O meu balanço dos primeiros 100 dias do governo Rafael Diniz

rafael diniz

Normalmente eu não me concentro nas questões da política municipal, pois existem dezenas de blogs e até veículos da mídia corporativa local que se concentram neste assunto. Mas vou abrir uma exceção para dar uns pitacos nos primeiros 100 dias do governo de Rafael Diniz cuja eleição em primeiro turno foi fruto de uma esperança coletiva de que as coisas iriam mudar na forma de governar a pobre/rica cidade de Campos dos Goytacazes.

Em rápidas palavras, esses primeiros 100 dias foram uma completa decepção para mim que não votei em Rafael Diniz, mas alimentava a expectativa de que ele pudesse cumprir pelo menos suas promessas numa área crucial, qual seja, a da transparência nas ações de governo. Pelo que vi até agora,  o novo governo já nasceu velho em função da opção que se fez de repetir a fórmula ultrapassada de atrair uma maioria legislativa, independente do custo político que pudesse ocorrer. Aí viu-se a junção dos apoiadores naturais de Rafael Diniz com segmentos que sempre se pautaram por estar no governo, independente de quem fosse o prefeito.

O resultado é que apesar de termos faces jovens em postos chaves, a forma de governar cheira a naftalina. Até o jovem prefeito parece ter se esmerado em copiar o performático prefeito da cidade de São Paulo e embarcar nos mesmos “selfies” manjados que o tucano João Dória anda usando para se autopromover, enquanto desmantela os serviços públicos.

Uma área em que a atual administração se mostrou especialmente decepcionante para mim é a da agricultura.  O que se viu até agora, inclusive com declarações públicas prometendo a instalação das monoculturas de soja e eucalipto por parte do secretário municipal de Agricultura, o Sr. Nildo Cardoso. Enquanto isso, o prometido à agricultura familiar durante a campanha eleitoral parece tomado o destino de tantas outras promessas esquecidas. E olha que Campos dos Goytacazes possui uma forte produção de alimentos nos assentamentos criados pelo INCRA a partir de 1998, os quais continuam totalmente desamparados pelo governo municipal.

Mas a pergunta fatal é a seguinte: era para esperar algo diferente de um prefeito eleito por um partido que é aliado do (des) governo Pezão?  

rafael pezão

Mas como ainda temos outros 45 meses de governo, vamos esperar que algo mude até 2020. Do contrário, a possibilidade concrenta que temos é a volta do grupo politico ligado ao ex-governador Anthony Garotinho ao poder sem que tenha ocorrido um aprendizado coletivo sobre a necessidade de efetivamente adotar formas mais democráticas e socialmente inclusivas de governar. 

E não custa lembrar que quem herda algo e não muda nada sai rapidamente da condição de herdeiro para co-partícipe. 

Entre as minhas profecias e o oráculo de Garotinho, o que preferirão os membros do (des) governo Pezão?

No último dia 02/04,  profetizei que a semana irá começar ruim e que terminaria péssima para o (des) governador Pezão (Aqui!). Desde então, tivemos uma reportagem produzida pelo SBT-Rio que colocou o (des) governador Pezão no centro do furacão a apontar o dedo e o pé do recolhimento de propinas na sua direção (Aqui!). Além disso, ainda apareceu a informação de que despesas pessoais da ordem de R$ 900 mil do (des) governador Pezão teriam sido saldadas com dinheiro recolhido por um dos assessores em empresas envolvidas no esquema desbaratado na operação “Quinto do Ouro” (Aqui!).

Em suma, a minha profecia de domingo à noite parecia estar se confirmando, mas não exatamente no ritmo previsto, pois não houve nenhuma novidade nesta terça-feira.

