Brasil: O grande passo atrás

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Produzido pelas cineastas francesas Fredérique Zingaro e Mathilde Bonnassieux para o canal franco alemão Arte, o documentário “Brasil: O grande passo para trás” é uma daquelas obras que mostram como o golpe parlamentar perpetrado contra a presidente Dilma Rousseff na verdade era apenas uma preparação para o grande retrocesso que está sendo executado por um governo ilegítimo, liderado por um presidente “de facto” que jamais seria eleito com a política que está sendo executado.

Assistir ao documentário de Zingaro e Bonnassieux é apenas o primeiro passo da tarefa de politizar um debate que está sendo propositalmente evitado inclusive por partidos que se dizem de esquerda sobre as tarefas que estão postas para se evitar o retrocesso que o Brasil vive neste momento.

Ah, sim, adorei a definição dada ao juiz Sérgio Moro pelas cineastas francesas…. juiz de província.  Melhor definição do que essa, impossível.

Finalmente, mais uma vez fica demonstrado com este documentário que a mídia corporativa brasileira tem feito um esforço descomunal para evitar que a discussão sobre as causas e as consequências do golpe parlamentar contra Dilma Rousseff seja feita da forma aprofundada que merece. Felizmente, ainda temos pessoas como Fredérique Zingaro e Mathilde Bonnassieux que conhecem bem o Brasil para nos oferecer este tipo de material tão qualificado.

 

Brasil em ritmo de regressões múltiplas. Cadê os adoradores do pato amarelo?

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Agora que o doleiro Lúcio Funaro já nos revelou que o golpe parlamentar que derrubou a presidente Dilma Rousseff foi turbinado com a compra de parlamentares fica ainda mais evidente que a marcha do pato amarelo nunca foi motivada pelo combate à corrupção [1].  

Mas mais do que as revelações do operador financeiro do PMDB, o que já havia desvelado as reais intenções do golpe do pato amarelo são as múltiplas regressões impostas pelo governo “de facto” de Michel Temer em áreas cruciais da realidade nacional. Tomo dois exemplos como basilares do tipo de programa que está sendo executado pela dupla formada por Michel Temer e Henrique Meirelles para impor uma plataforma que não foi aprovada pela maioria dos brasileiros. 

O primeiro caso que me vem à mente são as medidas tomadas para dificultar a identificação e punição de casos de trabalho escravo no Brasil. Além de diminuir as verbas que financiavam as atividades de combate ao trabalho escravo, o Ministério do Trabalho também editou uma portaria que não só flexibiliza a caracterização do que significa estar escravizado, mas como também retira a autonomia dos auditores-fiscais no processo de levantamento deste tipo de crime contra o trabalhador.

O segundo caso que também está relacionado ao primeiro é o dos crimes ambientais e da permissividade que está sendo possibilitada a quem os pratica. Não por acaso, o ano de 2017 já está sendo marcado pela maior incidência de incêndios associados às atividades agropecuárias em toda a história do Brasil.  Ainda que o estopim para este espalhamento das agressões aos diferentes biomas florestais existentes no Brasil tenha sido o novo Código Florestal aprovado em 2012 ainda no primeiro mandato de Dilma Rousseff,  as violações a esse mesmo código se tornaram regra com a chegada de Michel Temer ao posto de presidente do Brasil.

Eu poderia dar outros exemplos das regressões já estabelecidas por Michel Temer, mas essas me parecem emblemáticas do modelo de sociedade que está sendo perpetuada quando se facilita a vida de quem escraviza trabalhadores e também se permite o avanço da degradação ambiental. Essa combinação, longe de ser acidental, representa a perpetuação das piores características da sociedade brasileira e, pior, nos priva de um modelo de sociedade que sejam social e ambientalmente justo.

Por essas e outras é que quem participou das marchas do pato amarelo deveria estar se envergonhando de ter servido como joguete para os que insistem em manter intacto o que há de pior no Brasil.  Mas, pensando bem, de quem marchou com o pato amarelo e agora se cala frente às evidências de que o problema nunca foi a corrupção, não pode esperar vergonha na cara.


