E agora José? MP/RJ conclui que imagens na Cadeia de Benfica foram editadas no noite em que Garotinho diz ter sido agredido

Em matéria assinada pelo jornalista Ítalo Nogueira, o jornal “Folha de São Paulo” apresentou hoje os resultados das análises feitas por peritos do Ministério Público do Rio de Janeiro nas imagens produzidas pelas câmaras da Cadeia de Benfica na noite em que o ex-governador Anthony Garotinho teria sido agredido dentro da cela em que se encontrava [1].

agressão garotinho

E sem muita surpresa (ao menos para mim), descobriu-se que as imagens teriam sido editadas, além de conterem vários pontos cegos em momentos cruciais para confirmar ou negar as afirmações de Anthony Garotinho de que teria sido agredido por um objeto contundente e ameaçado de morte.

Sem ser surpresa, tampouco, a matéria traz informações de que o “monitoramento por câmeras em Benfica é tosco, facilmente manipulável. Qualquer pessoa que possa pode plugar, desplugar. Ter um sistema de monitoramento ridículo, pífio, faz parte do contexto de [benefícios a Cabral]. “

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Diante desse resultado, fico imaginando como ficam aqueles que apostaram que as denúncias de agressão não passavam de mais uma milonga de Anthony Garotinho.  Mas como com Anthony Garotinho é sempre amor ou ódio, quem apostou que era mentira, deverá agora estar lamentando que talvez não fosse. É que a confirmação da manipulação das imagens confere a Anthony Garotinho um tipo de legitimidade que seus inimigos e adversários detestam que ele tenham.

Quanto ao contexto de benefícios dados ao ex-(des)governador Sérgio Cabral, os resultados dessas análises parece ter pavimentado o caminho dele para as masmorras de Curitiba.  Um resultado certamente nada alvissareiro para Sérgio Cabral e seus colegas de celas mal monitoradas em Benfica.


[1] http://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/01/1951729-imagens-do-dia-de-suposta-agressao-a-garotinho-foram-editadas-diz-pericia.shtml

Diagnóstico e prognóstico para o governo Rafael Diniz em 2018

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O primeiro dia de cada ano sempre traz expectativas otimistas que raramente se confirmam. É que ao construí-las a maioria de nós tende a omitir a necessária retrospectiva  de fatos anteriores que possam dar base à esperança que coisas erradas possam ser corrigidas e que o mundo, ou uma parte específica dele, passe por melhoras substanciais. Até aí tudo estaria bem já que os seres humanos vivem diretamente dependentes da capacidade de elaborar utopias com as quais possam modificar as suas situações objetivas.

Agora,  outro fato objetivo é que para mudar algo, há que primeiro se admitir que existe algo de errado com a realidade que se tem.   Aí é que a porca literalmente torce o rabo, especialmente se quem precisa admitir isso é alguém que chamou para si a responsabilidade de idealizar e conduzir mudanças nas vidas de centenas de milhares de cidadãos em meio a uma profunda crise econômica de caráter sistêmico. E de ganhar uma eleição de forma avassaladora calcado na promessa de mudanças e dias melhores para todos.

Por outro lado, é na crise que se conhece a verdadeira índole de quem se apresenta como salvador da pátria ou, quando muito, de um município. É que enquanto o dinheiro jorra com aparência de facilidade fica mais fácil jogar erros para debaixo do tapete e seguir o ritmo costumeiro como se nada do que estivesse acontecendo precisa algum tipo de correção de rumo. Mas quando a crise bate, as escolhas precisam ser mais precisas, de modo a se evitar que as repercussões piorem o que já anda ruim.

Pois bem, esse preâmbulo todo é para dizer que qualquer avaliação minimamente justa do primeiro ano do governo do jovem prefeito Rafael Diniz requer que se coloque tudo isso no contexto de crise econômica em que o mesmo ocorre, e obviamente da herança financeira e administrativa que lhe foi deixada pela gestão da prefeita Rosinha Garotinho. Ignorar isso seria um erro político, na medida em que nenhuma administração efetivamente começa do zero ou tampouco no meio do nada.

