo esperado pela esquerda é “que todas as relações comerciais a nível europeu sejam verificadas em termos de justiça social e sustentabilidade”. Merkel deve usar a presidência alemã para iniciar um novo desenvolvimento da política comercial da UE.

fecho

Este artigo foi escrito inicialmente em alemão e publicado pelo jornal  Handelsblatt [Aqui!]

NASA e UCal-Irvine desenvolvem nova ferramenta para rastrear queimadas na Amazônia

amazonfiretype_virs_20202291º de junho – 16 de agosto de 2020

No sul da Amazônia, a estação seca normalmente começa em julho e continua até novembro, trazendo consigo o aumento da atividade de fogo. Após um aumento notável na atividade de incêndios em agosto de 2019 e um aumento gradual no desmatamento ao longo de vários anos, uma equipe de cientistas da NASA e da Universidade da Califórnia-Irvine está observando de perto os sinais de como a temporada de 2020 pode se formar. Vários sinais preocupantes surgiram.

Em maio e junho de 2020, as altas temperaturas da superfície do Oceano Atlântico apontaram para um risco maior de seca em partes importantes da floresta amazônica. Sistemas de rastreamento de desmatamento baseados em satélite também observaram grandes manchas de floresta tropical sendo destruídas nos últimos meses , sugerindo que há bastante madeira seca preparada para queimar. Por fim, os especialistas alertaram que as condições econômicas e os incentivos atuais tornam o desmatamento mais provável.

Mas há pelo menos uma boa notícia: pesquisadores financiados pela NASA desenvolveram novas ferramentas que tornarão mais fácil para os governos e outras partes interessadas compreender que tipos de incêndios estão queimando, onde estão queimando e quanto risco esses incêndios representam para a floresta tropical. A ferramenta baseada na web, acionada por satélite, classifica rapidamente os incêndios em uma das quatro categorias – desmatamento, incêndios no sub-bosque, pequenos desmatamentos e incêndios agrícolas e incêndios na savana / pastagem. A ferramenta foi disponibilizada na web em 19 de agosto de 2020.

A ferramenta de análise de fogo já está trazendo uma nova clareza e visão para a temporada de incêndios de 2020. Em julho, o Brasil anunciou uma proibição de 120 dias contra incêndios na floresta amazônica; foi apresentado como um esforço para limitar os danos ecológicos dos incêndios neste ano. No entanto, a análise de incêndios liderada pela NASA indica que tem havido uma proliferação de incêndios em pontos-chave de desmatamento nos estados do Pará, Mato Grosso e Amazonas no sul da Amazônia.

“Vemos poucas evidências de que a moratória das queimadas tenha tido um impacto. Em vez disso, há um aumento notável na atividade de fogo desde que a moratória entrou em vigor em 15 de julho ”, disse Douglas Morton, chefe do Laboratório de Ciências Biosféricas do Goddard Space Flight Center da NASA. “Também estamos descobrindo que um grande número de incêndios nesses estados é claramente desmatamento – não incêndios agrícolas de pequena escala.”

O mapa no topo desta página mostra todos os incêndios que os satélites detectaram em partes importantes dos estados do Amazonas e do Pará entre 1º de junho e 3 de agosto de 2020. As principais rodovias que cortam a floresta tropical tiveram grandes aglomerados de incêndios de desmatamento (vermelho) e incêndios florestais ocasionais no sub-bosque (verde claro). Os incêndios de desmatamento são parte de um processo de remoção da floresta em várias etapas, com o objetivo de tornar a terra utilizável para pecuária e agricultura. O processo começa meses a anos antes do início dos incêndios, quando as florestas são arrasadas pela primeira vez por tratores e tratores. As árvores geralmente são deixadas para secar por vários meses para tornar a madeira mais fácil de queimar, e os fogos normalmente não são feitos até a estação seca.

samazonfire_virs_2020228

1 ° de junho – 15 de agosto de 2020

Os incêndios no sub-bosque ocorrem quando outros tipos de fogo escapam de seus limites pretendidos e queimam a serapilheira e detritos lenhosos nas florestas tropicais amazônicas em pé. Esses incêndios costumam ter graves impactos ecológicos porque as florestas amazônicas não são adaptadas ao fogo. O risco de incêndios no sub-bosque aumenta à medida que a estação seca avança, especialmente durante os anos de seca. Incêndios em savanas e pastagens (azul) também estiveram presentes ao longo das rodovias nesta área, mas esses incêndios foram especialmente numerosos ao longo das bordas da floresta tropical no leste do Pará e na região do Cerrado no leste do Brasil, onde os agricultores rotineiramente queimam pastagens para promover o crescimento de grama e vegetação de savana (que é adaptada para incêndios freqüentes).

