Sete países já aplicam a CoronaVac em crianças acima de 3 anos

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China, Chile, Colômbia, Tailândia, Camboja, Equador e o território autônomo de Hong Kong são alguns dos países que já administram a CoronaVac, vacina do Butantan e da farmacêutica Sinovac contra a Covid-19, em crianças de três anos ou mais. No Brasil, nenhum imunizante foi autorizado até o momento nessa faixa etária. Em 21/1, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso da CoronaVac para crianças e adolescentes de seis a 17 anos, e o Butantan pretende pedir a ampliação da faixa etária para incluir meninos e meninas de três a cinco anos nas próximas semanas.

A China foi a primeira nação a aprovar o uso da CoronaVac para crianças de  3 a 17 anos, ainda em junho de 2021, quando começou a campanha de imunização com adolescentes de 12 anos ou mais. A vacinação na faixa etária dos três aos 11 anos deslanchou em outubro. Até o momento, mais de 200 milhões de doses da CoronaVac já foram aplicadas em crianças e adolescentes chineses. O acompanhamento dos efeitos adversos da vacina com mais de 120 milhões de crianças acima de três anos tem mostrado que a CoronaVac é segura e eficaz para esse público, com efeitos adversos raros e leves.

Em setembro de 2021, o Chile começou a vacinar suas mais de 1,5 milhão de crianças de seis a 11 anos. Em novembro, passou a administrar a CoronaVac para crianças de três a cinco anos. Das 730 mil crianças chilenas nesta faixa etária, até o final de fevereiro 61,8% haviam tomado a primeira dose e 40,45% as duas doses da CoronaVac.

A Colômbia, que começou a vacinar suas crianças com a CoronaVac em novembro de 2021, até o início de fevereiro deste ano havia imunizado 4,2 milhões de crianças de três a 11 anos, sendo que 2,3 milhões já haviam tomado a segunda dose. “A meta é vacinar aproximadamente 7,1 milhões de crianças com essa idade”, disse o ministro da Saúde colombiano, Fernando Ruiz, no lançamento da campanha de imunização infantil.

Já em janeiro de 2021, a Tailândia autorizou o uso da CoronaVac em crianças e adolescentes de três a 17 anos. Em fevereiro, Camboja, Equador e Hong Kong começaram a aplicar a vacina do Butantan e da Sinovac nas crianças a partir dos três anos de idade. Nestes três países, os maiores de cinco anos foram autorizados a receber a CoronaVac no final do ano passado.

Mais recentemente, outros três países, Malásia, República Dominicana e Paraguai, aprovaram a administração da CoronaVac para imunizar suas crianças maiores de cinco anos.

Em comunicado divulgado no início de março, o diretor-geral do Ministério da Saúde da Malásia, Noor Hisham Abdullah, anunciou a aprovação do uso da CoronaVac para crianças entre cinco e 11 anos. O governo malaio espera vacinar 3,6 milhões de crianças nesta faixa etária. “A CoronaVac já havia sido aprovada anteriormente para uso em crianças e adolescentes com 12 anos ou mais”, lembrou o ministro.

Em fevereiro, a dose pediátrica da CoronaVac já havia sido aprovada pelas autoridades sanitárias da República Dominicana. O país pretende imunizar 1,3 milhão de crianças entre cinco e 11 anos. “Percebemos que não havia problema e começamos a vacinar as crianças com a CoronaVac, porque já existe bastante informação sobre esta vacina em todo o mundo e ela é bem tolerada nas crianças, pois trata-se de um vírus inativado”, afirmou o ministro da Saúde Daniel Rivera.

Antes disso, no final de janeiro, o Paraguai passou a utilizar a CoronaVac para imunizar mais de 1 milhão de crianças entre cinco e 11 anos. Segundo o Diário La Nación, até 25 de fevereiro, 201 mil crianças já haviam sido vacinadas. “Não há desculpa para não se vacinar. A vacina salva vidas”, afirmou o ministro da Saúde, Júlio Borba, durante o lançamento da campanha de imunização infantil.

Por que será que no pior momento da pandemia para as crianças, proprietários e MP querem reabrir escolas campistas?

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Venho assistindo com um misto de curiosidade e preocupação o movimento encabeçado por donos de escolas privadas e pelo Ministério Público para forçar o início das aulas para crianças não vacinadas em Campos dos Goytacazes. É que esse movimento opta por desconhecer um fato já apontado por pesquisadores e médicos: vivemos o pior momento da pandemia da COVID-19 para as crianças até 12 anos que fazem parte do grupo de não vacinados contra a infecção pelo novo coronavírus!

A razão para essa “pressa” não me parece estar ancorada em uma preocupação pedagógica, mas sim econômica. É que, por algum estranho motivo, não vi grandes movimentos por parte dos operadores do sistema privado de ensino para estabelecerem calendários que levem em conta os riscos que continuam postos não apenas para os profissionais que atuam nas escolas, mas principalmente para as crianças que estão sendo empurradas para escolas em meio a um agravamento da pandemia entre os mais jovens não vacinados.

Como está noticiado que foi proferida uma liminar em prol dessa demanda que me parece desfocada dos reais interesses das crianças, a minha expectativa é que o setor jurídico da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes aja para derrubá-la em instâncias superiores.

Finalmente, aos pais que estão neste momento, como eu, diante da decisão de recolocar seus filhos nas escolas sem que eles estejam vacinados, eu diria que deveriam se preocupar muito com o que pode acontecer caso os piores cenários de contaminação se confirmem. É que com UTIs em ritmo crescente de lotação, talvez seja melhor aguentar um pouco mais com as crianças em casa do que ceder aos apelos dos donos de escolas que,tudo indica, estão pensando nos cifrões primeiro do que na segurança de seus empregados e clientes.

Mais de 300 milhões de pessoas devem sofrer com a insegurança alimentar até 2050, aponta estudo

Novo relatório da Visão Mundial mostra como as mudanças climáticas afeta a produção de alimentos e o acesso das pessoas a nutrientes; entidade aponta que se negociações da COP26 fracassarem, crianças serão as mais afetadas

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São Paulo, novembro de 2021. Um novo relatório divulgado nesta quarta-feira (10) pela Visão Mundial – ONG humanitária de proteção da infância e da adolescência – aponta que 26% das crianças em todo o mundo sofreram de má-nutrição em 2020 e que a situação pode piorar se o quadro atual de mudanças climáticas não for revertido. De acordo com o estudo, o número de pessoas que enfrentam crises de fome aumentou de forma constante nos últimos cinco anos pela primeira vez em décadas. Se a mesma trajetória dos últimos for mantida, a entidade prevê que mais de 300 milhões de pessoas enfrentarão a insegurança alimentar até 2030.

O documento foi publicado faltando poucos dias para o encerramento da COP26, como forma de alertar líderes globais sobre as consequências desastrosas que um fracasso nas negociações em Glasgow pode ter sobre populações de todo o planeta. Intitulado Mudança Climática, Fome e Futuros das Crianças”, o relatório estuda a ligação entre as alterações no clima e o risco de fome nas populações, em especial as consequências a longo prazo na desnutrição de crianças.

