Humorista sintetiza o Brasil: estamos sendo governados por um síndico

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É velha a máxima de que o humor progride, tal como a ciência, em meio a tempos cheios de desafios.  Esse parece ser o caso atual do Brasil onde se vive uma crise econômica, social e política de proporções inéditas, mas que também assiste ao amadurecimento de uma geração de humoristas que se caracterizam pela agudeza de examinar a realidade de forma que é tanto crítica como bem humorada.

Eu achei o sketch abaixo do humorista carioca Maurício Meirelles que reflete com agudeza a forma de governar do presidente Jair Bolsonaro e de sua forma de tratar os complexos problemas que a chefia do executivo de um país com proporções continentais como  o Brasil sendo oferece.

Como ilustra Maurício Meirelles, enquanto o “bagulho está caindo”, o presidente Jair Bolsonaro está preocupado com outra coisa que não tem nada a ver com o que milhões de brasileiros enfrentam neste momento.

Agora, pela reação da plateia, o cenário político está para ficar mais complexo do que para simples para Jair Bolsonaro e seu ministério de “notáveis”. 

Exportações impulsionam desmatamento no Brasil e Indonésia

Estudo afirma que um terço do CO2 liberado pelo desmatamento está ligado às exportações de commodities, como carne bovina, óleo de palma e soja, e questiona atual método de atribuição de emissões aos países.

    
defaultPlantação de palmeiras para produção de óleo na Malásia, um dos maiores produtores mundiais

A margarina que o cientista Martin Persson passa em seus sanduíches todas as manhãs não lhe tira o sono à noite – mas deixa uma leve sensação de culpa.

Persson, pesquisador da Universidade Chalmers, na Suécia, é vegano, mas ele sabe que seu inocente café da manhã ajuda a destruir florestas a cerca de dez mil quilômetros de distância.

Há muito se sabe que o óleo de palma presente na margarina e outros alimentos cotidianos, assim como a carne bovina e a soja, impulsionam o desmatamento em países como o Brasil e a Indonésia.

Mas agora, Persson e uma equipe internacional de pesquisadores calcularam quanto a demanda externa por commodities impulsiona essa destruição.

O estudo, publicado na semana passada, descobriu que de 29% a 39% do dióxido de carbono liberado pelo desmatamento é causado pelo comércio internacional, que leva agricultores a derrubar florestas para abrir espaço para plantações, pastagens e cultivos que produzam bens frequentemente consumidos no exterior.

Os autores escreveram que, em muitos países ricos, as emissões “embutidas” nas importações – relacionadas ao desmatamento – são maiores até do que as geradas pela agricultura local.

“Os responsáveis não são somente os consumidores dos países onde ocorre o desmatamento – isso também é causado por consumidores em outros lugares”, diz Ruth Delzeit, chefe de meio ambiente e recursos naturais do instituto de estudos econômicos IfW, de Kiel.

Isso é importante para contabilizar as emissões de CO2 e decidir a quem atribuí-las. “A ONU atribui as emissões aos países onde elas são produzidas”, comenta Jonas Busch, economista-chefe do Earth Innovation Institute, que luta contra o desmatamento e pela segurança alimentar em países como Brasil, Colômbia e Indonésia.

Na Alemanha, por exemplo, isso significa que as emissões de uvas cultivadas localmente são computadas como alemãs – mas não as emissões da margarina feita com o óleo de palma importado da Indonésia.

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A destruição das florestas e matas da Terra, que retiram e armazenam o CO2 da atmosfera, é um grande obstáculo na luta para conter as mudanças climáticas. O problema se agrava ainda mais, dizem os especialistas, através de cadeias de fornecimento e produção complexas, que distanciam os consumidores dos danos decorrentes da fabricação dos produtos.

Para estimar as pegadas de carbono do desmatamento por país e mercadoria, a equipe de pesquisa na Suécia combinou dados do fluxo de comércio com imagens de satélite de mudanças no uso da terra entre 2010 e 2014. Eles não consideraram a perda florestal de atividades não agrícolas – como mineração, urbanização ou incêndios florestais naturais –, que causam cerca de 40% do desmatamento.

Na África, eles descobriram que quase todas as emissões relacionadas à destruição das florestas permaneceram dentro do continente. Mas, na Ásia e na América Latina, quantidades consideráveis do CO2 liberado através da queima e corte de árvores foram, na prática, exportadas para a Europa, América do Norte e Oriente Médio.

De quem é a responsabilidade?

As diferentes formas de contagem de emissões, ou no lugar onde o CO2 é emitido ou onde os produtos cuja produção o liberam são consumidos, levanta questões difíceis sobre de quem é a responsabilidade.

“Você poderia dizer que a União Europeia [UE] é apenas uma pequena parte do problema”, afirmou Persson, referindo-se à alta parcela de consumo que não deixou as regiões tropicais, mas que foi consumida domesticamente.

A maior parte das emissões de desmatamento teve origem apenas em quatro commodities: madeira, carne bovina, soja e óleo de palma. Na Indonésia e no Brasil, respectivamente o quarto e o quinto país mais populoso do mundo, o óleo de palma e a carne bovina têm enormes mercados domésticos.

