
O blog mantido pela Associação de Analistas da Fazenda Estadual do Rio de Janeiro (Anaferj) publicou hoje uma postagem que deixa nu todo o argumento do (des) governo Pezão de que não há dinheiro para pagar os salários atrasados do servidores estaduais (Aqui!).

Segundo a Anaferj, “a arrecadação do Estado é suficiente para pagar a folha. O governo deliberadamente opta por honrar outras despesas e rastejar no chão para a União em troca de mais endividamento.“
Apesar de não ser analista de fazenda, faz tempo que eu desconfio dessa crise (seletiva) que assola o Rio de Janeiro. É que apenas nos últimos meses o governo “de facto” de Michel Temer já arrestou vários bilhões de reais para continuar pagando a misteriosa dívida acumulada pelo (des) governo do Rio de Janeiro ao arrepio da necessidade de mais de 200 mil famílias cujos cabeças são servidores estaduais.
Além disso, não me consta que haja ocorrido a suspensão de determinados pagamentos, a começar pelos bilionários contratos da área da saúde terceirizada. Quando muito ali vem ocorrendo demoras pontuais, mas nada que se compare ao que está sendo feito com os servidores públicos concursados.
Outra área para a qual venho chamando atenção é a do pagamento de debêntures, a começar pelas emitidas pelo chamado “Rio Oil Finance Trust“. Apenas para esse caso é certo que vários bilhões arrecadados por impostos foram parar nas contas bancárias dos chamados “fundos abutres” que estão se beneficiando da desastrosa operação Delaware que foi comandada pelo atual secretário estadual de Fazenda, Gustavo Barbosa. Só neste caso, a sangria é desatada, e ninguém parece se importar, já que os abutres estão sendo alimentados.
O fato é que uma parcela dos servidores estaduais e os pensionistas e aposentados do RioPrevidência estão sendo usados como bucha de canhão nas tratativas impostas por Michel Temer e Henrique Meirelles. O problema do Rio de Janeiro é claramente político, e não financeiro.
E em outras palavras, a crise do Rio de Janeiro tem uma caráter seletivo, mas muito seletivo mesmo!
Por isso tudo é que realmente não me parece aceitável a postura da maioria dos sindicatos e associações de servidores que estão mantendo uma postura espectante frente não apenas ao drama de seus representados, mas, principalmente, diante da estratégia do (des) governo Pezão de usar o atraso no pagamento dos salários como uma ferramenta de guerra ideológica que visa mormente a desmoralizar os que estão sendo deixados, propositalmente é preciso que se diga, na rua da amargura.
Finalmente, há que se observar que há quem ainda trata o (des) governador Pezão e seus (des) secretários com a deferência que eles não merecem. Afinal de contas, nem interlocutores qualificados eles são mais. Para tratar com esse (des) governo que seja apenas a data da renúncia ou do impeachment de Luiz Fernando Pezão. Simples assim.