Suécia mostra novidades em ciência, tecnologia e aeronáutica nas Semanas de Inovação 2019

Programação em diversas cidades brasileiras inclui desde palestra sobre biotecnologia para agroindústria a seminários sobre Cidades Inteligentes  e discussões sobre inteligência artificial no mercado financeiro; além de parceria com o Festival Tekla, iniciativa criada pela cantora pop sueca Robyn para discutir o acesso de meninas às áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática

feira suéciaEstudantes em escola sueca (Crédito: Lena Granefelt)

São Paulo, setembro de 2019 – O Team Sweden Brazil promove, entre os dias 16 e 27 de setembro, as Semanas de Inovação Suécia-Brasil 2019, uma série de eventos como workshops, bate papos, paineis e encontros baseados na parceria estratégica entre os dois países nas áreas de ciência, tecnologia e inovação (CTI). Em sua oitava edição, as Semanas de Inovação combinarão atividades em cidades como Brasília, Fortaleza, Joinville, Manaus, Porto Alegre, Rio e Janeiro e São Paulo.

“O objetivo das Semanas de Inovação Suécia-Brasil é fortalecer a Suécia como um parceiro de inovação de longo prazo para o Brasil, promovendo ambientes de inovação, estabelecendo colaborações entre os dois países e criando um ponto de encontro para atores suecos e brasileiros nas áreas de CTI”, explica Johanna Brismar Skoog, nova Embaixadora da Suécia no Brasil. “Elas também são importantes para celebrar parcerias existentes e descobrir oportunidades de cooperação bilaterais e multilaterais. O acordo União Europeia-Mercosul, por exemplo, tem tudo para proporcionar um aumento do comércio e de investimentos e também para assegurar a implementação do Acordo de Paris”, completa.

Para marcar a abertura das Semanas de Inovação, no dia 16 de setembro, a cidade de Manaus (AM) receberá um evento especial com a participação do Vice-Ministro Sueco da Inovação, Emil Högberg, da nova Embaixadora da Suécia no Brasil, Johanna Brismar Skoog, e do Governador do Amazonas, Wilson Lima. Na ocasião, o Auditório da FIEAM sediará o painel “Hélice Tríplice Suécia-Amazonas” que discutirá como a Suécia e o Estado do Amazonas têm aplicado o modelo de cooperação entre universidade-indústria-governo na sua busca por inovação, empreendedorismo e desenvolvimento sustentável. O evento contará com a participação de representantes de instituições brasileiras como SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, UFAM – Universidade Federal do Amazonas e UEA – Universidade do Estado do Amazonas, e suecas como Universidade de Linköping, RISE – Institutos de Pesquisa da Suécia, Agência Sueca de Proteção Ambiental, Electrolux e Ericsson.

Meninas na ciência

Um dos destaques da agenda de 2019 é o Workshop e Diálogo Tekla, nos dias 17 e 18 de setembro, em Brasília. Promovidos com apoio do Instituto Sueco e do Instituto Real de Tecnologia de Estocolmo, eles fazem parte do Festival Tekla, iniciativa da cantora pop sueca Robyn que tem como missão inspirar o interesse em tecnologia entre meninas do ensino fundamental e médio, e discutir como reduzir a sub-representação feminina nas áreas de STEM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

Com o objetivo de oferecer um ambiente no qual jovens garotas (13 a 15 anos) de 7 escolas do Distrito Federal possam testar e criar tecnologias junto com outros modelos de mulheres, o workshop e o bate papo contarão com a participação de Heidi Harman, fundadora da mais antiga rede de tecnologia feminina na Suécia, o GeekGirl Meetup, uma rede para mulheres em STEM, código, design e startups, que agora possui braços em 17 países.

O evento terá ainda a participação de Juliana Estradioto, Prêmio Jovem Cientista 2018 e primeira brasileira a ganhar primeiro lugar na categoria de Ciências dos Materiais na Intel ISEF (Intel International Science and Engineering Fair), maior feira de ciências pré-universitária do mundo. Conhecida também por ter sido premiada com a possibilidade de dar seu sobrenome a um asteroide, Juliana é fundadora do Meninas Cientistas, iniciativa que visa incentivar a pesquisa e a ciência entre jovens do ensino médio, principalmente entre meninas, por meio da divulgação de histórias inspiradoras.

Biotecnologia para uso agroindustrial

Brasília abriga ainda o painel Biotecnologia Industrial Aplicada a Resíduos Agroindustriais. Com a participação de Michael Salter (RISE) e do professor Fredrik Ingemarson, o evento pretende discutir como a utilização de biotecnologia industrial pode agregar valor e facilitar o manejo de resíduo agroindustrial.

