Em meio ao avanço desenfreado da pandemia, governo Bolsonaro suspende portal e vai recontar os mortos da COVID-19

Brasil chega aos 35 mil mortos por covid-19; total de casos vai a ...

Não sei quantos assistiram o filme “Apocalipse Now” de Francis Coppola que mostrou no final da década de 1970 os horrores da Guerra do Vietnã.  Em uma das cenas finais e mais marcantes do filme, Marlon Brandon, no papel do renegado Coronel Walter E. Kurtz que se considerava um Deus, emite uma frase que se tornará celebre.  Kurtz, quer dizer Marlon Brandon, diz a seguinte frase:

O horror tem um rosto … e você se tornar amigo do horror. O horror e o terror moral são teus amigos“.

Lembrei da cena em que Kurtz acaba sendo eliminado ao ler duas informaçoes sobre a forma que o governo Bolsonaro está tratando o avanço desenfreado da COVID-19 no Brasil. A primeira informação é que o Ministério da Saúde tirou do ar o  “Coronavírus Brasil”, colocando-o “sob manutenção” desde o final do dia de ontem.

portalPortal “Coronavírus Brasil” foi colocado em “manutenção”, e o Brasil agora está em voo cego em relação à pandemia da COVID-19

Com essa medida, o governo Bolsonaro aumenta a já flagrante dificuldade que marca a pandemia da COVID-19 de se estimar a intensidade e as direções de difusão. Esse agravamento da opacidade na divulgação das informações sobre intensidade e direção da pandemia vai aumentar a já difícil tarefa de governos estaduais e municipais de avaliar mais corretamente as medidas sobre confinamento social e retomada das atividades econômicas. 

Neste momento, o Brasil está definitivamente  em um voo cego em meio a uma pandemia que se mostra cada vez mais presente e letal.  E o pior é que, ao dificultar o acesso a informações consolidadas sobre infectados e mortos pela COVID-19, o governo Bolsonaro termina facilitando a expansão ainda maior do coronavírus.

Mas aparentemente quando se trata do governo Bolsonaro, o poço definitivamente não tem fundo. É que além de aumentar a opacidade na distribuição das informações (em um momento em que deveria estar aumentando a transparência), o governo Bolsonaro agora quer recontar o número de mortos sob a estapafúrdia alegação de que a quantidade de pessoas levadas a óbito pela COVID-19 estaria sendo inflado por oponentes do presidente Jair Bolsonaro.

Essa ideia genial foi publicizada pelo milionário proprietário do curso de línguas Wizard, Carlos Wizard, que foi, sabe-se lá por que cargas d`água, em secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde. Nesse sentido, Wizard afirmou que “disse que os dados atuais são “fantasiosos ou manipulados” e que um balanço atualizado deve ser publicado em um mês“. 

wizardO milionário Carlos Wizard, agora transformando em secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, quer recontar os mortos pela COVID-19  por considerar os números oficiais exagerados.  Alô! E a subnotificação?

Em outras palavras, não basta esconder os dados, agora há que se “revê-los”. Enquanto isso, governadores, como é o caso de Wilson Witzel do Rio de Janeiro, aproveitam as ações do governo Bolsonaro para realizar “um libera geral” nos estados, quando a curva de contaminação ainda se encontra em ascensão.

Do jeito que vai, o Brasil ainda passará os EUA  no número de infectados e de mortos, gerando uma crise social, econômica e política que não deixará pedra sob pedra. E continuo me lembrando do Coronel Kurtz… o horror, o horror….

Em editorial, The Guardian afirma que o mundo não pode desviar os olhos do que está acontecendo na Amazônia

A visão do  “The Guardian” sobre o Brasil e a Amazônia: não desvie o olhar

Uma área desmatada de floresta perto de Porto Velho, estado de Rondônia, Brasil. Forest A floresta tropical pode parecer distante. Mas não podemos dar ao luxo de torcer as mãos e desviar o olhar. ‘Fotografia: Reuters

Editorial

Existe um consenso de que a cooperação internacional é necessária para limitar o perigo do aquecimento global há décadas. O sucesso da ação de retaguarda contra esse conhecimento, liderado por interesses em combustíveis fósseis, é uma catástrofe cuja extensão total ainda está por se desdobrar. Os banqueiros centrais agora estão exigindo que umatransição econômica inteira” siga a pandemia se o mundo quiser evitar as perturbações extremas que o aumento da temperatura de 4 ° C traria.

Indiscutivelmente, o caos desencadeado pelo coronavírus fez com que esse futuro parecesse menos remoto, e ações para evitá-lo mais necessário. O risco é que o vírus tenha o efeito oposto: focar as mentes na ameaça agora e não na que pode ser ignorada por mais alguns anos.

Em nenhum lugar esse perigo é maior do que no Brasil. O país mais populoso da América do Sul é responsável por 2,25% das emissões globais (em comparação, os EUA, com uma população 50% maior, emitem sete vezes mais). Mas a aceleração do desmatamento coloca o Brasil, que tem 60% da floresta amazônica dentro de suas fronteiras, no centro da luta para evitar o aquecimento global descontrolado. Isso ocorre porque a Amazônia é o maior sumidouro de carbono terrestre do planeta e desempenha um papel crucial no ciclo da água, além de fornecer um lar para mais espécies do que qualquer outro lugar em terra.

Vinte e oito anos atrás, em junho de 1992, a convenção-quadro da ONU sobre mudança climática foi aberta para assinatura no Rio de Janeiro. Mas desde que o presidente de extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro, assumiu o cargo há 18 meses, seu governo sabotou anos de trabalho de ambientalistas e ativistas indígenas que visavam proteger a floresta tropical e, em vez disso, atiçou as chamas de sua destruição por madeireiros ilegais, mineiros e pecuaristas. . No ano até julho de 2019, as perdas dispararam para 9.800 km2 e pesquisas prevêem que a floresta tropical está a caminho de um ponto de inflexão que a tornaria um emissor de carbono em meados da década de 2030. Agora, teme-se que a pandemia de coronavírus acelere isso.

