Cartórios de Campos dos Goytacazes registram recorde de “Pais Ausentes” e mais de 1 mil crianças sem o nome paterno na pandemia

Novos módulos do Portal da Transparência do Registro Civil, abastecidos com dados em tempo real, mostram aumento de Mães Solos e queda nos Reconhecimentos de Paternidade durante a crise sanitária da COVID-19

a-civil

Dados inéditos levantados pelos Cartórios de Registro Civil de Campos dos Goytacazes apontam que, nos quase dois anos completos de pandemia, mais de 1 mil crianças campistas foram registradas somente com o nome da mãe na certidão de nascimento. O número, que representa 7% dos recém-nascidos em uma das maiores cidades do Médio Paraíba, ganha ainda mais relevância quando os últimos dois anos apontaram a menor quantidade de nascimentos na cidade. Além disso, os reconhecimentos de paternidade registraram queda quando comparados a 2019, ano anterior ao início da pandemia de COVID-19.

Os dados constam nos dois novos módulos – “Pais Ausentes” e “Reconhecimento de Paternidade” – que acabam de ser lançados no Portal da Transparência do Registro Civil, plataforma nacional, administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), que reúne os dados referentes aos nascimentos, casamentos e óbitos registrados nos 168 Cartórios de Registro Civil do Rio de Janeiro, distribuídos em todos os municípios e distritos do Estado.

Em números absolutos, 1.119 recém-nascidos em 2020 e 2021 foram registrados com apenas o nome da mãe em sua certidão de nascimento, sendo 580 no primeiro ano de pandemia, e 539 no segundo ano. Os recordes são verificados justamente no ano em que houve os menores números de nascimentos desde o início da série histórica dos Cartórios, em 2003, totalizando 7.929 registros em 2020 e 7.823 em 2021.

Outra queda verificada nos Cartórios de Registro Civil de Campos dos Goytacazes mostra que os reconhecimentos de paternidade sofreram uma diminuição em meio à crise sanitária, passando de 7 em 2019 para 1 em 2020, e nenhum em 2021.

“Mais uma vez os Cartórios de Registro Civil do Rio de Janeiro prestam um serviço importante e essencial para a sociedade, que implica em, junto a órgãos responsáveis, submeter dados relevantes para a implementação de políticas públicas que sejam direcionadas a contribuir com o desenvolvimento da cidadania entre a população mais afetada pela pandemia”, afirma Humberto Monteiro da Costa, presidente da Arpen/RJ.

Rio de Janeiro

Já no Rio de Janeiro, os dados levantados pelos Cartórios de Registro Civil apontam que, nos quase dois anos completos de pandemia, mais de 26 mil crianças fluminenses foram registradas somente com o nome da mãe na certidão de nascimento. O número, que representa 7% dos recém-nascidos fluminenses, ganha ainda mais relevância quando os últimos dois anos apontaram a menor quantidade de nascimentos no Estado. Além disso, os reconhecimentos de paternidade caíram mais de 20% quando comparados a 2019, último ano antes da chegada da COVID-19.

Em números absolutos, 26.017 recém-nascidos em 2020 e 2021 foram registrados com apenas o nome da mãe em sua certidão de nascimento, sendo 12.643 no primeiro ano de pandemia, e 13.374 mil no segundo ano. Os recordes são verificados justamente nos anos em que houveram os menores números de nascimentos desde o início da série histórica dos Cartórios, em 2003, totalizando 196.475 registros em 2020 e 192.835 em 2021.

Outra queda verificada pelos dados dos Cartórios de Registro Civil fluminenses mostra que os reconhecimentos de paternidade sofreram diminuição vertiginosa em meio a crise sanitária, passando de 971 em 2020 para 781 em 2021 — queda de 20% em relação a 2020, ano em que começou a pandemia.

Como reconhecer a paternidade

Desde 2012, com a publicação do Provimento nº. 16, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o procedimento de reconhecimento de paternidade pode ser feito diretamente em qualquer Cartório de Registro Civil do país, não sendo necessária decisão judicial nos casos em que todas as partes concordam com a resolução. Nos casos em que iniciativa seja do próprio pai, basta que ele compareça ao cartório com a cópia da certidão de nascimento do filho, sendo necessária a anuência da mãe ou do próprio filho, caso este seja maior de idade. Em caso de filho menor, é necessário a anuência da mãe. Caso o pai não queira reconhecer o filho, a mãe pode fazer a indicação do suposto pai no próprio Cartório, que comunicará aos órgãos competentes para que seja iniciado o processo de investigação de paternidade.

Desde 2017, caso a criança tenha 12 anos ou mais, também é possível realizar em Cartório o reconhecimento da filiação socioafetiva, procedimento por meio do qual se reconhece a existência de uma relação de afeto, sem nenhum vínculo biológico, desde que haja a concordância da mãe e/ou do pai biológico. Neste caso, caberá ao registrador civil atestar a existência do vínculo afetivo da paternidade ou maternidade, mediante a apuração objetiva por intermédio da verificação de elementos concretos, como testemunhas ou da apresentação de documentos, como por exemplo: inscrição do pretenso filho em plano de saúde ou em órgão de previdência; registro oficial de que residem na mesma unidade domiciliar; certidão de casamento ou de união estável — com o ascendente biológico; entre outros. 

