Vai para Cuba? O Obama foi!

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Durante as manifestações pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff um slogan repetido à exaustão pelos presentes para expressar sua suposta oposição a um governo supostamente interessado em instalar o comunismo no Brasil era “vai para Cuba”.

Pois bem, hoje (20/03/16) Barack Obama se torna o primeiro presidente estadunidense a visitar a ilha caribenha desde a guerra que derrubou o ditador e aliado Fulgêncio Batista. Essa visita é um passo a mais na normalização das relações diplomáticas e comerciais entre os dois países vizinhos.

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Agora, sem discutir as implicações futuras dessa reaproximação para a revolução cubana, eu fico imaginando a cara dos manifestantes da elite brasileira que devem estar babando de vontade de fazer a mesma coisa que Obama fez, qual seja, visitar um dos mais belos países da Terra.  Mas quem manda ficar defendendo ideias e slogans anacrônicos!

Liberdade de expressão só é boa em Cuba?

Depois do reatamento das relações diplomáticas entre Cuba e os EUA, há uma onda de artigos e outros tipos de materiais avaliando o efeito que esta medida trará na liberdade de expressão na ilha governada por um partido dito comunista. Como sou de uma linha ideológica que teve militantes mortos ou aprisionados pelo governo liderado por Fidel Castro, não compartilho da ilusão de que lá se vive uma democracia proletária. Aliás, desde que Fidel decidiu abraçar o modelo inventado por Josef Stálin não haveria porque esperar que a ação do Partido Comunista Cubano se assemelhasse aos primeiros anos de governo revolucionário do Partido Bolchevique na Rússia revolucionária.

Mas  por que tantos, inclusive alguns militantes supostamente de esquerda, se preocupam tanto com a liberdade de expressão em Cuba, se está mais do que demonstrado que esse fetiche da democracia burguesa tampouco existe nos chamados países do capitalismo central? Além disso, depois das revelações de Edward Snowden, e da ação do governo britânico contra o jornal The Guardian que as publicou, ficou mais do que claro o tamanho da liberdade que se tem para expressar desacordo contra os governos centrais dentro de seus próprios limites territoriais.

E no Brasil, esse fetiche só serve mesmo para alimentar as paranoias esquisitas das viúvas da ditadura militar de 1964 que creem fielmente que hoje vivemos uma ditadura bolivariana e demandam a volta dos militares ao poder. De resto, liberdade de expressão não é algo tangível ou sequer alcançável num país onde persistem diferenças abissais entre ricos e pobres até que se resolva esse fosso.

Enquanto essa situação perdurar liberdade de expressão continuará sendo algo que a mídia corporativa alardeia toda vez que quer constranger algum governante para depois exigir gordas verbas publicitárias em troca de um tratamento mais ameno. Basta ver o que vem acontecendo com os diferentes governos comandados pelo dupla PT-PMDB para ver como a mídia corporativa usa e abusa de sua liberdade de se expressar, sem que se preocupe em, por exemplo, pagar os tributos devidos ao fisco nacional.

Assim, quem quiser realmente se preocupar com a liberdade de expressão que gaste suas energias no Brasil, e deixemos os cubanos cuidarem da deles.

Yoani Sánchez, a primeira a fazer a choradeira contra o reatamento CubaxEUA

Blogueira cubana Yoani Sánchez lamenta “vitória do castrismo”

Em Havana

Mario Guzmán/EFE

A ativista cubana Yoani Sánchez lamentou nesta quarta-feira (17) a reaproximação entre os governos do seu país e dos Estados Unidos, que culminou com a libertação do norte-americano Alan Gross, e a qualificou como uma vitória do regime da ilha.

“O castrismo venceu, ainda que Alan Gross tenha saído vivo de uma prisão que poderia se tornar o seu túmulo. No jogo da política, os totalitarismos sempre conseguem se impor sobre as democracias”, escreveu a blogueira dissidente no site “14 y medio”.

Yoani se pronunciou antes mesmo dos esperados discursos dos presidentes Raúl Castro e Barack Obama. A libertação de Gross deve ser compensada pela soltura de três dos cinco cubanos que haviam sido presos nos Estados Unidos sob a acusação de espionagem.

