Os efeitos dos 2 anos da pandemia da COVID-19 na Uenf

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Por Carlos Eduardo de Rezende*

A Pandemia de COVID-19 trouxe muitos desafios para todos os países e isso não foi diferente para as instituições de ensino superior no Brasil e no mundo. Os países passaram por uma reorganização de procedimentos coletivos na área de saúde para enfrentar um vírus que se espalhou com grande velocidade. Neste mesmo período surgiu um forte movimento negacionista e contra o conhecimento científico em pleno Século XXI. No Brasil, não foi nada diferente, pois à frente do país tivemos vários políticos e médicos pregando o uso de um medicamento que a ciência não aprovava, mas, por fim, a vacinação foi a única saída e a mais correta para controlar a disseminação do vírus. Aliás, cabe ressaltar que esta prática sempre foi muito comum em nosso país, e, por várias gerações, eficaz no controle de outras doenças. Ainda no Brasil, presenciamos, com muita tristeza, a drástica redução nos investimentos na área de ciência e tecnologia.

Na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), o primeiro movimento institucional foi o anúncio do reitor informando que faria uma parceria com a prefeitura para implantar o Laboratório de Referência Regional no Hospital Geral de Guarus (HGG) para emitir diagnósticos do Coronavírus, prevendo inicialmente 56 testes por dia (abril de 2020 Aqui!). Em maio de 2020, nova nota da reitoria dava conta da inauguração do laboratório e o número de análises passava para 100 por dia (Aqui!).

No mês de junho, durante a visita de um parlamentar à UENF, o Reitor solicita recursos para o que chamou de “Povoamento da UENF através da Inclusão Digital”. Embora a matéria enalteça as atividades da reitoria, fica a pergunta, porque as cidades da região não usavam a estrutura do Laboratório de Referência Regional do HGG e outras demandas que foram apresentadas e continuam na mesma? (Aqui!). Continuamos aguardando muitas respostas e resultados por parte desta reitoria. Para nossa surpresa, em setembro a reitoria divulga uma nota sobre o Laboratório Regional de Diagnóstico da COVID-19 onde informa que em agosto as atividades foram interrompidas por falta de material, mas também informa que foram feitos atendimentos no Norte e Noroeste Fluminense.

A informação é um pouco confusa, porque segundo a nota acima, as prefeituras não estavam enviando as amostras para os exames e depois informa que foram feitos vários atendimentos (Aqui!). Eu diria que falta uma última matéria dando conta de quantos atendimentos foram feitos por cidade, quantos projetos científicos foram realizados, se houve captação de recursos financeiros e, finalmente, se o Laboratório Regional de Diagnóstico da COVID-19 continua em pleno funcionamento no Hospital Geral de Garus (HGG). Todas essas informações são importantes para a sociedade e a parte relativa aos resultados é imprescindível para quem faz pesquisa sobre o tema. Acredito que seria de grande valia para a comunidade universitária e a sociedade regional tomar conhecimento sobre o que foi realizado neste projeto de cooperação que foi anunciado inúmeras vezes pelo Reitor.

Na nossa região, precisamente em Macaé, cientistas do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NUPEM/UFRJ) durante o ano de 2020 realizaram mais de 15 mil testes. Este estudo acabou gerando um artigo no ano de 2021 na influente revista internacional Scientific Reports (Aqui!) do grupo de publicações científicas da Nature. Maiores detalhes sobre esta ação podem ser obtidos a partir desta página (Aqui!). Outro aspecto que chamou atenção foi a capacidade do grupo do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade se mobilizar junto à sociedade para viabilizar o projeto e estabelecer um mecanismo de transparência na prestação de contas dos quase 820 mil reais que foram captados através de diferentes doadores. Este procedimento, por sua vez, gera muita credibilidade pública principalmente em um momento em que as universidades têm sido duramente questionadas e atacadas de diferentes formas. Por este motivo faço questão de deixar aqui o reconhecimento público destas ações (Ver Aqui!) dentro da nossa região.

Escrevi esta introdução porque muito me preocupo com a Uenf e várias exposições públicas têm me incomodado durante este período de 2 anos com a Pandemia de COVID-19 e agora com o retorno presencial às atividades de ensino, pesquisa e extensão, e, administrativas. Primeiro o corpo docente não teve o espaço adequado, e necessário, para discutir sobre as aulas remotas quando foram implantadas e fomos surpreendidos por uma nota conjunta da Reitoria com o DCE (Aqui!). Outro ponto que preciso deixar claro é que passado todo este tempo, muitos dos direitos dos servidores permanecem não implementados (ex.: enquadramentos, progressões, insalubridade), o auxílio tecnológico foi transformado em auxílio retorno, colocando na responsabilidade do servidor a aquisição de material de proteção individual.

