Rede Genômica Fiocruz detecta alterações inéditas na proteína Spike do Sars-CoV-2 no Brasil

Por Vinicius Ferreira, IOC/Fiocruz

Em mais um achado inédito, cientistas da Rede Genômica Fiocruz identificaram importantes alterações na estrutura da proteína Spike (S) do vírus Sars-CoV-2 em circulação no Brasil. Onze sequências genéticas apresentaram deleções (perda de material genético) na região inicial da proteína e em quatro ocorreu inserção de alguns aminoácidos. A proteína Spike é associada à capacidade de entrada do patógeno nas células humanas e é um dos principais alvos dos anticorpos neutralizantes produzidos pelo organismo para bloquear o vírus. 

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“É preciso permanecer com o monitoramento para acompanhar se vírus com essas alterações não aumentarão de frequência” (foto:Josué Damacena, IOC/Fiocruz)

A descoberta é fruto de intensa vigilância genômica conduzida pela Fiocruz no país e de institutos parceiros que se empenham diariamente em gerar dados mais robustos sobre o comportamento do vírus e contribuir para um melhor preparo do país no enfrentamento da pandemia. Os cientistas ressaltam que, até o momento, poucos genomas apresentam as alterações e que ainda não se caracteriza como a formação de uma nova linhagem do Sars-CoV-2. Entretanto, alertam que é preciso permanecer com o monitoramento para acompanhar se vírus com essas alterações não aumentarão de frequência.

“Podemos dizer que esta é uma descoberta precoce, o que enfatiza a importância de ações em vigilância genômica, como a realizada pela rede da Fiocruz”, explica a chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), a pesquisadora Marilda Siqueira. O Laboratório atua como Centro de Referência Nacional em vírus respiratórios junto ao Ministério da Saúde e como referência para a Organização Mundial da Saúde (OMS) em COVID-19 nas Américas.

Os novos resultados, detectados a partir da metodologia de sequenciamento genético, são provenientes de amostras coletadas de pacientes de sete estados: Amazonas, Bahia, Maranhão, Paraná, Rondônia, Minas Gerais e Alagoas. As modificações ocorreram no domínio amino (N)-terminal (NTD), que podem dificultar a ligação com anticorpos e, assim, promover o escape imunológico do vírus no corpo humano. Mas os cientistas adiantam que dados experimentais complementares são necessários para testar essa hipótese nas linhagens que circulam no país. 

Uma amostra coletada no Amazonas apresentou deleção em sequência genética ligada à linhagem B.1.1.28. Quatro amostras da Bahia, duas de Alagoas e uma do Paraná apresentaram perdas em sequências caracterizadas como linhagem P.1. Uma amostra de Minas Gerais apresentou a alteração na linhagem P.2. Duas amostras do Maranhão apresentaram a deleção na linhagem B.1.1.33, que também continham a mutação E484K. 

Três amostras do Amazonas e uma do Paraná continham inserção de material genético em sequências provenientes da linhagem B.1.1.28 (P.1-like) – assim denominada por ser muito semelhante à P.1. Uma amostra coletada no Paraná e todas na Bahia e em Alagoas são de pacientes provenientes do estado do Amazonas ou com histórico de viagem à região. Os resultados foram publicados na plataforma de pré-print MedRxiv.

“O novo coronavírus está continuamente se adaptando e, com isso, propiciando o surgimento de novas variantes de preocupação e de interesse com alterações na proteína Spike. No entanto, vale ressaltar que as novas mutações foram, até o momento, detectadas em baixa frequência, apesar de encontradas em diferentes estados. Ainda precisamos dimensionar o impacto deste achado e, sem dúvidas, ampliar cada vez mais o monitoramento genômico”, ressalta a virologista Paola Cristina Resende, do mesmo Laboratório, que atua como coordenadora da curadoria da plataforma genômica internacional GISAID no Brasil.

Os pesquisadores da Rede Genômica Fiocruz alertam que os achados destacam a necessidade urgente de ampliação da vacinação e de implementação de medidas não-farmacológicas eficazes (foto:Josué Damacena, IOC/Fiocruz)

Os cientistas acreditam que as novas deleções e inserções estão associadas a uma evolução convergente do vírus, uma vez que foram detectadas em diferentes linhagens. “As variantes identificadas no Brasil até então não haviam apresentado as deleções e inserções que são comuns nas variantes de outros países, como Reino Unido e África do Sul. Aqui vemos pela primeira vez, que as linhagens brasileiras estão seguindo o mesmo caminho evolutivo das demais variantes de preocupação. As mutações agora alcançaram outro importante ponto da proteína viral, o domínio NTD, que é reconhecido por alguns anticorpos neutralizantes específicos”, salienta Gabriel Wallau, que integra o Núcleo de Bioinformática da Rede Genômica e é pesquisador do Instituto Aggeu Magalhães (Fiocruz Pernambuco).

Segundo os cientistas, a acumulação em sequência de mutações observadas em território nacional muito se assemelha ao padrão observado na África do Sul, onde a variante de preocupação B.1.351 adquiriu primeiro as mutações no domínio RBD (E484K e N501Y) e, posteriormente, apresentou uma deleção no domínio NTD. “Esta nova geração de variantes pode ser menos susceptível à neutralização dos anticorpos que suas linhagens parentais P.1, P. 2 e B.1.1.33. A pandemia de COVID-19 em 2021 no Brasil provavelmente será dominada por esse novo e complexo conjunto de variantes”, relata o pesquisador do Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia), Tiago Gräf.

Gabriel Wallau integra o Núcleo de Bioinformática da Rede Genômica e é pesquisador da Fiocruz Pernambuco

Os pesquisadores da Rede Genômica Fiocruz alertam que os achados destacam a necessidade urgente de ampliação da vacinação e de implementação de medidas não-farmacológicas eficazes, visando a mitigação da transmissão comunitária e o surgimento de variantes mais transmissíveis. Eles também apontam o investimento na vigilância genômica e em estudos de eficácia das vacinas para as novas variantes como medidas fundamentais.

A pesquisa foi realizada pela Rede Genômica Fiocruz, com participação de pesquisadores de diversos estados do país. O estudo foi liderado pelos Laboratórios de Vírus Respiratório e do Sarampo e de Aids e Imunologia Molecular do IOC/Fiocruz, Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz-Bahia), Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia), Instituto Aggeu Magalhaes (FiocruzmPernambuco) e Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Também colaboraram com o trabalho: Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas e Laboratórios Centrais de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM), Maranhão (Lacen-MA), Alagoas (Lacen-AL), Minas Gerais (Lacen-MG), Paraná (Lacen-PR) e Bahia (Lacen-BA).

