E agora? O Regime de Recuperação Fiscal não foi a tábua de salvação prometida

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A assinatura do chamado “Regime de Recuperação Fiscal” (RRF) foi apontado pelo (des) governador Pezão como uma espécie de ponto de inflexão na grave crise financeira e social em que o Rio de Janeiro está enfiado, muito por conta das políticas ineptas que têm sido aplicadas ao longo da última década pelo PMDB.

Baixada a poeira da falsa euforia da assinatura do RRF, voltamos à realidade tal como ela é e às práticas divisionistas com que o (des) governo Pezão tem mantido os servidores públicos estaduais virtualmente paralisados enquanto seus salários e direitos são jogados na conta única onde se refastelam os fundos especulativos e as empresas terceirizadas e organizações sociais que objetivamente controlam hoje o tesouro fluminense.

Como já apontei aqui, o RRF não foi idealizado para aliviar a situação da população e dos servidores públicos. O RRF foi basicamente uma assinatura de capitulação do (des) governo Pezão aos ditames ultraneoliberais impostos pelo “governo de facto” de Michel Temer para dar um alívio momentâneo no sufoco em que o Rio de Janeiro está.  A questão é que Michel Temer e Henrique Meirelles têm pouco controle sobre a forma de gerenciamento da crise, visto que a necessidade de concessões intermináveis que precisam ser realizadas para que o governo que eles comandam não termine simplesmente com todo saindo algemado dos palácio de governo  em direção ao presídio da Papuda.

Todo esse cenário é complicado pela objetiva acomodação que os maiores sindicatos ligados ao funcionalismo têm mostrado em relação ao (des) governo Pezão.  Aparentemente em troca do pagamento dos salários a determinados setores do funcionalismo estadual e de concessões pecuniárias pontuais, o (des) governo Pezão e sua base na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro vêm executando a agenda de privatização do estado sem maiores solavancos.

Entretanto, toda essa aparente tranquilidade é instável.  O fato da crise econômica estar gerando um descontentamento inédito em amplas camadas da população poderá eclodir em uma revolta aberta. E refletindo essa realidade já tivemos até um oficial de alta patente do Exército, o general Antônio Hamilton Mourão, ameaçando dar um golpe militar para evitar o que ele chamou de “caos” [1].

A questão que se coloca hoje não apenas para os servidores públicos estaduais, estejam eles com os salários parcialmente em dia ou não, mas para todos que não concordam com a aniquilação do estado ou com o retorno dos militares ao poder se refere a uma questão simples: vamos assistir a isso tudo passivamente ou não?

Os custos de assistir passivamente já estão postos e o tempo para reagir é agora.


[1] https://www.brasil247.com/pt/colunistas/marcelozero/318303/Golpe-de-Civil-a-Militar.htm

Precarizar para privatizar. Esse sempre foi a meta do (des) governo Pezão para as universidades estaduais

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Neste momento há muita gente dividida entre a surpresa e a estupefação em relação à “sugestão” dada pelo Ministério da Fazenda ao esquálido (des) governo Pezão para que se privatize o ensino superior estadual, o que implica na privatização das três universidades estaduais (Uenf, Uerj e Uezo).

Mas fica surpreso e estupefato quem quer, especialmente se acompanhe este blog com alguma regularidade. É que em 2016 escrevi duas postagens específicas (uma em fevereiro e outra em dezembro) sobre o tema da privatização das universidades estaduais, onde colocava o processo de precarização como um meio para que se chegasse ao fim pretendido que sempre foi a privatização [1, 2].

Francamente falando, o problema em relação às universidades estaduais não é propriamente o (des) governo Pezão, pois os objetivos privatistas dos atuais ocupantes do Palácio Guanabara são para lá de explícitos.  Ao meu ver, o maior problema até agora tem sido a leniência com que os ataques executados pelo (des) governo Pezão contra as universidades estaduais é tratada até mesmo dentro delas.

O fato é que se uma reação coletiva tivesse sido realizada na primeira vez em que os repasses mensais para as universidades foram atrasados, muito provavelmente não estaríamos chegando próximo do deselance desejado pelo dublê de ministro e banqueiro Henrique Meirelles.   Mas, lamentavelmente,  os avisos que foram lançados por pessoas como eu foram tratados com ar de desdém do tipo que se destina a quem fala bizarrices.