Smart Cities em Porto Alegre e Rio de Janeiro

A discussão em torno das Cidades Inteligentes também permeia a programação das Semanas de Inovação Suécia-Brasil 2019.

Na capital federal, no dia 18, o Parque Tecnológico de Brasilia (BIOTIC) recebe o seminário Smart City Brasília: Conecta Mundi. O evento reunirá três agências suecas – Inovação, Proteção Ambiental, Crescimento Econômico e Regional -, o Instituto Real de Tecnologia de Estocolmo, as Associações U&WE e C/O City, além de representantes do Governo do Distrito Federal, Senai, FAPDF e Embrapii, para apresentar parcerias e bons exemplos de Cidades Inteligentes com foco em desenvolvimento sustentável, resíduos sólidos e mobilidade.

O evento marca ainda a abertura oficial da exposição The Smart City – Meeting the Urban Challenge, uma mostra curada e organizada pelo Instituto Sueco sobre Cidades Inteligentes na Suécia, que ficará em cartaz no espaço até o dia 26 de setembro.

No Rio de Janeiro, no dia 20, a discussão sobre Cidades Inteligentes ganha a forma de um seminário na Casa Firjan sobre Responsabilidade Social Corporativa e como a Indústria 4.0 pode influenciar um novo modelo social: a Sociedade 5.0, com confiança na inovação, automação e inteligência artificial. Entre os participantes, representantes da Tillvaxtverket – a Agência Sueca para Crescimento Regional e Econômico, e Vinnova – Agência de Inovação do país escandinavo.

Já em Porto Alegre, no dia 26, Marc Weiss responsável pela criação da Zona de Inovação Sustentável de Porto Alegre (ZIS Poa) comandará o painel Smart City Porto Alegre: política de resíduos sólidos, reunindo especialistas brasileiros e suecos em uma conversa sobre inovação no manejo de resíduos sólidos e o conceito de economia circular.

Empresas brasileiras na Suécia e mercado financeiro com inteligência artificial

São Paulo recebe, no dia 24, a sessão de lançamento da Iniciativa Corporate Venture Brasil-Suécia, realizada pelo CISB (Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro) em parceria com o Ignite Sweden e Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), e apoiada pela Vinnova. Evento tem como principal objetivo fazer a conexão de startups com grandes corporações no Brasil e na Suécia em busca de soluções inovadoras para os desafios tecnológicos da indústria. A sessão de lançamento apresentará a iniciativa e as parcerias CISB-Ignite e CISB-Anprotec, além de preparar grandes empresas brasileiras participantes do programa para sessões de matchmaking com startups suecas em outubro, em Estocolmo, na Suécia. Durante a atividade, algumas startups brasileiras também terão a oportunidade de apresentar seus inovadores modelos de negócios.

Um painel sobre Inteligência Artificial no Mercado Financeiro também será promovido sede da Swedcham – Câmara de Comércio Sueco-Brasileira, na capital paulista, no dia 17. Com a presença do especialista em Inteligência Artificial Sergio Quiroga e do Diretor para Inovação da Ericsson, Edvaldo Santos, o evento discutirá como a I.A. pode ser aplicada no mercado financeiro e prever a direção e movimentos dos mercados de ações a partir da análise de informações compartilhadas na imprensa e na internet.

Caças Gripen + FAB

A colaboração entre a empresa sueca SAAB e a Força Aérea Brasileira, responsável pelos novos caças brasileiros Gripen E, também estará presente na programação das Semanas de Inovação. No dia 23, em São Paulo, será realizado o segundo workshop do Swedish Professor Chair Program no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), uma iniciativa do CISB e da Saab para trazer grandes pesquisadores ao Brasil, e criar e fortalecer parcerias de longo prazo com a Suécia em tópicos relevantes de pesquisa.

Já em Joinville, o SC2C.Aero organizará este ano o seu 2° Workshop Anual, com o objetivo de integrar companhias, agências de fomento e instituições de pesquisa, desenvolvimento e inovação a fim de aperfeiçoar o ecossistema aeroespacial em Santa Catarina. Evento no dia 24 de setembro será realizado no Ágora Tech Park, uma parceria da UFSC juntamente com a iniciativa privada e o poder público.

