Reitores das Ifes do RJ manifestam apoio às universidades estaduais

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Reitores das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) do Rio de Janeiro redigiram um texto em solidariedade a dirigentes e comunidades acadêmicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e da Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (UEZO). Estas instituições enfrentam uma grave crise pela falta de repasses financeiros por parte do governo do Estado, o que prejudica suas atividades de ensino, pesquisa e extensão. Por conta disso, os dirigentes das Ifes sediadas no Rio — entre eles a reitora da UFRRJ, professora Ana Maria Dantas — posicionaram-se em favor das estaduais, conclamando o governo “a uma efetiva ação de preservação desse patrimônio incalculável por elas representado, cumprindo o seu papel de provedor, com a responsabilidade que lhe foi confiada pela população”.

Leia, abaixo, o documento na íntegra.

Em defesa das universidades estaduais do Rio de Janeiro

Os Reitores das Instituições Públicas Federais de Ensino do Rio de Janeiro vêm a público externar a sua solidariedade aos dirigentes e à toda a comunidade acadêmica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, da Universidade Estadual do Norte Fluminense – UENF e da Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste – UEZO, em face à grave crise por que essas prestigiadas instituições vêm passando. A UERJ, com seus mais de sessenta anos de história, e a UENF, em quase 25 anos de funcionamento, têm propiciado uma contribuição relevante ao desenvolvimento da educação, com destaques nas diferentes áreas de conhecimento, o que as coloca em situação privilegiada no contexto das Universidades Públicas de nosso país. A UEZO, com uma história bem mais recente, tem oferecido à sociedade uma importante contribuição, sobretudo na área de formação tecnológica, em nível de graduação e pós-graduação, numa perspectiva de inserção regional em uma das áreas mais populosas da cidade do Rio de Janeiro.

A formação de profissionais altamente qualificados, a produção de pesquisa de ponta e a relevância de projetos de extensão realizados ao longo da história dessas Instituições encontram-se fortemente ameaçadas pela ausência de repasses financeiros por parte do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação são estratégicos para o crescimento, desenvolvimento e soberania de uma Nação, o que significa que os investimentos públicos nessas áreas devem ser considerados prioritários, inclusive por permitir que a produção do conhecimento encaminhada à resolução de problemas econômicos e sociais seja um importante contributo à busca de soluções justas, em bases sustentáveis, para os graves problemas que se apresentam em nosso país.

Defender as Universidades Estaduais do Rio de Janeiro é defender os princípios fundamentais da nossa Carta Magna; é defender a história de milhares de jovens que se graduaram nessas Instituições e hoje contribuem para o progresso da Nação; é defender a dignidade de seus profissionais – professores e servidores técnicos – que oferecem à sociedade uma atuação pautada na dedicação e na qualidade do trabalho realizado e que, como tal, fazem jus à contrapartida que compete ao governo do Estado do Rio de Janeiro, através do pagamento da integralidade de seus salários. É defender os atuais estudantes que ingressaram nessas universidades em busca de uma formação que lhes permita atuar como profissionais e cidadãos e cuja materialidade depende dos investimentos financeiros em pessoal e em infraestrutura.

Com base nessas assertivas é que nos posicionamos em solidariedade às comunidades da UERJ, UENF e UEZO e conclamamos o governo do Estado do Rio de Janeiro a uma efetiva ação de preservação desse patrimônio incalculável por elas representado, cumprindo o seu papel de provedor, com a responsabilidade que lhe foi confiada pela população.

Estado do Rio de Janeiro, 19 de janeiro de 2017.

Ana Maria Dantas Soares – Reitora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

Carlos Henrique Figueiredo Alves – Diretor Geral do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET-RJ)

Jefferson Manhães de Azevedo – Reitor do Instituto Federal Fluminense (IFF)

Luiz Pedro San Gil Jutuca – Reitor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

Oscar Halac – Reitor do Colégio Pedro II

Paulo Roberto de Assis Passos – Reitor do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ)

Roberto Leher – Reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Sidney Luiz de Matos Mello – Reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF)

Luta contra o fechamento da Uenf está nas redes sociais

A situação catastrófica em que as universidades estaduais do Rio de Janeiro foram colocadas pelo (des) governo Pezão está provocando uma série de reações políticas que vão desde a manifestação das sociedade científicas até a criação de comunidades públicas em redes sociais. 

