Por um “Mais médicos da COVID-19”, tragam os cubanos de volta

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Uma das primeiras consequências da eleição de Jair Bolsonaro foi a retirada de quase 10 mil médicos cubanos que atuavam nas periferias pobres e nos rincões mais distantes do território brasileiro. Com a saída dos especialistas cubanos pôs-se fim ao exitoso e combatido programa lançado pela presidente deposta Dilma Rousseff, o “Mais Médicos”.

Depois de pouco mais de dois anos daquela saída estrepitosa e que foi saudada com alegria pela maioria da classe médica brasileira, um incontável número de vagas em unidades hospitalares voltadas para o tratamento dos infectados pelo Sars-Cov-2 estão ociosas porque os médicos brasileiros estão decidindo não ocupá-las, provavelmente porque o risco da infecção não é compensado pelos salários oferecidos. Com isso, temos hoje milhares de brasileiros infectados e passando graves dificuldades de saúde, aguardando leitos e até morrendo sem que sejam acolhidos para tratamento.

Em minha modesta opinião, os governadores e prefeitos que hoje estão adotando medidas de isolamento social deveria também iniciar um movimento nacional para pressionar o presidente Jair Bolsonaro para que educadamente solicite ao governo de Cuba o envio de suas brigadas de médicos especializados em tratamento de doenças altamente infecciosas como é o caso da COVID-19.  Essas brigadas já vem atuando em diversos países, inclusive na Europa, e conseguido contribuir para reverter cenários extremamente difíceis, como foi o da Itália na primeira onda da COVID-19. Se o presidente Bolsonaro se recusar a solicitar a ajuda cubana, que governadores e prefeitos mobilizem o Congresso Nacional para que isso se dê via a ação do parlamento. O fato é que o Brasil precisa dos médicos cubanos para ter uma espécie de “Mais Médicos contra a COVID-19”.

O que não é possível é continuarmos vendo o avanço destroçador da pandemia e não pedir a ajuda de quem tem todas condições de nos ajudar a superar a situação catastrófico em que fomos metidos por um governo negacionista como é o de Jair Bolsonaro.

Em suma: tragam de volta os médicos cubanos! E que desta vez eles não cheguem nos nossos aeroportos sob vaias e protestos daqueles que podendo auxiliar a população brasileiro estão preferindo ficar na segurança dos seus lares, e muitos deles já vacinados.

Consulado Geral de Cuba emite nota negando existência do “tour da vacina”, mas site jornalístico de Cuiabá mantém notícia

Homem de máscara protetora diante de muro grafitado

A controvérsia criada por uma postagem do site jornalístico “O Documento” sobre um possível “tour da vacina” que estaria sendo organizado por empresários de Cuiabá (MT) levou ao Consulado Geral de Cuba em São Paulo a emitir uma nota onde desmente de forma firme a mera possibilidade de que o noticiado seja verdade, ressaltando que inexiste qualquer tratativa no sentido de aplicar a vacina Sputnik V nesse grupo de brasileiros bem aquinhoados financeiramente (ver imagem abaixo).

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Por sua vez , o pessoal do “O Documento” emitiu uma nota sobre a repercussão do texto sobre o “tour da vacina”, onde basicamente se reafirma que o informado se trataria de “um furo jornalístico”, mantendo assim o teor do que foi informado, a despeito da negativa do Consulado Geral de Cuba.

Com a publicidade que o caso acabou tendo, o mais provável é que se algo estava sendo realmente planejado para realizar um “tour da vacina” em Cuba, todo essa cobertura serviu para enterrar a chance de que o planejado virasse realidade.

Empresários cuiabanos adotam slogan da ultra direita e organizam tour para Cuba atrás da Sputnik V

bolso cuba

O slogan “Vai para Cuba” marcou e continua marcando as manifestações públicas que têm sido realizadas desde 2013 e que são normalmente dirigidas a pessoas que possuem posicionamentos políticos identificados com a esquerda. Obviamente, esse slogan tem não apenas um significado hostil para aqueles que lutam por justiça social no Brasil, mas também é claramente marcado pela xenofobia contra o povo cubano.

