Revista Reoriente lança novo número: estudos sobre marxismo, dependência e sistemas-mundo

reoriente capa jun 24 Nesta edição da Reoriente apresentamos o dossiê imperialismo, geopolítica e guerra e temas livres. As guerras no Afeganistão (2001-2021) e no Iraque (2003-2011) produziram grandes debates e elaborações teóricas acerca do imperialismo, da guerra e da geopolítica. O mesmo ocorreu em 2014, quando ganhou força o debate sobre uma possível Nova Guerra Fria, Terceira Guerra Mundial e/ou Guerra Mundial Híbrida para analisar o desenvolvimento de conflitos pontuais em relação à disputa do poder mundial. Sem dúvida, está em curso uma nova escalada bélica, e a agudização das tensõe s entre polos de poder exige a retomada e ampliação do conceito. Compõem o dossiê em tela os artigos, Del G7 a los BRICS+: la transición del sistema mundial y el escenario geopolítico, de Gabriel Merino; Os limites estruturais do capital de Mészáros e os limites da guerra à China, de Samuel Spellman; El triángulo geoestratégico China, Rusia e Irán cuestiona el poder de l a Tríada, de, Martín Alejandro Martinelli; Imperialismo ‘soft’: asistencia de Estados Unidos y lawfare en América Latina, de Silvina Maria Romano, Tamara Lajtman e Anibal García Fernández; Estados Unidos y el proceso de militarización de Améric a Latina, de Loreta Telleria; e Pontos de contato, fontes de conflito: a experiência imperialista em Cuba, de Maria do Carmo Luiz Caldas Leite. Na sessão de artigos livres, Sebastian Link Chaparro recupera a teoria marxista da dependência e a articula com as análises do sistema-mundo para interpretar os ciclos de lutas sociais e políticas no Chile. Na seção de homenagens, Abdiel Rodriguez Reyes analisa a vida e obra de Enrique Dussel, Caio Bugiato discorre sobre as contribuições de Leo Panitch para a teoria do imperialismo contemporâneo. Eurico de Lima Figueiredo e Fernando Vieira recuperam a importância da obra de René Armand Dreyfuss, e Eguimar Felício Chaveiro analisa o pensamento de Carlos Walter Porto Gonçalves. Ricardo Gomes fecha este número com a resenha sobre o livro de Claudio Katz, La Crisis del Sistema Imperial. A edição corrente da Reoriente pode ser acessada no link abaixo, boa leitura:  https://revistas.ufrj.br/index.php/reoriente/issue/view/2784  

Dossiê aponta presença de agrotóxicos na água de sete comunidades tradicionais do Cerrado

lançamento dossiÊ

Por Campanha do Cerrado 

A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado lançou hoje, 30/05, a publicação “Vivendo em territórios contaminados: Um dossiê sobre agrotóxicos nas águas do Cerrado”. O material apresenta os resultados da “pesquisa-ação” implementada, entre 2021 e 2022, em sete territórios do Cerrado e que realizou análises toxicológicas e ambientais sobre a qualidade das águas em comunidades dessas localidades. Na maioria dos casos, as amostras de águas coletadas e analisadas pela pesquisa são oriundas de nascentes, córregos e rios que abastecem as comunidades, sendo utilizadas para a irrigação de plantações, consumo animal e, em algumas situações, também para o consumo humano. As comunidades que fizeram parte da pesquisa situam-se nos estados do Tocantins, Goiás, Maranhão, Piauí, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Bahia, em regiões do Cerrado e de zonas de transição com a Amazônia e o Pantanal.

A publicação é uma iniciativa da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz  (Fiocruz). A pesquisa em campo contou com o apoio de agentes da CPT de Tocantins, Goiás, Maranhão, Piauí e Mato Grosso do Sul, da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase) no Mato Grosso e da Agência 10envolvimento, na Bahia.

BAIXE AQUI O DOSSIÊ

Destaques

Os resultados da investigação foram apresentados na manhã de hoje durante evento presencial em Brasília. Participaram da atividade membros das comunidades que participaram da pesquisa, reprepresentantes da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, da CPT, da Fiocruz, além de representantes do sistema de Justiça, como o defensor público estadual Pedro Alexandre Gonçalves, do Tocantins, o promotor do Ministério Público Estadual (MPE) no Mato Grosso do Sul Marco Antonio Delfino, a promotora do MPE na Bahia Luciana Khoury, Marina Mignot Rocha, do GT de Garantia à Segurança Alimentar e Nutricional da DPU (Defensoria Pública da União), e Sandra Maria da Silva Andrade, representando a CONAQ (Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos) e CNDH (Conselho Nacional dos Direitos Humanos).