[1] https://www.brasil247.com/pt/blog/alex_solnik/322495/Eduardo-Cunha-comprou-impeachment-Michel-Temer-compra-salva%C3%A7%C3%A3o.htm

Uma imagem que mostra bem quem nos (des) governa

Recebi a imagem abaixo que mostra em que tipo de problemas estão metidos aqueles que foram ontem apoiar o ainda presidente “de facto”  Michel Temer em seu pronunciamento contra seu indiciador e seu indiciamento por crimes de corrupção pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot.

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A amplitude dos problemas a que cada um dos sleecionados na imagem revela muito bem o tipo de elite política que o Brasil possui no seu comando neste momento.   É que tendo derrubado uma presidente eleita sob a alegação de “pedaladas fiscais”, o que se vê quando o grupo é olhado de mais perto vai muito além de impropriedades na gestão de recursos públicos, muito além.

Mas não podemos ignorar que Michel Temer não chegou ao poder por obra de Deus como ele sugeriu, mas de uma complexa política de colaboração de classes, liderada pelo ex-presidente Lula e o PT.  Assim, não há como deixar de observar que qualquer ilusão de que num futuro governo Lula esta visão de aliança será abandonada é fútil. Mesmo porque até hoje não se viu uma reflexão crítica acerca das opções que foram feitas e que nos levaram à condição desastrosa em que nos encontramos neste momento.

Mais importante de que sonhar com a volta de um passado que não foi assim tão glorioso é construir estruturas organizativas que nos permitam ir além do que temos mostrado na patética imagem de Temer e os que ainda conseguem se mostrar em público ao seu lado.

A inação frente a esta tarefa urgente coloca o risco de vermos em 2018 outra eleição em que as políticas contra a classe trabalhadora e os mais pobres serão ungidas nas urnas, pois quando não há alternativa viável, o que se vê é a permanência do que existe.  Mesmo que isto seja representado pelo PMDB e seus aliados.

Para resolver a crise que aí está, realizar eleições diretas para presidente é muito pouco

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O Brasil vive hoje o resultado de duas graves crises: a econômica e a política. Entre os resultados mais visíveis desta combinação estão os mais de 14 milhões de brasileiros desempregados que ainda têm de conviver com contra-reformas altamente impopulares que visam dificultar ainda mais o seu retorno ao mercado de trabalho.

Enquanto a crise se agrava, setores da burguesia se enfrentam para tentar escolher o melhor timoneiro presidencial para continuar com a agenda ultraneoliberal que Michel Temer abraçou e não tem mais condições de aplicar de forma eficiente. O resultado desse enfrentamento é a sucessão de proto candidatos biônicos que são lançados e removidos sem qualquer compromisso com a vontade da maioria da população.

Do lado do que se pode rotular de oposição, a situação também não é muito animadora. O Partido dos Trabalhadores (PT), principal partido da oposição e onde está abrigado o  maior líder político brasileiro, o ex-presidente brasileiro, oscila entre aceitar o jogo podre que a burguesia oferece dentro dos limites institucionais e partir para uma plataforma de mudanças controladas para que tudo acabe bem numa eleição em 2018. A mesma sina parece ser seguida pelos sindicatos e movimentos sociais ligados umbilicalmente ao PT ou simplesmente à Lula.

Já uma parte minoritária da esquerda apresenta uma plataforma mais avançada de descolamento das políticas neoliberais, mas oferece como limite a bandeira das “Diretas Já”,  pois falta a partidos como o PSOL não só a musculatura políticas para ir além, mas como também uma plataforma política que escape aos limites institucionais.

Pessoalmente simpatizo com a bandeira das “Diretas Já”, mas acho que sozinha ela serve apenas para que haja mais uma transição conservadora no Brasil cujo resultado será a devastação dos parcos direitos sociais e trabalhistas que vão restar após a débâcle que os anos de Dilma Rousseff e Michel Temer combinados resultou nas condições de vida da maioria da população.  É que ninguém pode esquecer que uma das razões pelas quais Dilma Rousseff caiu foi o abandono do seu programa eleitoral em prol das medidas formuladas e aplicadas por Joaquim Levy que mais pareciam ter sido gestadas pelo comitê de campanha do hoje desgraçado quase ex-senador tucano Aécio Neves.

Assim, para caminharmos para além do que a burguesia brasileira vai querer tolerar é preciso agregar outras bandeiras à das “Diretas Já”, incluindo a eleição de uma assembleia nacional constituinte, e isso apenas para começo de conversa. Do contrário, vai ser aquilo que o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, alcunhou de “mais do mesmo” (Aqui!).