Mesmo assim, a contribuição europeia é significativa, ressalva Persson. “Na UE, queremos reduzir nosso próprio impacto nas mudanças climáticas – e essa é uma parte importante do impacto causado por nós”.

Em clara discordância com a contagem tradicional do dióxido de carbono, os pesquisadores estimaram que cerca de um sexto do CO2 liberado por uma típica dieta europeia pode ser ligada ao desmatamento em regiões tropicais, por meio de produtos importados.

“Foi uma surpresa para mim”, comenta Persson. “Sim, importamos muita comida, mas a maioria dos alimentos que consumimos na UE é produzida internamente.”

O Brasil exportou um recorde de 1,64 milhão de toneladas de carne bovina em 2018, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), um aumento de 11% comparado com 1,48 milhão de toneladas exportadas em 2017.

A Indonésia é a maior produtora mundial de óleo de palma, que está presente cada vez mais em produtos do cotidiano, como margarina, barras de chocolate, nutella, sabonetes e shampoo.

“O óleo de palma é uma das mais importantes commodities de exportação, então é possível rastrear os efeitos do desmatamento desse comércio, e isso tem um grande impacto na Indonésia”, diz o cientista Ahmad Dermawan, do Centro Internacional de Pesquisa Florestal (Cifor). .

Além de emitir CO2, a queima e a derrubada das florestas também podem causar deslocamento de pessoas, perda de habitat e inundações. No Brasil, terras indígenas estão ameaçadas por lavouras. Na Indonésia e na Malásia, mais de 100 mil orangotangos foram mortos desde 1999, de acordo com um estudo publicado no ano passado.

Consumo crescente

Os especialistas temem que o desmatamento e a destruição associada a ele continuem aumentando à medida que países emergentes se tornem mais ricos. A Índia já é o maior importador de produtos oleaginosos indonésios. A alta do ano passado nas exportações brasileiras de carne bovina, por sua vez, foi impulsionada por um aumento de 53% na demanda chinesa entre 2017 e 2018, segundo dados da Abiec.

“Podemos ver que as exportações para a Índia e a China aumentarão maciçamente no futuro [à medida que crescerem] sua renda per capita”, informa Delzeit. “Eles se aproximam das dietas ocidentais, o que inclui o aumento do consumo de carne.”

Isso tem efeitos para as nações mais ricas, que podem argumentar que sua contribuição para o desmatamento é proporcionalmente pequena.

“A UE e os EUA estabeleceram um padrão global que está sendo absorvido cada vez mais na China, na Índia e em outros mercados emergentes”, diz David Kaimowitz, diretor de recursos naturais e mudanças climáticas da Fundação Ford. “Se eles veem empresas ou países que importam muito desmatamento em seus produtos sendo criticados publicamente ou responsabilizados, isso não é passado para as suas próprias políticas.”

Os mercados de óleo de palma, soja e carne bovina são dominados por um pequeno grupo de multinacionais, algumas delas com sede na Europa e na América do Norte. “Se a UE puder pressioná-las a mudar suas práticas de produção, isso pode ter efeitos em outros países”, afirma Persson.

Mas uma recente decisão da UE de classificar o óleo de palma em biocombustíveis como insustentável, em parte devido a preocupações da opinião pública sobre o desmatamento, provocou temores de uma guerra comercial entre o bloco europeu e os dois maiores exportadores de óleo de palma do mundo, a Indonésia e a Malásia.

Esses países acusaram a UE de protecionismo por reprovarem o óleo de palma sem abordar as preocupações associadas ao cultivo de óleos vegetais menos eficientes, como a colza.

O ministro da Coordenação da Economia da Indonésia, Darmin Nasution, disse neste mês em Bruxelas ser irônico que a UE, que derrubou uma parcela muito maior de suas florestas, estivesse dando conselhos de gestão florestal a países ricos em árvores. Ele também apontou a contribuição do óleo de palma para o alívio da pobreza.

“O foco da perspectiva europeia é o desmatamento, a mudança do uso da terra e assim por diante”, observa Dermawan. “Mas, da perspectiva da Indonésia, trata-se de pequenos agricultores, desenvolvimento e meios de subsistência. Isso também deve ser discutido e contextualizado.”

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Este texto foi originalmente publicado pela Deutsche Welle [Aqui!]

Desde o golpe contra Dilma, 1,2 mil novos agrotóxicos foram liberados no Brasil

Com Temer e Bolsonaro, passam a ser permitidos 3 novos venenos a cada 2 dias, consolidando país como recordista mundial

Enquanto em 2015 foram aprovados 139 agrotóxicos no país, em 2018, esse número mais que triplicou, saltando para 450 - Créditos: Pixabay

Enquanto em 2015 foram aprovados 139 agrotóxicos no país, em 2018, esse número mais que triplicou, saltando para 450 / Pixabay

Por Bruna Caetano para o jornal “Brasil de Fato”

O Brasil é o líder mundial no consumo de agrotóxicos, com 7,3 litros por ano para cada um dos habitantes do país. E o número de veneno no prato dos brasileiros têm aumentado consideravelmente nos últimos três anos. Enquanto em 2015 foram aprovados 139 agrotóxicos no país, em 2018, esse número mais que triplicou, saltando para 450. Já em 2019, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), sob o comando de Tereza Cristina, aprovou o uso de 121 produtos elaborados com agrotóxicos nos dois primeiros meses de governo.

