A COVID-19 sumiu das manchetes, mas o Brasil continua sendo um dos epicentros mundiais da pandemia

media blackoutParentes são vistos durante enterro em massa de pessoas que faleceram devido à  COVID-19, no cemitério do Parque Tarumã em Manaus, Brasil, em 26 de maio de 2020. REUTERS / Bruno Kelly

Nas últimas semanas venho notando um gradual desaparecimento das notícias sobre a  COVID-19 da posição de destaque que ocupavam desde que o Brasil passou a ser um dos epicentros da pandemia.  Essa mudança não me parece ser acidental, parecendo mais um ajuste editorial à necessidade de manter protegido um corpo que vem aplicando um dos maiores ajustes já operados em uma economia nacional desde que Ronald Reagan e Margareth Tatcher colocaram a ideologia neoliberal a serviço das grandes corporações capitalistas.

Mas que ninguém se engane ou se deixe confundir pela ausência da pandemia em posições de destaque nas publicações da mídia corporativa brasileira.  O fato é que o Brasil continua sendo com os EUA, um  dos principais epicentros da COVID-19, alcançando números cada vez mais catastróficos (ver tabela abaixo com os dados desta 3a. feira – 18/08)

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O fato é que no dia de hoje, o Brasil foi segundo país com mais casos de novas infecções (+44.119) e o primeiro em número de mortes nas últimas 24 horas (+1.234). Além disso, o total de mortos já atingiu incríveis 109.888, o que indica que até o final de agosto, o Brasil deverá ter em torno de 120.000 mortos pela COVID-19.

E, pior, não há nenhum sinal de que estejamos baixando do platô de alto número de infectados, o que implica que o número de mortos continuará sendo alto, cinco meses após o início oficial da pandemia da COVID-19 em território nacional.

Quais seriam os motivos para que a mídia corporativa brasileira passe a colocar os efeitos catastróficos da pandemia em posições secundárias de seus veículos? As possibilidades são inúmeras, mas a principal parece ser a necessidade pragmática de salvaguardar a existência do governo Bolsonaro, já que este opera para que as instituições financeiras e o rentismo que elas emulam continue dando aos donos dos grandes veículos de mídia o tipo de retorno econômico que suas atividades principais não geram. 

A verdade é que não nenhuma indicação de que o Brasil está próximo de passar o pior cenário da pandemia da COVID-19.  A diferença é que agora estamos sendo ainda mais mal informados sobre o que de fato está acontecendo. 

Tudo isso é péssimo porque a falsa sensação criada pela falta de informação gera a sensação de que o pior já passou, o que tende a acentuar comportamentos descuidados que contribuem para a dispersão do coronavírus.

Por isso, precisamos continuar nos esforçando para não apenas para manter a disciplina pessoal necessária para se manter saudável enquanto não for iniciada alguma campanha massiva de vacinação, mas também para continuar tentando informar o número máximo de pessoas que é preciso continuar tomando os cuidados básicos para se evitar a infecção pelo coronavírus. 

 

Seis em cada dez brasileiros esperam compromisso muito maior das empresas com questões ambientais

Novo levantamento do Boston Consulting Group também revela que para 93% dos brasileiros as questões ambientais são iguais ou mais preocupantes que as questões de saúde

desmatamento32% da área desmatada na Amazônia está localizada no Pará. Crédito: Mayke Toscano/Gcom-MT

São Paulo, 16 de julho de 2020 – Seis em cada dez brasileiros esperam iniciativas muito mais consistentes das empresas para proteger o meio ambiente. O índice é o maior entre os oito países participantes da pesquisa BCG Survey on COVID 19 and Environment, realizada pelo Boston Consulting Group (BCG) com mais de 3 mil pessoas na China, nos Estados Unidos, Reino Unido, França, Índia, Indonésia e África do Sul. Os brasileiros são também os mais engajados. Para 93%, as questões ambientais são iguais ou mais preocupantes que as questões de saúde. Na média dos países analisados, esse índice é de 76%.

Para Jorge Hargrave, diretor do BCG e especialista no tópico de mudanças climáticas, as empresas precisam acompanhar as mudanças de comportamento do consumidor e aplicar medidas que vão ao encontro dessa tendência. “O consumidor tem, mais do que nunca, o poder de exigir das empresas a adoção de práticas mais sustentáveis. As empresas que atenderem a essa demanda com mais rapidez terão mais chances de se destacar no curto e no médio prazos”, afirma o executivo.

O estudo também revela aumento da preocupação com questões ambientais no cenário da pandemia. Em âmbito global, 70% dos entrevistados estão mais conscientes sobre os impactos e as ameaças provocadas pela degradação ambiental aos seres humanos, em comparação ao período pré-crise de coronavírus. O levantamento ainda indica que a população brasileira está quase tão preocupada com a poluição quanto com questões de saúde, com 80% extremamente receosos com doenças infecciosas, ao mesmo tempo em que 72% têm o mesmo sentimento em relação à poluição atmosférica.

No que se refere ao combate à pandemia, as respostas dos profissionais de saúde, de organizações não governamentais e das agências globais de saúde são classificadas de maneira mais favorável do que a de governos e empresas. Profissionais de saúde tiveram sua atuação classificada por 83% dos entrevistados como boa ou ótima, ao passo que para as grandes empresas o índice de aprovação ficou em 45%.