Sobre a Sweden-Brazil Innovation Weeks

As Semanas de Inovação Suécia-Brasil são uma atividade anual coordenada pela Embaixada da Suécia em Brasília, com o objetivo de fortalecer a Suécia como um parceiro de inovação de longo prazo para o Brasil, promover ambientes de inovação suecos, estabelecer uma colaboração com parceiros brasileiros e criar um ponto de encontro para atores suecos e brasileiros nas áreas de CTI. Além de fornecer uma visão geral das atividades suecas de CTI no Brasil, elas são uma plataforma de promoção comercial e uma possibilidade de explorar, descobrir e analisar novas oportunidades de negócios e de cooperação entre a Suécia e o Brasil.

As Semanas de Inovação Suécia-Brasil são organizadas pelo Team Sweden Brazil: Embaixada da Suécia, Conselho Sueco de Investimento e Negócios (Business Sweden), Câmara de Comércio Sueco-Brasileira (Swedcham) e os Consulados Gerais e Honorários da Suécia.

Confira a programação completa em: inovacaosueciabrasil.com.br/programa

A queda de John Bolton deve ampliar isolamento internacional do Brasil

bolton bolsoO presidente Jair Bolsonaro e  John Bolton em novembro de 2018, durante a visita do então assessor de Segurança Nacional de Trump ao Brasil. REPRODUÇÃO/JAIR BOLSONARO

Vista de longe a queda de John Bolton, assessor de segurança nacional do presidente Donald Trump, poderia ser considerada como algo que não afeta o já precário balanço diplomático em que o Brasil se encontra neste momento.  Mas não ver a direta relação entre a remoção de Bolton e a ampliação do isolamento em que o Brasil foi posto pelas posições extremadas do presidente Jair Bolsonaro e a maioria dos seus ministros seria um erro primário.

O fato é que sendo um extremista em posições ideológicas pró-EUA, John Bolton oferecia ao governo Bolsonaro uma espécie de chancela a todo tipo de postura que afastasse a diplomacia brasileira de seu histórica postura pragmática de não interferência em assuntos alheios.  Um exemplo disso foi a quase intervenção militar na Venezuela onde o ministro das relações exteriores, Ernesto Araújo,  se colocou de forma entusiástica a favor de uma invasão do país vizinho em um clara coordenação com o que pregava o agora demitido assessor de segurança nacional de Trump.

Ao perder a ligação direta com os círculos mais duros do núcleo decisório de poder dentro dos EUA, o mais provável é que o Brasil, por causa das posturas do presidente Bolsonaro e sua entourage, passa cada vez mais a um isolamento também em relação ao governo Trump.  A razão para isto é simples: Donald Trump está envolvido em uma batalha de vida ou morte por sua sobrevivência política em face da posição cada vez mais delicada da economia estadunidense, e não terá muito tempo para se distrair com presidentes com posturas extremadas, pois o que lhe dará frutos dentro de casa será justamente demonstrações de que pode os EUA podem exercer eficientemente sua influência política, econômica e militar sobre o resto do mundo.

Mas o fato objetivo é que sem John Bolton, o governo Bolsonaro tenha maiores dificuldades para exercer a influência brasileira até na América do Sul. Se à queda de Bolton se somar uma eventual, e cada vez mais provável, derrota eleitoral de Maurício Macri nas eleições presidenciais argentinas, aí a coisa tenderá a desandar de vez.

Agrotóxicos deixam um rastro de doenças e mortes pelo Brasil

Diversos agrotóxicos proibidos em outras partes do mundo, inclusive países de origem dos fabricantes, foram liberados pelo governo Bolsonaro. Pesquisas apontam que o consumo de agrotóxicos gira em torno de cinco litros por pessoa/ano e que 70% dos alimentos in natura consumidos no país estão contaminados por esses agentes.

avião agrotoxicos

Imagem por Agência Brasil

Por  Frederico Rochaferreira para o LeMonde Diplomatique Brasil

O governo Bolsonaro liberou 197 agrotóxicos em cinco meses. Neste pacote estão produtos considerados cancerígenos, como o paraquat, da Syngenta (nome comercial Gramoxone 200) e o glifosato, da Monsanto/Bayer.

O paraquat – proibido em mais de 50 países e em todo território europeu desde 2007, inclusive em seu país de origem, a Suíça –  é um agrotóxico associado não só a casos de câncer, mas também ao mal de Parkinson, fibrose pulmonar e danos genéticos, sendo um dos agentes químicos mais vendidos no Brasil.