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Um caso exemplar é o da comunidade criada na rede Facebook que se intitula “UENF-Resiste Comunidade Acadêmica e Sociedade“. Esta comunidade é uma das muitas ferramentas que estão sendo utilizadas para fortalecer o movimento  em defesa  da a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

Uma das formas para colaborar com a comunidade é oferecer depoimentos  sobre a importância que  tem para o desenvolvimento científico e tecnológico do Rio de Janeiro, mais especificamente para as regiões Norte e Noroeste.

Desta forma, creio que seria interessante que quem puder e tiver interesse acesse a página oficial e deixe lá um relato sobre porque a universidade deve ser apoiada e defendida num momento tão crítico de sua jovem e vitoriosa trajetória.

Os interessados em conhecer a comunidade e deixar um depoimento, basta clicar (Aqui!)

 

(Des) governador Pezão: da propaganda enganosa à condição de maestro do caos organizado

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Sinal de um homem com nervos de aço: enquanto o chão parece sumir dos pés da maioria dos habitantes do Rio de Janeiro por causa do caos instalado no estado, o (des) governador Pezão aproveita calmamente mais um dia ensolorado na praia.

Já ouvi todo tipo de crítica ao (des) governador Luiz Fernando Pezão, a maioria apontando para a sua inépcia e incapacidade de tirar o estado do Rio de Janeiro em que ele e seu mentor político, o ex (des) governador Sérgio Cabral,  o colocaram.

De minha parte eu tendo a considerar que as críticas que minimizam o papel jogado pelo (des) governador Luiz Fernando Pezão nessa crise são equivocadas. Afinal, ele tem sido e continua sendo uma espécie de maestro do caos organizado para privatizar aquilo que conseguir e destruir aquilo que ficar fora do seu alcance.

E, convenhamos, o (des) governador Pezão é fruto de uma forma de fazer política que muito agrada aos ricos, pois com ele a riqueza se concentra e os pobres só tomam literalmente na cabeça.

E, convenhamos, uma das características do (des) governador que quer vender a lucrativa CEDAE e impor uma tunga histórica nos salários dos servidores e aposentados fluminenses é a sua capacidade de vender peixe por lebre.  Para melhor entender essa minha afirmação, vejamos o vídeo abaixo.

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Este vídeo não existe

Se não fosse pelas redes sociais e sua memória de longa duração quem é que se lembraria dessa incrível peça de propaganda enganosa com que o então (des) governador exercício superou índices abissais de aprovação e se alçou para a vitória na corrida eleitoral de 2014? E, mais, quem é que se lembra de cobrar Pezão por esse amontoado de promessas não cumpridas? E sabem por que, porqueo o caos organizado é que ele criou sufoca e anestesia a capacidade crítica que existe no Rio de Janeiro.

Por essas e outras é que não podemos subestimar a capacidade de Pezão de desmontar o estado do Rio de Janeiro para entregá-lo às corporações privadas, locais ou globais. E, claro, aumentar ainda mais o nível de resistência aos seus planos.

SBPC e ABC pedem a governador atenção às universidades estaduais do Rio de Janeiro durante crise econômica

Em carta a Luiz Fernando Pezão, as entidades alertam sobre a importância da Uerj, Uezo e Uenf para o desenvolvimento social e econômico do Estado

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A SBPC e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) encaminharam nesta segunda-feira, 16 de janeiro, uma carta ao governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, para manifestar preocupação com a situação financeira das universidades do Estado. No documento, as instituições pedem de atenção especial do governo para, além da Uerj (conforme documento encaminhado na última semana), duas outras universidades fluminenses: a Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo) e a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

“UERJ, UEZO e UENF têm que continuar sua missão de formar profissionais para disponibilizar recursos humanos qualificados para que as instituições públicas e privadas e as empresas possam continuar funcionando a contento e progredindo. Ainda, as camadas mais carentes da população precisam continuar contando com os serviços de excepcional qualidade oferecidos por essas três universidades”, dizem a SBPC e a ABC na carta.