De acordo com Jorge Hargrave, a adoção de práticas mais sustentáveis foi uma das tendências aceleradas pela pandemia. “O cuidado com o meio ambiente também é observado na esfera individual. Além de esperar um compromisso maior das empresas com questões ambientais, as pessoas também revelaram uma preocupação maior em agregar mais práticas sustentáveis no dia a dia”, afirma. Segundo a pesquisa, aproximadamente 40% dos entrevistados globalmente pretendem incorporar condutas sustentáveis na rotina, enquanto um terço dos entrevistados já realizam essas ações regularmente. Por fim, para 54% a recuperação econômica e a abordagem das questões ambientais devem ser igualmente priorizadas.

Outra pesquisa recentemente publicada pelo BCG revela que empresas podem incorporar práticas ambientais e reduzir suas emissões a um baixo custo ou até mesmo gerando economia. “Nossa experiência global em projetos indica que empresas intensivas em energia podem reduzir em até 40% suas emissões, gerando retorno financeiro positivo. Além de reduzir custos ao adotar essas medidas, as empresas investirão em diferenciais competitivos”, conclui Jorge.

Sobre o Boston Consulting Group

O Boston Consulting Group atua em parceria com lideranças empresariais e sociais, ajudando-as a enfrentar os mais importantes desafios e capturar as melhores oportunidades. O BCG foi pioneiro em estratégia de negócios quando foi fundado, em 1963. Hoje, ajudamos nossos clientes com total transformação, inspirando mudanças complexas, permitindo o crescimento das organizações, construindo vantagem competitiva e gerando resultados de impacto.

Para ser bem-sucedidas, as organizações precisam combinar recursos digitais e humanos. Nossas equipes globais são pautadas pela diversidade e têm profundo conhecimento técnico-funcional em diferentes indústrias, além de múltiplas perspectivas que estimulam a mudança. O BCG ajuda a solucionar desafios por meio da prestação de serviços de consultoria estratégica de ponta, aliada à tecnologia, design, corporate e digital ventures – além de propósito de negócios. Trabalhamos com um modelo colaborativo único que gera resultados e permite a nossos clientes prosperar. Para mais informações, acesse http://www.bcg.com

O Brasil de Bolsonaro: um estado pária?

Esta é a hora  em que a UE deve terminar com seu papel nos crimes ambientais e sociais que estão correndo no Brasil

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Fern

Sacrificar florestas e direitos ao comércio 

Chamar a quarta maior democracia do mundo de “ estado pária ” pode parecer extremo, mas – em meio às profundas crises econômicas, políticas e de saúde do Brasil – as ações do presidente do país, Jair Bolsonaro, justificam cada vez mais o país com essa descrição. 

Em seus primeiros 100 dias de mandato, conforme  documentamos  na época, Bolsonaro preparou o caminho para o que se seguiu: imediatamente lançou um ataque às proteções ambientais do país e retirou os direitos de seus povos indígenas. 

Agora, após 18 meses no poder, a pergunta que Fern e outras ONGs fizeram naquela época é ainda mais premente: quando a União Européia (UE) encerrará sua cumplicidade na catástrofe que se desenrola?

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Este informe sobre o desastre em desenvolvimento no Brasil oferece um argumento inatacável para a ação da UE.

No centro está o testemunho de nossos parceiros brasileiros – aqueles que estão na vanguarda de resistir à agenda destrutiva do governo Bolsonaro.

“Este é um governo que deseja entregar nossos territórios à agricultura em larga escala. Eles não apenas têm uma política de não nos conceder direitos à nossa terra, como é pior – eles estão tentando tirar terras às quais já temos direitos ”, diz Sônia Guajajara, Coordenadora de Articulação dos Povos Indígenas do Brasil ( APIB), que representa 300 grupos de povos indígenas brasileiros.

As incursões em terras indígenas aumentaram, juntamente com a violência contra os povos indígenas.

“Considerando que antes havia conflitos violentos de terra, agora é incitado pelo discurso de ódio vindo do governo federal. Todos os dias eles incitam a violência. As pessoas pensam que têm o direito de matar impunemente ”, diz Guajajara.

Ela e outros brasileiros estão pedindo ao mundo – e à UE, cujo consumo e investimento afeta diretamente os eventos no Brasil – que prestem atenção. 

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“O desmatamento  já era ruim, a tendência era de alta, e o governo reduziu a aplicação da lei no ano passado. 

Eles têm um discurso muito agressivo contra a proteção ambiental. Os grileiros e garimpeiros sentem-se confiantes de que podem operar ilegalmente e com impunidade. 

Em dezembro de 2019, o governo emitiu uma medida provisória (MP 910)  para uma lei de apropriação de terras,  com aumento do tamanho da área e subsídio. Seria rentável invadir terras públicas. 

Agora há um projeto de lei em tramitação no Congresso (PL 2633). Eles usam um argumento falso de que precisam identificar quem é o bandido para multá-los, e somente dando-lhes o título de terra eles podem identificá-los. É uma ideia ridícula e distorcida. 

A intenção é clara, mas há pressão suficiente para bloqueá-la. Houve uma  reação  contra isso, mesmo de CEOs privados. 

Convocar pessoas do setor privado de alto nível para se manifestar tem sido muito importante, como Candido Bracher, CEO do Itaú Unibanco, o maior banco privado do Brasil. 

O governo gosta de retratar que é agronegócio versus ambientalista, mas aqui estão os CEOs privados dizendo – em público e em público – que isso é ruim para o Brasil, ruim para a economia. Mudar essa narrativa é fundamental. 

Os métodos mais eficazes estão relacionados ao setor financeiro. Eles [o governo] não vão ouvir a sociedade civil. A pressão nos mercados é crítica. 