Os beneficiados pela medida são Gerardo Hernandez, Ramón Labaniño e Antonio Guerrero. Os outros dois, Fernando e René González, já estão livres.

FONTE: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2014/12/17/yoani-sanchez-lamenta-vitoria-do-castrismo.htm

EUA retomam relações diplomáticas com Cuba. E agora o que dirão os golpistas brasileiros, que Barack Obama virou bolivariano?

Hoje é um daqueles dias que a gente vive para ver acontecer. É que eu tinha parcos três meses de idade quando o governo dos Estados Unidos da América romperam relações diplomáticas com Cuba em uma de suas medidas para tentar sufocar a revolução liderada por Fidel e Raúl Castro contra o ditador pró-estadunidense Fulgêncio Batista. Ao longo de mais de 5 décadas, os EUA impuseram um injusto e desumano bloqueio econômico contra Cuba, sem que tenham conseguido nem desapear os irmãos Castro do poder ou, tampouco, recolocar seus títeres no poder em Havana.

O mais nojento de tudo é que em tempos recentes, a direita brasileira liderada por figuras abjetas como Rodrigo Constantino, Reinaldo Azevedo e o ex-roqueiro Lobão vinham usando a proximidade econômico do governo brasileiro com Cuba como uma ferramenta de geração de preconceitos e chauvinismo contra a valorosa ilha caribenha que ostenta níveis de educação, saúde pública e longevidade que deveriam deixar o Brasil rubro de vergonha.

Neste momento, confrontado com várias facetas negativas da geopolítica mundial, inclusive a ascensão dos chamados BRICS, o governo estadunidense liderado pelo presidente Barack Obama decide reatar as relações diplomáticas, o que pode ser um primeiro passo para a suspensão do embargo econômico.

Agora, vamos ver como ficam as viúvas da ditadura militar que até poucos dias destilavam seu ódio contra Cuba e se miravam nos EUA como uma espécie de paraíso a ser imitado. É que daqui a pouco não vai tardar se ver Barack Obama chegando em Havana para apertar as mãos de Raúl Castro. Nesse dia eu realmente quero ver como ficarão as faces dos reacionários chauvinistas que nos envergonham com seu preconceito contra Cuba. Melhor ainda se Obama chegar em Cuba por navio e aportar no Porto de Mariel!

Abaixo algumas das reportagens circulando na imprensa internacional sobre o reatamento das relações diplomáticas entre Cuba e EUA!

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Cuba BBC Cuba CNN Cuba NYT Cuba Guardian cuba wp

NERU/UFF convida para evento sobre agricultura urbana em Cuba

O Núcleo de Estudos Rurais e Urbanos (NERU) convida a comunidade acadêmica para mais uma sessão do ciclo de debates Diálogos da Terra: saberes e práticas sustentáveis. A sessão terá como tema “A Agricultura Urbana em Cuba”  e  será ministrada pela Dra. Érica Vanessa Moreira (Departamento de Geografia/NERU). A atividade ocorrerá no dia 28/08/14 às 09:00h na sala 102 F. 

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Tradutor oficial de Yoani Sanchez na Itália lança carta denunciando a blogueira cubana como mercenária

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Quem não se lembra da passagem meteórica pelo Brasil da “blogueira” cubana Yoani Sánchez que foi recebida no Brasil com tapete verde-amarelo pela direita tupiniquim, e em especial por órgãos da mídia corporativa. Agora, eis que o tradutor oficial de Yoani no jornal italiano “La Stampa” nos últimos seis anos, Gordiano Lupi, acaba de lançar uma espécie de carta-testemunho que detona a sua imagem de paladina da democracia em Cuba.

Uma questão interessante nessa carta é a questão levantada por Lupi: a quem serve Yoani, ao castrismo ou aos exilados de direita em Miami?