Sobre a Arpen/RJ

A Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado do Rio de Janeiro (Arpen/RJ) representa os 179 cartórios de registro civil, que atendem a população em todos os 92 municípios do Estado, além de estarem presentes em todos os distritos e subdistritos, realizando os principais atos da vida civil de uma pessoa: o registro de nascimento, casamento e óbito.

Acionistas da Biontech são agraciados com dividendos robustos graças às vacinas contra a COVID-19. Trabalhadores são deixados de fora da festa

A fabricante de vacinas Biontech relata lucro recorde. Dividendo especial para especuladores, enquanto que os funcionários da empresa não recebem nada

biontech vacinas»Libere as patentes!« manifestantes de demanda em frente à sede da empresa em Mainz (13 de dezembro de 2021)

Por Sebastian Edinger para o JungeWelt

Graças à pandemia do novo coronavírus, o fundador da Biontech, Ugur Sahin, é agora um dos dez alemães mais ricos, com ativos privados de 13,6 bilhões de dólares. Os números de negócios apresentados nesta quarta-feira (30/03) mostram que a caixa registradora continua tocando, cada vez mais alto. A startup de Mainz conseguiu reportar um lucro líquido de 10,3 bilhões de euros em 2021, com vendas de 19 bilhões. Em 2020, ou seja, no ano financeiro anterior à colocação da vacina contra a COVID-19 no mercado, o lucro ainda estava na faixa de dois dígitos de milhões.

De acordo com Sahin, olhando para trás, 2021 foi “um ano extraordinário em que a Biontech teve um impacto significativo na saúde pública e na economia global com a primeira vacina aprovada baseada em nossa tecnologia de mRNA”. Para “continuar o papel pioneiro na indústria”, ele gostaria de “aproveitar o sucesso de 2021”. Isso deve ter sucesso, porque o futuro também parece róseo para a administração da Biontech e os acionistas da empresa farmacêutica: o enorme lucro em 2021 foi gerado pela venda de um total de 2,6 bilhões de doses da vacina contra a COVID-19. Para 2022, já existem pedidos assinados de 2,4 bilhões de vacinas.

E não vai parar por aí, porque mesmo que a vacina fabricada na Alemanha não tenha conseguido parar a pandemia até agora, o apoio político permanece estável: o ministro da Saúde Karl Lauterbach (SPD) já está promovendo a quarta fase de vacinação, e a vacinação geral também, segundo ela, porque vamos lá, vamos encher ainda mais as carteiras de pedidos da Biontech. A empresa também está atualmente trabalhando em um estudo interno, que provavelmente provará ao público em abril que uma versão de vacina adaptada à variante Omicron é particularmente eficaz e vale a pena comprar. Trata-se de uma nova vacina à base de ômicron que deve ser combinada com a vacina COVID-19 anterior. Segundo o grupo, “possíveis pedidos de aprovação” devem ser apoiados.

Ao mesmo tempo, o governo federal da Alemanha está engajado com paixão e sucesso no cenário internacional contra a liberação de patentes de vacinas. Na África, onde a taxa de vacinação ainda está bem abaixo de  10% em muitos lugares e há, portanto, um mercado gigantesco a ser ocupado, as pessoas terão que ser pacientes até que a Biontech comece a produzir as próprias vacinas na nova fábrica de contêineres autoconstruída em algum momento de 2023 e para o benefício de outros  já que o lucro com a vendas vai aumentar.

Houve mais uma boa notícia para os acionistas da farmacêutica na quarta-feira: na assembleia geral anual, a direção da empresa quer ter um programa de recompra de ações de até 1,5 bilhão de dólares aprovado para os próximos dois anos. Isso elevaria ainda mais o preço dos títulos. Paralelamente, foi dada aos acionistas a perspectiva de um dividendo especial de dois euros por ação em face aos fantásticos números do negócio. As despesas com pesquisa e desenvolvimento também devem aumentar no ano em curso, em 50%, para cerca de 1,5 bilhão de euros.

Entretanto, os empregados da Biontech foram deixados para trás. De acordo com o sindicato da indústria de mineração, química e energia (IG BCE), eles se queixam de estruturas de remuneração não transparentes e altas cargas de trabalho. Não há acordos coletivos de trabalho no grupo de Mainz, e as ofertas de negociações do sindicato foram recusadas por anos pela direção da Biontech.


color compass

Este texto foi escrito inicialmente em alemão e publicado pelo JungeWelt [Aqui!].

Estudo brasileiro inédito associa poluição do ar a maior letalidade por COVID-19

Cidades com altos níveis de poluentes, como Guarulhos e Osasco, apresentaram as maiores taxas de letalidade da infecção, segundo pesquisa da Unifesp

POLUIÇÃO AR

A exposição à poluição do ar ao longo dos anos compromete o sistema respiratório, deixando-o mais vulnerável a diversas doenças. Como o vírus causador da covid-19, o Sars-CoV-2, afeta principalmente esse sistema, estudos ao redor do mundo vêm indicando relação positiva entre a exposição prolongada à concentração de poluentes na atmosfera e a letalidade da doença.