Se o  acordo comercial UE-Mercosul  não for ratificado, afetará não apenas o setor de agronegócio, mas outros setores no Brasil. 

O Brasil projetou que o acordo traria R $ 500 bilhões (85 bilhões de euros) ao longo de uma década em Produto Interno Bruto adicionado. 

Com a pandemia, o Brasil é ainda mais vulnerável. A economia está em recessão. A moeda brasileira, o Real, é a moeda mais desvalorizada do mundo em 2020. O Brasil precisa de mais investimentos, por isso é propenso a pressões. 

Em termos de soluções, acho muito importante ter como alvo os governadores estaduais da Amazônia. Se o investimento for bloqueado, serão os estados da Amazônia que sofrerão. 

Eu acho que o Brasil já está se tornando um estado de pária . 

No futuro, será caótico e tenso. As intenções do governo são claras. A questão é quanto dano Bolsonaro pode causar no restante de sua Presidência [até outubro de 2022] e quanto o mercado pode agir com responsabilidade. A pressão está ligada. 

A transparência é clara. Precisamos conectar isso com as instituições que estão dispostas a exigir melhores políticas contra o desmatamento e a favor do desenvolvimento sustentável. O apoio internacional é fundamental. ” 

* Paulo Barreto é pesquisador sênior do  Imazon,  uma organização independente sem fins lucrativos com sede em Belém, Brasil, que promove a conservação e o desenvolvimento sustentável na Amazônia. Paulo publicou 117 artigos, um livro, capítulos de livros  e relatórios . 

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A Amazônia em perigo: um instantâneo

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O custo humano 

Acompanhando esse pedágio ambiental sombrio, está o custo humano em espiral. 

Desde que Bolsonaro chegou ao poder, conflitos violentos por terra aumentaram quase um quarto e um número recorde de povos indígenas foi assassinado. 

Mais da metade dos conflitos estão concentrados na região amazônica, segundo a Comissão Pastoral da Terra. Esses conflitos afetaram mais de 100.000 famílias e representam o maior total desde que os registros começaram 34 anos atrás. 

Além disso, uma análise do Ministério Público Federal constatou que quase 10.000 propriedades no Registro Ambiental Rural do Brasil (um registro eletrônico obrigatório de propriedades rurais) se sobrepõem a terras indígenas que estão em diferentes estágios de regularização e áreas de uso restrito . 

Assassinato com impunidade 

Nove povos indígenas – incluindo sete líderes – estavam entre as  32 pessoas  assassinadas durante conflitos fundiários no último ano. 

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  • Paulo Paulino Guajajara , 26, líder do grupo indígena Guajajara, foi morto a tiros em novembro de 2019 em uma emboscada por madeireiros em sua própria terra. 
  • O corpo de  Zezico Guajajara  foi encontrado perto de sua aldeia no estado do Maranhão em março de 2020. Ele foi baleado. 

Ele era um defensor dos Guardiões da Floresta, um grupo formado para combater gangues de madeireiros na área. 

Ari Uru-Eu-Wau-Wau , 33 anos, sangrou até a morte depois de ser atacado com um objeto contundente em abril de 2020, no estado de Rondônia. 

Ele fazia parte de um grupo cujo trabalho era denunciar a exploração ilegal de madeira dentro do território. 

Segundo a APIB, naquele mês, um grupo de 40 homens invadiu a terra e cortou 100 hectares, dizendo que moraria lá porque havia sido autorizado pelo governo federal. 

Seu tio, Awapu, é o líder dos povos indígenas Uru-Eu-Wau-Wau e sofreu ameaças constantes de morte. 

 Essas atrocidades estão acontecendo no contexto de erosão das salvaguardas ambientais e dos direitos humanos, que começaram imediatamente depois que Bolsonaro assumiu o poder. 

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* Sônia Guajajara é a coordenadora da APIB,  que representa 300 grupos de povos indígenas. 

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Ministros desmascarados 

Em maio de 2020, um vídeo de uma reunião de ministros particulares realizada em 22 de abril apareceu em uma investigação sobre se o presidente Jair Bolsonaro interferiu na nomeação de líderes da polícia federal para ganho pessoal. 

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Ricardo Salles, Ministro do Meio Ambiente,  sugerindo  que a pandemia foi uma boa oportunidade – com a imprensa olhando para o outro lado – para simplificar a regulamentação na Amazônia.  

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Abraham Weintraub foi demitido em 17 de junho de 2020.  (Transcrição completa disponível aqui  em português).

Medidas concretas que a UE poderia tomar

  • A UE precisa de novas leis que garantam que nem os produtos vendidos na UE, nem os mercados financeiros que os sustentam, estejam destruindo florestas, ecossistemas naturais e promovendo a apropriação de terras e outros abusos dos direitos humanos. 
  • Todas as partes devem interromper o trabalho para finalizar o Acordo Comercial Mercosul-UE até que o governo do Brasil abandone seu caminho de permitir o desmatamento indiscriminado, a apropriação de terras e incitar ataques assassinos aos povos indígenas. Se e quando as negociações forem reabertas, o acordo deverá incluir disposições vinculativas e aplicáveis ​​para acabar com o desmatamento, respeitar os direitos consuetudinários de posse e implementar o Acordo Climático de Paris. 
  • A Comissão Europeia deve especificar como planeja responder aos desafios apresentados pelo governo Bolsonaro, inclusive garantindo que os direitos humanos sejam respeitados. O Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE) deve usar o diálogo político com o Brasil com mais eficácia, incluir consultas mais proativas com organizações da sociedade civil brasileira e fornecer atualizações aos cidadãos europeus que estão cada vez mais preocupados com o que está acontecendo no Brasil.
  • A UE também deve monitorar e responder às violações dos direitos humanos e fortalecer os mecanismos de proteção dos defensores dos direitos humanos. Para aqueles em maior risco, incluindo povos indígenas e defensores do meio ambiente, a UE deve fornecer apoio direto e urgente, quando necessário. 

