Mistérios de Eike Batista e a venda barata da CCX

Antes celebrado como o novo Midas e um gênio empresarial, o ex-bilionário Eike Batista parece seguir o roteiro que todo indivíduo em dificuldades financeiras tende a fazer nos momentos de aflição: vende o que tem por preços abaixo do que gostaria. Aliás, eu gostaria de ter uma cópia daquele outrora celebrado livro (aliás, alguém lembra do título?) em que Eike apresentava seu paradigma de sucesso ao mundo para ver se vender ativos em momento de crise era algo aconselhado por ele.

De toda forma, eu fico pensando naqueles “Eiketes” que no início da crise do Grupo EB(X) diziam aos quatro ventos que não iriam vender suas ações. Será que mantiveram sua palavra ou foi só blefe de puxa-saco deslumbrado?

 

O “mistério” dos US$ 325 mi que a CCX deixou de ganhar na venda de ativos Especula-se que Eike Batista tenha aceitado um valor bem abaixo do previamente acordado para acelerar uma possível OPA de fechamento de capital

Com pressa para concluir operação, Eike Batista estaria interessado em fechar capital da CCX, diz operador (Wilson Dias/Abr)

SÃO PAULO – Em crise, o Grupo X anunciou na véspera um acordo para vender ativos da empresa CCX Carvão (CCX C3 ) na Colômbia para o grupo turco Yildirim por US$ 125 milhões. A operação foi desenhada desde outubro do ano passado, mas a informação de agora veio com um fato diferente de meses atrás: a transação sairá por US$ 325 milhões a menos do que o previsto anteriormente no memorando de entendimento anunciado pela empresa (US$ 450 milhões).

No pregão da última segunda-feira (3), os papéis reagiram a esta desagradável surpresa e caíram 23,21%, a R$ 0,86, com volume financeiro de R$ 25 milhões, cinco vezes maior que a média diária das últimas 21 sessões. Sem dar maiores explicações ao mercado, a empresa de carvão de Eike Batista não comunicou o motivo do valor da venda ter caído tanto. Contudo, o mercado trabalha com a possibilidade de que a venda “barata” dos ativos tenha um objetivo de acelerar um possível fechamento de capital da companhia.

Segundo um operador que pediu para não ser identificado, o fato da CCX ter aceitado um valor menor para a venda dos ativos fez com que o negócio fosse concluído mais
rapidamente. Isso porque o controlador Eike Batista teria pressa para fechar o capital da companhia. “Eike utilizaria o dinheiro da venda dos ativos para recomprar as ações da CCX e fechar seu capital”, disse o operador ao InfoMoney .

CCX despenca 23% após vender ativos por valor 72% abaixo do previsto

O mercado especula que a possível O PA (Oferta Pública de Ações) seria feita pela própria empresa (sem alteração no controle) e sairia por cerca de R$ 285 milhões, descontada uma dívida total de aproximadamente R$ 15 milhões, comentou. Ou seja, a oferta poderia ficar entre R$ 1,65 a R$ 1,67 por ação, contra R$ 0,86 registrados no fechamento da véspera, o que daria um prêmio de 94,19% considerando a faixa superior. Entretanto, de acordo com uma outra fonte do mercado, somente o detalhamento do acordo justificando o racional traria calma ao mercado e ao papel, que sofreu bastante na bolsa.

Considerando a alta do dólar em relação ao real e a estabilidade do preço do carvão no mercado, esse “deal” era para ter melhorado ao longo do tempo, mesmo com algum eventual desconto, e não ter caído a esse preço, explicou. O acordo, no entanto, ainda precisa ser aprovado pelos sócios das empresas e a CCX diz que vai convocar uma assembleia geral extraordinária para submeter o negócio aos acionistas.

Essa possibilidade de OPA pela própria empresa foi levantada depois de terem sido descartados rumores de que o grupo turco faria a oferta pela CCX, comentou o mesmo operador. Uma das hipóteses apontadas pelo mercado era de que a OPA seria feita pela Yildirim, o que caracterizaria uma mudança de controle e, consequentemente, o pagamento de tag along aos acionistas, que no caso da CCX é de 100% aos detentores das ações ordinárias. Ou seja, com a venda dos ativos a um valor menor, a expectativa é que a oferta ficasse também por um preço mais baixo e, consequentemente, poderia ser desfavorável aos acionistas, um dos fatores que motivaram a forte queda dos papéis da companhia na véspera.

Procurado pelo InfoMoney, o departamento de relações com investidores da CCX não foi localizado para prestar esclarecimentos.

A “explicação” da CCX

Em comunicado, a CCX disse apenas que o valor previamente anunciado no memorando de entendimento era sujeito a due diligence operacional, financeiro, tributário e ambiental e considerava parte significativa do pagamento baseado em milestones operacionais das minas (incluindo a obtenção de licenças ambientais faltantes para Papayal, San Juan, Porto e Ferrovia). Já o valor atual considera todos os pagamentos upfront no fechamento da transação, apenas sujeito a assinatura dos contratos definitivos e a transferência dos títulos mineiros à contraparte.

FONTE: http://www.infomoney.com.br/ccx/noticia/3176282/misterio-dos-325-que-ccx-deixou-ganhar-venda-ativos

E lá se vai mais um anel de Eike Batista: agora foi a vez do Hotel Glória

A via crucis de Eike Batista para se livrar de seus empreendimentos inconclusos alcançou mais um prego com a venda do Hotel Glória ao fundo suiço Acron por uma verdadeira bagatela, apenas R$ 200 milhões. Eu digo bagatela porque, com a valorização imobiliária (alguns como o economista Shiller chegam a dizer que é uma bolha), o Hotel Glória já deve valer mais do que isso faz tempo.

