Mudanças climáticas: estudantes fazem greve em mais de 100 países para forçar governos a agir

protesto londres

Estudantes realizam protesto em frente do Parlamento do Reino Unido para demandar respostas aos efeitos das mudanças climáticas. Fonte: The Guardian

Jovens em mais de 125 do mundo realizaram hoje demonstrações para pressionar governos a adotarem ações mais decisivas para conter a degradação ambiental da Terra e principalmente para responder aos crescentes desafios criados pelas mudanças climáticas que hoje causam grandes transformações no funcionamento dos principais sistemas planetários (ver abaixo vídeo produzido pelo jornal The Guardian mostrando as manifestações ocorridas em diversos países)

Lamentavelmente não tenho notícia de que atos semelhantes tenham ocorrido no Brasil, pois o nosso país tem experimentado efeitos diretos das mudanças climáticas, incluindo chuvas extremamente intensas com a presença de nuvens Funil, típicas de situações pré-tornados (ver vídeo  com imagens da cidade de Araucária que fica localizada na região metropolitana de Curitiba).

Uma das razões para que os estudantes brasileiros estivessem ausentes das mobilizações que ocorreram em diversas partes do mundo é a ação orquestrada pelo governo Bolsonaro e outros tantos governos estaduais (o de São Paulo governado por João Dória, por exemplo) estão promovendo um verdadeiro desmanche das estruturas governamentais de proteção ambiental. 

Além disso, o verdadeiro estado de pânico que vem grassando em amplas camadas da população em função de repetidos episódios de alta violência, onde os jovens têm sido alvos preferenciais, também contribuiu para que as mobilizações não ocorressem no Brasil.

Entretanto, como já foi demonstrado em outros países, é muito provável que a pauta da luta contra os efeitos das mudanças climáticas acaba tendo que se carregada pelos jovens, visto que eles serão os adultos que terão que conviver com as condições drásticas que serão criadas na Terra caso não haja uma ação decisiva para processar os ajustes impostos pela realidade climática que está se estabelecendo.

Aliás, como em tantos outros países, não vai ser surpreendente se forem as questões ambientais que venham a estar no centro das disputas políticas e que os jovens sejam as principais lideranças nos enfrentamentos que deverão ocorrer.

Isenção de visto a cidadãos dos EUA é um exemplo ímpar de subalternização

bate continência

O presidente Jair Bolsonaro prestou continência à bandeira estadunidense durante visita aos EUA. Agora ele irá isentar os cidadãos dos EUA de requer visto para entrar no Brasil.

]A mídia corporativa está anunciando que o presidente Jair Bolsonaro está se preparando para isentar os cidadãos dos EUA (e de outros três países) de requererem vistos para adentrarem o Brasil. Ainda que não esteja explicada a abrangência da isenção (vão poder trabalhar no Brasil sem necessidade de requerem o visto apropriado, por exemplo?), a verdade é que qualquer brasileiro que já viajou ou viveu nos EUA conhece bem o périplo que é obter um visto estadunidense.

Assim, ao isentar os cidadãos daquele país da necessidade de obterem vistos sem conseguir que haja a reciprocidade aos brasileiros, o governo Bolsonaro dá um exemplo ímpar de subalternização política e econômica aos EUA, justamente em um momento em que o governo Trump exerce grande pressão contra a comunidade brasileira que vive legal ou ilegalmente em território estadunidense.

Reciprocidade é algo fundamental nas relações internacionais, pois cada Estado-Nação, independente de seu tamanho e influência, é um entidade soberana. Ao ver os estadunidenses de requererem vistos sem que haja a devida reciprocidade, o governo Bolsonaro está colocando o Brasil numa posição desnecessariamente inferior aos EUA. É que ainda que se reconheça a disparidade de força econômica e militar, abdicar da soberania nacional em nome de sabe-se lá o quê é um ato que se insurge contra os interesses nacionais.