Os mais otimistas podem considerar que estamos no fim da pandemia, e, portanto, não seria um problema, mas o fato é que todo material de proteção é de responsabilidade da instituição. Ressalto ainda que, por mais que os indicadores, a redução nas internações e as mortes estejam caindo, a Pandemia ainda não terminou, segundo a Organização Mundial de Saúde. Assim, a instituição deveria ter sido preparada para um retorno seguro. E o que encontramos? A mesma situação de 2 anos atrás, agravada pela falta de cuidados e ajustes durante todo este período em que a instituição esteve sob regime de atividade remota.

O reitor e todos os seus assessores fazem parte de um projeto de continuidade da administração anterior, apenas mudaram suas cadeiras, conhecem, ou deveriam conhecer, os problemas que têm sido expostos sistematicamente pela comunidade universitária, principalmente pela ADUENF, inclusive em relação às salas de aula. Torno a dizer, estes problemas antecedem à Pandemia de COVID-19. Ao longo destes 2 últimos anos percebemos que o gramado da instituição estava cortado e foram instalados um sistema de iluminação com pequenos postes. Ainda neste período, foram comprados alguns equipamentos e realizados contratos de manutenção para vários equipamentos, este movimento é muito importante para nossas pesquisas, mas a instituição não funciona apenas com esses itens.

O mais precioso de uma instituição de ensino, pesquisa e extensão, são as instalações onde formamos os nossos estudantes, ou seja, as salas de aulas e estas precisam ser tratadas de forma adequada. Embora o Reitor tenha vindo a público dizer que a instituição estava totalmente preparada para o retorno, esta afirmativa carece de razoabilidade. As salas não possuem uma ventilação adequada, parte dos equipamentos está sucateada, as carteiras não possuem espaçamento de segurança devidamente marcado, o restaurante universitário ainda não funciona e várias disciplinas têm sido oferecidas em auditórios com um número excessivo de estudantes. A situação se arrastou por 2 anos sem qualquer melhoria das condições das salas aulas e se considerarmos que tivemos uma redução de custos (ex.: telefonia, água, energia, limpeza, no mínimo) com os servidores em casa, encontrar este cenário no retorno as atividades presenciais não é nada agradável e, diria mais, é uma falta de respeito com estudantes e todos os servidores técnicos e docentes.

Concluindo, sei que muitos dos colegas da Uenf não gostam que os problemas da instituição venham a público e que devemos tratar das nossas mazelas internamente, mas no momento isso me parece necessário tendo em vista o descaso e desrespeito perpetuados durante esses últimos anos.


*Carlos Eduardo de Rezende é professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais do Centro de Biociências e Biotecnologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense.

A Uenf promove o lema “Aqui é Ciência”, mas sem oferecer as condições financeiras para seus jovens cientistas sobreviverem com dignidade

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Por Carlos Eduardo de Rezende*

A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) tradicionalmente sempre foi inovadora em vários pontos acadêmicos e científicos. Quando iniciamos nossas atividades em 1993 tínhamos um salário diferenciado; os bolsistas de doutorado que aqui estiveram também recebiam um adicional de bolsa e, portanto, aquele momento foi altamente atrativo para doutorandos, recém-doutores e para professores seniores. Aliás, temos hoje na Uenf vários professores que chegaram aqui como doutorandos e poderiam atestar esta política, mas conhecendo alguns, sei que não irão de pronunciar e mais, vão justificar que era outro momento. Porém, sou a favor de valores que respeitem minimamente o profissional ao invés de aderir a política de precarização do trabalhador. Enfim, cada um deve respeitar sua trajetória com a verdade, e não fazer com terceiros o que não gostaria que fosse feito com ele próprio.

A bolsa de Pós-Doutorado, e todas as outras formas de fomento acadêmico, deveriam respeitar alguns princípios básicos quanto à dignidade e respeito ao profissional que possui graduação, mestrado e doutorado. Ninguém está fazendo favor para ninguém, espero que entendam isso, mas, a princípio, esta parece a lógica do status quo. Por mais de uma vez, expressei que um dos problemas que temos atualmente na pós-graduação da UENF, e no país, é tratar nossos mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos como alunos de graduação. Não podemos continuar com esta postura, pois não são mais alunos, mas profissionais em fase de aprimoramento dos seus conhecimentos, e responsáveis juntamente com seus/suas orientadores/as ou supervisores/as por uma parcela apreciável da geração de conhecimento no país (~ 95%). Inclusive, tenho estado junto com o presidente da Comissão de Educação da Alerj, Deputado Flavio Serafini (PSOL), discutimos para que o tempo de pós-graduação e pós-doutorado seja computado, assim como o tempo de escolas militares e agrícolas.

