Mistérios de Eike Batista e a venda barata da CCX

Antes celebrado como o novo Midas e um gênio empresarial, o ex-bilionário Eike Batista parece seguir o roteiro que todo indivíduo em dificuldades financeiras tende a fazer nos momentos de aflição: vende o que tem por preços abaixo do que gostaria. Aliás, eu gostaria de ter uma cópia daquele outrora celebrado livro (aliás, alguém lembra do título?) em que Eike apresentava seu paradigma de sucesso ao mundo para ver se vender ativos em momento de crise era algo aconselhado por ele.

De toda forma, eu fico pensando naqueles “Eiketes” que no início da crise do Grupo EB(X) diziam aos quatro ventos que não iriam vender suas ações. Será que mantiveram sua palavra ou foi só blefe de puxa-saco deslumbrado?

 

O “mistério” dos US$ 325 mi que a CCX deixou de ganhar na venda de ativos Especula-se que Eike Batista tenha aceitado um valor bem abaixo do previamente acordado para acelerar uma possível OPA de fechamento de capital

Com pressa para concluir operação, Eike Batista estaria interessado em fechar capital da CCX, diz operador (Wilson Dias/Abr)

SÃO PAULO – Em crise, o Grupo X anunciou na véspera um acordo para vender ativos da empresa CCX Carvão (CCX C3 ) na Colômbia para o grupo turco Yildirim por US$ 125 milhões. A operação foi desenhada desde outubro do ano passado, mas a informação de agora veio com um fato diferente de meses atrás: a transação sairá por US$ 325 milhões a menos do que o previsto anteriormente no memorando de entendimento anunciado pela empresa (US$ 450 milhões).

No pregão da última segunda-feira (3), os papéis reagiram a esta desagradável surpresa e caíram 23,21%, a R$ 0,86, com volume financeiro de R$ 25 milhões, cinco vezes maior que a média diária das últimas 21 sessões. Sem dar maiores explicações ao mercado, a empresa de carvão de Eike Batista não comunicou o motivo do valor da venda ter caído tanto. Contudo, o mercado trabalha com a possibilidade de que a venda “barata” dos ativos tenha um objetivo de acelerar um possível fechamento de capital da companhia.

Segundo um operador que pediu para não ser identificado, o fato da CCX ter aceitado um valor menor para a venda dos ativos fez com que o negócio fosse concluído mais
rapidamente. Isso porque o controlador Eike Batista teria pressa para fechar o capital da companhia. “Eike utilizaria o dinheiro da venda dos ativos para recomprar as ações da CCX e fechar seu capital”, disse o operador ao InfoMoney .

CCX despenca 23% após vender ativos por valor 72% abaixo do previsto

O mercado especula que a possível O PA (Oferta Pública de Ações) seria feita pela própria empresa (sem alteração no controle) e sairia por cerca de R$ 285 milhões, descontada uma dívida total de aproximadamente R$ 15 milhões, comentou. Ou seja, a oferta poderia ficar entre R$ 1,65 a R$ 1,67 por ação, contra R$ 0,86 registrados no fechamento da véspera, o que daria um prêmio de 94,19% considerando a faixa superior. Entretanto, de acordo com uma outra fonte do mercado, somente o detalhamento do acordo justificando o racional traria calma ao mercado e ao papel, que sofreu bastante na bolsa.

Considerando a alta do dólar em relação ao real e a estabilidade do preço do carvão no mercado, esse “deal” era para ter melhorado ao longo do tempo, mesmo com algum eventual desconto, e não ter caído a esse preço, explicou. O acordo, no entanto, ainda precisa ser aprovado pelos sócios das empresas e a CCX diz que vai convocar uma assembleia geral extraordinária para submeter o negócio aos acionistas.