A minha expectativa é que a sugestão explícita por parte do Ministério da Fazenda de que se privatize as nossas universidades acenda algum tipo de sinal de emergência dentro e fora delas.  É que os danos que a extinção do ensino superior público traria seriam imensos e contundentes e atingiriam várias gerações.   E, pior, tornariam ainda mais mínimas quaisquer chances que o Rio de Janeiro possa ter de sair da grave crise em que se encontra. 

Mas uma coisa é certa. Se não houver uma reação enérgica que chegue até as ruas, o mais provável é que o processo privatista avance e consuma de forma inapalável as universidades estaduais e, junto elas, as nossas chances de um futuro melhor. A hora de reagir é agora. Depois vai ser tarde demais.


[1] https://blogdopedlowski.com/2016/02/28/des-governo-pezao-e-seu-script-para-as-universidades-estaduais-precarizar-para-depois-privatizar/

[2] https://blogdopedlowski.com/2016/12/06/des-governo-pezao-avanca-seu-projeto-de-privatizacao-das-universidades-estaduais/

Henrique Meirelles impõe mais condições para o (des) governo Pezão. Novos alvos são os planos de cargos e triênios

pezão meirelles

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, aproveita a fraqueza e a incompetência do (des) governo Pezão para impor mais ataques aos servidores estaduais.

Quem está acompanhando a novela mexicana em que se transformou a conclusão do processo de adesão do Rio de Janeiro ao chamado Regime de Recuperação Fiscal (RFF) do governo federal já deve ter notado que todo dia aparecem novas exigências para que todas as nove fases do processo sejam concluídas, permitindo assim um breve respiro ao incompetente (des) governo Pezão.

A última das novas exigências impostas pelo dublê de ministro e banqueiro Henrique Meirelles se refere a um intromissão indevida nos planos de cargos e vencimentos e no pagamento de triênios aos servidores estaduais do Rio de Janeiro [1].

Eu já desconfiava que era bom demais para ser verdade que a exigência de extinção do pagamento de triênios fosse esquecida tão facilmente pelo governo “de facto” de Michel Temer após seguidas derrotas no congresso nacional e na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O fato é que o uso do Rio de Janeiro como um laboratório das reformas ultraneoliberais do governo Temer impõe esse tipo de ataque a direitos consagrados na Constituição Estadual do Rio de Janeiro.  É de que depois de extinguirem essas conquistas no Rio de Janeiro, o governo Temer marchará sobre todas as outras unidades da federação que necessitarem assinar os acordos draconianos que estão sendo gestados para manter intacto o sistema rentista que hoje efetivamente controla o Estado brasileiro.

Agora resta aos servidores estaduais e seus sindicatos saírem do estado comatoso em que se encontram para impedir que mais esses direitos sejam removidos sem luta. Já basta lembrar a forma fácil com que se aprovou o aumento do indice previdenciário de 11% para 14% com a promessa de que haveria uma pronta regularização do pagamento dos salários, aposentadorias e pensões, coisa que até hoje não aconteceu e não tem prazo para acontecer.

 


[1] http://souservidor.blogspot.com.br/2017/08/emprestimo-e-pagamento-dos-servidores.html

A crise (seletiva) do RJ: adoção de solução errada irá agravar e não resolver o caos atual

bs foto

Estive presente na interessante palestra que foi dada pelo economista e professor  Bruno Leonardo Barth Sobral da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) na programação oficial do aniversário de 24 anos da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). 

A palestra oferecida pelo professor Bruno Sobral serviu para me educar sobre os elementos macro-estruturais da crise financeira que assola o estado do Rio de Janeiro neste momento. Ainda que já tenha oferecida a ele uma rápida crítica ao que eu considerei um subestimação das interações entre elementos estruturais da economia fluminense e os impactos da corrupção e da farra fiscal no atual cenário, vou me ater aqui a três aspectos  que ele apontou e que eu penso devem ser melhor compreendidos pelos que estão sofrendo os efeitos da crise seletiva que se abate sobre servidores e a população que depende mais diretamente dos serviços públicos.