Na UENF, de uns tempos para cá,  esse problema foi aprofundado nas duas últimas gestões, ou seja, a atual e anterior, se optou por uma política institucional casuística e  com viés autoritário. A UENF diferente de muitas instituições brasileiras têm um grande número de bolsas a partir de um recurso descentralizado oriundo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), um importante recurso e diferencial na política institucional. Estes recursos proporcionaram a criação de bolsas, como de pós-doutorado e professor visitante nos moldes de instituições de fomento, assim como uma farta modalidade de bolsas para os programas da Pró-Reitoria de Extensão. Tudo isso seria excelente se tivéssemos realmente uma política científica competitiva para atrair profissionais, e não simplesmente instituir uma política de sub-valorização dos profissionais que visa aparentemente ampliar números e explorar a falta de oportunidades para pesquisadores brasileiros de terem empregos em regime de estabilidade.

Na Uenf, por vários semestres temos recebido editais para bolsa de pós-doutorado, mas é importante ressaltar que  os valores que estão sendo praticados são totalmente divergentes do valores das agências estaduais e do CNPq (Tabela 1). 

Tabela 1: Valores comparativos de diferentes modalidades de bolsas a partir do doutorado

UENF PD – R$ 3.300,00

FAPERJ e as várias modalidades de bolsas

PD (FAPERJ/CAPES) Recém Doutor – R$ 4.100,00 mais R$ 1.000,00 de taxa de bancada

PD Recém Doutor – R$ 4.100,00

PD Nota 10 – R$ 5.200,00 mais R$ 1.000,00 de taxa de bancada PD Sênior – R$ 4.700,00

CNPq e as várias modalidades de bolsas

Pós-Doutorado Sênior – R$ 4.700,00

Pós-Doutorado Júnior – R$ 4.100,00

Professor Visitante – R$ 5.200,00

Professo Visitante Especial – R$ 14.000,00

FAPESP e as modalidades de bolsas

 

PD – R$ 7.373,10

 

Jovem Pesquisador – R$ 8.377,50

FUNCAP e as várias modalidades de bolsas e com uma definição bem interessante.

Pesquisador Sênior (≥ 10 anos) – Tempo Parcial (R$ 7.000,00 a R$ 8.000,00)  e Tempo Integral (R$ 12.000,00 a R$ 14.000,00)

Pesquisador Pleno (≥ 5 anos) – Tempo Parcial (R$ 6.000,00 a R$ 7.000,00)  e Tempo Integral (R$ 8.000,00 a R$ 10.000,00) 

Pesquisador Junior (Recém Doutor) – Tempo Parcial (R$ 4.000,00 a R$ 5.000,00)  e Tempo Integral (R$ 6.000,00 a R$ 8.000,00)

Não precisa ser muito atento para ver que as bolsa  distribuídas a partir da política estabelecida pela Reitoria da Uenf e aplicada pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação está abaixo da linha de dignidade, sendo totalmente incompatível com a prática de várias agências que financiam pesquisa no nosso país.

A minha consideração sobre este tema é que perdemos, institucionalmente, a noção de uma política que possa manter o que esta universidade sempre pregou, desde que iniciamos nossas atividades há 28 anos.  Todas as fundações, sem exceção, possuem valores mais atrativos do que a bolsa ofertada pela UENF através desta verba descentralizada, e que poderia ser usada de forma mais responsável para retomarmos um Programa de Excelência para atração de Recém Doutores e também para Pesquisadores Visitantes (Brasileiros e Estrangeiros).

Finalmente, ainda que a UENF possua possibilidade financeira, hoje está nas mãos de uma liderança apequenada, voltada para o assistencialismo e que se distancia de uma política institucional para indução e fortalecimento da ciência. Portanto, o lema “Aqui é Ciência” está comprometido diante do momento que vivemos no país e na Uenf, e o preço  das opções do presente será pago mais adiante. A única forma de mudar esse estado de coisas será os colegiados e conselhos institucionais atuaem de forma mais incisiva.