Em setembro de 2017, a Anvisa proibiu o uso do paraquat. Mas, dois meses depois, voltou atrás, ante a pressão dos ruralistas e do lobby da fabricante Syngenta. A empresa levou políticos para uma viagem à Suíça para “conhecer aspectos da capacidade de inovação suíça” e fazer uma visita à multinacional. Uma das  convidadas da empresa foi a então deputada Teresa Cristina, hoje ministra da Agricultura.

O veneno suíço continua liberado por aqui, contaminando o arroz, a banana, a batata, o café, a cana-de-açúcar, o feijão, a maçã, o milho, a soja, a maçã e o trigo, para citar alguns. Mas a Syngenta não é a única fabricante de agrotóxico que tem seu produto proibido à venda no próprio país. Nesse rol, encontra-se também a norte-americana FMC Corp., a dinamarquesa Cheminova A/S e a Helm AG, da Alemanha, cujos agentes químicos não são permitidos em seus mercados domésticos, mas são livremente comercializados no Brasil.

Outro produto utilizado em larga escala pela indústria agrícola brasileira é o glifosato, um composto químico desenvolvido pela Monsanto, também, considerado cancerígeno. Recentemente a Bayer, que absorveu a Monsanto, sofreu uma pesada derrota na justiça federal dos EUA, em um processo envolvendo a utilização do glifosato. O fato abriu precedente para milhares de processos semelhantes de pessoas que alegam que o uso do herbicida lhes causou câncer. No total, são 11.200 ações em todo o país.

No Brasil não há um estudo definitivo que aponte para o número de doenças e mortes em função do consumo de alimentos contaminados. Temos conhecimento de que o consumo de agrotóxicos gira em torno de cinco litros por pessoa/ano  e que 70% dos alimentos in natura consumidos no país estão contaminados por esses agentes. Além disso, pesquisas como as desenvolvidas pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e Fundação Oswaldo Cruz relacionam diversas doenças com o consumo de agrotóxicos. Entre elas, o mal de Parkinson, distúrbios de comportamento, problemas na produção de hormônios sexuais, infertilidade, má formação fetal, aborto, endometriose e câncer de diversos tipos, além de estatística de mortes em uma determinada região.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, o câncer passou a ser a primeira causa de morte em 140 municípios. Isso ocorreu logo depois que as lavouras do Estado receberam cerca de 100 mil toneladas de veneno, entre os anos de 2012 e 2014. Na região Noroeste do país, a média é de dez agricultores diagnosticados com câncer por dia. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, 80% dos casos de câncer no mundo, vem da exposição aos agentes químicos. Por outro lado, a intoxicação pelo uso de agrotóxicos no território brasileiro tem dados consistentes, como é possível ver nos mapas produzidos pela pesquisadora da USP, Larissa Mies Bombardi.

Em uma sequência cartográfica, Larissa Mies mostra que mais de 25 mil intoxicações causadas por agrotóxicos foram registradas no período de 2007 a 2014. O que dá 3.125 casos de intoxicações por ano ou oito casos por dia, com 1.186 mortes, sendo 343 bebês. Isto é, uma morte a cada dois dias e meio. Contudo, os números podem ser bem maiores. Segundo pesquisadores, para cada caso registrado,  outros 50 não são notificados, mesmo entendimento de especialistas em saúde pública, que aponta ser o número de mortes relacionadas ao envenenamento por agrotóxicos maior que o registrado, em função do rastreamento ser incompleto.

A dura realidade é que o Brasil se tornou o celeiro de pesticidas proibidos ou eliminados em países desenvolvidos  e de forma irresponsável, vem permitindo sua utilização e o envenenamento da agricultura, do trabalhador rural em particular e da população.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo LeMonde Diplomatique Brasil [Aqui!].

Para proteger abelhas, EUA proíbe agrotóxicos neonicotinóides que governo Bolsonaro liberou no Brasil

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Em uma demonstração indiscutível de como o governo Bolsonaro está empurrando o Brasil na contramão da proteção ambiental de espécies polinizadoras de alto valor para a agricultura brasileira, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) publicou ontem o banimento de 12 agrotóxicos da classe dos Neonicotinóides por causarem danos a abelhas e outros polinizadores.

Dentre os agrotóxicos banidos pela EPA, 7 deles continham os princípios ativos Imidacloprid, Azoxistrobina e a Tiametoxam.  Caminhando no sentido contrário, o governo Bolsonaro liberou diversos agrotóxicos contendo exatamente os mesmos princípios ativos.

Alguém precisa avisar a ministra da Agricultura e seu colega do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles, que aquilo que é banido nos EUA não deveria ser liberado no Brasil. Afinal, se esses compostos são ruins para as abelhas dos EUA, não podem boas para as que polinizam os campos do Brasil.