Dos 2.184 produtos consolidados no país, 715 são classificados como extremamente tóxicos e 309 como altamente tóxicos. São esses os produtos que mais podem causar consequências graves à saúde de trabalhadores rurais e também adoecer a população consumidora de alimentos contaminados. O contato com os agroquímicos – inclusive os de menor nível de toxicidade – pode causar desde intoxicação aguda, com fraqueza, vômitos, tontura e convulsões, até intoxicação crônica: alterações cromossomiais, alergias, doença de Parkinson, má formação fetal e câncer, tudo em curto, médio ou longo prazo.

Para Nilto Tatto, deputado federal pelo PT, a articulação entre a bancada ruralista e a cúpula que organizou o golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff foi fundamental para atender medidas em benefício do agronegócio no país, incluindo a liberação de agrotóxicos. A partir da eleição de Jair Bolsonaro, essa relação se estreitou através da ministra da agricultura, Tereza Cristina, conhecida como “musa do veneno”.

Alan Tygel, da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, responsabiliza também o alinhamento ideológico entre a Anvisa, o Ibama, Ministério da Agricultura e o Ministério do Meio Ambiente com o agronegócio pela facilitação da aprovação de agrotóxicos a partir de mudanças internas a partir do impeachment. “A partir do golpe, você perde o contrapeso de setores progressistas, da agricultura familiar e da agroecologia, e essa agenda ruralista passa a ter uma facilidade maior de avanço na agilização do registro de agrotóxicos e na tentativa de flexibilização da lei.”

Entre 2013 e 2015, o Programa de Análise de Resíduos de Alimentos (Para) da Anvisa, analisou 12.051 amostras de 25 alimentos de origem vegetal e constatou que mais da metade (58%) continha resíduos de agrotóxicos, em quantidade menor, igual ou maior que o limite estabelecido. Destes, 16,6% possuíam venenos não autorizados para a cultura analisada.

De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foram registrados 4 mil casos de intoxicação por agrotóxicos no país em 2017, quase o dobro de registros em relação à uma década atrás. Em 2018, 154 pessoas morreram por conta do contato com o veneno. De acordo com Tygel, os casos de intoxicação registrados correspondem a uma parcela pequena do número real, já que muitos não são levados ao sistema de saúde. Além do mais, muitas vezes são desenvolvidas doenças crônicas que raramente são associadas ao agrotóxico pelo intoxicado.

Ele explica que a legislação atual proíbe o registro das substâncias que possuem uma equivalente com a toxicidade menor, mas as empresas acabam burlando isso incluindo ou excluindo culturas, de modo que pareça que a substância é necessária. Com os produtos aprovados esse ano das classes um e dois (extremamente tóxicos e altamente tóxicos), a expectativa é que o número de intoxicações aumente.

E vem mais por aí

Ainda em 2018, foi aprovada pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados, às escuras, a PL 6299/2002, conhecida popularmente como Pacote do Veneno, que pretende trazer mudanças na regulamentação de agrotóxicos no país. A PL transfere o poder de registro de agrotóxicos da Anvisa e do Ibama exclusivamente para o Mapa, e muda o nome para “fitossanitários”, mas ainda aguarda a votação no Plenário.

O avanço do uso de agrotóxicos no Brasil segue um movimento contrário ao do mundo, que vem reavaliando e proibindo muitas substâncias. No país, a quantidade permitida de agrotóxico na água é 5 mil vezes maior que a europeia, e 30% dos agrotóxicos usados aqui tem o uso proibido por lá. Um exemplo disso é o paraquate, oitavo agrotóxico mais vendido no Brasil e proibido no território europeu desde 2007. De acordo com o Centro de Controle de Intoxicações em Marselha, na França, o químico está associado à envenenamentos graves e fatais.

Segundo estudo do instituto francês, ele tem ligação com tentativas de suicídio por ingestão proposital, mas o agrotóxico pode também ter levado ao quadro suicida, já que a exposição à ele pode causar depressão no sistema nervoso central.

De acordo com o deputado Tatto, os parlamentares de esquerda e do campo progressista têm se articulado junto aos movimentos sociais de luta pela reforma agrária, entidades ambientais e de saúde para barrar a flexibilização do uso de agrotóxicos no país. Um dos símbolos disso é a construção do Projeto de Lei (PL) de uma Política Nacional de Redução de Agrotóxicos, aprovada em uma comissão especial, o que a deixou no mesmo patamar do Pacote do Veneno, aguardando aprovação pelo Plenário.

“Ao mesmo tempo em que a bancada ruralista se articula e têm um projeto de lei para flexibilizar a legislação, temos um projeto de iniciativa popular no mesmo estágio na Câmara Federal que vai em uma outra perspectiva. Ele repensa o modelo de agricultura para trabalhar a diminuição dos agrotóxicos, e começar a pensar outras políticas como a de incentivo à perspectiva da agroecologia e desenvolvimento de tecnologia para facilitar a vida dos camponeses e ter alternativas ao veneno”.

