Der Spiegel expõe Moro e a Lava Jato com matéria contundente: “o juiz e seu presidente”

A “Der Spiegel“, principal revista da Alemanha, publicou neste domingo um artigo em que aborda de forma contundente o escândalo iniciado por matérias publicadas pelo site “The Intercept” acerca das relações que a publicação  alemã classifica como sendo de “alegre compadrio”.

der spiegel moro bolsonaro

Mas a “Der Spiegel” vai além ao colocar já na manchete da matéria “O juiz e seu presidente”, as relações igualmente complicadas entre Sérgio Moro e o presidente Jair Bolsonaro, já que o julgamento e prisão em ritmo acelerado do ex-presidente Lula teria atendido segundo ao autor da matéria, o jornalista Jens Glüsing, a interesses específicos para os dois personagens citados.

Nesse sentido, a “Der Spiegel” aponta que Bolsonaro deve a Moro indiretamente a presidência, porque, contra Lula, o candidato de direita teria poucas chances de vencer, mostrou a pesquisa. Nesse sentido, a “Der Spiegel”  coloca em dúvida a indicação de Sérgio Moro a ministro da Justiça: “ela deveria ser entendida como um agradecimento por  Moro ter tirado Lula do caminho ou era possivelmente um preço que Bolsonaro havia negociado com Moro muito antes das eleições?

Em relação à dimensa política das ações de Sérgio Moro, a “Der Spiegel” é direta e dura: Sérgio Moro causou sérios danos à democracia brasileira e ao seu sistema legal, pois enquanto juiz de primeira instância criou fatos com seus truques, e esses truques  mudaram dramaticamente a história do Brasil.   Em função disso, a publicação alemã aponta que, pelo menos legalmente, o escândalo deveria ter consequências: o julgamento de Lula teria que ser cancelado e reaberto.

Essa matéria da “Der Spiegel” , em combinação com a série de entrevistas que o jornal “Folha de São Paulo” começou a publicar neste domingo, jogam por terra os esforços de conter via processo de criminalização o impacto das revelações trazidas pelas matérias iniciadas do “The Intercept”. O fato é que o gato foi tirado do saco e está ficando impossível colocá-lo para dentro. 

 

 

Der Spiegel informa que Vale tem 8 barragens sob risco de rompimento em Minas Gerais

Depois de Brumadinho, TÜV Süd alerta para perigo de rompimento em outras de barragens da Vale

Após o rompimento mortal em Brumadinho, a TÜV Süd  colocou suas próprias medidas sob dúvida. Informações obtidas pela SPIEGEL indicam que mais oito barragens estão sob risco “preocupante” de rompimento.

Dammbruch in Brasilien

Rompimento de barragem em Brumadinho (MG).

Por Von Hubert Gude, Claus Hecking e Stefan Schultz para a “Der Spiegel”

Depois que a barragem explodiu em Brumadinho, no Brasil, causando provavelmente mais de 300 mortos, a TÜV Süd alertou as autoridades brasileiras e a mineradora Vale sobre novos desastres. Outras oito barragens da Vale são consideradas “preocupantes” em uma investigação preliminar, sete das quais são “particularmente preocupantes”, segundo uma carta datada de 12 de março. O Spiegel tomou conhecimento desse fato com várias fontes.

Assim como Brumadinho, as oito barragens de alto risco estão localizadas no estado de Minas Gerais: a leste e sul da capital, Belo Horizonte. Eles estão ligadas a cinco minas de minério de ferro  (Fábrica, Timbopeba, Cauê, Gongo Seco e Abóboras), todas operadas pela empresa Vale (ver mapa abaixo).

mapa barragens

No dia 25 de janeiro,  a barragem I da mina de ferro Vale do Corrégo do Feijão, perto da cidade de Brumadinho, rompeu. O deslizamento de terra matou pelo menos 216 pessoas; e mais 88 estão desaparecidas até hoje.