Eis que agora em meio ao colapso sanitário criado pela combinação da dispersão acelerada do Sars-Cov-2 e a falta de um programa de vacinação em massa no Brasil, um grupo de “empresários, profissionais liberais e autônomos” que vivem na cidade de Cuiabá resolveram adotar o lema e organizar uma espécie de “tour da vacina” em Cuba no qual deverá gastar algo em 3,6 milhões, incluindo uma doação de R$ 1 milhão para o governo cubano (ver imagem abaixo).

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Essa situação além de demonstrar que a ojeriza a Cuba é boa apenas para organizar o ódio ideológico dentro do Brasil, pois na hora que o calo realmente apertou, os membros da elite e daqueles que a servem diretamente, não apresentam nenhuma hesitação em colocar a mão no bolso para ir até a ilha caribenha onde existe um governo que está cuidando corretamente da sua população e, de quebra, ainda consegue auferir recursos vendendo serviços para estrangeiros que foram deixados na mão por seus próprios governos, como é o caso do Brasil neste momento.

Enquanto isso, milhões de brasileiros pobres continuarão seu confronto injusto e desigual com um vírus que está mostrando uma alta capacidade de causar mortes e sequelas graves ao não poderem tomar o rumo de Cuba. Simples, mas ainda assim trágico e revelador do país em que vivemos.

Marcelo Adnet precisa estudar mais para não ser um instrumento da direita à qual ele diz não pertencer

adnet tasEm sua resposta a Marcelo Tas, seja por medo ou desinformação, Marcelo Adnet acabou incorporando chavões de direita ao falar de Cuba e China

Assisti a parte da entrevista do genial Marcelo Adnet no “Roda Viva” levado ao ar no dia ontem pela Rede Cultura de São Paulo, e confesso que não me surpreendi com parte das suas respostas que considerei superficiais e desinformadas (ou, no mínimo mal informadas). A passagem que mostro abaixo, envolvendo uma resposta ao lamentável Marcelo Tas (já  identificado como colaborador/informante da CIA) mostra bem isso.

Nunca estive em Cuba, mas estive na China por duas vezes. E posso afiançar que existem sim humoristas por lá, bem como artistas de todas as áreas que exercem o poder de criticar o sistema político, ainda que não sejam contra as vitórias inegáveis da sociedade chinesa após a revolução socialista de 1949. A questão é que esses não são divulgados por aqui, pois não interessa mostrar que existe qualquer tipo de liberdade de expressão nesses países.

Mas voltando a Cuba há que se dizer que o senso de humor ácido dos cubanos é famoso. Eu mesmo já presenciei uma situação em que um cônsul de Cuba foi achincalhado por seus compatriotas, usando expressões bem humoradas, por ter se atrasado a chegar para resolver seus problemas de visto.  E quem já foi a Cuba me contou que o povo cubano é, como já foram um dia os brasileiros,  extremamente ácido e não poupa o regime de críticas.

Assim, a ideia de que os cubanos são um povo trancafiado e calado, que Marcelo Adnet acabou incorporando em sua resposta, é um desserviço completo que ele realizou a uma discussão mais ampla sobre o tipo de sistema que vivemos no Brasil que, cada vez menos, pode ser chamado de democrático.

Um adendo que deveria merecer mais atenção do Marcelo Adnet é sobre a fulgurante música cubana que continua produzindo autores e intérpretes de inigualável talento. É só entrar em páginas do Facebook e congêneres para ver e ouvir música cubana feita atualmente com muita qualidade e, principalmente, irreverência.  Se é assim com a música, por que inexistiria coisa semelhante no humor cubano? Essa noção de um povo cubano triste é aprendida, muito provavelmente, nos passeios por Miami e Orlando onde vivem os cubanos “alegres”.

Por isso, por mais que eu ache as performances de Marcelo Adnet geniais, só posso dizer que se ele quiser responder a provocações rasteiras como as oferecidas por Marcelo Tas no que se refere a países como Cuba e China, seria melhor que estudasse um pouco mais a realidade desses países. É que respondendo da forma que respondeu, ele não se mostrou medroso, como compactuou para manter uma visão estereotipada de países e sociedades que ele sequer conhece.  Melhor então só ficar fazendo piadas com o Brasil.

Finalmente, essa entrevista mostra que a esquerda parlamentar comete um grave equívoco quando deixa personalidades como Marcelo Adnet e Felipe Neto ocupem posições de protagonistas no enfrentamento com as políticas ultraneoliberais do governo Bolsonaro. É que, a despeito de suas posições e manifestações aparentemente sinceras em prol de elementos democráticos em uma conjuntura particularmente adversa, os dois não possuem a capacidade (ou aparentemente sequer o desejo) de serem de esquerda, o que os inabilita como promotores das mudanças substantivas que o Brasil precisa urgentemente.