Pequenos desmatamentos e incêndios agrícolas (roxo) ocorrem em áreas florestadas, mas têm vida curta e não estão relacionados a novo desmatamento significativo. Em 2020, os satélites detectaram um grande número desses incêndios ao longo do curso principal do rio Amazonas, provavelmente causados ​​por fazendeiros que queimam pequenas clareiras ou resíduos de colheitas. (Observe que os incêndios com perímetros maiores são representados com círculos maiores. Em geral, o desmatamento e os incêndios no sub-bosque são significativamente maiores e duram mais do que os outros dois tipos de fogo.)

O gráfico de linha acima exclui incêndios em pastagens e savanas para destacar as tendências nos três tipos de incêndios que ocorrem nas florestas. Ao contrário do mapa acima, o gráfico de linha é baseado em dados extraídos de todo o sul da Amazônia – uma área que inclui todos os estados brasileiros do Amazonas, Pará, Rondônia, Acre e partes do Mato Grosso e Maranhão. Também inclui dados de partes da Bolívia, Peru, Equador e Colômbia.

A imagem de satélite em cores naturais abaixo mostra a fumaça de algumas das queimadas de desmatamento agrupadas ao longo das principais estradas, como a Rodovia Transamazônica e a BR-163. As queimadas de desmatamento também proliferaram na região conhecida como “Terra do Meio”, ou “terra do meio”, uma área de fronteira no Pará espremida entre as terras indígenas e os rios Xingu e Iriri. Em todos esses lugares, fazendeiros e especuladores de terras limparam uma quantidade significativa de floresta tropical nos últimos anos para expandir a pecuária e a agricultura em grande escala.

A imagem foi obtida pelo Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer (MODIS) no satélite Aqua da NASA em 1º de agosto de 2020. Grandes plumas de fumaça são outro indicador de incêndios de desmatamento, pois a queima de material lenhoso gera mais energia do que a queima de grama; plumas de fumaça de lenha sobem mais alto na atmosfera e se espalham mais a favor do vento.

amazonfires_amo_2020214_lrg1 de agosto de 2020

Niels Andela, um ex-cientista da NASA que recentemente se mudou para a Cardiff University, desenvolveu os algoritmos para a ferramenta de classificação de incêndios na Amazônia. “Nossa análise agrupa as detecções de incêndio ativas em eventos de incêndio individuais e isso nos permite rastrear o tamanho, o comportamento e as características de cada incêndio ao longo do tempo. Juntos, o comportamento do fogo e as informações sobre a cobertura do solo fornecem meios confiáveis ​​para separar tipos específicos de incêndio ”, disse Andela. “Também podemos identificar que proporção das detecções de incêndio ativas vêm de novos incêndios, juntamente com incêndios que já estão queimando por dois ou mais dias.”

Esta nova abordagem fornece transparência sem precedentes sobre o número e tipo de queimadas individuais em toda a região amazônica. O algoritmo do computador analisa as imagens de satélite para as características de incêndios individuais, a fim de separá-los em quatro tipos. Os incêndios de desmatamento, por exemplo, normalmente têm maior potência radiativa do fogo , uma medida baseada em satélite de quanta energia um incêndio libera. O algoritmo também leva em consideração a atividade de desmatamento anterior antes de categorizar um incêndio, já que o processo de queima pode levar vários anos para remover completamente o material lenhoso de novas pastagens ou áreas de cultivo. Os fogos de savana, em contraste, queimam menos intensamente e tendem a se espalhar rapidamente, pois carbonizam áreas gramadas e pastagens

Para cada incêndio listado no painel de incêndio da Amazon, os cientistas classificam sua confiança na categorização do incêndio como alto, médio ou baixo. Essas classificações podem mudar com o tempo. Por exemplo, é inicialmente desafiador distinguir entre desmatamento e incêndios no sub-bosque, mas se torna mais fácil com o tempo porque os incêndios no sub-bosque tendem a se espalhar mais e queimar continuamente por um longo período, explicou Andela.