Com essa venda vai-se embora mais um anel das mãos de Eike Batista que corre agora o risco de ter que começar a entregar os dedos. É que segundo a Bloomberg, Eike é hoje um bilionário negativo (isto é, deve bilhões). Para complicar ainda mais, Eike já vendeu quase tudo. Periga virar cicerone das corporações estrangeiras para quem está vendendo suas empresas. Aliás, isto ele já até andou ensaiando no Porto do Açu na semana que passou.

Eike vende Hotel Glória, no Rio, por R$ 200 milhões

RAQUEL LANDIM, DE SÃO PAULO

O empresário Eike Batista vendeu o tradicional Hotel Glória, no Rio de Janeiro, para o fundo suíço Acron. O valor da transação é de cerca de R$ 200 milhões, conforme apurou a Folha. A compra foi fechada neste sábado (1°).

O Acron é um fundo suíço especializado em investimentos imobiliários, principalmente hotéis. Em 30 anos de existência, já adquiriu 46 propriedades.

A compra do Hotel Glória é o seu primeiro negócio no Brasil, embora já tenha uma subsidiária no país. Procurados pela Folha, o grupo EBX e o Acron não se pronunciaram.

Ainda não sabe quem vai administrar o hotel. Os suíços agora estão negociando com diversas bandeiras de redes hoteleiras.

Eike deve utilizar o dinheiro para pagar dívidas. O empresário, que já foi um dos homens mais ricos do mundo, enfrenta uma grave crise e está vendendo seu império aos pedaços.

  Ana Carolina Fernandes-31.jan.2013/Folhapress  
Obras de reforma do Hotel Glória, no Rio
Obras de reforma do Hotel Glória, no Rio

REFORMA

O Hotel Glória foi adquirido em 2008 pela REX, braço imobiliário do grupo EBX, por R$ 80 milhões. Eike comprou o empreendimento como mais um dos seus “mega projetos” de revitalização no Rio de Janeiro.

O empresário iniciou uma reforma gigantesca e mandou demolir toda a parte interna do edifício, preservando apenas a fachada. O Glória é um dos mais conhecidos hotéis do Rio e já hospedou presidentes e celebridades.

A reforma contou com um financiamento de R$ 190 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), dos quais foram liberados R$ 50 milhões. A meta inicial era terminar a reforma antes da Copa do Mundo, que acontece em julho deste ano.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/02/1406226-eike-vende-hotel-gloria-no-rio-a-fundo-suico-diz-jornal.shtml

Jornalista lança livro sobre a ascensão e queda do Império “X”

As cinzas do incêndio nem bem esfriaram e já teremos o primeiro livro no mercado trazendo uma análise do colapso do império “X”. O autor é o jornalista Sérgio Leo que é colunista do Jornal Valor Econômico. O anúncio foi dado na coluna de Ancelmo Góis do jornal O GLOBO. Para os que quiserem entender as entranhas desse rumoroso caso de desconstrução imperial, a obra deverá ser um prato cheio. Já para os adoradores de Eike Batista, a leitura da obra deverá ser como a segunda morte do Mídas de São João da Barra.

Crônica do Império X

Vai virar livro, pela Nova Fronteira, a trajetória das empresas X, de Eike Batista. “Ascensão e queda do Império X”, do coleguinha Sérgio Leo, mergulha nos bastidores dos acontecimentos que levaram à perda de uma fortuna estimada em US$ 34 bilhões. A versão digital entra em pré-venda amanhã.

FONTE: http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/

Com fortuna em queda livre, Eike Batista vende jato

Eike Batista vende jato por US$ 41 milhões; veja imagens

Em seus tempos áureos, Eike chegou a manter uma frota de seis aeronaves. Agora, só restou um helicóptero, segundo informações da revista VEJA

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Talita Abrantes, de 

Divulgação/Gulfstream 

Jato executivo Gulfstream 550

Jato executivo Gulfstream 550 de Eike tinha capacidade para comportar até 18 pessoas

São Paulo – De acordo com a coluna Radar, da revista VEJA, Eike Batista vendeu seu jato Gulfstream 550 a um milionário chinês por 41 milhões de dólares. 

No passado, o ex-homem mais rico do Brasil chegou a ter uma frota de seis jatos e helicópteros. Agora, só sobrou o helicóptero Agusta Grand, que, segundo informações publicadas na VEJA em setembro, também está à venda. 

De acordo com informações do fabricante, o jato executivo que acaba de ser vendido é equipado com motores turbofan Rolls-Royce BR710 e tem um alcance de 12.501 km. A cabine tem quatro ambientes e capacidade para até 18 passageiros. 

Nos últimos dois anos, Eike Batista, que já foi considerado o 7º homem mais rico do mundo, perdeu 60 bilhões de reais e, consequentemente, espaço no clube dos bilionários. 

Em outubro passado, a OGX, petroleira do grupo de empresas controlado por ele,  pediu recuperação judicial. No mesmo mês, ele deixou de controlar a mineradora MMX.

Antes disso, em agosto, ele também vendeu o controle da LLX, sua empresa de logística. Em novembro, foi a vez da OSX, companhia de construção naval, pedir recuperação judicial. 