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Este material foi escrito originalmente em inglês e publicado no sítio da Fern, organização ambientalista que possui escritórios na França, Reino Unido e Bélgica [Aqui!].

Com o Brasil transformado em pária ambiental, grande capital pede mudança de rumos para evitar boicotes

bolsonaroCampanha de boicote a produtos comerciais oriundos do Brasil que é promovida na Alemanha já atingiu mais de 380 mil assinaturas, colocando pressão nas redes de supermercado que compram carne produzida na Amazônia

Desde 2016 venho apontando para o fato de que os retrocessos que estavam sendo impostos à governança ambiental e às estruturas de comando e controle existentes para diminuir o saque das riquezas naturais amazônicas iriam transformar o Brasil em um pária na comunidade global.  Talvez por eu ser apenas um professor de uma pequena universidade localizada no interior do Rio de Janeiro, os meus alertas sempre ficaram restritos aos leitores deste blog.   Lembro que no dia 15 de agosto de 2016, escrevi uma postagem intitulada “Quem ganha se o Brasil virar um pária ambiental? A resposta é óbvia, os de sempre“, sem que eu tivesse nenhum intuito de jogar o papel de oráculo, mas onde sugeri a possibilidade de que ocorre um boicote aos produtos brasileiros por causa dos retrocessos ambientais que estavam ocorrendo.

Em 2019 o Brasil recebeu o nada lustroso prêmio de “Fóssil do Ano”  dueante a COP 24 realizada em Madrid.  A “distinção” é oferecida por organizações ambientais aos países que menos contribuíram para um acordo na Conferência do Clima das Nações Unidas. 

Enquanto isso, testemunhei o quase completo silêncio da mídia corporativa brasileira, salvo alguns heróicos jornalistas que continuaram fazendo trabalhos mostrando o avanço da degradação e do desmatamento, sobre a desconstrução de um sistema de proteção ambiental que foi iniciado no governo militar de Emílio Garrastazu Médici. Pois bem, agora que grandes fundos de investimentos e governos nacionais estão agindo para bloquear investimentos e compra de commodities parece que “the hell broke loose” (ou em bom português,  o inferno se soltou).

É que a partir da reunião realizada pelo vice-presidente Hamilton com representantes do grande capital nacional e internacional que atuam no Brasil, três grandes veículos da mídia corporativa brasileira (i.e., Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, O Globo) publicaram matérias que sinalizam o desespero expresso pelos representantes das corporações em relação à reação que está ocorrendo contra a transformação do Brasil em um pária ambiental, especialmente no tocante à destruição dos ambientes amazônicos (ver imagens abaixo).

A reação inicial do governo Bolsonaro, explicitado pelas respostas oferecidas pelo vice-presidente Hamilton Mourão, tem sido dúbia. É que, por um lado, Mourão diz que a crise causada pela destruição da Amazônia advém da falta de conhecimento dos estrangeiros sobre a região e, por outro, que as ações que ele vem tomando para conter o avanço do desmatamento já surtiram efeito, mas só serão corretamente visualizados em 2021 quando os números foram fechados.

Mas há mais do que dubiedade no governo Bolsonaro em relação ao que efetivamente está ocorrendo na Amazônia. É que enquanto o vice-presidente apresenta uma fachada que simula entendimento acerca das preocupações explicitadas pelos representantes do grande capital, inclusive os do agronegócio exportador, Ricardo Salles continua abrindo a porteira para que Tereza Cristina possa passar a boiada. Isso fica claro no vídeo promocional, muito bem feito por sinal, que foi preparado para mostrar uma realidade idílica sobre a relação entre produção agrícola e proteção ambiental no Brasil (ver abaixo).

Esse vídeo, que obviamente poderá enganar os incautos ou os predispostos a serem enganados, é uma demonstração inequívoca de que o governo Bolsonaro não pretende mudar uma vírgula do que está sendo feito na Amazônia.  Mas desde já, é também óbvio que a circulação dele servirá apenas para irritar quem acompanha a situação ambiental no Brasil a partir, por exemplo, de evidências sólidas apontando o contrário, e que podem ser facilmente acessadas nas melhores publicações científicas. E dentre os que acessam essas informações estão inclusos os CEOs dos mesmos fundos de investimento que estão ameaçando retirar todos os seus investimentos do Brasil.

Em outras palavras, se o governo Bolsonaro tentar insistir em negar o óbvio ululante, e que será tornado ainda mais óbvio quando o pico da estação das queimadas for alcançado em 2020, o mais provável que o rótulo de pária ambiental seja ainda mais impresso na testa das commodities brasileiras, o que demandará ainda mais tempo e conversa para mudar o cenário. E como Ricardo Salles já perdeu toda e qualquer credibilidade para convencer os parceiros comerciais e financeiros do Brasil de que estão enganados, a primeira coisa que teria de ser feita seria o presidente Jair Bolsonaro demitir um dos seus ministros favoritos. Coisa que Bolsonaro só fará se as ameaças de retaliações contra o Brasil saírem do plano do discurso para a ação concreta, o que implicaria em perdas bilionárias para a economia brasileira.