Interessante notar que o principal parceiro comercial do Brasil neste momento é a China, mas não há qualquer menção de que se vá estender esta isenção para os cidadãos chineses que queiram vir para o nosso país. Este tipo de tratamento desigual poderá ser ainda outra razão para que a China pare de comprar commodities brasileiras e opte por outros países que lhe confiram tratamento diferenciado, inclusive com a isenção de vistos que o Brasil está concedendo para os EUA.

Em outras palavras, o governo Bolsonaro não apenas subalterniza o Brasil frente aos EUA, como também arrisca a alienar seu principal parceiro comercial. Isto é o que se denomina em inglês de uma “loose-loose situation”, ou seja, uma situação em que só se pode perder. É que sem se subalterniza numa questão básica como a concessão de vistos sem reciprocidade de tratamento vai acabar entregando de bandeja outras tantas coisas mais, começando pela Base de Alcântara e a Embraer.

Antes que alguém se pergunte se eu possuo visto estadunidense válido, a resposta é positiva, Aliás, venho viajando para aquele país desde 1991 e ali morei por quase 7 anos. Neste tempo todo nunca tive qualquer problema para obter os vistos que solicitei. Entretanto, isso não me isentou de passar horas em filas e ser arguido de forma detalhada sobre a razão de estar solicitando vistos. Por isso, realmente não consigo entender por que os cidadãos estadunidenses serão privilegiados no Brasil sem que seja ao menos solicitada a reciprocidade de tratamento.

Coincidências que ligam Bolsonaro aos suspeitos do crime de Marielle agitam internet

Ronnie Lessa, acusado dos disparos, mora no mesmo condomínio do presidente da República. E uma filha sua terá namorado Carlos Bolsonaro. O suspeito de guiar a viatura de onde saíram os tiros foi fotografado abraçado ao chefe de estado.

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© REUTERS/Adriano Machado

Por João Almeida Moreira para o Diário de Notícias

No Brasil, o dia começou com uma imagem na televisão bem conhecida dos espetadores brasileiros: a fachada do condomínio onde mora Jair Bolsonaro, o Vivendas da Barra, que, durante o período de transição entre o governo anterior e o atual, esteve diariamente no ar por servir de quartel-general ao presidente eleito e ao seu círculo íntimo. Só que, desta vez ,não era o chefe de estado o motivo para as equipas de reportagem estarem ali, na Barra da Tijuca, zona sul do Rio de Janeiro, e sim Ronnie Lessa, o suspeito de disparar 13 vezes contra o carro onde seguiam Marielle Franco, o motorista Anderson Gomes, ambos mortos no atentado, e a assessora Fernanda Chaves, que sobreviveu.

Apesar da vizinhança, a investigação da polícia federal não faz qualquer tipo de conexão entre Bolsonaro e o atentado de 14 de março do ano passado – isso foi dito e sublinhado ao longo do dia pelo delegado Giniton Lages, que se ocupa do caso. No entanto, o próprio Lages, ao responder a uma pergunta de repórteres na conferência de imprensa após a detenção, admitiu que era verdadeira a informação de que um dos filhos de Bolsonaro – ao que tudo indica Carlos, o segundo mais velho, e também residente no Vivendas da Barra – havia namorado uma filha de Lessa. “Mas isso para nós não importou na motivação delitiva, isso vai ser enfrentado num momento oportuno, não é importante no momento”, disse Giniton, afastando o assunto dos holofotes.

Entretanto, já circulava na rede social Twitter uma foto de Bolsonaro abraçado ao outro suspeito, Élcio Queiroz, publicada no perfil de Facebook deste. Élcio é acusado pela polícia de estar a guiar o carro que encostou no de Marielle e de onde foram efetuados os disparos. A fotografia, tendo em conta a data da publicação no Facebook, é de 4 de Outubro, ou seja, três dias antes da primeira volta da eleição presidencial e sete meses após o crime. Na sua página, entretanto apagada, Élcio mostrava-se em sintonia com as ideias do candidato que haveria de vencer as eleições.

