Obama vai para Cuba e rouba um dos últimos bordões da direita brasileira

Enquanto no Brasil a direita está envolvida numa tentativa de golpe parlamentar contra Dilma Rousseff, as cenas vindas de Havana, mostram o presidente estadunidense marchando célere pelas ruas molhadas da capital cubana. 

Mas o que Barack Obama não sabe é que com essa histórica visita, a primeira de um presidente à ilha em 88 anos, é que ele está roubando um dos maiores, e certamente últimos, da direita brasileira, o “Vai para Cuba!”.

É provável que depois da ida de Obama a Cuba, os líderes da  tentativa da derrubada de Dilma vão querer ir a Cuba, nem que seja para fazer um pit stop antes de se dirigirem para Orlando onde irão visitar o Pateta, símbolo apropriado para a visão de país que temos visto sendo apresentada nas  raivosas manifestações que a direita brasileira vem realizando desde que Dilma Rousseff tomou posse no ano passado. 

Abaixo algumas imagens da visita de Obama a Cuba.

O que o comício de Donald Trump interrompido por protestos tem a ver com o Brasil? Tudo!

Demonstrators cheer after Republican U.S. presidential candidate Donald Trump cancelled his rally at the University of Illinois at Chicago March 11, 2016. REUTERS/Kamil Krzaczynski

A cobertura da mídia brasileira anda focada apenas na caça seletiva à corrupção como um mecanismo de mudança no governo federal, retirando Dilma Rousseff do cargo para a qual foi eleita em 2014. De outro lado, há uma reação por parte da mídia alternativa que, na maior parte das vezes, apenas realça um aspecto correto que é o envolvimento em casos ainda maiores de corrupção. Entretanto, mostrar a parcialidade, e até mesmo casos de atentos à ordem tributária por parte de membros da mídia  corporativa não resolve o problema objetivo envolvimento do neoPT em casos de corrupção, como o caso da Petrobras. 

Mas o pior aspecto desse FlaxFlu é a ocultação de que há uma crise profunda que ameaça a estabilidade política inclusive na principal potência econômica e militar, os Estados Unidos da América.  Abaixo um vídeo mostrando conflitos que impediram a realização de um comício do bilionário Donald Trump que é até agora o favorito para vencer as primárias (notem que falei primárias!) de onde sairá o candidato do Partido Republicano para a sucessão de Barack Obama.

E há que se notar que essas cenas caóticas ocorreram no ginásio da Universidade de Illinois-Chicago, um local onde se esperaria um pouco mais de tolerância democrática. Entretanto, dada o radicalismo da mensagem de Donald Trump que se centra na perseguição a imigrantes ilegais (ou não para dizer a verdade) e a muçulmanos, esses conflitos já vinham ocorrendo em menor escala ao longo dos EUA.

Alguém poderia me perguntar sobre como essas cenas de Chicago se encontram com o que temos assistido nas manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, no que eu responderia: ora, é a economia! E em períodos de profunda crise econômica mundial, a tolerância é sempre a primeira vítima. Dai para rupturas da ordem democrática é só um pulo.

Além disso, para um lado e para outro no debate interno no Brasil, o que essas cenas nos mostram é que toda tentativa de restringir a análise ao nível das nossas fronteiras nos faz perder a real dimensão da crise em que o Capitalismo está envolvido neste momento,  e também nos impede de ver porque certos setores estão tão ansiosos para uma mudança de regime no Brasil: ajudar os “amigos” do Norte.

Ciência brasileira em crise: o buraco é definitivamente mais embaixo

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Alertado pelo jornalista Maurício Tuffani em sua página no Facebook, me deparei com dois artigos que discutem a raiz da crise que assola atualmente a comunidade brasileira (Aqui! e Aqui!). Apesar de achar as duas análises interessantes, creio que perdem o essencial da questão.

Mas vamos por partes. Como passei algum tempo vivenciando o sistema universitário estadunidense, creio que relacionar os problemas de gestão que temos nas universidades brasileira à crise quantitativa e qualitativa que temos no nosso sistema universitário à uma suposta falta de profissionalização dos dirigentes é equivocado. É que as universidades estadunidenses passam por problemas sérios nas suas relações internas por uma distância objetiva que existe entre gestores e geridos. Além disso, a superposição de uma lógica mercadológica sobre as questões acadêmicas tem servido para reprimir o pleno desenvolvimento de novas gerações de pesquisadores, além de criar um sistema ainda mais injusto nas relações de trabalho. 