Mas que ninguém se engane: seja lá por quais motivos forem, o Brasil já é considerado um pária ambiental até pelos grandes especuladores financeiros que comandam a economia globalizada.  E mudar isso não será tão fácil quanto foi chegar ao que ponto que chegamos.

 

Relatório alerta o Congresso dos EUA para erosão da democracia e precarização da proteção ambiental no Brasil

trump bolsonaroDocumento aponta que nem a proximidade entre Donald Trump e Jair Bolsonaro apaga problemas potenciais para boas relações entre os EUA e o Brasil

Um documento intitulado “Brazil_ Background and U.S. Relations” que foi preparado pelo Congressional Research Service, corpo técnico que assessora o congresso dos EUA, apresenta uma avaliação sobre as relações políticas, econômicas e de cooperação com o Brasil em tintas que diferem em grande parte da imagem otimista que o governo Bolsonaro, pelas vozes de Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo, o chanceler que considera as mudanças climáticas um complô marxista) , sempre tenta apresentar.

brazil us relations

Assinado por Peter J. Mayer, especialista em assuntos para a América Latina, o documento cobre uma série de áreas, incluindo o papel do governo Bolsonaro e a situação da democracia brasileira, a situação de descontrole da pandemia da COVID-19, o  avanço explosivo do desmatamento na Amazônia, e ainda a incapacidade do Brasil de atender as metas do Acordo Climático de Paris.

Em cada uma das grandes áreas abordadas no relatório preparado por Peter Mayer, o que emerge é uma análise crítica da situação da governabilidade do Brasil e da aparente incapacidade do governo Bolsonaro em cumprir metas que retirem o nosso país do processo recessivo em que se encontra há pelo menos quatro anos, e da deterioração dos processos de governança democrática, e também do desmanche das estruturas de comando e controle que impediam o avanço da devastação na Amazônia brasileira. Um elemento ilustrativo é o gráfico abaixo mostrando a evolução do desmatamento na Amazônia Legal.

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No tocante às relações diplomáticas entre os EUA e o Brasil, o relatório indica que a aparente melhora causada pela proximidade entre os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro seja vista com cuidado, visto que há a possibilidade de que “o padrão histórico dos EUA-Brasil nas quais expectativas aumentadas dão lugar a decepções e desconfianças mútuas” possa ser repetido.

Por outro lado,  aponta para a “erosão da democracia, dos direitos humanos e da proteção ambiental” que estão ocorrendo sob a égide do governo Bolsonaro como elementos que colocam dúvidas sobre a estabilidade das relações dos EUA com o Brasil.

Um detalhe citado   diversas vezes e que, por isso, é importante para se entender as reais prioridades dos EUA em sua relação com o nosso país, se refere às inevitáveis tensões que decorrem das intensas relações comerciais do Brasil com a China, apontadas como elemento que pode concretamente descarrilar a boa convivência brasileiras-estadunidenses.

A situação descrita no relatório Congressional Research Service pode piorar ainda mais caso Donald Trump não seja reeleito, já que os democratas recentemente apresentaram seu programa para combater as mudanças climáticas que, se for aplicado, implicaria em cumprimento de metas que afetariam diretamente as decisões do Brasil, já que os EUA passariam a adotar uma plataforma muito mais próxima do que está sendo postulado na União Europeia. 

Números da pandemia no Brasil no dia em que Bolsonaro informou estar infectado

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No dia em que o presidente Jair Bolsonaro veio a público dizer que foi infectado pelo coronavírus os números do Brasil na pandemia são o seguinte: total de infectados 1.668.589; infectados nas últimas 24 horas +42.518; total de mortos: 66.741, e mortos nas últimas 24 horas: +1,185 (ver figura abaixo).

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Enquanto isso, o Brasil continua sem ministério da Saúde, e como  ministério chefiado interinamente por um general sem nenhum treinamento na área da Saúde.

Assim, me desculpem os apoiadores do presidente se eu não derramar uma lágrima por ele nesta noite. É que existem muitos outros brasileiros que são mais merecedores da minha solidariedade.

The Global E-waste Monitor 2020: Brasil é um dos líderes mundiais em geração de lixo eletrônico

global waste

O Brasil foi o quinto país que mais produziu lixo eletrônico em 2019. Segundo o relatório The Global E-waste Monitor 2020 , os brasileiros ficaram atrás apenas da China, EUA, Índia e Japão. Ao todo, foram geradas 2.143 toneladas no ano passado.

De acordo com o documento, o tema ainda é crítico na América Latina. Além do México, Costa Rica, Colômbia e Peru – que lideram a gestão sustentável de lixo eletrônico e que, em 2020, estão trabalhando para melhorar os sistemas já estabelecidos -, apenas Brasil e Chile estão estruturando as bases para a implementação de um quadro regulamentar formal para a logística dos resíduos.

Apesar de constar no relatório de que o Brasil não possui legislação específica sobre o assunto, em outubro de 2019, foi assinado o Acordo Setorial para a Logística Reversa de Produtos Eletroeletrônicos. O documento é um complemento à Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS (Lei 12.305/2010), e define metas para as fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes na questão de quantidade de PEVs instalados, número de cidades abrangidas e percentual de aparelhos eletroeletrônicos a serem coletados e destinados corretamente, como celulares, computadores, impressoras, ferramentas elétricas, chuveiros, eletroportáteis sem utilidade para o consumidor.