 Durante a exposição dos resultados, alguns dados mereceram destaque:

  • O glifosato foi detectado em todos os estados no qual a pesquisa-ação foi realizada. Essa substância foi proibida pela Autoridade Europeia para Segurança dos Alimentos (EFSA) devido à ausência de evidências suficientes para estabelecer limites de segurança para exposição crônica, mas segue autorizada no Brasil;
  • O metolacloro, um dos agrotóxicos encontrados na pesquisa, além de ser proibido na União Europeia, é suspeito de ser desregulador endócrino e sua exposição está associada ao aumento da incidência de tumores, em particular hepáticos, aqueles associados ao fígado, além de ser considerado perigoso para o meio ambiente;
  • O fipronil, também encontrado nas pesquisas, tem como alvos primários o sistema nervoso, a tireoide e o fígado, e foi classificado pela USEPA como um possível carcinógeno humano devido à ocorrência de tumores na tireoide. Esse Ingrediente Ativo também está associado a milhares de casos de intoxicação em humanos, incluindo graves, que evoluíram para óbito;
  • O terceiro agrotóxico mais detectado nas análises foi a atrazina, presente em todos os estados em ao menos um ciclo, à exceção do Mato Grosso. No Maranhão, os níveis de atrazina detectados na comunidade de Cocalinho foram mais de 2 vezes superiores ao valor máximo permitido segundo as normativas brasileiras.
  • Dos oito agrotóxicos identificados e quantificados durante a pesquisa-ação, quatro estão entre os 10 mais comercializados no Brasil em 2021. O glifosato ocupa a primeira posição, sendo seguido do 2,4-D (2a posição), da atrazina (5a posição) e do metolacloro (10a posição).

Mariana Pontes, assessora da Campanha e uma das organizadoras da publicação, explica que o dossiê combina diferentes movimentos metodológicos. “Foram realizadas a revisão de literatura especializada sobre agrotóxicos e as análises laboratoriais, além da contribuição dos conhecimentos tradicionais das comunidades que estão, cotidianamente, enfrentando os impactos dos agrotóxicos que poluem às suas águas e envenenam os seus roçados”, explica.

Os resultados apresentados no dossiê são alarmantes, aponta Mariana. “Mais de 10 tipos de agrotóxicos foram identificados nas análises de coleta de água, um dado que não nos surpreende, mas preocupa muito, uma vez que milhares de pessoas, das sete comunidades que participaram da construção da pesquisa, possuem suas vidas diretamente impactadas por estes produtos que são extremamente tóxicos para a saúde humana”, destaca a assessora.

Para Aline do Monte Gurgel, da Fiocruz, uma das autoras da pesquisa, é preciso desnaturalizar a ideia de que existe um nível tolerável de agrotóxicos que podemos consumir nas águas e nos alimentos. “Se eu colocar uma gota de veneno em um copo d’água, quem vai querer beber essa água? A gente precisa partir do pressuposto de que o nível aceitável de agrotóxico nas águas é zero, então qualquer número maior que zero já indica contaminação. Na Europa, há agrotóxicos cujo limite máximo permitido nas águas é 30 vezes menor do que o limite máximo permitido no Brasil. Isso significa que nosso corpo é mais forte que o do europeu? Não. Significa que nossa legislação é menos protetiva”, alertou a pesquisadora.

Comunidades

As comunidades participantes da pesquisa foram definidas a partir de diálogos coletivos envolvendo as organizações participantes da Campanha Cerrado e que atuam com o tema dos agrotóxicos. Fizeram parte do estudo o Território Tradicional da Serra do Centro, em Campos Lindos, no Tocantins; Comunidades Tradicionais Geraizeiras de Formosa do Rio Preto, na Bahia; a Comunidade Barra da Lagoa, em Santa Filomena, no Piauí; o Acampamento Leonir Orback, em Santa Helena, Goiás; o Território Quilombola Cocalinho, em Parnarama, no Maranhão; o Assentamento El Dourado II, em Sidrolândia, Mato Grosso do Sul; e a Comunidade de Cumbaru, Nossa Senhora do Livramento, no Mato Grosso.

Os pontos de coleta foram definidos de acordo com sua importância para as comunidades, sendo em águas utilizadas para irrigação de roças e quintais, na pesca, na dessedentação animal, nas brincadeiras e recreação das comunidades, no uso doméstico, como a lavagem de roupas e louças, e na alimentação, seja para beber ou cozinhar. Foram coletadas amostras nos seguintes tipos de fonte: rio/riacho/córrego, nascente, lagoa, brejo, açude/represa, cacimba/poço e águas das residências das comunidades