Resultado inédito anterior

Recentemente, a Rede Genômica Fiocruz identificou uma nova linhagem do Sars-CoV-2 no Brasil. Chamada de N.9, a linhagem foi caracterizada como variante de interesse por conter uma mutação na proteína S do novo coronavírus, conhecida como E484K, que é associada a evasão do sistema imune e encontrada em outras linhagens com grande disseminação no planeta, incluindo as variantes de preocupação P.1 e B.1.351. A alteração foi detectada em 35 amostras coletadas entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021 em dez estados do Sul, Sudeste, Nordeste e Norte do país. 

Identificada, pela primeira vez, em São Paulo, a linhagem foi achada, em seguida, em Santa Catarina, Amazonas, Pará, Bahia, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Sergipe. Análises do genoma dos vírus indicam que a variante N.9 surgiu em agosto de 2020. O estado de São Paulo é apontado como o local de origem mais provável, mas também é possível que a linhagem tenha surgido na Bahia ou no Maranhão. A descoberta está publicada em forma de pré-print na plataforma bioRxiv.

A virologista Paola Cristina Resende, do Laboratório de Virus Respiratórios e do Sarampo do IOC/Fiocruz, explica que a mutação E484K provavelmente teve origem entre julho e agosto de 2020, nas linhagens B.1.1.28 e B.1.1.33, as mais prevalentes circulando no Brasil naquele momento. “A partir de outubro, com a aceleração da disseminação do vírus, a mutação E484K se espalhou pelo país, coincidindo com uma grande mudança no perfil de evolução do Sars-CoV-2 no mundo”, diz.

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Este texto foi inicialmente publicado pela Agência Fiocruz de Notícias [Aqui! ].

Brasil, a nação que se tornou uma ameaça global

Sem vacinas, sem liderança, sem fim à vista. Como o Brasil se tornou uma ameaça global

Por  Matt Rivers para a CNN

Rio de Janeiro, Brasil (CNN)A temperatura marcava 95 graus Fahrenheit na terça-feira, mas a umidade fez com que parecesse pior. Em meio ao calor sufocante do final do verão no Rio de Janeiro, Silvia Silva Santos acalmou sua mãe de 77 anos enquanto caminhavam em direção ao portão da clínica.

“Já viemos aqui duas vezes, mas ela não conseguiu vacinar-se”, disse Silva Santos. “Ela apenas fica na fila e então não há mais vacinas e temos que ir embora.”

No portão, Silva Santos perguntou à guarda se ela poderia vacinar a mãe. Consciente das câmeras da CNN assistindo, ele rapidamente a conduziu para dentro.

Cerca de cinco minutos depois, a dupla voltou com más notícias escritas em seus rostos. “Acho isso muito errado”, disse Silva Santos, claramente irritada e frustrada. “Agora teremos que descobrir novamente quando eles terão as vacinas e nunca se sabe quando.”

Essa frustração percorreu a multidão de idosos à medida que pessoa após pessoa foi negada a primeira dose de uma vacina, depois que o estado do Rio de Janeiro suspendeu sua campanha de vacinação porque havia acabado o estoque de vacina.

“Isso é um desastre, um desastre total”, disse uma mulher à CNN após ter sua vacina negada. “Quem é o culpado por tudo isso? Acho que nossos líderes, nossos políticos são uma merda.”

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Equipe médica transporta um paciente em uma maca em um hospital de campanha enquanto os casos de coronavírus aumentam em 11 de março de 2021 em Santo André, Brasil.

A crescente tempestade perfeita

A crise da COVID-19 no Brasil nunca esteve tão ruim. Quase todos os estados brasileiros têm uma ocupação de UTI de 80% ou mais, de acordo com uma análise de dados estaduais feita pela CNN. Na sexta-feira (19/03), 16 dos 26 estados estavam em 90% ou mais de taxa de ocupação, o que significa que esses sistemas de saúde entraram em colapso ou estão em risco iminente de fazê-lo.

As médias de sete dias de novos casos e novas mortes são mais altas do que nunca.

Nos últimos 10 dias, cerca de um quarto de todas as mortes por coronavírus no mundo foram registradas no Brasil, de acordo com análises da CNN.

“São sinais claros de que estamos em uma fase de aceleração muito crítica da epidemia e sem precedentes”, disse Jesem Orellana, epidemiologista brasileiro.

Se as vacinas são a melhor saída para essa pandemia global, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para superar isso.

Até sexta-feira, menos de 10 milhões de pessoas no país de cerca de 220 milhões haviam recebido pelo menos uma dose, de acordo com dados federais de saúde. Apenas 1,57% da população foi totalmente vacinada.

Isso é o resultado de um programa de implementação lentoque tem sido afetado por seguidos atrasos. Durante o anúncio de seu plano de distribuição no início de fevereiro, o governo prometeu que cerca de 46 milhões de doses de vacina estariam disponíveis em março. Ele foi repetidamente forçado a diminuir esse número, agora estimando apenas 26 milhões no final do mês.

A produção nacional do que os governos dizem que acabará por ser centenas de milhões de doses da vacina Oxford-AstraZeneca  acaba de decolar. As primeiras 500.000 doses foram entregues e comemoradas por altos funcionários do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro esta semana, apesar de estar com meses de atraso.

“[Não há] vacinas em uma quantidade que realmente causaria um impacto no momento”, disse Natalia Pasternak, uma microbiologista brasileira, que disse que não vai demorar até o segundo semestre do ano antes que vacinas suficientes estejam disponíveis para ter um impacto significativo na epidemia.

Em face da possibilidade que as vacinas continuarão escassas no futuro próximo, as únicas formas de controlar o crescimento exponencial da epidemia no Brasil são os métodos que o mundo ouviu ad nauseam – distanciamento social,  ausência de multidões, movimentos restritos e boa higiene.

Mas em muitos lugares do Brasil, isso simplesmente não está acontecendo. No movimentado Rio de Janeiro, é fácil encontrar multidões sem máscara andando pelas ruas, conversando de perto.

Embora as famosas praias da cidade estejam fechadas neste fim de semana, os restaurantes e bares ainda podem estar abertos até as 21h, muitos provavelmente lotados.