Essa possibilidade de OPA pela própria empresa foi levantada depois de terem sido descartados rumores de que o grupo turco faria a oferta pela CCX, comentou o mesmo operador. Uma das hipóteses apontadas pelo mercado era de que a OPA seria feita pela Yildirim, o que caracterizaria uma mudança de controle e, consequentemente, o pagamento de tag along aos acionistas, que no caso da CCX é de 100% aos detentores das ações ordinárias. Ou seja, com a venda dos ativos a um valor menor, a expectativa é que a oferta ficasse também por um preço mais baixo e, consequentemente, poderia ser desfavorável aos acionistas, um dos fatores que motivaram a forte queda dos papéis da companhia na véspera.

Procurado pelo InfoMoney, o departamento de relações com investidores da CCX não foi localizado para prestar esclarecimentos.

A “explicação” da CCX

Em comunicado, a CCX disse apenas que o valor previamente anunciado no memorando de entendimento era sujeito a due diligence operacional, financeiro, tributário e ambiental e considerava parte significativa do pagamento baseado em milestones operacionais das minas (incluindo a obtenção de licenças ambientais faltantes para Papayal, San Juan, Porto e Ferrovia). Já o valor atual considera todos os pagamentos upfront no fechamento da transação, apenas sujeito a assinatura dos contratos definitivos e a transferência dos títulos mineiros à contraparte.

FONTE: http://www.infomoney.com.br/ccx/noticia/3176282/misterio-dos-325-que-ccx-deixou-ganhar-venda-ativos

ASPRIM reúne agricultores para discutir os próximos passos da luta contra as desapropriações

Diretoria aproveitou para apresentar relatório sobre últimas vitórias no campo político e no judiciário

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Neste domingo (02/02) a Associação de Produtores Rurais e Imóveis (ASPRIM) realizou uma reunião de prestações de contas e de preparação para aprofundar a luta em defesa dos agricultores desapropriados para implantar o Distrito Industrial de São João da Barra (DISJB). Segundo o relato Rodrigo Santos, vice-presidente da ASPRIM, uma série de anulações de desapropriações realizadas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial (CODIN) pela Tribuna de Justiça sinaliza para uma mudança de atitude do judiciário em relação ao drama vivido por centenas de famílias de agricultores e pescadores que habitam tradicionalmente o V Distrito de São João da Barra. Além disso, manifestações de deputados estaduais como Paulo Ramos e Marcelo Freixo indicam que também no plano político os agricultores do V Distrito estão somando conquistas importantes.

O vice-presidente da ASPRIM apresentou ainda uma série de possibilidades para o aprofundamento da luta contra o caos criado pelo colapso do Grupo EB(X) de Eike Batista. Para Rodrigo, o drama vivido por donos de pequenos estabelecimentos comerciais e pousadas é apenas outra faceta dos problemas criados no V Distrito pelas promessas de industrialização que agora viraram fumaça.  Por outro lado, isto tudo cria uma excelente oportunidade de somar esforços em torno de uma causa comum que é reparar os danos sofridos por todos as vítimas da aventura orquestrada pelo (des) governo do Rio de Janeiro para beneficiar Eike Batista.

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Vale a pena conferir quais serão as ações da ASPRIM nas próximas semanas. Uma coisa é certa: a aparente calmaria que reina hoje no V Distrito é isso mesmo, aparente.

Jornalista lança livro sobre a ascensão e queda do Império “X”

As cinzas do incêndio nem bem esfriaram e já teremos o primeiro livro no mercado trazendo uma análise do colapso do império “X”. O autor é o jornalista Sérgio Leo que é colunista do Jornal Valor Econômico. O anúncio foi dado na coluna de Ancelmo Góis do jornal O GLOBO. Para os que quiserem entender as entranhas desse rumoroso caso de desconstrução imperial, a obra deverá ser um prato cheio. Já para os adoradores de Eike Batista, a leitura da obra deverá ser como a segunda morte do Mídas de São João da Barra.

Crônica do Império X

Vai virar livro, pela Nova Fronteira, a trajetória das empresas X, de Eike Batista. “Ascensão e queda do Império X”, do coleguinha Sérgio Leo, mergulha nos bastidores dos acontecimentos que levaram à perda de uma fortuna estimada em US$ 34 bilhões. A versão digital entra em pré-venda amanhã.

