Jogos Olímpicos 2016: nem complexo de vira lata, nem gambiarra. Criticar é preciso!

Em meio ao início do megaevento esportivo promovido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) na cidade do Rio de Janeiro, tenho visto um debate interessante acerca do significado da cerimônia de abertura e do que a mesma revela sobre a capacidade do brasileiro de fazer coisas de qualidade.

De um lado temos pessoas que defendem ardorosamente, ainda que com críticas, a cerimônia de abertura e, por tabela, a cidade do Rio de Janeiro que servem como proxies para que se rejeite aquilo que o dramaturgo Nelson Rodrigues chamava de “complexo de vira lata” que seria a nossa tendência de nos depreciarmos em relação aos povos mais desenvolvidos. 

Enquanto isso, numa forma um tanto cínica de abraçar o complexo de vira lata, temos outros que abraçam o conceito da gambiarra ou se preferirem, o do “jeitinho brasileiro”. Isso, aliás, foi ecoado pelo próprio presidente do COI que na sua fala na cerimônia de abertura disse que os Jogos Rio 2016 seriam a “la brasileira”.  Em suma, toma gambiarra e jeitinho.

Considero ambas as faces da moeda mostrada acima uma besteira. Na verdade, com o tipo de gastos que foram realizados para viabilizar este megaevento (no mínimo R$ 40 bilhões), não deveria haver espaço para gambiarra ou jeitinhos.  

Por outro lado, não há como empurrar as remoções, as grossas evidências de corrupção e a violência policial contra quem protesta para debaixo do tapete.  E isso em nome de quê? De rejeitar o complexo de vira lata? Como dizem os gringos: “come on!”. 

A verdade é que depois que os atletas olímpicos forem embora, teremos montanhas de problemas que não poderão ser empurrados para debaixo do tapete, a começar pelo endividamento público que promete afogar as contas da cidade e do estado do Rio de Janeiro.

Mas a pior consequência da gastança e da violência estatal aparece na imagem abaixo, que retirei da página pessoal no Facebook do fotojornalista Mario Tama (Aqui!), que é a manutenção, e até mesmo o aprofundamento, do apartheid social e econômico que historicamente existe na cidade do Rio de Janeiro.

jogos

Moradores da Mangueira fotografando a queima de fogos realizada na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2016.

Eu particularmente não vejo por que temos que nos calar sobre questões estruturais que existem no Brasil em nome da rejeição do complexo de vira lata. Para  mim, reconhecer que o nosso povo tem todas as capacidades para que possamos construir uma sociedade menos desigual e fraterno é algo óbvio.  Por isso mesmo, é necessário não cair na armadilha de que criticar situações absurdas que persistem em nossa sociedade equivale a incorporar o espírito de vira lara. É que pior de que  “virar lata”, é passar a ideia de que tudo o que temos sintetizados no megaevento em curso na cidade do Rio de Janeiro é algo natural, e que por isso não pode ser mudado.

Um pensamento sobre “Jogos Olímpicos 2016: nem complexo de vira lata, nem gambiarra. Criticar é preciso!

  1. […] Jogos Olímpicos 2016: nem complexo de vira lata, nem gambiarra. Criticar é preciso! (domingo, 7/ago) Marcos Pedlowski […]

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