Eis que agora à noite, o ex-governador Anthony Garotinho postou mais uma daquelas notas enigmáticas, mas com um forte teor preditivo, no melhor estilo do “oráculo de Garotinho” (ver reprodução abaixo).

garotinhorivotril

Ainda que o oráculo esteja um tanto vago e eu não entendo bem dos melhores usos do Rivotril, a mensagem contida noa postagem de Anthony Garotinho é de que a coisa vai ficar ainda mais “animada” no Palácio Guanabara. E lembremos bem que em seu oráculo anterior, Anthony Garotinho havia apontado para outro palácio, o Tiradentes que é sede da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e sua previsão bateu na mosca (Aqui!).

Agora resta-nos saber qual seria opção dos membros do (des) governo Pezão: a minha profecia ou o oráculo de Anthony Garotinho. Pelo jeito, nenhum dos dois. Mas, não obstante, esperemos as “próximas horas ou dias” para ver que bicho dá.

Na verdade como estamos quase às vesperas da Páscoa, o bicho deverá certamente ser o coelho. Resta saber apenas o número de ovos que serão colhidos no gramado do Palácio Guanabara ou até mesmo dentro dele. A ver!

O oráculo de Garotinho em andamento

Publiquei no dia 25 de Março uma nota comentando uma previsão que o ex-governador Anthony Garotinho havia feito em seu blog sobre o nervosismo que estaria grassando na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em função de uma possível ação polícial (Aqui!).

Pois bem, hoje a mídia coporativa está anunciando mais uma das espetaculares ações da Polícia Federal no âmbito da chamada operação Lava Jato que afeta cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB) (Aqui!Aqui! e Aqui!).

Sobre essa operação de hoje certamente ainda teremos outros desdobramentos que afetarão personagens que foram inclusos na “profecia” de Anthony Garotinho. Uma certeza disso é que o Jorge Picciani, ao contrário dos conselheiros do TCE, não teve prisão preventiva decretada, mas apenas deverá ser levado debaixo de ferros para depor. Se tomarmos como exemplo o caso do deflagrador desta operação, o ex-presidente do TCE Jonas Lopes Filho, conduções coercitivas têm sido uma boa senha para decifrar futuras delações.

Agora, uma coisa é certa: a temperatura no Palácio Guanabara deverá subir muito hoje. É que, pensemos bem, qual é a cabeça (ou seria o pé?) que Jorge Picciani ainda poderá entregar a estas alturas do campeonato das delações premiadas? Não é preciso nem ter poderes de oráculo para prever!

O oráculo de Anthony Garotinho

O ex- governador Anthony Garotinho publicou uma nota neste sábado que poderia ser tomada como um oráculo se não estivéssemos vivendo em que até os mais profundos segredos chegam ao conhecimento de poucos privilegiados (normalmente alojados dentro da mídia corporativa) que se ocupam de disseminá-las na forma de informação ou projeção do futuro (Aqui!).

Vejamos a nota abaixo:

oráculo

Alguns poderão dizer que Anthony Garotinho está simplesmente destilando veneno, outros dirão que está chutando um fato que está prenhe para acontecer faz tempo. 

Mas como Anthony Garotinho não opera jamais sem fontes, ele pode estar realmente nos oferecendo um oráculo para acontecimentos que afetarão a política fluminense na próxima semana. Se confirmado o oráculo, a situação do (des) governador Pezão poderá piorar sensivelmente visto que até agora todo o ônus da chamada Operação Lava Jato ficaram nas costas do ex (des) governador Sérgio Cabral.

Como Anthony Garotinho mencionou que há “boi” no meio, ele parece sinalizar que a bomba vai explodir na Assembleia Legislativa já que lá existem vários pecuaristas que se ocupam da criação de gado de raça em posições importantes. Mas ele pode estar contando o milagre certo, mas apontando para o bicho errado.

De toda forma, a saída vai ser esperar a próxima semana transcorrer para ver que bicho (ou seria Palácio?) dá.

Suderj informa: TSE dá habeas corpus a Anthony Garotinho por 6 a 1

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Acabo de assistir ao julgamento do habeas corpus requerido pelos advogados do ex-governador Anthony Garotinho que se encontrava ameaçado de retornar ao sistema prisional de Bangu, onde faria companhia ao rei das compras com dinheiro vivo de jóias da H.Stern, o também ex-governador Sérgio Cabral.