A Green Eletron, maior gestora brasileira sem fins lucrativos para a logística reversa de eletroeletrônicos e pilhas de uso doméstico que não têm mais utilidade, participou ativamente da construção do acordo e atua para mudar esse cenário no País. Desde o início das operações, em 2017, a Green Eletron instalou 228 Pontos de Entrega Voluntária, ou PEVs, em 75 cidades do Estado de São Paulo (confira aqui) e um no Distrito Federal, coletando mais de 445 toneladas de produtos eletroeletrônicos. Em 2019, a quantidade coletada triplicou em comparação ao ano anterior, com a ajuda de parcerias, campanhas e dos consumidores.

Já no programa Green Recicla Pilhas, existente desde 2010 e com mais de dois mil pontos espalhados pelo Brasil, mais de 1.680 toneladas tiveram sua destinação correta. Veja todos os coletores exclusivos de pilhas.

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ONG acusa envolvimento do grupo francês Casino em desmatamento no Brasil e na Colômbia

Segundo relatório da ONG Envol vert, a empresa, que promove a imagem de um distribuidor responsável, não controla suficientemente a origem da carne que comercializa.

barbara veigaA pecuária é a principal causa de desmatamento no Brasil. BARBARA VEIGA

Por Martine Valo para o jornal Le Monde

As imagens da Amazônia em chamas, em agosto de 2019, comoveram o mundo inteiro. A história deste ecossistema único sacrificado em benefício dos interesses fundiários pode ocorrer no outro lado do Atlântico, mas está conectada a um grupo varejista francês, o Casino, de acordo com o relatório Envol vert, que será publicado na terça-feira, 30 de junho . Esta associação francesa foi apoiar organizações na América do Sul, incluindo jornalistas e pesquisadores do coletivo Reporter Brasil, que investigaram no local por um ano.

Madeira, soja, cacau e óleo de palma são as principais causas de desmatamento desenfreado no planeta. No Brasil, campeão mundial, é a carne bovina, criada principalmente por sua carne, que é a principal responsável por ela. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) considera que a Amazônia perdeu 10.123 km2 em 2019, 44% a mais que em 2018, e a devastação acelera em 2020. A destruição das savanas do Cerrado também está avançando.

Nesses dois lugares altos da biodiversidade planetária, os incêndios florestais, cuja temporada começa hoje, aumentaram 71% em 2019 em comparação com o ano anterior. Uma vez exploradas as madeiras valiosas, os rebanhos ganham novas pastagens, que ocupam de maneira particularmente extensa: 1,31 cabeça por hectare (ha) em média no Brasil, 0,6 na Colômbia. Sua expansão é espetacular na Colômbia, desde a assinatura da paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em 2016 , e no Brasil, segundo maior exportador do mundo, que teve 158 milhões de animais em 1994, 214 milhões de hoje.

43% do mercado colombiano

“Este sistema agrícola é de fato um legado de colonização: é uma questão de ocupar o máximo de espaço possível para afirmar que essa parcela da Amazônia é sua”, analisa Boris Patentreger, membro da Envol vert , que coordenou a investigação no local. É uma forma de especulação de terras, pois pode ser vendida a um bom preço. “ E a distribuição em massa seria parcialmente responsável por sua relutância em melhorar a rastreabilidade de seu suprimento, principalmente na Colômbia”, afirmou o relatório.

No entanto, o cassino está bem presente nos dois países, onde o consumo nacional de carne bovina é importante. O grupo ocupa 15% do mercado no Brasil, com sua subsidiária Grupo Pão Açúcar (GPA) e suas marcas Assai e Extra; 43% na Colômbia, com Exito. Ele gera 47% de sua receita total lá. Na França, a empresa, de propriedade da Rallye, possui uma série de marcas como Monoprix, Franprix, Leader Price, Spar, mas também Naturalia, e destaca a imagem de um distribuidor responsável. A Envol vert e seus parceiros culpam ainda mais o distribuidor por suas deficiências no controle da origem do gado.

Referindo-se à lei de 2017 sobre o dever de vigilância das grandes empresas francesas em relação a seus fornecedores, as ONGs acreditam que o grupo não deve delegar essa responsabilidade nos matadouros que os entregam. Entre os últimos, alguns assinaram compromissos para combater o desmatamento com o governo ou com ONGs como o Greenpeace, mas eles não têm necessariamente os meios para alcançar suas ambições. Como resultado, algumas lojas comercializam carne de fazendas que acabam engordando animais de outras fazendas, que continuam a operar ilegalmente e queimar lotes na Amazônia, segundo o relatório. Essas atividades comerciais corresponderiam a 56.000 hectares destruídos em 2019 nos dois países, segundo estimativas dos autores.

O Casino respondeu à associação, assegurando que ela  combate ativamente o desmatamento associado à criação de gado no Brasil e na Colômbia.  E garante que sua subsidiária GPA envolva uma base experimental no projeto piloto de uma ferramenta de rastreabilidade chamada Visipec. “Estamos fortalecendo nossas políticas para controlar todas as nossas cadeias de suprimentos complexas no Brasil e continuaremos”, assegura Le Monde Matthieu Riché, diretor de CSR do grupo Casino. No contexto geopolítico local, as empresas devem ser ainda mais vigilantes. “

“Clareamento de vacas”

Insuficiente, responderam os pesquisadores que testaram 131 produtos vendidos em dez lojas estabelecidas em sete cidades do Brasil, em especial Belém e Manaus. Eles procuraram subir a cadeia a montante de dois importantes matadouros da empresa JBS, localizada no Mato Grosso, tomando o cuidado de não se limitar a entregas diretas de gado. Eles multiplicaram suas pesquisas dos números de produtos congelados, interrogaram bancos de dados sobre transporte de animais, referências cadastrais, listas negras do governo brasileiro nas quais aparecem os operadores condenados por trabalho forçado e vítimas de ‘meio Ambiente. Finalmente, eles consultaram os alertas de desmatamento dos sistemas de vigilância por satélite das ONGs.