Muitos estados impuseram restrições muito mais duras, incluindo toques de recolher noturnos, mas os líderes locais estão lutando contra a liderança federal, ou a falta dela, determinados a manter as coisas abertas.

O presidente Jair Bolsonaro , um cético daCOVID-19 que zombou da eficácia das vacinas e não as tomou publicamente, anunciou na quinta-feira que entraria com uma ação judicial contra certos estados na Suprema Corte do país, reivindicando a única pessoa que pode decretar toque de recolher é ele – algo que ele prometeu nunca fazer.

Apesar de milhares de pessoas morrendo por causa do vírus a cada dia, ele afirma que a verdadeira ameaça vem dos danos econômicos que as restrições provocadas pelo vírus podem impor.

Milhões de seus apoiadores estão seguindo seu exemplo, desrespeitando abertamente os regulamentos locais de distanciamento social e o uso de máscaras.

Tudo isso por si só já seria preocupante, mas é exacerbado por uma realidade profundamente preocupante – a disseminação das variantes da COVID-19.

‘As pessoas não percebem o quão pior  a P.1 é’

A variante P.1 foi descoberta pela primeira vez no Japão. As autoridades de saúde detectaram a mutação viral em vários viajantes que retornavam do estado do Amazonas, uma região isolada no norte do Brasil repleta de floresta tropical.

A CNN noticiou da região no final de janeiro, onde uma segunda onda brutal de COVID-19 dizimava a cidade de Manaus.

Quase dois meses depois, mais e mais pesquisas apontam para a variante P.1 como um fator crucial não apenas no surto de Manaus, mas na crise nacional que o Brasil enfrenta hoje.

Um estudo da principal fundação de pesquisa médica do Brasil, a Fiocruz, do início de março descobriu que, dos oito estados brasileiros estudados, as variantes do COVID-19, incluindo P.1, eram prevalentes em pelo menos 50% dos novos casos.

A variante é amplamente aceita como sendo mais facilmente transmissível, até 2,2 vezes mais, de acordo com um estudo recente . Isso é mais transmissível do que a variante B.1.1.7 amplamente discutida identificada pela primeira vez no Reino Unido, que é até 1,7 vezes mais transmissível, de acordo com um estudo de dezembro.

Esse mesmo estudo também descobriu que as pessoas têm 25% a 65% mais probabilidade de escapar da imunidade protetora existente de infecções anteriores não P.1.

Finalmente, ainda existem preocupações de que as diferentes vacinas possam não ser tão eficazes contra a variante P.1. Embora um estudo recente do Reino Unido tenha descoberto que “as vacinas existentes podem proteger contra a variante do coronavírus brasileiro”, a CNN conversou com vários epidemiologistas que continuam preocupados.

“O mundo não despertou a terrível realidade potencial que a variante P1 pode representar”, disse o Dr. Eric Feigl-Ding, epidemiologista. “As pessoas não percebem o quanto a P1 é pior.”

O Brasil está se tornando um perigo global

Em meio à disseminação não mitigada do vírus no Brasil, existem duas ameaças adicionais distintas.

Um, a exportação mais fácil da variante P.1 existente para o exterior. Já está em pelo menos duas dezenas de países e contando e as viagens internacionais de e para o Brasil ainda estão abertas para a maioria dos países.

Dois, se a variante P.1 foi criada aqui, outras também podem.

“O fato de a pandemia estar fora de controle no Brasil causou a variante”, disse Pasternak, a microbiologista brasileira. “E vai causar mais variantes. Vai causar mais mutações porque é o que acontece quando você deixa o vírus se replicar livremente.”

De acordo com as leis da evolução viral, novas variantes são criadas para tentar permitir que o vírus se espalhe mais facilmente. Ao longo do caminho, interações mais perigosas podem ser criadas.

“Mais variantes significam que há uma probabilidade maior de que uma dessas variantes possa realmente escapar de todas as vacinas, por exemplo”, disse Pasternak. “É raro, mas pode acontecer.”

Isso, diz ela, torna o Brasil um perigo global, não apenas para os países vizinhos, mas para outros ao redor do mundo.

“Tudo isso junto deve aumentar o alarme em todos os países do mundo de que devemos ajudar o Brasil a conter P1, para que não soframos o mesmo destino do colapso do sistema hospitalar brasileiro”, disse o Dr. Feigl-Ding.

Com a falta de vacinas e um governo relutante em tomar as medidas necessárias para evitar que isso aconteça, não está claro como as coisas vão melhorar no Brasil tão cedo.

O jornalista Eduardo Duwe contribuiu para esta reportagem.

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Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pela rede CNN [Aqui! ].

A pandemia da COVID-19 no Brasil: o próximo, por favor

 Com mais de 1.800 mortes por corona por dia, o Brasil tem seu quarto ministro da saúde desde o início da pandemia. É provável que pouca coisa mude.

Virus Outbreak Brazil

Os mortos precisam de espaço: Cemitério em São Paulo, BrasilFoto: Andre Penner / dpa

BERLIN taz |  Queiroga tem tudo para fazer um bom trabalho, disse o presidente Jair Bolsonaro em discurso na noite de segunda-feira (15/03). O que se queria dizer era o recém-nomeado Ministro da Saúde do Brasil, Marcelo Queiroga. O cardiologista é o quarto ministro da saúde desde o início da pandemia e assume o cargo na fase mais dramática.

Com uma média de 1.855 mortes por dia e um total de 280.000 mortes corona, o Brasil está mergulhando cada vez mais na catástrofe corona. Em muitos estados, o sistema de saúde está à beira do colapso. O maior país da América Latina está avançando lentamente com a vacinação.

Muitos culpam o predecessor de Queiroga pelo caos. O general 3 estrelas Eduardo Pazuello, que os críticos também chamam de Pesadello, chefiou o ministério por 10 meses – sem experiência anterior na área de saúde. Como seu chefe Bolsonaro, Pazuello teimosamente minimizou a pandemia e confiou em uma droga ineficaz contra a malária na luta contra o Corona.

Mesmo durante a campanha de vacinação, o suposto especialista em logística cambaleou de uma avaria para a outra. Particularmente constrangedor: seu ministério confundiu os estados do Amazonas e Amapá e mandou vacinas erradas para o norte do país.

Como o suprimento de oxigênio nos hospitais da região amazônica entrou em colapso em janeiro , há até uma investigação contra Pazuello. Ele afirma ter cumprido as decisões do presidente: “É simples: um dá ordens e o outro obedece”, disse ele em outubro.