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/jato-de-eike-batista-e-vendido-por-us-41-milhoes-diz-veja-3

 

Como Eike levantou R$ 12,3 bilhões na bolsa apenas com empresas promissoras

Ricardo Rochman, professor da FGV, mostra pistas de como o empresário teve senso de oportunidade e percebeu o momento certo de ir ao mercado

Marília Almeida – iG São Paulo 

Lembre-se do slogan Brasil, o País do futuro. Corte para a capa da revista inglesa The Economist com o Cristo Redentor decolando, e termine com um Produto Interno Bruto (PIB) de 5%, aliado a inflação zero em 2008.

É neste cenário, complementado por indícios do pré-sal, já anunciados pela Petrobras em 2006, que o País, estável e com o Plano Real completando uma década, aponta seu potencial de crescimento.Mas, para crescer, precisa melhorar sua infraestrutura.

Mas o governo tem atuação limitada, sem recursos suficientes para tocar grandes projetos. O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo, resume: o Brasil precisava então de empreendedores. Então, surge Eike Batista. Questão de timing.

Filho de Eliezer Batista, ex-presidente da Vale por duas vezes, Eike havia criado a empresa canadense TVX Gold, com a qual adquiriu experiência em mineração e também acesso ao mercado de capitais.

Criou valor na empresa até que a vendeu por uma fração do que chegou a valer a Kinross em 2001. “Um fracasso ou parte do currículo?”, questiona Rochman.

Reuters

Eike Batista: cenário contribuiu para otimismo com relação ao grupo X

Receita de sucesso

Além do momento propício para captar no mercado, colocar o próprio pai e outros profissionais renomados em suas empresas, com bons salários, e mostrar que tinha experiência com investimentos são parte da receita para ter uma captação bem-sucedida, analisa Rochman.

Junte-se a isso a aplicação de boas práticas de governança corporativa, como criar conselhos de administração de respeito e evitar danos aos acionistas, as chamadas poison pills. “A gestão pode ser ruim, mas a governança das empresas sempre foi boa. Uma coisa é o discurso, outra é a prática.”

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“As empresas não criaram nenhum entrave para investidores que quiseram comprar uma fatia das empresas. Mais de 80% das empresas que lançam ações na bolsa têm proteções contra fusões e aquisições indesejadas”, diz o professor.

Para finalizar, é necessário atrair bancos de boa reputação e experiência de mercado para coordenar o lançamento de ações das empresas e, se possível, a inclua no principal índice da bolsa de valores 12 meses depois.

Desta forma, será possível criar uma demanda natural, já que todos os fundos que se baseiam no índice deverá comprar as ações das empresas participantes. “Isso fez com que, mesmo quando as ações despencaram, havia gente comprando.”

Eike, em evento da OSX, uma de suas empresas. Foto: Reuters/Ricardo Moraes
 O caminho da bolsa

O grupo EBX acabou optando pelo lançamento de ações no mercado porque não restavam muitas opções para empresas como as do grupo, pré-operacionais.

Em geral, empresas buscam levantar capital para investir por meio do lucro retido (caixa gerado pela empresa), dívida tradicional (debêntures) ou conversível (que pode ser transformada em ações), e somente depois lançar ações preferenciais e ordinárias na bolsa.

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Mas, além de não darem lucro, as empresas ainda não passavam por crivos para buscar a dívida tradicional (eram novas, não eram rentáveis, não havia histórico de capacidade de pagamento, garantias ou histórico de condições para pagamento em crises), apesar de fazerem parte de um conglomerado, que poderia “bancar” eventuais falta de pagamentos.

Além disso, Eike Batista surfou na onda de empresas que lançaram suas ações na bolsa. Em 2006 e 2007, foram, respectivamente, 24 e 64 novas empresas com ações na bolsa, respectivamente. Foi quando Eike lançou ações da MMX e MPX, respectivamente. Em 2008, veio a OGX e, em 2010, a OSX. Com as quatro, conseguiu levantar R$ 12,3 bilhões

Época: Eike Batista entra na Justiça para apressar restituição de imposto da OGX

O ex-bilionário entra na Justiça para acelerar o recebimento dos valores excedentes pagos pela petrolífera – e é acusado pela Receita de “furar a fila”

HUDSON CORRÊA E ISABEL CLEMENTE
 

O empresário Eike Batista virou alvo de gracinhas quando, em meados do ano, começaram a pipocar os rumores de bancarrota do império X. De brasileiro mais rico do mundo, foi rebaixado pelo sarcástico humor nacional a pedinte, catador de lixo, vendedor de algodão-doce, entre outros tipos criados em fotomontagens na internet. Só não tinham imaginado Eike ansioso pela restituição do Imposto de Renda – e repreendido pela Receita Federal por tentar “furar a fila” dos contribuintes. Só que agora não é piada.

A cronologia do episódio espelha a decadência de Eike. Em julho de 2012, ele solicitou uma restituição à Receita Federal, relativa a impostos pagos pela petrolífera OGX. Eram dois pedidos, um sobre o exercício de 2009, no valor de R$ 12,2 milhões, o outro sobre o de 2010, de R$ 85,1 milhões. Na época, Eike ainda estava no auge e se irritava diante dos questionamentos legítimos sobre a viabilidade de tantos projetos grandiosos. Era um tempo em que ele não precisava de dinheiro – mas nem mesmo um bilionário deixa de brigar por um troco de R$ 97,3 milhões, valor total do pedido de restituição. Os milhões passaram a fazer diferença neste ano, quando Eike e seu Titanic de projetos bateram no sólido iceberg da realidade. Em 16 de setembro, Eike entrou na Justiça Federal do Rio de Janeiro contra a Receita, reclamando da demora na restituição. ÉPOCA obteve acesso à íntegra do processo, de 240 páginas.