Assim, se olharmos de perto e sem olhos colonizados, veremos que o sistema estadunidense enfrenta uma crise que nasce justamente da negação da autonomia para a produção de conhecimento científico que não esteja sendo produzido apenas para encher ainda mais a empada das corporações. Desta forma, apesar de ainda lideraram os diferentes rankings de universidades no mundo, a pressão pró-mercado tem sido apontado como um poderoso elemento de asfixia na capacidade de gerar conhecimento científico, e até mesmo de gerar bons quadros para a iniciativa privada. 

Ainda nesse tópico, há que se lembrar que muitos dos problemas vividos pelas universidades brasileiras ainda decorrem da herança maldita que foi deixada pela ditadura militar de 1964, que privou nosso jovem sistema universitário de lideranças capazes de apoiar o desenvolvimento de um modelo universitário que estivesse atento aos problemas reais da nossa sociedade.  E isso foi feito não apenas pelas aposentadorias forçadas e exílio de muitos intelectuais, mas também pela ascensão de uma classe de dirigentes totalmente servis ao regime de exceção. Desta forma, essas lideranças institucionais acabaram atrelando as nossas universidades às vontades políticas dos ocupantes de plantão dos diferentes palácios de governo, um fato que se mantém até hoje. Em suma, em minha opinião, o problema que enfrentamos nas universidades brasileiras não é de capacidade de gerir sob o ponto de vista administrativo, mas político.

O segundo aspecto abordado nas reflexões que o jornalista Maurício Tuffani divulgou é que a falta de conhecimento da população sobre a importância da ciência e das instituições que a produzem acabaria fragilizando a posição que as mesmas ocupam na sociedade e, por extensão, nas disputas que eventualmente ocorrem por orçamentos encolhidos. Creio que a primeira questão aqui é relacionada ao que eu disse no item anterior. É que se não produzimos uma ciência antenada com as necessidades mais estratégicas do país, e nos contentamos em produzir ciência de segunda mão, dificilmente teremos o devido reconhecimento de nossa importância para o desenvolvimento nacional. E olha que eu acho que as universidades, a Universidade Estadual do Norte Fluminense é um bom exemplo disso, ainda recebem muito crédito da população, muito mais pelo que poderiam ser, e não que efetivamente são.

Em suma, o nosso problema não é falta de divulgação, mas ausência de um entendimento de que ciência, especialmente aquela produzida num país de economia periférica como o Brasil, não pode ser algo que sirva apenas para o engrandecimento de currículos pessoais.  O buraco é muito mais embaixo, pois não apenas persistem problemas básicos e profundamente graves, mas porque abrir caminho para um efetivo processo de desenvolvimento deveria ser encarado como uma tarefa coletiva de todos os que militam profissionalmente em nosso ainda jovem sistema universitário. Mas não é o que se vê, aliás, muito pelo contrário, já que estamos vivendo um período de grande obscurantismo, onde um mínimo de aceno para reflexões críticas sobre a universidade são rotuladas com adjetivos perversos, seja pela esquerda ou pela direita.

Outro aspecto que deveria servir como elemento de discussão se refere à verdadeira bagunça que foi criada pela implantação de uma visão de quantidade sem qualidade, e que resultou numa euforia inebriante por muitos dirigentes de nossas agências de fomento e das próprias universidades. Em função disso, por quase uma década, vivemos uma espécie de “milagre brasileiro” onde se difundiu a idéia de que havíamos nos tornado uma potência científica mundial.

Agora que a cortina de fumaça está baixando e a dura realidade do “trash science” como “modus operandi” de turbinamento de CVs Lattes aparece nos horizonte, podemos ver que no quesito da produção científica estamos deparados com um verdadeiro tigre de papel, pois, em nome de uma súbita aceleração no número de mestres e doutores, acabamos criando um sistema sórdido de confecção em massa de dissertações e teses baseadas em pesquisas pouco rigorosas que, além de não resistir a uma análise minimamente rigorosa, ainda estão servindo para a erupção de um número incrível de fraudes acadêmicas.