O novo ministro da Saúde, Queiroga, se pronuncia contra o uso de medicamentos polêmicos e é descrito como um bom negociador. Ele também não acredita em bloqueios e muitos criticam sua proximidade com os filhos do presidente.

Antes de Pazuello, um ministro da saúde havia sido demitido por Bolsonaro por tentar seguir as recomendações da OMS. Outro porque havia se manifestado contra o uso do remédio para malária.

Na segunda-feira, o renomado cardiologista Ludhmila Hajjar recusou a indicação para ministro da Saúde. O motivo: você acredita na ciência. Diz-se que Bolsonaro disse a ela em uma reunião: “Você não vai me foder com um bloqueio no Nordeste e, assim, impedir minha eleição, vai?”

A mudança no Ministério da Saúde provavelmente se deve à pressão do influente bloco de centro-direita. Especialmente depois que o popular ex-presidente Lula pôde concorrer às eleições de 2022 na semana passada , Bolsonaro e seus parceiros estratégicos perceberam que o curso catastrófico da coroa poderia cair sobre seus pés. O adversário da vacinação, Bolsonaro, recentemente se pronunciou a favor da vacinação e moderou um pouco seu tom.

Mas para sua reeleição em 2022, Bolsonaro depende do núcleo duro de seus apoiadores – e eles só se manifestaram novamente no domingo, sem máscaras e sem o devido distanciamento, contra as restrições impostas para conter a disseminação do coronavírus.

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Este texto foi inicialmente publicado em alemão e publicado pelo jornal Taz.de [Aqui!].

Falta de vacinas e cronograma “para inglês ver” geram caos na vacinação da COVID-19 em Campos dos Goytacazes

Enquanto espero pacientemente pela minha vez de ser vacinado em algum momento de abril ou quiçá maio, estou como plateia de um caos impressionante nas filas organizadas (ou seria desorganizadas?) pelo governo de Wladimir Garotinho para que idosos (e alguns membros de corporações bem organizadas) possam receber a sua dose de uma das vacinações contra a COVID-19 (ver imagens abaixo).

A primeira coisa que salta aos olhos é que o cronograma oficial de vacinação (ver abaixo) é do tipo “para inglês ver”, visto que as filas estão mostrando algo que nem é culpa da gestão municipal, mas do governo federal, que vem a ser o fato básico de que o número de vacinas disponibilizadas é muito aquém do total de pessoas habilitadas e interessadas em serem vacinadas.

CRONOGRAMA

Além disso, é de pouca ou nenhuma utilidade tentar avançar nos grupos etários habilitados a serem vacinados, sem que se conclua a vacinação daquelas pessoas que já receberam a primeira dose. É que, até onde eu sei, no caso da “Coronavac”, o tempo entre a 1a. e a 2a. dose é de 30 dias, coisa que já está ocorrendo para um certo número de pessoas, as quais agora estão correndo o risco de não serem vacinadas no prazo que a fabricante chinesa Sinovac considera a ideal para que a eficácia da sua vacina.

Então, o que me parece mais lógica é concluir a vacinação das pessoas que já estão chegando no tempo limite para receberem a segunda dose da Coronavac, antes que se convoquem outras pessoas.  Já as vacinas da Astrazeneca/Oxford poderiam ser alocadas de uma forma racional que não gere filas intermináveis e que estão servindo mais como “super spreaders” de COVID-19 do que qualquer outra coisa.  Isto sem falar na exposição de pessoas idosas à condições de espera que se aproximam do vexatório.

Finalmente, há que se ressaltar que o principal neste momento seria o prefeito Wladimir Garotinho se somar a todos os prefeitos e governadores que estão na linha de frente para fazer o que o governo federal não está fazendo direito que é garantir a aquisição de um número mais significativo de vacinas.

 

Brasil vive seu pior momento na pandemia e vira líder mundial de mortes e novas infecções nas últimas 24 h

cemitérios

Neste momento,  o Brasil está arcando com as consequências das políticas negacionistas do governo Bolsonaro, que vão desde a procrastinação na compra de vacinas até as ações de pura sabotagem para medidas de proteção que envolvem o uso de máscaras faciais e o isolamento social.

Com mais 1.498 mortos e 67.477 novas contaminações nas últimas 24 horas, o Brasil se tornou o líder mundial nesses dois quesitos, superando até os EUA que lideravam esta corrida macabra desde o início de 2020.

Há ainda que se lembrar que apenas na última semana o Brasil somou 10 mil mortos pela COVID-19, chegando a um total de 264.446 oficiais. Nesse ritmo, e dada a completa lotação de UTIs em todo o território nacional, não será nenhuma surpresa se o Brasil chegar a 300 mil mortos pela COVID-19 antes do final de março.

Coronavírus: variante de Manaus é mais contagiosa, mais perigosa e menos sensível a anticorpos

manaus cemitérioEm janeiro, Manaus experimentou uma grande onda de coronavírus, com uma média de mais de 1.000 mortes por dia. Na foto, um cemitério com pessoas infectadas com Sars-CoV-2 que morreram em janeiro. Raphael Alves / EPA

Por Stephanie Lahrtz para o Neue Zürcher Zeitung

Tem sido confundido desde janeiro se uma nova variante Sars-CoV-2 chamada P.1 ou uma imunidade já em declínio é responsável pelo aumento maciço de pessoas infectadas por coronavírus e mortes na cidade brasileira de Manaus. Epidemiologistas e residentes também esperavam que Manaus não tivesse mais que sofrer uma segunda onda digna de nota. De acordo com um estudo de anticorpos, dois terços das pessoas foram infectadas em abril e maio e, portanto, deveriam estar imunes.

Uma equipe de pesquisa brasileiro-britânica agora tem certeza de que a variante do vírus P.1 tem um papel significativo na brutal segunda onda na metrópole amazônica. Isso pode transformar o caso de Manaus em um sinal do que novas variantes do vírus podem fazer, mesmo em uma população com alta imunidade.

Variante dominante em Manaus

Por um lado, de acordo com os pesquisadores, a sequência temporal fala por uma clara influência de P.1. Pelas análises genéticas, a variante foi criada em Manaus no início de novembro. A segunda onda atingiu a cidade a partir de meados de dezembro. Em apenas sete semanas, P.1 assumiu o controle de Manaus, por assim dizer: quase 90% de todas as pessoas infectadas lá agora o usam.