Confesso que o resultado de 6 X 1 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em favor de Anthony Garotinho não me surpreende, pois como já havia dito em postagem anterior  (Aqui!)  , toda a situação legal em torno da prisão dele me pareciam muito frágeis.

O me pareceu interessante foi a decisão do pleno do TSE de vetar o retorno de Anthony Garotinho ao município de Campos dos Goytacazes enquanto não for finalizada a instrução do processo que está sendo movido contra ele por causa do caso “Vale Cheque”. É que como foi dito pela ministra Luciana Lóssio, a ausência física de Garotinho não impedirá que seus apoiadores continuem atuando.

Aliás, a principal dificuldade que esta medida impõe a Anthony Garotinho é sobre quem vai fazer a entrega de chuviscos e doces de goiaba no endereço em que ele eventualmente ficará abrigado por uns tempos na cidade do Rio de Janeiro. Conhecendo a massa de seguidores que ele possui, certamente candidatos não faltarão para cumprir essa atividade.

Finalmente, o que me pareceu claro nos debates que ocorreram nesta manhã no TSE é que esse caso não foi bem recebido em Brasília, principalmente pelo tipo de comportamento claramente paroquial que prevaleceu no tratamento dado a Anthony Garotinho, o que envolveu até a “caricata” remoção para Bangu (nas palavras do impoluto ministro Gilmar Mendes). Isso tudo combinado aparentemente fez a balança dobrar em seu favor.  Essa coisa toda me parece a consumação daquele ditado do “apressado come cru”.  

Agora, vamos ver a volta que será dada por Garotinho. É que pode até demorar um pouco até a poeira baixar, mas é quase certo que virá. A ver!

Ministra do TSE determina imediato retorno de Anthony Garotinho à unidade hospitalar

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Numa prova cabal de que quem tem bons advogados tem mais chances de ficar menos tempo na prisão, o ex- governador Anthony Garotinho acaba de ter sua libertação decretada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É quem decisão, a ministra Luciana Christina Guimarães Lóssio, determinou o imediato retorno de Garotinho  para uma unidade hospitalar, que poderá ser da rede privada, desde que custeada por ele para que   possa realizar exames médicos,  devendo “o mesmo permanecer sob custódia no estabelecimento enquanto houver necessidade devidamente atestada pelo corpo clínico, podendo receber a visita apenas de seus familiares e advogados, nos termos das regras estabelecidas pelo hospital“.   Por outro lado,  a ministra do TSE vedou a utilização de aparelhos de comunicação, exemplicando o caso de telefone celular.

Além disso,  a ministra Luciana Christina Guimarães Lóssio também determinou que concluídos os exames médicos, Anthony Garotinho deverá ser colocado em prisão domiciliar, até que o seu pedido de Habeas Corpus seja julgado posteriormente pelo TSE.

O interessante para mim é que essa decisão parece razoavelmente equilibrada, na medida em que garante os pleitos dos médicos no tocante à condição clínica de Anthony Garotinho, mas deixa a batata quente da concessão do habeas corpus pleiteado por seus advogados para o pleno do TSE decidir.

Agora, me digam, para que serviu o alvoroço todo que foi causado pelo envio de Garotinho para o presídio em Bangu? Certamente para atender as necessidades da mídia corporativa de criar uma distração em relação ao caso do ex-(des) governador Sérgio Cabral que foi abatido pela chamada Operação Calicute sob a acusação de ter se apropriado de algumas centenas de milhões de reais de dinheiro público. 

Para quem desejar ler a íntegra da decisão da ministra Luciana Christina Guimarães Lóssio, basta clicar (Aqui!)

Cuidado ao celebrar. A grotesca remoção hospitalar de Anthony Garotinho serve a interesses obscurantistas

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Não tenho nenhuma simpatia pelo tipo de política praticada pelo senhor Anthony Garotinho, e durante seus anos no Palácio Guanabara fui um crítico ferrenho de suas práticas, o mesmo tendo acontecido quando sua esposa, Rosinha Garotinho, foi governadora.  