Por último, é preciso ressaltar que a política de financiamento adotada pela maioria dos governos civis que sucederam ao regime de 1964 tem sido na direção das instituições privadas de ensino, onde efetivamente não há qualquer produção científica que merece essa nome. No caso do governo de Dilma Rousseff temos assistido, até de forma inaceitável, a aplicação de bilhões de reais em políticas que servem apenas para robustecer a produção de vagas de graduação, enquanto turbinam as contas bancárias dos donos das empresas de ensino.  Essa decisão do governo federal evidencia não apenas a opção preferencial pelas corporações privadas de ensino, mas também, e principalmente, o abandono das instituições públicas, onde se concentra a produção científica.

Essa opção preferencial pelo ensino privado é revelador de algo ainda mais crucial, o do abandono de um projeto nacional para a ciência. E frente a esse fato é que deveríamos estar nos posicionando, o que não está ocorrendo, pois a maioria das análises se concentra em elementos, me desculpem, periféricos e secundários. 

EUA: FDA determina fim do uso de gorduras “trans”em alimentos até 2018

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Num desdobramento que promete mudar significativamente a forma pela qual as pessoas se alimentam em escala mundial, a agência estadunidense “Food and Drug Administration” (FDA) deu um prazo de três anos para que os fabricantes de gorduras “trans” (óleos parcialmente hidrogenados) parem de produzir este tipo de produto (Aqui!) e (Aqui!). A decisão da FDA se liga ao fato de que as gorduras trans não podem ser mais consideradas como sendo seguras para o consumo humano! De forma objetiva, o que a FDA pretende é diminuir a incidência de doenças coronárias, o que contribuiria para a prevenção de milhares de casos de acidentes cardiovasculares anualmente.

O interessante é que ao menos nos EUA, os fabricantes foram obrigados a rotular os produtos contendo gorduras ‘trans” desde 2006! Agora, com a nova determinação da FDA, quaisquer usos de gorduras trans terá de ser previamente autorizado, até que o uso desse produto seja suspenso definitivamente.

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Enquanto isso no Brasil, desconheço qualquer medida semelhante em relação ao fim do uso de gorduras “trans”. E, pior, a bancada ruralista quer acabar com a rotulagem dos transgênicos! Pelo que se vê, o que é bom para os estadunidenses não é bom para o latifúndio agro-exportador do Brasil.

TiSA, o acordo global de comércio contra os BRICS

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Wikileaks revela: EUA, União Europeia e bancos querem tratado que impediria sociedades de tomar decisões contrárias às grandes empresas. Colômbia e México estão envolvidos

Por Carlos Henrique Bayo*, no Publico

O Wikileaks vazou o conteúdo das negociações clandestinas de meia centena de governos que buscam estabelecer um acordo mundial secreto de comércio internacional de serviços, que passará por cima de todas as regulações e normativas estatais e parlamentares, em benefício de grandes empresas.

O sigiloso tratado de Tratado Transatlântico de Comércio e Investimentos (TTIP), entre os Estados Unidos e a União Europeia parecia imbatível, uma espécie de Cavalo de Troia das multinacionais, mas a verdade é que serve apenas de cortina de fumaça para ocultar a verdadeira aliança neoliberal planetária: o Acordo de Comércio em Servios — Trade in Services Agreement (TiSA) –,  compromisso ainda mais antidemocrático de intercâmbio de serviços entre cinquenta países, que não só está sendo negociado sob o mais absoluto segredo mas, além disso,  deverá continuar escondido da opinião pública durante mais cinco anos, quando já tiver entrado em vigor e condicionará 68,2% do comércio mundial de serviços

O nível de confidencialidade com que se escrevem os artigos e anexos do TiSA – que cobrem todos os campos, desde telecomunicações e comércio eletrônico até serviços financeiros, seguros e transportes – é muito superior, também ao do Acordo de Parceria Transpacífica (Trans-Pacific Partnership Agreement, TPP) entre Washington e seus sócios asiáticos, que prevê quatro anos de vigência na clandestinidade. Entretanto, a reportagem de Público.es teve acesso – graças a sua colaboração com Wikileaks – aos documentos originais reservados da negociação em curso. Eles deixam claro que se está construindo um complexo emaranhado de normas e regras desenhadas para driblar as regulações estatais e burlar os controles parlamentários sobre o mercado global

Os sócios jornalísticos do Wikileaks, que participam junto com Público.es nesta exclusiva mundial, são: The Age (Austrália), Süddeutsche Zeitung (Alemanha), Kathimerini (Grécia), Kjarninn (Islândia), L’Espresso (Itália), La Jornada (México), Punto24 (Turquia), OWINFS (Estados Unidos) e Brecha (Uruguai)