Carlos Eduardo de Rezende é Professor Titular do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB), Pesquisador IB do CNPq e Cientista do Nosso Estado da FAPERJ. Ex Vice-Reitor e Pró-Reitor de Graduação da UENF, Ex Diretor do Centro de Biociências e Biotecnologia, Ex Chefe do LCA e membro do Grupo de Docentes Fundadores da Uenf.

A extinção da UEZO revela o perigo da inação frente ao projeto de destruição do ensino público superior do Rio de Janeiro

A extinção da UEZO foi o maior desserviço que um governo pôde promover para o estado e a região aonde ela já vinha atuando com cursos de graduação e pós-graduação, e onde havia estabelecido interações orgânicas com a comunidade”, escreve Carlos Eduardo de Rezende, professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), para o Jornal da Ciência

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Por Carlos Eduardo de Rezende

Em 2017 tive a honra de participar de um capítulo no livro “Hoje acordei pra Luta!” com o subtítulo “Intelectuais pela Universidade Pública”. Este livro, versão eletrônica, foi organizado por Phellipe Marcel, Iuri Pavan e Mauro Siqueira e publicado pela Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Esta publicação foi motivada pela crise que as universidades estaduais fluminenses atravessavam naquele momento, e carrega inúmeras reflexões sobre os mais variados temas, com a participação de docentes de diversas instituições do país. Apesar do tempo transcorrido, reafirmo que o assunto permanece urgente e se aprofunda em diferentes escalas. A situação reinante requer, portanto, que a comunidade acadêmica execute ações mais efetivas na defesa do ensino público e das nossas instituições. Em seguida, narrarei um exemplo que demonstra o perigo que todas as instituições públicas de ensino superior do Rio de Janeiro e do país estão expostas.

Recentemente, a comunidade acadêmica do estado do Rio de Janeiro presenciou a extinção da Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (UEZO) e a transferência de seus servidores para Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). A partir da minha posição como docente da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), entendo que não houve uma reação digna em defesa da UEZO por parte dos reitores das universidades estaduais e federais instaladas no estado do Rio de Janeiro, seus conselhos universitários, Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras e Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais. Tampouco houve uma defesa intransigente dos nossos deputados estaduais que salvaguardasse a continuidade desta instituição que foi criada como a única universidade tecnológica voltada para integração com o setor produtivo, e instalada em uma região de suma importância dentro do município do Rio de Janeiro.

A UEZO, a irmã mais nova das universidades estaduais do Rio de Janeiro acabou sendo incorporada pela UERJ, a irmã mais velha, em função de sucessivas administrações à frente governo do estado do Rio de Janeiro não atenderem as mais básicas reivindicações dos professores que vinham trabalhando com salários defasados, sem promoções há muitos anos, sem a implantação da dedicação exclusiva, sem apoio administrativo. Enfim, com as várias dificuldades na estrutura de funcionamento institucional, inclusive sem que a UEZO jamais tenha sido dotado de um campus próprio, o resultado de toda esta precarização submeteu a instituição a este fim.

O que a princípio poderia ser caracterizado como um ato digno, no meu entendimento representou um triste capítulo da história recente das instituições públicas de ensino no nosso país. Afinal, uma universidade se cria e jamais deveria ser extinta. É importante relembrar que recentemente um deputado estadual (Anderson Moraes – PSL) apresentou um projeto de lei com o objetivo de extinguir a UERJ, mas as reações foram fortes, porque não fazia, e continua não fazendo, o menor sentido destruir uma instituição que vem prestando inúmeros serviços ao estado e ao Brasil. Por razões semelhantes é que entendo que a extinção da UEZO foi o maior desserviço que um governo pôde promover para o estado e a região aonde ela já vinha atuando com cursos de graduação e pós-graduação, e onde havia estabelecido interações orgânicas com a comunidade.

Concluindo, o trágico destino da UEZO deveria servir como um exemplo pedagógico para a comunidade acadêmica do estado do Rio de Janeiro e todo o país. Os ataques deliberados que às universidades públicas têm sofrido não são de hoje, e o estado do Rio de Janeiro pode ser considerado o maior exemplo de descontinuidade de políticas públicas e precarização no sistema de financiamento do ensino público e também da ciência. Assim, considero que não seja possível continuarmos assistindo passivamente, ou com poucas reações ao aprofundamento desse projeto de destruição do ensino superior público. Caso contrário, o caso da UEZO será apenas o primeiro.

Referência:

Hoje Acordei pra Luta? Intelectuais pela Universidade Pública 2017. Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. https://eduerj.com/?product=hoje-acordei-pra-lutaintelectuais-pela-universidade-publica

* O artigo expressa exclusivamente a opinião de seus autores

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Este texto foi inicialmente publicado pelo “Jornal da Ciência” [Aqui!].