O relatório detalha o caso de quatro grandes fazendas localizadas na Amazônia ou no Cerrado. Uma delas, a fazenda Ellus, no Mato Grosso, totalizou mais de 2.400 ha queimados em 2019 – como mostra imagens da NASA – incluindo 1.962 ha em áreas de preservação permanente não exploráveis, de acordo com a lei. Outro exemplo é o de uma fazenda condenada em várias ocasiões a pesadas multas e atingida por um embargo por ter desmatado mais de 1.100 ha. Este último contorna o problema da “lavagem de vacas”, ou seja, transferindo os rebanhos para uma de suas propriedades alugadas para outro agricultor.

Por fim, há a questão da fazenda JR, de 168 ha no Estado do Pará, ainda na Amazônia, dos quais 14 ha invadem o território indígena Apyterewa. O Casino compromete-se a analisar esses quatro casos.

fecho

Este artigo foi originalmente publicado em francês pelo jornal Le Monde [Aqui!].

Brasil é o país com maior crescimento em preocupações com segurança no mundo, mostra estudo da Unisys

Apurado em 15 países durante a pandemia, Unisys Security Index 2020 indica que a preocupação dos brasileiros com segurança cresceu sete pontos desde 2019

São Paulo, 24 de junho de 2020 – A Unisys anunciou hoje os resultados do Unisys Security Index™ 2020, revelando que o Brasil é o país com o maior crescimento em preocupações relacionadas a assuntos de segurança no mundo.

Estudo mais antigo de preocupações com segurança do consumidor conduzido globalmente, o Unisys Security Index mede as percepções do consumidor em quatro categorias: segurança pessoal, financeira, nacional e na Internet. O Brasil alcançou 197 pontos em um máximo de 300, um crescimento de sete pontos em relação a 2019 – o maior aumento dos 15 países avaliados e a maior pontuação do país desde 2013. Já o índice médio global do USI 2020 é de 175 pontos pelo segundo ano consecutivo, o nível mais alto em 14 anos.

Embora as preocupações com a segurança do Brasil tenham aumentado em todas as áreas, o país tem a pontuação mais baixa entre os países em desenvolvimento avaliados, incluindo os da América Latina: México (212), Colômbia (217) e Chile (218). Em geral, a atenção à segurança digital dos mercados emergentes cresce – Filipinas (238) e Índia (223) lideram o ranking -, enquanto a dos mercados desenvolvidos está diminuindo. Neste ano, o índice brasileiro é mais alto que o de Estados Unidos (159), Austrália (157), França (156), Bélgica (144), Reino Unido (144), Nova Zelândia (136) e, os dos últimos, Alemanha (122) e Holanda (100).

O aumento das preocupações com segurança digital no Brasil ocorreu juntamente com a deflagração da pandemia da COVID-19. Com entrevistas realizadas entre​ 16 de março e 5 de abril de 2020, o USI 2020 identificou as consequentes incertezas econômicas e agitação social decorrentes da crise.

O índice de segurança financeira, por exemplo, cresceu 12 pontos, atingindo 203 neste ano, a maior apreensão dos brasileiros já identificada. Em segundo lugar, vem a segurança pessoal, com 202 pontos, dois a mais que no ano passado. Já a segurança da internet cresceu 6 pontos, chegou a 200 e ficou em terceiro entre as maiores preocupações dos brasileiros. Por último, mas com crescimento significativo de 9 pontos em relação a 2019, ficou a segurança nacional, com 185 pontos, impulsionada pela preocupação com desastres e epidemias.

Entre os componentes específicos de cada dimensão, destacam-se a fraude bancária e o roubo de identidade, assuntos extremamente ou muito preocupantes para 80% e 78% dos brasileiros, respectivamente. Invasões cibernéticas ou vírus compõem a terceira maior preocupação no Brasil, com 73%, seguido de desastres naturais, com 72%. Essa última área, que consiste na ocorrência de inundação, furacão, incêndio florestal ou epidemia, registrou um crescimento de 10% na preocupação em relação ao ano passado. Ao passo que a atenção com segurança nacional, que se refere à proteção à guerras e ao terrorismo, diminuiu 4% em relação à 2019, sendo muito importante para metade dos brasileiros (51%).

Especificamente no âmbito da COVID-19, a infraestrutura de saúde do Brasil e a estabilidade econômica são as principais preocupações durante uma crise de saúde global, respectivamente para 85% e 84% dos entrevistados. Em terceiro, ficou a saúde física da família, considerada extremamente ou muito preocupante para 83% dos brasileiros durante a pandemia.

O Unisys Security Index de 2020 mostra que a sensação de insegurança está aumentando no Brasil dentro das quatro áreas de análise da pesquisa. o Brasil registrou o maior aumento de preocupação ano a ano do que qualquer outro país e percebemos que muitos ainda têm uma falsa sensação de segurança de dados enquanto trabalham em casa”, salienta Mauricio Cataneo, presidente da Unisys Brasil e Chief Financial Officer para América Latina. “Notadamente, fraudes bancárias, roubo de dados pessoais e invasões cibernéticas são as grandes preocupações nacionais, fazendo da proteção de informações um assunto que deve ser priorizado por governos, empresas e consumidores brasileiros. Em meio a desafios econômicos impostos pela crise da pandemia, os brasileiros estão cada vez mais preocupados com sua capacidade de atender obrigações financeiras e preocupados com fraudes”, conclui.