Além disso, o TiSA é impulsado pelos mesmos governos (EUA e os da UE) que impuseram o fracassado modelo financeiro desregulado da Organização Mundial de Comércio (OMC), e que provocaram a crise financeira global de 2007-2008 (o crash do cassino especulativo mundial simbolizado pela quebra do banco Lehman Brothers), que arrastrou as economias ocidentais e pela qual ainda estamos pagando após quase uma década inteira de austeridade empobrecedora, cortes de gastos sociais e resgates bancários. E o que este pacto neoliberal mundial tenta impor precisamente é a continuidade e intensificação desse sistema, em benefício das grandes companhias privadas transnacionais e atando as mãos dos governos e instituições públicas

Por enquanto, os governos implicados na negociação secreta do TiSA são: Austrália, Canadá, Chile, Colômbia, Coreia do Sul, Costa Rica, Estados Unidos, Hong Kong, Islândia, Israel, Japão, Liechtenstein, México, Nova Zelândia, Noruega, Paquistão, Panamá, Paraguai, Peru, Suíça, Taiwan, Turquia e a Comissão Europeia, representando os 28 países-membros da UE, apesar de ser um organismo não eleito por sufrágio universal. Entre esses sócios há três paraísos fiscais declarados, que participam ativamente da elaboração dos artigos, especialmente a Suíça.Esses objetivos são evidentes na intenção de manter o tratado secreto durante anos, visto que, assim, impede-se que os governos que o executam tenham que prestar contas a seus parlamentos e cidadãos. Também é clara a intenção fraudulenta dessa negociação clandestina por sua descarada violação da Convenção de Viena sobre a Lei de Tratados, que requer trabalhos preparatórios e debates prévios entre especialista e acadêmicos, agências não governamentais, partidos políticos e outros atores… uma série de obrigações impossíveis de serem cumpridas quando a elaboração de um acordo se efetua sob segredo total e escondido da opinião pública

Os textos da negociação secreta do TiSA, agora revelados pelo Wikileaks, mostram que a ideia é eliminar todos os controles e obstáculos para a liberalização global dos serviços financeiros, suprimindo todos os limites a suas instituições e qualquer restrição aos seus produtos “inovadores”, apesar de que foram precisamente esses inventos financeiros, como os CDS (credit default swaps) – autênticas apostas sobre possíveis quebras –, os que geraram a bolha especulativa mundial que quando estourou, em 2007-2008, destruiu os fundamentos econômicos das potências ocidentais e obrigou os governos a resgatar essas entidades, usando centenas de bilhões em recursos públicos

Há um ano atrás, Wikileaks já havia vazado uma pequena parte da negociação do TiSA (o anexo em referência a Serviços Financeiros, com data de 19 de junho de 2014), mas até hoje nenhum meio teve acesso às atas das reuniões onde ocorreram as negociações secretas, menos ainda sobre o conteúdo dos encontros, incluindo todos os aspectos que o futuro acordo cobrirá: finanças (cujo acordo se deu no dia 23 de fevereiro de 2015), telecomunicações, comércio eletrônico, transporte éreo e marítimo, distribuição e encomendas, serviços profissionais, transparência, movimentos de pessoas físicas, regulações nacionais internas, serviços postais universais

O site Público.es teve acesso também às notas internas sobre as negociações com Israel e Turquia, para que os países aderissem ao tratado secreto, algo que, por outro lado, foi negado a China e Uruguai quando ambos o solicitaram, provavelmente temendo que vazariam os conteúdos do pacto quando compreendessem o alcance do que se pretende

A lista de nações latino-americanas que participam do TiSA é reveladora. Todas elas fiéis aliadas dos Estados Unidos, como Colômbia, México e Panamá (paraíso fiscal bastante ativo na negociação), assim como a exclusão não só dos países bolivarianos mas também do Brasil e outras potências regionais que Washington não confia. Na realidade, todas as potências emergentes do chamado BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) ficaram de fora do tratado secreto, precisamente porque serão as que mais perderiam ao se aplicar as condições pactadas

Não há porque duvidar da intenção de impedir o debate sobre a crise financeira iniciada em 2008 e ainda não encerrada, as razões que a provocaram e as soluções para que não volte a acontecer, que muitos países solicitaram desde o estouro da bolha, principalmente o Equador. Estados Unidos, Canadá, Austrália, Suíça e a União Europeia opuseram-se frontalmente até mesmo às conclusões da Comissão Stiglitz da ONU, em 2009, negando-se a aceitar a evidente relação entre a desregulação bancária/especulativa e a crise. Em 2013, bloquearam todas as tentativas de discutir essas mesmas conclusões na OMC.