Por outro lado, devido às 17 alterações genéticas acumuladas, o vírus tornou-se mais contagioso em comparação com as variantes do Sars-CoV-2 que circulavam anteriormente em Manaus e no Brasil. Os cientistas escreveram que P.1 é mais fácil de transferir por um fator de 1,4 a 2,2. Isso o torna um pouco mais contagioso do que a variante britânica. Ainda não é possível dizer se as pessoas infectadas com P.1 têm uma carga viral mais alta ou são infecciosas por mais tempo – ou se ambas são verdadeiras.

Além disso, o risco de um resultado fatal de uma infecção P.1 pode ser aumentado. No entanto, ainda não está claro se o aumento que agora foi calculado é exclusivamente uma consequência das novas propriedades de P.1, enfatizam os pesquisadores. Como os hospitais de Manaus ficaram completamente sobrecarregados em janeiro, parte do aumento da mortalidade na segunda onda também pode ser devido a isso.

Os anticorpos se ligam mal a P.1

As mutações dão a P.1 outra propriedade preocupante. Esta variante corona pode levar a uma infecção renovada em 25 a 61 por cento das pessoas que se recuperaram em Manaus. Atualmente não há dados sobre se as reinfecções são mais brandas. No entanto, a alta proporção de infecções graves e mortes desde dezembro sugere que nem sempre é esse o caso.

Também é possível que a resposta imune desencadeada por uma vacinação contra P.1 seja mais fraca do que contra outras variantes do vírus. Vários experimentos de neutralização sugerem isso. Os soros de pessoas vacinadas são misturados na cultura de células com células que carregam Sars-CoV-2 em sua superfície. Você testa se os anticorpos contidos no soro se ligam aos vírus e assim os neutraliza. Se as pessoas do teste foram vacinadas com a vacina chinesa Coronavac , amplamente utilizada no Brasil, cinco meses após a vacinação quase não havia anticorpos eficazes contra o P.1. Os soros de pessoas vacinadas com vacinas Biontech / Pfizer mostraram uma neutralização reduzida em de duas vezes .

Variantes de Sars-CoV-2

As três variantes questionáveis ​​compartilham mutações diferentes, duas das quais estão particularmente em foco: o N501Y aparentemente aumenta a transferibilidade do vírus; E484K permite que ele evite alguns anticorpos.
Variantes de Sars-CoV-2 - As três variantes questionáveis ​​compartilham mutações diferentes, duas das quais estão especificamente em foco: o N501Y aparentemente aumenta a transferibilidade do vírus;  E484K permite que ele evite alguns anticorpos.

Comparações com a variante do vírus chamada B.1.351, que foi descoberta na África do Sul e atualmente domina lá, também sugerem que as vacinas disponíveis na Europa e nos EUA contra a variante do vírus brasileiro oferecem menos proteção. Porque algumas das mutações contidas em P.1 também ocorrem em B.1.351 e levam ao fato de que os anticorpos se ligam mais fracamente aos vírus.

Em experiências de neutralização, os soros de indivíduos vacinados que receberam as vacinas Biontech / Pfizer e Moderna foram seis a dez vezes menos eficazes contra B.1.351 do que contra variantes de vírus “antigas”. E em estudos clínicos, as vacinas da AstraZeneca, Johnson & Johnson e Novavax ofereceram menos proteção contra a variante sul-africana.

Como as outras novas variantes de vírus, P.1 não é apenas um problema local. P.1 também está se espalhando pelo globo. De acordo com a base de dados Gisaid, na qual especialistas de todo o mundo publicam dados do genoma do Sars-CoV-2, foram encontrados mais de 450 casos de P.1 em 19 países. Já na Suíça foram registrados 15 casos de P.1. Esta variante do vírus ainda não foi encontrada na Alemanha.

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Este texto foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo Neue Zürcher Zeitung [Aqui!].

Estudo mostra que mudanças climáticas estão relacionadas ao aparecimento do coronavírus

A população mundial de morcegos carrega cerca de 3.000 tipos diferentes de coronavírus.

MORCEGOSAs gerações futuras podem enfrentar uma “bomba-relógio” ambiental se a mudança climática tiver um efeito significativo nas reservas essenciais de água subterrânea. Cardiff University – Arquivo

Um novo estudo, publicado na revista Science of the Total Environment, fornece a primeira evidência de um mecanismo pelo qual as mudanças climáticas podem ter desempenhado um papel direto no surgimento do SARS-CoV-2, o vírus que causa a pandemia de COVID-19.

As emissões globais de gases de efeito estufa durante o século passado tornaram o sul da China um hotspot para coronavírus transmitidos por morcegos, alimentando o crescimento de habitat florestal favorecido por morcegos.

O estudo revelou mudanças em grande escala no tipo de vegetação na província de Yunnan, no sul da China, e nas regiões adjacentes de Mianmar e Laos, no século passado.

Mudanças climáticas, incluindo aumentos na temperatura, luz solar e dióxido de carbono atmosférico, que afetam o crescimento de plantas e árvores, mudaram os habitats naturais de arbustos tropicais para savanas tropicais e florestas decíduas. Isso criou um ambiente adequado para muitas espécies de morcegos que vivem predominantemente em florestas.

Espécie de morcego

A quantidade de coronavírus em uma área está intimamente relacionada ao número de diferentes espécies de morcegos presentes. O estudo descobriu que outras 40 espécies de morcegos se mudaram para a província de Yunnan, no sul da China, no século passado, abrigando cerca de 100 outros tipos de coronavírus transmitidos por morcegos. Este ‘hotspot global’ é a região onde os dados genéticos sugerem que o SARS-CoV-2 pode ter surgido.

“A mudança climática no último século tornou o habitat na província de Yunnan, no sul da China, adequado para mais espécies de morcegos”, diz o Dr. Robert Beyer, pesquisador do Departamento de Zoologia da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e primeiro autor do o estudo, que recentemente ganhou uma bolsa de pesquisa europeia no Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático, na Alemanha.

“Entender como a distribuição global das espécies de morcegos mudou como resultado da mudança climática pode ser um passo importante na reconstrução da origem do surto de covid-19”, ele destaca.

Para obter os resultados, os pesquisadores criaram um mapa da vegetação do mundo como era há um século, usando registros de temperatura, precipitação e cobertura de nuvens. Em seguida, eles usaram informações sobre as necessidades de vegetação das espécies de morcegos do mundo para calcular a distribuição global de cada espécie no início do século XX.