>> Eike Batista: Era uma vez um todo-poderoso…

DECADÊNCIA O empresário Eike Batista (acima) e o documento em que a Receita Federal diz que ele tenta “furar a fila”. Eike entrou na Justiça pedindo R$ 97,3 milhões  de restituição do Imposto  de Renda – e, depois da decadência de seu império, passou a in (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
decadência O empresário Eike Batista (acima) e o documento em que a Receita Federal diz que ele tenta “furar a fila”. Eike entrou na Justiça pedindo R$ 97,3 milhões  de restituição do Imposto  de Renda – e, depois da decadência de seu império, passou a in (Foto: Reprodução)
DECADÊNCIA
​ O empresário Eike Batista (acima) e o documento em que a Receita Federal diz que ele tenta “furar a fila”. Eike entrou na Justiça pedindo R$ 97,3 milhões de restituição do Imposto de Renda – e, depois da decadência de seu império, passou a insistir no pedido (Foto:Danilo Verpa/Folhapress)

Os auditores fiscais ficaram melindrados com a impetuosidade da OGX. Desde que as solicitações de ressarcimento de imposto passaram a ser feitas pela internet, o trabalho deles só aumentou. A Receita Federal deu, então, uma dura resposta à reclamação. Num documento enviado à Justiça, a Delegacia Especial dos Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro afirmou que, “em nome dos princípios constitucionais de impessoalidade e isonomia”, não é razoável “que empresas consigam furar a fila, através de ajuizamento de demandas”. A tréplica não tardou. Para apressar o processo, os advogados apelaram para a situação financeira de Eike. Enviaram à Justiça recortes de jornais que reportavam a crise na OGX. De acordo com os advogados, ele vive uma situação “financeira extremamente delicada”, falta de caixa e perda de patrimônio.

“Situação delicada” é quase um eufemismo quando se trata do naufrágio empresarial mais portentoso dos últimos tempos. Com uma dívida quase impagável de R$ 11 bilhões, a OGX deu entrada num processo de recuperação judicial. A Justiça Estadual do Rio de Janeiro aceitou o pedido, mas deixou de fora duas subsidiárias com sedes na Áustria e na Holanda. “O direito pátrio não pode ser aplicado, muito menos sua proteção jurídica pode ser concedida a uma  empresa austríaca ou holandesa, sob pena de violação da legislação pátria daqueles países”, afirmou a 4ª Vara Empresarial. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro já pisara em mais esse calo de Eike. Para o MP, seu objetivo ao abrir empresas na Europa era não submetê-las à legislação brasileira. “Agora, no momento de dificuldade, não nos parece legítimo as requerentes pretenderem a guarida do Poder Judiciário Brasileiro e das leis brasileiras”, afirma o MP. Na última segunda-feira, a Justiça também aceitou o pedido de recuperação judicial do estaleiro OSX. Assim, Eike ganha 180 dias de prazo para negociar suas dívidas em novas bases, sem que a Justiça execute os bens da companhia.

As autoridades começam também a investigar se a empolgação de Eike resvalou no crime financeiro. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão fiscalizador do mercado de capitais, abriu processos investigativos contra as empresas do grupo. A CVM não comenta os casos antes do julgamento. Mas os pequenos acionistas que perderam dinheiro nas empresas de Eike fundaram a União dos Acionistas Minoritários do Grupo EBX, com página no Facebook, para somar esforços e tentar resgatar algo de seus prejuízos. Um consultor próximo ao grupo confirma a intenção de ir atrás do patrimônio pessoal de Eike. Ele continua muito rico, apesar das dificuldades de suas empresas. Estima-se que 52 mil pessoas físicas detenham ações da OGX, que quase viraram pó. Chegaram a valer R$ 0,14. No auge, haviam batido na casa de R$ 23. Comprar ações é um negócio de risco, mas muita gente apostou alto e embarcou com tudo no entusiasmo de Eike, um empresário que tinha trânsito livre no Palácio do Planalto e posou com os presidentes Lula e Dilma vestindo o logotipo de suas empresas.

Sabe-se hoje que a situação da petrolífera OGX é tão ruim que nem a firma de cafezinho ela pagou. Também pendurou a conta do estacionamento usado por seus executivos na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, onde ficava a sede do império X, no imponente edifício Serrador. São pequenos calotes inimagináveis para um empresário que almejava ser o homem mais rico do mundo. A última decisão judicial atendeu aos interesses de Eike apenas em parte – e a parte menor. A Justiça mandou a Receita verificar se Eike tem direito à restituição imediata dos R$ 12,2 milhões de 2009. Em relação aos outros R$ 85,1 milhões, o juiz avaliou que o Fisco está no prazo. Procurada por ÉPOCA, a Receita Federal afirmou que não comenta processos envolvendo contribuintes. Os advogados da OGX não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O dinheiro da restituição de Imposto de Renda não é muito diante da dívida bilionária. Mas daria para quitar com folga o papagaio de R$ 10 mil com a firma do cafezinho e os R$ 56 mil com o estacionamento.

FONTE: http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2013/11/beike-batistab-entra-na-justica-para-apressar-restituicao-de-imposto-da-ogx.html

Entrevista dada ao Instituto Humanitas da Unisinos sobre o colapso de Eike Batista

“Colapso de Eike Batista é ensaio do que virá com a manutenção das Parcerias Público-Privadas”. Entrevista especial com Marcos Pedlowski

 “Se analisarmos o que aconteceu não apenas com Eike Batista, mas com outros “campeões nacionais” escolhidos pelo governo Lula para mostrarem internacionalmente uma versão de capitalismo moderno à brasileira, veremos que os resultados foram pífios e causaram graves prejuízos ao tesouro nacional”, constata o geógrafo.
Foto: Enviada pelo entrevistado.