Em dezembro, a polícia havia atribuído responsabilidade no atentado à milícia “Escritório do Crime”, cujo líder é Adriano Nóbrega. Familiares de Nóbrega, entretanto, trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro, o mais velho dos filhos do presidente.

No Twitter o assunto mais comentado do dia foi a hashtag Quem Mandou Matar Marielle. E não muito longe estava O Assassino Mora ao Lado, numa provocação a Bolsonaro.

E se na imprensa, especialistas em segurança enfatizaram o facto de Ronnie, um ex-polícia, morar num condomínio de classe alta – “muito estranho, dado o rendimento deles”, disse o especialista da TV Globo em segurança Fernando Veloso – o candidato presidencial derrotado Fernando Haddad, do PT, aproveitou o tema para provocar Bolsonaro nas redes. “As pessoas perguntam-se como um ex-polícia pode morar num condomínio de luxo no Rio de Janeiro. Eu ainda me pergunto como um ex-deputado pode morar nesse mesmo condomínio”.

O presidente da República desdramatizou, entretanto, a fotografia com Élcio, quando confrontado com o assunto, mas não chegou a comentar o tema do namoro nem o da vizinhança: “Tenho milhares de fotos com polícias, quero é que se descubra quem mandou executá-la e quem me mandou matar a mim também”, acrescentou, referindo-se ao ataque à facada que sofreu em Juiz de Fora, durante a campanha eleitoral. O autor, Adélio Bispo, segundo a polícia, agiu sozinho e foi considerado doente mental após testes psiquiátricos. Mas apoiantes do presidente da República ainda querem saber quem pagou os seus advogados.

Em São Paulo


Este artigo foi originalmente publicado pelo jornal Diário de Notícias, publicado em Lisboa, [Aqui!]

Embargo sanitário contra o Brasil por causa do excesso de agrotóxicos é uma questão de tempo

agrotoxicos

A agência Publica vem publicando uma série de reportagens sobre os efeitos avassaladores que o amplo uso de agrotóxicos, muitos deles banidos em outras partes do mundo, está causando na cadeia agrícola brasileira.  No  dia 07 de julho, uma reportagem assinada por Pedro Grigori mostra o extermínio de algo em torno de 0,5 bilhão de abelhas apenas em quatro estados brasileiros (RS, SC, MS e SP) por causa do contato com agrotóxicos à base de neonicotinoides e de Fipronil, produto proibido na Europa há mais de uma década

abelhas mortas

Mas nem a mortandade de abelhas ou as crescentes evidências de que os brasileiros estão sendo paulatinamente envenenados por resíduos de agrotóxicos que estão contaminados até o lençol freático em áreas agrícolas com menor intensidade de uso destes venenos agrícolas estão servindo para conter  a sede por novos venenos por parte do latifúndio agro-exportador que tem hoje na soja a sua principal fonte de renda.

Isto fica evidente numa reportagem assinada pela jornalista Natália Cancian para a Folha de São Paulo onde são apresentados dados oficiais sobre a velocidade de aprovação para a comercialização de agrotóxicos altamente tóxicos para a saúde humana e o ambiente (ver infográfico abaixo).

info veneno

Fonte: Folha de São Paulo

Apenas para que se tenha uma ideia da amplitude do crescimento exponencial de venenos agrícolas disponíveis no mercado brasileiro, em 2012 publiquei um artigo científico na revista Crop Protection dando conta que estavam disponveis 1.079 produtos formulados registrados no Brasil, o que representaria um crescimento de 197% em apenas 7 anos.  E o pior é constatar que apenas nos primeiros dois meses de governo Bolsonaro foram aprovados 74 novos agrotóxicos, a maioria nas faixas consideradas mais perigosas para a saúde humana e o meio ambiente.