Na quinta-feira, o Brasil ultrapassou a Itália e se tornou o país com o terceiro maior número de mortos em Covid-19 (atrás dos EUA e do Reino Unido), depois que um registro diário de 1.743 mortes elevou o total para mais de 34.000. Enquanto Bolsonaro continua atacando medidas de saúde pública, a população indígena da região amazônica parece cada vez mais ameaçada por violência e doenças, com cinco assassinatos no estado do Maranhão em seis meses.

A floresta tropical pode parecer distante. Mas não podemos dar ao luxo de torcer as mãos e desviar o olhar. É preciso puxar todas as alavancas possíveis que possam influenciar o governo e a indústria de carne do Brasil. Nesta semana, o Guardian informou que os bancos do Reino Unido forneceram mais de US$ 2 bilhões em apoio a empresas ligadas ao desmatamento. Essas instituições agora devem estar sob pressão, juntamente com investidores americanos como a BlackRock. Assim como políticos e reguladores.

Será necessário um grande esforço internacional para preservar a floresta amazônica. O agronegócio é responsável por mais de um quinto do PIB do Brasil. Se a indústria de gado deve enfrentar restrições, também deve haver incentivos. Os negociadores internacionais de comércio e clima têm um trabalho duro pela frente. Também há um trabalho a ser feito pela opinião pública.

___________________

Este editorial foi publicado originalmente em inglês pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

E agora Bolsonaro? Donald Trump cita Brasil como mau exemplo de gerenciamento da pandemia da COVID-19

Em um daqueles exemplos da máxima “das voltas que o mundo dá”, o presidente dos EUA, Donald Trump citou o Brasil e a Suécia como maus exemplos no gerenciamento da pandemia da COVID-19.   Em uma coletiva de imprensa na Casa Branca, Donald Trump  afirmou hoje (05/06)  que “se você olhar para o Brasil, eles estão passando por dificuldades. A propósito, eles estão seguindo o exemplo da Suécia. A Suécia está passando por um momento terrível. Se tivéssemos feito isso, teríamos perdido 1 milhão, 1 milhão e meio, talvez até 2 milhões ou mais de vidas” 

trump brasil

Essa rejeição do “Brazilian Way” (o famoso “jeitinho brasileiro” de tratar (ou melhor, ignorar) a pandemia da COVID-19 vem em um momento especialmente delicado para Donald Trump que vê o seu isolamento crescer após os EUA acumularam a incrível marca de mais de 110 mil mortos que resulta, para muitos, da sua incapacidade de liderar os esforços da primeira economia do mundo para controlar a pandemia (ver fala de Donald Trump no vídeo abaixo).

Assim, se até Donald Trump está tratando o caso brasileiro como um mau exemplo de descontrole na luta contra o coronavírus, imaginemos o que pensam os seus oponentes democratas. 

Aliás, um pouco do que pensam os democratas já se sabe.  É que no dia  04 de junho, membros do estratégico comitê “House and Means” da Câmara de Deputados dos EUA rejeitaram  a intenção do governo Trump de buscar uma parceria econômica ampliada com o Brasil, sob a liderança do presidente Jair Bolsonaro.  Estes membros do “House and Means” escreveram uma carta ao Representante Comercial Robert Lighthizer, onde  detalharam o que eles chamaram de “uma plêiade de razões pelas quais é inapropriado o governo doss EUA se engajar em discussões de parceria econômica de qualquer escopo com o governo Bolsonaro no Brasil,  visto que este desmantelou anos de esforços para progredir direitos civis,  humanos, ambientais e trabalhistas”.

Em outras palavras, se o presidente Jair Bolsonaro está achando que a salvação do seu governo virá do “grande irmão do Norte”, melhor pensar de novo.

BrazilFoundation e Conservação Internacional lançam ação conjunta para arrecadação de fundos a comunidades da Amazônia

Iniciativa tem como objetivo financiar combate a COVID-19 por meio de instituições que estão atuando na linha de frente na região

BrazilFoundation » Na Amazônia, aliar inovação à valorização dos ...

A BrazilFoundation, organização de filantropia estratégica no Brasil, e a Conservação Internacional (CI-Brasil), uma das principais organizações ambientais do mundo, se unem em uma ação global para mobilizar recursos e oferecer ajuda humanitária aos povos indígenas e tradicionais da Amazônia brasileira. A ação Amazônia Sempre tem a meta de arrecadar R$ 5 milhões para financiar organizações sociais que desenvolvem projetos voltados para atender as necessidades destas populações e para a proteção da biodiversidade local, principalmente durante a pandemia da Covid-19 que ameaça suas vidas e seus meios de subsistência. A campanha já começa com força expressiva de sensibilização e uma importante doação: o banco BTG-Pactual deu o start doando um valor de R$ 100 mil reais.

As doações podem ser feitas pelo site brazilfoundation.org/amazonia a partir do dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente.

Os recursos beneficiarão organizações que trabalham junto a populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas para impulsionar o desenvolvimento social e econômico local, conciliando a proteção da natureza. Além disso, as iniciativas devem estar atuando para combater os danos imediatos da COVID-19 nas comunidades indígenas e tradicionais amazônicas. Nesta ação, BrazilFoundation e CI-Brasil vão apoiar organizações que trabalham em conjunto aos seus programas, consideradas de referência na atuação direta com as comunidades que mais precisam.

“A Amazônia é um dos territórios mais suscetíveis aos danos causados pela crise devido à ausência ou dificuldade de acesso a serviços básicos. Por isso, nos unimos à Conservação Internacional para angariar fundos e colaborar para a proteção da Floresta Amazônica, de suas comunidades e das economias locais que dependem dela como fonte de alimento e atividade produtiva”, explica Rebecca Tavares, CEO da BrazilFoundation.

“Acreditamos que, por meio destas iniciativas, além de protegermos os guardiões da floresta, estamos contribuindo para a justiça social dessas comunidades que vivenciam inúmeros conflitos cotidianamente. Os povos da floresta cumprem um papel fundamental na proteção da Amazônia, o que consequentemente garante bem-estar para todos, independente da distância física que estejamos da floresta, por meio dos serviços ambientais que o bioma nos brinda, como o regime de chuvas que nutre a produção de alimentos, a qualidade do ar que respiramos e a estabilidade climática, entre outros benefícios para prosperarmos como sociedade”, ressalta Mauricio Bianco, vice-presidente da CI-Brasil.