O documento pode ser acessado Aqui.

FONTE: http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/1-sbpc-e-abc-pedem-a-governador-atencao-as-universidades-estaduais-do-rio-de-janeiro-durante-crise-economica/

Repitam comigo: a crise do Rio de Janeiro não é explicada pela queda dos roaylties do petróleo!

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Volte e meia somos obrigado a ler cantilena rota de que a crise financeira que assola o estado do Rio de Janeiro tem em entre as suas causas principais a queda nos valores recebidos dos royalties e participações especiais oriundos da exploração do petróleo.

O fato é que no caso do estado do Rio de Janeiro, os recursos oriundos dos royalties representa menos de 10% da receita total. Assim, ainda que tenhamos tido uma diminuição no aporte via essa rubrica, a crise que estamos vivendo tem outras raízes.

Aliás, um detalhe que me parece necessário enfatizar é que os municípios que recebem royalties do petróleo foram bem mais afetados em termos de encolhimento de receitas, e nem por isso estão vivendo problemas financeiros na mesma magnitude do estado.

E quais são essas raízes? Ora, como já tenho apontado de forma insistente entre as principais causas estão o nível de endividamento associado aos sucessivos megaeventos esportivos que foram majoritariamente bancados com verba pública e com forte participação do estado, os colossais níveis de corrupção, a descontrolada política de generosidades fiscais e, por fim, o uso irresponsável de mecanismos de captação de recursos via securitização que por sua vez agiram como elementos de retroalimentação da dívida pública.

E o mais incrível é que essa mistura explosiva não vai sequer ser arranhada caso o pacote de Maldades sendo engendrado pela dupla Pezão/Henrique Meirelles e que tem como alvo principal a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE) e como secundário os salários dos servidores estaduais.

Mas por que não somos brindados com uma explicação mais real das causas da quebra do tesouro estadual? Aí entram os interesses obscuros que mais têm ganho com a crise seletiva em que o Rio de Janeiro se encontra. É que no final são os bancos que estão com a faca e o queijo na mão, não apenas com a cobrança de juros extorsivos, como também participando da aquisição de patrimônio público a preço de banana.

Aliás, como já observou o Professor Roberto Moraes em seu blog, há ainda a intensa participação de fundos estrangeiros como o canadense Brookfield Asset Management na compra das melhores áreas do Rio de Janeiro, e que agora deverá investir na compra da CEDAE (Aqui!).

Por essas e outras é que sugiro ao pessoal do MUSPE que nas próximas manifestações haja um momento de “acapella” onde todos os presentes possam entoar “a crise do Rio de Janeiro não é explicada pela queda dos roaylties do petróleo!”. Quem sabe se possa sensibilizar os deputados estaduais e educar os jornalistas que continuam a repercutir essa fantasia do (des) governo Pezão como se fato fosse.

Não ao fechamento da Uenf (ou da Uerj e da Uezo)

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As universidades estaduais do Rio de Janeiro possuem diferentes trajetórias institucionais, mas são igualmente patrimônio da população fluminense. A sua destruição representaria uma perda incalculável para as gerações presentes e futuras do nosso estado.

A atual política de asfixia financeira deliberada que está sendo impetrada pelo (des) governo Pezão contra nossas universidades estaduais é um daqueles típicos casos de crime lesa-pátria que merecem e devem receber o mais completo repúdio de todos, independente de posições políticas.

É que, acima de tudo, destruir as universidades é uma receita para que jamais tenhamos a capacidade de alcançar qualquer solução duradoura para os múltiplos desafios que estão postos no atual contexto histórico. E, com certeza, a destruição das universidades estaduais apenas contribuirá para a consolidação de uma sociedade fragmentada e descompromissada com um processo mais democrático de convivência social.

Além disso, ainda que a ilustração desta postagem seja direcionada para o caso da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), o que precisamos é superar as saídas particularistas para adotar uma ação global de defesa de nossas instituições universitárias.