“Crianças em todo o mundo têm relatado que experimentam o impacto devastador das mudanças climáticas todos os dias – e seus avisos devem ser ouvidos em alto e bom som pelos líderes da COP26”, diz o CEO e presidente internacional da Visão Mundial, Andrew Morley.

Figura: os dez países que mais poluem (esquerda) em comparação com os dez países com mais pessoas em situação aguda de insegurança alimentar (Fonte: Banco Mundial) – Divulgação

“Ouvimos histórias de partir o coração, de que a água está se tornando escassa e os meios de subsistência das famílias destruídos por tempestades, enchentes e secas recorrentes, que podem levar à fome e à desnutrição com riscos para a vida. As crianças muitas vezes não têm escolha a não ser abandonar a escola e são forçadas a trabalhar ou se casar por seus pais, que lutam para sobreviver”, completa.

Segundo o estudo, enquanto os países economicamente mais ricos produzem a grande maioria das emissões de gases de efeito estufa, os eventos climáticos extremos impactam, desproporcionalmente, os países de baixa renda de maneira mais aguda. 

Em 2018, Madagascar contribuiu com apenas 0,06% das emissões globais de gases de efeito estufa, mas está enfrentando o que poderia ser o primeiro quadro de fome na história moderna causado pelas mudanças climáticas, com a insegurança alimentar afetando um total estimado de 1,14 milhão de pessoas.

Para comunidades em países em desenvolvimento, em especial na África e na América Latina, uma alta dependência da produção agrícola local se traduz um alto risco de devastação devido a eventos meteorológicos extremos. “Uma colheita que não dê certo pode ter resultados imediatos e consequências no comércio local, além de danos a longo prazo, limitando o acesso a alimentos nutritivos”, alerta i relatório, elaborado a partir de estatísticas de entidades como o Programa Alimentar Mundial e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.

Em comparação com 2019, houve um acréscimo de pessoas afetadas pela fome, em 2020, de 46 milhões África, 57 milhões na Ásia e cerca de 14 milhões na América Latina e Caribe. “Quase uma em cada três pessoas no mundo (2,37 bilhões) não teve acesso a alimentos adequados em 2020 – um aumento de quase 320 milhões de pessoas em apenas um ano”, revela o documento da Visão Mundial.

“Conflitos, COVID-19 e mudança climática estão interagindo para criar novos e agravantes focos de fome e estão revertendo os ganhos que as famílias tiveram para escapar da pobreza”, explica o diretor de Advocacy e Relações Institucionais da Visão Mundial, Welinton Pereira.

China limita uso de videogames por menores a três horas semanais

Norma se soma a outras iniciativas de Pequim que ampliam controle sobre a sociedade e afetam empresas de tecnologia atuantes em redes sociais, vendas online e educação remota

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Companhias que oferecem jogos online terão que adotar sistema de verificação de identidade

A China proibiu nesta segunda-feira (30/08) os menores de 18 anos de jogarem videogames online por mais do que três horas por semana, em uma incisiva intervenção social para combater o que as autoridades chinesas já chamaram uma vez de “ópio do espírito”.

As novas regras entram em vigor nesta quarta-feira e se somam a outras iniciativas recentes de Pequim que aumentam o controle sobre a sociedade chinesa e setores-chave de sua economia, incluindo tecnologia, educação e imóveis, após anos de crescimento desimpedido.

As restrições valem inclusive para jogos de celular e terão forte impacto na indústria mundial de jogos eletrônicos, que atualmente oferece seus produtos a dezenas de milhões de jogadores na China, o mercado mais lucrativo do mundo.

Os menores de 18 anos poderão jogar uma hora por dia, das 20h às 21h, somente nas sextas, sábados e domingos, segundo a agência de notícias Xinhua, do governo chinês. Eles poderão jogar também por uma hora, no mesmo horário, em feriados.

As empresas do setor de jogos eletrônicos serão impedidas de oferecer qualquer tipo de serviço para os menores de 18 anos fora do horário estipulado e precisam utilizar sistemas de verificação de identidade, disse o governo.

Em 2019, a China já havia limitado o tempo que menores de 18 anos podem jogar videogames a uma hora e meia por dia, em qualquer dia, e a três horas por dia em feriados.

“Os adolescentes são o futuro de nossa pátria-mãe”, disse à Xinhua um porta-voz do governo, não identificado. “Proteger a saúde física e mental dos menores está relacionado aos interesses vitais do povo e à preparação da geração mais nova na era do rejuvenescimento nacional.”

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Repercussão da norma

As novas regras sobre o uso de jogos eletrônicos rapidamente se tornaram um dos temas mais discutidos no Weibo, uma rede social chinesa similar ao Twitter. Alguns usuários manifestaram apoio às medidas, e outros se disseram surpresos com o rigor das novas regras.

“Isso é tão cruel que estou completamente sem palavras”, disse um usuário, em uma mensagem que recebeu mais de 700 curtidas.

Outros expressaram dúvidas sobre como as restrições poderiam ser aplicadas na prática. “Eles apenas irão usar os logins de seus pais, como poderão controlar isso?”, questionou outro usuário.

Cerca de 62% das crianças e adolescentes chineses de até 18 anos jogam videogames online, e 13,2% jogam por mais de duas horas diárias em dias úteis, segundo o governo chinês.

As empresas que atuam no setor já estavam apreensivas nas últimas semanas, à medida em que a imprensa estatal chinesa havia criticado o vício em jogos entre os jovens e sinalizou para medidas regulatórias.

Um veículo de imprensa do governo chinês descreveu os jogos online como “ópio do espírito” neste mês, e citou o jogo Honor of Kings, da Tencent, em um artigo que pedia por mais limites ao setor, afetando as ações da empresa, que além de controlar diversos serviços online, como as redes sociais QQ e WeChat, é a maior vendedora de jogos eletrônicos no mundo.

Em seguida, a Tencent anunciou novas medidas para reduzir o tempo e o dinheiro que as crianças gastavam em jogos, começando pelo Honor of Kings. O presidente da empresa também afirmou que estava trabalhando com os reguladores para encontrar formas para que o tempo gasto por menores de 18 anos em jogos pudesse ser limitado.

O governo chinês afirmou que aumentará a frequência e a intensidade da fiscalização sobre companhias de jogos eletrônicos para garantir que elas estejam adotando os limites diários de uso e sistemas antivício.

Serviços de tecnologia na mira

As novas regras para os jogos eletrônicos foram estabelecidas pela Administração Geral de Imprensa e Publicações, órgão governamental sob a autoridade do Departamento de Propaganda do Partido Comunista Chinês, e coincidem com outras medidas recentes tomadas por Pequim que ampliaram o controle sobre serviços na área de tecnologia e afetaram outras empresas gigantes como a Alibaba, atuante em comércio eletrônico, pagamentos online e computação em nuvem.