Agora, se alguém acha que estou celebrando a forma despudorada como ele foi retirado do Hospital Souza Aguiar, se engana rendondamente. Além de se colocar sua vida em risco ao ser removido, quando estava sendo monitorado por problemas cardíacos que são de conhecimento geral, a colocação de membros da mídia corporativa para transmitir o espetáculo que foi meticulosamente preparado deve ser motivo de completo repúdio por quem deseja que haja um avanço nas práticas policiais no Brasil.

É que se fazem isso com uma personalidade política conhecida como Anthony Garotinho, o que dizer do que continuará a ser feito contra cidadãos pobres que sejam apanhados em alguma viela escura no meio da noite?

É importante notar que tenho lido uma série de manifestações de juristas que afirmam categoricamente que a prisão preventiva imposta a Anthony Garotinho não possui a devida base legal, e que se dá ao arrepio das chamadas garantias individuais que estão asseguradas na Constituição Federal do Brasil de 1988.  Sendo portanto, arbitrária e ilegal (Aqui!).

Noto ainda que o uso amplo, geral e irrestrito que se está fazendo da chamada “prisão preventiva” é outra escrecência jurídica, já que, novamente, os crimes pelos quais Anthony Garotinho está sendo acusado raramente implicam na decretação do encarceramento sem que tenha ocorrido o devido julgamento com decisão de pena de prisão.

Ainda que no plano municipal, a tentação de muitos que se dizem democratas e até de esquerda seja aplaudir as medidas que estão sendo tomadas contra Anthony Garotinho, eu chamaria a atenção de que hoje pode ser o ex-governador, mas amanhã podem ser militantes de partidos de esquerda e movimentos sociais.  É que não faltarão oportunistas e apoiadores do estado de exceção para equalizar o político impopular e de práticas duvidosas ao militante que quer mudar a sociedade brasileira. Basta ver o que já está sendo feito contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Goiás e no Paraná. 

Um elemento final é que dada a fragilidade jurídica que cerca a prisão de Anthony Garotinho é bem provável que ele consiga sua liberdade mais cedo ou mais tarde, talvez mais cedo do que tarde. E quando ele sair, o mais certo é que sua metralhadora giratória e o arcabouço documental que ele aparenta ter amealhado venham a ser usados para atingir duramente quem hoje celebra sua prisão. A ver!

Anthony Garotinho: derrotado, mas longe de ser terminado

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No dia 19 de Setembro, escrevi uma postagem onde comentava que as coisas não andavam nada fáceis para Anthony Garotinho na eleição para prefeito de Campos dos Goytacazes (Aqui!). Ontem, minha avaliação se confirmou com a vitória em primeiro turno do candidato Rafael Diniz do PPS.

Reconheço que minha percepção de dificuldade não me possibilitou ver que a derrota já ocorreria em primeiro turno, mas ela veio de forma avassaladora. Para mim, vários fatores contaram para essa derrota, a começar pelo desgaste de se estar no comando de uma prefeitura por 8 anos, sem que tivesse sido aberto um horizonte de mudanças. Aliás, muito pelo contrário. Além disso, a impossibilidade de que o próprio Garotinho pudesse ser candidato, a opção recaiu sobre um personagem que quando foi chamado a ocupar o posto de frente não mostrou o molejo necessário para ganhar a eleição. Por fim, a marcação cerrada da justiça eleitoral e a ação da Polícia Federal completaram o serviço.