Não ao fechamento da Uenf, da Uerj e da Uezo!

Fora Pezão e seu (des) governo que ameaça o nosso futuro!

Reitor emite nota sobre crise que ameaça paralisar atividades na Uenf

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À Comunidade UENF,

O ano de 2016 foi extremamente difícil. Ao longo do ano, vimos as condições de funcionamento da Universidade se deteriorarem, ao ponto de encerrarmos o ano sem o pagamentos dos salários e bolsas relativos a novembro bem como o 13º salário.

No início de 2016, alertamos para a precariedade da situação no Campus (Ofício 058/16). Em meados do ano nos dirigirmos diretamente ao Governador, alertando para o problema em questão além de apontar a responsabilidade do governo sobre acontecimentos futuros, fruto da falta de repasse de recursos (Carta de 19/07/16). Ao longo do ano, buscamos descontingenciar recursos orçamentários (Ofícios 041, 124 e 126/16), bem como solicitamos a publicação no DOERJ de diversos concursos em andamento (Ofícios 106, 172 e 191/16). Também nos pronunciamos contrários aos descontos periódicos no auxilio alimentação (Ofício 186/16).

Além do Poder Executivo, também denunciamos a situação e buscamos apoio da sociedade como, por exemplo, da Câmara Municipal (Ofício 051/16) e OAB (Ofício 048/16), entre muitos outros que renderam manifestações de apoio de 23 entidades, inclusive da ALERJ (Ofício 071/16), que doou R$ 1,5 milhões para a UENF.

Também nos manifestamos junto à Defensoria Pública (Ofício 072/16), ao TCE (Ofício 147/16) e, mais recentemente, ao Ministério Público (Ofício 184/16), sempre expondo de modo muito claro a situação calamitosa em que se encontrava a Universidade.

Atuamos também para melhorar o orçamento de 2017 (Ofício 117 e 122/16) bem como buscamos por emendas parlamentares (carta de 14/12/16).

Logo no inicio de Janeiro deste ano, mais uma vez, denunciamos as consequências da grave crise que atravessamos (Ofício 03/17).

Esses são alguns exemplos das ações e correspondências enviadas. Muitas outras atividades foram desenvolvidas, no intuito de dar visibilidade à situação, bem como promover o debate. Exemplo disto foi a reunião de uma delegação do CONSUNI com a Frente Parlamentar em Defesa da UENF, oportunidade na qual entregamos carta a todos os parlamentares (Carta de 28/06/16).

Além dos constantes debates sobre o tema no COLEX e no CONSUNI, foram realizadas três reuniões ampliadas do CONSUNI. Em uma delas, foi tomada a decisão de iniciar o 1º semestre de 2016, apesar da precariedade do serviço de vigilância, que havia entrado em greve e reduzido o efetivo. Com relação à segurança, a situação só não está muito pior devido às diversas reuniões com o comado da PM e GCM, que têm colaborado com a intensificação das rondas.

Esta Reitoria sempre se pautou pelo diálogo e defesa da UENF; também em 2017 será desta forma. Já temos um CONSUNI agendado para 10/02. Certamente estará na pauta o debate sobre as condições de funcionamento da Universidade.

Luís Passoni

Reitor da UENF

Jogando luz na escuridão da farra fiscal de Cabral e Pezão

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Temos que reconhecer que uma coisa que o (des) governador Luiz Fernando Pezão vem fazendo com maestria é evitar qualquer discussão sobre o papel da farra fiscal que ele e seu mentor político Sérgio Cabral Filho impuseram no Rio de Janeiro. Pelas manifestações vindas de Pezão até parece que os culpados pela crise são os servidores públicos e a população, e não a farta e descontrolada entrega de dinheiro público a todo tipo de empresa privada.

O interessante é que em Junho de 2016, um grupo de auditores fiscais que atuam na própria Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz) publicou em Junho de 2016 um documento avassalador de apenas 33 páginas destrinchando e jogando luz sobre os aspectos mais básicos da farra fiscal. O título do documento não poderia ser mais sugestivo “Jogando luz na escuridão”.