Apesar da liberação de substâncias de agrotóxicos protagonizada pelo governo Bolsonaro, existe uma deterioração da relação com o agronegócio enquanto se favorece o setor agroquímico. Recentemente, por exemplo, em uma viagem aos Estados Unidos, o presidente fez um acordo de importação do trigo norte-americano, desestimulando a produção nacional e concorrendo com o produto brasileiro. “Eles estão brigando entre eles por interesses específicos do agronegócio, mas por outro lado paralisa completamente e anuncia o fim das políticas de apoio à agricultura familiar”, finaliza Tatto.


Esta reportagem foi inicialmente publicada pelo jornal “Brasil de Fato” [Aqui!]

O Brasil e seu grande salto para trás

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Presidente Jair Bolsonaro é o engenheiro do “Grande Salto para Trás” do Brasil.

Após a conquista do poder em 1949, a participação na Guerra da Coreia e o sucesso do 1º Plano Quinquenal (1953-1957), o líder chinês Mao Tsé-tung lançou o Grande Salto para Frente (1958-1962), um programa de profundas reformas cujo objetivo era acelerar o crescimento da economia chinesa.  O grande salto para frente de Mao Tsé-Tung acabou tendo efeitos inesperados e acabou colhendo um fracasso que quase terminou o experimento do socialismo na China.

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Cartaz de propaganda oficial da política do “Grande Salto para Frente” implementada pelo Partido Comunista da China sob a liderança de Mao Tsé-tung.

Pois bem, quase 6 décadas depois do programa de reformas de Mao Tsé-tung, temos no Brasil um governo cujo lema parece ser a realização do “Grande Salto para Trás“, justamente numa época em que a China é uma das economias mais fortes do planeta, justamente porque se livrou das consequências mais negativas de seu próprio salto.

Esse grande salto para trás está se manifestando em todos as frentes em que o governo Bolsonaro mais investe, a começar pelas relações políticas e comerciais com os EUA, onde em troca de nada palpável, o Brasil está alienando grandes parceiros comerciais e colocando um risco aquele setor da economia que ainda mantém a balança comercial em tintas azuis que é o latifúndio agro-exportador (auto rebatizado de “agronegócio”).

Mas as ameaças não param na agricultura, pois o processo de desindustrialização iniciado pelo governo de Fernando Henrique Cardoso está sendo aprofundado, com o fechamento de fábricas importantes como a de caminhões da Ford em São Bernardo do Campo (SP) e da ROCHE no Rio de Janeiro , e a venda da EMBRAER para multinacional BOEING, justamente em um momento em que a empresa sediada em Chicago se encontra particularmente fragilizada por causa de vários acidentes inexplicáveis com suas aeronaves.

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Operários protestam contra fechamento da fábrica de caminhões da multinacional Ford em São Bernardo do Campo (SP).

O “Grande Salto para Trás” também está  sendo dado na área da ciência e tecnologia, pois o encurtamento do orçamento federal para a área está comprometendo pesquisas essenciais para o Brasil, e nos afastando daquela comunidade de países que podem gerar ganhos bilionários com novos produtos e técnicas. A maioria das universidades e institutos de pesquisas federais se encontram hoje, na melhor das hipóteses, em estado comatoso e muitos grupos de pesquisa estão sendo inviabilizados, o que vem incentivando a que ocorra um processo de migração de jovens pesquisadores para outros países que estão executando o caminho oposto do Brasil, a começar pela China e pela União Europeia.

Mas nenhuma outra área está dando um salto para trás tão eloquente quanto a do meio ambiente. Além do avanço do processo de desmatamento na Amazônia e no Cerrado, o Brasil hoje experimenta uma regressão completa na proteção de áreas ecológicas de extremo valor sob as mãos de todo tipo de agente, o que já está causando o retorno de graves processos de contaminação ambiental, a começar pelo garimpo de ouro ilegal que está liberando toneladas de mercúrio nos rios da Amazônia. Para garantir isso, o governo Bolsonaro, sob a batuta do ainda ministro Ricardo Salles, vem tentando desmanchar o sistema nacional de proteção ambiental, utilizando métodos que seriam inaceitáveis em qualquer país que clame ser democrático. 

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Após vários anos sob controle, o desmatamento na Amazônia voltou a crescer em 2018 e está ainda mais acelerado em 2019.

O grande salto para trás já é visível nos milhões de desempregados e domicílios desprovidos de uma pessoa sequer que esteja gerando renda. Esse processo de volta acelerada para o passado também está presente no aumento do número de ativistas sociais que estão sendo assassinados, bem como no aumento exponencial das taxas de feminicídio que estão espalhando terror e medo por todo o território nacional.

Diante desse quadro regressivo é preciso entender que para garantir o grande salto para trás, a imposição da repressão e da violência se tornará cada vez mais necessária, pois já existem demonstrações claras de que a maioria do nosso povo não quer retornar para o passado.  Assim, restará o caminho do enfrentamento a esse esforço concentrado de desmanche do Brasil enquanto um nação viável para a maioria do seu povo. Mesmo sabendo que isto aumentará o nível de repressão e violência não há outro caminho a não ser impedir que o “Grande Salto para Trás” seja executado sem a devida oposição de todos os que querem que o Brasil caminhe para frente, especialmente no tocante ao estabelecimento de um sistema social onde a riqueza gerada coletivamente deixe de ser apropriada por uma minoria que sequer mora aqui.