Abaixo matéria publicada pelo Centro de Segurança Alimentar (CFS) sobre o banimento dos agrotóxicos neonicotinóides nos EUA.

Agência Ambiental dos EUA cancela 12 agrotóxicos por causarem danos abelhas e outras espécies ameaçadas de extinção

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Washington, D.C. — Ontem (20/05), a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) anunciou os últimos avisos de cancelamento da autorização de 12 agrotóxicos neonicotinóides no Registro Federal. A decisão de retirar os agrotóxicos do mercado era necessária como parte de um acordo legal em dezembro de 2018 de um bem-sucedido caso do Centro de Segurança Alimentar (CFS) – litigado de 2013-2018 em nome de uma coalizão de conservacionistas e apicultores – sobre a falha da EPA de proteger polinizadores, apicultores e espécies em extinção desses agrotóxicos perigosos. A segunda metade do acordo terá início nos próximos anos: pela primeira vez, a EPA é obrigada a analisar e abordar os impactos de toda a classe de agrotóxicos neonicotinóides em espécies ameaçadas de extinção sob a Lei de Espécies Ameaçadas.

“O cancelamento de hoje desses agrotóxicos neonicotinóides é uma batalha duramente conquistada e um marco na direção certa”, disse George Kimbrell, Diretor Jurídico da CFS e principal conselheiro no caso. “Mas a guerra contra os agrotóxicos continua: Continuaremos a lutar de forma diligente para proteger nosso planeta, as abelhas e o meio ambiente dessas e de outras toxinas perigosas semelhantes.”

Os agrotóxicos cancelados no assentamento são uma classe relativamente nova de pesticidas conhecidos como pesticidas neonicotinóides ou “neônicos”. Quimicamente relacionados à nicotina, os neonicotinóides interferem no sistema nervoso dos insetos, causando tremores, paralisia e eventual morte, mesmo quando administrados em doses muito baixas. Ao contrário dos agrotóxicos tradicionais, os neônicos são sistêmicos – o que significa que eles são distribuídos por toda a planta, tornando-a inteiramente tóxica. As abelhas e outros polinizadores são expostos a esses produtos químicos tóxicos por meio de pólen, néctar, poeira, gotas de orvalho nas folhas das plantas e no solo onde nidificam muitas espécies de abelhas nativas.  Os neonicotinóides entraram em uso intensivo em meados da década de 2000, ao mesmo tempo em que os apicultores começaram a observar casos generalizados de perdas de suas colônias.

“Neonicotinóides representam uma enorme ameaça para as nossas abelhas e polinizadores”, disse Neil Carman,  responsável por polinizadores para o The Sierra Club, um autor doo processo. “Tirar esses produtos do mercado é absolutamente necessário”.

Neonicotinóides são 10.000 vezes mais tóxicos para as abelhas do que qualquer outro agrotóxicos. Eles são tipicamente aplicados como um revestimento de sementes, um processo pelo qual os agrotóxicos são misturados com grandes lotes de sementes, a fim de revesti-los antes que as sementes sejam plantadas. Depois que as sementes revestidas de neonicotinóides são plantadas, as substâncias químicas se espalham muito além da cultura para a qual são destinadas e podem contaminar as flores silvestres, o solo e a água das redondezas – o que representa uma ameaça significativa às abelhas que buscam e nidificam na área. Sabe-se há vários anos que esses produtos químicos podem matar ou enfraquecer mais do que apenas as pragas alvo. Danos não visados ​​podem ocorrer em invertebrados benéficos, bem como em pássaros e outros animais selvagens, através de efeitos diretos e indiretos.

O caso CFS foi originalmente apresentado em 2013. Em maio de 2017, o Tribunal decidiu em favor dos demandantes. Representados pelo conselho jurídico da CFS, os demandantes incluíam CFS, Sierra Club, Além de Pesticidas, Centro de Saúde Ambiental, Pesticide Action Network e quatro apicultores comerciais, Steve Ellis, Jim Doan, Tom Theobald e Bill Rhodes.

Background

A União Européia proibiu três agrotóxicos neonicotinóides de serem usados ​​em plantações depois que a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar expressou preocupação sobre os danos que esta classe de agrotóxicos representa para os polinizadores. A França também proibiu o uso de mais dois agrotóxicos neonicotinóides em campos de cultivo e em estufas. Em 2017, a CFS entrou com outra ação legal contra a EPA exigindo que as sementes com revestimento neônico não escapem mais da regulamentação. Em 2018, a CFS protocolou uma notificação de intenção de processar a administração Trump por reverter uma moratória sobre pesticidas neônicos e culturas geneticamente modificadas em refúgios de vida silvestre.