O anunciado fracasso das empresas do empresário Eike Batista é um “somatório de coisas que acabaram criando uma sinergia negativa para o Grupo EBX”, diz Marcos Pedlowski à IHU On-Line.

Na avaliação do pesquisador, que acompanha de perto os empreendimentos no Porto do Açu, no Rio de Janeiro, “os impactos reais ainda estão para ser mensurados, visto a velocidade da crise que consumiu a fortuna de Eike Batista. Mas, se olharmos de perto todos os projetos nos quais ele se envolveu nos últimos cinco anos, não há nenhum que tenha chegado à fase operacional, o que indica que todos foram negativamente afetados. Dois exemplos disso são os portos Sudeste e do Açu, os quais ainda não estão em operação e continuam tendo seus prazos de conclusão estendidos, mesmo após a sua venda para corporações multinacionais”.

Segundo Pedlowski, o governo brasileiro também é responsável pelos impactos negativos gerados pela derrocada do empresário, ao ter dado “carta branca a Eike Batista, o que o revestiu de certa aura de infalibilidade”.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-LinePedlowski informa que, apesar de os empreendimentos em São João da Barra, RJ, possivelmente não saírem do papel, a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro – CODIN ainda quer desapropriar mais terras de famílias que moram na região. “O mais grave disso tudo é que toda essa terra vai passar para o controle de uma corporação estadunidense, o que implicará a criação de um enclave estrangeiro numa área onde até 2009 viviam pescadores artesanais e agricultores familiares”, denuncia. E dispara: “Só esse fato nos obriga a cobrar a anulação dos decretos de desapropriação, visto que não há qualquer interesse público que justifique este tipo de coisa”.

Marcos Pedlowski é graduado e mestre em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e doutor em Planejamento pela Virginia Polytechnic Institute and State Unversity. Leciona no Laboratório de Estudos do Espaço Antrópico do Centro de Ciências do Homem da Universidade Estadual do Norte Fluminense.

Confira a entrevista.

Foto: Enviada pelo entrevistado.

IHU On-Line – A que o senhor atribui a crise financeira das empresas de Eike Batista? Que fatores influenciaram para a derrocada?

Marcos Pedlowski – Em minha opinião, seria equivocado atribuir o colapso do conjunto de empresas da franquia “X” a fatores individuais, mas sim ao somatório de coisas que acabaram criando uma sinergia negativa para o Grupo EBX. Entretanto, muitos especialistas atribuem o colapso de Eike Batista a uma série de apostas erradas na capacidade de suas empresas de entregarem os produtos prometidos. O principal exemplo disso foi a OGX, cujos anúncios da descoberta de reservas gigantescas de petróleo não resultaram numa produção que ficasse minimamente à altura das promessas. Outro aspecto parece ter sido aquilo que parecia o maior mérito do projeto de Eike, qual seja, a integração entre as diferentes empresas “X”. Assim, quando a OGX começou a dar sinais de que estava passando por problemas sérios ao não encontrar petróleo em seus poços, isto imediatamente contaminou negativamente a OSX, que produziria navios e plataformas para a coirmã.

A partir daí foi uma espiral de más notícias que acabou levando todo o grupo ao fundo do poço. Mas também existe um bom número de analistas que enxergam no próprio Eike Batista a origem de toda a instabilidade que se apossou sobre todas as empresas da sua franquia. Ao apostar numa superexposição midiática, Eike parece ter se convertido numa espécie de alvo móvel para críticos dos seus métodos corporativos. Além disso, o fato de Eike ter passado a substituir diretores das diferentes empresas de forma quase cotidiana ao começarem os problemas, pode ter contribuído para a fuga de novos investidores nos seus múltiplos projetos.

Também enxergo uma boa parcela de culpa nos diferentes níveis de governo que se dispuseram a dar um tipo de carta branca a Eike Batista, o que o revestiu de certa aura de infalibilidade. Entretanto, quando Eike mais precisou de apoio, talvez premidos pelas circunstâncias políticas que surgiram no Brasil, esses mesmos governantes se omitiram completamente no oferecimento de saídas para a crise que se abateu sobre o seu conglomerado.

IHU On-Line – Quais os impactos da derrocada de Eike Batista nos empreendimentos que estão sendo realizados pelas suas empresas no Rio de Janeiro? Quais empreendimentos foram afetados?

Marcos Pedlowski – Os impactos reais ainda estão para ser mensurados, visto a velocidade da crise que consumiu a fortuna de Eike Batista. Mas, se olharmos de perto todos os projetos nos quais ele se envolveu nos últimos cinco anos, não há nenhum que tenha chegado à fase operacional, o que indica que todos foram negativamente afetados. Dois exemplos disso são os portos Sudeste e do Açu, os quais ainda não estão em operação e continuam tendo seus prazos de conclusão estendidos, mesmo após a sua venda para corporações multinacionais.

Mas a derrocada de Eike fez vítimas em todas as áreas em que ele colocou seus longos tentáculos, desde o seu iate de luxo, que servia a socialites em passeios luxuosos pela Baía da Guanabara, até o Hotel Glória, que recebeu mais de R$ 200 milhões de financiamento do BNDES para atender os turistas que virão ao Rio de Janeiro na Copa da FIFA de 2014, mas que até hoje só fez consumir recursos, sem que a reforma pareça estar próxima de sua conclusão.

