A cobertura fragmentada da greve geral indica sucesso da mobilização contra a reforma da previdência

Estou desde cedo acompanhando a cobertura altamente fragmentada do dia de greve geral em diferentes partes do Brasil, e não há como deixar de notar que os principais veículos da mídia corporativa brasileira estão fazendo um esforço hercúleo para não deixar que a população saiba o que realmente está se passando.

Esse esforço é parte de uma aritmética mais ampla, pois os grandes grupos de mídia são parceiros do governo Bolsonaro na imposição de uma contrarreforma que causará graves danos aos trabalhadores e a própria economia brasileira.  

Por isso, a cobertura fragmentada e concentrada em vias de circulação onde há “certa normalidade” como falam os jornalistas que cobrem as manifestações. Também o recurso de visitar pontos de acesso a transportes públicos onde pessoas “sofrem” as consequências do movimento.  

Essa não é a primeira vez que a mídia corporativa brasileira se comporta mais como desinformadora do que informadora, nem deverá ser a última. É que os donos desses veículos são parceiros da desnacionalização da nossa economia, e da voracidade rentista que abocanha a riqueza nacional.

Para nos informarmos melhor, o caminho será aguardar a cobertura da mídia internacional, especialmente daqueles veículos que possuem “sucursais” no Brasil, como o espanhol “El País“, a alemã “Deutsche Welle“, a inglesa “BBC” e a francesa “Rede França Internacional“.

Uma coisa que é possível ver, para além das névoas da desinformação que a mídia brasileira impõe a partir do acompanhamento das redes sociais, é a força do movimento em determinados estados e a relativa fragilidade em outros.  Esta diferença se deve principalmente ao nível de engajamento heterogêneo das centrais sindicais nos estados onde são hegemônicas esta ou aquela força política.  Identificar onde o movimento foi sabotado pela omissão de determinadas centrais sindicais será fundamental para os inevitáveis próximos capítulos que ainda ocorrerão ao longo de 2019.

A força da juventude brasileira foi mostrada nas ruas neste 30 de Maio. Dia 14 de Junho será a vez dos trabalhadores

Fui perguntado por diversas vezes como eu achava que seria esse 30 de Maio no tocante à força dos atos que estavam marcados para diferentes partes do Brasil para protestar contra os cortes draconianos feitos pelo governo Bolsonaro no orçamento da educação pública, e que aplicou doses extras de perversidade contra universidades e institutos federais. 

A minha sincera resposta a quem me perguntou era de que não tinha certeza, mas suspeitava que as manifestações de hoje superariam os que foram realizados no último dia 26 pelos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, mas que não tinha certeza se seriam tão grandes quanto aqueles que ocorreram no dia 15 de Maio.  M

Após um longo dia, a avaliação que estou vendo é que os atos de hoje não só superaram aqueles feitos pelos apoiadores de Bolsonaro, mas que podem ter superado os protestos do dia 15. as mesmo que as manifestações deste 30 de maio tenham sido menores, algo que deveria preocupar o governo Bolsonaro é a alta capilarização dos protestos que atingiram desde cidades grandes até as bem pequenas. Com um tipo de capilarização política como essa, os problemas do governo Bolsonaro que já não são desprezíveis, tenderão a aumentar.

A repercussão e a força dos atos mostra que as redes sociais que já ajudaram bastante o presidente Jair Bolsonaro, agora estão servindo para organizar a volta da juventude brasileira às ruas, dando força política às suas organizações de classe. E desta vez nada indica que estamos tendo uma repetição da ojeriza às bandeiras dos partidos de esquerda como aconteceu em 2013.

Abaixo imagens de diversas partes do Brasil mostrando a pujança e a diversidade de cores que explicitam bem a diferença com o viés cromático das manifestações pró-Bolsonaro.