As doações garantirão o apoio imediato a milhares de famílias vulneráveis e, a longo prazo, o investimento em ações de proteção da floresta, da biodiversidade e das populações indígenas tradicionais da Amazônia.

“A missão da Conservação Internacional é salvaguardar a natureza para o bem-estar da humanidade – uma missão que é impossível de ser realmente alcançada nas sombras do preconceito e da injustiça profundamente arraigados”, explica M. Sanjayan, CEO da Conservação Internacional.

O designer brasileiro Francisco Costa é um dos embaixadores da iniciativa e atuará ativamente com sua rede de em prol da ação. “Me sinto honrado em ajudar a inspirar a campanha #AmazoniaSempre ao lado de duas organizações sem fins lucrativos, que fico feliz em chamar de meus parceiros”.

Sobre a BrazilFoundation

A BrazilFoundation mobiliza recursos para ideias e ações que transformam o Brasil. A fundação trabalha com líderes, organizações sociais e uma rede global de apoiadores para promover igualdade, justiça social e oportunidade para todos os brasileiros. Em 20 anos de atuação, a BrazilFoundation já arrecadou mais de US﹩ 53 milhões que foram investidos em mais de 625 organizações sociais de todo o país nas áreas de Educação, Saúde, Cultura, Desenvolvimento Socioeconômico e Direitos Humanos.

Sobre o Fundo Amazônia da BrazilFoundation

O Fundo Amazônia foi criado pela BrazilFoundation com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento sustentável de pessoas e comunidades da Amazônia brasileira, por meio do apoio a ações para a conservação da biodiversidade e desenvolvimento socioeconômico local.

Sobre a Conservação Internacional (CI-Brasil)

A Conservação Internacional usa ciência, política e parcerias para proteger a natureza da qual as pessoas dependem para obter alimentos, água doce e meios de subsistência. Fundada em 1990 no Brasil, a Conservação Internacional trabalha em mais de 30 países em seis continentes para garantir um planeta saudável e próspero, que sustenta a todos.

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA:

BrazilFoundation

Conservação Internacional:

Priscila Steffen: psteffen@conservation.org

No Le Monde, pesquisadores demandam a imposição de severas sanções ao Brasil pela União Europeia

Brasil: “A Europa pode agir impondo severas sanções diplomáticas e comerciais”

A epidemia de COVID-19 parece completamente fora de controle no Brasil e a ameaça do estabelecimento de um regime autoritário é real, estima no fórum no “Mundo”  no jornal Le Monde um grupo de pesquisadores da Rede Europeia para a Democracia no Brasil, exortando a União Europeia (UE) a agir.

bolsonaro-manifestacao

Por Antoine Acker, Maud Chirio, Olivier Compagnon , Juliette Dumont e Anaïs Fléchet no jornal Le Monde

Arquibancada

Ao quebrar o recorde de maior número de mortes diárias no COVID-19, o Brasil está fazendo um triste retorno à frente da mídia. As notícias desta tragédia da saúde, que atingiu duramente as populações mais pobres, são geralmente informadas por breves comentários sobre o isolamento e a radicalização do presidente.

Mas essa descrição erra o ponto: Jair Bolsonaro não está tão enfraquecido quanto pressionado por uma corrida precipitada que pode levar ao estabelecimento de um regime autoritário. Apoiado pela maioria das equipes militares e por um setor de opinião fanático, apoiado pelas igrejas evangélicas mais reacionárias, o presidente brasileiro está se preparando para destruir a Nova República, nascida em 1988 a partir das ruínas da ditadura militar. E isso, com a máxima indiferença da comunidade internacional.

Desde que as primeiras medidas de contenção foram adotadas pelos governadores em março, o executivo se envolveu em um confronto com instituições democráticas. Bolsonaro quebrou o pacto federal ao enfrentar de frente as medidas de distanciamento social. Acusado de interferir na polícia para proteger sua família de possíveis processos, próximo das milícias da máfia do Rio de Janeiro, ele multiplicou as provocações contra o Supremo Tribunal Federal, e apoiou os manifestantes que exigiam seu fechamento definitivo. .

Brasil, um estado altamente militarizado

Além disso, há uma intensa campanha nas redes sociais, apoiada por uma hashtag longa e explícita: # intervençaomilitarcombolsonaronopoder (intervenção militar com Bolsonaro no poder). Essa “intervenção militar” não é um mero espantalho. Sua perspectiva agora está sendo agitada diariamente, não apenas por manifestantes e em redes de extrema direita, mas por membros do governo e, em 28 de maio, pelo próprio Bolsonaro. Para justificá-lo, seus parentes invocam um artigo da Constituição que autoriza as forças armadas a agir pela “manutenção da lei e da ordem” se forem chamadas a fazê-lo por “qualquer um dos poderes constitucionais” .

No entanto, este artigo 142, vestígio de uma transição democrática realizada sob supervisão militar, visa justificar o uso do exército em missões de segurança pública e, em nenhum caso, legitimar um golpe. Com quase metade dos ministros de uniforme e 3.000 oficiais nos ministérios, o poder no Brasil já está fortemente militarizado. Se amanhã os principais freios e contrapesos forem derrubados, testemunharemos essa viagem no tempo, o retorno de uma ditadura militar na maior democracia da América Latina.

Diante da ameaça de um fim próximo, as instituições democráticas brasileiras são extremamente vulneráveis. Entre o oportunismo dos parlamentares ansiosos por preservar suas vantagens, a oposição inaudível e o medo de represálias por parte do exército, o Congresso fica petrificado diante dos pedidos de “impeachment” que se acumulam às dúzias. Pior ainda, cada tentativa de reagir legalmente às provocações do governo aumenta o risco de uma gorjeta na ditadura.