Aliás, parece que o único empreendimento de Eike Batista que ainda não sentiu os efeitos da sua debacle é o restaurante Mr. Lam, que funciona na orla da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Convenhamos que esta seja uma consolação de Pirro para quem sonhava chegar a uma fortuna de 100 bilhões de dólares ainda nesta década.

IHU On-Line – Segundo informações da imprensa, dois investimentos do empresário tiveram apoio financeiro cancelado: os investimentos em UPPs e a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas. Como ficam esses projetos a partir de agora?

Marcos Pedlowski – Esse é um aspecto curioso da relação íntima que existiu entre Eike Batista e o governo do Rio de Janeiro, pois essas benesses eram indiretamente financiadas com empréstimos que eram concedidos pelo BNDESe outras fontes de recursos do tesouro nacional. Entretanto, no caso específico das UPPs, o fato de que a PM do Rio de Janeiro participou de forma ostensiva na remoção de agricultores de propriedades desapropriadas no V Distrito do município de São João da Barra, cujas terras foram entregues para a LLX, coloca uma nuvem de dúvida sobre a lisura ou genuinidade da doação de Eike Batista para este programa. No mesmo sentido vai a promessa de contribuir para a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas, onde Eike Batista possui pelo menos um empreendimento. Ao que se sabe, essa promessa nunca foi materializada, e agora que a bonança acabou é muito provável que nunca se materialize.

Agora, independente do que tenha acontecido com Eike Batista e suas promessas e ações concretas de apoio financeiro, tanto as UPPs como a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas já estavam enfrentando dificuldades financeiras para serem efetivadas. É que tanto o governo municipal, liderado por Eduardo Paes, como o estadual, deSérgio Cabral, gastaram bilhões em outras áreas (a começar pela bilionária reforma do Estádio do Maracanã, que depois foi entregue a um consórcio onde Eike Batista também tem participação) e deixaram as demais à mingua quase completa. Assim, mesmo sem ser um expert, creio que estes dois projetos vão enfrentar graves dificuldades em 2014. Aliás, a crise das UPPs já está ficando evidente, com policiais militares sendo encurralados por traficantes em comunidades que teoricamente tinham sido pacificadas.

IHU On-Line – Quais as repercussões da crise de Eike Batista em Porto do Açu?

Marcos Pedlowski – Como o Porto do Açu era uma das joias da coroa de Eike Batista, as repercussões são as piores possíveis. Se olharmos mais de perto o que foi efetivamente construído, veremos que, de todo o complexo prometido, apenas o porto avançou e possui alguma chance de operar num futuro próximo. Mas nada mais saiu do papel, e a última grande vítima foi o estaleiro que estava sendo construído pela OSX, que agora se encontra literalmente entregue às moscas.

A crise é tão profunda que nenhum dos grandes parceiros anunciados por Eike Batista acabou fincando suas estacas nas areias do Açu. A última desistência notável foi a GE Oil & Gas, que abandonou o seu projeto de construir uma nova unidade de montagem e testes de equipamentos de turbomáquinas no Porto do Açu, optando por levar as operações para o Porto de Recife, em Pernambuco.

No que tange a esse cenário, a EIG Global Partners, que adquiriu a LLX e, por extensão, o Porto do Açu, já deu sinais de que vai tentar finalizar as obras para iniciar o seu funcionamento em 2014. Agora, todo o resto do projeto parece ter sido colocado na geladeira de forma temporária ou definitiva. O fato de que nem a linha de transmissão que deveria fornecer energia para o porto foi concluída mostra a dimensão da crise. Este é para mim um dos símbolos maiores da derrocada do megaempreendimento idealizado por Eike Batista no Açu.

IHU On-Line – Como as desapropriações já realizadas até agora serão tratadas daqui para frente, diante do possível cancelamento dos investimentos?

Marcos Pedlowski – Essa é uma excelente questão! Quando o governo do Rio de Janeiro promulgou os quatro decretos que deram base legal para a desapropriação de quase 500 propriedades familiares, havia o argumento de que isto era feito em nome do interesse público, que seria teoricamente representado pela implantação do Distrito Industrial de São João da Barra. Agora que não há qualquer perspectiva de que esse empreendimento vai sair do papel, me parece lógico que esses decretos sejam anulados, e a terra, devolvida para os agricultores. Mas, por incrível que pareça, temos informações de que a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro – CODIN ainda quer desapropriar mais famílias e que novas marcações estão sendo feitas para esta finalidade.

O mais grave disso tudo é que toda essa terra vai passar para o controle de uma corporação estadunidense, o que implicará a criação de um enclave estrangeiro numa área onde até 2009 viviam pescadores artesanais e agricultores familiares. Só esse fato nos obriga a cobrar a anulação dos decretos de desapropriação, visto que não há qualquer interesse público que justifique este tipo de coisa.

IHU On-Line- Como a derrocada de Eike tem repercutido no Rio de Janeiro?

Marcos Pedlowski – Com a exceção dos muitos amigos que Eike Batista mantinha dentro das diferentes esferas de governo e na imprensa corporativa, creio que o sentimento comum é de que estamos assistindo à queda de um bufão. É que a maioria das pessoas com as quais eu conversei nos últimos anos, ainda que admirasse a aura de sucesso que cercava Eike, tinha um pé atrás com sua capacidade de entregar produtos reais. Agora, se perguntarmos aos agricultores e pescadores do V Distrito, o sentimento é de que Eike está recebendo exatamente o que mereceu por praticamente destruir comunidades inteiras e contribuir para um caos social, econômico e ambiental que ainda deverá assombrar os habitantes de São João da Barra por muitas décadas.