Entretanto, o pouco de expectativa positiva que eu possuía em relação à possibilidade de que a cidade de Campos dos Goytacazes passasse por um ciclo virtuoso de mudanças foi rapidamente devastado por ações concretas de governo que miraram de forma cruel e implacável nas políticas sociais que precariamente minimizavam a forte miséria que persistiu na nossa cidade em meio aos anos dourados da renda dos royalties do petróleo.

Não bastasse a extinção das políticas sociais, vimos a persistência de práticas de clientelismo político sendo aplicadas de forma explícita, sem que ninguém sequer movesse um músculo da face para simular um misero momento de constrangimento.  Aliás, pelo contrário. É que em nome da erradicação da influência do ex-governador Anthony Garotinho, o que se viu foi o uso da máquina pública para garantir uma maioria esmagadora na Câmara de Vereadores, que depois foi usada para aumentar impostos e proteger o jovem prefeito de qualquer tipo de escrutínio em relação aos múltiplos casos de dispensa de licitação com valores bastante salgados (vide o caso da contratação da empresa que está administrando o Aeroporto Bartolomeu Lyzandro).

Um simples olhar pelas ruas da cidade também mostrará uma piora sensível na limpeza urbana e na falta de iluminação pública. E foi no meio de ruas sujas e mal iluminadas é que se posicionaram os deserdados das políticas sociais que agora tem que se virar vendendo todo tipo de coisa ou simplesmente pedindo.  Mas ainda houve o aumento de furtos e assaltos que tornaram simples atos de ir e vir em momentos arriscados.

Então que me perdoem os que ainda estão esperando por mudanças positivas na administração de Rafael Diniz.  É que não ouvi nada que possa se assemelhar ao reconhecimento de que muitos erros antigos foram mantidos e que outros tantos novos foram acrescidos à gestão municipal. Quem se porta desta forma hermética à consideração de seus próprios erros não possui a mínima capacidade de operar mudanças, já que se está fortemente aferrolhado  a uma lógica que simplesmente vê a máquina pública como um local de manutenção de relações de troca e de manutenção de poder.

Em função dessa análise e do que vejo acontecendo no resto do Brasil é que minhas expectativas para 2018 não são de que haverá mudança nos rumos da gestão de Rafael Diniz. Aliás, avalio que veremos ainda mais ações socialmente nefastas que serão novamente justificadas pela tal herança maldita que se usou ao extremo em 2017. Resta saber como se comportarão a população e os servidores públicos (que, aliás, já sentiram o doce amargo do calote salarial no final de 2017).  Será que haverá ainda espaço para uma postura de benevolência expectante a um governante que prometeu mudanças e entregou mais do mesmo?

Agora para ninguém dizer que não estou deixando nada propositivo para o jovem prefeito Rafael Diniz, deixo aqui uma sugestão muito simples: que ele troque suas visitas rotineiras a locais badalados e restaurantes caros por idas aos locais mais pobres de Campos dos Goytacazes para ver como vivem aqueles de quem sua gestão tirou o pouco que chegava via as políticas sociais que foram exterminadas. Essa já seria uma grande mudança. 

Anthony Garotinho fora da prisão: alegria para uns, preocupação para outros

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A saída da prisão do ex-governador Anthony Garotinho certamente terá o duplo efeito de alegrar seus familiares e seguidores políticos e de irritar profundamente os seus muito adversários. É que Anthony Garotinho é do mesmo tipo de animal político como outros personagens da política brasileira que possuem a capacidade de criar sentimentos diametralmente opostos. Ainda que mantendo as devidas proporções, apenas o ex-presidente Lula parece possuir capacidade similar neste quesito.

Além disso, Anthony Garotinho é o tipo de pessoa que não perde a oportunidade de promover suas ideias com uma forma particularmente fervorosa de ser. Por isso mesmo, poucas horas depois de sua prisão ele já estava concedendo uma entrevista acerca dos inimigos políticos mais conhecidos, a começar pelo ex (des) governador Sérgio Cabral e as Organizações Globo.

O fato é que se fosse qualquer outra pessoa, Anthony Garotinho voltaria para casa para aproveitar as festas de fim de ano de forma calma e recatada com sua família. Mas não, como o animal político que é Anthony Garotinho já sabe que sua libertação da forma que se deu, sem inclusive ter que seguir qualquer das medidas cautelares que draconianamente têm sido impostas por segmentos da justiça brasileira, o habilita a partir para o ataque de forma clara e direta. E foi isso o que ele começou a fazer já na noite de ontem. Aliás, como também fez Lula após o famoso interrogatório no Aeroporto de Congonhas no início do ano passado.