Artigo sobre incidente ambiental em Brumadinho está entre os mais baixados e acessados na Nature/Scientific Reports

Apesar da asfixia financeira, Uenf continua produzindo ciência de alta qualidade internacional

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Há muita asfixiada pela falta de recursos financeiros por parte do governo do estado do Rio de Janeiro, e que é agravada pelo sucateamento imposto pelo governo Bolsonaro  às agências federais de fomento (i.e.; Cnpq e Capes), a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) continua tendo pesquisas que ganham o reconhecimento internacional pela sua excelência.

O mais recente deste reconhecimento foi dado pela revista Nature/Scientific Reports a um artigo que teve a participação do professor Carlos Eduardo Rezende, professor titular do Laboratório de Ciências e líder do Grupo de  “Biogeoquímica de ambientes aquáticos”.  Este blog informou em primeira mão a publicação do artigo intitulado “Metal concentrations and biological effects from one of the largest mining disasters in the world (Brumadinho, Minas Gerais, Brazil)“, quando de sua publicação em abril de 2020.

Eis que agora os editores da Scientific Reports acabam de enviar uma correspondência ao Prof. Carlos Rezende, informando que o artigo está entre os 100 mais acessados e baixados na Nature/Scientific Reports, dentro de um total de 820 publicados na mesma área disciplinas (ver figura abaixo).

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Ainda que essa posição de destaque não seja nada surpreendente na exitosa trajetória do Prof. Carlos Rezende e do seu grupo de pesquisa, o fato é que esse tipo de reconhecimento da qualidade científica do trabalho produzido pela equipe liderada por ele é algo que evidencia as possibilidades existentes para a realização de pesquisa científica de altíssima qualidade, mesmo em uma universidade pública que não esteja localizada nos principais centros metropolitanos brasileiros.

Assim, essa vitória científica do Prof. Carlos Rezende e de sua equipe de pesquisa acaba dando ânimo aos que dentro da Uenf e em outras universidades públicas brasileira estão tentando produzir ciência de alta qualidade, mesmo com todas as dificuldades econômicas e sanitárias que o atual contexto histórico nos impõe.

Carlos Eduardo de Rezende é convidado para comitê assessor do CNPq

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Um dos principais expoentes da ciência brasileira na área dos estudos ambientais, o professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) acaba de ser convidado para compor o  estratégico Comitê de Assessoramento de Engenharia e Ciências Ambientais (CA-CA) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Um dos fundadores da Uenf e autor mais de 170 artigos em revistas científicas, entre elas a prestigiosa Scientific Reports que é publicada pelo mesmo grupo que publica a revista Nature.  Além disso, ao longo de sua carreira acadêmica, Carlos Eduardo de Rezende tem se revelado um ardoroso defensor da ciência nacional e do papel central das universidades públicas no desenvolvimento científico do Brasil.

Entre as contribuições mais impactantes dos trabalhos de natureza científica transversal que o professor Carlos Eduardo Rezende está o que foi publicado pela Science Advances onde foi revelada a existência de um até então desconhecido grande sistema de recifes no delta do Rio Amazonas, uma pesquisa que alterou os fundamentos do conhecimento sobre este tipo de ecossistema na literatura científica mundial.

Atuando na Uenf desde o processo de planejamento de criação por Darcy Ribeiro, Carlos Eduardo de Rezende continua acumulando uma série de conquistas acadêmicas que continuam colocando o Norte Fluminense no mapa da ciência mundial.   Como um apaixonado que é pela Uenf,  Carlos Eduardo de Rezende certamente continuará relacionando essas conquistas à sua contínua luta pela construção da universidade que foi idealizada por Darcy Ribeiro e Leonel Brizola.

Scientific Reports publica estudo que mostra alterações ambientais causadas no Rio Paraopeba pelo incidente da Vale em Brumadinho (MG)

A ruptura da barragem de rejeitos de mineração de Brumadinho no Brasil é considerada um dos maiores desastres de mineração do mundo, tendo em pelo menos 244 mortes e causado o desaparecimento de 26 pessoas, além das conseqüências ambientais (ver abaixo vídeo do momento da ruptura do reservatório da Vale na mina Córrego do Feijão).