Em julho, o governo chinês também já havia proibido empresas que oferecem aulas online sobre temas que integram o currículo escolar de terem lucro, atingindo companhias como a TAL Education e a Gaotu Techedu.

Desde fevereiro, a Tencent já perdeu mais de 300 bilhões de dólares (R$ 1,5 trilhão) em valor de mercado, uma perda superior ao valor de mercado atual da Nike ou da Pfizer. A Tencent tem um valor de mercado agora de 573 bilhões de dólares (R$ 2,9 trilhões).

As novas regras sobre jogos online também tiveram impactos em empresas de outros países. Apenas no setor de videogame, a previsão do faturamento do mercado na China em 2021 era de 45,6 bilhões de dólares (R$ 237 bilhões), à frente dos Estados Unidos, segundo a empresa de análises Newzoo. Por isso, as novas restrições repercutiram em todo o mundo.

O valor de ações negociadas na bolsa de Amsterdã da empresa de investimentos em serviços de tecnologia Prosus, que detém 29% do grupo chinês Tencent, caiu 1,45%. As ações de empresas europeias de videogames Ubisoft e da Embracer Group caíram mais de 2%.

bl/ek (Reuters, AP)

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Este texto foi originalmente publicado pela Deutsche Welle [Aqui!].

Escolas inglesas reabrem e número de casos de coronavírus entre crianças explode

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Estudantes britânicos: o número de crianças de cinco a nove anos infectadas aumentou 70 por cento em comparação com a semana anterior. Liam Mcburney / PA Wire / picture alliance / dpa

De acordo com uma reportagem do Sunday Times, o coronavírus está se espalhando rapidamente entre crianças inglesas. Na semana de 20 de junho, o número de crianças infectadas de cinco a nove anos aumentou 70% em relação à semana anterior, com 10 a 14 anos foi um aumento de 56%, relatou o jornal, citando números da autoridade de saúde Saúde pública. Um total de 16.100 alunos faltaram à aulas devido à infecção por coronavírus, em comparação com 10.600 na semana anterior. Como dezenas de milhares de crianças também foram enviadas para o isolamento por causa do possível contato com pessoas infectadas, um total de 216.000 alunos deixou de ir às aulas.

A razão para a rápida disseminação do coronavírus entre estudantes ingleses é a variante Delta, altamente contagiosa, informou o Sunday Times. O co-secretário-geral do sindicato dos professores do Sindicato Nacional da Educação, Kevin Courtney, alertou para a multiplicação dos casos. Steve Chalke, da instituição de caridade Oasis Trust, disse que as escolas são “centros de incubação para a nova variante Delta”. “A tendência nas escolas vem apontando no sentido do aumento de contaminações há três semanas. Obviamente, ainda não alcançamos o topo dessa terceira onda ”, disse Chalke.

Os pais estão criticando cada vez mais a estratégia do governo de enviar toda a classe para o auto-isolamento por dez dias se os autotestes por coronavírus forem positivos. Portanto, dezenas de milhares de crianças saudáveis ​​faltariam às aulas. Os defensores da prática, no entanto, apontam que apenas 15% dos pais testam seus filhos regularmente. Os sindicatos estão pedindo que a máscara seja mantida e que haja melhor ventilação nas aulas. Os diretores das escolas esperam que em breve seja tomada uma decisão a favor da vacinação das crianças.

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Este texto foi inicialmente escrito em alemão e publicado pela revista Der Spiegel [Aqui!].

Por que tantos bebês estão morrendo de COVID-19 no Brasil?

Após mais de um ano de pandemia, as mortes no Brasil estão agora no auge. Mas, apesar da evidência esmagadora de que a COVID-19 raramente mata crianças pequenas, no Brasil 1.300 bebês morreram do vírus. Um médico se recusou a testar o filho de um ano de Jessika Ricarte paraCOVID-19, dizendo que seus sintomas não se encaixavam no perfil do vírus. Dois meses depois, ele morreu de complicações da doença.

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Por Nathalia Passarinho e Luis Barrucho para  a BBC Brasil

Depois de dois anos de tentativas e tratamentos de fertilidade malsucedidos, a professora Jessika Ricarte quase desistiu de ter uma família. Então ela engravidou de Lucas.

“Seu nome vem de luminoso. E ele foi uma luz em nossa vida. Ele mostrou que a felicidade era muito mais do que imaginávamos”, afirma.

Lucas com seus pais em seu primeiro aniversário

Lucas com seus pais Israel e Jessika em seu primeiro aniversário.  IMAGEM: JESSIKA RICARTE

Ela primeiro suspeitou que algo estava errado quando Lucas, sempre um bom comedor, perdeu o apetite.

A princípio Jessika se perguntou se ele estava tendo dentição. A madrinha de Lucas, uma enfermeira, sugeriu que ele poderia estar com a garganta inflamada. Mas depois que ele desenvolveu febre, fadiga e dificuldade para respirar, Jessika o levou ao hospital e pediu que fizesse o teste de Covid.

“O médico colocou o oxímetro. Os níveis de Lucas estavam em 86%. Agora sei que isso não é normal”, diz Jessika.

Mas ele não estava com febre, então o médico disse: “Minha querida, não se preocupe. Não há necessidade de fazer o teste de COVID-19. Provavelmente é apenas uma pequena dor de garganta.”

Ele disse a Jessika que COVID-19 era raro em crianças, deu-lhe alguns antibióticos e a mandou para casa. Apesar de suas dúvidas, não havia opção de fazer um teste particular de Lucas na época.

Jessika diz que alguns de seus sintomas se dissiparam no final de seu curso de antibióticos de 10 dias, mas o cansaço permaneceu – assim como suas preocupações com o coronavírus.

“Mandei vários vídeos para a madrinha dele, meus pais, minha sogra, e todos falaram que eu estava exagerando, que deveria parar de assistir ao noticiário, que estava me deixando paranóica. Mas eu sabia que meu filho não era ele mesmo, que ele não estava respirando normalmente. ”

Lucas não era ele mesmoJessika enviou vídeos de Lucas para sua família porque estava preocupada. IMAGEM: JESSIKA RICARTE. 

Era maio de 2020 e a epidemia de coronavírus estava crescendo. Duas pessoas já ha: viam morrido em sua cidade, Tamboril, no Ceará, nordeste do Brasil. “Todo mundo se conhece aqui. A cidade estava em choque.”

O marido de Jessika, Israel, estava preocupado que outra visita ao hospital aumentasse o risco de ela e Lucas serem infectados com o vírus.

Mas as semanas se passaram e Lucas foi ficando cada vez mais sonolento. Finalmente, em 3 de junho, Lucas vomitou várias vezes depois de almoçar, e Jessika sabia que precisava agir.

Eles voltaram para o hospital local, onde o médico testou Lucas para COVID-19, para descartar isso.

A madrinha de Lucas, que trabalhava lá, deu ao casal a notícia de que o resultado do exame era positivo.

“Na época, o hospital não tinha nem ressuscitador”, conta Jessika.