FONTE: http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/

Valor: Gestão do grupo EBX é alvo de punições

Apesar do ano de derrocada pública das empresas do Grupo EBX na bolsa, o inferno astral de Eike Batista pode estar apenas começando. De um lado, várias investigações estão em curso na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De outro, minoritários se aglutinam para buscar, na Justiça, uma possível indenização por conta de perdas com investimentos nessas ações .

FONTE:  http://www.valor.com.br/empresas/3377582/gestao-do-grupo-ebx-e-alvo-de-punicoes

Deputado briga por CPI de Eike; “em um país sério, ele estaria preso”, diz

Ainda é necessário que o presidente da Assembleia publique o requerimento com as assinaturas para que a CPI saia do papel

SÃO PAULO – Paulo Ramos, deputado estadual pelo PSOL no Rio de Janeiro, cobra a instalação de uma CPI Comissão Parlamentar de Inquérito) na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) para investigar os efeitos da derrocada do grupo EBX no governo carioca. 25 assinaturas já foram coletadas para a realização da CPI – acima do necessário – mas o pedido ainda não foi acatado por Paulo Mello (PMDB), presidente da câmara. Mello é do mesmo partido que Sérgio Cabral, um dos principais aliados políticos de Eike Batista. “Todos sabemos da força política que envolve Eike Batista, e seus comprometimentos. Ou ele foi suficientemente inteligente para enganar até os governantes, ou, na hipótese que não me parece inverossímil, conseguiu a cumplicidade daqueles que não tiveram cautela com o seu grande golpe. Em um país sério, ele já estaria preso”, disse Ramos em uma audiência pública na sede da Alerj.

Ainda é necessário que o presidente da Assembleia publique o requerimento com as assinaturas para que a CPI saia do papel. Nessa segunda, Ramos convocou uma audiência para discutir os impactos econômicos e chamou Adriano Mezzomo, representante da Unax (União dos Acionistas Minoritários do Grupo EBX).

Presidente da câmara carioca, Mello é do mesmo partido que Sérgio Cabral, um dos principais aliados políticos de Eike Batista (Ricardo Moraes/Reuters)Presidente da câmara carioca, Mello é do mesmo partido que Sérgio Cabral, um dos principais aliados políticos
de Eike Batista (Ricardo Moraes/Reuters)

Foram convidados também o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), CVM (Comissão de Valores Mobiliários), ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), MPF (Ministério Público Federal) e Angra Partners, que está atuando na reestruturação do grupo. Porém, nenhum desses grupos mandou representantes à audiência.

FONTE: http://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/3105112/deputado-briga-por-cpi-eike-pais-serio-ele-estaria-preso

Porto do Açu: de concreto mesmo só as terras tomadas dos agricultores familiares

A figura abaixo já se encontra disponibilizada em um artigo científico que saiu publicado este ano numa revista publicada nos EUA. Agora com toda as expectativas geradas pela transformação da LL(X) em “Prumo” resolvi traduzi-la para ver se fica claro o que, de fato, existe hoje no V Distrito de São João da Barra e que não é o tal Distrito Industrial que motivou a desapropriação de quase 500 propriedades pertencentes a agricultores familiares.

Açu mapa de localidades

A porção direita da figura mostra uma situação para lá de interessante, qual seja, o fato de que as áreas privadas do que seria o Complexo Industrial Portuário do Açu representam uma fração minoritária do estoque de terras que estão envolvidas nesse negócio. A imensa maioria das terras que foram passadas de graça pela CODIN para a LL(X) (e por herança para a Prumo) pertenciam a agricultores familiares que viviam na região há várias gerações.

Agora, perguntem-se, o que de concreto existe nesse imbróglio todo? Ora, quem pensou na estrutura do porto se enganou, pois essa continua sendo uma promessa cuja finalização muda de data, como mudamos de roupa nos dias calorentos.  A verdade é que de concreto mesmo só os quase 7.500 hectares que compõem a chamada retroarea do Porto do Açu.