O painel coleta detecções de incêndio diurnas e noturnas dos sensores VIIRS nos satélites Suomi-NPP e NOAA-20. Os dados de cobertura do solo vêm do MODIS e do Landsat. E os dados sobre a localização do desmatamento recente vêm do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que se baseia em vários satélites para identificar essas áreas.

“Esperamos que esta ferramenta empurre a conversa para além da confusão em torno da temporada de incêndios de 2019”, disse Morton. “Os satélites detectam um grande número de incêndios na América do Sul todos os anos, mas nem todos esses incêndios são de igual importância.” Os incêndios mais problemáticos são o desmatamento e os incêndios no sub-bosque, que causam os danos mais duradouros às florestas tropicais intactas. “Ao fornecer mais informações sobre os tipos e locais de incêndio em tempo real, esperamos que este painel forneça aos tomadores de decisão melhores informações necessárias para gerenciar e responder aos incêndios.”

A temporada de incêndios na Amazônia geralmente se intensifica em agosto e atinge o pico em setembro e outubro. “Parece que estamos caminhando para uma situação comparável a 2019, ou até pior”, disse Paulo Brando, ecologista terrestre da Universidade da Califórnia-Irvine, que ajudou a desenvolver o painel. “Além da área desmatada em 2020, temos mais de 4.000 quilômetros quadrados (1.500 milhas quadradas) de florestas desmatadas de 2019 que ainda não foram queimadas. Uma grande preocupação é que se uma seca severa se desenvolver e tornar as florestas tropicais mais inflamáveis, poderemos em breve ver um dos piores desastres ambientais na Amazônia durante o século 21 ”.

Clique aqui para explorar o painel da Amazon e baixar os dados mais recentes.

Mapa e gráfico do Observatório da Terra da NASA por Lauren Dauphin , usando dados da equipe do GFED Amazon Dashboard . Os dados de incêndio do VIIRS vêm da NASA EOSDIS / LANCE e GIBS / Worldview e da Suomi National Polar-orbiting Partnership. Imagem MODIS da NASA EOSDIS / LANCE e GIBS / Worldview . História de Adam Voiland .

Referências e recursos

fecho

Este texto foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo logo white  [Aqui!].

 

A região Amazônica continua queimando no Brasil, um mês após a proibição pelo governo Bolsonaro

A floresta tropical no Brasil ainda está em situação de crise. Mesmo um mês após a proibição de corte e queima, a região Amazônica está em chamas.

feuer 3

Um mês após a proibição das queimadas , a Amazônia brasileira ainda registra um alto número de incêndios ilegais. “Os números mostram que a estratégia do governo não é eficaz para conter a destruição da floresta com a maior biodiversidade do planeta”, disse Christiane Mazzetti, porta-voz da campanha do Greenpeace Brasil na Amazônia.

feuer 1Homem passando de motocicleta por uma área de floresta devastada pelo fogo. AP

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que avalia dados de satélite , detectou 20.473 incêndios entre 16 de julho e 15 de agosto . Só nos primeiros 15 dias de agosto, ocorreram mais de 15.000 incêndios .

Esta é uma redução mínima de 8% em comparação com o mesmo período de 2019. No entanto, nesta época do ano passado não houve proibição de queima, nem o governo enviou militares para combater as chamas.

Bolsonaro defende exploração da Amazônia

Em 16 de julho, o governo brasileiro proibiu a queima de áreas na região amazônica e no Pantanal, maior mangue do mundo, por 120 dias. No entanto, era questionável se o Brasil realmente intensificaria seus esforços contra os incêndios. O presidente Jair Bolsonaro é um defensor da exploração econômica da Amazônia.

feuer 2Uma área de queima de floresta em Nova Maringa, Brasil. – dpa

Seu governo planeja posicionar as forças armadas do país na região amazônica até 2022 . Segundo ambientalistas, as Forças Armadas que estão em cena desde maio podem conter a destruição ilegal da floresta por pouco tempo, mas não podem substituir o trabalho das autoridades ambientais enfraquecidas pelo Bolsonaro.

fecho

Este artigo foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo portal de notícias suiço “Nau” [Aqui!].