Lucas foi transferido para uma unidade de terapia intensiva pediátrica em Sobral, a mais de duas horas de distância, onde foi diagnosticado com uma doença chamada síndrome inflamatória multissistêmica (SIM).

A viagem de Tamboril até a UTI mais próxima, em Sobral, demorou mais de duas horas

Esta é uma resposta imunológica extrema ao vírus, que pode causar inflamação de órgãos vitais.

Especialistas dizem que a síndrome, que afeta crianças em até seis semanas após a infecção pelo coronavírus, é rara , mas a líder epidemiologista, Dra. Fátima Marinho, da Universidade de São Paulo, afirma que, durante a pandemia, ela está vendo mais casos de SIM do que nunca antes. Embora não seja responsável por todas as mortes.

Quando Lucas foi intubado, Jessika não teve permissão para ficar no mesmo quarto. Ela ligou para a cunhada para tentar se distrair.

“Ainda podíamos ouvir o barulho da máquina, o bip, até que a máquina parou e houve aquele bip constante. E sabemos que isso acontece quando a pessoa morre. Depois de alguns minutos, a máquina voltou a funcionar e eu comecei a chorar . “

O médico disse a ela que Lucas havia sofrido uma parada cardíaca, mas eles conseguiram reanimá-lo.

A médica pediatra Manuela Monte, que cuidou de Lucas por mais de um mês na UTI de Sobral, disse que ficou surpresa com a gravidade do estado de Lucas, pois ele não apresentava fatores de risco.

A maioria das crianças afetadas pela COVID-19 tem comorbidades – doenças existentes como diabetes ou doenças cardiovasculares – ou está acima do peso, de acordo com Lohanna Tavares, infectologista pediátrica do Hospital Infantil Albert Sabin, em Fortaleza, capital do estado.

Mas esse não foi o caso com Lucas.

Lucas

IMAGEM: JESSIKA RICARTE

Durante os 33 dias em que Lucas ficou na UTI, Jessika só teve permissão para vê-lo três vezes. Lucas precisava de imunoglobulina – um medicamento muito caro – para esvaziar seu coração, mas felizmente um paciente adulto que comprou a sua própria doou uma ampola restante para o hospital. Lucas estava tão doente que recebeu uma segunda dose de imunoglobulina. Ele desenvolveu uma erupção no corpo e estava com febre persistente. Ele precisava de apoio para respirar.

Então Lucas começou a melhorar e os médicos decidiram tirar seu tubo de oxigênio. Eles ligaram para Jessika e Israel para que ele não se sentisse sozinho ao recuperar a consciência.

“Quando ele ouviu nossas vozes, ele começou a chorar”, diz Jessika.

Foi a última vez que viram o filho reagir. Durante a próxima videochamada “ele tinha uma aparência paralisada”. O hospital solicitou uma tomografia computadorizada e descobriu que Lucas havia sofrido um derrame.

Ainda assim, o casal foi informado de que Lucas teria uma boa recuperação com os cuidados certos e logo seria transferido da UTI para uma enfermaria geral.

Quando Jessika e Israel foram visitá-lo, o médico estava tão esperançoso quanto eles, diz ela.

“Naquela noite coloquei meu celular no silencioso. Sonhei que Lucas veio até mim e beijou meu nariz. E o sonho foi um grande sentimento de amor, gratidão e acordei muito feliz. Aí vi meu celular e vi as 10 ligações que o médico fez. “

O médico disse a Jessika que a frequência cardíaca e os níveis de oxigênio de Lucas caíram repentinamente e ele morreu cedo naquela manhã.

Ela tem certeza de que, se Lucas tivesse feito um teste da COVID-19 quando ela o solicitou no início de maio, ele teria sobrevivido.

“É importante que os médicos, mesmo que acreditem que não seja a COVID-19, façam o exame para eliminar a possibilidade”, diz ela.

“Um bebê não diz o que está sentindo, então dependemos de testes.”

Os pais de Lucas, Israel e Jessika

Jessika acredita que a demora no tratamento adequado agravou seu quadro. “Lucas tinha várias inflamações, 70% do pulmão estava comprometido, o coração aumentou 40%. Era uma situação que poderia ter sido evitada.”

O Dr. Monte, que tratou de Lucas, concorda. Ela diz que embora a MIS não possa ser evitada, o tratamento tem muito mais sucesso se a doença for diagnosticada e tratada precocemente.

“Quanto mais cedo ele recebesse cuidados especializados, melhor”, diz ela. “Ele chegou ao hospital já gravemente doente. Acredito que ele poderia ter tido um resultado diferente se pudéssemos tê-lo tratado mais cedo.”

Jessika agora quer compartilhar a história de Lucas para ajudar outras pessoas que podem não perceber os sintomas críticos.

“Todas as crianças que eu conheço foram salvas por algum aviso e a mãe diz: ‘Eu vi seus posts, levei meu filho para o hospital e ele está em casa agora.’ É como se fosse um pouquinho do Lucas ”, diz ela.

“Tenho feito por essas pessoas o que gostaria que tivessem feito por mim. Se eu tivesse informações, teria sido ainda mais cauteloso.”

Há um equívoco de que as crianças correm risco zero para a COVID-19, diz a Dra. Fatima Marinho, que também é conselheira sênior da ONG internacional de saúde Vital Strategies. A pesquisa de Marinho descobriu que um número assustadoramente alto de crianças e bebês foi afetado pelo vírus.

Entre fevereiro de 2020 e 15 de março de 2021, a COVID-19 matou pelo menos 852 crianças brasileiras de até nove anos , incluindo 518 bebês menores de um ano, segundo dados do Ministério da Saúde do Brasil. Mas o Dr. Marinho estima que mais do dobro desse número de crianças morreram de COVID-19. Um problema sério de subnotificação devido à falta de testes da COVID-19 está reduzindo os números, diz ela.

O Dr. Marinho calculou o excesso de mortes por síndrome respiratória aguda não especificada durante a pandemia e descobriu que houve 10 vezes mais mortes por síndrome respiratória inexplicada do que nos anos anteriores. Ao somar esses números, ela estima que o vírus de fato matou 2.060 crianças menores de nove anos, incluindo 1.302 bebês.

https://www.bbc.com/news/av-embeds/56696907/vpid/p09dnbcn

Cuidando de bebês e crianças na UTI Covid do Brasil

Por que isso está acontecendo?

Especialistas dizem que o grande número de casos de COVID-19 no país – o segundo maior número do mundo – aumentou a probabilidade de bebês e crianças pequenas no Brasil serem afetados.

“É claro que quanto mais casos tivermos e, por consequência, quanto mais internações, maior o número de óbitos em todas as faixas etárias, inclusive crianças. Mas, se a pandemia fosse controlada, esse cenário evidentemente poderia ser minimizado”, diz Renato Kfouri, presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Essa alta taxa de infecção sobrecarregou todo o sistema de saúde do Brasil. Em todo o país, o suprimento de oxigênio está diminuindo, há uma escassez de medicamentos básicos e em muitas UTIs por todo o país simplesmente não há mais leitos.