Agora, sei que muitos desafetos de Anthony Garotinho estão festejando a sua derrota no dia de hoje. E, convenhamos, festejam com justiça porque derrotá-lo em Campos dos Goytacazes não é uma tarefa fácil. Mas que depois dos festejos ninguém se dê ao trabalho de desfilar com um caixão em praça pública para marcar o fim de sua influência local. É que além de outros já terem feito isso antes para depois aderir ao seu grupo, um simples olhar para os vereadores eleitos mostrará que Garotinho atuou com um claro Plano B nessas eleições. Se perdesse a Prefeitura, não poderia perder a Câmara de Vereadores. E isso ele conseguiu. Além disso, apesar de haver quem ache que aquela costumeira distribuição de afagos poderá melhorar a correlação, há que se lembrar que 2017 será um ano especialmente difícil para as finanças municipais. E mais do que ninguém, Anthony Garotinho saberá trabalhar essa realidade de vacas magras para, digamos, segurar o rebanho.

Além disso, basta dar uma olhada nos prefeitos eleitos em outros municípios para verificar que Anthony Garotinho não atuou apenas pensando em Campos dos Goytacazes, e a vitória de seu candidato em Itaperuna está aí para provar isso de forma clara. É esse olhar para além de Campos dos Goytacazes, que chega até a aliança com Marcelo Crivella no Rio de Janeiro, que mostra que apesar de ter tomado um torpedo na proa, não é ainda dessa vez que o encouraçado de Garotinho vai afundar.

Mais do que ninguém o prefeito eleito de Campos dos Goytacazes vai ter que se lembrar de rapidamente de que agora passou de estilingue para vidraça. E, pior, que na condição de vidraça, o principal estilingue que terá apontado contra ele será o de Anthony Garotinho. Como antecipo que, em nome da governabilidade, a coalizão vencedora vai começar um processo de cortes de custos que atingirá basicamente os programas sociais da Prefeitura, vamos como fica essa passagem de estilingue para vidraça. Enfim, que o novo prefeito festeje bastante até 31 de Dezembro, pois a partir de 01 de Janeiro vem chumbo quente por ai.

O ruído das ruas anuncia que a parada não está nada fácil para Anthony Garotinho

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Tenho me esquivado de abordar a eleição municipal em Campos dos Goytacazes. É que numa atmosfera marcada por paixões moduladas por adesões a diferentes máquinas e com a lamentável ausência de uma candidatura de esquerda, não tenho me sentido motivado a falar muito de um pleito que parece fadado ao continuísmo.

Mas não pensem que estou dando de barbada uma vitória do candidato do continuísmo do comando do grupo político do ex-governador Anthony Garotinho no executivo campista. É que dado o fato que inexiste uma pauta real de mudanças no conjunto das candidaturas que se dizem de oposição, vença quem vencer é provável que o modelo do governo permanecerá exatamente o mesmo que vem sendo aplicado pela prefeita Rosinha Garotinho.

O fato é que caminhando pelas ruas de Campos dos Goytacazes, tenho observado o mesmo fenômeno de polarização que vivenciei em 2004 na vitória de Carlos Alberto Campista contra Geraldo Pudim.  Além disso, não foram poucas as declarações que ouvi de eleitores que consideram o “Dr. Chicão” e seu vice, o fiel Mauro Silva, dois sujeitos bacanas, mas que vão votar em outros candidatos apenas para impedir que Anthony Garotinho continue mandando na Prefeitura.

E o interessante para mim é que essa percepção não resulta de uma ação de campanha dos múltiplos candidatos que se dizem de oposição. Para mim é coisa de percepção popular mesmo, o que torna o problema da rejeição por proximidade algo muito difícil de ser combatido. Além disso, há uma percepção difundida (justa ou não) que a máquina pública está sendo usada para garantir a vitória da chapa situacionista. E isso em tempos de controle social via redes sociais é quase um vírus mortal.

Para piorar ainda mais um cenário que é ruim, tenho ouvido também relatos de truculências e intimidações por parte de cabos eleitorais da verdadeira multidão de candidatos a vereador que apoia a chapa situacionista. Além de refletir a disputa particular pelas vagas na Câmara de Vereadora, toda essa truculência evidencia o grau de incerteza que existe em relação às chances de vitória da dupla formada por Dr. Chicão e Mauro Silva. 