Enquanto isso a CODIN continua, mesmo que mal das pernas, desapropriando mais propriedades para entregar para a LLX-PRUMO, sem que haja mais a justificativa do interesse social que motivou a promulgação dos decretos de desapropriação. Para piorar isso tudo, muitas famílias continuam sendo ignoradas como “réus ignorados” em processos que afrontam o estado de direito e revelam a face mais hedionda de todo esse processo de tomada de terras. E o mais interessante é que agora as terras entregues para um fundo de investimentos multinacional no que pode se transformar numa ponte para a especulação financeira. Afinal, pelo que tenho lido na imprensa corporativa, o EIG não possui experiência nem na administração de portos ou na de logística.

Finalmente, para os agricultores que ainda não perderam suas terras resta ainda o problema da salinização de recursos hídricos e solos, sem que ninguém se defina sobre quais são as responsabilidades do Fundo EIG que até este momento só herdou as benesses geradas para alimentar a gula especulativa de Eike Batista e seu hoje moribundo conglomerado de empresas pré-operacionais.

Como Eike, egocêntrico e vendedor de ilusões, afundou o Império X

Paula Pacheco – iG São Paulo

Em 2011, o mineiro Eike Batista vivia possivelmente o melhor momento como empresário. Estampava publicações nacionais e estrangeiras, embolsava prêmios como grande homem de negócios do País (e uma promessa mundial, ousariam afirmar) e era a inspiração de empreendedores brasileiros. Meses antes, o ex-bilionário, que fundou o Grupo EBX, mandou o recado: passaria Bill Gates, da Microsoft, para trás e se tornaria o homem mais rico do mundo. Para muitos, ele era o cara.

Em dezembro daquele ano, Eike aproveitou toda a popularidade do momento e lançou a autobiografia “O X da Questão – A trajetória do maior empreendedor do Brasil”. O livro alcançou 203 mil exemplares e foi o título mais vendido até hoje pela editora Primeira Pessoa, braço da Editora Sextante especializado em biografias.

Amadeu Bocatios/Futura Press, Eike Batista durante noite de autógrafos de “O X da Questão”, na Livraria da Travessa, no Rio de Janeiro

 Hoje, depois de 23 meses, ler o relato de Eike ao longo de rasas 159 páginas proporciona momentos irônicos e analíticos. Irônicos porque sua autobiografia traz um amontoado de clichês e afirmações que não passaram de promessas. Sem nem um traço sequer de modéstia, o empresário avalia um de seus momentos nos negócios – a exploração de uma operação de garimpo de ouro em Alta Floresta, ao norte de Mato Grosso. “Os méritos maiores foram persistência, obstinação, ousadia e o que as pessoas costumam qualificar de capacidade visionária”.

“Minha trajetória é a prova de que o capitalismo brasileiro está mais maduro (Eike Batista)

Sobram frases no livro de culto ao ego, como “sou um empreendedor diferente da média”, “sou perito em identificar diamantes não polidos e aprendi, ao longo da vida, a polir esses diamantes”. Ou ainda “minha trajetória é a prova de que o capitalismo brasileiro está mais maduro. As aberturas de capital de minhas companhias são verdadeiros atestados de maioridade”.

Ego, um grande companheiro

Ao mesmo tempo que o livro confirma que Eike tem um ego difícil de ser delimitado, mostra hoje a inconsistência do plano de negócios do empresário. Naquela época, Eike afirmava no livro: “Por trás do mito, há uma saga empresarial erguida acima de tudo com muito suor e trabalho… Felizmente acertei bem mais do que errei e numa escala e num tempo impensáveis no mundo empresarial”. Quem não ruborizaria ao falar de si recorrendo a palavras como “mito” e “visionário”? Eike Batista.

Eike, o empresário que não teve recato ao se auto-proclamar um mito, afundou. Na última semana (dia 11), mais uma de suas empresas, a OSX (chamada por ele de Embraer dos mares), teve de recorrer à recuperação judicial na tentativa de ganhar tempo junto aos credores e conseguir uma sobrevida. A primeira a usar esse expediente foi a OGX, em 30 de outubro (“A OGX tem no seu DNA algo especial que herdou de mim: a vontade de encantar e surpreender”, descreveu no livro). De figura de destaque nas listas dos maiores bilionários do mundo, o dono do Império X virou sinônimo de caloteiro e agora tem de conviver com o peso de bilhões de reais na forma de dívida, não mais em fortuna.