A verdade é que em vez de se buscar um maior aperfeiçoamento nos sistemas de manejo de culturas agrícolas que contemplasse a diminuição no uso de fertilizantes sintéticos e agrotóxicos, os latifundiários optaram pelo caminho aparentemente mais fácil de aumentar a quantidade do uso destes insumos altamente poluentes.

O problema é que esse modelo viciado em venenos cedo ou tarde (talvez mais cedo do que tarde) vai ter sua compra barrada em outras partes do mundo onde a tolerância à quantidade existente de resíduos de venenos agrícolas na produção agrícola é menor, a começar pela União Europeia, mas certamente isto não ficará restrito a este bloco comercial, como ficou bem claro na ameaça feita pela Federação Russa de barrar a compra de soja brasileira em função do alto nível de resíduos de herbicidas produzidos a partir do glifosato.

Mas enquanto o inevitável não chega, há que se discutir como impedir o avanço da Tsunami de venenos que está sendo desencadeada pelo governo Bolsonaro sob pena de termos uma catástrofe humana e ambiental no Brasil. Os sinais de alerta já estão claros, e será de bom senso não desprezá-los. Simple assim!

Science publica alerta sobre o futuro incerto para mulheres cientistas no Brasil de Jair Bolsonaro

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Se a ciência brasileira já se encontra sobre um profundo ataque que é deixado ainda mais claro com a ameaça da realização de uma “Operação Lava Jato da Educação”, as mulheres cientistas brasileiras se defrontam com um futuro ainda mais incerto nas mãos do governo Bolsonaro que possui a menor taxa de ministras na história do Brasil (apenas 2 num total de 22 ministérios), e cujo presidente é conhecido sua indisfarçada misoginia.

É preciso reconhecer que as coisas já não eram nenhum paraíso neste governo com as mulheres recebendo menos crédito ou papéis de liderança, em que pese a sua crescente contribuição na produção científica brasileira, o que fez do Brasil um líderes globais na participação feminina na ciência.

Por isso, considero que o alerta publicado pela respeitada revista Science, que é assinado pelo professor da UFSCar/Sorocaba, Ronildo Alves Benício, deve ser levado com a devida seriedade para que o necessário processo de resistência seja organizado dentro e fora da comunidade científica.

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Futuro incerto para mulheres cientistas no Brasil

Por Ronildo Alves Benício*

As mulheres cientistas do Brasil enfrentam um futuro incerto sob o governo do declarado misógino Jair Bolsonaro. Elas estão preocupadas, por exemplo, que as mulheres não serão mais apontadas como reitoras em universidades federais sob os mais recentes planos do governo (veja go.nature.com/2xthw4s). Atualmente, as mulheres ocupam cerca de 30% dessas posições, o que compara favoravelmente com 17% das 200 melhores universidades do mundo (veja go.nature.com/2xsevrr). 

Quando comparamos países que têm um produto interno bruto per capita semelhante ao do Brasil e que gastam uma proporção comparável com a ciência, os países da América do Sul e do Leste Europeu têm uma das maiores proporções de mulher para homem em autoria de artigos científicos (V. Larivière et al., Nature 504, 211-213, 2013). Entretanto, as mulheres aqui, como em outros lugares, continuam sub-representadas na ciência (ver, por exemplo, R. A. Benício e M. G. Fonseca Braz. J. Biol. Http://doi.org/c24v; 2019).

*Ronildo Alves Benício é professor da Universidade Federal de São Carlos, campus de Sorocaba (SP).


Este artigo foi originalmente publicado em inglês na seção de cartas da revista Science [Aqui!]