General Pazuello, o otimista, encontra sua aurora no frango rejeitado pela China

fogo

O general e ministro interino da Saúde do governo Bolsonaro, Eduardo Pazuello, vivenciou um daqueles momentos que em tempos normais seria matéria prima para piadas (será que o Marcelo Adnet vai deixar passar essa oportunidade?). É que em uma reunião de prestação de contas junto à Organização Mundial da Saúde (OMS), o general Pazuello enfatizou o fato do Brasil ser o país com o maior número de recuperados da infecção do coronavírus, e auto congratulou o governo Bolsonaro por seus supostos êxitos no controle da pandemia da COVID-19. O detalhe que o general Pazuello esqueceu em seu relato otimista foram os mais de 100 mil mortos pela COVID-19, o que torna o Brasil o segundo país com mais óbitos nesta pandemia.

Fechemos o pano momentaneamente para o General Pazuello.

Quase que simultaneamente ao relato para lá de otimista do ministro interino da Saúde, o governo da cidade chinesa de Shenzen rejeitou um carregamento de asas de frango oriundo do Brasil pelo fato do mesmo estar contaminado por coronavírus segundo informou o jornal chinês publicado em inglês “Global Times”.

Mais do que um problema pontual com um carregamento, o que a descoberta desta carne contaminada levanta para os importadores de carne brasileira é de quais seriam as condições sanitárias em que os trabalhadores brasileiros estão trabalhando em meio à pandemia da COVID-19. 

E a coisa aqui é muito simples: existem informações vindas de diferentes partes do Brasil no sentido de que há um alto número de contaminações dentro das plantas industriais dos frigoríficos brasileiros.  A questão é que até agora não havia nenhum caso de rejeição de uma carga brasileira por causa da contaminação pelo coronavírus. Mas agora a partir do carregamento detectado em Shenzen é bem provável que a coisa mude de figura (para pior, obviamente) e os produtos brasileiros comecem a passar por crivos sanitários mais apertados. O risco aqui é de um fechamento completo dos mercados internacionais aos produtos brasileiros de origem animal até que se prove que não estamos exportando mais do que proteína em nossos carregamentos. 

Como tudo o que está ruim pode piorar, segundo uma das leis de Murphy, a mídia internacional está noticiando hoje que a Amazônia brasileira está iniciando o pior início da estação de queimadas desta última década.  Assim, não haverá como o general e dublê de ministro Eduardo Pazuello possa manter o elevado grau de otimismo que demonstrou na reunião com a OMS.

Celebração do aniversário de Gisele Bündchen plantará mais de 250 mil árvores na Amazônia

giselle bundchen

No último dia 20 de julho Gisele Bündchen celebrou os seus 40 anos e para retribuir e agradecer por mais um ano de vida anunciou o plantio de 40 mil árvores na Amazônia Legal. Na ocasião, também convidou quem quisesse presenteá-la a doar árvores por meio da plataforma “Viva a Vida”.

Gisele postou hoje o seu agradecimento para as mais de 5 mil pessoas que participaram e que irão viabilizar o plantio de mais de 250 mil árvores. “Obrigada aqueles que doaram e também a todos que compartilharam essa campanha com os amigos, que plantaram árvores com as próprias mãos e fizeram questão de postar fotos e àqueles que, de alguma maneira, colaboraram”, diz em trecho da postagem.

As árvores serão plantadas em áreas na região das bacias do Rio Xingu e Araguaia em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) e a Rede de Sementes do Xingu (ARSX).

Informações à imprensa:  MktMix Assessoria de Comunicação,  Tânia Otranto / Balia Lebeis / Roberto Ethel,  Tania Otranto – totranto@mktmix.com.br,  http://www.mktmix.com.br

Tragédia anunciada: Amazônia continua ardendo

A Amazônia brasileira continua sofrendo com o descaso das autoridades públicas, enfrentando novos grandes focos de incêndio que consomem a floresta, símbolo da diversidade da natureza do país.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Em 2020, durante o governo de Jair Bolsonaro, se observa um grande aumento das queimadas na ampla floresta amazônica, atraindo fortes críticas da comunidade internacional.

O fogo tem afetado também reservas indígenas, como a do Xingu, na bacia do rio Amazonas, preocupando populações indígenas e ribeirinhas enquanto bombeiros tentam conter o fogo.

fecho

Este material foi iniciado publicado pela Sputnik Brasil [Aqui!].