Durante o lançamento, representantes das comunidades do Maranhão, Mato Grosso do Sul, Piauí e Bahia revelaram as violências sofridas diariamente pelas mãos de empresários do agronegócio que despejam agrotóxico sobre seus corpos e territórios diariamente. Foram relatos de graves alergias na pele, perda de produção da agricultura familiar, doências respiratórias crônicas, contaminação de rios e poços de água e ocorrência cada vez maior de casos de câncer – e mortes por câncer – nas comunidades. “Tive uma alergia muito forte, com bolhas na pele. Quando fui ao médico pedir pra fazer exame e ver se era por conta do agrotóxico, o médico logo disse que não era, disse que aquilo era escabiose (sarna)”, relatou uma liderança quilombola do Maranhão. O remédio receitado pelo médico não funcionu. No depoimento de outro representante de comunidades, o relato sobre o aparecimento de bolhas se repetiu, assim como o “diagnóstico” de escabiose por médico do hospital público local. “É claro que os médicos não vão falar que tem a ver com o veneno, porque eles também têm negócios no agro da nossa cidade, eles são do agronegócio também”, revelou agricultor.

Vivendo em territórios contaminados

Mais de 1.800 agrotóxicos foram liberados para uso nos últimos quatro anos (entre 2019 e 2022) no Brasil. Cerca de metade destes agroquímicos não são permitidos na Europa por oferecerem riscos à saúde humana e ao meio ambiente. Hoje esses produtos, comumente combinados com a utilização de sementes transgênicas, são utilizados ostensivamente nas lavouras do país, via pulverização terrestre e aérea, impactando não somente o ar, as plantações, as águas, a terra e a biodiversidade, mas povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. 

Todos esses povos – que resistem em seus territórios há séculos – lutam para sobreviver em uma verdadeira guerra química promovida pelo agronegócio e pelos grandes latifúndios de monoculturas de produção de commodities para exportação. No Cerrado, este cenário é ainda mais violento: mais de 70% dos agrotóxicos utilizados no país são consumidos na região, de acordo com o estudo Ecocídio nos Cerrados: agronegócio, espoliação das águas e contaminação por agrotóxicos”, publicado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).


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Este texto foi inicialmente publicado pela Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida! [Aqui!].

Dossiê Contra o Pacote do Veneno tem lançamento nos Armazéns do Campo de todo o Brasil 

A série de lançamentos faz parte da campanha “Semeando Saberes e Sabores”, em que livros da editora Expressão Popular formam um kit com sementes agroecológicas da BioNatur

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Por Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

A partir do próximo dia 12 de novembro, os Armazéns do Campo de todo o Brasil iniciam uma série de lançamentos de um kit que tem tudo a ver com o objetivo das lojas. É o livro Dossiê contra o Pacote do Veneno e Pela Vida, acompanhado de sementes agroecológicas da cooperativa BioNatur. 

Este é o kit abre-alas da campanha Semeando Saberes e Sabores, criada com o objetivo de promover a difusão de conhecimento, o debate e a ação diante da grave crise ambiental pela qual o mundo atravessa – ainda mais grave no Brasil, com o governo Bolsonaro. A cada dois meses será lançado um novo kit, sempre com sementes agroecológicas e obras relacionadas à questão ambiental. 

A campanha é formada pela Expressão Popular, Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, Bionatur, Plano Nacional “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis” do  Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Campanha Periferia Viva e pelos próprios Armazéns do Campo – que integram a rede de lojas do MST, atualmente formada por 33 unidades espalhadas por todas as regiões do país. 

Conheça o kit 

O “Dossiê contra o Pacote de Veneno e Pela Vida” compila pesquisas e posicionamentos de dezenas de organizações brasileiras contra o projeto de lei conhecido como “Pacote do Veneno” (PL n.º 6.229/2002), para flexibilizar ainda mais o marco regulatório de agrotóxicos. A publicação também apresenta a Política Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos (PNARA) (n.º 6.670/20160), que elenca alternativas ao uso dos químicos na produção de alimentos.

É uma produção da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) e Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, em parceria com a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e com apoio do Instituto Ibirapitanga e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

As sementes agroecológicas são de Cenoura BRS Paranoá, produzida em assentamentos da Reforma Agrária, e de Árvore Sabiá ou Sansão do Campo. A proposta de unir a leitura ao plantio se soma principalmente ao Plano Nacional “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis”, lançado pelo MST em 2019 com a meta de plantar 100 milhões de árvores em 10 anos. 

O kit é vendido nas lojas do Armazém do Campo e também pelo site da editora

Armazém do Campo São Paulo_Foto MST SP (1)

Confira o calendário de lançamentos: 

12 de novembro, às 18h | Rio de Janeiro (RJ) 

– Convidado: pesquisador Luiz Cláudio Meireles (FIOCRUZ). 

– Com Roda de Samba “Samba do Armazém”, com Flávia Feitosa, Leo Viana, Ari Miranda, Alex Faria, Alcides Lira, Guto Lara. 

– Local: Armazém do Campo RJ, Av. Mem de Sá, 135 – Centro. 