Risco real de um golpe militar

Recentemente, uma operação para desmantelar redes de notícias falsas próximas ao governo levou várias personalidades-chave do bolsonarismo a exigir a morte do juiz do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que estava na origem. O perigo iminente de um golpe militar não é apenas o resultado de uma confusão política agravada pela pandemia. Confirma uma desintegração da democracia cujas elites financeiras, políticas e de mídia nos países ocidentais subestimaram, e às vezes até alimentaram, a força dos estágios: a demissão da presidente eleita Dilma Rousseff em 2016, por uma razão superficial e desprezo pelo espírito da Constituição, o abuso repetido do poder por uma justiça parcial e politizada, a imobilidade das instituições diante de provocações, violência e trapaça pela extrema direita.

A situação é explosiva, a democracia à beira do abismo. Desta vez, ninguém será capaz de fingir surpresa, porque Bolsonaro e seus parentes prometeram consistentemente, durante sua campanha e desde que chegaram ao poder, o fechamento do Supremo Tribunal Federal, a intervenção do exército e a prisão de oponentes. políticos. A extinção da democracia brasileira teria sérias conseqüências internacionais.

Além do possível efeito dominó em um continente enfraquecido pelas grandes crises políticas, a aceleração do desmatamento suscita temores de um desastre ambiental e humano, que, segundo os cientistas, poderia perturbar o equilíbrio climático da Terra em alguns anos. Por enquanto, o Brasil se afirma como o novo foco da pandemia global que, diferentemente dos precedentes chinês, europeu ou norte-americano, está completamente fora de controle.

Apelo urgente à Europa

A Rede Europeia para a Democracia no Brasil é o produto do movimento de solidariedade internacional que se eleva desde 2016 diante do estado de direito vacilante neste país. Por muitos anos, a comunidade internacional assistiu com braços balançando a ascensão de forças autoritárias no coração da segunda maior democracia do mundo ocidental.

Apelamos à conscientização da mídia e da opinião européia. Pedimos aos líderes de diferentes nações e à UE que afirmem inequivocamente seu apoio aos democratas brasileiros, à Suprema Corte, aos governos dos estados federados e ao Congresso diante dos ataques do presidente Bolsonaro e sua comitiva.

Diante de um executivo obcecado por suas raízes ocidentais e preocupado com sua reputação internacional, a Europa pode agir impondo severas sanções diplomáticas e comerciais ao Brasil, em particular contra setores ligados ao desmatamento e empresas associadas ao poder bolsonariano.

_____________________________________

Este artigo foi originalmente publicado em francês pelo jornal “Le Monde” [Aqui!].


 

Antoine Acker , professor assistente da Universidade de Zurique. Historiador e membro do Centro da América Latina em Zurique, autor da Volkswagen na Amazônia: A tragédia do desenvolvimento global no Brasil moderno (Cambridge University Press, 2017); Maud Chirio , professor da Universidade Gustave Eiffel. Historiador, especialista em ditadura militar, repressão política e extrema direita no Brasil, autor de La Politique eniform. A experiência brasileira, 1960-198 0 (PUR, 2016); Olivier Compagnon , professor de história contemporânea da Universidade Sorbonne Nouvelle (IHEAL) e co-editor-chefe das Cahiers des Amériques latines  ; Juliette Dumont, Professor de História no Instituto de Estudos Avançados na América Latina (Sorbonne Nouvelle Paris-III University) e presidente da Associação para a Investigação sobre o Brasil na Europa, coordenador da História Cultural do Brasil XIX th – XXI th  séculos (IHEAL, 2019); Anaïs Fléchet , historiadora, professora da Universidade Paris-Saclay e membro do Instituto Universitário da França, autora de História Cultural do  Brasil dos  séculos XIX a XXI (IHEAL, 2019).

 

Os signatários deste fórum são membros da Rede Europeia para a Democracia no Brasil (Red. Br, https://red-br.com )

ActionAid comenta aumento da sobrecarga de trabalho doméstico para as mulheres e retoma campanha pela divisão justa

‘Diante da escalada de uma tragédia sanitária e econômica, essa desigualdade se escancara’

covid-19 domesticas

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na manhã desta quarta-feira a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) que revela o aumento da desigualdade na divisão sexual do trabalho doméstico no Brasil, numa escalada que já vem acontecendo há anos. De acordo com o levantamento, a jornada da mulher nos serviços de casa é 10h24m superior à do homem por semana, é quase o dobro.

A organização internacional ActionAid, em seu trabalho por igualdade de gênero, superação da pobreza e justiça social em 43 países, vem atuando contra essa divisão injusta do trabalho doméstico e alertando sobre a necessidade do olhar atento desses números e suas consequências. Neste momento de pandemia, em que as mulheres fazem parte dos grupos mais afetados, sobrecarregadas tanto na linha de frente do combate ao coronavírus quanto em suas próprias casas, é fundamental aprofundar o debate e defender medidas que garantam a proteção e vida digna dessas mulheres. Por isso, a ActionAid junto a 11 parceiras, como Casa da Mulher do Nordeste e Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata, além de organizações que compõem a Rede Feminismo e Agroecologia do Nordeste, retomam nesta quinta-feira (04/06) a Campanha Pela Divisão Justa do Trabalho Doméstico, que visa a levar mensagens de divisão justa e de vida livre de violência para as mulheres impactadas por suas ações, especialmente em áreas rurais e mais vulneráveis. O mote da campanha é “Ficar em casa é questão de saúde. Dividir tarefas e viver sem violência também”, tema da live que marca o lançamento, realizadnYouTub, às 15h.

“Historicamente, a materialização dos cuidados com as tarefas domésticas e com os dependentes vem sendo estrutural, cultural e socialmente atribuída a nós, mulheres. É um ‘trabalho invisível’, pouco reconhecido ou valorizado. Agora, diante da escalada de uma tragédia sanitária e econômica, essa sobrecarga em relação aos homens se escancara e coloca mães, avós, trabalhadoras informais, enfermeiras e tantas de nós na linha de frente tanto do combate ao vírus quanto dos seus impactos”, comenta Claudia Dias, assessora de Direitos das Mulheres da ActionAid.