Agora, um estudo produzido em colaboração por pesquisadores da Uenf, UFRJ e UFES, e que acaba de ser publicado pela Scientific Reports (que pertence ao mesmo grupo que publica a revista Nature),  avalia as concentrações de múltiplos elementos e os efeitos biológicos na água e nos sedimentos do rio Paraopeba após a ruptura da barragem de Brumadinho.  É importante notar que os rejeitos que escaparam da barragem da mineradora Vale eram formados por material particulado fino com grandes quantidades de Fe, Al, Mn, Ti, metais de terras raras e metais tóxicos.

mapa brumadinhoMapa dos locais de amostragem com a trajetória dos rejeitos de mineração ao longo do rio Paraopeba.  Fonte de dados: IBGE, 2019

A pesquisa determinou que os teores de Fe, Al, Mn, Zn, Cu, Pb, Cd e U foram superiores aos permitidos pela legislação brasileira na água do Rio Paraopeba.  Já nos sedimentos, os níveis de Cr, Ni, Cu e Cd foram superiores às diretrizes de qualidade de sedimentos estabelecidas (TEL-NOAA).

ER BrumadinhoFatores de enriquecimento (FEs) dos rejeitos e sedimentos dos locais de amostragem ao longo do rio Paraopeba. Os tons de marrom indicam o seguinte: 1 indica nenhum enriquecimento; ❤ é enriquecimento menor; 3-5 é um enriquecimento moderado; 5–10 é enriquecimento moderadamente grave; 10-25 é um enriquecimento severo; 25–50 é um enriquecimento muito grave; e> 50 é um enriquecimento extremamente grave

Os autores do estudo indicam que as diferenças nas concentrações de metais na água e nos sedimentos entre os lados a montante e a jusante da barragem ilustram o efeito dos rejeitos no rio Paraopeba.  Além disso, testes toxicológicos que foram realizados como parte da pesquisa demonstraram que a água e os sedimentos eram tóxicos para diferentes níveis tróficos, de algas a microcrustáceos e peixes. Além disso, os peixes expostos à água e sedimentos contendo minério também acumularam metais no tecido muscular.

Uma observação importante do estudo é que a avaliação dos resultados obtidos aponta para a necessidade de monitoramento de longo prazo na área afetada, de forma a avaliar os impactos de longo prazo que a Tsunami de Brumadinho provocou no Rio Paraopebas.

Quem desejar baixar este artigo, basta clicar [Aqui!]

Estudo recém-publicado mostra impactos severos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho sobre o Rio Paraopeba

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Um estudo realizado por pesquisadores ligados a diversas instituições de pesquisa no Brasil sobre os impactos causados pelo rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG) acaba de ser publicado pela revista “Science of the Total Environment“. 

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Segundo um dos lideres da pesquisa, o professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Carlos Eduardo de Rezende, a pesquisa que resultou a publicação deste artigo foi realizada para  avaliar os impactos ambientais da ruptura da barragem de Brumadinho a curto prazo.  Segundo Carlos Eduardo de Rezende,  análises biogeoquímicas, microbiológicas e ecotoxicológicas foram realizada em amostras coletadas ao longo de 464 km do Rio Paraopeba na semana seguinte ao desastre (1 de fevereiro de 2019), sendo o processo de amostragem repetido quatro meses depois (27–29 Maio de 2019).

Segundo Rezende, imediatamente após o desastre, a turbidez da água foi de 3000 NTU, 30 vezes maior que o padrão recomendado pela Resolução Brasileira de Qualidade da Água (CONAMA 357),tendo sido observado um aumento de até 60 vezes nas unidades formadoras de colônias microbianas tolerantes ao ferro até 115 km a jusante da falha da barragem em maio de 2019 (em comparação com fevereiro de 2019), sugerindo alterações nos perfis metabólicos microbianos.

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Para Carlos Eduardo de Rezende, os resultados do estudo sugerem que será necessário a implementação de programas de monitoramento independentes para quantificar a extensão dos possíveis impactos causados ​​pelo uso antropogênico do rio e promover a recuperação da área impactada.

Finalmente, o professor Rezende  afirmou que, apesar das dificuldades criadas pela falta de financiamento, a equipe de pesquidadores está comprometida com a realização de novas amostragens para avaliar o comportamento longitudinal das alterações biogeoquímicas e do perfil metagenômico do Rio Paraopeba.

Quem desejar baixar o publicado na “Science of the Total Environment“, basta clicar [Aqui!].

A Uenf pós eleições e seus analistas inacurados

Estou fora do Brasil desde a última quarta-feira (09/10) em função de um compromisso acadêmico na cidade de Shenzhen, segunda maior cidade  chinesa. Em função dos controles estritos existentes na China sobre a internet, acabei não tendo como atualizar o blog durante essa última semana.