Nos meses que antecederam o acidente, os funcionários brasileiros da TÜV inspecionaram mais de 30 barragens da Vale, incluindo as de Brumadinho, que haviam certificado como estáveis. Após  o rompimento da barragem em Brumadinho, a TÜV Süd contratou especialistas externos para revisar todos os relatórios e reavaliar os dados de medição. A carta de advertência é um resultado dessas investigações.

Como dados da autoridade de mineração brasileira mostram que a Spiegel viu, sete das oito represas de alto risco identificadas têm um potencial de dano “alto”. Em quatro represas, uma população de 1000 pessoas ou mais pode ser afetada em uma emergência. Três barragens têm uma capacidade maior que a da barragem de Brumadinho.


Nota para informantes

Se você tiver mais referências a possíveis erros que possam ter levado ao rompimento da barragem em Brumadinho, entre em contato com os autores Claus Hecking e Stefan Schultz e Hubert Gude.  As suas informações e todas as informações pessoais são cobertas pela proteção de informantes e serão tratadas confidencialmente.


Três semanas e meia após o desastre de Brumadinho, a TÜV SÜD afirmou que a “incerteza havia aumentado” quanto ao fato de que o sistema de testes existente “oferecer informações confiáveis sobre a estabilidade das barragens” e se o mesmo oferece “adequadamente protege as pessoas e o ambiente dos sérios riscos impostos por barragens que estejam acima da sua capacidade estrutural”.

Seguindo uma solicitação da Spiegel para avisar a Vale e as autoridades, a organização de testes com sede em Munique disse que o grupo de especialistas questionou os métodos usados ​​nas oito cepas de alto risco. O resultado é preliminar.

O quão sério o judiciário brasileiro está levando a advertência do TÜV Süd ficou claro no processo de fechamento da represa Doutor, perto da cidade de Ouro Preto. Ali, um tribunal civil ordenou que se parasse completamente a operação da Mina Timbopeba associada a esta barragem. A barragem de Doutor contém cerca de três vezes mais resíduos do que a barragem de Brumadinho, cuja mina produz cerca de doze milhões de metros cúbicos de minério de ferro por ano em operação normal.

A Vale disse que eles seguiram a ordem do judiciário. No entanto, a barragem foi inspecionada por especialistas da autoridade nacional de minas em 14 de março. Estes não teriam encontrado “anomalia relevante” que pusesse em risco a segurança.

Em pelo menos duas outras barragens, a Minervino e a Cordão Nova Vista, um juiz ordenou que a Vale não deposite mais rejeitos até novo aviso. As duas represas estão próximas à cidade de Itabira, que possui mais de 100 mil habitantes.

Até mesmo a próprio Vale respondeu ao alerta vindo da Alemanha – e em cinco das barragens de alto risco mencionadas acima parece ter reassentado alguns moradores particularmente vulneráveis a um eventual rompimento das mesmas.


Este artigo foi originalmente publicado em alemão pela revista “Der Spiegel” [Aqui!]

Bolsogate é objeto de artigo na revista Der Spiegel, maior revista alemã

der spiegel

Qualquer esperança de que o “Bolsogate” ficasse contido dentro dos limites do território brasileiro está dando rapidamente lugar ao fato objetivo de que o assunto envolvendo Flávio Bolsonaro se tornou objeto de matérias nos principais veículos da mídia internacional.

Neste sábado, a revista Der Spiegel, maior revista da Alemanha, publicou uma matéria sobre os problemas envolvendo Flávio Bolsonaro e seu “ex-motorista e guarda-costas” Fabrício Queiróz (abaixo segue a reportagem na íntegra em português).

Assim, a imagem de Jair Bolsonaro que já não era boa na Europa poderá ter uma perda adicional de credibilidade se o caso envolvendo Flávio Bolsonaro não for resolvido rapidamente. É que o governo Bolsonaro terá grave dificuldades de interlocução se tiver que arriar logo de cara o que era uma das suas principais bandeiras (i.e.,  o combate à corrupção).