Comparar isso com as distribuições atuais permitiu-lhes ver como a ‘riqueza de espécies’ dos morcegos, o número de espécies diferentes, mudou em todo o mundo no século passado devido às mudanças climáticas.

“Quando as mudanças climáticas alteraram os habitats, as espécies deixaram algumas áreas e se mudaram para outras, levando seus vírus”, explica Beyer. Animais e vírus, fazendo com que vírus mais nocivos sejam transmitidos ou evoluam ”.

A população de morcegos do mundo carrega cerca de 3.000 tipos diferentes de coronavírus, com cada espécie de morcego abrigando uma média de 2,7 coronavírus, a maioria sem sintomas.

Um aumento no número de espécies de morcegos em uma determinada região, impulsionado pela mudança climática, pode aumentar a probabilidade de que um coronavírus prejudicial aos humanos esteja presente, transmitido ou evoluído ali.

Coronavírus

A maioria dos coronavírus transmitidos por morcegos não pode afetar humanos. Mas é altamente provável que vários coronavírus conhecidos por infectar humanos tenham se originado em morcegos, incluindo três que podem causar mortes humanas: síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS) CoV e síndrome respiratória aguda grave (SARS) CoV-1 e CoV-2.

A região identificada pelo estudo como um hotspot para um aumento impulsionado pelo clima na riqueza de espécies de morcegos também é lar de pangolins, que supostamente atuaram como hospedeiros intermediários para SARS-CoV-2. O vírus provavelmente passou dos morcegos para esses animais, que mais tarde foram vendidos em um mercado de animais selvagens em Wuhan, onde ocorreu o surto humano inicial.

Os pesquisadores ecoam os apelos de estudos anteriores pedindo aos formuladores de políticas que reconheçam o papel da mudança climática nos surtos de doenças virais e abordem a mudança climática como parte dos programas de recuperação econômica da COVID-19.

“A pandemia da COVID-19 causou tremendo dano social e econômico. Os governos devem aproveitar a oportunidade para reduzir os riscos de doenças infecciosas para a saúde, tomando medidas decisivas para mitigar as mudanças climáticas”, explica a professora Andrea Manica, do Departamento de Zoologia da Universidade de Cambridge, que participou do estudo.

“O fato de que a mudança climática pode acelerar a transmissão de patógenos da vida selvagem para os humanos deve ser um alerta urgente para reduzir as emissões globais”, acrescenta o professor Camilo Mora, da Universidade do Havaí, que iniciou o projeto.

Os pesquisadores destacam a necessidade de limitar a expansão de áreas urbanas, fazendas e áreas de caça em habitats naturais para reduzir o contato entre humanos e animais transmissores de doenças.

O estudo também mostra que, ao longo do século passado, as mudanças climáticas também levaram ao aumento do número de espécies de morcegos nas regiões da África Central e em manchas espalhadas na América do Sul e Central. (EU)

Este texto foi originalmente escrito em espanhol e publicado pelo jornal El Télegrafo [Aqui].

Ao danificar vasos sanguíneos, cloroquina pode piorar COVID-19, sugere estudo

Ensaios in vitro mostraram que substância causa disfunção nas células endoteliais, presentes nos vasos, o que prejudica circulação sanguínea e órgãos como coração e pulmões. Conclusão de pesquisador é de que efeito colateral agrava uma das principais condições de mortalidade da doença provocada pelo novo coronavírus, anulando potenciais benefícios

Pesquisa constatou que cloroquina causou stresse oxidativo e danos em células endoteliais, presentes nos vasos sanguíneos, o que pode potencializar tromboses causadas pelo novo coronavírus. Foto: Daniel Foster/Flickr, 2018.Pesquisa constatou que cloroquina causou estresse oxidativo e danos em células endoteliais, presentes nos vasos sanguíneos, o que pode potencializar tromboses causadas pelo novo coronavírus. Foto: Daniel Foster/Flickr, 2018.

Por João Cubas para o Ciência UFPR

Um estudo realizado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) concluiu que a cloroquina provoca danos em células endoteliais, presentes em todos os vasos sanguíneos do corpo humano. Os resultados estão no artigo “Chloroquine may induce endothelial injury through lysosomal dysfunction and oxidative stress“, publicado na revista Toxicology and Applied Pharmacology.

A pesquisa foi conduzida durante o doutorado de Paulo Cézar Gregório, do Programa de Pós-Graduação em Microbiologia, Parasitologia e Patologia da UFPR, sob a orientação da professora Andréa Emília Marques Stinghen, do Departamento de Patologia Básica e do professor Fellype de Carvalho Barreto​, do Departamento de Medicina Interna da UFPR.

Para chegar a essa comprovação, o pesquisador trabalhou com linhagens de células endoteliais humanas extraídas de vasos sanguíneos, que foram cultivadas na presença de cloroquina, em concentrações incapazes de causar sua morte celular, por até 72 horas.

Observou-se que, durante esse período, a célula induziu significativamente o acúmulo de organelas ácidas, aumentou os níveis de radicais livres e diminuiu a produção de óxido nítrico, levando ao estresse oxidativo e dano celular. Este processo, chamado de disfunção endotelial, pode resultar no funcionamento incorreto ou até na morte da célula.

“Ela para de produzir substâncias que a protegem e passa a produzir em excesso substâncias tóxicas”, resume a professora Andrea. Ainda de acordo com a hipótese do estudo, a disfunção endotelial pode afetar a circulação sanguínea, e por consequência, órgãos como coração, rins e pulmões.

Lesões celulares podem contribuir para maus resultados do uso da cloroquina contra a COVID-19

O comportamento das células cultivadas em laboratório é semelhante a de células endoteliais infectadas pelo vírus Sars-Cov-2. Por isso, os pesquisadores concluem que a lesão nas células pode contribuir com o fracasso da cloroquina como terapia para o tratamento da COVID-19. Embora haja diminuição da replicação viral in vitro, o uso da substância traz reações adversas.

“Se por um lado, a cloroquina pode diminuir a replicação viral, por outro promove uma citotoxicidade que pode potencializar a infecção viral”, enfatiza Gregório.

