Ao prefeito com carinho: menos chororô e mais ação, por favor

amchoro

Não sei se é a falta do meu salário desde Abril que está me deixando menos paciente, mas o chororô que emana das bandas da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes não anda me comovendo muito e, tampouco, a fábula da “herança maldita”.

É preciso lembrar que não apenas o prefeito Rafael Diniz e parte de sua bancada de apoio na Câmara Municipal ofereceram cerrada oposição parlamentar ao governo da prefeita Rosinha Garotinho (como aliás deve fazer quem não pertence à bancada governamental), oferecendo inclusive várias denúncias no Ministério Público contra atos que consideravam ilegais. E vamos reconhecer, o segundo mandato de Rosinha Garotinho foi muito fraco, provavelmente por causa da falta de milho para se fazer pipoca. Ai, para muitos, acabou o amor.

O problema é que agora como governo, composto majoritariamente por quem prometeu uma nova  forma de governar a cidade de Campos, não é possível argumentar que não se tinha noção do tamanho do problema. É que se for assim, com isso se passa um auto atestado de incompetência, pois como vereador de oposição, o prefeito teria que saber o que o esperava. Se não sabia, fica evidente que não cumpriu corretamente o seu papel de fiscalizar os atos do governo que o antecedeu. E se sabia está se fazendo de bobo e fugindo de suas próprias responsabilidades.

Mas esqueçamos as formalidades dos cargos e vamos ao que interessa. É que até o mais ingênuo dos campistas sabia que haveria grande dificuldade financeira ao se entrar no governo. Então o mais óbvio é que não fossem feitas promessas eleitorais que seriam o primeiro alvo da tesoura em nome de um austeridade fiscal para lá de seletiva, vide o corte drástico nas políticas sociais voltadas para os segmentos mais pobres da população.  Assim, se já sabiam que iam cortar o cheque cidadão, fechar o restaurante popular e aumentar o valor da passagem de ônibus, que não tivessem prometido o contrário. É que como bem já disse Antoine de Saint-Exupéry,  “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Ou, no caso em tela, por aquilo que foi prometido e não cumprido.

De quebra, o fato é que até agora o que se assistiu na gestão Rafael Diniz foi a sucessão de uma série de improvisações e do uso repetido da cantilena anti Garotinho.  Se isso não for mudado rapidamente, os primeiros seis meses vão parecer os melhores de um governo que está se preparando para ser um completo desastre.

Finalmente, há que se lembrar que existe uma linha muito fina separando a herança da co-participação, inclusive com penalidades legais para quem passa de um ponto para o outro.  Enfim,  esse é apenas um dos custos de sair de estilingue para vidraça. 

Futuro vendido e presente sem lenço, sem documento?

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Quanto mais eu tento entender as querelas em que o jovem prefeito de Campos dos Goytacazes, Rafael Diniz, e seus correligionários se metem, menos eu entendo as opções que estão sendo feitas para finalmente iniciar a nova (?) administração municipal.

Vejamos, por exemplo, o caso conhecido como “Venda do futuro” que se tratou da entrega de receitas futuras oriundas dos royalties do petróleo e das participações espeicais.  Ainda que se saiba que essa operação não foi exclusiva da administração liderada pelo grupo político do ex-governador Anthony Garotinho,  não há como deixar de considerá-la como um tapa buraco caro, e que efetivamente deveria ter sido tratado como mais cuidado.

Mas isso isenta a atual administração de ter errado em disputar na justiça os termos do pagamento, e agora estar diante da necessidade de desembolsas os juros devidos pelo atraso no pagamento do que estava contratado? Não teria sido mais fácil pagar as “prestações” devidas para então levar a pendenga para a justiça?

Além do mais, de que adianta o anúncio de que a Câmara de Vereadores vai levar o caso para a justiça? Para perder também? É que quem já leu a peça montada pela assessoria jurídica da Caixa Econômica Federal (Aqui!), a instituição financeira está muito bem calçada em sua disputa com a Prefeitura de Campos.