A parte mais risível do conteúdo do TiSA, que foi publicado agora, é exigência de submissão total das autoridades nacionais ao mundo corporativo. Todas as regulações e normas que possam limitar a atividade empresarial deverão ser anunciadas de antemão, o que assegurará às grandes empresas e aos lobbies comerciais internacionais tempo e recursos para contra-atacar, modificar ou inclusive impedir essas decisões soberanas em função dos seus interesses.

Em contrapartida, o TiSA – negociado à margem do Acordo Geral de Comércio de Serviços (GATS) e da Organização Mundial do Coméricio (OMC) – aceita todas as exigências de Wall Street e da City londrina, assim como os interesses das grandes corporações multinacionais. Para elas, além de não ser secreto, o acordo é quase íntimo, sua própria criação. Como há meses alertou Jane Kelsey, catedrática de direito da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia: “o maior perigo é que o TiSA impeça os governos de fortalecer as regras do setor financeiro”

Desenhado em cumplicidade com o setor financeiro mundial, o TiSA obrigará os governos que o assinem a promover e ampliar a desregulação e liberalização especulativa, fatores que causaram a crise de 2007-2008. O tratado tirará dos países-membros o direito de manter e controlar os dados financeiros dentro de seus territórios, vai forçá-los derivados financeiros tóxicos e os deixará de mãos e pés amarrados caso pensem em adotar medidas para impedir ou responder a outra recessão induzida pelo neoliberalismo. E tudo isso será imposto através de acordos secretos, sem que a opinião pública possa conhecer os verdadeiros motivos que empurrarão sua sociedade em direção à ruína.

A menos que os órgãos da soberania popular impeçam esse golpe de Estado econômico mundial.
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*Carlos Henrique Bayo, diretor de Público.es, foi redator-chefe da editoria Internacional da versão impressa deste diário. Foi correspondente em Moscou (1987-1992) e em Washington (1992-1996), alé de subdiretor de La Voz de Asturias, diretor de publicações do Grupo Joly, subdiretor e criador do Diário de Sevilla, redator-chefe do Diário 16 e El Periódico de Catalunya, e diretor adjunto da Rádio ADN.

FONTE: http://outraspalavras.net/destaques/tisa-o-acordo-global-de-comercio-contra-os-brics/

Washington Post faz raio-X salarial e mostra quem é que recebe salário mínimo nos EUA

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Por Lydia DePillis

Se o governo federal elevar o salário mínimo, isto não iria ajudar a todos os trabalhadores, pelo menos de imediato. Embora a elevação do piso reverbere ao longo da escala salarial, a grande maioria dos trabalhadores já faz mais de US $ 7,25 por hora, ou porque vivem em estados que criaram a sua própria linha de base mais elevada, ou porque o seu empregador não quer ser conhecido estando tentando se apegar ao fundo do poço.

Mas nos EUA ainda existem quase 3 milhões de pessoas que receberam apenas o salário mínimo ou menos do que isso em 2014. E, graças ao Bureau of Labor Statistics (BLS), sabemos que a maioria deles é: desproporcionalmente jovem, do sexo feminino, trabalhando em regime de tempo parcial, em cadeias de restaurantes fast food nos estados do sul, e que não possuem sequer  o diploma do ensino médio.

Aqui estão algumas estatísticas liberados pelo BLS:

  •  Trabalhadores horistas com menos de 25 anos constituem um 20% do total, mas representam 50% dos que recebem apenas um salário mínimo ou menos.
  • 5% das mulheres que são horistas recebem o salário mínimo ou menos, em comparação com 3% dos homens.
  • 7% dos que não têm um diploma do ensino médio recebem apenas o salário mínimo ou menos, em comparação com os 2% dos recém-formados.
  • 10% dos trabalhadores em regime de tempo parcial recebem apenas o salário mínimo ou menos, em comparação com 2% dos funcionários em tempo integral.
  • 18% dos trabalhadores do lazer e hotelaria recebem apenas o salário mínimo ou menos, a maior percentagem de qualquer setor da indústria – predominantemente em serviços de alimentação.
  • Arkansas, Indiana, Louisiana, Mississippi e Tennessee são os estados com os maiores percentuais de trabalhadores recebendo apenas o salário mínimo entre aqueles trabalhadores pagos por hora.
  • O Sul tem 35,5 % dos trabalhadores horistas dos EUA, mas 47,4 %  daqueles que recebem valores iguais ou inferiores ao salário mínimo. O Oeste tem 23,5%  dos trabalhadores por hora, mas apenas 11,1% do que recebem o salário mínimo ou abaixo dele.