Com essa premissa, uma pesquisa pioneira no Brasil, realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), utilizou dados da pandemia e de monitoramento da qualidade do ar de municípios do estado de São Paulo e concluiu que a exposição a poluentes atmosféricos nos cinco anos anteriores à pandemia, principalmente ao material particulado fino, aumentou a letalidade da covid-19. O trabalho foi publicado no periódico Environmental Monitoring and Assessment.

Para chegar a esse resultado, pesquisadoras do Laboratório de Economia, Saúde e Poluição Ambiental do Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas (ICAQF/Unifesp) – Campus Diadema analisaram dados da qualidade do ar, entre 2015 e 2019, de 64 estações de monitoramento localizadas em 36 municípios paulistas. A taxa de letalidade da covid-19 foi calculada considerando casos e óbitos a partir dos dados oficiais do governo, e a taxa de mortalidade foi calculada considerando a população brasileira de 2020.

As cidades com os elevados níveis de poluentes atmosféricos, como Guarulhos e Osasco, situadas na região metropolitana de São Paulo, foram aquelas que apresentaram a maior letalidade da covid-19 dentre as investigadas: taxas de 6,10% e 5,12%, respectivamente. Considerando somente o índice de Guarulhos, ele foi mais que o dobro do registrado pelos municípios paulistas na média (2,9%).

“Esse estudo enriquece a discussão ao apresentar uma correlação significativa entre a letalidade da covid-19 e a exposição prolongada a poluentes atmosféricos, e também por ter considerado um país com uma das maiores incidências da doença no mundo. Assim, ele reforça que medidas para reduzir a concentração de poluentes atmosféricos são essenciais para a saúde pública, aumentando a chance de sobrevivência em futuras epidemias de doenças respiratórias”, explica Luciana Leirião, primeira autora do artigo e idealizadora do trabalho.

Os efeitos dos 2 anos da pandemia da COVID-19 na Uenf

uenf 1

Por Carlos Eduardo de Rezende*

A Pandemia de COVID-19 trouxe muitos desafios para todos os países e isso não foi diferente para as instituições de ensino superior no Brasil e no mundo. Os países passaram por uma reorganização de procedimentos coletivos na área de saúde para enfrentar um vírus que se espalhou com grande velocidade. Neste mesmo período surgiu um forte movimento negacionista e contra o conhecimento científico em pleno Século XXI. No Brasil, não foi nada diferente, pois à frente do país tivemos vários políticos e médicos pregando o uso de um medicamento que a ciência não aprovava, mas, por fim, a vacinação foi a única saída e a mais correta para controlar a disseminação do vírus. Aliás, cabe ressaltar que esta prática sempre foi muito comum em nosso país, e, por várias gerações, eficaz no controle de outras doenças. Ainda no Brasil, presenciamos, com muita tristeza, a drástica redução nos investimentos na área de ciência e tecnologia.

Na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), o primeiro movimento institucional foi o anúncio do reitor informando que faria uma parceria com a prefeitura para implantar o Laboratório de Referência Regional no Hospital Geral de Guarus (HGG) para emitir diagnósticos do Coronavírus, prevendo inicialmente 56 testes por dia (abril de 2020 Aqui!). Em maio de 2020, nova nota da reitoria dava conta da inauguração do laboratório e o número de análises passava para 100 por dia (Aqui!).

No mês de junho, durante a visita de um parlamentar à UENF, o Reitor solicita recursos para o que chamou de “Povoamento da UENF através da Inclusão Digital”. Embora a matéria enalteça as atividades da reitoria, fica a pergunta, porque as cidades da região não usavam a estrutura do Laboratório de Referência Regional do HGG e outras demandas que foram apresentadas e continuam na mesma? (Aqui!). Continuamos aguardando muitas respostas e resultados por parte desta reitoria. Para nossa surpresa, em setembro a reitoria divulga uma nota sobre o Laboratório Regional de Diagnóstico da COVID-19 onde informa que em agosto as atividades foram interrompidas por falta de material, mas também informa que foram feitos atendimentos no Norte e Noroeste Fluminense.

A informação é um pouco confusa, porque segundo a nota acima, as prefeituras não estavam enviando as amostras para os exames e depois informa que foram feitos vários atendimentos (Aqui!). Eu diria que falta uma última matéria dando conta de quantos atendimentos foram feitos por cidade, quantos projetos científicos foram realizados, se houve captação de recursos financeiros e, finalmente, se o Laboratório Regional de Diagnóstico da COVID-19 continua em pleno funcionamento no Hospital Geral de Garus (HGG). Todas essas informações são importantes para a sociedade e a parte relativa aos resultados é imprescindível para quem faz pesquisa sobre o tema. Acredito que seria de grande valia para a comunidade universitária e a sociedade regional tomar conhecimento sobre o que foi realizado neste projeto de cooperação que foi anunciado inúmeras vezes pelo Reitor.