De acordo com a Pnad, desde 2016, o tempo dedicado pelos homens ao trabalho doméstico se mantém em 11h. Há 4 anos, no entanto, a diferença de horas dedicadas entre homens e mulheres era de 9h54. Em 2019, subiu para 10h24. No Brasil, ainda segundo a pesquisa, 92% da população feminina de 14 anos ou mais realizam afazeres domésticos, enquanto 78,5% da população masculina se encarregam dessas atividades. O relatório “Quem cuida do futuro” , publicado este ano pela ActionAid, também aponta números nesse sentido: mulheres e meninas desempenham ¾ do trabalho doméstico e dos cuidados não remunerados no mundo inteiro.

“Os agravados reflexos dessa divisão injusta do trabalho doméstico vão bem além dos físicos e emocionais. Com postos de trabalho extintos, escolas fechadas e serviços públicos paralisados ou voltados ao combate da pandemia, as mulheres ficaram não somente ainda mais sobrecarregadas, mas sem condições de suprir as necessidades de suas famílias. As mulheres estão na posição mais baixa da pirâmide econômica: têm rendimentos mais baixos; vínculos empregatícios mais precarizados, compõem a maior parcela do mercado informal e correm mais risco de perderem seus empregos na pandemia, principalmente as mulheres negras. Nesse contexto, as moradoras de favelas, periferias e comunidades pobres, além de indígenas e quilombolas, são as mais vulneráveis”, explica Claudia, ressaltando a urgência de haver uma resposta à crise com olhar para as necessidades das mulheres, tanto as emergenciais quanto de longo prazo.

Entre as próximas ações da Campanha Pela Divisão Justa do Trabalho Doméstico está a distribuição de uma série de materiais de comunicação em comunidades rurais e urbanas, principalmente na região Nordeste, para conscientizar mulheres e famílias sobre a importância da divisão justa de tarefas, além de alertar para abusos e formas de prevenir e denunciar a violência doméstica.

Para pedidos de outras informações e entrevista:

Ana Carolina Morett | Assessoria de Imprensa e Conteúdo | Media & Content | Brasil, Tel: +55 21 99502-1957,  E: anacarolina.morett@actionaid.org

Campanha “Nenhum poço a mais” lança nota de repúdio contra violações de direitos na instalação da Petrocity em São Mateus (ES)

campanha-nenhum-poco-a-mais-750x410

NOTA DE REPÚDIO CONTRA O PETROCITY

Em defesa da saúde, da natureza e das comunidades.

Vimos por meio desta manifestar nosso profundo repúdio ao Governo Federal e seu Ministério da Infraestrutura, que assinou no último dia 12/05/2020 os contratos que autorizam a instalação do Centro Portuário de São Mateus (CPSM) pela Petrocity Portos, no norte capixaba.

Enquanto o mundo enfrenta a grave pandemia do COVID – 19, com milhares de óbitos no mundo e no Brasil, o governo federal vem demonstrando a sua profunda irresponsabilidade e indiferença diante da vida e da saúde da população. A aceleração de projetos desenvolvimentistas como os portos é mais um elemento deste governo genocida. Não bastassem a negação da gravidade do vírus, a crítica estúpida e o rompimento do necessário isolamento social como medida de contenção da doença e de lotação dos pouco leitos de UTI. Como se já não fosse suficiente a promoção diária da violência, a defesa da liberação das armas, a insistência no uso de medicamento sem comprovação científica de êxito, entre outros absurdos, agora Bolsonaro também ignora processos de licenciamento ambiental.

A autorização para instalar o Petrocity, divulgada na mídia regional, contraria o processo de licenciamento ambiental do órgão estadual (IEMA) que já indeferiu duas vezes os EIA/RIMAs apresentados pela empresa. E afirmam:

“é de nosso entendimento que as características socioambientais desta região não são propícias à implantação de um terminal portuário”, por identificarem “diversas fragilidades para a instalação do empreendimento”.

Tentarão agora federalizar o licenciamento, como estratégia de romper os protocolos, assim como foi a alteração do Plano Diretor Municipal (PDM) votada na Câmara em caráter de “urgência urgentíssima”. Mais uma farsa como a cloroquina!

Ignoram e desrespeitam a população local, como os pescadores artesanais, já bastantes impactados com o Terminal Norte Capixaba (TNC) da Petrobrás, em Campo Grande e todos aqueles que já foram atingidos pela lama da Samarco/Vale/BHP Billiton. Além disso, há tempos querem comprometer o litoral do Espírito Santo com 23 novos portos, sendo que dois estão em adiantado processo de licenciamento (Porto Central em Presidente Kennedy e Imetame em Aracruz).  

Mesmo antes da pandemia, já se conhecia os problemas que a implantação de portos provoca, a partir da realidade de portos já instalados no PA, CE, PE, BA, ES, RJ, RS.

  • Remoção violenta de famílias que vivem no entorno do empreendimento.
  • Criação de áreas de exclusão da pesca artesanal, praias, mangues e restingas.
  • Destruição do pescado e mariscos, e contaminação dos ecossistemas costeiros.
  • Excessiva demanda por água e energia.
  • Violência contra as mulheres, com a chegada de muitos homens de fora para a construção.
  • Raros e precários empregos para a população local são realmente gerados depois da instalação.
  • A farsa dos projetos de compensação que sempre retardam e nunca compensam.
  • Pressão sobre os equipamentos de saúde e segurança nas cidades e vilas.
  • Novas doenças que chegam com os que vêm de fora. 

Agora então com a pandemia os problemas só se agravam. Hospitais sobrecarregados, pobreza aumentando, restrições de mobilidade, maior índice de violência contra a mulheres, falta de auxílio para escoamento da produção alimentar. Com a chegada de trabalhadores “de fora”, precarizados, a pandemia deixará mais mortos e contaminados na região. A implantação de mais um porto no Estado, neste momento em especial, torna-se mais uma séria ameaça à sobrevivência das famílias.  

Investimentos essenciais agora seriam em saúde, moradia, saneamento, renda mínima, produção e distribuição de alimentos, o que não temos visto por parte deste desgoverno. Em tempos de pandemia e de colapso do clima do planeta, enquanto em todo o mundo debate a diminuição da produção/consumo de petróleo e a necessária transição energética, Bolsonaro atropela o licenciamento, a democracia e a participação das comunidades e povos tradicionais. Tal como o presidente, o Petrocity é uma ameaça à saúde e à vida.