12 de novembro, às 19h | Porto Alegre (RS)

– Convidado: Leonardo Melgarejo, integrante da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida e da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA).  

– Local: Armazém do Campo de Porto Alegre, R. José do Patrocínio, 888 – Cidade Baixa. Com transmissão pela da Rede Soberania e Brasil de Fato RJ.

16 de novembro, às 14h | Londrina (PR)  

– Convidada: Naiara Bittencourt da Terra de Direitos e da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

– Biblioteca Pública de Londrina, Av. Rio de Janeiro, 413, Centro. A venda do kit será na sede do Armazém do Campo Londrina, na Rua Piauí, 95, loja 2. 

09 de dezembro, às 19h | Cascavel (PR)

Local: R. Xavantes, 556 Fundos – Santa Cruz. 

Também estão previstos lançamentos em Piraquara e Maringá (PR), São Luís (MA), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), São Paulo (SP), com data e local a confirmar. 

Dossiê é lançado para dar embasamento científico à disputa política sobre agrotóxicos na arena legislativa

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Foto: Chris Ensminger/Unsplash

Nesta terça-feira (06), foi lançado o “Dossiê Contra o pacote do Veneno e em Defesa da Vida“, no quarto e último encontro da Mobilização Nacional Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.  Este dossiê sintetiza um conjunto de estudos e análises técnico-científicas e é resultado de um processo de cooperação entre a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), a  Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida,  Instituto Ibirapitanga, Patrícia Canto e pela FIOCRUZ.

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O dossiê relata as diversas manobras do Congresso Nacional nas tentativas de aprovar o “Pacote do Veneno” ou Projeto de Lei n.o 6.299/2002 e analisa e denuncia as propostas perversas do agronegócio e das indústrias agroquímicas e seus aliados no Executivo e Legislativo, no sentido de aumentarem ainda mais a venda e o uso de agrotóxicos, consequentemente, ampliando a intoxicação da vida (vegetal, animal e ambiental) no território brasileiro.

Mas o dossiê também apresenta alternativas para enfrentar o modelo agrícola hegemonico, mostrando práticas e trazendo propostas baseadas na produção agroecológica, de caráter coletivo, democrático, de
promoção da vida e produção de alimentos saudáveis. Estes itens estão contidos na Política Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos ou PNARA ou Projeto de Lei n.o 6.670/2016,  que são defendidos no Dossiê.

Quem desejar baixar o arquivo contendo este importante dossiê, basta clicar [Aqui!].

Dossiê alerta que a expansão da soja provocou estagnação da produção de alimentos

Produzido pela FASE, “Dossiê crítico da logística da soja” analisa as diversas dimensões da produção dessa commodity, buscando reflexões para o futuro

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Nos últimos 40 anos, o Brasil aprofundou a lógica colonial concentrando as terras agrícolas em torno do monocultivo de poucas commodities para exportação, com graves consequências sociais e ambientais. Com Infográficos, dados e análises sobre o avanço da monocultura rumo à Amazônia, Dossiê Crítico da Logística da Soja: Em defesa de alternativas à cadeia monocultural, produzido pela FASE, detalha o risco de desabastecimento de produtos básicos como o arroz e o feijão e os diversos conflitos de terra que estão surgindo por consequência dos avanços da cultura de soja rumo às terras e portos do Norte.

“O estrangulamento da agricultura familiar tem provocado a fragilização dos sistemas tradicionais de cultivo desses alimentos. No caso do arroz, por exemplo, nesses 40 anos, um único estado (Rio Grande do Sul) passou de 34% para 70% da produção nacional, com graves consequências para o abastecimento”, analisa Silvio Porto, coautor e professor da Universidade do Recôncavo da Bahia. Além disso, a estratégia de formação de estoques públicos foi abandonada. “O estoque atual de arroz não atende sequer ao consumo nacional de dois dias, enquanto as exportações só crescem”, completa.

A soja, carro-chefe do agronegócio “moderno”, representou, junto com o milho, mais de 90% de toda a safra de grãos colhida no Brasil em 2020. Em 43 anos, a produção brasileira da oleaginosa foi ampliada em 10 vezes, saltando de 12 milhões de toneladas (na safra 1976/77) para 124,8 milhões de toneladas (na safra 2019/20). A logística da soja tem estado no centro da agenda “pública” do país, em detrimento de alternativas de infraestrutura com potencial de dinamizar outras economias e formas de viver e produzir.

Devastação, conflitos e resistência

O terceiro capítulo do dossiê analisa a “guerra das rotas”, como os interesses do agronegócio incidem sobre os programas públicos de infraestrutura em um contexto de disputas entre diferentes projetos para o escoamento da soja. Em comum, o desenho de rotas que permitam conectar as fronteiras agrícolas ao novo destino prioritário: a China.