 Com frases e mais frases feitas, o ex-bilionário oferece em “O X da Questão” grandes momentos de auto-ajuda para quem sonha em se tornar empreendedor. “Uma lição que fica para quem decide iniciar um negócio é não desistir na primeira dificuldade”, ensina.

No mesmo capítulo, o autor avança no tema: “A única coisa certa no mundo dos negócios é que você vai errar. Se tiver humildade para reconhecer esta verdade, terá meio caminho andado para aprimorar suas práticas como empreendedor”. A frase, lida sob a luz do atual momento de Eike, certamente causaria irritação e indignação nos investidores que aportaram bilhões de reais em seus projetos. Provocaria também indignação entre os minoritários que apostaram no vendedor de sonhos e colocaram suas economias em ações que viraram pó. “Posso ser acusado de excesso de ousadia, mas nunca pensei em correr atrás do Santo Graal”, garante no livro.

“Eu desejo entregar ao mercado, aos acionistas, aos colaboradores e à sociedade o que me comprometo a entregar (Eike Batista)

Outro capítulo, o “Visão 360 graus”, também deve incomodar quem comprou os sonhos de Eike, tamanha a sua incoerência. “Eu não aspiro à perfeição. Aspiro ao êxito. Aspire ao êxito você também. Eu desejo entregar ao mercado, aos acionistas, aos colaboradores e à sociedade o que me comprometo a  entregar.     Ele ficou na promessa. Demitiu boa parte de seu quadro de funcionários e viu suas seis empresas listadas na Bolsa minguarem. “Meu negócio é converter sonho em realidade, e talvez seja este o principal traço da minha trajetória”, explicou. Sua crença, mostram os atuais fatos, fez água.

Para o investidor ainda em dúvida sobre as diferenças entre Eike escritor e Eike gestor, mais um trecho: “Não se deve subestimar a própria capacidade de cometer erros de avaliação. Alguma dose de cautela é vital… Mas se alguém quer risco zero, o melhor é colocar dinheiro no cofre e enterrar a chave em lugar seguro”. Entenderam, senhores investidores?

No capítulo ” Cartilha da Ética”, um reforço de mensagem de confiança aos que tinham alguma dúvida naquele momento. O dono da EBX afirmou que “há empresários que operam 100% dentro da cartilha correta. Sou um deles e faço questão de me manter assim.”

Taxativo, o autor ensina em sua autobiografia que é preciso se cercar de informações científicas quando se está estruturando um negócio (“Acredite na sua intuição, mas procure confirmá-la com dados científicos ou pesquisa”). Em outro trecho, o empresário volta ao assunto – “Por isso a pesquisa foi tão importante em minha trajetória”. A dica, no entanto, parece não ter sido útil para o consumo interno. No caso da petroleira OGX, relatórios mostraram que as reservas dos campos de exploração eram bem menores do que havia sido anunciado. Faltou informação? Quem sabe.

Megalomania

No capítulo 10, “A perfeição é uma utopia”, Eike Batista volta ao tema da megalomania – “Na medida certa, um pouco de megalomania ou ousadia é recomendável. Nã há empreendedor bem-sucedido que não tenha provado uma pequena dose. Quando o negócio se mostra viável, seu idealizador deixa de ser um megalomaníaco”. O leitor poderia então perguntar hoje, com os negócios e a credibilidade de Eike mergulhados em um lamaçal: o autor da frase acima é um megalomaníaco?

