Eduardo Cunha: uma queda orquestrada para manter um sistema corroído de pé

cunha-fora

A cassação do mandato do agora ex-deputado federal Eduardo Cunha por 450 votos a favor, 10 contra, 9 abstenções e 43 ausências (!!) vai ser apresentada como uma vitória contra a corrupção, provavelmente pelos mais corruptos.  Esse movimento de cassar o líder do impeachment de Dilma Rousseff, entretanto, era uma pedra cantada e ele sabia bem que passada a sua utilidade, as baterias seriam voltadas contra seu mandato.

Então por que Eduardo Cunha se prontificou a cumprir o papel de “sacrificial lamb“? A resposta para essa pergunta deve rejeitar qualquer forma de altruísmo por parte do sacrificado, já que Cunha é um especialista em sobrevivência política em meio a graves denúncias que incluem, entre outras coisas, corrupção.   E notemos que a sua queda se deu não por tais crimes, mas pela prosaica razão de “quebra do decoro parlamentar”, o que é uma piada num congresso onde decoro é algo raríssimo.

A alternativa mais crível é de que Eduardo Cunha entendido perfeitamente que para salvar os anéis (no caso o sistema política do qual ele se beneficiou e continua se beneficiando tremendamente), alguém importante teria que sair do palco principal. E a ampla margem de votos pela cassação indica que ele se entendeu inclusive com seus aliados, que agora estão livres para continuar atacando direitos sociais e entregando as riquezas nacionais para as multinacionais.

Outra hipótese que eu tenho é que Eduardo Cunha recebeu garantias de que aqueles muitos milhões que ele possui estocado em contas ainda secretas serão deixadas em solene paz para que possam ser devidamente desfrutados quando a poeira baixar. 

Assim, penso que qualquer ilusão de que Eduardo Cunha vai ajudar a colocar abaixo o governo de Michel Temer deve ser jogada na mesma lata de lixo em que o seu mandato acaba de ser colocado. A vingança de Eduardo Cunha deverá vir de outra forma, provavelmente com custos altos para o governo Temer. É que o chamado “centrão” continuará tendo nele a bússola que orientará as “negociações” que estão por vir para que se acabe com a CLT e se privatize tudo o que for possível.

Diante desses fatos não posso deixar de indicar que a saída de Eduardo Cunha do parlamento será apenas aparente e ele deverá continuar sendo um jogador importante nos próximos capítulos da crise social e econômica em que o Brasil está metido.

Deste modo, não há outra saída para a classe trabalhadora e a juventude que não seja a organização política e a ocupação das ruas para continuar o bom combate. É que do parlamento que aí está certamente nada de bom sairá. Com ou sem Eduardo Cunha.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s