Para piorar a situação do governo Bolsonaro houve hoje a alusão direta da juventude brasileira participar de forma ativa da greve geral que deverá ocorrer no dia 14 de Junho. É que se a greve geral gerar o mesmo tipo de energia que as manifestações de hoje geraram, a fragilidade política do governo Bolsonaro que já é alta deverá subir alguns degraus a mais.

Brasil, no caminho do Tsunami de Jair Bolsonaro

tsunami bolsonaro

Quando o presidente Jair Bolsonaro anunciou de forma críptica que o Brasil (ou seria seu governo?) enfrentaria um tsunami, muitos analistas começaram a especular sobre o que ele estava falando. A notícia veiculada ontem pela mídia corporativa de que a justiça finalmente decidiu quebrar o sigilo bancário do filho primogênito e senador pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro, e de outras 89 pessoas (incluindo o dublê de motorista e gerente de pessoal, Fabrício Queiróz) levou a que muitos vejam nesse desdobramento a chegada do Tsunami previsto pelo presidente Bolsonaro.

Eu particularmente penso que o tsunami de Bolsonaro possui muitas outras facetas com potencial ainda maior de deixar o seu governo em uma condição política muito semelhante a que afogou o da ex-presidente Dilma Rousseff.  A razão para isso, obviamente, é a combinação de uma situação econômica precária com medidas que apenas aprofundam o estado comatoso em que se encontra o Brasil. 

Além disso, graças a um ministério selecionado a dedo para não conseguir fazer nada certo, as áreas de aresta dentro e fora do Brasil não param de aumentar. Desde as justificativas algebricamente erradas de Abraham Weintraub para os cortes feitos nos orçamentos de universidades e institutos federais, passando pela “denúncia” feita por Damares Alves de que a princesa Elsa do filme infantil “Frozen” seria gay, e chegando no cancelamento de mais uma reunião sobre as mudanças climáticas que ocorreria em Salvador pelo agroboy Ricardo Salles que temia manifestações contrárias à sua gestão à frente do Ministério do Meio Ambiente, o governo Bolsonaro só acumula desgastes e pouco avança (felizmente) em áreas em que prometeu mundos e fundos para seus apoiadores corporativos.

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Percepção externa de que Ricardo Salles e Jair Bolsonaro estão desmanchando governança ambiental é cada vez mais negativa.

Como para toda ação há uma reação, o governo Bolsonaro passará amanhã pelo seu primeiro teste real nas ruas com a anunciada greve nacional da educação.  Esse movimento, muito provavelmente, iria ser mais daqueles com pouco adesão que ocorreram no Brasil nos últimos anos.  Entretanto, graças aos cortes draconianos que foram operados no orçamento do Ministério da Educação, agora abundam sinais de que teremos manifestações importantes em diferentes partes do território nacional.  Este será uma espécie de ensaio geral para a greve geral que as centrais sindicais convocaram para o dia 14 de junho. 

Mas o Tsunami também tem importantes componentes externos, a começar pela guerra comercial EUA-China que já jogou partes das bolsas mundiais, incluindo as de mercadorias e futuros numa espiral de grave incertezas e derrubando preços de commodities estratégicas como a soja. Entretanto, a principal consequência do que foi iniciado pelo governo dos EUA é a fuga de capitais especulativos, o que já começou a causar uma aceleração no preço da moeda estadunidense e queda nas bolsas mundiais.

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Mercados mundiais respondem negativamente ao recrudescimento da guerra comercial entre EUA e China.

A combinação desses fatores pega a economia brasileira e seus principais indicadores em posição de extrema fragilidade.  Tal fragilidade somada à receita ultraneoliberal do ministro Paulo Guedes e sua equipe de “Chicago Boys” oferece um caldo de cultura altamente promissor para que tenhamos uma degradação ainda mais acelerada dos índices de popularidade um governo que ainda nem completou cinco meses de existência e já aparece altamente envelhecido e sem capacidade de gerar alternativas estratégicas para resolver os muitos problemas que nos afligem.