Talvez faça parte de pessoas com o perfil de Eike a estratégia da repetição. Fala-se muitas vezes a mesma coisa de forma convincente na intenção de que as pessoas acreditem que aquilo é uma verdade. Um exemplo é quando o autor se descreve como alguém com habilidade para transitar entre várias especialidades, já que “posso lidar com ouro, prata, níquel, cobre, zinco, petróleo, energia, enfim, posso fazer um mundo girar à minha volta…”

Hoje, ao chegar a última página de “O X da Questão”, a conclusão que o leitor tem é de que Eike deixou de citar uma característica importante. É apressado. Foi assim ao se lançar em várias frentes de negócios ao mesmo tempo, ao correr para o mercado para capitalizar suas empresas quando ainda não passavam de projetos e ao proclamar-se um empresário exitoso muito antes de conseguir entregar o que prometeu.

FONTE: http://economia.ig.com.br/2013-11-16/como-eike-egocentrico-e-vendedor-de-ilusoes-afundou-o-imperio-x.html

Eike Batista, o bilionário-celebridade

DE SÃO PAULO

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A quebra da OGX de Eike Batista era pedra cantada e foi a maior concordata da história do país. Em 2010 suas ações valeram R$ 23,27. Para desencanto de 52 mil acionistas e algumas dezenas de diretores da grande banca pública e privada, saíram da Bolsa a R$ 0,13. Todo mundo ganhará se disso resultar algum ceticismo em relação à exuberância irracional da cultura das celebridades poderosas. Nela juntam-se sábios da banca que se supõem senhores do universo e autoridades que se supõem oniscientes.

Admita-se que um vizinho propõe sociedade num empreendimento. Ele é um homem trabalhador, preparado, poliglota, esportista e bem sucedido. Apesar disso, expôs sua vida pessoal mostrando que tem um automóvel de luxo na sala de estar, comunica-se em alemão com o cachorro. (O bicho chegou ao Brasil num Boeing privado, com dois treinadores.) Sua mulher desfilava numa escola de samba com uma gargantilha onde escreveu o nome dele e deixou-se fotografar de baixo para cima usando lingerie transparente. Nomeou para a diretoria de uma de suas empresas um filho que declarou só ter lido um livro em toda a vida. Revelou que estava ligado em astrologia, confiando no seu signo (escorpião) e disse coisas assim: “Tenho alguma coisa com a natureza. Onde eu furo eu acho”. Quando suas contas começaram a ter problemas, defendeu-se: “Meus ativos são à prova de idiotas”. Tem jogo?

Eike tornou-se uma celebridade, listada por oráculos da imprensa financeira como o homem mais rico do Brasil, oitavo do mundo, e anunciou que disputaria o primeiro lugar. Até junho, quando as ações da OGX estavam a R$ 1,21, sentavam-se no seu conselho de administração figuras respeitáveis como o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan e a ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie. Lula visitava seus empreendimentos. A doutora Dilma Rousseff dissera que “Eike é o nosso padrão, a nossa expectativa e sobretudo o orgulho do Brasil quando se trata de um empresário do setor privado”. Quem entrou nessa, micou, inclusive a doutora.

Em seus delírios, Eike Batista criou uma fantasia que pouco tem a ver com a real economia brasileira, ou com as bases dos setores de petróleo, mineração e infraestrutura. Parte do mico ficou para os gênios da banca internacional. Cada um acreditou no que quis e deu no que deu. Falta de exemplos, não foi. Para falar só de grandes empresários que já morreram, a austeridade foi a marca de empreendedores como Augusto Trajano de Azevedo Antunes, que criou a mineradora Icomi, Leon Feffer, criador da Suzano Papel, e Amador Aguiar, pai do Bradesco. Não foram celebridades. Descontando-se o fato de que “seu” Amador não usava meias, não tinham folclore.

EIKE E AS CONTAS

Se o processo de recuperação judicial da OGX levar peritos a examinar saques feitos nos últimos meses no caixa de empresas do grupo, a coisa ficará feia.

EIKE E OS POÇOS

Entre as lições deixadas por Eike Batista há uma que vai em benefício dele e de todos os empresários perseguidos por maledicências. Quando Eike criou a OGX e levou para sua equipe ex-diretores da Petrobras, a sabedoria convencional estabeleceu que capturara os segredos das pesquisas geológicas da empresa. Essa suspeita foi vocalizada até mesmo pela cúpula da Petrobras. Era lorota. Se eles soubessem onde estava o petróleo, a OGX não teria quebrado.