Um bebê sendo tratado na UTI Covid

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro continua a se opor aos bloqueios e a taxa de infecção está sendo impulsionada por uma variante chamada P.1 que surgiu em Manaus, no norte do Brasil, no ano passado, e é considerada muito mais contagiosa. Duas vezes mais pessoas morreram no mês passado do que em qualquer outro mês da pandemia, e a tendência de aumento continua.

Outro problema que impulsiona as altas taxas em crianças é a falta de testes.

Marinho diz que para as crianças muitas vezes o diagnóstico de COVID-19 chega tarde, quando já estão gravemente doentes. “Temos um problema sério na detecção de casos. Não temos exames suficientes para a população em geral, menos ainda para as crianças. Como há um atraso no diagnóstico, há um atraso no atendimento à criança”, afirma.

Isso não ocorre apenas porque há pouca capacidade de teste, mas também porque é mais fácil não perceber, ou diagnosticar erroneamente, os sintomas de crianças que sofrem de COVID-19, já que a doença tende a se apresentar de forma diferente em pessoas mais jovens.

A equipe médica comprou tablets e telefones para fazer videochamadas entre pais e filhos
A equipe médica comprou tablets e telefones para fazer videochamadas entre pais e filhos

“Uma criança tem muito mais diarreia, muito mais dor abdominal e dor no peito do que o quadro clássico de COVID-19. Como há um atraso no diagnóstico, quando a criança chega ao hospital ela está em estado grave e pode acabar complicando – e morrendo “, diz ela.

Mas também tem a ver com pobreza e acesso a cuidados de saúde.

Um estudo observacional de 5.857 pacientes com COVID-19 com menos de 20 anos , realizado por pediatras brasileiros liderados por Braian Sousa da escola de medicina de São Paulo, identificou as comorbidades e vulnerabilidades socioeconômicas como fatores de risco para o pior resultado da COVID-19 em crianças.

Marinho concorda que esse é um fator importante . “Os mais vulneráveis ​​são as crianças negras e as de famílias muito pobres, porque têm mais dificuldade em obter ajuda. Estas são as crianças com maior risco de morte”. Ela diz que isso ocorre porque as condições de moradia lotada tornam impossível o distanciamento social quando infectado e porque as comunidades mais pobres não têm acesso a uma UTI local.

Essas crianças também correm o risco de desnutrição, o que é “péssimo para a resposta imunológica”, diz Marinho. Quando os pagamentos da COVID-19 pararam, milhões voltaram para a pobreza. “Passamos de 7 milhões para 21 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza em um ano. Portanto, as pessoas também estão passando fome. Tudo isso está afetando a mortalidade”.

Sousa diz que seu estudo identifica certos grupos de risco entre as crianças que devem ser priorizados para vacinação. Atualmente, não há vacinas disponíveis para crianças menores de 16 anos.

As visitas de familiares às crianças em UTI foram restritas desde o início da pandemia, por medo de infecção.

A Dra. Cinara Carneiro, médica da UTI do Hospital Infantil Albert Sabin, diz que isso tem sido um grande desafio, não apenas porque os pais são um conforto para seus filhos, mas porque também podem ajudar no sentido clínico – eles podem dizer quando seu filho está internado dor ou em sofrimento psicológico e quando precisam de calmantes em vez de medicamentos.

Dra. Cinara Carneiro
Dra. Cinara Carneiro

E ela diz que a ausência dos pais intensifica seu próprio trauma quando ouvem que a condição do filho piorou e eles não estiveram lá para testemunhar.

“Dói ver uma criança morrer sem ver os pais”, diz o Dr. Carneiro.

Na tentativa de melhorar a comunicação entre pais e filhos, a equipe do hospital Albert Sabin se reuniu para comprar telefones e tablets para facilitar as chamadas de vídeo.

O Dr. Carneiro diz que isso ajudou imensamente. “Fizemos mais de 100 videochamadas entre familiares e pacientes. Esse contato reduziu muito o estresse.”

Cientistas enfatizam que o risco de morte nessa faixa etária ainda é “muito baixo” – os números atuais sugerem que apenas 0,58% das 345.287 mortes de COVID-19 no Brasil até agora foram de 0-9 anos – mas isso é mais de 2.000 crianças.

“Os números são realmente assustadores”, diz o Dr. Carneiro.

Um médico mostra um tablet para uma criança na UTI

 IMAGEM: SECRETARIA DE SAÚDE DO CEARÁ

Quando procurar ajuda

Embora o coronavírus seja infeccioso para crianças, raramente é grave. Se seu filho não estiver bem, é provável que seja uma doença que não seja o coronavírus, e não o próprio coronavírus.

O Royal College of Paediatrics and Child Health aconselha os pais a procurarem ajuda URGENTE (ligue para 111 ou vá para o A&E) se seu filho:

  • Tornando-se pálido, manchado e sentindo um frio anormal ao toque
  • Tem pausas na respiração (apnéias), tem um padrão respiratório irregular ou começa a grunhir
  • Tem grave dificuldade para respirar, tornando-se agitado ou sem resposta
  • Está ficando azul na boca
  • Tem um ataque / convulsão
  • Fica extremamente angustiado (chora inconsolável apesar da distração), confuso, muito letárgico (difícil de acordar) ou sem resposta
  • Desenvolve uma erupção cutânea que não desaparece com a pressão (o ‘Teste de vidro’)
  • Tem dor testicular, especialmente em meninos adolescentes

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Esta reportagem foi originalmente publicado pela rede BBC [Aqui! ].

Novo estudo encontra correlação entre exposição a agrotóxicos e tumores no sistema nervoso central em crianças

“As intervenções políticas para reduzir a exposição a agrotóxicos em indivíduos que residem perto de campos agrícolas devem ser consideradas para proteger a saúde das crianças”.

crianças agrotoxicos

Um novo estudo, o primeiro de seu tipo, encontrou evidências diretas que ligam a exposição a agrotóxicos a tumores do sistema nervoso central na infância. O estudo, que foi publicado na Environmental Research, foi usado “para estimar os efeitos de um grande número de agrotóxicos específicos em relação aos subtipos de tumor do Sistema Nervoso Central (SNC) ”.

A pesquisa examinou dados do Registro de Câncer da Califórnia em relação a certos tipos de casos de câncer em crianças nascidas entre 1998 e 2011, que viviam em áreas rurais, e descobriu que a exposição a agrotóxicos, tais como: Clortalonil, Bromacil, Tiofanato-Metila, Triforina, Cresoxim-Metila, Propiconazol, Dimetoato e Linuron, aumentou o risco de tumores no SNC.

“As intervenções políticas para reduzir a exposição a agrotóxicos em indivíduos que residem perto de campos agrícolas devem ser consideradas para proteger a saúde das crianças”, disse Beate Ritz, coautora e professora de epidemiologia da Fielding School of Public Health da UCLA.