E o resultado disso é a formação do Tsunami que o presidente Jair Bolsonaro previu. Resta saber se ele mesmo não será engolido no processo. É que em condições de mares revoltos, não há espaço para improvisação.

Centrais sindicais neoliberais são co-partícipes do retrocesso

greve geral

Algo que tem sido muito pouco explorado nos retrocessos que foram facilmente impostos pelo governo “de facto” de Michel Temer aos trabalhadores brasileiros é o papel coadjuvante cumprido pelas principais centrais sindicais brasileiras. É que salvas raríssimas exceções, os sindicatos controlados pela CUT, Força Sindical, UGT, Nova Central, CTB e CSB vêm se omitindo de forma inaceitável na construção do processo de resistência que os trabalhadores estão fazendo de forma atomizada todos os dias.

O impressionante é que nem depois de terem sido flagrantemente traídas por Michel Temer na questão do imposto sindical, os dirigentes dessas centrais não se dispõe a cumprir o papel organizativo que a conjuntura demanda deles.  Tal qual vem acontecendo no embate com o (des) governo Pezão, as centrais sindicais preferem ações alegóricas que em nada pressionam Michel Temer e o congresso que acaba de entregar de mão beijada R$ 1 trilhão para as petroleiras estrangeiras.

A última prova dessa inapetência para o enfrentamento é a nota conjunta emitida nesta 6a. feira para suspender a greve geral que ocorreria no dia 05 de Dezembro.  A alegação para essa suspensão é de que o governo Temer teria recuado, sob a pressão delas, na votação da contrarreforma da Previdência.

centrais neoliberais

É preciso que se diga que as dificuldades enfrentadas por Michel Temer para votar mais uma de suas contrarreformas não tem nada a ver com eventuais pressões dessas centrais. O problema é que as medidas aprovadas anteriormente somadas ao desgaste causado pela dupla negativa de permitir o prosseguimento de investigações contra Michel Temer causaram um desgaste profundo o suficiente para desencorajar muitos  deputados fisiológicos a também votar pela reforma da Previdência.

O problema que se coloca pelos trabalhadores que desejarem enfrentar as políticas regressivas começa assim no enfrentamento com as direções dessas centrais que, por exemplo, já vem demitindo centenas de seus próprios trabalhadores após a entrada de vigência da contrarreforma trabalhista.   Além da desmoralização que as demissões dentro de centrais sindicais que deveriam estar lutando contra a aplicação das novas regras, o que essas demissões desnudam é que as principais sindicais brasileiras são parceiras e não adversárias do governo Temer.

Há que se ressaltar que a CSP CONLUTAS, exatamente a menor das centrais existentes no Brasil, já manifestou de forma contrária a vergonhosa nota de capitulação das centrais sindicais [1].  Com isso, a CSP CONLUTAS mostra que é a questão não é tanto de tamanho, mas de linha política. Nesse sentido, é fundamental que, apesar do recuo das principais centrais, ocorram manifestações massivas no dia 05 de Dezembro. É que essas manifestações poderão ser um importante catalisador para fazer aflorar o descontentamento que está vidente em relação a Michel Temer e seu projeto de entregar o Brasil ao capital estrangeiro. 

Um interessante artigo acadêmico sobre esse sindicalismo ajustado ao mundo neoliberal foi escrito pelo professor do IPPUR/UFRJ, Gustavo Bezerra, e  recentemente publicado pelo Cadernos CRH, usando como unidade de análise o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense [2].


[1] http://cspconlutas.org.br/2017/12/nota-oficial-da-csp-conlutas-contra-a-desmarcacao-da-greve-nacional-de-5-de-dezembro/.

[2] http://www.scielo.br/pdf/ccrh/v30n80/0103-4979-ccrh-30-80-0371.pdf

Ato da greve em geral mostra que há algo de novo em Campos dos Goytacazes

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Estive por mais de duas horas no ato político que concluiu o dia de greve geral na cidade de Campos dos Goytacazes. Ali ouvi relatos das ações que ocorreram no município de que estava na linha de frente deste dia de luta, e confesso que sai com a sensação de que há algo de novo acontecendo por aqui. 