Nesse caso, ainda há uma espécie de desencanto e um sentimento de que foram traídos, pois o número de pessoas endividadas por terem acreditado nas promessas de Eike Batista é alto. Em suma, não creio que muita gente no Rio de Janeiro vai chorar pela derrocada de Eike e seu império de empresas pré-operacionais.

IHU On-Line – Alguns especialistas dizem que o fracasso de Eike Batista demonstra a fragilidade das Parcerias Público-Privadas – PPPs. O senhor concorda?

Marcos Pedlowski – Se analisarmos o que aconteceu não apenas com Eike Batista, mas com outros “campeões nacionais” escolhidos pelo governo Lula para mostrarem internacionalmente uma versão de capitalismo moderno à brasileira, veremos que os resultados foram pífios e causaram graves prejuízos ao tesouro nacional. Assim, em que pese o investimento de bilhões de reais que foi feito em Eike Batista e outros personagens mais discretos, o que tivemos foi um aprofundamento de um modelo de reprimarização da economia brasileira, que aumentou o processo de dependência das economias centrais que vivemos historicamente desde que os conquistadores portugueses aportaram por aqui em 1500. Nesse sentido, uma lição que o governo Dilma poderia estar tendo é de que o paradigma das PPPs é equivocado e negativo para o desenvolvimento econômico sustentável do Brasil. Entretanto, essa lição parece não ter sido assimilada, e prevejo mais desperdício de outros tantos bilhões de reais nas PPPs, independente de quem vença as eleições presidenciais de 2014. E se isto for confirmado, antevejo uma situação de aprofundamento do controle internacional de setores estratégicos da economia nacional, processo esse que está tendo um belo ensaio com a venda das empresas de Eike Batista a um pool de corporações estrangeiras. Nesse sentido, considero que o colapso de Eike Batista é uma espécie de ensaio do que virá com a manutenção das PPPs.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Marcos Pedlowski – Queria acrescentar que a minha expectativa é de que, com todos os equívocos que cercaram aascensão e queda de Eike Batista, fique a lição de que não existem salvadores da pátria para resolver a situação de profunda desigualdade que marca a existência dos brasileiros. Aliás, não vai ser com um Midas turbinado com dinheiro público que resolveremos as nossas dívidas sociais históricas. Se pelo menos os que efetivamente buscam um modelo de desenvolvimento que seja social, econômica e ambientalmente sustentável entenderem isso, acredito que já teremos avançado bastante.

FONTE: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/525210-nyt-ascensao-e-queda-de-eike-espelham-trajetoria-recente-do-brasil

Linha de transmissão que não transmite simboliza fracasso do megaempreendimento de Eike Batista no Açu

Estive hoje visitando agricultores na localidade de Água Preta no V Distrito de São João da Barra, Passando pela estrada de acesso à localidade me deparei com o que deveria ser a linha de transmissão de energia elétrica que iria alimentar o Complexo Industrial e Portuário do Açu e um detalhe chamou a minha atenção: as torres estão lá, mas “esqueceram” de colocar os cabos de eletricidade.

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O mais desastroso disso tudo é que um número desconhecido de propriedades passou pelo doloroso processo de desapropriação, e muitas famílias que tiveram suas terras expropriadas continuam sem receber a devida compensação financeira.

E o que restou em Água Preta, além de linhas de transmissão que não transmitem, foram as placas da CODIN que hoje já estão tão desbotadas como o discurso megalômano de Eike Batista.

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Cientistas descobrem o que está matando as abelhas, e é mais grave do que se pensava

Como já é sabido, a misteriosa mortandade de abelhas que polinizam US $ 30 bilhões em cultura só nos EUA dizimou a população de Apis mellifera na América do Norte, e apenas um inverno ruim poderá deixar os campos improdutíveis. Agora, um novo estudo identificou algumas das prováveis causas ​​da morte das abelhas, e os resultados bastante assustadores mostram que evitar o Armagedom das abelhas será muito mais difícil do que se pensava anteriormente.

10 milhões de colmeias, no valor de US $ 2 bilhões, morreram nos últimos seis anos nos EUA
As vendas de fungicidas cresceram mais de 30% e as vendas de inseticidas também cresceram significativamente no Brasil durante o primeiro trimestre de 2013. Divulgou a suíça Syngenta, uma das maiores empresas de agroquímicos e sementes do mundo. Crédito: Ben Margot/AP

Os cientistas tinham dificuldade em encontrar o gatilho para a chamada Colony Collapse Disorder (CCD), (Desordem do Colapso das Colônias, em inglês), que dizimou cerca de 10 milhões de colmeias, no valor de US $ 2 bilhões, nos últimos seis anos. Os suspeitos incluem agrotóxicos, parasitas transmissores de doenças e má nutrição. Mas, em um estudo inédito publicado este mês na revista PLoS ONE, os cientistas da Universidade de Maryland e do Departamento de Agricultura dos EUA identificaram um caldeirão de pesticidas e fungicidas contaminando o pólen recolhido pelas abelhas para alimentarem suas colmeias. Os resultados abrem novos caminhos para sabermos porque um grande número de abelhas está morrendo e a causa específica da DCC, que mata a colmeia inteira simultaneamente.

Quando os pesquisadores coletaram pólen de colmeias que fazem a polinização de cranberry, melancia e outras culturas, e alimentaram abelhas saudáveis, essas abelhas mostraram um declínio significativo na capacidade de resistir à infecção por um parasita chamado Nosema ceranae. O parasita tem sido relacionado a Desordem do Colapso das Colônias (DCC), embora os cientistas sejam cautelosos ao salientar que as conclusões não vinculam diretamente os pesticidas a DCC. O pólen foi contaminado, em média, por nove pesticidas e fungicidas diferentes, contudo os cientistas já descobriram 21 agrotóxicos em uma única amostra. Sendo oito deles associados ao maior risco de infecção pelo parasita.