Clique Aqui! para conferir o infográfico com os destaques do Brasil no USI 2020

Sobre o Unisys Security Index™

Iniciativa da Unisys Corporation (NYSE: UIS), o Unisys Security Index™ é o mais antigo monitoramento global de segurança digital. Realizado desde 2007, o levantamento oferece uma análise estatisticamente robusta sobre a percepção de segurança dos consumidores.

Projetado numa escala que vai de zero a 300 (sendo o zero mais seguro e 300, menos), o índice é calculado a partir de uma metodologia que afere atitudes de pessoas ao longo de um dado período de tempo em relação a oito temas de segurança, divididos em quatro categorias: Segurança Nacional, também relacionado a desastres ou epidemias; Segurança Financeira, que aborda temas como fraude bancária e obrigações fiscais; Segurança da Internet, que inclui vírus/ ataques de hackers e transações online; e, por fim, Segurança Pessoal, com tópicos como roubo de identidade e informações pessoais.

O Índice de Segurança é calculado com base na média das preocupações de consumidores com a segurança nessas quatro grandes dimensões em uma escala de um a quatro, em que um é não preocupado e quatro é extremamente preocupado. Das respostas, é aferida uma pontuação média entre extremamente preocupado (300 pontos), muito preocupado (200 pontos), um pouco preocupado (100 pontos) e nada preocupado (0 ponto).

O Unisys Security Index de 2020 foi baseado em pesquisas nacionais de amostras representativas de um total de 15.699 residentes adultos de 18 a 64 anos de idade em 15 países. Foram aplicadas entrevistas online junto a grupos amostrais representativos com o mínimo de 1.000 indivíduos dos seguintes países: Austrália, Bélgica, Brasil, Chile, Colômbia, França, Alemanha, Índia, México, Holanda, Nova Zelândia, Filipinas, Singapura, Reino Unido e Estados Unidos.

Durante a pesquisa, realizada entre 16 de março e 5 de abril de 2020, a pandemia de COVID-19 era predominante em todos os países analisados.

A amostra do estudo é ponderada com relação a características demográficas nacionais de adultos, como gênero, idade e região. Os índices de segurança globais são médias não ponderadas dos índices de segurança dos 15 países.

A margem de erro é de 3,1% para mais ou para menos nos resultados por país, e de 0,8% nos resultados globais. O nível de confiança da pesquisa é de 95%.

TV alemã ZDE mostra a pandemia da COVID-19 no Brasil como ela realmente é

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Um dos aspectos inquietantes que sempre rondam a minha mente é de como os brasileiros, mesmo após passadas as marcas de 1 milhão de infectados e de pelo menos 50 mil mortos pela COVID-19, ainda se arriscam às ruas como se nada de especial estivesse acontecendo. Aos olhos do resto do mundo, essa situação causa profunda estranheza, pois a letalidade da pandemia já é algo mais do que estabelecido.

Como tenho assistido a muitos programas de TVs estrangeiras, me arrisco a dizer que parte do problema está na forma pela qual a pandemia da COVID-19 está sendo apresentada aos brasileiros pela mídia corporativa, especialmente pelas redes de TV. É que, apesar de buscarem mostrar um suposto compromisso jornalístico de apresentar a verdade à população, a cobertura que está sendo feita omite as cenas mais explícitas da letalidade da pandemia, especialmente entre os mais pobres. A cobertura aqui, como em tantos outros casos, tem sido superficial e fragmentada, sendo um dos elementos indutores de uma espécie de letargia que torna as infecções e mortes causadas pela coronavírus, algo que é distante do cotidiano das pessoas; uma espécie de filme que só passa na TV do vizinho.

Vejamos por exemplo, uma matéria que foi ar neste domingo na Alemanha via o canal de TV ZDE, um canal de televisão público e um dos maiores da Europa, que faz uma síntese bastante efetiva de todos os ângulos que a pandemia da COVID-19 assumiu no Brasil, e isto tudo em menos de 2 minutos. E o interessante é que nem se precisa entender alemão para seguir o fio da meada da reportagem que mostra cenas que a mídia brasileira vem omitindo da maioria da população.

Entre outras coisas, o que fica apontado na matéria é que no Brasil, os números da COVID-19 continuam a subir, sendo que o nosso país tem o segundo maior número de casos e a terceira maior mortalidade no mundo.  E as causas da expansão da pandemia são relacionados à falta de testagem, inexistência de infraestrutura hospitalar, e a ação do presidente Jair Bolsonaro que é mostrado naquela infame cena em que ele chegou à cavalo em uma manifestação em que seus apoiadores pediam o fechamento do congresso nacional e do Supremo Tribunal Federal há umas semanas atrás.

Mas o que deve impressionar a audiência alemã são as condições caóticas em que corpos estão sendo retirados em comunidades pobres e a multiplicação de valas coletivas em diferentes partes do território brasileiro.  Essas cenas certamente estão chocando uma audiência que atravessou e perdeu duas grandes guerras mundiais, pois os alemães sabem que só em condições de degradação extrema do funcionamento do Estado é que as Nações devem lançar mão de valas coletivas.

Mas volto a dizer, parte da distância que se está criando entre a maioria da população e os resultados da pandemia da COVID-19 é fruto exatamente da falta de informação sobre o que, de fato, está acontecendo. E não me parece que a culpa por isso seja só do governo Bolsonaro que, como a reportagem da ZDE mostra, tem se esforçado para minimizar a gravidade da pandemia.