“Brasileiro sofre com problemas crônicos por uso de agrotóxicos”, afirma pesquisadora

No programa Entre Vistas, da TVT, Larissa Bombardi ressaltou os perigos da aplicação intensiva de venenos nas lavouras

agrotóxicos

“Mapeei os casos de malformação fetal em SP e é muito assustador. Consegue-se ver no mapa o uso intensivo de agrotóxicos”, diz pesquisadora / Herr stahlhoefer via Wikimedia Commons

Por Redação do jornal Brasil de Fato

Foi exibida nesta quinta-feira (7) na Rede TVT, mais uma edição do programa “Entre Vistas”. Com apresentação de Juca Kfouri. A entrevistada da noite foi Larissa Bombardi. Ela é doutora em geografia pela USP e especialista em agrotóxicos. João Paulo Rodrigues, da Coordenação do MST, e Yamila Goldfarb, da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, fizeram comentários.

Bombardi é autora do Atlas “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia”, que detalha a extensão do uso e os problemas causados pelos produtos que a bancada ruralista chama de “defensivos agrícolas” dentro do país. Ela iniciou sua intervenção citando exemplos de alimentos importantes na dieta da população que estão altamente contaminados pelos agrotóxicos.

“O Brasil é extremamente permissivo no que diz respeito aos resíduos de agrotóxicos que nós permitimos nos alimentos e na água potável. A gente permite um resíduo do inseticida malationa no feijão quatrocentas vezes maior do que o permitido na União Europeia. Na soja, a gente permite o resíduo de glifosato duzentas vezes maior do que na União Europeia. Isso significa que se uma criança de vinte quilos ingerir cem gramas de soja por dia, ela terá extrapolado em 20% o que seu corpo pode tolerar de glifosato. Na água potável nós toleramos um resíduo de glifosato cinco mil vezes maior do que na União Europeia.

Segundo ela, do ponto de vista da saúde, o brasileiro tem problemas crônicos associados a essa exposição. “Não é só o câncer, temos problemas hormonais severos. Uma médica fez um mestrado na Chapada do Apodi e identificou puberdade precoce associada a agrotóxicos: bebês com dois anos com seios e pêlos pubianos. Eu mapeei os casos de malformação fetal no estado de São Paulo, e é muito assustador, porque a gente consegue enxergar no mapa, o uso intensivo de agrotóxicos”, diz.

Confira abaixo alguns trechos selecionados da entrevista e do debate:

Juca Kforui: Larissa, você apresenta a diferença do que é permitido aqui para o que não é permitido na União Europeia, mas boa parte desses tóxicos todos não é produzida por multinacionais com sede na União Europeia?

Larissa Bombardi: Esse é o maior exemplo da contradição. A gente tem 6 grandes empresas que controlam 70% do comércio de agrotóxicos do mundo, e uma parte delas tem sede na União Europeia. A realidade até 2018 é que as empresas estadounidenses e europeias controlam 70% do mercado de agrotóxicos e muitas dessas substâncias são proibidas nos seus territórios de origem.

Eu quando vejo anúncios do agronegócio pujante, que faz do Brasil líder em uma série de itens, e vejo os aviões passando e pulverizando os campos, fico orgulhoso da nossa tecnologia. Aí fico sabendo, por quem entende do assunto, que isso é proibido na União Europeia há mais de uma década. Para onde vamos, como mudar esse estado de coisas?

João Paulo: Em nossa leitura só é possível segurar isso se o consumidor participar desse debate. Ele compreender do ponto de vista da saúde pública e da sua saúde, o que está por trás dessa maquinaria envenenada chamada agronegócio. Você imagina a riqueza que é a população brasileira. Na Feira Nacional da Reforma Agrária do MST nós trouxemos 1600 produtos das mais diferentes áreas. Por que o Agronegócio quer padronizar a produção? Porque eles querem enfiar goela abaixo que os brasileiros tem que comer quatro produtos: milho, soja, arroz e trigo — e com veneno.

O fato da produção orgânica ser menor leva necessariamente ao produto orgânico ser mais caro?

Larissa Lombardi: Tem essa relação direta, por conta da oferta e da procura. Enquanto o orgânico é raro, é mais caro. E não porque é mais caro de ser produzido.