O estudo identificou 667 casos de tumores do sistema nervoso central na infância e 123.158 controles e “comparou esses casos com dados do sistema de Relatórios de Uso de Agrotóxicos (PUR) do Departamento de Regulamentação de Agrotóxicos da Califórnia (CDPR) para identificar se os produtos químicos classificados como possíveis carcinógenos pelo Meio Ambiente dos EUA A Agência de Proteção (EPA) foi pulverizada a 2,5 milhas de suas casas no nascimento ”, relatou EcoWatch. Os pesquisadores determinaram que alguns dos agrotóxicos estudados tinham um risco aumentado de tumor em até 2,5 vezes.

O estudo também revelou que “além dos efeitos negativos dos agrotóxicos sobre a saúde dos trabalhadores, há um grande número de mulheres grávidas e crianças que vivem adjacentes aos campos tratados que também podem sofrer efeitos prejudiciais à saúde”, disse o autor e epidemiologista do Samuel Oschin do Comprehensive Cancer Institute no Cedars-Sinai Medical Center em Los Angeles.

“Nossos resultados sugerem que a exposição a agrotóxicos específicos pode explicar melhor os resultados de estudos anteriores que relataram relações entre tipos de agrotóxicos mais amplos e tumores no SNC”, disse Julia Heck,  também coautora do estudo.”

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Este texto foi escrito inicialmente em inglês e publicado pelo “Nation of Change” [Aqui!  ] .

Casos de síndrome causada pela COVID-19 em crianças estão aumentando e ficando mais graves

A condição, que geralmente surge várias semanas após a infecção, ainda é rara, mas pode ser perigosa. “Uma porcentagem maior deles está  ficando gravemente doente”, disse um médico.

covid-19 wilsonCrédito. Via Amanda Wilson

Por  para o “The New York Times”

Braden Wilson, de quinze anos, tinha medo da COVID-19. Ele teve o cuidado de usar máscaras e só saiu de casa, em Simi Valley, Califórnia, para coisas como exames ortodontistas e visitas aos avós por perto.

Mas de alguma forma, o vírus encontrou Braden. Ele causou danos implacáveis ​​na forma de uma síndrome inflamatória que, por razões desconhecidas, atinge alguns jovens, geralmente várias semanas após a infecção pelo coronavírus.

Os médicos do Children’s Hospital de Los Angeles colocaram o adolescente em um respirador e uma máquina de bypass coração-pulmão. Mas eles não conseguiram impedir que seus órgãos principais entrassem em falência múltipla. Em 5 de janeiro, “eles disseram oficialmente que ele tinha morte cerebral”, contou sua mãe, Amanda Wilson, aos soluços. “Meu filho tinha morrido.”

Médicos em todo o país têm observado um aumento notável no número de jovens com a doença de Braden, que é chamada de Síndrome Inflamatória Multissistêmica em Crianças ou MIS-C. Ainda mais preocupante, dizem eles, é que mais pacientes estão agora muito doentes do que durante a primeira onda de casos, o que alarmou médicos e pais em todo o mundo na primavera passada.

“Agora estamos recebendo mais dessas crianças MIS-C, mas desta vez, parece que uma porcentagem maior delas está realmente gravemente doente”, disse a Dra. Roberta DeBiasi, chefe de doenças infecciosas do Children’s National Hospital em Washington, DC Durante a primeira onda do hospital, cerca de metade dos pacientes precisou de tratamento na unidade de terapia intensiva, disse ela, mas agora 80 a 90 por cento o fazem.

As razões não são claras. O aumento segue o pico geral de casos de COVID-19 nos Estados Unidos após o feriado de inverno, e mais casos podem simplesmente aumentar as chances de surgimento de doenças graves. Até agora, não há evidências de que variantes recentes do coronavírus sejam responsáveis, e especialistas dizem que é muito cedo para especular sobre o impacto das variantes na síndrome.

A condição permanece rara. Os últimos números dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças mostram 2.060 casos em 48 estados, Porto Rico e Distrito de Columbia, incluindo 30 mortes. A idade média era de 9 anos, mas de bebês a 20 anos já sofreram. Os dados, que estão completos apenas até meados de dezembro, mostram que a taxa de casos vem aumentando desde meados de outubro.

Embora a maioria dos jovens, mesmo aqueles que ficaram gravemente doentes, tenham sobrevivido e ido para casa em condições relativamente saudáveis, os médicos não têm certeza se algum deles terá problemas cardíacos persistentes ou outros problemas.

“Nós realmente não sabemos o que acontecerá a longo prazo”, disse o Dr. Jean Ballweg, diretor médico de transplante cardíaco pediátrico e insuficiência cardíaca avançada do Children’s Hospital & Medical Center em Omaha, Nebraska, onde de abril a outubro, o hospital tratava cerca de dois casos por mês, cerca de 30% deles na UTI. Isso aumentou para 10 casos em dezembro e 12 em janeiro, com 60% precisando de cuidados na UTI – a maioria exigindo ventiladores. “Claramente, eles parecem estar mais doentes”, disse ela.

Os sintomas da síndrome podem incluir febre, erupção cutânea, olhos vermelhos ou problemas gastrointestinais. Eles podem progredir para disfunção cardíaca, incluindo choque cardiogênico, no qual o coração não consegue apertar o suficiente para bombear o sangue o suficiente. Alguns pacientes desenvolvem cardiomiopatia, que enrijece o músculo cardíaco, ou ritmo anormal. A Dra. Ballweg disse que uma adolescente de 15 anos em seu hospital precisava de um procedimento que funcionava como um marca-passo temporário.

Jude Knott, 4, em casa com sua mãe, Ashley Knott, foi hospitalizado por 10 dias após desenvolver dor de cabeça, febre, vômito, olhos vermelhos e aumento da frequência cardíaca.

Kathryn Gamble para o New York Times

Os hospitais afirmam que a maioria dos pacientes apresenta teste positivo para anticorpos contra a COVID-19 que indicam infecção anterior, mas alguns pacientes também apresentam teste positivo para infecção ativa por coronavírus. Muitas crianças eram anteriormente saudáveis ​​e tinham poucos ou nenhum sintoma desde a infecção inicial por COVID-19. Os médicos não têm certeza de quais fatores predispõem as crianças à síndrome. A Dra. Jane Newburger, chefe associada para assuntos acadêmicos no departamento de cardiologia do Boston Children’s Hospital, que é líder de um estudo nacional , disse que pacientes com obesidade e algumas crianças mais velhas parecem piorar.

Sessenta e nove por cento dos casos relatados afetaram jovens latinos ou negros, o que os especialistas acreditam ter origem em fatores socioeconômicos e outros que expuseram desproporcionalmente essas comunidades ao vírus. Mas o hospital de Omaha, onde os primeiros casos ocorreram principalmente entre filhos de pais latinos que trabalhavam na indústria de empacotamento de carne, agora está “vendo um espectro muito mais amplo e de todas as etnias”, disse Ballweg.

Jude Knott, 4, foi hospitalizado em Omaha por 10 dias após desenvolver dor de cabeça, febre, vômito, olhos vermelhos e aumento da frequência cardíaca.