CAMPANHA NEM UM POÇO A MAIS

BAIXE A NOTA EM PDF AQUI: NOTA DE REPÚDIO CONTRA O PETROCITY Em defesa da saúde, da natureza e das comunidades

Como o uso de máscaras pode interferir no meio ambiente

mascarasGary Stokes, co-fundador da organização de conservação dos ambientes marinhos OceansAsia, mostra máscaras cirúrgicas que surgiram nas praias das Ilhas de Soko, após o aparecimento da pandemia de COVID-19 em Hong Kong.

Por Fernanda Sales,  Gerente de Hotelaria Hospitalar, do  Grupo ProntoBaby

No dia 05 de julho é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data tem como objetivo principal chamar a atenção de todas as esferas da população para os problemas ambientais e a importância de preservar os recursos naturais.

Em meio à pandemia do novo coronavírus , o uso de máscaras evita o contágio da doença. No entanto, o seu descarte, muitas vezes, é feito de forma incorreta pela população, sem a preocupação de um correto acondicionamento, o que pode torná-las prejudiciais ao meio ambiente. Os resíduos podem chegar aos mares, rios e esgotos.

O descarte inadequado ameaça a vida marinha e humana, ocasionando entupimentos, contaminação dos corpos hídricos, poluição visual e criação de um ambiente propício à disseminação de outras doenças, o que pode gerar uma contaminação ambiental mais ampla.

Vale ressaltar que não foi descartada a possibilidade do vírus sobreviver na água e no solo. Mesmo com uma menor contaminação, ao entrar em contato com esses resíduos, pessoas e animais podem desenvolver a doença, tornando-se também transmissores.

O descarte inadequado das máscaras, hoje usadas por muitas pessoas devido à emergência sanitária, está levando a novos riscos concretos de poluição marinha, já que a maioria dessas máscaras contém ou é feita de polipropileno, que não se rompe rapidamente.

Diante desse cenário, as organizações não podem deixar de pensar na segurança dos seus colaboradores. No devem esquecer a responsabilidade social e ambiental de destinar e dispor corretamente os resíduos, evitando que contribuam ainda mais para a degradação do meio ambiente.

O grupo Prontobaby se preocupa em garantir a segurança dos seus pacientes e funcionários, prestando um serviço seguro de descarte de insumos utilizados nos hospitais da rede, como luvas, capotes, máscaras e resíduos oriundos da pandemia. O intuito é seguir as normas da Organização Mundial de Saúde e ANVISA para manter o ambiente hospitalar seguro.

Minas de carvão podem ser novo foco de COVID-19, alerta entidade

Trabalho em locais subterrâneos e aglomerados favorece surtos de doenças respiratórias

Carvão-1

Contaminações pelo novo coronavírus estão aumentando em minas de carvão em todo o mundo. Embora os dados sobre surtos não tenham sido disponibilizados de maneira transparente e sistemática, o Global Energy Monitor documentou mais de uma dúzia de minas com surtos confirmados desde o final de março. A necessidade de trabalhar em ambientes apertados ou subterrâneos é apontada como condição crítica para o espalhamento da doença entre os trabalhadores.

Os casos foram verificados na Polônia, República Tcheca, Turquia, Índia, EUA e Rússia. A maioria dos casos foi relatada na Polônia (16% do total de casos no país) e na República Tcheca – as duas nações somam quase 4 mil casos. Já os países com o maior número minas de carvão subterrâneas – China, Índia e Estados Unidos – forneceram muito pouca informação sobre a prevalência da doença nesses locais.

“Por mais alarmantes que sejam os muitos casos que já estamos vendo, é provável que seja apenas a ponta do iceberg, devido a uma cultura de sigilo que assola a indústria: sete milhões de pessoas trabalham em minas de carvão em todo o mundo, mais da metade no subsolo”, explica Ted Nace, diretor executivo do Global Energy Monitor. “As empresas de mineração de carvão devem adotar imediatamente uma postura de transparência”, declara.

Em todo o mundo, mineradores de carvão e sindicatos passaram a protestar publicamente contra o risco de exposição à doença. Esses trabalhadores têm maior incidência de doenças respiratórias em relação à população geral. No caso específico da COVID-19, o setor de mineração não tem divulgado a extensão dos testes realizados nesse grupo, dificultando a modelagem das taxas de transmissão. As minas de carvão continuaram a operar como atividades essenciais em muitas partes do mundo durante a crise do novo coronavirus, escapando de bloqueios nacionais, os chamados lockdowns.

Os primeiros casos de COVID-19 em minas de carvão foram relatados em 30 de março, quando dois mineiros da companhia Bailey Mine da Consol Energy Inc. na Pensilvânia, EUA, testarem positivo para a doença. Desde então, operadores nos Estados Unidos passaram a implementar quarentenas e bloqueios para minimizar a exposição, decisão também adotada na Índia. Na Turquia, o governo proibiu viagens à província da mina de Zonguldak devido ao alto número de casos na região.

“Os mineiros de carvão lutam há gerações para proteger sua saúde e segurança no trabalho e esses trabalhadores merecem relatórios transparentes sobre os surtos de COVID-19”, afirma Ryan Driskell Tate, analista de pesquisa no Global Energy Monitor. “Vimos na Polônia e na República Tcheca que as minas de carvão estão na iminência para se tornarem focos de coronavírus. Como os cientistas pedem mais testes e rastreamento de contatos para impedir a propagação do vírus, é imperativo que as empresas de carvão e as agências reguladoras mantenham o público informado sobre o que está acontecendo nesses locais de trabalho e nas comunidades”, completa.

O Global Energy Monitor é um think-tank sediado nos EUA, sem fins lucrativos e que desenvolve pesquisas sobre combustíveis fósseis em todo o mundo. Por meio da plataforma Global Tracker (GCPT), a entidade produz dados do setor que são usados por organismos multilaterais como a Agência Internacional de Energia (AIE), a Diretoria de Meio Ambiente da OCDE, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Banco Mundial, além do Departamento do Tesouro dos EUA.