Na nossa região, precisamente em Macaé, cientistas do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NUPEM/UFRJ) durante o ano de 2020 realizaram mais de 15 mil testes. Este estudo acabou gerando um artigo no ano de 2021 na influente revista internacional Scientific Reports (Aqui!) do grupo de publicações científicas da Nature. Maiores detalhes sobre esta ação podem ser obtidos a partir desta página (Aqui!). Outro aspecto que chamou atenção foi a capacidade do grupo do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade se mobilizar junto à sociedade para viabilizar o projeto e estabelecer um mecanismo de transparência na prestação de contas dos quase 820 mil reais que foram captados através de diferentes doadores. Este procedimento, por sua vez, gera muita credibilidade pública principalmente em um momento em que as universidades têm sido duramente questionadas e atacadas de diferentes formas. Por este motivo faço questão de deixar aqui o reconhecimento público destas ações (Ver Aqui!) dentro da nossa região.

Escrevi esta introdução porque muito me preocupo com a Uenf e várias exposições públicas têm me incomodado durante este período de 2 anos com a Pandemia de COVID-19 e agora com o retorno presencial às atividades de ensino, pesquisa e extensão, e, administrativas. Primeiro o corpo docente não teve o espaço adequado, e necessário, para discutir sobre as aulas remotas quando foram implantadas e fomos surpreendidos por uma nota conjunta da Reitoria com o DCE (Aqui!). Outro ponto que preciso deixar claro é que passado todo este tempo, muitos dos direitos dos servidores permanecem não implementados (ex.: enquadramentos, progressões, insalubridade), o auxílio tecnológico foi transformado em auxílio retorno, colocando na responsabilidade do servidor a aquisição de material de proteção individual.

Os mais otimistas podem considerar que estamos no fim da pandemia, e, portanto, não seria um problema, mas o fato é que todo material de proteção é de responsabilidade da instituição. Ressalto ainda que, por mais que os indicadores, a redução nas internações e as mortes estejam caindo, a Pandemia ainda não terminou, segundo a Organização Mundial de Saúde. Assim, a instituição deveria ter sido preparada para um retorno seguro. E o que encontramos? A mesma situação de 2 anos atrás, agravada pela falta de cuidados e ajustes durante todo este período em que a instituição esteve sob regime de atividade remota.

O reitor e todos os seus assessores fazem parte de um projeto de continuidade da administração anterior, apenas mudaram suas cadeiras, conhecem, ou deveriam conhecer, os problemas que têm sido expostos sistematicamente pela comunidade universitária, principalmente pela ADUENF, inclusive em relação às salas de aula. Torno a dizer, estes problemas antecedem à Pandemia de COVID-19. Ao longo destes 2 últimos anos percebemos que o gramado da instituição estava cortado e foram instalados um sistema de iluminação com pequenos postes. Ainda neste período, foram comprados alguns equipamentos e realizados contratos de manutenção para vários equipamentos, este movimento é muito importante para nossas pesquisas, mas a instituição não funciona apenas com esses itens.

O mais precioso de uma instituição de ensino, pesquisa e extensão, são as instalações onde formamos os nossos estudantes, ou seja, as salas de aulas e estas precisam ser tratadas de forma adequada. Embora o Reitor tenha vindo a público dizer que a instituição estava totalmente preparada para o retorno, esta afirmativa carece de razoabilidade. As salas não possuem uma ventilação adequada, parte dos equipamentos está sucateada, as carteiras não possuem espaçamento de segurança devidamente marcado, o restaurante universitário ainda não funciona e várias disciplinas têm sido oferecidas em auditórios com um número excessivo de estudantes. A situação se arrastou por 2 anos sem qualquer melhoria das condições das salas aulas e se considerarmos que tivemos uma redução de custos (ex.: telefonia, água, energia, limpeza, no mínimo) com os servidores em casa, encontrar este cenário no retorno as atividades presenciais não é nada agradável e, diria mais, é uma falta de respeito com estudantes e todos os servidores técnicos e docentes.

Concluindo, sei que muitos dos colegas da Uenf não gostam que os problemas da instituição venham a público e que devemos tratar das nossas mazelas internamente, mas no momento isso me parece necessário tendo em vista o descaso e desrespeito perpetuados durante esses últimos anos.


*Carlos Eduardo de Rezende é professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais do Centro de Biociências e Biotecnologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense.

Dados de necrotérios sugerem o verdadeiro impacto da COVID-19 na África

Cerca de 90% das pessoas falecidas testadas em uma instalação de Lusaka durante surtos de coronavírus foram positivas para infecção por SARS-CoV-2, sugerindo falhas na ideia de um ‘paradoxo africano

Uma mulher com uniforme e máscara de enfermeira recebe uma vacina.

Um profissional de saúde em Lusaka é vacinado contra o COVID-19. Crédito: Xinhua/Shutterstock

Por Freda Kreier para a Nature

Quase um terço dos mais de 1.000 corpos levados para um necrotério em Lusaka em 2020 e 2021 deram positivo para SARS-CoV-2, o que implica que muito mais pessoas morreram de COVID-19 na capital da Zâmbia do que os números oficiais sugerem 1 . Alguns cientistas dizem que as descobertas minam ainda mais o ‘paradoxo africano’, uma narrativa de que a pandemia foi menos grave na África do que em outras partes do mundo.