Pesa contra Anthony Garotinho o fato de que ele está claramente isolado e sem aliados políticos com capacidade de pensar estratégias que permitam justamente retirá-lo da posição ruim em que se encontra.  Esse isolamento compromete não apenas a sua capacidade de articular seus projetos eleitorais, mas também de se manter em liberdade. É que, convenhamos, suas denúncias criaram grandes inimigos dentro do judiciário e isto o torna um alvo preferencial, com base em crimes reais ou imaginários.

No plano municipal, entretanto, é quase líquido e certo que mesmo antes do primeiro dia de 2018, Anthony Garotinho vai partir para o que pode ser o mais agudo dos seus ataques. É que aqui é que ele vem sendo mais duramente fustigado e, contraditoriamente, onde possui o potencial de embaralhar as cartas de forma mais avassaladora. Tudo isso graças à gestão desastrosa que o jovem prefeito Rafael Diniz realizou em seu primeiro ano de mandato. Como antecipei em uma mensagem anterior, agora que está livre é provável que Anthony Garotinho venha a Campos dos Goytacazes (note-se que até isso foi liberado após a sentença do Ministro Gilmar Mendes) para ser carregado em volta olímpica.

Por isso é que tenho a clara sensação de que Gilmar Mendes pode até ter feito o Natal da família Garotinho mais feliz, mas que jogou muita água no champanhe dos seus inimigos que contavam com sua permanência na prisão e agora vão ter que aturá-lo atuando de forma livre, leve e solta. Haja preocupação!

As agruras da Família Garotinho e o naufrágio da mídia corporativa

Uma das verdades pouco ditas de forma explícita é que a imensa maioria (se não a totalidade) dos veículos da mídia corporativa só sobrevivem atualmente por conta de verbas originadas do setor público. É que se fossem depender de seus leitores, a mídia corporativa já teria fechado completamente suas portas.

Afora o fato de que não possuem a agilidade das redes sociais, a perda de relevância dos jornais e canais de TV tem muita a ver com a forma pouco plural com que sues proprietários apresentam as suas versões dos fatos, colocando de lado os próprios fatos.  Nesse sentido, quem reclama que a internet prejudicou seus negócios só está experimentando um pouco do próprio veneno.

Um caso que me parece exemplar de como a mídia corporativa causa danos à si mesma é a forma com que os imbróglios do ex-governador Anthony Garotinho e sua família com a justiça são retratados.  A desproporcionalidade do tratamento entre notícias negativas e positivas é tornada óbvia todos os dias. Se Garotinho dá um espirro enquanto estiver falando numa entrevista, a manchete é quase certa. Agora, se um de seus filhos, digamos, Wladimir for absolvido em algum processo importante (por exemplo o caso conhecido como “Chequinho”),  a notícia é, quando muito, colocada numa nota escondida e sem qualquer chamada de capa.  O produto final disso é ocultar que Wladimir foi inocentado por falta de provas num processo em que, aparentemente, existe ampla abundância delas. 

Essa desproporção de tratamento deveria envergonhar qualquer um que se pretenda jornalista sério, mas não.  O tratamento desproporcional à família Garotinho já está naturalizado com o claro objetivo de demonizar não apenas o líder da família, mas a todos os seus membros.  O que isso nos diz é que há que se dar o direito à dúvida a quem é retratado dessa forma, e não a quem retrata. É que, sendo inocente ou não, os objetos da cobertura que se pretenda jornalística deveriam merecer um tratamento minimamente proporcional. Essa deveria ser uma regra de ouro nas redações, mas faz tempo que a mídia brasileira, independente do tamanho da empresa, já perdeu os pruridos e passou a ser parcial e partidarizada. Por isso mesmo, repito, a mídia brasileira merece estar no buraco sem fundo em que se encontra. É que em vez de jornalismo investigativo, o que temos na maioria dos casos são ações de assassinatos seletivos de reputação.