Os impactos do COVID-19 nas minas de carvão continuarão sendo rastreados aqui: http://www.gem.wiki/Coal_Mine_Impacts_from_COVID-19

As informações produzidas pela entidade são licenciadas pela Bloomberg LP e UBS Evidence Lab e são usados ​​pela Economist Intelligence Unit e pela Bloomberg New Energy Finance.

Informações detalhadas: surtos de COVID-19 em minas de carvão

# 1 POLÔNIA

No final de abril, a maior mineradora estatal de carvão da Polônia, a Polska Grupa Górnicza (PGG), suspendeu operações em três minas de carvão devido à disseminação de COVID-19 entre seus trabalhadores: na mina de Jankowice, 204 mineiros testaram positivo; na mina de Sośnica, 53; e na mina Murcki-Staszic, foram 38 casos.

Outra estatal de carvão, a JSW SA, relatou 1.648 casos confirmados entre funcionários nas minas de Pniowek, Jastrzębie-Bzie, Budryk e Borynia-Zofiówka. Devido à rápida disseminação de casos, o governo polonês anunciou em 7 de maio que passaria a testar mil mineiros por dia em sistemas de drive-through. Em 26 de maio, cerca de 3.640 mineiros de carvão e membros de suas famílias já tinham contraído o vírus, compreendendo cerca de 16% dos casos do país.

# 2 REPÚBLICA CHECA

Em 19 de maio, um surto de casos na mina de Darkov, perto da cidade de Karvina, foi responsável pelo registro diário de casos de COVID-19 na República Tcheca. Inicialmente 139 mineiros de carvão testaram positivo, e o número subiu para mais de 212 após a realização sistemática de testes nos trabalhadores e suas famílias. A empresa OKD, que opera a mina, suspendeu as atividades e pediu assistência dos médicos do exército tcheco.

# 3 ESTADOS UNIDOS

Em 30 de março, a mineradora Bailey Mine da Consol Energy Inc., na Pensilvânia, suspendeu as atividades após dois trabalhadores terem testado positivo para COVID-19. No mesmo dia, cinco mineradoras de carvão da Virgínia interromperam as operações para impedir a propagação de coronavírus entre os trabalhadores, nas minas de Buchanan No.1, Osaka, Pombo Creek, North Fork e D-31.

Em 21 de abril, a mina Arch Coal Inc.’s West Elk, no Colorado informou ter quatro funcionários infectados, e no Alabama, duas minas também registraram casos em abril (Peabody Energy’s Shoal Creek e Warrior Met Coal’s, mina número 7).

Em maio, a Administração de Saúde e Segurança de Minas dos EUA (Mine Safety andHealth Administration) anunciou que estava coletando dados sobre as taxas de infecções por COVID-19 em minas de carvão do país. Antes, em abril, funcionários da entidade disseram a imprensa que as planilhas com informações sobre a COVID-19 no setor seriam mantidas sob sigilo. Até o momento, nenhum número foi divulgado oficialmente.

# 4 ÍNDIA

Em 2 de abril, a mineradora Singareni Collieries Company Limited (SCCL) demitiu seus mineiros subterrâneos no estado de Telangana, na Índia, para mitigar a disseminação do COVID-19. Os dados do Global Energy Monitor indicam que a empresa opera duas dezenas de minas subterrâneas no estado e produz 27 milhões de toneladas de carvão por ano. De acordo com Miriyala Raji Reddy, líder sindical, cerca de 2.000 mineiros estavam envolvidos em operações subterrâneas no momento das demissões. Em 3 de abril, a Coalfields do Sudeste Limited, maior produtora de carvão do país, ordenou que 83 funcionários ficassem em quarentena depois de terem participado de uma cerimônia religiosa em que foram expostos a um portador do vírus.

# 5 TURQUIA

Em abril, o Presidente Recep Tayyip Erdoga incluiu a região mineira de Zonguldak no rol de proibições de viagens interurbanas e impôs um toque de recolher de fim de semana devido à “prevalência de doenças pulmonares” na região. Zonguldak, maior produtora de carvão metalúrgico na Turquia, relatou 463 casos COVID-19.

Contato para entrevistas: Ryan Driskell Tate, Research Analyst Global Energy Monitor. ryan.driskell.tate@gmail.com +1-763-221-3313

As universidades nunca mais serão as mesmas após a crise do coronavírus

Como salas de aula virtuais e péssimas condições financeiras poderiam alterar a academia: o primeiro capítulo de uma série de uma semana sobre ciência após a pandemia.

nature universities

Por Alexandra Witze para a Nature

O aviso foi publicado no dia 6 de março, sexta-feira à tarde. Todas as aulas da Universidade de Washington em Seattle – a cidade na época o epicentro dos EUA do surto de COVID-19 – mudariam para on-line na segunda-feira seguinte. Os instrutores se esforçaram para configurar opções de aprendizado remoto para mais de 40.000 estudantes. “Tornou-se evidente muito rapidamente que isso não iria desaparecer em breve”, diz Mary Lidstrom, vice-reitora da universidade para pesquisas.

Cenas semelhantes aconteceram em outras universidades ao redor do mundo. As salas de aula permanecem silenciosas, os laboratórios ficam ociosos ou operam com uma equipe mínima e os administradores discutem como retomar com segurança as aulas presenciais.

A crise do coronavírus está forçando as universidades a enfrentar desafios de longa data no ensino superior, como custos altíssimos nas mensalidades e percepções do elitismo – e algumas das mudanças resultantes podem ser permanentes. A longo prazo, as universidades podem mudar muitas classes on-line (uma tendência já em andamento), ter menos estudantes internacionais e até se remodelar para serem mais relevantes para as comunidades locais e nacionais – tanto para resolver problemas prementes quanto para provar seu valor de cada vez. quando especialistas e instituições públicas estão sendo cada vez mais criticados. “A pandemia está acelerando as mudanças de maneira tremenda”, diz Bert van der Zwaan, ex-reitor da Universidade de Utrecht, na Holanda, e autor do livro “Ensino Superior em 2040: Uma abordagem global” que foi publicado em 2017.