Essa ideia surgiu depois que especialistas em saúde notaram que as nações subsaarianas estavam relatando números mais baixos de casos e menos mortes por COVID-19 do que o esperado . Mas os pesquisadores dizem que as descobertas da Zâmbia podem refletir uma verdade mais ampla – que um déficit de testes e infraestrutura médica tensa mascararam o verdadeiro pedágio do COVID-19 no continente. As descobertas ainda não foram revisadas por pares.

Ignorar a verdadeira extensão do COVID-19 em Lusaka e além “é muito errado. As pessoas estavam doentes. Eles tiveram suas famílias destruídas”, diz o coautor Christopher Gill, especialista em saúde global da Universidade de Boston, em Massachusetts. Um de seus colegas na Zâmbia morreu de COVID-19 enquanto trabalhava no projeto.

“Não é hipotético para mim”, diz Gill.

Casos de COVID em falta

Quando o SARS-CoV-2 começou a se espalhar globalmente, muitos pesquisadores de saúde temiam que o vírus devastasse a África subsaariana. Mas os números surpreendentemente baixos de casos de COVID-19 relatados na região levaram à percepção “de que a debilitação grave e as mortes causadas pelo COVID-19 eram de alguma forma menores na África em comparação com outros continentes”, diz Yakubu Lawal, endocrinologista do Federal Medical Medical Center. Centro Azare na Nigéria.

Lawal e outros cientistas especularam 2 que a relativa juventude da população africana poderia ter ajudado a poupar o continente, mas também suspeitavam que os números oficiais fossem subnotificados. A questão era por quanto.

Buscando respostas, Gill e seus colegas na Zâmbia testaram corpos em um dos maiores necrotérios de Lusaka para SARS-CoV-2 durante vários meses em 2020 e 2021. A positividade do teste foi de 32% no geral – e atingiu cerca de 90% durante o pico das ondas causadas pelas variantes Beta e Delta . Além disso, apenas 10% das pessoas cujos corpos continham o vírus após a morte deram positivo enquanto ainda estavam vivas. Alguns tiveram resultados falsos negativos, mas a maioria nunca foi testada.

Embora Gill e seus colegas não possam confirmar que todas essas pessoas morreram de COVID-19, os resultados ainda contrastam fortemente com os números oficiais. Até agora, houve menos de 4.000 mortes confirmadas por COVID-19 na Zâmbia, um país de cerca de 19 milhões de pessoas. Descobertas separadas publicadas em 10 de março sugerem que o ‘excesso’ de mortes da Zâmbia – aquelas acima do que normalmente seria esperado – de 1º de janeiro de 2020 até o final de 2021 excederam 80.000 3 .

Os números de Lusaka combinam com as estatísticas da África do Sul, onde um estudo de 2021 descobriu que apenas 4 a 6% das infecções por SARS-CoV-2 em duas comunidades foram oficialmente documentadas 4 . Um estudo mais aprofundado das mesmas comunidades mostrou que 62% dos participantes do estudo foram infectados pelo menos uma vez de julho de 2020 a agosto de 2021 5 . A coautora Cheryl Cohen, epidemiologista da Universidade de Witwatersrand em Joanesburgo, África do Sul, diz que muitas dessas infecções eram assintomáticas , mas que as pessoas com sintomas também podem não ter sido detectadas devido ao custo e à dificuldade de fazer o teste.

Gill suspeita que uma das principais razões para a diferença entre seus resultados e as contagens oficiais é que a maioria das pessoas na Zâmbia que morrem de COVID-19 o fazem fora dos cuidados médicos. Quatro em cada cinco pessoas testadas no estudo nunca foram internadas em um hospital; a maioria das infecções não notificadas ocorreu em pessoas que vivem nos bairros de baixa renda de Lusaka.

“Ninguém está vacinado. Ninguém tem máscaras. Ninguém tem acesso aos cuidados médicos de que precisam”, diz Gill. “Estamos em uma população que já está estressada e insalubre, e então – bam! Entra a COVID-19.”

Vasta variação

Mas nem todos estão convencidos de que as descobertas de Lusaka invalidam a ideia do paradoxo africano. Na Etiópia, por exemplo, “nossa experiência é que as pessoas são infectadas com o vírus, são assintomáticas ou apresentam sintomas leves e se recuperam”, diz Amare Abera Tareke, fisiologista da Universidade Wollo em Dessie. “Embora seja difícil ignorar a descoberta atual, temos que levá-la com cautela.”

Gill teme que a ideia de que a África tenha sido poupada do pior da pandemia possa ter levado as pessoas a correr riscos desnecessários ou contribuído para “a falta de urgência” no fornecimento de vacinas às nações africanas.

“Acho que isso pode ser exclusivo de Lusaka”, diz ele, “mas cara, você realmente teria que se esforçar para explicar o porquê.”

doi: https://doi.org/10.1038/d41586-022-00842-9

Referências

  1. Gill, CJ et ai. Pré-impressão em medRxiv https://doi.org/10.1101/2022.03.08.22272087 (2022).

  2. Lawal, Y. Int. J. Infectar. Des. 102 , 118-122 (2021).

    ArtigoGoogle Scholar

  3. Colaboradores da mortalidade por excesso de COVID-19. Lancet https://doi.org/10.1016/S0140-6736(21)02796-3 (2022).

    ArtigoGoogle Scholar

  4. Kleynhans, J. et ai. Emerg. Infectar. Des. 27 , 3020-3029 (2021).

    PubMedArtigoGoogle Scholar

  5. Cohen, C. et ai. Lanceta Infect. Des . https://doi.org/10.1016/S1473-3099(22)00069-X (2022).

    ArtigoGoogle Scholar


color compass

Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pela revista Nature [Aqui!].