20191013_083330.jpgCom o professor Carlos Eduardo de Rezende na abertura do “International Symposium on Green Development and Integrated Risk Governance” que ocorreu entre os dias 13 e 14 de outubro em Shenzhen, China.

Entretanto, pude ler alguns materiais produzidos sobre a situação política dentro da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) após as eleições realizadas para a sua reitoria e direções de centro. Não sei se por desconhecimento ou má fé (ou uma mistura das duas coisas), há quem esteja propalando uma suposta cristalização de posições em grupos formados pelos ganhadores e perdedores de uma das eleições menos concorridas e mais mornas que tivemos desde 1999, quando começaram os processos de escolha direta para os principais cargos dirigentes da instituição.

A verdade é que não existe cristalização alguma entre os ditos vencedores e os supostos perdedores das eleições recentemente encerradas.  Pessoalmente acho que as últimas eleições foram bastante úteis para clarificar os horizontes que existem dentro da Uenf em torno do destino da instituição.  E só por isso, acredito que há quem tenha “perdido”, mas que provavelmente agora se sente aliviado por não ter vencido.

Mas confesso que, dado especialmente o resultado de quem ocupa a reitoria entre 2020 e 2023, particularmente esperarei com curiosidade o que será feito para aumentar a produção científica dentro da Uenf, já que este é o elemento basilar para financiar programas de pós-graduação, a coluna vertebral sobre o qual se sustenta a produção e difusão de conhecimento nas áreas de graduação e extensão. Falo isso porque a opção política feita desprezou o critério da capacidade científica para quem deve ocupar o cargo máximo da instituição. Assim, cobranças de mais atuação daqueles que “carregam o piano da produção científica” soarão., no mínimo, estranhas. 

Mas qualquer coisa que se escreva sobre o rumo que a Uenf adotará a partir de 2020 será precoce, pois ainda temos pelo menos 2 meses e meio para chegarmos ao final de 2019.  Assim, o melhor mesmo será esperar o fim de uma gestão que se mostrou melancólica para ver como se dará a sua continuação.

Finalmente, há quem queira definir quem são as “boas cabeças” da Uenf como se tivessem uma espécie de varinha de condão nas mãos para escolher quem representa intelectualmente a instituição. Esse tipo de pretensão beira o risível, pois quem frequenta a Uenf diariamente sabe que alguns dos escolhidos como intelectualmente dignos não são vistos dessa forma por quem vive e constrói a instituição todos os dias. Esse tipo de aposta em cavalo paraguaio é uma clara demonstração de que há gente se ocupando do quintal alheio, enquanto sua própria casa arde em chamas. Melhor chamar os bombeiros!

 

Cientista da Uenf é co-autor de novo artigo sobre os corais da Amazônia

CarlãoProfessor titular do Laboratório de Ciências Ambientais da Uenf, Carlos Eduardo de Rezende é um dos co-autores de novo artigo sobre os recifes de corais da Amazônia

Os recifes de corais na foz do Rio Amazônia cuja existência modificou os paradigmas científicos acerca deste tipo de formação resultaram em mais uma importante publicação na prestigiosa revista “Scientific Reports”, que é produzida pelo grupo “Nature”, sob o título “Insights on the evolution of the living Great Amazon Reef System,equatorial West Atlantic“.

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Na equipe de cientistas que realizou as pesquisas que resultaram em uma importante contribuição ao processo evolutivo dos recifes de corais do “Grande sistema de corais de recife da Amazônia” (ou simplesmente GARS em sua nomenclatura inglesa) está o professor Carlos Eduardo de Rezende do Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).  Carlos Rezende foi um dos coordenadores dos estudos que resultaram na descoberta dos recifes de corais na foz do Rio Amazonas e continua ativamente envolvido nas pesquisas do GARS.

Segundo Rezende, o artigo  “amplia o conhecimento sobre aspectos evolutivos do GARS usando informações primárias e secundárias sobre datação por radiocarbono a partir de amostras de carbonato“.  Para o pesquisador da Uenf,  os resultados obtidos demonstram que o recife está vivo e em crescimento, com organismos vivos habitando o sistema em sua totalidade.  

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Um dos impactos práticos dessa pesquisa que continua transformando a ciência dos recifes de corais será a dificuldade de exploração das reservas de petróleo e gás que porventura existam em uma região que se mostra extensa e ocupada por um sistema altamente complexo e de marcante biodiversidade.

Finalmente, os resultados desta pesquisa reafirmam a importância da Uenf enquanto centro de formação de jovens pesquisadores, visto que, sob a orientação de Carlos Eduardo de Rezende, dezenas de estudantes de graduação e pós-graduação participaram do processo de investigação científica que resultou na descoberta do GARS.