Curiosamente, embora a desigualdade de renda tenha aumentado ao longo de linhas raciais, ela realmente não aparecer na parte inferior da escada de renda: 4% dos trabalhadores horistas brancos e negros recebem o salário mínimo ou menos, em comparação com 3% dos hispânicos e asiáticos.

FONTE: http://www.washingtonpost.com/blogs/wonkblog/wp/2015/04/24/who-actually-makes-the-minimum-wage-in-america-today/?tid=sm_tw

Perto do fim da escravidão, 60% dos negros trazidos ao país eram crianças

Caetano Manenti, do UOL, no Rio

 

Reprodução/Johann Rugendas

Ilustração de 1835 mostra o porão de um navio negreiro. Estima-se que mais de 660 mil africanos escravizados morreram no caminho entre a África e o Brasil

Ilustração de 1835 mostra o porão de um navio negreiro. Estima-se que mais de 660 mil africanos escravizados morreram no caminho entre a África e o Brasil

Brasil e Portugal estão no topo de um ranking que não traz nenhum motivo de orgulho: os dois países são os maiores protagonistas do site Slave Voyages (em inglês, viagens escravas), onde estão catalogadas 29 mil travessias transatlânticas, que carregaram 9 milhões de escravos. No total, barcos com bandeira de Portugal/ Brasil chegaram a transportar 5,8 milhões de escravos. Em segundo lugar no número de escravos comercializados para a América, está o Reino Unido, com 3,3 milhões de escravos, especialmente com destino à Jamaica.

A Comissão da Verdade da Escravidão Negra da OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil) abre os trabalhos nesta segunda-feira (13) e já pediu ao Consulado dos EUA auxílio para trazer ao Brasil nos próximos meses os pesquisadores responsáveis pelo site.

Os números mostram que houve um forte aumento na quantidade de escravos jovens negociados nos últimos anos da escravidão no Brasil, justamente quando as leis abolicionistas se recrudesceram. Nos 200 anos anteriores a 1841, por exemplo, a proporção de crianças nos navios negreiros foi de 7,6%. Só nos últimos 15 anos deste período, o índice saltou para 59,5%. 

“No período ilegal do tráfico (a partir de 1831), era mais fácil para o traficante deslocar uma grande quantidade de escravos de uma região para outra se fossem crianças, já que havia entre elas menor resistência à escravidão”, explica o historiador Daniel da Silva, integrante do grupo –ligado à Universidade de Emory, em Atlanta (EUA)– que conduz o estudo desde a década de 1960.

O banco de dados possibilita novos registros de pesquisadores parceiros. A plataforma está dividida em duas: uma parte expõe os números dos documentos já obtidos; a outra faz projeções por meio de cálculos demográficos. 

A estimativa atual aponta que 45% dos escravos em direção à América vinham ao Brasil. Isso significa 5,5 milhões de negros trazidos à força para o país. Segundo os cálculos, 12% deles não desembarcaram aqui –estima-se que mais de 660 mil morreram antes do fim da viagem.

As principais rotas negreiras também são detalhadas no site. Os escravos comprados no Benin tinham o porto de Salvador como destino mais comum. Da Senegâmbia, saíam os escravos que trabalhariam no ciclo do algodão, no Maranhão. Era alto o índice de rebelião destes africanos –muitos deles, muçulmanos.

Somente no século 19 o porto do Rio de Janeiro torna-se o líder absoluto do continente em escravos desembarcados. A maioria expressiva veio de Luanda. O ano de 1829 foi o de comércio mais intenso no Brasil, com estimativa de 79 mil novos escravos. A remo e a vela, o bergatim tornou-se o tipo de embarcação que mais trouxe africanos ao país. O estudo ainda mostra o sadismo nos nomes de muitos desses barcos, como Caridade, Feliz Destino, Feliz Sociedade e Esperança.