O mais preocupante, as abelhas que comem pólen contaminado com fungicidas tiveram três vezes mais chances de serem infectadas pelo parasita. Amplamente utilizados, pensávamos que os fungicidas fossem inofensivos para as abelhas, já que são concebidos para matar fungos, não insetos, em culturas como a de maçã.

 “Há evidências crescentes de que os fungicidas podem estar afetando as abelhas diretamente e eu acho que fica evidente a necessidade de reavaliarmos a forma como rotulamos esses produtos químicos agrícolas”, disse Dennis vanEngelsdorp, autor principal do estudo.

Os rótulos dos agrotóxicos alertam os agricultores para não pulverizarem quando existem abelhas polinizadoras na vizinhança, mas essas precauções não são aplicadas aos fungicidas.

As populações de abelhas estão tão baixas que os EUA agora tem 60% das colônias sobreviventes do país apenas para polinizar uma cultura de amêndoas na Califórnia. E isso não é um problema apenas da costa oeste americana – a Califórnia fornece 80% das amêndoas do mundo, um mercado de US $ 4 bilhões.

Nos últimos anos, uma classe de substâncias químicas chamadas neonicotinóides tem sido associada à morte de abelhas e em abril os órgãos reguladores proibiram o uso do inseticida por dois anos na Europa, onde as populações de abelhas também despencaram. Mas Dennis vanEngelsdorp, um cientista assistente de pesquisa na Universidade de Maryland, diz que o novo estudo mostra que a interação de vários agrotóxicos está afetando a saúde das abelhas.

“A questão dos agrotóxicos em si é muito mais complexa do acreditávamos ser”, diz ele. “É muito mais complicado do que apenas um produto, significando naturalmente que a solução não está em apenas proibir uma classe de produtos.”

O estudo descobriu outra complicação nos esforços para salvar as abelhas: as abelhas norte-americanas, que são descendentes de abelhas europeias, não trazem para casa o pólen das culturas nativas norte-americanas, mas coletam de ervas daninhas e flores silvestres próximas. O pólen dessas plantas, no entanto, também estava contaminado com pesticidas, mesmo não sendo alvo de pulverização.

“Não está claro se os pesticidas estão se dispersando sobre essas plantas, mas precisamos ter um novo olhar sobre as práticas de pulverização agrícola”, diz van Engelsdorp.

El País: falência do Grupo OGX lança sombra na economia do Brasi

Jornal do Brasil

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A ascensão e queda do Império X, do ex-bilionário Eike Batista, é destaque do jornal espanhol El País, nesta segunda-feira (4/11). A reportagem intitulada “Falência do milionário da OGX lança sombras na economia brasileira”, coloca Eike no ranking dos homens mais ricos do mundo e afirma que o seu sonho era chegar ao topo da lista. O El País destaca que o empresário brasileiro estava presente em diversos setores sociais, como petróleo, construção naval, minerais, incluindo ouro e diamantes, mas “seu castelo desmoronou.

A falência do grupo OGX, a maior empresa da América Latina, chegou “cruelmente” neste fim de semana, informa o jornal espanhol. A despedida de Eike teve início há alguns meses, quando ele deu sinais da sua “despedida” das redes sociais, assim como a sua saída da Bolsa de Valores de São Paulo, onde as ações de seus negócios despencou.

O El País classifica a trajetória de Eike como “a maior catástrofe financeira do Brasil e sua derrota pegou a todos os cidadãos de surpresa. O presidente mais popular do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, lamentou o declínio do empresário que era o cartão postal do país, que queria conquistar o mundo com a sua criatividade empreendedora e otimismo quanto a nação. “Ninguém queria ficar de fora. A seus pés caiu a Petrobras”, cita o El Paìs. Após o episódio do campo de petróleo de Tubarão Azul, que não tinha um terço do petróleo anunciado por Eike, o jornal espanhol lança um questionamento quanto o pré-sal brasileiro, que pode levar o Brasil à colocação de um dos países mais ricos do mundo.

“E para ficar claro que os grandes bancos eram públicos, apoiados por políticos de peso, que abriram as portas para o milionário brasileiro e dando o dinheiro que era dos cidadãos. Isso pode criar um problema agora quando se trata de financiar outras empresas”, destaca o El Pais. O veículo cita que, no Rio de Janeiro, ficaram órfãos uma série de projetos em andamento que deveriam ser financiados pelo magnata Batista, a partir da reestruturação de áreas inteiras da cidade, tendo em vista os Jogos Olímpicos 2016, projetos sociais de grande escala nas favelas ‘pacificadas'”, diz o texto. Segundo o jornal, tudo foi desfeito como uma “bolha de sabão”, inclusive o monumental estaleiro situado em São João da Barra, no Norte Fluminense.

“Hoje, os brasileiros se perguntam se Batista deve ser o modelo para esta galáxia de jovens empreendedores, que se tornam mais numerosos e ansiosos para ter sucesso.(…) O Brasil deve agora olhar para o outro lado, para outros modelos de negócios, talvez mais longe dos rankings planetários e revistas de fofocas, mas com menos risco de falhas desanimadoras”, diz o texto do El País.

FONTE:http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2013/11/04/el-pais-falencia-do-grupo-ogx-lanca-sombra-na-economia-do-brasil/