À medida que as universidades enfrentam grandes mudanças, suas perspectivas financeiras estão se tornando terríveis. As receitas estão despencando à medida que os estudantes (principalmente os internacionais) permanecem em casa ou repensam os planos futuros, e os fundos de doações implodem à medida que as bolsas caem.

nature 1Como a maioria das instituições, a Universidade de Oxford tem estado estranhamente silenciosa desde que a pandemia se espalhou pelo mundo.Crédito: Christopher Furlong / Getty

As universidades que provavelmente se sairão melhor são as que são ricas e poderosas. Mas mesmo aqueles enfrentam desafios. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Cambridge, oferece cursos on-line gratuitamente desde 2002, mas a maioria dos acadêmicos que lecionavam no semestre atual ainda precisava se esforçar para descobrir como mover seus materiais on-line quando a pandemia, diz Sanjay Sarma, vice-presidente de aprendizagem aberta da universidade.

De maneira mais ampla, muitas instituições estão aprendendo da maneira mais difícil que simplesmente entregar materiais de cursos através de plataformas digitais não é a melhor maneira de ensinar aos alunos. “A universidade Zoom não é um aprendizado on-line adequado”, diz ele. Sarma espera que, quando as universidades retomarem as aulas presenciais, a experiência seja radicalmente diferente – com os instrutores distribuindo as vídeo-aulas mais cedo e concentrando-se pessoalmente na interação com os alunos, para garantir que eles entendam os conceitos ensinados. “Não queremos desperdiçar nossa proximidade com coisas de mão única”, diz ele. “Tem que ser de mão dupla.”

Alguns educadores esperam que a pandemia leve a mais e melhor ensino on-line do que antes- tanto nos países ricos quanto nos de menor renda. Quando as universidades no Paquistão fecharam em março, muitos instrutores não tinham as ferramentas para ensinar on-line e muitos estudantes não tinham acesso confiável à internet em casa, diz Tariq Banuri, presidente da Comissão de Ensino Superior do Paquistão em Islamabad. Mas a comissão vem trabalhando para padronizar o ensino on-line e fazer com que as empresas de telecomunicações ofereçam aos estudantes pacotes mais baratos de banda larga móvel.

“Estamos fazendo isso no contexto do vírus, mas achamos que essas ações terão benefícios a longo prazo”, como produzir estudantes mais bem treinados para trabalhos tecnológicos, diz Banuri. Em países de baixa ou média renda, como o Paquistão, a pandemia de coronavírus pode forçar as universidades a acelerar os planos de longo prazo para melhorar a qualidade e a relevância de seu ensino.

Todas as instituições estão enfrentando grandes problemas financeiros, no entanto. Universidades privadas americanas ricas, como a Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, Maryland, esperam perder centenas de milhões de dólares no próximo ano fiscal. As universidades britânicas enfrentam coletivamente um déficit de pelo menos 2,5 bilhões de libras esterlinas (US $ 3 bilhões) no próximo ano por causa das quedas projetadas nas matrículas de estudantes, segundo a consultoria britânica London Economics. E as universidades australianas podem perder até 21.000 empregos em período integral este ano, incluindo 7.000 em pesquisas, informou um relatório do governo em maio.

nature 2A Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, cancelou as aulas presenciais, e os alunos agora estão aprendendo remotamente.Crédito: Andreas Gebert / Getty

Um dos maiores problemas será a queda na receita obtidas com estudantes internacionais. As universidades australianas, que dependem fortemente das taxas pagas por estudantes da China, esperam perder de US $ 3 bilhões a US $ 5 bilhões do dólares australianos (US $ 2 bilhões a US $ 3 bilhões), principalmente em taxas de estudantes internacionais, diz Andrew Norton, que estuda política de ensino superior. na Universidade Nacional Australiana em Canberra. As perdas serão concentradas em universidades de pesquisa intensiva, como a Universidade de Sydney, diz ele, porque a renda de estudantes internacionais geralmente subsidia a pesquisa.

O déficit financeiro enfrentado pelas universidades em todo o mundo pode significar que algumas, especialmente as menores, fecharão permanentemente, diz Jenny J. Lee, pesquisadora do ensino superior da Universidade do Arizona em Tucson. Outras podem se fundir. E alguns poderiam desenvolver abordagens inovadoras, como a rede de microcampus do Arizona. O programa, que foi desenvolvido e ampliado nos últimos anos, associa a universidade a uma instituição no exterior, para que os alunos possam ter aulas on-line no Arizona e ter um mentor do corpo docente local para se encontrar pessoalmente. “Com o COVID-19, de repente estamos percebendo o que acontece quando somos fisicamente afastados de outros países”, diz Lee.

Mesmo após o término da crise financeira imediata, as perspectivas econômicas podem permanecer sombrias. Alguns pesquisadores dizem que isso pode levar às universidades e agências de financiamento a se concentrarem em projetos de pesquisa e infraestrutura mais relevantes para os interesses nacionais em um mundo pós-pandemia. Por exemplo, o governo do Reino Unido está montando uma força-tarefa de sustentabilidade em pesquisa que visa avaliar projetos de pesquisa em universidades, com vistas a planejar o futuro a longo prazo do país.

E a pandemia pode ajudar as universidades a reagir contra a noção de que são elitistas e irrelevantes para a sociedade, uma visão de que os partidos populistas avançaram na Holanda, Itália, Espanha e outros lugares. As universidades de muitos países, por exemplo, lideraram a busca por maneiras de tratar ou prevenir o COVID-19.

“Se uma vacina emergisse do Reino Unido, emergiria de uma universidade do Reino Unido”, diz Nick Hillman, diretor do Instituto de Política de Ensino Superior em Oxford, Reino Unido. Ainda assim, Hillman teme que a pandemia possa aumentar as disparidades entre as universidades se os governos direcionarem recursos para potências de pesquisa, como a Universidade de Oxford.

Apesar das mudanças em andamento, van der Zwaan duvida que a pandemia signifique o fim para a maioria das universidades. Ele estuda o que aconteceu após a Peste Negra, a epidemia de peste bubônica do século XIV que destruiu muitos aspectos da sociedade. Das cerca de 30 universidades que existiam na Europa na época, 5 foram exterminadas. Mas “depois do choque, certas universidades voltaram e prosperaram”, diz ele. “Esta é realmente uma boa lição do passado.”

__________________________________

Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pela revista Nature [Aqui!].