Após fazer uma leitura geral do documento, separei 3 tabelas e 1 gráfico que creio ajudam até o leitor mais leigo  em finaças públicas (como é o meu caso) a entender a natureza desestruturante e concentradora da farra fiscal comandada por Sérgio Cabral e Pezão.

Vejamos a primeira figura logo abaixo.

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Ainda que resrita aos anos de 2015 e 2016, o que a figura nos mostra é que quase 91% das isenções (renúncias) se dá na forma de benefícios tributários. Em outras palavras, ao conceder o benefício, o Estado concorda em permitir uma erosão na base de recolhimentos cujo produto final é a diminuição do montante recolhido pelos cofres públicos. Como muitas dessas concessões extrapola várias décadas, essa é uma perda sustentada e impositiva sobre a capacidade do Rio de Janeiro alcançar qualquer nível de sanidade financeira.

Mas vamos logo à segunda figura que também é bastante explicativa.

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O que essa tabela nos mostra é que quase 79% das renúncias de 2015 e 2016 se deu por meio da promulgação de leis e decretos. Em outras palavras, tanto o executivo como o legislativo (na maioria das vezes antendendo a pedidos de executivo) são responsáveis pela crise financeira que aí está. Mas por quê? É que o pessoal que os auditores que produziram esse relatório notou que muitas dessas leis e decretos são simplesmente inconstitucionais. Um detalhe de especial destaque é a ausência de contrapartidas por parte das empresas beneficiadas. Em suma, enquanto as empresas só ganham, o Estado e a população só perdem.

Mas vejamos a figura abaixo para ver como o argumento da criação de empregos em regiões menos desenvolvidas do Rio de Janeiro que é usado pelo (des) governo Pezão e pelas madrinhas da farra fiscal (Firjan e Fecomércio) para defender a farra fiscal.

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O argumento, lembremos bem, é de que a farra fiscal estaria ajudando na criação de empregos nas regiões mais atrasadas do Rio de Janeiro. Mas para os anos de 2015 e 2016 o que os dados mostram é justamente o oposto, com quase 95% dos benefícios tendo sido concedidos para as áreas já industrializadas. O exemplo maior para mim é o do Norte Fluminense que reconhecidamente tem um enorme potencial de atração por causa da cadeia de petróleo, mas só recebeu meros 2,6% dos incentivos, em contraste com a região metropolitana da cidade do Rio de Janeiro que ficou com 62%!

Finalmente, vejamos o gráfico abaixo para que se faça uma análise mínima dos eventuais ganhos da farra fiscam em termos de evolução do Produto Interno Bruto estadual.

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Pois bem, o que se vê é que em comparação com outros 7 entes federados que também vem investindo em algum nível na política de concessões fiscais, o Rio de Janeiro apresentou o pior nível de crescimento acumulado entre 2007 e 2013.

O vatícinio que se pode tirar dessa análise parcial do “Jogando Luz na Escuridão” é que a farra fiscal pode ser comparado a um suicídio fiscal na medida em que além de erodir a base fiscal por décadas, essa política não traz qualquer dinamismo ou, muito menos, diminuição das disparidades regionais existentes no Rio de Janeiro.

Para quem desejar baixar o arquivo completo do “Jogando Luz na Escuridão” basta clicar (Aqui!)

Correspondência do Reitor da Uenf sobre segurança interna é testemunho vivo do descalabro reinante nas universidades estaduais

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Não sei se foi intencional ou não, mas o conteúdo da CI UENF/REIT 001 de 03 de Janeiro de 2017 que leva a assinatura do reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), prof. Luís Passoni, é um testemunho vivo do descalabro em que estão atualmente imersas as universidades fluminenses em função do completo abandono pelo (des) governo Pezão (ver abaixo).

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Demonstrando grave preocupação com a segurança interna, o reitor da Uenf pede a colaboração para que os membros da comunidade universitária evitem andar desacompanhados dentro do campus Leonel Brizola e permanecer desacompanhados em seus respectivos locais de trabalho.