A CFS recentemente endossou a Lei de Proteção aos Refúgios de 2019, que restabelecerá a moratória sobre os refúgios de vida silvestre, e apoia a Lei de Proteção dos Polinizadores da América, que exigiria que a EPA tomasse medidas imediatas para proteger os polinizadores do neônio. A CFS também está pedindo ao Estado da Califórnia para proteger quatro espécies de abelhas, adicionando-as à Lista de Espécies em Perigo do estado. O CFS acaba de lançar um aplicativo gratuito Wild Bee ID que capacita jardineiros para ter um papel ativo na conservação das abelhas, identificando as abelhas em seus quintais que são nativas da América do Norte e as plantas que as abelhas nativas evoluíram para polinizar.

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Este artigo foi originalmente publicado em inglês pelo Centro de Segurança Alimentar (CFS) [Aqui!].

“Brasil é um inferno de agrotóxicos na Terra”

Bayer, agrotóxicos, câncer e padrões duplos de comportamento

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Acionista crítico leva a Bayer a prestar contas na assembleia geral anual da empresa

O presidente-executivo da Bayer, Werner Baumann, perdeu recentemente um voto crucial de confiança, com os investidores questionando sua forma de lidar com o acordo de US$ 63 bilhões da Monsanto e a onda de ações judiciais dos EUA que se seguiram. No que Bloomberg chamou de “um desenvolvimento impressionante para a companhia alemã de medicamentos e produtos químicos”, cerca de 55% dos acionistas votaram contra a absolvição de Baumann e outros gerentes de responsabilidade por suas ações na tomada da Monsanto que ocorreu no ano passado.

A votação colocou em dúvida o futuro de Baumann e provocou uma sessão imediata do conselho de supervisão. Enquanto o conselho supervisor ignorou a votação sem precedentes, os investidores não estão satisfeitos com a decisão dos diretores de apoiar Baumann e sua estratégia.

Embora grande parte da agitação dos investidores incida, sem dúvida, no passivo financeiro, fortes preocupações estão sendo levantadas sobre a ética da Bayer. Na reunião geral anual da Bayer, Christian Russau, da organização guarda-chuva, os Acionistas Críticos, fez um discurso no qual lançou um ataque contundente à empresa por seus “duplos padrões”. Segundo Russau, a Bayer vende pesticidas no Brasil que são proibidos na UE.

Russau realizou duas investigações, uma em 2016 e uma segunda em 2019.

Ele descobriu que 8 substâncias ativas de pesticidas foram vendidas pela Bayer no Brasil em 2016 e não estão autorizadas a nível da UE:

  • Carbendazim
  • Ciclanilida
  • Dissulfotam
  • Etiprona
  • Ethoxysulfuron
  • Ioxinil
  • Thidiazurom
  • Tiodicarbe

Mas em 2019, o número aumentou para 12:

  • Carbendazim
  • Ciclanilida
  • Etiprona
  • Ethoxysulfuron
  • Fenamidona
  • Indaziflam
  • Ioxinil
  • Oxadiazona
  • Propinebe
  • Thidiazurom
  • Tiodicarbe
  • Tirame

Russau comentou: “Este é um aumento de 50%”.

Russau observou que em 1988, o então CEO da Bayer Hermann J. Strenger se recusou a estabelecer padrões duplos. Ele disse: “Fazemos as mesmas exigências de nossos investimentos no Brasil ou na Índia, nos EUA ou no Japão, como [na Alemanha]”.

No entanto, 31 anos depois, Russau disse que a Bayer ainda vende no Brasil alguns herbicidas, inseticidas e fungicidas com ingredientes ativos que são proibidos na Europa. Por isso, está operando de acordo com um padrão duplo. Russau acusou o CEO da Bayer, Werner Baumann, de cumplicidade com esse duplo padrão, em uma “continuidade histórica indescritível”.

Por que o Brasil?