Em 2020, dos 12 principais complexos portuários em termos de volume de soja exportada no país, seis estavam na Amazônia: Barcarena (PA), Itaqui (MA), Santarém (PA), Itacoatiara (AM), Porto Velho (RO) e Itaituba (PA). Mais um complexo portuário do Arco Norte (fora da Amazônia Legal) figurava entre os doze principais: Cotegipe em Salvador (BA). Há diversos projetos de concessão previstos até 2022, em especial das ferrovias de Integração Oeste-Leste (FIOL) TO-BA, em obras, e a Ferrogrão (MT- PA). Além do Ministério de Infraestrutura, os governos estaduais se mobilizam ativamente pela atração de investimentos em seus estados, em especial Maranhão, Pará, Bahia e Mato Grosso. “Além das evidentes consequências econômicas e ambientais, a apropriação privada da terra, a concentração fundiária e a violência no campo são a face mais perversa desse processo”, conclui Diana Aguiar, pesquisadora e organizadora da publicação.

Para Diana, a continuidade desses projetos ao longo de inúmeros governos representa a vigência de um consenso: ênfase nas infraestruturas para a viabilização da extração e escoamento de commodities. “Para cada um desses projetos, há processos de mobilização e resistência em curso. Esses projetos são desenhados a partir de lógicas totalmente alheias aos territórios por onde cruzam, gerando legítimos questionamentos de povos e comunidades tradicionais sobre o que é o ‘desenvolvimento’ que prometem e, acima de tudo, para quem é esse desenvolvimento”.

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Este publicação foi originalmente publicada pela Fase [Aqui! ]

Marxismo 21 organiza dossiê sobre a vida e obra de Leon Trotsky

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Em agosto de 2020, completaram-se 80 anos do assassinato de Lev Davidovich Bronstein (1879-1940), mais conhecido por Trotsky, concluindo tragicamente um longo período de exílio e perseguição política promovida pelo governo da URSS, sob o comando de Josef Stalin (1878-1953).

A perseguição a Trotsky e aos militantes comunistas que se organizaram, primeiramente, na Oposição de Esquerda e, depois, na IV Internacional Comunista, chegou ao ponto de o Comintern proibir qualquer relação ou contato com os adeptos do trotskismo. Trotsky e os trotskistas foram sistematicamente estigmatizados ao longo do século XX e, até o presente, esta perspectiva sectária ainda se manifesta em parte da cultura comunista em todo o mundo.

Em geral, Trotsky é facilmente reconhecido como um opositor político de Stalin, mas raramente são, de fato, conhecidos o seu papel durante a Revolução Russa e suas análises sobre a URSS e seu regime político. Contudo, a discussão sobre a natureza do regime soviético e a proposta de sua superação são, a rigor, suas principais contribuições ao marxismo do século XX.

Trotsky entendia o stalinismo mais do que um mero governo de Stalin, mas como um fenômeno social de raízes profundas: uma ditadura bonapartista em um Estado proletário economicamente atrasado e internacionalmente isolado e sitiado que, politicamente, atuava para a perpetuação dessa situação ao sabotar e trair processos revolucionários em outros países, daí decorrendo consequências nefastas para a transição da URSS ao socialismo.

Entre suas outras contribuições, destacam-se a sua teoria do desenvolvimento desigual e combinado, e a teoria da revolução permanente a ela atrelada, que consiste em uma elaborada análise dialética do desenvolvimento capitalista em sua fase imperialista e das consequências deste para as possibilidades e limites de desenvolvimento político e econômico impostos aos países da periferia capitalista. É uma elaboração que, como interpretam alguns trotskistas, pode ajudar a compreender os aspectos da conjuntura atual, marcada pela degradação do regime democrático-burguês vigente em um contexto internacional de crise permanente da ordem capitalista.

Também de particular atualidade seria a análise sobre o fascismo, onde Trotsky formulou uma definição precisa do fenômeno, particularmente do caso alemão, e delineou formas de combatê-lo.

Além disso, são também muito importantes a sua proposta de uma arte revolucionária, mas que não se submetesse ao controle do Estado socialista; e, suas análises sobre a política de colaboração de classes defendida pelo stalinismo na Espanha e França dos anos 1930, através da linha da “Frente Popular”.

Infelizmente, a maioria da vasta obra de Trotsky não se encontra traduzida para o português e, entre o que há disponível em nossa língua, ademais, há muitos materiais que não estão disponíveis online. O mesmo se aplica às suas principais biografias, escritas por Isaac Deutscher, Pierre Broué e Jean Jacques-Marie, e às obras de comentadores. Por isso, inserimos links para acervos online mais completos, em língua inglesa e espanhola.