 

Governo Bolsonaro: uma incompetência programada e escolhida a dedo?

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O presidente Jair Bolsonaro, de arma na mão, parece ter escolhido a dedo ministros claramente incompetentes para cargos chaves de seu mnistério. 

Vou sofrido ver o sofrível desempenho de três ministros do governo Bolsonaro em diferentes sabatinas que ocorreram ontem no Congresso Nacional. Apanharam e demonstraram o seu imenso despreparo os ministros Paulo Guedes (Fazenda), Sérgio Moro (Justiça), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Ricardo Vélez Rodriguez (Educação). 

A incapacidade demonstrada para responder questões pertinentes às pastas que deveriam comandar só foi menor que a arrogância e a prepotência demonstrada quando se revelava a incompetência grosseira que possuem e a evidente incorreção de ocuparem cargos tão chaves para o destino da maioria pobre dos brasileiros.

Quis o destino que no caso de Paulo Guedes, Ernesto Araújo e Ricardo Vélez Rodriguez, a surra viesse pelas mãos de parlamentares do sexo feminino, o que deixava ainda mais cristalina a clamora desproporção de gênero existente no ministério montado pelo presidente Jair Bolsonaro, pois dentre os 22 ministros, apenas 2 são mulheres.

As situações mais vexaminosas em termos da demonstração da total diferença de capacidade intelectual se abateram sobre Ernesto Araújo e Ricardo Vélez Rodriguez que levaram lições básicas sobre os conteúdos de suas pastas de parlamentares bem mais jovens do que eles, começando por Tábata Amaral (PDT/SP) que revelou com acuidade a total incapacidade de Vélez  Rodriguez e por Sâmia Bomfim (PSOL/SP) que fez o mesmo com Ernesto Araújo (ver vídeos abaixo).

Deputada Tabata Amaral (PDT/SP) passa um sabão em Ricardo Vélez Rodriguez.

 Sâmia Bonfim (PSOL/Sp) indaga Ernesto Araújo, que gagueja e é defendido por Eduardo Bolsonaro

Mas eu fico imaginando se tanta incapacidade para responder e tanta incompetência em gerir pastas estratégicas não faz parte de algum tipo de complô para chamar a cavalaria (no sentido literal da expressão) para salvar um governo que, segundo a agência Bloomberg, ameaça se dissolver com menos de 3 meses de existência

Seja o que for, estamos aparentemente imersos em um governo que possui um compromisso explícito com uma espécie de “incompetência programada” e escolhida a dedo. Resta saber até quando o Brasil vai tolerar essa situação sem que o nosso vulcão social comece a soltar lava.

Atmosfera política repressiva aprofunda fuga de cérebros do Brasil

Atmosfera em universidades brasileiras preocupa organização internacional que protege acadêmicos ameaçados

Em entrevista à Pública, pesquisadora do Scholars at Risk diz que tem sido procurada por professores que querem deixar o país temendo pela própria vida

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Por Natalia Viana para a agência Publica

Desde as eleições, as universidades brasileiras têm se tornado um campo de batalha onde crescem as denúncias de assédio, achaques e ameaças contra professores que são identificados como “de esquerda”. No final de outubro, pouco antes de 17 campi universitários serem invadidos pela polícia por manterem cartazes com mensagens antifascistas, professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) receberam uma carta anônima listando o nome de 15 docentes e estudantes de ciências humanas ameaçados de serem “banidos” da instituição depois da posse de Jair Bolsonaro. A carta detalha que todas as pessoas nomeadas desenvolvem pesquisas e trabalham com o público LGBT, ou seriam “lésbicas, gays, prostitutas e partidários de esquerda”.

A violência em ambiente universitário já tem alertado a comunidade internacional. Há oito meses, a organização Scholars at Risk, ou Acadêmicos em Risco, em português, tem sido procurada por professores brasileiros que se sentem inseguros no país. Sediada nos Estados Unidos, a organização é uma rede de instituições de ensino superior que promove a liberdade acadêmica, ajudando pesquisadores e professores ameaçados de morte a sair de seus países por um tempo. A rede é formada por 520 universidades, como a Universidade de Washington, nos EUA, a Universidade do Chile e a City University, em Londres, no Reino Unido.

Até o ano passado, apenas um brasileiro tinha contatado a organização. Agora, já são 18.

“Devido à mudança significativa para a direita na atmosfera sociopolítica no Brasil que levou à eleição de Bolsonaro, os candidatos do Brasil relatam instabilidade, medo de serem detidos ou presos, assédio e medo de serem mortos ou desaparecerem”, resume Madochée Bozier, assistente do programa de proteção a professores universitários, em entrevista à Pública.

“À luz da mudança na narrativa política e cultural no país, muitos acadêmicos decidiram deixar o Brasil para continuar o seu trabalho fora do país por medo”, completa.

Scholar At Risk

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Madochée Bozier é assistente do programa de proteção a professores universitários
Leia os principais trechos da entrevista:

Qual é o procedimento para pedir apoio do Scholars at Risk e que tipo de apoio é dado?