“Era apenas uma montanha-russa”, disse sua mãe, Ashley Knott, uma treinadora de carreira em uma organização sem fins lucrativos de Omaha que ajuda adolescentes de baixa renda.

Para explicar a Jude as infusões de imunoglobulinas intravenosas que os médicos estavam dando a ele, ela disse que eles estavam “’colocando Ninjas em seu sangue para que eles possam lutar’”. está fazendo seu sangue passar de milkshake para água porque precisamos que seja água. ‘ Qualquer coisa para ajudá-lo a entender isso. ”

Jude recentemente voltou para a pré-escola em tempo integral. Ele tem alguma dilatação de uma artéria coronária, mas está melhorando, disse sua mãe.

Os médicos disseram que aprenderam abordagens de tratamento eficazes, que, além de esteróides, imunoglobulinas e anticoagulantes, podem incluir medicamentos para pressão arterial, um imunomodulador chamado anakinra e oxigênio suplementar. Alguns hospitais usam ventiladores mais do que outros, dizem os especialistas.

Mas, embora os médicos estejam aprendendo mais, os pediatras podem não perceber a síndrome inicialmente porque os primeiros sintomas podem imitar algumas doenças comuns.

Mayson Barillas, 11, foi hospitalizado por oito dias no Children's National Hospital, onde seus médicos disseram que ele apresentou choque cardiogênico.

Rosem Morton para o The New York Times

No dia de Ano Novo, Mayson Barillas, 11, de Damasco, Md., Começou a se sentir mal. “Meu estômago começou a doer, fui para o jogo de futebol e fiquei com febre”, disse ele.

Sua mãe, Sandy Barillas, assistente médica em um consultório de saúde feminina, deu-lhe Alka Seltzer, Pepto Bismol e Tylenol. Vários dias depois, ele desenvolveu falta de ar e eles foram para uma clínica de atendimento de urgência.

Lá, um teste rápido de COVID-19 foi negativo, assim como as avaliações para estreptococos, gripe e apendicite. A Sra. Barillas disse que lhe disseram: “Foi como uma cólica estomacal”. 

Mas no dia seguinte, Mayson tinha olhos inchados e lábios com bolhas vermelhas. “Ele começou a desenvolver dores corporais muito fortes e não conseguia mais andar”, disse ela. Ela o levou para um pronto-socorro, que o transferiu para o Children’s National Hospital, onde os médicos disseram que ele exibiu choque cardiogênico.

“Foi muito assustador”, disse Barillas. “Nunca tinha ouvido falar dessa síndrome antes.”

Mayson ficou oito dias no hospital, quatro na UTI Desde que saiu, ele se consultou com um hematologista, um reumatologista e um cardiologista e está usando anticoagulantes por enquanto. A parte mais difícil, disse Mayson, uma estrela do futebol local, é ser temporariamente afastado dos esportes, já que os médicos aconselham a maioria dos pacientes por vários meses.

“Foi muito chocante para todos na comunidade: ‘Uau, como isso aconteceu com alguém muito saudável?’”, Disse Barillas.

Em um serviço memorial em 5 de fevereiro, Braden Wilson foi lembrado como um adolescente criativo e de bom coração que amava cinema e moda. Suas pinturas a óleo salpicadas de cores foram exibidas.

Sua mãe leu um poema que ele escreveu que está pendurado na geladeira de seus avós, Fabian e Joe Wilson, de quem era próximo: “Segure-se nos sonhos / para que se os sonhos criem / a vida é uma bela tela / uma obra-prima pintada de forma maravilhosa.”

ia Amanda Wilson

Não está claro por que a síndrome atingiu Braden com tanta força. A Sra. Wilson disse que não tinha problemas de saúde graves. Ela disse que ele estava acima do peso, mas era ativo, nadava três vezes por semana e fazia ioga e dança em sua escola de artes e ciências.

Os sintomas começaram na véspera de Ano Novo, quando ele começou a vomitar e a ter febre. A Sra. Wilson o levou a um pronto-socorro, onde ele testou positivo para coronavírus, recebeu um tratamento que incluía um novo medicamento de anticorpo monoclonal e foi enviado para casa.

Mas sua febre persistiu e dois dias depois, ele desenvolveu diarreia e seus lábios e dedos ficaram azuis. A Sra. Wilson ligou para o 911. Quando os paramédicos chegaram, ela disse, ele estava “deitado na cama, quase sem vida”.

No hospital, ele foi conectado a um ventilador e transferido para o Children’s Hospital de Los Angeles, que, como vários hospitais, estabeleceu uma clínica MIS-C com vários especialistas.

“Braden foi um dos nossos pacientes mais doentes”, disse a Dra. Jacqueline Szmuszkovicz, cardiologista pediátrica local.

Os médicos colocaram-no na máquina de bypass coração-pulmão, colocaram-no em diálise e realizaram um procedimento cardíaco para aliviar a pressão. “Ele tinha o que chamaríamos de grave insuficiência de órgãos multissistêmicos: seus pulmões, seu coração, seus rins”, disse Szmuszkovicz.

Em meio às lágrimas, Wilson disse que depois de alguns dias, Braden começou a sangrar pela boca, olhos e nariz, e os médicos acabaram não conseguindo detectar a atividade cerebral. “Perguntei-lhes especificamente: ‘Há alguma chance de ele se recuperar disso?’”, Contou ela. “E eles disseram que não.”

Membros da família  tiveram tempo para se despedir antes que o suporte vital fosse retirado. A Sra. Wilson deu consentimento para os médicos tirarem amostras de sangue de seu corpo para estudos de pesquisa.

A Sra. Wilson nunca havia escrito poesia antes, mas desde a morte de Braden, ela saiu dela.

“Agora seu coração não bate mais / e não posso mais segurá-lo em meus braços”, diz um deles. “Mas eu me lembro daqueles dias / Quando meu útero te protegia do mal / Você vivia uma vida de beleza / de riso e de graça / Eu te seguro agora dentro do meu coração / Sempre compartilharemos esse espaço.”

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Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo “The New York Times” [ Aqui!].

Alemanha: Creches abertas? sim, mas!

Educadores de Brandemburgo estão pedindo melhores conceitos de proteção para creches, testes para COVID-19 e um rápido processo de vacinaçãoUma criança não testada mede febre em um brinquedo macio

Uma criança não testada mede a temperatura de um brinquedo de pelúcia. Foto: iStock / lithiumcloud
 
Por Ulrike Wagner para o Neues Deutschland

“Entre o Natal e o Ano Novo, dez professores de nossa instituição adoeceram com o coronavírus”, disse a educadora de Potsdam, Jana Müller, em uma entrevista coletiva sobre a situação nas creches de Brandenburg nesta terça-feira. Eles não sabem onde foram infectados. Mas: Havia cinco crianças com resfriados na época. No final das contas, uma criança sem sintomas de resfriado testou positivo para  a COVID-19.  A membro do Conselho de tTrabalhadores pede ao governo estadual de Brandenburg que forneça mais proteção contra a COVID-19 para os educadores em Brandenburg.