Wladimir torna facultativo o uso de máscaras faciais, enquanto no HGG papel higiênico e vasos sanitários estão em falta

with-192486

Sob aplausos animados do Sars-Cov-2,  o prefeito Wladimir Garotinho, aqui em um aperto de mão caloroso com o presidente Jair Bolsonaro, decretou o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras faciais em ambientes abertos e fechados

Movido sabe-se lá por qual tipo de orientação, o prefeito Wladimir Garotinho decretou o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes abertos e, pasmem, fechados (ver imagem abaixo). Essa decisão vai de encontro às orientações de pesquisadores como a pneumologista da Fiocruz, Margareth Dalcomo, que considera a abolição do uso de máscaras como prematura em função do quadro vacinal insuficiente em todo o Brasil.

wladimir máscara

O fato é que ao decretar do fim do uso obrigatório do uso da máscara em um momento em que a pandemia ainda não passou para o estágio de epidemia é meio que brincar com a saúde alheia. Além disso, ao decretar o uso de máscaras, o prefeito de Campos dos Goytacazes dá um sinal errado em uma cidade em que, especialmente sob sua direção, nunca houve um real controle da situação.

O resultado mais provável é que ao subestimar a real situação sanitária da cidade que governa, Wladimir acabe tendo um rebote da pandemia, sendo obrigado a adotar atitudes que irão além de retomar a obrigatoriedade do uso de máscaras.

Por outro lado, se a rede municipal de saúde estivesse em boas condições até se poderia compreender essa volúpia anti-máscara do prefeito. Mas o que ouvi hoje de uma pessoa com parente internada no Hospital Geral de Guarus (HGG) é que naquela unidade hospitalar municipal está faltando até papel higiênico, o que se soma ao fato de que banheiros estão fora de operação, obrigando uso de baldes (sim, isso mesmo, baldes) para fornecer a água de descarga. Além disso, o serviço de limpeza é, no mínimo, escasso, deixando as áreas de internação em condições muito aquém do desejável.

Em  outras palavras, se uma nova onda de contaminações atingir a cidade, poderemos voltar aos piores momentos da pandemia na cidade de Campos dos Goytacazes, com o HGG operando nas condições descritas acima. E se isto ocorrer, já sabemos a quem dirigir as perguntas sobre quem orientou a decisão de relaxar o uso das máscaras faciais.

Finalmente, o incrível é lembrar que os gastos anuais com a Secretaria Municipal de Saúde estão nas centenas de milhões de reais. Todo esse dinheiro, aparentemente, passa longe do HGG.


Esta postagem foi atualizada às 20:43 para aperfeiçoar o relato das condições dentro do HGG.

Relatório: O maior estudo ainda mostra que a ivermectina falhou em reduzir as hospitalizações por COVID-19

ivermectinaSoumyabrata Roy/NurPhoto/Getty Images

Por Noah Y. Kim para o “Mother Jones”

O medicamento antiparasitário Ivermectina tornou-se um campo de batalha partidário durante a pandemia de COVID-19, já que influenciadores antivacinas e políticos republicanos o anunciavam como uma cura milagrosa, para o ceticismo generalizado de especialistas em doenças infecciosas. 

Um estudo revisado por pares recentemente apresentado pelo Dr. Edward Mills, professor de ciências da saúde da Universidade McMaster, no Canadá, ofereceu novas evidências significativas de que a ivermectina era o óleo de cobra do coronavírus o tempo todo. 

No maior estudo já analisado sobre a eficácia da ivermectina no tratamento do coronavírus, Mills e seus colegas pesquisadores descobriram que pacientes com COVID-19 em risco de doença grave que receberam ivermectina não se saíram melhor do que aqueles prescritos com placebo, informou Wall Street Journal na sexta-feira.

“Este é o primeiro grande estudo prospectivo que deve realmente ajudar a acabar com a ivermectina e não dar credibilidade ao uso dela para o COVID-19”, disse Peter Hotez, reitor da Escola Nacional de Medicina Tropical do Baylor College of Medicine. 

Dos 1.358 pacientes, os pesquisadores prescreveram metade de um curso de três dias de pílulas de ivermectina e a outra metade com placebo. Eles então rastrearam quantos pacientes foram hospitalizados ao longo de quatro semanas, a rapidez com que os pacientes livraram o vírus de seus corpos e as taxas de mortalidade, entre outras variáveis. Os pesquisadores analisaram os dados de várias maneiras diferentes e não encontraram casos em que a ivermectina afetasse os resultados dos pacientes.