Somos uma rede internacional de instituições de ensino superior dedicada a promover a liberdade acadêmica e ajudar acadêmicos, professores e pesquisadores universitários ameaçados. A proteção é uma das três áreas programáticas e nós oferecemos uma gama de serviços aos que estão em risco, incluindo assistência para deslocá-los para outra posição em uma universidade que faz parte da nossa rede de assistência para que continuem seu trabalho acadêmico no local onde estão ou em outro local. No entanto, nossa especialidade é garantir trabalhos temporários, de curto período, seja para dar aulas ou fazer pesquisas, para profissionais com pós-graduação e experiência em lecionar e publicar em jornais científicos.

O Brasil era um país de onde chegavam bastantes pedidos de ajuda até o ano passado? Ou houve um aumento em 2018?

Nossos países de onde chegam mais pedidos são Turquia, Síria, Iraque, Irã e Iêmen. Até o ano passado, havíamos recebido apenas um candidato a assistência de um acadêmico brasileiro. Desde julho de 2018, tem havido um crescente e constante aumento em candidaturas de professores e universitários brasileiros, tanto dentro como fora do país. Hoje já são 18. Neste momento, não estamos prestando assistência a nenhum acadêmico do Brasil.

Qual o motivo desses pedidos de ajuda?

Devido à mudança significativa para a direita na atmosfera sociopolítica no Brasil que levou à eleição de Bolsonaro, os candidatos do Brasil relatam instabilidade, medo de serem detidos ou presos, assédio e medo de serem mortos ou desaparecerem. Como muitas minorias, incluindo pessoas LGBTQ+, negros, feministas, indígenas etc., têm sido alvejadas por políticas do novo governo e por eleitores de direita, muitos desses acadêmicos que fazem parte desses grupos ou estudam esses grupos notam que, embora não tenham recebido ameaças diretas, eles se sentem ameaçados em continuar seu trabalho acadêmico, agora visto como a antítese da ideologia de direita de Bolsonaro.

Qual é a sua análise de movimentos como o Escola sem Partido, que incentiva estudantes a filmar professores que consideram estar “doutrinando” os alunos com “ideologias esquerdistas”?

Os candidatos que nos contatam relatam que esses movimentos, apoiados e endossados pelo governo atual, encorajam uma atmosfera de repressão que aumenta os riscos à livre expressão de indivíduos brasileiros e da sociedade brasileira como um todo. Esses acadêmicos acreditam que as novas medidas de Bolsonaro visam alterar a sociedade brasileira e ampliar as tensões preexistentes e históricas sobre identidades culturais para criar mais divisões entre as classes sociopolíticas e raciais no Brasil. Aqueles que nos buscam para pedir ajuda relatam que essas medidas têm levado a ataques diretos ao ensino superior e ao enfraquecimento da universidade como instituição autônoma. À luz da mudança na narrativa política e cultural no país, muitos acadêmicos decidiram deixar o Brasil para continuar o seu trabalho fora do país por medo.


Esta entrevista foi originalmente publicada pela agência de jornalismo investigativo Publica [Aqui!]

Mudanças climáticas: estudantes fazem greve em mais de 100 países para forçar governos a agir

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Estudantes realizam protesto em frente do Parlamento do Reino Unido para demandar respostas aos efeitos das mudanças climáticas. Fonte: The Guardian

Jovens em mais de 125 do mundo realizaram hoje demonstrações para pressionar governos a adotarem ações mais decisivas para conter a degradação ambiental da Terra e principalmente para responder aos crescentes desafios criados pelas mudanças climáticas que hoje causam grandes transformações no funcionamento dos principais sistemas planetários (ver abaixo vídeo produzido pelo jornal The Guardian mostrando as manifestações ocorridas em diversos países)

Lamentavelmente não tenho notícia de que atos semelhantes tenham ocorrido no Brasil, pois o nosso país tem experimentado efeitos diretos das mudanças climáticas, incluindo chuvas extremamente intensas com a presença de nuvens Funil, típicas de situações pré-tornados (ver vídeo  com imagens da cidade de Araucária que fica localizada na região metropolitana de Curitiba).

Uma das razões para que os estudantes brasileiros estivessem ausentes das mobilizações que ocorreram em diversas partes do mundo é a ação orquestrada pelo governo Bolsonaro e outros tantos governos estaduais (o de São Paulo governado por João Dória, por exemplo) estão promovendo um verdadeiro desmanche das estruturas governamentais de proteção ambiental. 

Além disso, o verdadeiro estado de pânico que vem grassando em amplas camadas da população em função de repetidos episódios de alta violência, onde os jovens têm sido alvos preferenciais, também contribuiu para que as mobilizações não ocorressem no Brasil.

Entretanto, como já foi demonstrado em outros países, é muito provável que a pauta da luta contra os efeitos das mudanças climáticas acaba tendo que se carregada pelos jovens, visto que eles serão os adultos que terão que conviver com as condições drásticas que serão criadas na Terra caso não haja uma ação decisiva para processar os ajustes impostos pela realidade climática que está se estabelecendo.

Aliás, como em tantos outros países, não vai ser surpreendente se forem as questões ambientais que venham a estar no centro das disputas políticas e que os jovens sejam as principais lideranças nos enfrentamentos que deverão ocorrer.