Aliás, em vez de embrenhar numa disputa inglória, por que a Câmara de Vereadores não se debruçou ainda para estabelecer fóruns de discussão sobre como dinamizar a economia local que apontem caminhos alternativos à dependência dos royalties e da decadente economia sucro-alcooleira? Talvez aí estaríamos aproveitando melhor a energia que está sendo demonstrada num combate inútil com o grupo político do ex-governador Anthony Garotinho. Mesmo porque até agora Garotinho vem nadando de braçadas na piscina de lama que montaram para afogá-lo.

Ah,sim.  Uma conhecida me pediu que uma hora dessas eu enviasse um recado ao prefeito Rafael Diniz e, aproveito desta postagem para enviá-la:  que ele passe menos tempo no Sangue Bom, e que faça mais visitas aos bairros periféricos onde os mais pobres lutam para sobreviver todos os dias. Eu não entendi bem o conteúdo, mas ela me disse que o prefeito entenderia, e que ele deveria saber o que andam pensando os seus concidadãos mais pobres, e que agora terão de pagar mais pela passagem de transporte público, para se alimentar, e para se virar sem a merreca fornecida pelo cheque cidadão.

De toda forma, resta a questão: já que o futuro foi vendido também vamos ter que encarar um presente sem lenço, sem documento? A ver!

O espectro de Anthony Garotinho paira sobre a Prefeitura de Campos

pmcg

No primeiro parágrafo do “Manifesto Comunista” publicado inicialmente em 1848 , Karl Marx inseriu uma afirmação que assombra os governos burgueses até os dias de hoje. Ali Marx estipulou que  “um espectro está assombrando a Europa-  o espectro do comunismo. Todas as forças da Velha Europa formaram uma santa aliança para exorcizar este espectro:  o Papa, o Czar, Metternish, Guizot, os Radicais Franceses e os espiões da Polícia Alemã”.  

Pois bem, em pleno Século XXI e em uma região bem distante da Europa, outro espectro parece assombrar a quem deveria estar se sentindo exorcizado após uma impressionante vitória eleitoral. Falo aqui do espectro de Anthony Garotinho, que parece pairar onipresente sobre os corações e mentes de seus adversários na planície onde um dia os Goytacazes correram livres.

Essa impressão me é passada desde declarações estilo “Macho man” do jovem prefeito Rafael Diniz (PPS), em declarações do presidente da Câmara de Vereadores, o vereador Marcão (Rede). e também nos inúmeros anúncios fúnebres escritos pelos inimigos acumulados por Anthony Garotinho na mídia local, seja na blogosfera ou na corporativa.

Enquanto isso, usando bem o papel auto-designado de espectro, Anthony Garotinho nada de braçadas nas refregas que ele escolhe para participar, dando até a impressão que está se divirtindo às custas dos seus adversários, muitos dos quais ex-membros de sua “entourage”.  Nesses embates Garotinho tem demonstrado que vive e vê à frente dos seus muitos adversários e, ao contrário do que se anuncia, está vivíssimo e pronto para continuar assombrando.

Eu sei que se conselho fosse bom não se dava, mas se vendia (e olha que com 3 meses de salários atrasados eu ando precisando muito!). Mas vamos lá.  Me parece que a  forma  mais simples de erradicar definitivamente o espectro de Garotinho é algo muito simples: que o prefeito comece a governar para a maioria da população e não para os que já tem tudo; que a Câmara de Vereadores exerça seu papel constitucional, e que a mídia cumpra o seu papel de reportar fatos que sejam relevantes para a nossa sociedade em vez de tentar fazer o papel de exorcista. E com um detalhe básico: que todos usem pelo menos 50% da energia que Garotinho emprega para fazer o seu tipo peculiar de politica.

