Servidores municipais e o governo Wladimir: uma lua de mel fugaz

5 maneiras de superar o término do namoro - VIX

Esta postagem pode parecer uma continuidade da minha última sobre os servidores municipais sendo tratados como “Geni” no governo Garotinho, e realmente é. Mas tendo acabado de ouvir uma gravação que circula em grupos de Whatsapp, centrada na forma pela qual o vice-prefeito Frederico Paes é retratado pela sua forma de trato com os servidores, penso que a lua de mel entre o governo de Wladimir Garotinho e boa parte dos servidores foi tão fugaz quanto o casamento do cantor Fábio Junior com a atriz Patrícia de Sabrit.

Pesam para que a lua de mel esteja tendo um fim fugaz a impressão que já grassa entre um número considerável de servidores de que o vice-prefeito acha que está no comando de uma das usinas da Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro Ltda (Coagro), e que os servidores estatutários da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes são cortadores de cana. Como há muito servidor municipal que teve gerações inteiras de suas famílias que padeceram com a catana da mão nos canaviais de onde os barões do açúcar retiraram suas fortunas enquanto deixavam para trás dívidas trabalhistas colossais, essa associação não é nada positiva não apenas para Frederico Paes, mas, e principalmente, para Wladimir Garotinho.

As próximas semanas, ainda que com um Carnaval pelo caminho, deverão ditar se a lua de mel fugaz não será transformada em um divórcio conturbado. Mas pelo que eu ouvi na gravação que me foi enviada, a coisa pode azedar bastante e bastante rapidamente.

Para evitar isso, duas coisas terão de acontecer: a primeira é que seja cessada a avidez que aparentemente está tomando conta do governo municipal de retirar direitos dos servidores que, afinal, carregam o piano nas costas. A outra seria, como já indicou Chico Buarque em relação a ministros, constituir um “secretário do Vai dar Merda”. Talvez assim, e somente talvez, o divórcio conturbado não se materializará. A ver!

O caso Frederico Paes expõe nova barriga da mídia corporativa campista

1_waldiriirir-20491755Parecer de vice-procurador-geral eleitoral reconhece jurisprudência favorável a Frederico Paes, que é o candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Wladimir Garotinho, mas decide manter indeferimento de candidatura. 

A mídia corporativa campista vem divulgando com pompa e circunstância o parecer exarado pelo vice-procurador-geral eleitoral, Renato Brill de Goés, reafirmando o indeferimento da candidatura do sr. Frederico Paes (MDB) a vice-prefeito na chapa de Wladimir Garotinho (PSD).

Uma coisa que estranhei nas notícias que circularam o parecer de Renato Brill de Goés foi a ausência da íntegra da Manifestação no 4.331/20-GABVPGE na qual o vice-procurador-geral eleitoral expõe as suas razões para manter o indeferimento da candidatura de Frederico Paes. 

Como quem tem amigo não morre pagão, recebi o arquivo contendo a íntegra da Manifestação no 4.331/20-GABVPGE,  e fiquei surpreso com a capacidade de síntese de Brill de Goés que conseguiu expor seus motivos em míseras 9 páginas. Quem já leu outras peças oriundas da justiça eleitoral sabe que esse foi um parecer para lá de, digamos, parcimonioso. 

Mas mais surpreso ainda fiquei ao ler a posição claramente dúbia de Brill de Goés quanto à suposta ilegalidade do registro da candidatura de Frederico Paes por suposto descumprimento da legislação eleitoral no tocante à desincompatibilização de cargos (ver imagem abaixo).

parecer PGE caso Frederico Paes

Trocando em miúdos, Prill de Goés reconhece que o Tribunal Superior Eleitoral possui decisão reconhecendo que pessoas que estejam na mesma condição de Frederico Paes não estão sujeitas à desincompatibilização prevista no art 1o., parágrafo II, a,9 da Lei Complementar 64 de 1990 que determina os casos de inelegibilidade e os prazos de cessação.

Mas como então Prill de Goés conseguiu chegar a uma decisão contrária à da jurisprudência vigente? Muito simples, ele apelou para a decisões que aparentemente já estão superadas, mas que, notem a bola curva, já vigiram em décadas passadas (que, convenientemente, foram omitidas por Prill de Goés na Manifestação no 4.331/20-GABVPGE).  Isso se assemelha a dizer algo como “não gosto da atual da atual jurisprudência, pois no caso em tela ela não me serve”. 

Como não sou advogado e nem pertenço ao grupo que produz a campanha da chapa Wladimir Garotinho e Frederico Paes, nem vou me alongar sobre esta óbvia incongruência no parecer do vice-procurador-geral eleitoral. O que eu quero mesmo é notar mais uma vez como chamada a produzir informação jornalística, a mídia corporativa campista optou por produzir uma nova barriga jornalística que mais parece uma peça de propaganda em prol da candidatura oponente. 

E aí é que eu pergunto, repetindo Olívio Henrique da Silva Fortes, o célebre Lilico, é bonito isso?