Por que o foco no Brasil? Russau disse: “Porque o Brasil está no centro do interesse de crescimento da Bayer”. Dirigindo-se diretamente a Baumann, ele acrescentou que o CEO da Bayer disse na reunião geral anual de 2018 que o interesse da Bayer em adquirir a Monsanto seria no setor de sementes e no crescimento desse setor: “Este tipo de semente é geralmente geneticamente modificado, e é isso que Se essas três variáveis- sementes geneticamente modificadas, venenos agrícolas e crescimento – forem reunidas, somente um denominador comum pode ser encontrado em todo o mundo: o Brasil. Essa é a triste realidade, porque o crescimento nas áreas de sementes geneticamente modificadas e os venenos agrícolas já atingiram seus limites nos EUA, os processos contra a Monsanto atestam isso. “

Na Europa, Russau disse que a resistência pública é grande demais para que o crescimento seja esperado aqui. Na Índia, mais e mais estados estão declarando-se “livres de agrotóxicos” e a China está mostrando preocupação com a contaminação por agrotóxicos; “Então só o Brasil permanece. E há uma razão para isso.”

Russau comentou “notícias alarmantes do Brasil”: o novo governo brasileiro do presidente Jair Bolsonaro, com a ministra da agricultura e lobista agroquímica Tereza Cristina, que o maior e mais respeitado diário do Brasil apelidou de “Musa do Veneno”, lançou outros venenos agrícolas altamente tóxicos que são proibidos em outros lugares. Como cientista conhecida do instituto estadual de pesquisa para questões de saúde, a FIOCRUZ disse recentemente: “O Brasil se tornará um paraíso para os venenos agrícolas”.

Russau disse temer que empresas como a Bayer continue a participar, talvez mais do que nunca, na venda e distribuição de venenos agrícolas altamente tóxicos no Brasil. Como uma tática de sobrevivência diante da aquisição multibilionária da Monsanto, a Bayer irá crescer a qualquer preço. Qualquer veneno que possa ser vendido será vendido.

Brasil: Um “inferno de agrotóxicos na Terra”

Russau chamou o Brasil de um “inferno de agrotóxicos na Terra”, pelas seguintes razões:

* O Brasil é o líder mundial no uso de agrotóxicos – e a província de soja transgênica de Mato Grosso detém o recorde mundial: se a quantidade total de venenos agrícolas liberados no Brasil por ano é medida em termos de população per capita, então chega-se ao aterrorizante montante de 7,3 litros por cidadão brasileiro. Mas isso é “apenas” a média nacional. O líder brasileiro na pulverização de agrotóxicos é o estado de Mato Grosso, onde 13,3% (140 milhões de litros) de todos os venenos agrícolas usados no Brasil foram pulverizados anualmente entre 2005 a 2012, segundo os últimos cálculos do Instituto Estadual de Agricultura. Segurança do Mato Grosso (Indea).

* Observando uma dessas comunidades de “boom” – Sapezal, no estado do Mato Grosso, em 2012, nove milhões de litros de venenos agrícolas foram usados apenas no município de Sapezal. Estes são os últimos dados disponíveis da Indea. Se você contar a quantidade de agrotóxicos usados em todo o Brasil, chegamos aos 7.3 litros acima mencionados por pessoa. Em Sapezal, no entanto, esse valor é 52 vezes maior: 393 litros por pessoa, se tomarmos como base a população de 2016.

* Um estudo da Universidade Federal do Mato Grosso encontrou em um estudo que havia 1.442 casos de câncer gástrico, esofágico e pancreático em 13 municípios (644.746 habitantes segundo o último censo de 2015), nos quais soja, milho e algodão foram cultivados entre 1992 e 2014. Em comparação, nos 13 municípios comparáveis (219.801 habitantes segundo o último censo de 2015), onde o turismo predominou em vez da agricultura, o número de casos de câncer foi de apenas 53. Isso resulta em uma taxa de câncer de 223,65 por 100.000 habitantes predominantemente municípios agrícolas, enquanto que em municípios predominantemente turísticos, há uma taxa de câncer de 24,11 por 100.000 habitantes. Assim, em municípios onde os pesticidas são fortemente pulverizados, a taxa de câncer é estatisticamente maior por um fator de 8.

Em conclusão, Russau perguntou ao CEO da Bayer, Baumann: Quanto remédio anticâncer (volume e vendas) sua empresa farmacêutica enviou para o estado do Mato Grosso em 2016 e 2017?

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Este artigo foi originalmente publicado pela GMWatch [Aqui!]

Celebrações do 1o. de Maio no mundo sinalizam o avanço da luta da classe trabalhadora

Em uma conjuntura de graves dificuldades para a classe trabalhadora do Brasil que vive os efeitos dramáticos de uma taxa de emprego elevadíssima, as celebrações do Dia do Trabalhador servem para que possamos não apenas refletir sobre o presente estado de coisas, mas também sobre os caminhos que sindicatos e movimentos sociais deverão trilhar para impor uma pauta que favoreça os trabalhadores e os pobres e não as grandes instituições financeiras que hoje controlam a economia brasileira.