Se estivéssemos falando de qualquer outra repartição do estado o assunto já seria gravíssimo, mas no caso de uma universidade onde a segurança pessoal é uma pré-condição para que as atividades intelectuais sejam exercidas com um mínimo de condição, essa correspondência representa o reconhecimento de que estamos chegando próximos da inviabilização completa do seu funcionamento.

Agora, me respondam, até quando a sociedade fluminense vai tolerar o desmanche de suas universidades públicas sem que haja a devida cobrança junto aos membros do (des) governo Pezão? É que as universidades são extremamente simbólicas no sentido de que entre suas obrigações está a de gerar saídas para a crise social, econômica e política em que fomos imersos por anos de completa desconsideração com o futuro do nosso estado por parte de um grupo de (des) governantes que literalmente trataram o Palácio Guanabara como uma extensão de suas propriedades privadas.

Finalmente, ainda que eu entenda a intenção do reitor da Uenf em pedir a colaboração de quem ainda está se arriscando a comparecer ao campus Leonel Brizola sob claros riscos pessoais, me parece que o pedido está mal direcionado. Melhor seria demandar logo no Ministério Público Estadual que as condições mínimas de segurança sejam garantidas por quem criou a situação insegurança, qual seja, o (des) governador Luiz Fernando Pezão e seu (des) secretário de Ciência e Tecnologia, o Sr. Gustavo Tutuca.

Privatização do estado, esse é a verdadeira razão da capitulação de Pezão a Meirelles

A mídia corporativa está dando ampla repercussão nesta 4a .feira (11/01) aos detalhes mais simplórios das tratativas entre o (des) governo Pezão e o futuro (des) governador “de facto” do Rio de Janeiro, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

As diferentes matérias publicadas se concentram nas supostas medidas amargas que serão tomadas contra, principalmente, os servidores públicos fluminenses que deverão amargar várias formas de punição salarial e previdenciária (ver reproduções parciais das principais matérias abaixo).

Mas me desculpem pela incredulidade em relação à efetividade de quaisquer medidas restritivas aos servidores públicos estaduais do Rio de Janeiro. É que faz muito tempo que eles estão entre os piores pagos do Brasil, e o estado tem sido o que menos dispende com salários em toda a federação brasileira em termos proporcionais.

O verdadeiro alvo desta capitulação desavergonhada do (des) governo Pezão frente aos ditames draconianas do ministro/banqueiro Henrique Meirelles é entregar porções ainda maiores do estado às corporações privadas, começando pela venda a preço de banana da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE) que lembremos é uma empresa pública que gera lucros para os cofres estaduais!

E é interessante que apenas a Folha de São Paulo esteja apresentando o calcanhar de Aquiles dessa tratativa entre Pezão e Meirelles que é a necessidade da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovar a entrega dos cofres do Rio de Janeiro para Michel Temer e Henrique Meirelles operarem a seu bel prazer. E a matéria da Folha de São Paulo tem ainda a qualidade de revelar a fragilidade em que Pezão se encontra ao relatar que ele está pedindo 6 meses para aprovar a nova versão do seu pacote de Maldades na Alerj.

A pergunta que eu levanto e os jornalistas da Folha de Sâo Paulo não apresentaram é a seguinte: quem garante que Pezão ainda será o (des) governador do Rio de Janeiro em julho de 2017? Aliás, quem pode garantir que ele ainda não estará fazendo companhia a Sérgio Cabral no complexo prisional de Bangu mesmo antes que este prazo se expire? Aliás, se o Sr. Hudson Braga, que é amigo pessoal (ou pelo menos era) de Pezão, resolver fazer um acordo de delação premiada, o mais provável que a reunião dos dois principais artífices da derrocada financeira do Rio de Janeiro ocorra mais cedo do que tarde.

O central aqui, especialmente para os servidores públicos e seus sindicatos, é não se deixar distrair com manchetes que apenas tentam nos afastar do principal e concentrar energias na derrubada de Luiz Fernando Pezão. É que se ele ficar no poder e conseguir empurrar esse pacote para frente, o risco que corremos é de vermos ele próprio ou algum preposto à frente de empresas terceirizadas que controlarão porções ainda maiores do serviço público fluminense.