EIKE E OS BÔNUS

Numa das explicações que Eike Batista deu para suas dificuldades estava a queixa de que diretores de suas empresas inflavam expectativas e resultados para engordar os bônus de fim de ano. A lição vale para todos os empresários. Basta ligar um desconfiômetro. Qual dos diretores seria capaz de sustentar projetos e iniciativas que garantem seu bônus em dezembro e quebram a empresa daqui a alguns anos, quando ele estará na praia? Das diretorias de Eike Batista pelo menos dez executivos saíram com mais de R$ 100 milhões no bolso. Alguns, com R$ 200 milhões. Nenhum micou.

EIKE EM HOLLYWOOD

Um produtor de cinema americano veio ao Brasil para oferecer a Eike o conglomerado da “Playboy” ameri-cana. Durante o jantar, o empresário ofereceu-lhe um negócio melhor: um filme sobre a sua vida. Punha duas condições, o Eike jovem deveria ser Leonardo Di Caprio. O maduro, George Clooney.

EIKE E O PODER

Recordar é viver. Em junho do ano passado, quando Eike Batista emprestou seu jatinho a um poderoso amigo para um feriadão na Bahia, respondeu às críticas dizendo o seguinte: “Tive satisfação em ter colocado meu avião à disposição do governador Sérgio Cabral. (…) Sou livre para selecionar minhas amizades, contribuir para campanhas políticas [e] trazer a Olimpíada para o Rio.” Tudo verdade, menos o piro da Olímpiada.

EIKE E FRICK

Faz tempo, um homem de negócios chamado Henry Frick habilitou-se para um empréstimo no banco Mellon. O dinheiro saiu, mas os arquivos do banco mostram que havia uma recomendação de cautela em relação a ele, porque comprava muitas obras de arte. Frick comprou três dos 34 Vermeers conhecidos. Mais três Rembrandts, dois Goyas e até um Cimabue, do século 13. Sua casa, projetada para ser museu, tem uma das melhores coleções do mundo. Até janeiro, quem quiser poderá ir lá para ver a “Menina com o Brinco de Pérola”, emprestado pela Holanda. O banco Mellon não arriscava, nem Frick.

EIKE E O ELEVADOR

Despencou mais um empresário que tem elevador privativo em sua empresa, ou bloqueia-o quando está chegando ao prédio. Juntou-se a um grupo onde estiveram Richard Fuld, que destruiu a Lehman Brothers, Angelo Calmon de Sá (Banco Econômico), Theodoro Quartim Barbosa (Comind) e Edemar Cid Ferreira (Banco Santos).

EREMILDO, O IDIOTA

Eremildo magoou-se ao saber que Eike Batista disse que seus negócios eram à prova de idiotas. Ele continua botando fé no doutor.

EIKE, EDUARDO PAES E A MARINA DA GLÓRIA

Em 2009 Eike Batista comprou a concessão da Marina da Glória, uma área tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Seu plano era transformá-la num anexo náutico do Hotel Glória, construindo um centro de convenções que jamais esteve no projeto original.

Esse patrimônio da Viúva estava nas mãos da Prefeitura do Rio de Janeiro. Até maio passado o prefeito Eduardo Paes explicitou em diversas ocasiões seu apoio ao projeto. Sua assessoria dizia que ele fora aprovado pelo Iphan, mas era patranha. Logo depois a Justiça suspendeu a concessão.

Eike pôs à venda o hotel e passou adiante a marina. No dia 29 de junho, Paes criou uma comissão para definir o futuro da área: “Queremos deixar as regras claras, criar parâmetros. Vai poder ter lojas e centro de convenções? Não vai poder?”