O problema aqui é a esquerda, que eu chamo de “para além do PT”, precisa decidir arregaçar as mangas das camisas para ir onde está a maioria pobre do nosso povo e se conectar às suas demandas, mas também oferecer caminhos de saída que não impliquem apenas em reestabelecer um mínimo de condição de sobrevivência digna. Isso, depois da experiência com os anos de governos petistas, já está demonstrado que não é apenas insuficiente, mas sem qualquer saldo estrutural. Do contrário, o máximo que vamos conseguir são eleições diretas, o que será muito, mas muito pouco, para o tamanho da crise que aí está.

Eduardo Cunha: uma queda orquestrada para manter um sistema corroído de pé

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A cassação do mandato do agora ex-deputado federal Eduardo Cunha por 450 votos a favor, 10 contra, 9 abstenções e 43 ausências (!!) vai ser apresentada como uma vitória contra a corrupção, provavelmente pelos mais corruptos.  Esse movimento de cassar o líder do impeachment de Dilma Rousseff, entretanto, era uma pedra cantada e ele sabia bem que passada a sua utilidade, as baterias seriam voltadas contra seu mandato.

Então por que Eduardo Cunha se prontificou a cumprir o papel de “sacrificial lamb“? A resposta para essa pergunta deve rejeitar qualquer forma de altruísmo por parte do sacrificado, já que Cunha é um especialista em sobrevivência política em meio a graves denúncias que incluem, entre outras coisas, corrupção.   E notemos que a sua queda se deu não por tais crimes, mas pela prosaica razão de “quebra do decoro parlamentar”, o que é uma piada num congresso onde decoro é algo raríssimo.

A alternativa mais crível é de que Eduardo Cunha entendido perfeitamente que para salvar os anéis (no caso o sistema política do qual ele se beneficiou e continua se beneficiando tremendamente), alguém importante teria que sair do palco principal. E a ampla margem de votos pela cassação indica que ele se entendeu inclusive com seus aliados, que agora estão livres para continuar atacando direitos sociais e entregando as riquezas nacionais para as multinacionais.

Outra hipótese que eu tenho é que Eduardo Cunha recebeu garantias de que aqueles muitos milhões que ele possui estocado em contas ainda secretas serão deixadas em solene paz para que possam ser devidamente desfrutados quando a poeira baixar. 

Assim, penso que qualquer ilusão de que Eduardo Cunha vai ajudar a colocar abaixo o governo de Michel Temer deve ser jogada na mesma lata de lixo em que o seu mandato acaba de ser colocado. A vingança de Eduardo Cunha deverá vir de outra forma, provavelmente com custos altos para o governo Temer. É que o chamado “centrão” continuará tendo nele a bússola que orientará as “negociações” que estão por vir para que se acabe com a CLT e se privatize tudo o que for possível.

Diante desses fatos não posso deixar de indicar que a saída de Eduardo Cunha do parlamento será apenas aparente e ele deverá continuar sendo um jogador importante nos próximos capítulos da crise social e econômica em que o Brasil está metido.

Deste modo, não há outra saída para a classe trabalhadora e a juventude que não seja a organização política e a ocupação das ruas para continuar o bom combate. É que do parlamento que aí está certamente nada de bom sairá. Com ou sem Eduardo Cunha.

Não Temer, não são só “40 que quebram carros”!

Perguntado sobre as manifestações que estão ocorrendo no Brasil desde que foi consumado o golpe de estado “light” contra a presidente Dilma Rousseff,  Michel Temer desdenhou e questionou se a pergunta se referia “às manifestações de 40 pessoas que quebram carros” (Aqui!).

Pois bem, abaixo posto imagens das manifestações que ocorreram hoje nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo que mostram que claramente não são apenas atos compostos por “pequenos grupos” como afirmou Michel Temer.

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E notem que Michel Temer ainda nem enviou o grosso de suas reformas anti-populares e anti-nacionais para o congresso nacional votar. Quando isto acontecer, avalio que os atos vão crescer ainda mais e alcançar até setores “coxinhas” que foram às ruas para tirar dilma Rousseff na presidência e acabaram ganhando de presente Michel Temer e Rodrigo Maia. A ver!