Com ela, mais de 530 outras pessoas (na tarde de terça-feira) que assinaram uma petição online de Verdi desde domingo, estão pedindo isso. “O funcionamento regular só é possível com educadores saudáveis”, diz o sindicato. “Apelamos ao governo do estado para finalmente agir e enfrentar a discussão com os educadores”, diz Frank Wolf. Uma carta do sindicato ao primeiro-ministro Dietmar Woidke e à ministra da Educação Britta Ernst (ambos SPD) permanece sem resposta até agora, de acordo com o chefe regional do Verdi de Berlin-Brandenburg. Especificamente, os signatários da petição exigem o fornecimento regular de máscaras de proteção, testes rápidos semanais para detectar a infecção por coronavírus, e a oferta de serem vacinados o mais rápido possível,

O governo estadual “apela” aos pais para que cuidem dos filhos em casa. As creches só devem permanecer fechadas em regiões com número particularmente alto de infecções, como é o caso atualmente nos distritos de Oberspreewald-Lausitz e Ostprignitz-Ruppin. No momento, as 1900 creches em Brandenburg estão abertas quase normalmente, com capacidade de 70 a 90%, de acordo com a coletiva de imprensa. Isso corresponde aproximadamente à taxa de ocupação de janeiro passado. O Ministério da Educação de Brandemburgo contradiz esta informação. De acordo com os departamentos sociais responsáveis ​​dos distritos urbanos, a ocupação das creches é de apenas 45 a 60%, de acordo com a porta-voz do ministério Ulrike Grönefeld. Isso corresponde, a grosso modo, aos valores do pronto-socorro quando as creches estavam fechadas. A estratégia de teste nas creches também terá continuidade. As capacidades de testagem ainda estão sendo negociadas.

A petição online, entretanto, critica o fato de não haver exigência de máscara nem testes abrangentes. No site do ministério está escrito: »Geralmente não é necessário que os profissionais da educação usem máscaras FFP2 ou FFP3 como equipamento de proteção individual.”

Diana Walluks, educadora em Kremmen e presidente do grupo de especialistas regionais do Verdi para o bem-estar social, infantil e juvenil, relata a existência de um grande medo de infecção entre os educadores. Os regulamentos inconsistentes também inquietaram seus colegas.

Esse quadro também se reflete nos mais de 250 comentários sobre a petição que já estavam lá na tarde de terça-feira. “Como educadores, também temos famílias em casa que queremos proteger. Cada vez que vou para casa com um sentimento de medo – de arrastar este vírus comigo hoje e transmiti-lo à minha família «, escreveu uma pessoa que assinou a petição. Não é possível manter distância de crianças menores de seis anos, escreve Antje Graßhoff-Meyer: »As crianças não apresentam sintomas e não são testadas. De acordo com relatos de meus colegas de outras creches do nosso provedor, as crianças chegam sem fazer o teste e ambos os pais estão infectados. “

Desde segunda-feira, educadores da cidade de Potsdam podem fazer um teste de saliva duas vezes por semana. Não as crianças – muitas vezes sem sintomas. Claudia Mühlmann da VSB Child and Youth Welfare em Potsdam não consegue, como ela diz, “encontrar uma resposta politicamente correta” para o porquê disso. Ela suspeita que isso tenha motivos financeiros. Além de vários testes rápidos por semana, a proteção vacinal deve ter alta prioridade para os educadores. O sindicato Verdi pede que os educadores tenham a maior prioridade, ao lado das profissões médicas. No entanto, a vacinação não deve ser obrigatória, afirma o sindicalista Wolf. A educadora de Potsdam Jana Müller mencionada no início explica: »Creches abertas, sim, mas, por favor, vacine primeiro os educadores.

Na situação atual, segundo o sindicato e os educadores presentes, não deveria haver um atendimento regular. Deve ser claramente regulamentado quem pode fazer uso dos cuidados de emergência. “O que queremos evitar é que a gerência do Kita no local tenha que discutir com os pais se eles são sistemicamente relevantes ou não”, diz Frank Wolf.

A situação também é desafiadora para pais e filhos. “Não há conversas com os pais”, explica Sylvia Papendorf, presidente do conselho geral de trabalho da Volkssolidarität. É difícil explicar às crianças que não devem se misturar com os outros grupos no parquinho. “Mas as crianças se dão muito bem com as situações”, diz Papendorf.

Liane Sachse, de Ludwigsfelde, quer que as decisões do governo sejam comunicadas mais cedo. “Até os educadores precisam de planejamento de segurança, eles também têm filhos e famílias”, diz o gerente do Kita.

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Este texto foi originalmente escrito em alemão e publicado pelo jornal “Neues Deutschland [Aqui!].

Instituto Alana lança série de vídeos sobre infância e tecnologia em tempos de quarentena

Especialistas analisam como é possível que os pequenos tenham uma relação saudável com a tecnologia diante do cenário atual

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A rotina familiar mudou desde o início da quarentena causada pelo COVID-19 no Brasil e no mundo. Com as crianças em isolamento social, pais, mães e responsáveis se veem imersos nas diversas demandas do dia a dia. Nesse contexto, o ambiente digital aparece como um recurso que oferece oportunidades de conexão, socialização com os amigos e familiares e aparece como um novo espaço para aprender e brincar. Para contribuir e auxiliar famílias nas relações das crianças com as telas, o Instituto Alana desenvolveu uma série de vídeos com depoimentos de especialistas, que apresentam conteúdos sobre como as famílias podem ajudar os pequenos a terem relações éticas, saudáveis e criativas com as tecnologias.

Pesquisadores e especialistas, bem como as recomendações de organizações como sociedades de pediatras, UNICEF e Organização Mundial da Saúde defendem que em uma relação saudável com a tecnologia devem prevalecer boas experiências e o respeito à privacidade e a capacidade de desconectar das crianças, reconhecendo que o universo digital também apresenta desafios que precisam ser conhecidos e cuidados. Por isso, a série busca proporcionar reflexões sobre temas relacionados à tecnologia e infância como os benefícios da tecnologia durante a quarentena, a qualidade de conteúdo, o equilíbrio entre as experiências digitais e atividades sem telas, a publicidade infantil, entre outras.

Ao todo, a série é composta por nove vídeos, que contam com a participação de especialistas do Instituto Alana: Maria Isabel Barros, pesquisadora do programa Criança e Natureza; Laís Fleury, coordenadora do programa Criança e Natureza; Livia Cattaruzzi, advogada do programa Criança e Consumo; Pedro Hartung, coordenador dos programas Criança e Consumo e Prioridade Absoluta e Raquel Franzim, coordenadora da área de Educação. A relação completa dos vídeos poderá ser vista no link .

Sobre o Instituto Alana

O Instituto Alana é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que aposta em programas que buscam a garantia de condições para a vivência plena da infância. Criado em 1994, é mantido pelos rendimentos de um fundo patrimonial desde 2013. Tem como missão “honrar a criança”.