Também acrescentamos grande número de textos e materiais acadêmicos dedicados à compreensão do movimento trotskista, uma vez que ainda existe mais mito do que conhecimento sobre ele. Como é de se imaginar, a grande maioria dos materiais disponíveis em português – com algumas exceções – está dedicada à história do trotskismo no Brasil. Por isso, também inserimos links para alguns acervos online em língua inglesa e espanhola, que contêm um volume maior de materiais sobre o movimento trotskista internacional e em outros países.

Por fim, incluímos também diversos materiais audiovisuais sobre Trotsky e o trotskismo, que ajudam sobremaneira na divulgação do que se conhece hoje sobre os temas.

A Editoria é grata a Marcio Lauria Monteiro, pesquisador que colaborou ativamente com a organização deste dossiê; novas matérias pertinentes ao tema, a nós enviadas, poderão ser incluídas no dossiê.

Editoria

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1) Obras e textos de Leon Trotsky

Acervo online de livros, textos e cartas no Arquivo Marxista na Internet (português)

Acervo online de livros, textos e cartas no Arquivo Marxista na Internet (inglês – muito mais material disponível)

Acervo online de livros, textos e cartas no Arquivo Marxista na Internet (espanhol- muito mais material disponível)

Obras completas em versão pdf (inglês, espanhol e algumas em português)

Balanço e Perspectivas, edição online

A Revolução Permanente (introdução e teses de síntese), edição online

Aonde vai a França?, edição online da editora Desafio

Programa de Transição, edição online da editora Sundermann

La lucha contra el fascismo (coletânea), edição online da editora Sedov/Germinal (espanhol)

Escritos latinoamericanos (coletânea), edição online da editora CEIP (espanhol)

A Revolução Traída, edição escaneada da editora Global (1980):

História da Revolução Russa (3 vol), edição digital da Biblioteca do Senado

2) Trabalhos sobre Trotsky

Coleção da revista Cahiers Léon Trotsky, 1979-2003 (francês)

Coleção da revista Revolutionary History (inglês)

ARAÚJO FILHO, José Gonçalves de. O sentido do sindicalismo na tradição marxista: a educação na fronteira das lutas políticas e econômicas e ideológicas.

ARCARY, Valério. Sobre a crise histórica do capital: o debate sobre o bloqueio das forças produtivas no Programa de Transição. Revista História e Luta de Classes, Ano 14, n. 27, Março de 2019.

BENOIT, Hector. O Programa de Transição de Trotsky e a América

BIANCHI, Álvaro. O Marxismo de Leon Trotsky – notas para uma reconstrução teórica. Ideias, v. 14, p. 57-99, 2007.

BIANCHI, Alvaro. O primado da política – revolução permanente e transição. Revista Outubro, n. 5, 2001.

COGGIOLA, Osvaldo. “Stalin” de Leon Trotsky – Trotsky, Stalin e a burocracia da URSS.

COGGIOLA, Osvaldo. O assassinato de Trotsky à luz da história. Revista de História, 1999.

COGGIOLA, Osvaldo. O assassinato de Trotsky. site A Terra é Redonda, 2020.

COGGIOLA, Osvaldo. Trotsky e o “Programa de Transição”. 

COGGIOLA, Osvaldo. Trotsky, a ascensão do nazismo e o papel do stalinismo 

DANTAS, Gilson. O stalinismo, a esquerda e o legado de Trotski 

DANTAS, Gilson. Trotski e a III Internacional: alguma lição de estratégia para hoje 

DANTAS, Gilson. Trotski e a potência dos sovietes. Parte 1 Parte 2

DANTAS, Gilson. Como Trotski explica a vitória do fascismo na Itália.

DANTAS, Gilson. Por quê revisitar Trotski: sua atualidade para as lutas atuais.

DANTAS, Gilson. O general Dimitrov e o eterno revolucionário Trotski

DANTAS, Gilson. Porque o estudo de Trotski pode ajudar a pensar a crise econômica de hoje

DANTAS, Gilson. Trotski e o debate econômico: a novidade do seu foco metodológico

DANTAS, Gilson. Trotski e a defesa da democracia

DANTAS, Gilson.Trotsky e o homem novo

DEMIER, Felipe Abranches. Do movimento operário para a universidade: León Trotsky e os estudos sobre o populismo brasileiro. Dissertação de Mestrado em História)

DEMIER, Felipe. A lei do desenvolvimento desigual e combinado de León Trotsky e a intelectualidade brasileira. Revista Outubro, n. 16, 2007.

DEMIER, Felipe. Totalidade e internacionalismo em León Trotsky. Marx e o Marxismo, v. 6, n. 10, 2018.

DEMIER, Felipe. Trosky e os estudos sobre o populismo brasileiro. Revista Outubro, n. 13, 2005.