Cubanos têm despedidas de heróis nos grotões que os médicos brasileiros desprezam

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O vídeo abaixo mostra a despedida do médico cubano Ramon Reyes, que participava do programa Mais Médicos e que atendia há cinco anos no distrito de Batinga que faz parte do município de Itanhém, extremo sul do estado da Bahia.  As cenas mostram o trajeto do Dr. Reyes pelas ruas pobres de Batinga no último domingo (2/12) pouco antes de deixar o Brasil por conta da decisão do governo de Cuba frente às ameaças do presidente eleito.

As cenas de Batinga estão se repetindo nas milhares de cidades e distritos em que os médicos cubanos foram, em alguns casos, os primeiros a sentar pé para tratar dos segmentos mais pobres e mais socialmente marginalizados da população brasileira.

Essas despedidas que se assemelham ao que normalmente se concede aos que são considerados “heróis” do povo brasileiro deveriam estar sendo mostradas nas telas de TV e colocadas em lugares destacadas das capas dos principais jornais brasileiros. É que este movimento, que agora é de tristeza, expressa o combustível para reações fortes ao projeto ultraneoliberal do governo brasileiro e seus “Chicago boys” (que, aliás, de boys não tem nada).

Entretanto, como a mídia corporativa não está interessada em mostrar essas cenas de mobilização social que se expressam na forma de despedidas emocionadas, é quase certo que num futuro não muito distante muitos fiquem surpresos com um levante social que, supostamente, ninguém viu de onde veio. É que no desmantelamento do “Mais médicos” está expresso com despudor toda a indiferença das elites brasileiras frente às reais necessidades dos milhões de pobres criados pelo sistema de concentração de riqueza existente no Brasil.

É importante notar que, ao contrário de algumas previsões, a quase totalidade dos médicos cubanos está retornando para o seu país onde não deverão ficar muito tempo, pois já existem outros países interessados na “expertise” deles, a começar pelo México, agora governado pelo presidente Andrés Manuel Lopez Obrador.

Finalmente, a classe médica que não reclame se, em vez de receber o tratamento dado aos médicos cubanos, veja o antagonismo crescer em relação a ela. É que a população, que agora ficará desassistida pela partida dos cubanos, certamente não esquecerá o tipo de pressão que foi exercido para impedir a continuidade de um programa que levou atendimento de saúde a quem nunca tinha visto isso antes. 

Ministro das Relações Exteriores de Cuba dá dura resposta a Bolsonaro sobre a questão dos “médicos escravos”

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Após indicar o deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), que possui várias pendências judiciais do tempo em que secretário de saúde em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, por suposta fraude em licitação, tráfico de influência e caixa 2 [1], o presidente eleito foi alvo de uma duríssima declaração do ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodriguez (ver vídeo abaixo) 

Quem se der ao trabalho de ouvir todas as ponderações de Bruno Rodriguez sobre a conjuntura que se abre no Brasil após a saída dos profissionais médicos cubanos do programa “Mais médicos” verá que ele está muito bem informado sobre o que se passa por aqui, especialmente em termos da ocorrência de trabalho escravo.

Agora, convenhamos, quem será que estará bem mais suprido de médicos e, sim, de ministro de relações exteriores a partir de 1 de janeiro?

Finalmente, nas declarações do ministro de relações exteriores de Cuba fica mais uma vez demonstrada a máxima de quem fala o que quer, ouve o que não quer. E se depender do que venho acompanhando na Europa, posso afiançar que a vergonha brasileira só está  começando.


[1] https://g1.globo.com/politica/noticia/2018/11/20/bolsonaro-anuncia-deputado-mandetta-como-futuro-ministro-da-saude.ghtml

Sicko, SOS Saúde: aquilo no que querem nos transformar já é realidade nos EUA

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Ninguém mais do que o cineasta Michael Moore já nos mostrou o que aconteceu com a saúde nos EUA a partir da extrema privatização dos serviços hospitalares.  Moore também nos mostrou a contrapartida que aparece sob a forma da saúde pública oferecida em Cuba.  