Efeitos de diferentes concentrações de cloroquina nas células endoteliais: nas doses maiores, substância reduz viabilidade celular. Nas menores, causa estresse oxidativo e cria condições para a formação de trombos. Ilustração: Aspec/UFPR
Efeitos de diferentes concentrações de cloroquina nas células endoteliais: nas doses maiores, substância reduz viabilidade celular. Nas menores, causa estresse oxidativo e cria condições para a formação de trombos. Ilustração: Aspec/UFPR

Outras pesquisas já comprovam que a alta mortalidade nos casos graves de covid-19 é relacionada à micro ou macrotrombose, ou seja, à lesão celular endotelial. Por isso, os resultados do estudo são importantes para endossar a comprovação clínica, conforme explica Stinghen: “Já está provado que a covid causa muitos problemas de coagulação e de circulação. Com isso, conseguimos ligar esses efeitos que observamos nas células, aos que os pacientes apresentam clinicamente”.

Prescrição tradicional da cloroquina contra doenças graves considera custo e benefício

A cloroquina já é utilizada há muitos anos para o tratamento de malária e doenças autoimunes, como o lúpus. Sobre o uso já consolidado, Gregório enfatiza que, ao utilizar qualquer medicamento, deve-se pesar os riscos e benefícios, pois não existe medicamento sem efeitos adversos. “É preferível controlar doenças graves em troca dos efeitos colaterais da cloroquina. Assim é com toda terapia comprovada para alguma doença. Os benefícios têm que superar os riscos”, avalia.

Gregório foi bolsista Capes (Doutorado Sanduíche) entre 2016 e 2020 e realizou parte se seus estudos na Universidad Autónoma de Madrid e na Fundación Jiménez Díaz, na Espanha. O projeto também contou com bolsistas de Iniciação Científica e recebeu verbas do Edital de Apoio de Atividades de Pesquisa da UFPR.

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Este texto foi inicialmente publicado pelo Ciência UFPR [Aqui!  ].

Alemanha: Creches abertas? sim, mas!

Educadores de Brandemburgo estão pedindo melhores conceitos de proteção para creches, testes para COVID-19 e um rápido processo de vacinaçãoUma criança não testada mede febre em um brinquedo macio

Uma criança não testada mede a temperatura de um brinquedo de pelúcia. Foto: iStock / lithiumcloud
 
Por Ulrike Wagner para o Neues Deutschland

“Entre o Natal e o Ano Novo, dez professores de nossa instituição adoeceram com o coronavírus”, disse a educadora de Potsdam, Jana Müller, em uma entrevista coletiva sobre a situação nas creches de Brandenburg nesta terça-feira. Eles não sabem onde foram infectados. Mas: Havia cinco crianças com resfriados na época. No final das contas, uma criança sem sintomas de resfriado testou positivo para  a COVID-19.  A membro do Conselho de tTrabalhadores pede ao governo estadual de Brandenburg que forneça mais proteção contra a COVID-19 para os educadores em Brandenburg.

Com ela, mais de 530 outras pessoas (na tarde de terça-feira) que assinaram uma petição online de Verdi desde domingo, estão pedindo isso. “O funcionamento regular só é possível com educadores saudáveis”, diz o sindicato. “Apelamos ao governo do estado para finalmente agir e enfrentar a discussão com os educadores”, diz Frank Wolf. Uma carta do sindicato ao primeiro-ministro Dietmar Woidke e à ministra da Educação Britta Ernst (ambos SPD) permanece sem resposta até agora, de acordo com o chefe regional do Verdi de Berlin-Brandenburg. Especificamente, os signatários da petição exigem o fornecimento regular de máscaras de proteção, testes rápidos semanais para detectar a infecção por coronavírus, e a oferta de serem vacinados o mais rápido possível,

O governo estadual “apela” aos pais para que cuidem dos filhos em casa. As creches só devem permanecer fechadas em regiões com número particularmente alto de infecções, como é o caso atualmente nos distritos de Oberspreewald-Lausitz e Ostprignitz-Ruppin. No momento, as 1900 creches em Brandenburg estão abertas quase normalmente, com capacidade de 70 a 90%, de acordo com a coletiva de imprensa. Isso corresponde aproximadamente à taxa de ocupação de janeiro passado. O Ministério da Educação de Brandemburgo contradiz esta informação. De acordo com os departamentos sociais responsáveis ​​dos distritos urbanos, a ocupação das creches é de apenas 45 a 60%, de acordo com a porta-voz do ministério Ulrike Grönefeld. Isso corresponde, a grosso modo, aos valores do pronto-socorro quando as creches estavam fechadas. A estratégia de teste nas creches também terá continuidade. As capacidades de testagem ainda estão sendo negociadas.

A petição online, entretanto, critica o fato de não haver exigência de máscara nem testes abrangentes. No site do ministério está escrito: »Geralmente não é necessário que os profissionais da educação usem máscaras FFP2 ou FFP3 como equipamento de proteção individual.”

Diana Walluks, educadora em Kremmen e presidente do grupo de especialistas regionais do Verdi para o bem-estar social, infantil e juvenil, relata a existência de um grande medo de infecção entre os educadores. Os regulamentos inconsistentes também inquietaram seus colegas.

Esse quadro também se reflete nos mais de 250 comentários sobre a petição que já estavam lá na tarde de terça-feira. “Como educadores, também temos famílias em casa que queremos proteger. Cada vez que vou para casa com um sentimento de medo – de arrastar este vírus comigo hoje e transmiti-lo à minha família «, escreveu uma pessoa que assinou a petição. Não é possível manter distância de crianças menores de seis anos, escreve Antje Graßhoff-Meyer: »As crianças não apresentam sintomas e não são testadas. De acordo com relatos de meus colegas de outras creches do nosso provedor, as crianças chegam sem fazer o teste e ambos os pais estão infectados. “

Desde segunda-feira, educadores da cidade de Potsdam podem fazer um teste de saliva duas vezes por semana. Não as crianças – muitas vezes sem sintomas. Claudia Mühlmann da VSB Child and Youth Welfare em Potsdam não consegue, como ela diz, “encontrar uma resposta politicamente correta” para o porquê disso. Ela suspeita que isso tenha motivos financeiros. Além de vários testes rápidos por semana, a proteção vacinal deve ter alta prioridade para os educadores. O sindicato Verdi pede que os educadores tenham a maior prioridade, ao lado das profissões médicas. No entanto, a vacinação não deve ser obrigatória, afirma o sindicalista Wolf. A educadora de Potsdam Jana Müller mencionada no início explica: »Creches abertas, sim, mas, por favor, vacine primeiro os educadores.