No início da pandemia, alguns pesquisadores levantaram a hipótese de que a ivermectina poderia ajudar, depois que alguns estudos pareciam mostrar um benefício. No entanto, pesquisas consistentemente falharam em validar essas descobertas anteriores, e muitos dos estudos originais que iniciaram a mania da ivermectina foram descobertos empregando métodos falhos . No entanto, a ivermectina permaneceu um tratamento preferido entre o flanco anti-vacinas do Partido Republicano, muitos dos quais continuaram a tomar a droga mesmo quando especialistas médicos alertaram que não havia provas concretas de que funcionava.

Minha colega Kiera Butler acompanhou a estranha jornada da ivermectina desde o início como o ato de acompanhamento do desacreditado medicamento contra a malária hidroxicloroquina, elogiado por Trump. Em janeiro, ela escreveu que os médicos sabiam há mais de um ano que o medicamento antiparasitário não era eficaz contra a COVID-19 e que o FDA havia alertado explicitamente  contra prescrevê-lo a pacientes com Covid.

Mas, no entanto, muitos médicos continuaram a prescrever a droga de qualquer maneira , cobrando custos reais para o público na forma de seguros altíssimos e despesas do Medicare: às vacinas – no entanto, muitos pacientes de COVID, que optaram por ivermectina e outros tratamentos não testados em vez de vacinas, exigiram internações longas e caras”.


color compass

Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pelo site “Mother Jones” [Aqui!].

Cidades que mais apoiaram Bolsonaro tiveram mais mortes pela COVID-19, diz ‘Lancet’

Estudo mostra que risco de mortes foi 44% maior em cidades que, mesmo mais desenvolvidas, estiveram mais alinhadas a Bolsonaro

bolso-na-motociata

Arquivo Agência Brasil

Por Redação, RBA

São Paulo – As cidades onde Jair Bolsonaro teve maior votação nas eleições também as que tiveram mais mortes pela COVID-19 no ano passado. Isso é o que conclui estudo publicado na revista científica Lancet para as Américas.  Os pesquisadores analisaram dados dos 5.570 municípios brasileiros. Os dados constam de análises e comparações feitas por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade de Brasília (UnB)

O estudo identifica a desigualdade de renda e infraestrutura em saúde nos impactos da covid-19 durante a primeira onda da pandemia no Brasil, em 2020. Mas a partir da segunda onda, no final daquele ano, o perfil ideológico das cidades pesou mais. Assim quanto maior a identidade da população com o discurso bolsonarista, maior a taxa de letalidade. Por exemplo, municípios bolsonaristas das regiões Sul e Sudeste apresentaram taxas de mortalidade muito superiores às de municípios não bolsonaristas do Nordeste.

A possibilidade de subnotificação foi considerada uma variável pouco relevante, já que foram feitas comparações de cidades com estrutura de saúde equivalente. “A principal diferença foi o voto em Bolsonaro”, sustenta Christovam Barcellos, geógrafo e pesquisador em saúde pública da Fiocruz e um dos autores do artigo.

Uma das comparações feitas foi entre as cidades de Crato (CE) e de Sapiranga (RS), ambas consideradas grandes e de IDH médio. Enquanto a primeira registrou uma taxa de 110 mortes pela COVID-19 a cada 100 mil habitantes, a segunda teve um índice de 360 óbitos por 100 mil habitantes. “Se a gente comparar municípios médios com IDH alto, aqueles que são bolsonaristas têm quase o dobro da taxa de mortalidade [por Covid-19] de municípios de igual estatura”, afirma Christovam Barcellos.

Chapecó, em Santa Catarina, também chamou a atenção dos pesquisadores. Considerado um município médio, com bom IDH e bons serviços de saúde, a cidade mantinha em 2020 um número de óbitos inferior à média nacional.

Com a posse do aliado de Bolsonaro, o prefeito João Rodrigues (PSD), a cidade registrou, no início de maio de 2021, uma taxa de óbitos acumulada 75% maior que a do país. Ele foi defensor do “tratamento precoce”, sem eficácia comprovada, e do que chamava de lockdown inverso, com comércios abertos e doentes sendo atendidos em casa.

Uma das conclusões do artigo publicado na Lancet é que, com a ausência de uma coordenação nacional pelo governo federal, os municípios passaram a ter um papel central na transmissão de informações sobre a pandemia. E, no caso de cidades de pequeno e médio porte, as palavras de lideranças políticas e empresariais tiveram ainda mais peso.


color compass

Este foi originalmente publicado pela Rede Brasil Atual [Aqui!].

Abrasco aponta como perigosa a suspensão precoce de máscaras em espaços fechados na cidade do Rio de Janeiro

Suspensão das máscaras em espaços fechados: medida intempestiva que nega a realidade da pandemia

nota_suspensao_mascaras

Foto da arte: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) considera precoce e intempestiva a medida anunciada pela Prefeitura do Rio de janeiro de suspender a obrigatoriedade do uso de máscaras em espaços fechados.

O Brasil e o mundo ainda se encontram em uma situação de pandemia, com imensas desigualdades no acesso as vacinas dentro e fora do país. Além disto, ainda não temos a real magnitude do incremento de casos provocados pelas aglomerações do feriado de carnaval, o que exige prudência e precaução até que possamos ter uma avaliação mais sólida da situação da pandemia no município do Rio de Janeiro, bem como na região metropolitana.