Abaixo minha tradução do original italiano que pode ser encontrado (Aqui! em italiano) ou (Aqui! em inglês)

Yoani Sánchez , seu jornal é a minha liberdade

Por Gordiano Lupi

Yoani Sánchez encerrou o contrato com a La Stampa e fez-me um homem livre, porque até ontem eu não poderia dizer que ele estava pensando, mas apenas fazer a tradução de suas falas. Agora que eu já não tenho qualquer ligação e que os interesses dos mais ricos e blogueira mais premiada do mundo são administrados por seu agente, Erica Beba, eu posso tirar meus sapatos de pedra que me estavam fazendo mal.

Eu cometi o erro de acreditar na luta Yoani Sánchez, acreditar que era uma luta de David e Golias, uma luta que foi a partir de baixo para combater o poder, uma luta idealista pela liberdade de Cuba. Agora eu tenho que explicar – ao som de amargas decepções – que a oposição Yoani era letra morta, para não mencionar confortável, como se para fazer o mundo acreditar que em Cuba não há liberdade de expressão. Comecei a duvidar de que Yoani não era tanto uma agente da CIA- como diziam seus detratores – como a família Castro, mas uma assalariada para jogar areia nos nossos olhos. Mas mesmo se não fosse nada disso, bastaria dizer que eu percebi que você tem que lidar com uma pessoa que dá prioridade aos interesses de todo idealista. Um blogueira que leva a sua vida tranquila em Cuba, que ninguém sabe e ninguém incomoda, e que não é ameaçada, presa, silenciada, que não tem nenhum problema para entrar e sair da sua terra. Por seu belo rosto recebi ofensas e ameaças de seguidores de Fidel Castro e de comunistas italianos, para partilhar de uma luta que não existe, um sonho de liberdade esperado por muitos, mas certamente que não é dela, que só pensava no dinheiro proveniente de doações e contratos. Nesse ponto, eu não sei se Yoani Sánchez é uma agente da CIA ou da Revolução Cubana. Eu não sei e não me importo em saber. Eu só sei que não é a pessoa que eu pensava. E isto é suficiente para mim.

Um episódio que me abriu os olhos à realidade, correu há mais de um ano atrás, quando eu mandei a minha sogra à casa de Yoani para pedir esclarecimentos sobre uma viagem à Itália. Bem, eles a fizeram esperar nas escadas. Nem sequer a deixaram ir para um quarto. Um comportamento muito estranho para o povo cubano. Eu deveria ter acreditado na minha sogra, quando ela me disse: ” Essas pessoas não lutam pela liberdade de Cuba Elas estão interessadas ​​apenas encher os bolsos”. Eu não acreditei na minha sogra e estava errado. Eu acreditava em uma luta ideológica que não existia. Na verdade, o objetivo de Yoani Sánchez foi sempre a de se tornar rica e famosa. Agora, ela conseguiu. Agora poderá ficar longe de mim , pois eu mesmo perdi o direito de voltar a Cuba, enquanto a princesa de blogueiros pode entrar e sair, como se fosse uma mosca que fica  zumbindo em Havana e um pouco em Miami. A palavra borboleta não combina com ela, pois mosca-varejeira é o termo mais apropriado . Agora Yoani Sánchez vai abrir uma falsa revista , como as chamamos aqui na Itália , que poderá ser traduzida por outra pessoa, pois eu não irei. Um falso jornal como a “La Avanti” de Valter Lavitola , com todo o respeito para Lavitola. Yoani vai abrir um jornal , junto com seus amigos, que ninguém em Cuba não vai ler, porque só estará disponível online. Mas o que isso importa? Ela apenas quer alguém para financiá-la, e que será lido em Miami e na Espanha, onde a comunidade cubana continua a se iludir com uma paladina inexistente.

Até agora, viajamos bastante juntos, querida Yoani. Mas suficiente é suficiente. Continuarei minha jornada sozinho, longe de suas ambições. Ele também toca Cuba é claro, que faz parte da minha vida, embora muitos cubanos tenham me decepcionado . Vou tentar não pensar sobre isso, por respeito a minha esposa, que é cubana, e não tem nada a ver com a sua arrogância burguesa. E como Fidel Castro disse que a história vai decidir, vamos ver quem vai ser absolvido.

FONTE: http://www.tellusfolio.it/index.php?prec=%2Findex.php&cmd=v&id=17330#