Ou é isso ou não vai adiantar espernear porque Garotinho vai continuar a reinar de forma imperial sobre a política local. E com certeza, a próxima eleição para a Prefeitura de Campos dos Goytacazes vai ser levada de barbada por quem quer que seja que ele escolha para ser eleito.  Por último, um humilde lembrete aos militantes dos partidos de esquerda que estão asssitindo a esse embate do lado de fora do gramado: a hora de fincar bases e romper o status quo reinante é essa.  A ver!

 

O meu balanço dos primeiros 100 dias do governo Rafael Diniz

rafael diniz

Normalmente eu não me concentro nas questões da política municipal, pois existem dezenas de blogs e até veículos da mídia corporativa local que se concentram neste assunto. Mas vou abrir uma exceção para dar uns pitacos nos primeiros 100 dias do governo de Rafael Diniz cuja eleição em primeiro turno foi fruto de uma esperança coletiva de que as coisas iriam mudar na forma de governar a pobre/rica cidade de Campos dos Goytacazes.

Em rápidas palavras, esses primeiros 100 dias foram uma completa decepção para mim que não votei em Rafael Diniz, mas alimentava a expectativa de que ele pudesse cumprir pelo menos suas promessas numa área crucial, qual seja, a da transparência nas ações de governo. Pelo que vi até agora,  o novo governo já nasceu velho em função da opção que se fez de repetir a fórmula ultrapassada de atrair uma maioria legislativa, independente do custo político que pudesse ocorrer. Aí viu-se a junção dos apoiadores naturais de Rafael Diniz com segmentos que sempre se pautaram por estar no governo, independente de quem fosse o prefeito.

O resultado é que apesar de termos faces jovens em postos chaves, a forma de governar cheira a naftalina. Até o jovem prefeito parece ter se esmerado em copiar o performático prefeito da cidade de São Paulo e embarcar nos mesmos “selfies” manjados que o tucano João Dória anda usando para se autopromover, enquanto desmantela os serviços públicos.

Uma área em que a atual administração se mostrou especialmente decepcionante para mim é a da agricultura.  O que se viu até agora, inclusive com declarações públicas prometendo a instalação das monoculturas de soja e eucalipto por parte do secretário municipal de Agricultura, o Sr. Nildo Cardoso. Enquanto isso, o prometido à agricultura familiar durante a campanha eleitoral parece tomado o destino de tantas outras promessas esquecidas. E olha que Campos dos Goytacazes possui uma forte produção de alimentos nos assentamentos criados pelo INCRA a partir de 1998, os quais continuam totalmente desamparados pelo governo municipal.

Mas a pergunta fatal é a seguinte: era para esperar algo diferente de um prefeito eleito por um partido que é aliado do (des) governo Pezão?  

rafael pezão

Mas como ainda temos outros 45 meses de governo, vamos esperar que algo mude até 2020. Do contrário, a possibilidade concrenta que temos é a volta do grupo politico ligado ao ex-governador Anthony Garotinho ao poder sem que tenha ocorrido um aprendizado coletivo sobre a necessidade de efetivamente adotar formas mais democráticas e socialmente inclusivas de governar. 

E não custa lembrar que quem herda algo e não muda nada sai rapidamente da condição de herdeiro para co-partícipe. 

Entre as minhas profecias e o oráculo de Garotinho, o que preferirão os membros do (des) governo Pezão?

No último dia 02/04,  profetizei que a semana irá começar ruim e que terminaria péssima para o (des) governador Pezão (Aqui!). Desde então, tivemos uma reportagem produzida pelo SBT-Rio que colocou o (des) governador Pezão no centro do furacão a apontar o dedo e o pé do recolhimento de propinas na sua direção (Aqui!). Além disso, ainda apareceu a informação de que despesas pessoais da ordem de R$ 900 mil do (des) governador Pezão teriam sido saldadas com dinheiro recolhido por um dos assessores em empresas envolvidas no esquema desbaratado na operação “Quinto do Ouro” (Aqui!).

Em suma, a minha profecia de domingo à noite parecia estar se confirmando, mas não exatamente no ritmo previsto, pois não houve nenhuma novidade nesta terça-feira.