Caso de curiosidade tardia para quem assumiu a prefeitura em 2009.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/2013/11/1366067-eike-batista-o-bilionario-celebridade.shtml

Exame: Cidade de super empreendimento de Eike enfrenta dias ruins

A cidade de São João da Barra, escolhida para receber o Superporto de Açu, perdeu mais de mil postos de trabalho em 2013 após anos de números positivos
 
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Beatriz Souza, de 

Reprodução/LLX 

Superporto de Açú

 O anúncio da construção do Superporto de Açú estimulou a criação de quase 4 mil empregos entre 2006 e 2012 em São João da Barra (RJ); neste ano a história se inverteu

 

São Paulo – A cidade de São João da Barra, no Rio de Janeiro, foi a escolhida para receber o maior empreendimento de Eike Batista, o Superporto do Açu. O investimento na ordem de 3,8 bilhões de reais prometia trazer um boom de desenvolvimento para a cidade de apenas 33 mil habitantes. Hoje, no entanto, ela parece refletir a crise do grupo EBX

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), entre janeiro e setembro deste ano, São João da Barra perdeu 1.117 postos de trabalho formais.

É a primeira vez desde o anúncio do empreendimento que a cidade sofre com fechamento de vagas, que só vinham aumentando ano a ano. Entre 2006 e 2012, 3.900 empregos com carteira assinadas foram criadas.

A queda no número de empregos impactou diretamente o setor de serviços da cidade. Segundo reportagem do G1, no primeiro semestre de 2013, a prefeitura de São João da Barra perdeu R$ 36 milhões em arrecadação de impostos.

O secretário municipal de Fazenda, Ranulfo Vidigal, acredita que a situação é temporária. Ao mesmo portal, disse que o município perdeu mil empregos num universo em que 10 mil foram criados.

“Muitas pessoas voltaram para suas bases. O que o município perdeu foi a demanda de serviços destas pessoas. Na minha previsão, esta perda é temporária. Um contrato entre a OSX e a Mendes Júnior voltará a trazer empregos a partir de março”, disse o secretário ao G1.

Colapso de Eike

No começo do mês, a petroleira OGX comunicou ao mercado que não vai pagar a seus credores cerca de US$ 45 milhões das parcelas referentes a juros de dívidas emitidas pela empresa no exterior que venciam dia 1º de outubro. Nesta quarta-feira, a empresa acabou entrando com o pedido de recuperação judicial e agora precisa apresentar um plano de reestruturação para pagar tudo o que deve.

A turbulência nos negócios de Eike começou há mais de um ano, quando a OGX passou a apresentar resultados de produção muito abaixo das expectativas do mercado e das próprias projeções da empresa.

FONTE: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/cidade-de-super-empreendimento-de-eike-enfrenta-dias-ruins

De Império “X” ao Ex-Império

São João da Barra (RJ), 21/03/2013 - Lula e Eike Batista

Ainda levaremos algum tempo e tinta para  analisar e entender as repercussões do colapso do império da franquia das empresas “X”, que agora passa a ser um “EX” império. Mas uma coisa é certa: esse colapso representa a síntese de um colapso ainda maior que é o do modelo de capitalismo de face supostamente nacional e benigna que foi engendrada durante o governo de Luis Inácio Lula da Silva. Afinal de contas, não se pode entender a ascensão e queda meteórica de Eike Batista, sem se entender as relações que ele manteve com governantes do quilate de Lula, Dilma Rousseff e Sérgio Cabral.

Aliás, Sérgio Cabral é um dos maiores perdedores dessa situação trágica, pois usou todos os poderes que dispunha para empurrar goela abaixo da população fluminense (em especial da região norte do Rio de Janeiro) um modelo de ação em que o Estado, em vez de ser parceiro, se tornou cúmplice de uma série de desmandos que foram realizados contra centenas de famílias de agricultores e pescadores que viviam há várias gerações no V Distrito do município de São João da Barra.

Assim, de forma direta, o colapso de Eike e seu ex-império de empresas pré-operacionais é uma espécie de julgamento político da miragem di capitalismo sem conflito de classe que Lula criou. Ainda que seja agora, o ônus histórico será cobrado de Lula e do PT. É só uma questão de tempo.

Enquanto isso há que se exigir a imediata anulação dos decretos de desapropriação, o retorno das terras aos agricultores expropriados, e o estabelecimento de pesadas recompensas financeiras para compensar todas as perdas que estes acumularam desde 2009.