Brasil em ritmo de regressões múltiplas. Cadê os adoradores do pato amarelo?

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Agora que o doleiro Lúcio Funaro já nos revelou que o golpe parlamentar que derrubou a presidente Dilma Rousseff foi turbinado com a compra de parlamentares fica ainda mais evidente que a marcha do pato amarelo nunca foi motivada pelo combate à corrupção [1].  

Mas mais do que as revelações do operador financeiro do PMDB, o que já havia desvelado as reais intenções do golpe do pato amarelo são as múltiplas regressões impostas pelo governo “de facto” de Michel Temer em áreas cruciais da realidade nacional. Tomo dois exemplos como basilares do tipo de programa que está sendo executado pela dupla formada por Michel Temer e Henrique Meirelles para impor uma plataforma que não foi aprovada pela maioria dos brasileiros. 

O primeiro caso que me vem à mente são as medidas tomadas para dificultar a identificação e punição de casos de trabalho escravo no Brasil. Além de diminuir as verbas que financiavam as atividades de combate ao trabalho escravo, o Ministério do Trabalho também editou uma portaria que não só flexibiliza a caracterização do que significa estar escravizado, mas como também retira a autonomia dos auditores-fiscais no processo de levantamento deste tipo de crime contra o trabalhador.

O segundo caso que também está relacionado ao primeiro é o dos crimes ambientais e da permissividade que está sendo possibilitada a quem os pratica. Não por acaso, o ano de 2017 já está sendo marcado pela maior incidência de incêndios associados às atividades agropecuárias em toda a história do Brasil.  Ainda que o estopim para este espalhamento das agressões aos diferentes biomas florestais existentes no Brasil tenha sido o novo Código Florestal aprovado em 2012 ainda no primeiro mandato de Dilma Rousseff,  as violações a esse mesmo código se tornaram regra com a chegada de Michel Temer ao posto de presidente do Brasil.

Eu poderia dar outros exemplos das regressões já estabelecidas por Michel Temer, mas essas me parecem emblemáticas do modelo de sociedade que está sendo perpetuada quando se facilita a vida de quem escraviza trabalhadores e também se permite o avanço da degradação ambiental. Essa combinação, longe de ser acidental, representa a perpetuação das piores características da sociedade brasileira e, pior, nos priva de um modelo de sociedade que sejam social e ambientalmente justo.

Por essas e outras é que quem participou das marchas do pato amarelo deveria estar se envergonhando de ter servido como joguete para os que insistem em manter intacto o que há de pior no Brasil.  Mas, pensando bem, de quem marchou com o pato amarelo e agora se cala frente às evidências de que o problema nunca foi a corrupção, não pode esperar vergonha na cara.


[1] https://www.brasil247.com/pt/blog/alex_solnik/322495/Eduardo-Cunha-comprou-impeachment-Michel-Temer-compra-salva%C3%A7%C3%A3o.htm

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