Um complicador a mais neste tabuleiro político é o fato de que num eventual segundo turno, o mais provável é que haverá mais deserções do lado situacionista do que na oposição. É que a muito provável aglomeração de forças em torno do candidato oposicionista será certamente acompanhada de uma análise muito pragmática sobre que rumo tomar, especialmente entre aqueles candidatos situacionistas que agregarem menos voto para a chapa majoritária.

A partir do ouvi nas ruas é que avalio que a parada não está nada fácil para o ex-governador Anthony Garotinho, e esta eleição certamente exigirá que ele esteja no melhor da sua forma como agregador de multidões e de apaziguador de interesses conflitantes dentro de sua própria tropa.  Do contrário, a derrota será quase que inevitável.

Como a perda da Prefeitura de Campos dos Goytacazes equivaleria a receber um míssil Tomahawk pela proa do encouraçado, Anthony Garotinho deve estar analisando todas as suas opções para vencer. Para sorte dele, os candidatos de oposição são fracos e sem propostas palpáveis para melhor a gestão que aí está.  Mas nem isso apaga o fato de que o atual ruído das ruas está com uma tremenda cara de Carlos Alberto Campista. A ver!

Eleições municipais em Campos: o que isso tem a ver com a Uenf?

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Raramente me posiciono neste blog sobre a política partidária em Campos dos Goytacazes. Existem duas razões para que eu adote essa postura e eu explico quais são. A primeira é que existem um enorme número de blogs que se concentram no tema da política municipal. Já a segunda é que no plano partidário não vejo muita diferença entre os partidos que hegemonizam as disputas eleitorais na cidade. Para mim é o famoso “todo mundo junto e misturado”.

Aliás, a diferença principal que eu vejo é entre aqueles que amam e os que odeiam Anthony Garotinho (segundo que amor e ódio variam intensamente ao longo do tempo, dependendo principalmente da boquinha que se ganhe ou perca).

Mas vou abrir uma exceção para lembrar aos leitores deste blog que os principais candidatos de oposição ao candidato oficial do grupo político de Anthony Garotinho são ligados umbilicalmente ao (des) governo liderado por Luiz Fernando Pezão e Francisco Dornelles. A coisa é tão direta que o ex-prefeito Arnaldo Vianna e o deputado Geraldo Pudim, antigos amigos do peito de Garotinho, agora estão juntos no PMDB de Sérgio Cabral e Pezão!

A coisa que me intriga é a seguinte: qual é modelo de gestão de cidade que os candidatos de oposição têm em mente? O mesmo modelo com que Sérgio Cabral e Pezão enfiaram o Rio de Janeiro no imenso buraco em que se encontra neste momento?  Se não for, que os diferentes candidatos que esperam que Pezão apareça na cidade para defender suas respectivas eleições venham logo à público qual seria o modelo. É que como todos sabemos, na política partidária brasileira (e particularmente na fluminense) ninguém apoia sem querer algo em troca.

Entretanto, ainda mais essencial para mim é saber dos candidatos de “oposição” a Garotinho, o que eles acham do tratamento que o (des) governo Pezão vem dispensando à Uenf neste momento, deixando a principal instituição de ensino da cidade de Campos dos Goytacazes em uma condição falimentar.   É que o (des) governo Pezão trata a Uenf do jeito que está tratando, por que devemos esperar que ao chegar ao poder municipal, os seus apoiadores também não vão adotar o mesmo estilo de terra arrasada?

E por favor que não venham repetir o que o deputado Geraldo Pudim afirmou na sessão do Parlamento Regional que ocorreu na Câmara de Vereadores  de Campos dos Goytacazes no dia 25/04 (Aqui!). Segundo afirmou Pudim naquele dia, a Uenf não estaria plenamente integrada à realidade local. Mas depois de uma adesão de mais de 15.000 cidadãos à causa da Uenf, quem não parece integrado à realidade local é o antigo aliado e hoje desafeto mór de Anthony Garotinho.