A extrema contradição entre os dois países foi mostrada ao mundo no filme “SiCKO” que foi lançado em 2007 e até hoje expõe uma realidade que apenas se aprofundou na última década, com mais cidadãos estadunidenses sendo privados de serviços básicos de saúde.

Para quem nunca assistiu ao SiCKO, posto abaixo o filme na íntegra e dublado em português. Para quem não tiver tempo ou vontade de assistir  o filme todo, sugiro que se assista a partir de 1:44:00. 

Mas atenção: se depender dos cortes impostos pelo novo teto constitucional imposto por Michel Temer (com o voto do presidente eleito) e as sinalizações de que os cortes não só serão mantidos, como também aprofundados.

Daí que não é difícil ver que o nosso futuro será cada vez menos parecido com o presente dos cubanos. E  isso ficará ainda mais fácil de ver quando todos os mais de 8.000 cubanos do “Mais médicos” tomarem o rumo de casa.

Fidel Castro, da vida para a história

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Eu não sou o que pode se chamar um fã de Fidel Castro (aliás fã dele era meu pai que faleceu em 2002), pois guardo com ele grandes divergências aos rumos dados à gloriosa revolução cubana. Mas como negar o seu papel histórico na luta pela soberania dos povos do mundo?

Fidel Castro continuará, como Che Guevara continua sendo, a ser um ícone para todos aqueles que desejam um mundo menos injusto e mais fraterno. E isto não é pouco num mundo onde a decomposição galopante do sistema capitalista nos empurra cada vez mais para perto da bárbarie que foi prevista por Friederich Engels e Rosa de Luxemburgo.

Alguns cronistas da mídia corporativa já anunciam que a morte de Fidel Castro significa a morte da esquerda. Esse tipo de correlação é mais do que esperado, pois a morte de Fidel era esperada e ansiada por quase seis décadas por tudo o que ele representou, representa e representará.  Esses anúncios fúnebres nada mais são do que desespero pela agonia em que o capitalismo se encontra e da qual não tem como se recuperar.

Mas nada disso mais importa para Fidel que saiu da vida e para história. E da história nenhum cronista mesquinho poderá retirá-lo.

Uma última nota para expressar o que Fidel Castro era. Em vez de ser de ter seu cadáver circulado por Cuba para ser objeto de adoração imposta ou voluntária, Fidel Castro determinou que seu corpo fosse cremado.  Fecha o pano.

 

Obama vai para Cuba e rouba um dos últimos bordões da direita brasileira

Enquanto no Brasil a direita está envolvida numa tentativa de golpe parlamentar contra Dilma Rousseff, as cenas vindas de Havana, mostram o presidente estadunidense marchando célere pelas ruas molhadas da capital cubana. 

Mas o que Barack Obama não sabe é que com essa histórica visita, a primeira de um presidente à ilha em 88 anos, é que ele está roubando um dos maiores, e certamente últimos, da direita brasileira, o “Vai para Cuba!”.

É provável que depois da ida de Obama a Cuba, os líderes da  tentativa da derrubada de Dilma vão querer ir a Cuba, nem que seja para fazer um pit stop antes de se dirigirem para Orlando onde irão visitar o Pateta, símbolo apropriado para a visão de país que temos visto sendo apresentada nas  raivosas manifestações que a direita brasileira vem realizando desde que Dilma Rousseff tomou posse no ano passado. 

Abaixo algumas imagens da visita de Obama a Cuba.

Vai para Cuba? O Obama foi!

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Durante as manifestações pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff um slogan repetido à exaustão pelos presentes para expressar sua suposta oposição a um governo supostamente interessado em instalar o comunismo no Brasil era “vai para Cuba”.

Pois bem, hoje (20/03/16) Barack Obama se torna o primeiro presidente estadunidense a visitar a ilha caribenha desde a guerra que derrubou o ditador e aliado Fulgêncio Batista. Essa visita é um passo a mais na normalização das relações diplomáticas e comerciais entre os dois países vizinhos.

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Agora, sem discutir as implicações futuras dessa reaproximação para a revolução cubana, eu fico imaginando a cara dos manifestantes da elite brasileira que devem estar babando de vontade de fazer a mesma coisa que Obama fez, qual seja, visitar um dos mais belos países da Terra.  Mas quem manda ficar defendendo ideias e slogans anacrônicos!