Alguns documentos ajudam os brasileiros a supor como poderiam ser seus próprios nomes não fosse o batismo obrigatório por aqui. Em 1826, Bozo, Tozu, Boya e Dee saíram do Benin em direção a Salvador. Em 1832, Muamba, Malungo, Goma e Bungu deixaram Luanda rumo ao Rio. “O batismo cristão e a escravidão andam sempre juntos nesta história. Tinha que se batizar o escravo”, conta a historiadora Ivana Stolze, da Fundação Casa de Rui Barbosa. 

A fundação, em parceria com a PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica), está traduzindo o estudo para o português e deve colocá-lo no ar em outubro, quando lançar um site próprio sobre Memória da Escravidão e Abolição. “Além do público, a Casa também tem a missão de oferecer material para os professores e, assim, formar pesquisadores”, afirma Lúcia Maria Velloso, chefe do arquivo.

FONTE: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/04/13/perto-do-fim-da-escravidao-60-dos-negros-trazidos-ao-pais-eram-criancas.htm

EUA vivem greve histórica no setor do petróleo, mas mídia brasileira decide não informar. Por que será?

Greve em refinarias de petróleo dos EUA inclui a maior unidade do país

HOUSTON (Reuters) – O movimento grevista nas refinarias norte-americanas ganhou neste sábado a adesão de trabalhadores da maior instalação de processamento de petróleo do país, de acordo com o sindicato.

Logo após o fim das negociações entre o sindicato e representantes da indústria de petróleo na sexta-feira à noite, o sindicato notificou a Motiva Enterprises sobre a paralisação da unidade com capacidade de refino de 600.250 barris por dia, situada em Port Arthur, no Texas.

O sindicato também disse na sexta-feira que as greves vão começar em 24 horas em outras duas refinarias da Motiva, uma joint venture entre a Royal Dutch Shell e a Saudi Aramco.

“A recusa da indústria de abordar seriamente as questões de segurança por meio de uma negociação justa não nos deixou outra escolha senão ampliar a greve”, disse o presidente da USW Internacional, Leo Gerard, disse em um comunicado.

Se a empresa e o sindicato não chegarem a um acordo no domingo de manhã, um total de 6.650 trabalhadores em 15 unidades, incluindo 12 refinarias que representam 18,5 por cento da capacidade de produção dos EUA, vão deixar os seus postos de trabalho na maior paralisação do setor desde 1980.

(Por Erwin Seba)

FONTE: http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRKBN0LP0ML20150221

Os cartunistas do Charlie Hebdo estão levando a culpa por seu próprio massacre

Por Kiko Nogueira

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Luciana Genro acerta quando afirma que “o fascismo islâmico só retroalimenta a xenofobia e o fascismo europeu – no fundo são duas faces da mesma moeda”. Os que cometem crimes bárbaros em nome da religião, diz ela, “o fazem pisoteando a crença de milhões de pessoas de diferentes credos”.

Mais: os corpos dos cartunistas do Charlie Hebdo ainda estão quentes e eles já estão levando a culpa pela própria morte.

O líder católico conservador americano Bill Donohue divulgou um comunicado condenando a violência — MAS (sempre tem um “mas”)  “nós não devemos tolerar o tipo de atitude que provocou essa reação violenta”.

De alguma forma, os desenhistas fizeram por merecer. Um sujeito deixou o seguinte comentário num portal. “Esse jornaleco comunista desrespeitava explicitamente as religiões, perseguia-as, afrontando-as com charges de extremo mau gosto. Uma coisa é liberdade de expressão, outra bem diferente é querer ‘causar’ para vender mais jornais, e a serviço de uma ideologia que até hoje só trouxe MERDA, e da grossa, à humanidade. Ah, vá! Esses jornalistas mereceram cada bala que receberam.”

Há quem ache que os profissionais do Charlie pagaram pela política externa da França, seu alinhamento com os EUA, as bombas no Iraque e os maus tratos à comunidade árabe no país. Eles são desumanizados para servir de argumento ao gosto do cliente.

Charlie é — sim, porque ele continuará sendo impresso — um semanário de esquerda. Sempre foi antirreligioso. Bate em católicos, no islã, no judaísmo. Em políticos e na polícia. De acordo com o falecido editor Stephane Charbonnier, o Charb, reflete “todos os componentes do pluralismo esquerdista, até de abstêmios”.

De acordo com o jornalista inglês baseado na França Hugh Schofield, são parte de uma tradição do país que remete aos pasquins que ridicularizavam Maria Antonieta. A ideia é ser ultrajante e de mau gosto.