 

 

 

 

As eleições para a reitoria da Uenf: a chance de eleger um líder institucional está posta

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Ainda que possa surpreender aos que esperam mais de ambientes acadêmicos, atual campanha eleitoral para a reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) parece saída da mesma cartilha que foi usada para elevar Jair Bolsonaro à condição de presidente do Brasil.

É que premidos pela avassaladora densidade acadêmica do professor Carlos Eduardo de Rezende, os oponentes da sua candidatura começaram a apresentar essa capacidade como se fosse uma espécie de fragilidade em face de uma suposta necessidade de saber “negociar” com políticos as questões mais prementes para manter a Uenf funcionando. De quebra apontaram nele também a suposta falta de experiência administrativa, imputando ainda a ele o “defeito” de ser essencialmente um pesquisador altamente capacitado, mas “apenas” isso.

MVC-069FCarlos Eduardo Rezende junto ao ex-governador Leonel Brizola e a deputada Cidinha Campos durante visita realizada ao campus da Uenf durante a greve pela autonomia em relação à Fenorte.

Essas duas supostas fragilidades são apenas isso, supostas. Não apenas o professor Rezende esteve no grupo que instalou a Uenf, mas como também já ocupou diversos cargos dentro da instituição, desde chefe de laboratório, passando por diretor do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB), pró-reitor de graduação e vice-reitor.  Coube a ele ainda estar à frente do processo de criação das licenciaturas e também do Ensino à Distância (EAD). Aliás, poucos sabem que estou na Uenf porque ainda no início do meu doutorado na Virginia Polytechnic Institute and State University recebi em 1992 uma visita do já professor Carlos Rezende que foi até o norte do estado da Virginia para me convencer a participar da construção da “Universidade do Terceiro Milênio” como a instituição era denominada por Darcy Ribeiro.

Mas no tocante ao desenvolvimento institucional da Uenf, Carlos Rezende também ocupou um papel fundamental no processo de separação da nossa então mantenedora e hoje extinta Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte) como membro da comissão paritária formada pelo governador Anthony Garotinho para levar a cabo a criação da universidade enquanto personalidade jurídica autônoma. Esse processo que levou quase um ano teve em Carlos Rezende um incansável elaborador de documentos e hábil negociador nas intermináveis reuniões que foram feitas com membros do governo Garotinho. Como eu sei disso? Era um dos outros dois membros na mesma comissão e pude ser testemunha ocular da forma aguerrida que Carlos Rezende defendia a Uenf.

O interessante é que ao longo do seu processo de formação como cientista e liderança institucional, o professor Carlos Eduardo Rezende também teve uma atuação destacada na criação da Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense  (Aduenf) onde foi o seu primeiro vice-presidente e onde ocupou por duas vezes a estratégica posição de Tesoureiro.  Na posição de membro da diretoria da Aduenf, Carlos Eduardo Rezende também participou de discussões estratégicas com diferentes gestões do governo estadual, mas também da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Sou testemunha ocular das muitas negociações ocorridas tanto com o governo estadual como na Alerj, em que a voz do professor Carlos Eduardo Rezende foi ouvida preferencialmente por causa do seu evidente e relevante papel como cientista e membro do grupo que fundou a Uenf.

Fossem estes tempos e uma campanha eleitoral normais, eu diria que nem precisaria oferecer esse testemunho acerca das qualidades e incontáveis realizações do professor Carlos Eduardo Rezende. Mas nem vivemos tempos normais ou, tampouco, essa campanha eleitoral tem sido normal. É que por cima de todos os “esquecimentos” acerca das contribuições que o professor Carlos Eduardo Rezende ofereceu na consolidação da Uenf, ele tem sido alvo de inúmeras calúnias e tentativas de assassinato de caráter. Em um grupo de Whatsapp que reúne servidores da Uenf,  Carlos  Rezende chegou a ser acusado de ter rotulado a categoria como “lixo”. Como conheço o professor Carlos Rezende há quase quatro décadas já o vi ir além do que muitos vão para apoiar os servidores técnicos da Uenf, especialmente naquelas horas dolorosas onde poucos se comovem a sair de suas casas para prestar a devida solidariedade.

Por essas e outras, é que não tenho dúvida alguma de que com todos as suas qualidades e eventuais defeitos, Carlos Eduardo de Rezende é a pessoa mais capacitada a dirigir a Uenf em um momento tão tumultuado da história do Rio de Janeiro e do Brasil.