Eis que agora à noite, o ex-governador Anthony Garotinho postou mais uma daquelas notas enigmáticas, mas com um forte teor preditivo, no melhor estilo do “oráculo de Garotinho” (ver reprodução abaixo).

garotinhorivotril

Ainda que o oráculo esteja um tanto vago e eu não entendo bem dos melhores usos do Rivotril, a mensagem contida noa postagem de Anthony Garotinho é de que a coisa vai ficar ainda mais “animada” no Palácio Guanabara. E lembremos bem que em seu oráculo anterior, Anthony Garotinho havia apontado para outro palácio, o Tiradentes que é sede da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e sua previsão bateu na mosca (Aqui!).

Agora resta-nos saber qual seria opção dos membros do (des) governo Pezão: a minha profecia ou o oráculo de Anthony Garotinho. Pelo jeito, nenhum dos dois. Mas, não obstante, esperemos as “próximas horas ou dias” para ver que bicho dá.

Na verdade como estamos quase às vesperas da Páscoa, o bicho deverá certamente ser o coelho. Resta saber apenas o número de ovos que serão colhidos no gramado do Palácio Guanabara ou até mesmo dentro dele. A ver!

O oráculo de Garotinho em andamento

Publiquei no dia 25 de Março uma nota comentando uma previsão que o ex-governador Anthony Garotinho havia feito em seu blog sobre o nervosismo que estaria grassando na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em função de uma possível ação polícial (Aqui!).

Pois bem, hoje a mídia coporativa está anunciando mais uma das espetaculares ações da Polícia Federal no âmbito da chamada operação Lava Jato que afeta cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB) (Aqui!Aqui! e Aqui!).

Sobre essa operação de hoje certamente ainda teremos outros desdobramentos que afetarão personagens que foram inclusos na “profecia” de Anthony Garotinho. Uma certeza disso é que o Jorge Picciani, ao contrário dos conselheiros do TCE, não teve prisão preventiva decretada, mas apenas deverá ser levado debaixo de ferros para depor. Se tomarmos como exemplo o caso do deflagrador desta operação, o ex-presidente do TCE Jonas Lopes Filho, conduções coercitivas têm sido uma boa senha para decifrar futuras delações.

Agora, uma coisa é certa: a temperatura no Palácio Guanabara deverá subir muito hoje. É que, pensemos bem, qual é a cabeça (ou seria o pé?) que Jorge Picciani ainda poderá entregar a estas alturas do campeonato das delações premiadas? Não é preciso nem ter poderes de oráculo para prever!

O oráculo de Anthony Garotinho

O ex- governador Anthony Garotinho publicou uma nota neste sábado que poderia ser tomada como um oráculo se não estivéssemos vivendo em que até os mais profundos segredos chegam ao conhecimento de poucos privilegiados (normalmente alojados dentro da mídia corporativa) que se ocupam de disseminá-las na forma de informação ou projeção do futuro (Aqui!).

Vejamos a nota abaixo:

oráculo

Alguns poderão dizer que Anthony Garotinho está simplesmente destilando veneno, outros dirão que está chutando um fato que está prenhe para acontecer faz tempo. 

Mas como Anthony Garotinho não opera jamais sem fontes, ele pode estar realmente nos oferecendo um oráculo para acontecimentos que afetarão a política fluminense na próxima semana. Se confirmado o oráculo, a situação do (des) governador Pezão poderá piorar sensivelmente visto que até agora todo o ônus da chamada Operação Lava Jato ficaram nas costas do ex (des) governador Sérgio Cabral.

Como Anthony Garotinho mencionou que há “boi” no meio, ele parece sinalizar que a bomba vai explodir na Assembleia Legislativa já que lá existem vários pecuaristas que se ocupam da criação de gado de raça em posições importantes. Mas ele pode estar contando o milagre certo, mas apontando para o bicho errado.

De toda forma, a saída vai ser esperar a próxima semana transcorrer para ver que bicho (ou seria Palácio?) dá.