FELIX, Antonio Ferreira. A educação no horizonte da transição ao socialismo: lições da luta de classes e do internacionalismo – Doutorado em educação

FREITAS, Daniel Almenteiro Gomes de. Em Defesa do Trotskismo: uma Análise da lei do Desenvolvimento Desigual e Combinada

GONÇALVES, Maurício Bernardino. Desenvolvimento do sistema do capital e teorias de transição em Trotski e Mészáros

JUSTO, Saymon de Oliveira. O pensamento militar de León Trotsky e a formação do Exército Vermelho: 1918-1925′ 01/05/2012 153 f. Mestrado em HISTÓRIA.

LOPES, Tiago, GUIMARÃES Jr, Mário. O Desenvolvimento Desigual e Combinado paralelos entre as obras ‘História da Revolução Russa’ de Trotsky e ‘Dialética da Dependência’ de Ruy Mauro Marini. REBELA, v.6, n.2. mai./ago. 2016.

LÖWY, Michael. A teoria do desenvolvimento desigual e combinado. Revista Outubro, n. 1, 1998.

MAESTRI, Mário. Há 80 de seu assassinato: Trotsky e seus três biógrafos. Blog da Revista Espaço Acadêmico, 29/06/2020.

MELO, Franklin Rabelo de. Incidências trotskistas em Caio Prado Júnior, Ruy Mauro Marini e Florestan Fernandes. Mestrado Em Política Social. UnB

MONTEIRO, Marcio Lauria. As análises de Leon Trotski sobre a URSS e o stalinismo. Verinotio, v. 23, p. 176-207, 2017.

MONTEIRO, Marcio Lauria. A tese da continuidade e o marxismo: Análise da historiografia da Revolução Russa e das contribuições de Leon Trotsky. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Monografia de bacharelado em História.

SEGRILLO, Ângelo. O conceito de revolução permanente em Trotski e Lenin. Revista Tempos Históricos v. 5-6, 2003-2004.

SHIRAKURA, Adler Eduardo Dias. A Revolução Espanhola (1931-1939): um debate entre Leon Trotsky e Andreu Nin’ Mestrado em Ciências Sociais UNESP, Campus de Marília

SILVA, Edison Menezes Urbano Da. Guerra e revolução em Weber e Trotski: política imperialista e internacionalismo marxista no contexto da Primeira Guerra Mundial

SILVA, Rosecler Aparecida da. A fundação por uma arte revolucionária independente: um debate sobre a vanguarda artística. Mestrado em teoria e história literária. Unicamp 

3) Trabalhos sobre o movimento trotskista

Coleção da revista Cahiers Léon Trotsky, 1979-2003 (francês): Coleção da revista Revolutionary History (inglês):

Coletânea de documentos dos trotskistas brasileiros: Na Contracorrente da História Resoluções e Documentos da Liga Comunista Internacionalista 1930-1933 

ABRAMO, Fúlvio. A Oposição de Esquerda no Brasil (1990).

ALMEIDA, Miguel Tavares de. Os trotskistas frente à Aliança Nacional Libertadora e aos levantes militares de 1935. Cadernos AEL, 12(22/23).

ANDRADE, Eduardo Oliveira de. O partido obrero revolucionario e a revolução boliviana de 1952. Dissertação (Mestrado em História Econômica), USP, 1996.

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4) Arquivos

Soviet history: archival resources at Harvard University library and archives

Instituto del Pensamiento Socialista Karl Marx (Argentina)

Trotskyana Net (massivo levantamento de material de e sobre Trotsky e o trotskismo, em diversas línguas)

Site Splits & Fusions (acervo online de materiais de grupos trotskistas ingleses):

Asociation RaDAR (acervo online de materiais da Quarta Internacional e do Secretariado Unificado)

Encyclopedia of Trotskyism Online (acervo online de materiais do movimento trotskista, com destaque para grupos dos EUA e Inglaterra):

Acervo online do CERMTRI (ligado à tradição “lambertista”)

Archivo Leon Trotski (acervo online ligado à tradição “morenista”):

5) Material audiovisual

Leon Trotski – 75 anos (Seminário na Universidade de Brasília, 2015):

O assassinato de Trotsky e a lata de lixo na história (TV Brasil, 2016):

Entrevista de Esteban Volkov à TV Brasil (2016):

Entrevista de Esteban Volkov ao Esquerda Online (2016):

Mesa redonda O marxismo dos trotskistas: história, teoria e prática” (Colóquio Internacional Marx e o Marxismo 2015, NIEP UFF):

Esteban Volkov sobre “A vida de Trótski” (seminário Boitempo, 2017):

Mesa redonda Trotski e a oposição ao stalinismo (Seminário Internacional 100 anos da Revolução Russa PUC-SP, 2017)

Colóquio Internacional Marx e Engels (CEMARX Unicamp 2018):