E nada melhor do que lembrar que este primeiro de maio está sendo celebrado em grande parte do mundo como um momento de luta e solidariedade entre os trabalhadores para sabermos que só por meio de uma ampla unidade entre trabalhadores do campo e da cidade é que começaremos a trilhar um caminho oposto ao que vem sendo imposto por um governo que claramente não possui um projeto de Nação e que, por isso, está promovendo uma desnacionalização sem precedentes na história nacional.

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Enquanto no Brasil se faz caça à previdência social dos pobres, economista russo alerta para risco de nova crise econômica global

 

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Enquanto o Brasil experimenta uma grave crise de alienação em face dos elementos estruturais da economia global e prefere apostar em receitas ultraneoliberais que têm o potencial de ampliar a desnacionalização da economia e punir severamente os mais pobres, um economista russa reforça o alarme em torno da erupção de mais uma grave crise econômica global aos moldes da que ocorreu em 2008, mas que dessa vez poderá ter consequências ainda mais severas.

A iminência dessa crise global de proporções inéditas é o centro da matéria publicada pelo site de notícias russo Sputnik e que foi ao ar no dia de hoje, a qual posto em sua íntegra logo abaixo.

Essa análise se confirmada pegará o Brasil totalmente desprevenido e sem qualquer proteção na medida que as políticas iniciadas por Michel Temer e aprofundadas por Jair Bolsonaro  aumentaram consideravelmente o nível de dependência historicamente alto do nosso país aos especuladores que controlam o mercado financeiro mundial.

Enquanto isso somos distraídos por supostos embates entre membros do governo Bolsonaro e por pronunciamentos ao melhor estilo do Chacrinha (confundir em vez de explicar). Isto sem falar na proposta agora sigilosa de contrarreforma da previdência social.

Nova crise econômica mundial será grave e pode mudar ordem global existente, diz analista

dolar

O mundo está à beira de uma iminente crise global provocada pelas ambições excessivas dos Estados: no início de 2019, a dívida mundial alcançou 244 trilhões de dólares e continua crescendo.

O principal problema atual é a perspectiva de uma recessão deflacionária prolongada e estagnação interminável da economia, como foi no caso do Japão nas últimas décadas, revelou Aleksandr Losev, diretor de uma empresa de gestão de ativos, ao diário Kommersant.

O aumento da carga da dívida e o custo cada vez maior de sua manutenção afetam o crescimento econômico, aumentam os riscos de crédito e a possibilidade de incumprimento de pagamentos, o que no futuro criará dificuldades para refinanciar as dívidas e abrandará o “boom” de crédito que atualmente está estimulando o crescimento global, explicou Losev.

Segundo Losev, um estudo do Banco Mundial mostrou que, quando a relação dívida/PIB supera 77% durante um longo período de tempo, o crescimento econômico se desacelera e cada ponto percentual da dívida acima deste nível custa ao país 1,7% de crescimento econômico nos países desenvolvidos. Quanto aos países em desenvolvimento, a situação é ainda pior: cada ponto percentual adicional de dívida acima do nível de 64% reduzirá anualmente o crescimento econômico em 2%.

De acordo com previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia mundial irá desacelerar neste ano em 70% dos países.

“Muitas economias não são suficientemente sustentáveis. A alta dívida pública e baixas taxas de juro limitam sua capacidade para superar uma nova recessão”, disse a diretora-executiva do FMI, Christine Lagarde.

Ao mesmo tempo, o analista sublinha que uma nova crise poderia trazer mudanças na ordem global existente

O financista prevê que “a atual ordem mundial começará a mudar rapidamente não no momento da crise, mas quando os Estados não puderem coordenar seus esforços a nível global para manter o sistema econômico e financeiro atual, os princípios e regras do comércio internacional, quando o egoísmo prevalecer, mas a competição não for suficiente”.

Isso levará a uma época de conflitos, à revisão de prioridades, ao protecionismo, mobilização e reindustrialização, ou seja, às prioridade de produção nacional, projetos de grande escala e desenvolvimento da ciência.

Losev aconselha a não esquecer que, em momentos de instabilidade, todas as grandes potências, em virtude de sua posição e interesses de suas elites, negócios e capital, tentam criar sua própria ordem e, até certo ponto, estão prontas para defender esta ordem de várias maneiras, de militares até políticas.


Este artigo foi originalmente publicado pela agência Sputnik [Aqui!]