João Paulo: O custo de produção não é muito mais alto, a diferença é pequena. O que é alta é a especulação do agricultor que produz até chegar [no mercado]. É muito difícil você chegar em um supermercado da periferia e encontrar uma gôndola de orgânicos, você vai achar nas grandes redes, e lá eles organizam o preço.

O programa na íntegra pode ser conferido abaixo:

 


Esta reportagem foi originalmente publicada pelo jornal Brasil de Fato [Aqui!]

A repercussão internacional do “golden shower” de Bolsonaro pode ser mais desastrosa do que se pensa

Fosse o presidente Jair Bolsonaro minimamente orientado sobre o que significa o cargo que ocupa é bem provável que ele não tivesse reagido de forma tão figadal às imagens de multidões gigantescas aproveitando as festas de Momo para lhe mandar um duro recado. Mas a verdade que ele não é e agora não apenas o Brasil, mas boa parte do planeta já sabe que não só estamos com um presidente cabeça quente, mas como ele não possui uma boa assessoria de comunicação. E isso está sendo deixado absolutamente claro pela mídia internacional que já publicou incontáveis matérias expondo com crueza o mato sem cachorro em que o Brasil se encontra neste momento pelo simples fato de ter eleito uma pessoa que não está à altura das tarefas do cargo.

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Obviamente falo aqui da repercussão mundial aos tweets que o presidente Bolsonaro publicou na sua página oficial na rede social Twitter sobre um ato público envolvendo o agora conhecido “golden shower” (que não passa do ato de alguém urinar na cabeça de outro com o consentimento do urinado, normalmente em momentos envolvendo a prática de sexo).

Ao contrário de muitos comentaristas, não atribuo grande significado aos tweets no mero plano do respeito ao cargo que Jair Bolsonaro ocupa por ter alcançado a maioria dos votos válidos no segundo turno das eleições presidenciais de 2018. É que o cargo de presidente já foi usado para coisas bem mais graves e que feriram o país de forma bem mais contundente, e ninguém veio falar em respeito à liturgia que deveria cercar o exercício da presidência da república. A privataria tucana que entregou centenas de bilhões de dinheiro público acumulado em estatais a preço de banana a uma malta de especuladores e outros tipos de chupins da riqueza nacional.

O problema para mim é outro. É que com pouco mais de 60 dias de governo Bolsonaro, a imagem do Brasil já tinha sido duramente desacreditada pelas pérolas emitidas por uma penca de ministros que trataram de demonstrar que nosso país está na mão de pessoas que, no mínimo, não entendem a importância das questões geopolíticas que determinam, entre outras coisas, quais países ocupam papéis centrais e quais são relegados ao ostracismo completo.

Mas agora não é um ministro ou ministra que tratou de colocar o Brasil numa posição de fragilidade, mas seu presidente. E isto, independente de se ter votado ou não em Jair Bolsonaro, terá consequências nas esferas econômica e política.  É que num momento em que a economia mundial passa por um instante de claro sobressalto, vai ser importante ter líderes que sejam respeitados e não tratados como instáveis e despreparados. O pior é que sinais de que estávamos sendo empurrados por vontade própria para a posição de párias da comunidade internacional já estavam claros. Agora, com essa exposição desnecessária do chefe do executivo federal, não há que ser grande expert em relações internacionais para prognosticar que as coisas que andavam ruins irão piorar.

E quem achar que a situação será facilmente resolvida com o impeachment de Jair Bolsonaro pode acabar quebrando a cara. É que mal saímos do impeachment de Dilma Rousseff e os efeitos desastrosos do golpe parlamentar estão mais do que evidentes, bem como quem foram os culpados.  Assim, qualquer tentativa de remover outro presidente eleito poderá ter efeitos imprevisíveis para um país afundado em uma grave crise econômica e social. Melhor que as elites tivessem sido menos irresponsáveis quando jogaram seu peso econômico e político para eleger Jair Bolsonaro. Parafraseando Jair Bolsonaro no tweet em que lançou o vídeo do “golden shower“, eu diria… “tirem suas conslusões”….