Isenção de visto a cidadãos dos EUA é um exemplo ímpar de subalternização

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O presidente Jair Bolsonaro prestou continência à bandeira estadunidense durante visita aos EUA. Agora ele irá isentar os cidadãos dos EUA de requer visto para entrar no Brasil.

]A mídia corporativa está anunciando que o presidente Jair Bolsonaro está se preparando para isentar os cidadãos dos EUA (e de outros três países) de requererem vistos para adentrarem o Brasil. Ainda que não esteja explicada a abrangência da isenção (vão poder trabalhar no Brasil sem necessidade de requerem o visto apropriado, por exemplo?), a verdade é que qualquer brasileiro que já viajou ou viveu nos EUA conhece bem o périplo que é obter um visto estadunidense.

Assim, ao isentar os cidadãos daquele país da necessidade de obterem vistos sem conseguir que haja a reciprocidade aos brasileiros, o governo Bolsonaro dá um exemplo ímpar de subalternização política e econômica aos EUA, justamente em um momento em que o governo Trump exerce grande pressão contra a comunidade brasileira que vive legal ou ilegalmente em território estadunidense.

Reciprocidade é algo fundamental nas relações internacionais, pois cada Estado-Nação, independente de seu tamanho e influência, é um entidade soberana. Ao ver os estadunidenses de requererem vistos sem que haja a devida reciprocidade, o governo Bolsonaro está colocando o Brasil numa posição desnecessariamente inferior aos EUA. É que ainda que se reconheça a disparidade de força econômica e militar, abdicar da soberania nacional em nome de sabe-se lá o quê é um ato que se insurge contra os interesses nacionais.

Interessante notar que o principal parceiro comercial do Brasil neste momento é a China, mas não há qualquer menção de que se vá estender esta isenção para os cidadãos chineses que queiram vir para o nosso país. Este tipo de tratamento desigual poderá ser ainda outra razão para que a China pare de comprar commodities brasileiras e opte por outros países que lhe confiram tratamento diferenciado, inclusive com a isenção de vistos que o Brasil está concedendo para os EUA.

Em outras palavras, o governo Bolsonaro não apenas subalterniza o Brasil frente aos EUA, como também arrisca a alienar seu principal parceiro comercial. Isto é o que se denomina em inglês de uma “loose-loose situation”, ou seja, uma situação em que só se pode perder. É que sem se subalterniza numa questão básica como a concessão de vistos sem reciprocidade de tratamento vai acabar entregando de bandeja outras tantas coisas mais, começando pela Base de Alcântara e a Embraer.

Antes que alguém se pergunte se eu possuo visto estadunidense válido, a resposta é positiva, Aliás, venho viajando para aquele país desde 1991 e ali morei por quase 7 anos. Neste tempo todo nunca tive qualquer problema para obter os vistos que solicitei. Entretanto, isso não me isentou de passar horas em filas e ser arguido de forma detalhada sobre a razão de estar solicitando vistos. Por isso, realmente não consigo entender por que os cidadãos estadunidenses serão privilegiados no Brasil sem que seja ao menos solicitada a reciprocidade de tratamento.

Coincidências que ligam Bolsonaro aos suspeitos do crime de Marielle agitam internet

Ronnie Lessa, acusado dos disparos, mora no mesmo condomínio do presidente da República. E uma filha sua terá namorado Carlos Bolsonaro. O suspeito de guiar a viatura de onde saíram os tiros foi fotografado abraçado ao chefe de estado.

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© REUTERS/Adriano Machado

Por João Almeida Moreira para o Diário de Notícias

No Brasil, o dia começou com uma imagem na televisão bem conhecida dos espetadores brasileiros: a fachada do condomínio onde mora Jair Bolsonaro, o Vivendas da Barra, que, durante o período de transição entre o governo anterior e o atual, esteve diariamente no ar por servir de quartel-general ao presidente eleito e ao seu círculo íntimo. Só que, desta vez ,não era o chefe de estado o motivo para as equipas de reportagem estarem ali, na Barra da Tijuca, zona sul do Rio de Janeiro, e sim Ronnie Lessa, o suspeito de disparar 13 vezes contra o carro onde seguiam Marielle Franco, o motorista Anderson Gomes, ambos mortos no atentado, e a assessora Fernanda Chaves, que sobreviveu.

Apesar da vizinhança, a investigação da polícia federal não faz qualquer tipo de conexão entre Bolsonaro e o atentado de 14 de março do ano passado – isso foi dito e sublinhado ao longo do dia pelo delegado Giniton Lages, que se ocupa do caso. No entanto, o próprio Lages, ao responder a uma pergunta de repórteres na conferência de imprensa após a detenção, admitiu que era verdadeira a informação de que um dos filhos de Bolsonaro – ao que tudo indica Carlos, o segundo mais velho, e também residente no Vivendas da Barra – havia namorado uma filha de Lessa. “Mas isso para nós não importou na motivação delitiva, isso vai ser enfrentado num momento oportuno, não é importante no momento”, disse Giniton, afastando o assunto dos holofotes.