Uma coisa que tem me chamado a atenção é o crescimento da relevância de portais eletrônicos independentes.  O que muitos proprietários de veículos tradicionais teimam em não reconhecer é que a sua perda de relevância frente aos meios  eletrônicos de comunicação se dá por critérios que vão além da velocidade e rapidez  que caracterizam as novas mídias. O critério que cada vez atrai mais leitores parece ser a do equilíbrio na cobertura, o que prefiro chamar de proporcionalidade. Por isso mesmo, no caso específico de Anthony Garotinho, não é por acaso que são os veículos da mídia eletrônica que vêm dando o espaço necessário para apontar para os elementos mais relevantes e contraditórios que cercam o atual cerco judiciário que ele sofre.

Por último, há que se ressaltar que a falência da capacidade investigativa da mídia brasileira está gerando outro fenômeno interessante que é o crescimento da importância da cobertura feita por grandes  veículos da mídia estrangeira como o El País e a BBC, que possuem portais específicos na língua portuguesa.  Esse fenômeno somado ao dos portais eletrônicos locais ou regionais deverá ter repercussões profundas sobre o mercado jornalístico brasileiro. E me arrisco a dizer que só sobreviverão aqueles que conseguirem oferecer informações que reflitam mais a realidade do que aquilo que seus interesses comerciais ditam que seja publicado.  Para os que não mudarem de postura, o naufrágio será inevitável. A ver!

 

 

O massacre do casal Garotinho, por Luis Nassif

Por Luís Nassif

Pouco sei da carreira política do casal Garotinho. Cada vez que escrevo sobre eles, amigos correm para sugerir cautela. Mas a perseguição que lhes é movida pelo sistema do Rio de Janeiro – Tribunal de Justiça, procuradores e Globo –, sob silêncio geral, é um massacre.

Garotinho é um político local que tentou um voo mais alto. Não conseguiu se transformar em um líder nacional, capaz de mntar alianças com os sistemas de poder – Judiciário, Congresso, mídia -, mas ficou grande demais para se abrigar nas asas de algum padrinho político, em partidos ou nos tribunais superiores. Não tem vinculação nem com esquerda, nem com direita, nem com intelectuais, nem com juristas. Não tem aliados nos partidos maiores, menos ainda na mídia.

Mesmo assim, é politicamente atrevido nos desafios que faz e fez. Já desafiou o Tribunal de Justiça do Rio, a Globo.

Com esse atrevimento – e essas vulnerabilidades – tornou-se um prato para esse pessoal. Podem aprontar o que quiser com seus direitos que não haverá gritos de revolta, manifestações dos órgãos de defesa dos direitos humanos, clamor dos juristas mais conhecidos ou a defesa do Gilmar Mendes. Não haverá manifestações internas, menos ainda as internacionais.

Leio, agora, que o bravo TJ-RJ tirou os direitos políticos de Rosinha Garotinho por 2 a 5 anos, pela acusação de ter usado recursos públicos para um anúncio no qual respondia a ataques a uma política que implementou em Campos. Seu advogado diz que é armação.

A prisão do casal Garotinho, a humilhação a que foram expostos por procuradores – que permitiram cenas da prisão no Fantástico -, a perseguição implacável da mídia, cobrando até a submissão de Rosinha às faxinas do presídio, mostram o Rio de Janeiro definitivamente como uma terra de ninguém.

É covardia dos eminentes magistrados, é covardia da Globo, é covardia de todos os que se calam, porque as vítimas não se enquadram a nenhum dos escaninhos do poder ou da oposição.

Defender Garotinho não enriquece currículos.

Por isso, mais do que os prisioneiros políticos da Lava Jato, a prisão do casal Garotinho é o maior desafio que os direitos individuais enfrentam nesse país sem leis.

FONTE: https://jornalggn.com.br/noticia/o-massacre-do-casal-garotinho-por-luis-nassif

Se Vladimir Herzog se “auto suicidou”, por que Anthony Garotinho não pode se “auto contundir”?

Vivemos num país onde jornalista eram “suicidados” pelo aparelho de estado como foi o caso de Vladimir Herzog em 1975. Por que então, e guardadas as devidas circunstâncias históricas, parece tão improvável que a “auto contusão” de Anthony Garotinho não foi tão auto assim?