É que mais do que nunca valerá o ditado que diz que “À mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta”.  No caso em tela, o filho, o motorista e a mulher de Jair.

 

Reportagem aborda fluxos de caixa duvidosos na conta de Flávio Bolsonaro

Mas começou seu mandato e Jair Bolsonaro é objeto de problemas ameaçadores: entre junho e julho de 2017 foram feitos 48 depósitos na conta bancária do seu filho num total de R$ 96 mil.

FILE PHOTO: Flavio Bolsonaro, son of Brazil's President Jair Bolsonaro is seen behind him at the transition government building in Brasilia

Flávio e Jair Bolsonaro.

As autoridades brasileiras estão investigando uma série de pagamentos em dinheiro duvidosos a Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro. Como o noticiário de TV “Jornal Nacional” informou, foram depositados na conta de Bolsonaro Junior um total de 96.000 reais (cerca de 22.500 euros). Há 48 pagamentos individuais efetuados entre junho e julho de 2017. Naquela época Flávio Bolsonaro era deputado no estado do Rio de Janeiro.

A reportagem da TV Globo baseou-se em um documento da Autoridade Nacional de Combate ao Crime Financeiro (COAF) que afirmou que que não estava claro quem havia pago o dinheiro. O processo é suspeito porque 48 vezes o mesmo montante  foi depositado em um caixa automático localizado no interior da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Não é a primeira vez que são notadas transferências suspeitas a familiares do presidente brasileiro. No ano passado, os investigadores financeiros encontraram “transações atípicas”  no relatório do ex-motorista e guarda-costas de Flávio Bolsonaro.

“Transações atípicas” do guarda-costas

O COAF apurou que em  2016 e 2017 foram depositados mais de R$ 1,2 milhão para o filho e  para a esposa do atual presidente. A soma excedeu claramente a renda do ex-motorista. No entanto,  o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na última sexta-feira pela suspensão preliminar da investigação. Para o presidente em exercício desde o começo do mês, o processo é desagradável. O político ultra-direitista venceu a eleição presidencial em outubro contra seu colega Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), e anunciou uma dura luta contra a corrupção e o crime. No ano passado, mais de 63 mil pessoas foram mortas no Brasil.


Aqui!Artigo publicado originalmente em alemão [Aqui!]

Der Spiegel: O Brasil flerta com a ditadura

O jornal mais influente da Alemanha, o Der Spiegel, publicou ontem uma análise sobre os resultados das eleições presidenciais no Brasil com uma manchete que não deixará dúvida para os seus leitores do perigo que ronda o nosso país neste momento. A manchete é bem direta e reta ao gosto dos alemães: O Brasil flerta com a ditadura [1].

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O articulista Jens Glüsing, que é o correspondente do Der Spiegel para a América Latina, ainda adianta que Jair Bolsonaro é “um ex-soldado, fascinado pelo fascismo, é o novo presidente do Brasil”. E vai mais além, afirmando que “a história mostra que, na América Latina, industriais e bancos são os que se beneficiam – e não as pessoas que escolhem os demagogos.”

Glüsing ainda nota que os “brasileiros são fáceis de se animar, o passado é rapidamente esquecido. Mas as celebrações após a eleição de Bolsonaro não podem esconder o fato de que o maior país da América Latina embarcou em uma aventura política“.  E arremata dizendo que “o flerte com o autoritarismo nunca é bom na América Latina.”

Como se vê,  a radiografia que está sendo apresentada na Europa sobre os desafios que cercam o Brasil não poderia ser mais clara e dura.  Resta aos que não optaram por este flerte com a ditadura se mobilizarem em defesa da democracia, dos direitos trabalhistas e pela construção de uma sociedade menos abissalmente desigual como a nossa, e que os planos já anunciados no dia de ontem indicam que a opção será pela realização de uma profunda guerra aos pobres.


[1] http://www.spiegel.de/politik/ausland/jair-bolsonaro-brasilien-flirtet-mit-der-diktatur-a-1235609.html