Entretanto, já circulava na rede social Twitter uma foto de Bolsonaro abraçado ao outro suspeito, Élcio Queiroz, publicada no perfil de Facebook deste. Élcio é acusado pela polícia de estar a guiar o carro que encostou no de Marielle e de onde foram efetuados os disparos. A fotografia, tendo em conta a data da publicação no Facebook, é de 4 de Outubro, ou seja, três dias antes da primeira volta da eleição presidencial e sete meses após o crime. Na sua página, entretanto apagada, Élcio mostrava-se em sintonia com as ideias do candidato que haveria de vencer as eleições.

Em dezembro, a polícia havia atribuído responsabilidade no atentado à milícia “Escritório do Crime”, cujo líder é Adriano Nóbrega. Familiares de Nóbrega, entretanto, trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro, o mais velho dos filhos do presidente.

No Twitter o assunto mais comentado do dia foi a hashtag Quem Mandou Matar Marielle. E não muito longe estava O Assassino Mora ao Lado, numa provocação a Bolsonaro.

E se na imprensa, especialistas em segurança enfatizaram o facto de Ronnie, um ex-polícia, morar num condomínio de classe alta – “muito estranho, dado o rendimento deles”, disse o especialista da TV Globo em segurança Fernando Veloso – o candidato presidencial derrotado Fernando Haddad, do PT, aproveitou o tema para provocar Bolsonaro nas redes. “As pessoas perguntam-se como um ex-polícia pode morar num condomínio de luxo no Rio de Janeiro. Eu ainda me pergunto como um ex-deputado pode morar nesse mesmo condomínio”.

O presidente da República desdramatizou, entretanto, a fotografia com Élcio, quando confrontado com o assunto, mas não chegou a comentar o tema do namoro nem o da vizinhança: “Tenho milhares de fotos com polícias, quero é que se descubra quem mandou executá-la e quem me mandou matar a mim também”, acrescentou, referindo-se ao ataque à facada que sofreu em Juiz de Fora, durante a campanha eleitoral. O autor, Adélio Bispo, segundo a polícia, agiu sozinho e foi considerado doente mental após testes psiquiátricos. Mas apoiantes do presidente da República ainda querem saber quem pagou os seus advogados.

Em São Paulo


Este artigo foi originalmente publicado pelo jornal Diário de Notícias, publicado em Lisboa, [Aqui!]

Embargo sanitário contra o Brasil por causa do excesso de agrotóxicos é uma questão de tempo

agrotoxicos

A agência Publica vem publicando uma série de reportagens sobre os efeitos avassaladores que o amplo uso de agrotóxicos, muitos deles banidos em outras partes do mundo, está causando na cadeia agrícola brasileira.  No  dia 07 de julho, uma reportagem assinada por Pedro Grigori mostra o extermínio de algo em torno de 0,5 bilhão de abelhas apenas em quatro estados brasileiros (RS, SC, MS e SP) por causa do contato com agrotóxicos à base de neonicotinoides e de Fipronil, produto proibido na Europa há mais de uma década

abelhas mortas

Mas nem a mortandade de abelhas ou as crescentes evidências de que os brasileiros estão sendo paulatinamente envenenados por resíduos de agrotóxicos que estão contaminados até o lençol freático em áreas agrícolas com menor intensidade de uso destes venenos agrícolas estão servindo para conter  a sede por novos venenos por parte do latifúndio agro-exportador que tem hoje na soja a sua principal fonte de renda.

Isto fica evidente numa reportagem assinada pela jornalista Natália Cancian para a Folha de São Paulo onde são apresentados dados oficiais sobre a velocidade de aprovação para a comercialização de agrotóxicos altamente tóxicos para a saúde humana e o ambiente (ver infográfico abaixo).

info veneno

Fonte: Folha de São Paulo

Apenas para que se tenha uma ideia da amplitude do crescimento exponencial de venenos agrícolas disponíveis no mercado brasileiro, em 2012 publiquei um artigo científico na revista Crop Protection dando conta que estavam disponveis 1.079 produtos formulados registrados no Brasil, o que representaria um crescimento de 197% em apenas 7 anos.  E o pior é constatar que apenas nos primeiros dois meses de governo Bolsonaro foram aprovados 74 novos agrotóxicos, a maioria nas faixas consideradas mais perigosas para a saúde humana e o meio ambiente.

A verdade é que em vez de se buscar um maior aperfeiçoamento nos sistemas de manejo de culturas agrícolas que contemplasse a diminuição no uso de fertilizantes sintéticos e agrotóxicos, os latifundiários optaram pelo caminho aparentemente mais fácil de aumentar a quantidade do uso destes insumos altamente poluentes.

O problema é que esse modelo viciado em venenos cedo ou tarde (talvez mais cedo do que tarde) vai ter sua compra barrada em outras partes do mundo onde a tolerância à quantidade existente de resíduos de venenos agrícolas na produção agrícola é menor, a começar pela União Europeia, mas certamente isto não ficará restrito a este bloco comercial, como ficou bem claro na ameaça feita pela Federação Russa de barrar a compra de soja brasileira em função do alto nível de resíduos de herbicidas produzidos a partir do glifosato.

Mas enquanto o inevitável não chega, há que se discutir como impedir o avanço da Tsunami de venenos que está sendo desencadeada pelo governo Bolsonaro sob pena de termos uma catástrofe humana e ambiental no Brasil. Os sinais de alerta já estão claros, e será de bom senso não desprezá-los. Simple assim!