Nenhum município é uma ilha. Análises e decisões devem considerar o contexto local, mas também regional. Além disso, com o início das atividades escolares, é fundamental que sejam exigidos passaportes vacinais em todas as escolas (públicas e privadas), principalmente as que envolvem os segmentos com faixas etárias de 5 a 11 anos, uma vez que apenas 8,4% destas crianças possuem esquema vacinal completo. O reforço vacinal (3ª dose), atingindo apenas 42,3% da população, também caminha muito lentamente, fazendo com que a eliminação das medidas de proteção físicas (máscaras, distanciamento social e lavagem de mãos) se torne um ato precoce.

Não será negando a realidade que o Brasil poderá voltar ao normal, senão, ao contrário, enfrentando com responsabilidade e maturidade seus desafios sociais e sanitários, tendo como base os princípios da equidade no acesso às vacinas e da precaução na adoção de medidas de proteção.

Rio de Janeiro, 08 de março de 2022

Abrasco – Associação Brasileira de Saúde Coletiva

color compass

Este texto foi publicado inicialmente pela Abrasco [Aqui!].

Sete países já aplicam a CoronaVac em crianças acima de 3 anos

coronavac crianças

China, Chile, Colômbia, Tailândia, Camboja, Equador e o território autônomo de Hong Kong são alguns dos países que já administram a CoronaVac, vacina do Butantan e da farmacêutica Sinovac contra a Covid-19, em crianças de três anos ou mais. No Brasil, nenhum imunizante foi autorizado até o momento nessa faixa etária. Em 21/1, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso da CoronaVac para crianças e adolescentes de seis a 17 anos, e o Butantan pretende pedir a ampliação da faixa etária para incluir meninos e meninas de três a cinco anos nas próximas semanas.

A China foi a primeira nação a aprovar o uso da CoronaVac para crianças de  3 a 17 anos, ainda em junho de 2021, quando começou a campanha de imunização com adolescentes de 12 anos ou mais. A vacinação na faixa etária dos três aos 11 anos deslanchou em outubro. Até o momento, mais de 200 milhões de doses da CoronaVac já foram aplicadas em crianças e adolescentes chineses. O acompanhamento dos efeitos adversos da vacina com mais de 120 milhões de crianças acima de três anos tem mostrado que a CoronaVac é segura e eficaz para esse público, com efeitos adversos raros e leves.

Em setembro de 2021, o Chile começou a vacinar suas mais de 1,5 milhão de crianças de seis a 11 anos. Em novembro, passou a administrar a CoronaVac para crianças de três a cinco anos. Das 730 mil crianças chilenas nesta faixa etária, até o final de fevereiro 61,8% haviam tomado a primeira dose e 40,45% as duas doses da CoronaVac.

A Colômbia, que começou a vacinar suas crianças com a CoronaVac em novembro de 2021, até o início de fevereiro deste ano havia imunizado 4,2 milhões de crianças de três a 11 anos, sendo que 2,3 milhões já haviam tomado a segunda dose. “A meta é vacinar aproximadamente 7,1 milhões de crianças com essa idade”, disse o ministro da Saúde colombiano, Fernando Ruiz, no lançamento da campanha de imunização infantil.

Já em janeiro de 2021, a Tailândia autorizou o uso da CoronaVac em crianças e adolescentes de três a 17 anos. Em fevereiro, Camboja, Equador e Hong Kong começaram a aplicar a vacina do Butantan e da Sinovac nas crianças a partir dos três anos de idade. Nestes três países, os maiores de cinco anos foram autorizados a receber a CoronaVac no final do ano passado.

Mais recentemente, outros três países, Malásia, República Dominicana e Paraguai, aprovaram a administração da CoronaVac para imunizar suas crianças maiores de cinco anos.

Em comunicado divulgado no início de março, o diretor-geral do Ministério da Saúde da Malásia, Noor Hisham Abdullah, anunciou a aprovação do uso da CoronaVac para crianças entre cinco e 11 anos. O governo malaio espera vacinar 3,6 milhões de crianças nesta faixa etária. “A CoronaVac já havia sido aprovada anteriormente para uso em crianças e adolescentes com 12 anos ou mais”, lembrou o ministro.

Em fevereiro, a dose pediátrica da CoronaVac já havia sido aprovada pelas autoridades sanitárias da República Dominicana. O país pretende imunizar 1,3 milhão de crianças entre cinco e 11 anos. “Percebemos que não havia problema e começamos a vacinar as crianças com a CoronaVac, porque já existe bastante informação sobre esta vacina em todo o mundo e ela é bem tolerada nas crianças, pois trata-se de um vírus inativado”, afirmou o ministro da Saúde Daniel Rivera.

Antes disso, no final de janeiro, o Paraguai passou a utilizar a CoronaVac para imunizar mais de 1 milhão de crianças entre cinco e 11 anos. Segundo o Diário La Nación, até 25 de fevereiro, 201 mil crianças já haviam sido vacinadas. “Não há desculpa para não se vacinar. A vacina salva vidas”, afirmou o ministro da Saúde, Júlio Borba, durante o lançamento da campanha de imunização infantil.