A publicação foi fundada em 1960, como Hara-Kiri. Foi banido algumas vezes. Em 1970, o presidente francês Charles de Gaulle, velho inimigo, morreu em sua propriedade em Colombey-les-Deux-Églises. Em homenagem a ele, e também a Charlie Brown, o jornal foi rebatizado Charlie. Mau gosto? Provavelmente. No caso do jornal, já era exatamente o que se esperava.

Em Paris, três homens agindo em nome de Alá entraram na redação e fuzilaram a equipe, além de um policial na fuga. Aos olhos dos assassinos, o CH ridicularizava ícones do islamismo e tinham de ser fuzilados.

Os matadores obviamente não representam todos os muçulmanos. Mas deram uma enorme força para a islamofobia crescente na Europa. O New York Times publicou o relato de uma sobrevivente chamada Corinne Rey do atentado. Alguns trechos:

Era por volta das 11h30 e cerca de uma dúzia de jornalistas, incluindo os principais cartunistas do jornal, se juntou a ele [Charb] para a reunião semanal regular para discutir os artigos que apareceriam na próxima edição. O dia deles já tinha sido produtivo: menos de duas horas antes, os editores publicaram um tweet de sua mais recente charge provocadora, um desenho de Abu Bakr al-Baghdadi, o líder do Estado Islâmico, desejando ao seu público um Feliz Ano-Novo e, “acima de tudo, boa saúde!”.

Sem que soubessem, uma cena de terror estava transcorrendo à sua porta –uma que chamaria a atenção do mundo e provocaria novos temores por toda a Europa a respeito de um crescente choque de civilizações, entre os radicais islâmicos e o Ocidente.

Corinne Rey, uma cartunista conhecida como Coco, tinha acabado de pegar sua filha pequena na escola e estava digitando um código de segurança para entrar no prédio quando dois homens em trajes pretos, armados com metralhadoras automáticas AK-47, a agarraram e a forçaram brutalmente a abrir a porta.

Empurrada para dentro, Coco disse que se refugiou sob uma mesa enquanto os homens entravam no saguão e seguiam para o balcão da recepção, onde um segurança que trabalhava ali há 15 anos, Frédéric Boisseau, estava sentado.

 

charlie judeus

 

Segundo uma testemunha citada na imprensa francesa, os assassinos abriram fogo, matando Boisseau e disparando tantas vezes no saguão que algumas pessoas acharam que se tratava da queda de um andaime.

Momentos depois, segundo testemunhas, os homens subiram correndo as escadas, com suas metralhadoras prontas, e seguiram para a sala de reunião.

“Onde está Charb? Onde está Charb?”, eles gritavam, usando o apelido amplamente conhecido de Charbonnier. Ao avistarem seu alvo, um homem magro de óculos, os homens miraram e atiraram.

Então, disseram as testemunhas, eles mataram os principais cartunistas do jornal que estavam sentados, paralisados. Depois massacraram quase todas as demais pessoas na sala em uma rajada de fogo.

“Durou cerca de cinco minutos”, disse Coco, abalada e com medo. “Eles falavam francês perfeitamente e alegavam ser da Al-Qaeda.”

Sigolène Vinson, uma free-lancer que decidiu vir naquela manhã para participar da reunião de pauta, achou que seria morta quando um dos homens a abordou.

Em vez disso, ela contou à imprensa francesa, o homem disse: “Eu não vou matar você, porque você é uma mulher, nós não matamos mulheres, mas você deve se converter ao Islã, ler o Alcorão e se cobrir”, ela lembrou.

“Depois”, ela acrescentou, ele partiu gritando, “Allahu akbar, Allahu akbar!” [Alá é grande, Alá é grande].

O tipo de sátira praticada pelo Charlie era propositadamente de mau gosto, obscena, iconoclasta. Só poderia ser publicada ali. A tragédia acabou transformando os criadores em algo que criticavam: mártires.

Depois que o prédio do Charlie Hebdo foi alvo de uma bomba em 2011, Charb disse que a culpa não era dos muçulmanos franceses, mas de “extremistas idiotas”. A frase continua atual. Ele deveria abandonar seu ofício por causa de fanáticos? Mudar de ideia?

Ninguém deveria ter o direito de se apropriar da tragédia com aqueles artistas para difundir seus próprios dogmas.

charliehebdo8

FONTE:  http://www.diariodocentrodomundo.com.br/luciana-genro-acerta-quando-diz-que-o-fascismo-islamico-alimenta-o-fascismo-europeu/