Na situação atual, segundo o sindicato e os educadores presentes, não deveria haver um atendimento regular. Deve ser claramente regulamentado quem pode fazer uso dos cuidados de emergência. “O que queremos evitar é que a gerência do Kita no local tenha que discutir com os pais se eles são sistemicamente relevantes ou não”, diz Frank Wolf.

A situação também é desafiadora para pais e filhos. “Não há conversas com os pais”, explica Sylvia Papendorf, presidente do conselho geral de trabalho da Volkssolidarität. É difícil explicar às crianças que não devem se misturar com os outros grupos no parquinho. “Mas as crianças se dão muito bem com as situações”, diz Papendorf.

Liane Sachse, de Ludwigsfelde, quer que as decisões do governo sejam comunicadas mais cedo. “Até os educadores precisam de planejamento de segurança, eles também têm filhos e famílias”, diz o gerente do Kita.

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Este texto foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo jornal “Neues Deutschland [Aqui!].

Instituições lançam a Aliança pela Ação Climática – Brasil (ACA-BR)

O grupo irá mobilizar a sociedade em apoio à ação climática
Pernambuco se une a movimento nacional por Ação Climática - Folha PE

A mudança climática global representa o maior desafio do tempo atual. Evidências científicas sugerem que o nível atual de gás carbônico na atmosfera é o mais alto em 3,5 milhões de anos.

O Brasil sofre diretamente os impactos das mudanças climáticas. O país enfrenta problemas como a escassez de água, incêndios e inundações cada vez mais frequentes e intensos e com impactos diretos na saúde humana, na produção de energia e na produtividade agrícola. A crise climática também está mudando a face dos ecossistemas únicos, desde a Amazônia e a Mata Atlântica até o Cerrado e o Pantanal. Quando combinadas com a destruição do habitat, a mudança climática pode alterar para sempre a estrutura e a composição desses ecossistemas, comprometendo os serviços ecossistêmicos dos quais a população depende. A menos que se enfrente o desafio climático de frente, ele gerará impactos econômicos, sociais e humanos ainda mais negativos do que os causados ​​pela nova pandemia do novo coronavírus.

Em 2015, países de todo o mundo uniram forças para enfrentar este desafio à humanidade ao adotar o Acordo de Paris, se comprometendo a enviar contribuições nacionais para reduzir as emissões e adaptar seus territórios aos impactos da mudança climática. No entanto, com base nas contribuições submetidas até agora, mesmo se os compromissos nacionais forem implementados, as temperaturas deverão subir 3°C, bem acima da recomendação de 1,5°C, o que indica que os esforços devem ser ainda mais ambiciosos em todo o mundo e, para tal, a contribuição de todos os atores da sociedade é essencial.

O Brasil tem sido reconhecido como líder global no enfrentamento da mudança climática, como articulador na busca de consensos para ações climáticas coletivas. Embora o país seja o sexto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, possui o necessário para construir um novo modelo de desenvolvimento: é o país mais biodiverso, com a maior área de floresta tropical do planeta e com um potencial incomparável de energia renovável. Apesar da pandemia que assolou o país, os líderes locais estão dando o exemplo de que atender às necessidades dos brasileiros pode andar de mãos dadas com a solução da crise climática.

O Brasil tem a responsabilidade e a oportunidade de estar na vanguarda dos esforços globais para enfrentar a mudança climática, se recuperar da pandemia da Covid-19 de uma forma que desvincule o crescimento do país das emissões de gases de efeito estufa e crie resiliência socioecológica. Podemos aplicar soluções baseadas na natureza e colocar sistemas em funcionamento para construir uma economia neutra em carbono e resiliente, com potencial de gerar milhões de empregos verdes, reduzir as desigualdades estruturais e melhorar a qualidade de vida de nosso povo. Este é um momento que exige que todos os líderes façam a sua parte, trabalhem juntos para construir um futuro melhor para todos os brasileiros. Da mesma forma, as empresas e organizações devem alinhar suas estratégias e operações com uma economia neutra em carbono. Quando se lidera pelo exemplo da ação climática, se torna parte da solução

Sabendo que o Brasil precisa da voz coletiva e fortalecida de todas as instituições comprometidas para trazer a ação climática para o centro do debate público, a Aliança pela Ação Climática – Brasil (ACA-BR) foi criada para mobilizar líderes empresariais, investidores, autoridades locais e estaduais, academia, imprensa, entidades religiosas, federações indígenas, organizações da sociedade civil e jovens em apoio à ação climática no Brasil. O objetivo da aliança é complementar o ecossistema existente de ação climática no Brasil, reunindo esses atores para inspirar ações climáticas mais ousadas por meio da colaboração; engajar o público brasileiro sobre a urgência e os benefícios da ação climática embasado em análises sólidas; e apoiar as condições políticas que podem acelerar a transição do Brasil para uma sociedade resiliente para o benefício de todos os brasileiros e de todo o mundo, em consonância com o Acordo de Paris.

O lançamento da ACA Brasil acontece dia 28 de janeiro de 2021, às 14 horas, ainda respirando os ares do aniversário de cinco anos do Acordo de Paris. À medida que o mundo olha para o próximo marco climático na COP26 em Glasgow, a ACA Brasil trabalhará para mobilizar toda a sociedade brasileira rumo à COP26 e durante esta década decisiva.

No dia 28 de janeiro, o evento de lançamento será moderado por Daniela Lerário, Líder Brasil da equipe de Campeões do Clima da COP26, acompanhada por Gonzalo Muñoz, Campeão de Alto Nível da COP25; e Suzana Kahn, Diretora Adjunta da Coppe (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

O evento de lançamento da ACA Brasil também incluirá depoimentos de governadores, prefeitos, investidores, acadêmicos, empresários e jovens líderes e será transmitido ao vivo no YouTube a partir das 14 horas (horário de Brasília).

Serviço

Data: 28 de Janeiro

Horário: 14h (Brasília)

Sobre Alianças para Ação Climática

A ACA-Brasil faz parte das Alianças para Ação Climática, uma rede diversificada de alianças nacionais dedicadas à ação climática ambiciosa, aumentando o apoio público para enfrentar a crise climática e engajando seus respectivos governos nacionais para descarbonizar mais rapidamente e, por fim, alcançar reduções de emissões alinhadas com os objetivos do Acordo de Paris com os quais cada país se comprometeu. Saiba mais sobre as Alianças para Ação Climática em: https://www.alliancesforclimateaction.org/