Eu explico: é que estando em Campos dos Goytacazes nunca vi tantas pessoas em atos políticos em que não havia máquina partidária convocando. E me arrisco a dizer que nem máquina sindical, apesar do dia de hoje ter sido convocado pelas centrais sindicais.

O que mais havia nesse ato de hoje eram pessoas jovens, ainda que militantes conhecidos estivessem presentes. Essa mescla é algo novo e muito bem vindo, pois parece que temos o surgimento de uma nova geração de militantes e ativistas sociais que tem um enorme potencial para oxigenar a ação política, de modo a questionar todas as práticas de governo, inclusive as do governo municipal.

Há quem possa dizer que poderia haver mais gente neste ato, e isso é inegável. Entretanto, o que me parece mais significativo ainda é que ficou evidente que os que estavam presentes estão dispostos a trabalhar para que existam alternativas reais para quem deseja se opor ao desmonte do estado e a precarização dos serviços públicos.

Abaixo imagens do ato desta 6a. feira. 

NOTÍCIAS DA ADUENF: Uenf adere à greve geral e fará marcha até o centro de Campos dos Goytacazes

UENF adere à greve geral e realiza caminhada unitária até o centro de Campos

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O campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) amanheceu virtualmente paralisada em função da adesão de seus professores e técnicos ao dia de greve geral de protesto contra as reformas do governo de Michel Temer.  A paralisação também representa um protesto contra o projeto de destruição imposto pelo governo do Rio de Janeiro que ainda não pagou bolsas e salários referentes ao mês de Abril, e  também não vem entregando as verbas de custeio para as atividades essenciais da Uenf desde Outubro de 2015.

A partir das 14:30 ocorrerá uma aglomeração da comunidade universitária da Uenf e de outras instituições de ensino superior no portão principal do campus Leonel Brizola para que seja realizada uma marcha até o centro da cidade de Campos dos Goytacazes onde será realizada um ato político que reunirá categorias profissionais que estão participando das manifestações deste dia de greve geral.

Os temas da marcha “Não tá normal!” e #Eudefendo a Uenf!

A diretoria da ADUENF convoca a todos que apoiam a Uenf que apoiem esta ação de defesa da universidade.

Fora Temer! Fora Pezão!

DIRETORIA DA ADUENF
Gestão Resistência & Luta

FONTE:  http://aduenf.blogspot.com.br/2017/06/uenf-adere-greve-geral-e-realiza.html

Greve geral em andamento, mas fora das manchetes da mídia corporativa

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O dia de “Greve Geral” convocado pelas centrais sindicais e movimentos sociais está causando embaraços reais nas principais cidades e capitais brasileiras, mas não estão ganhando o devido espaço na mídia corporativa.  Parece que os donos dos veículos de mídia insistem na tecla do que aquilo que eles não mostram, não existe.

Mas como o monopólio da informação já foi abalado faz tempo pela forma mais fluída e rápida de disseminação da informação que as redes sociais oferecem, as imagens indicam uma mobilização massiva em várias partes do Brasil. E isso apesar do corpo mole das centrais sindicais que convocaram, mas não trabalharam com devido afinco pela greve geral. 

O fato é que o presidente “de facto” Michel Temer e seus satélites que comandam a destruição de direitos sociais nos governos estaduais estão recebendo hoje mais uma sinalização da profunda oposição que a população brasileira tem por suas medidas de destruição de direitos e garantias sociais.

Abaixo cenas deste dia de mobilização em diferentes partes do Brasil.

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Para os que desejarem ter informações em tempo real das mobilizações do dia de hoje, sugiro os sites abaixo:

https://www.brasildefato.com.br/

http://www.esquerdadiario.com.br/

https://www.brasil247.com/

E antes que me esqueça: Fora Temer, Fora Pezão!