Por acaso o sistema prisional brasileiro mudou tanto assim nos últimos 42 anos? Uma coisa é certa, se mudou, mudou quase nada.

Mas para aqueles que já sentenciaram Anthony Garotinho, provavelmente vão apontar que o laudo do Instituto Médico Legal não apontou agressão, mas contusão, a qual “certamente” é só uma simulação feita pelo ex-governador.

Bom, como não vivemos na Suécia ou na Holanda onde sobram cadeias e faltam prisioneiros, vou continuar esperando que seja feita a devida e isenta apuração do caso envolvendo Anthony Garotinho. Até lá, vou me resguardar ao direito de que Anthony Garotinho pode ter algo a mais com Herzog que um filho com mesmo nome. A ver!

Anthony Garotinho e sua coleção pessoal de “Inspetores Javert”

Quem me conhece minimamente sabe que não estou nem próximo política ou pessoalmente de Anthony Garotinho.  Aliás, ao longo dos anos tive embates com ele ou sua esposa, a ex-governadora Rosinha Garotinho, por questões relacionadas ao financiamento da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), as quais geraram uma série de querelas. Entretanto, tendo negociado diretamente com Anthony Garotinho sobre questões pertinentes à minha condição de diretor da Associação de Docentes da Uenf (Aduenf) pude perceber que ele é um político capaz de pensar com agilidade e negociar questões com as quais, em princípio, ele tem posição totalmente antagônicas. E, mais, os acordos foram mais cumpridos do que descumpridos, o que em se tratando de política brasileira, não é pouca coisa.

Por isso, vejo com alguma curiosidade toda sorte de ataques pessoais vindos de pessoas que em mais de uma coisa se beneficiaram do peso político de Anthony Garotinho, tendo ocupado cargos no executivo ou no legislativo apenas e simplesmente porque haviam sido ungidos por ele.  O mais curioso é que ao longo dos anos vi vários personagens se aproximarem e se afastarem de Anthony Garotinho sem o menor pudor, mesmo após terem sido duramente atacados por ele ou tendo duramente atacado a ele.  Na imensa maioria dos casos, esses que podem ser chamados de “ex-amigos” não se afastaram de Anthony Garotinho para terem vidas mais probas ou para se encaminharem para um espaço mais à esquerda dele.

Nada disso, o que esse grupo numeroso de ex-amigos transformados em inimigos figadais tem feito é abraçar políticos de direita e a se envolverem em situações nada lustrosas do ponto de vista da apropriação da coisa pública. Como resultado, esses ex-amigos acabam se transformando em ressentidos profissionais atribuindo a Anthony Garotinho as piores patologias, sejam elas morais ou de natureza psicológica. O interessante é que nunca ouvi deles menções ou mesmo entrega de provas documentais que corroborem os ataques que fazem. É como que se as palavras desses ressentidos tivesse valor por elas mesmas.  Em suma, cometem atos tão ou mais graves dos quais se ressentem de ter sido supostas vítimas pelas mãos de Anthony Garotinho

Mas o que realmente me interessa nesse ciclo de “amor e ódio a Garotinho” é que esses ‘ex-amigos” fazem o jogo óbvio de contribuir para disseminar o ódio e a intransigência de classe, colocando na imagem de Anthony Garotinho o papel de manipulador dos mais pobres para fins eleitorais com o objetivo explícito de demonizar as políticas sociais aos quais ele se associou na maior parte de sua vida política. O que nenhum deles diz é que saindo da área de influência do ex-governador, as práticas que eles ostentam não são nada melhores e, não raro, piores. E, sim, muitos são flagrados usando táticas iguais ou ainda piores para arrebanhar votos, ainda que sem sofrer a mesma sanha investigativa dos órgãos de controle.

Guardadas as devidas proporções, esses personagens paroquiais cabem perfeitamente no personagem Inspetor Javert  do romance “Os miseráveis” do escritor francês Victor Hugo. Aliás, a única diferença parece ser mesmo que Javert se suicidou pulando no Sena. Já os Javert locais vão ter mesmo que usar o velho e castigado Paraíba do Sul caso queiram encerrar prematuramente sua existência terrena. Mas no tocante ao ressentimento, nisso os Javert campistas são insuperáveis.