Seminário Leon Trotski (NEHTIPO PUC-SP, 2019):

O marxismo de Leon Trotski, Ruy Braga (Curso “Marx e os marxismos” 2019, Boitempo)

Seminário Online 80 Anos dos Assassinato de Trotsky (Canal Pela Manhã / Allamatiina, 2020):

Evento online Trótski em Permanência (2020):

#TRÓTSKI2020 uma homenagem nos 80 anos de seu assassinato (Esquerda Diário, 2020)

Ato-live 80 anos sem Trotsky (Esquerda Online, 2020):

Canal do portal Esquerda Diário, com vários vídeos sobre Trotsky:

fecho

Este dossiê foi inicialmente publicado pelo Marxismo 21 [Aqui!].

Observatório das Metrópoles lança dossiê sobre impactos dos Jogos Olímpicos na cidade do Rio de Janeiro

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Em mais uma robusta contribuição acadêmica para a busca de entendimento acerca dos impactos sociais, políticos, econômicos e ambientais da realização dos Jogos Olímpicos na cidade do Rio de Janeiro, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Observatório das Metrópoles lançou um dossiê bilíngue (em português e inglês) intitulado “O que está em jogo nesses Jogos” (ou em inglês What is at stake in these Games?) (Aqui!).

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Entre outras questões, o dossiê mostra que megaeventos esportivos foram transformados em um novo tipo de de negócio no âmbito da globalização e que é caracterizado pela atração de fluxos financeiros, reestruturação de circuítos de circulação e de acumulação local.  Além disso, o dossiê analisa questões como mobilidade urbana, projeto de renovação urbana (por exemplo o chamado Porto Maravilha), a da transparência  pública (ou melhor, falta dela) e o papel do Estado, as parcerias público-privadas, e as violações de direitos humanos no contexto dos Jogos Olímpicos de 2016.

Como já havia mencionado (Aqui!), com a abundante literatura qualificada que está emergindo sobre os diferentes aspectos que cercam as transformações impostas sobre a cidade do Rio de Janeiro, podemos facilmente ultrapassar o uso de chavões ultrapassados como o do “complexo de vira lata” e do “jeitinho brasileiro” para fazermos uma discussão que vá ao cerne das mudanças que estão efetivamente sendo impostas principalmente sobre os pobres, e que vão ter efeitos que irão muito além da duração do megaevento em si.

Quem desejar acessar o documento em inglês, basta clicar (Aqui!). Já para os que desejarem fazer a leitura do documento escrito em português, basta clicar (Aqui!).

Lançamento e debate da 4ª versão do Dossiê Megaeventos e Violações dos Direitos Humanos no Rio de Janeiro

dossie megaeventos

Vamos discutir a “Cidade Olímpica”?

O Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do RJ convida para o lançamento e debate da 4ª versão do Dossiê Megaeventos e Violações dos Direitos Humanos no Rio de Janeiro.

Desde o momento em que foi anunciada a escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016, a grande imprensa, políticos e diversos analistas têm ressaltado as oportunidades provenientes da ampliação dos investimentos na cidade, destacando as possibilidades de enfrentamento dos grandes problemas urbanos. Entretanto, a população da cidade já se deu conta de que o projeto Rio Cidade Olímpica, que agrega as obras para a Copa 2014, para os jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, e grandes projetos como o Porto Maravilha, não trará os benefícios prometidos.

Esta versão do Dossiê traz novas e atualizadas informações abrangendo as questões de moradia, mobilidade, trabalho, esportes, meio ambiente, segurança pública, gênero, criança e adolescente, informações e orçamento. Além disto, são registradas as ações de resistência do Comitê Popular e as propostas alternativas para um projeto de cidade includente, com democracia e justiça social, e boxes contento diversos casos de violações que ilustram a gravidade dos acontecimentos na cidade do Rio de Janeiro.

Desta forma, ao olhar o processo de preparação da cidade para as Olimpíadas, é possível afirmar, com decepção – RIO, OLIMPÍADA 2016: OS JOGOS DA EXCLUSÃO!

>>> Debate:
– Representante do Comitê Popular;
– Sandra Maria, moradora resistente da Vila Autódromo;
– Ana Paula Oliveira, mãe vítima da UPP de Manguinhos e Fórum Social de Manguinhos;
– Edneida Freire, professora de atletismo no Estádio Célio de Barros;
– Camila Marques, Artigo 19;
– Rodrigo Baptista Pacheco, 2º Subdefensor Público Geral do Estado;
– Jules Boykoff, professor da Pacific University (EUA) e autor de três livros sobre a política dos Jogos Olímpicos.

>>> Esse ano teremos versão português e inglês! Bora espalhar as violações pro mundo todo: COI é igual a FIFA!

FONTE: https://www.facebook.com/ComitePopularCopaRJ/