O primeiro aspecto que quero ressaltar na fala do professor Bruno Sobral é o fato de que o Rio de Janeiro vive hoje um problema causado mais pela queda de receitas do que pelo aumento das despesas que também estão caindo.  O problema é que as receitas estão caindo num ritmo mais acelerado (ver  a figura abaixo).

BS RJ Despesa receita

Mas mais drástico ainda é a situação da chamada Receita Corrente Líquida (RCL) [1] onde o Rio de Janeiro ocupa o último lugar dentro da federação brasileira, o que evidenvia um grave problema estrutural.

rcl

Em  segundo lugar, destaco o problema que a questão anterior causa no aumento da dívida líquida, especialmente quando comparamos com outros estados que estão igualmente em dificuldades neste momento, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul. É que no caso do Rio de Janeiro, este aumento vem sendo visivelmente mais acelerado.

BS Evolução Dívida

Um terceiro aspecto que considero fundamental é que todo o receituário adotado pelo governo do Rio de Janeiro por imposição do governo “de facto” de Michel Temer.  Falo aqui da questão do peso das despesas com pessoal  no total de despesas primárias. Como se pode observar na figura abaixo, o Rio de Janeiro ocupa apenas a 13ª. posição, ficando muito próximo da média nacional. Em outras palavras, as despesas com os salários não explicam a situação caótica em que se encontram as finanças do estado.

BS Despesas pessoal

Mas o pior é que como foi mostrado pelo professor Bruno Sobral, o chamado “Pacote de Recuperação Fiscal” que foi assinado pelo (des) governo Pezão adota exatamente a premissa de que o problema está no aumento das despesas (com o foco principal ficando sobre os servidores) e não na queda das receitas.   Essa é mais uma aplicação da “moral de tesouraria” que despreza qualquer olhar mais amplo do problema para se concentrar, de forma equivocada, num receituário claramente recessivo.

E no caso do Rio de Janeiro, como bem demonstrou o professor Bruno Sobral, uma receita que despreza a estrutura econômica existente, o que certamente deverá agravar a crise e não resolvê-la.  Mas espero o que de um (des) governo tão desqualificado e incompetente como o comandado pelo Sr. Luiz Fernando Pezão? O problema para todos nós é de como escapar dessa armadilha que foi tramada pelo dublê de ministro e banqueiro, o Sr. Henrique Meirelles.

Quem desejar saber mais sobre estas questões tão graves para o futuro do Rio de Janeiro, sugiro a leitura do artigo “A Crise do Rio de não deve ser tratada como crise do Rio” do próprio professor Bruno Sobral, onde essas e outras questões são analisadas [Aqui!].

O pacote de maldades “Meirelles/Pezão” vai fazer os dias atuais parecerem dourados

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De tempos em tempos, leio a declaração de algum dirigente sindical ligado ao funcionalismo estadual fluminense afirmando que o pacote de maldades engendrado pelo ministro banqueiro Henrique Meirelles e piorado pelo (des) governador Luiz Fernando é a “única saída que sobrou para o Rio de Janeiro”.

Esse tipo de declaração cairia bem nas bocas desses vários (des) secretários de baixa qualidade que povoam o (des) governo Pezão, mas soa contraditório na boca de sindicalistas que estejam realmente comprometidos em defender sua classe.

E eu explico porque penso assim. É que não há neste conjunto de medidas qualquer elemento que sinalize uma melhora de médio e longo prazo na agonia financeira em que o governo de cleptocratas comandado por Sérgio Cabral et caterva nos colocou. Além disso, o que temos é a imposição de medidas de arrocho sobre o funcionalismo estadual, privatização de bens públicos e a perda de autonomia sobre a gestão financeira do Estado que, a partir de agora, terá de se submeter ao que for imposto pelos czares neoliberais que de Brasília estão regredindo o Brasil ao Século XVI.

Quanto mais cedo os servidores e, por extensão, a sociedade fluminense acordarem para esta realidade melhor será. É que se as pessoas estão achando que as coisas estão ruins agora, esperem para ver como a coisa vai ficar depois que esse pacote de maldades for aplicado em sua totalidade!

E, pior, esse pacote neoliberal não toca num fio de cabelo da farra fiscal que já causou uma perda de mais de R$ 200 bilhões aos cofres estaduais nem, tampouco, mexe na estrutura da dívida pública acumulada na última década para saciar uma estrutura sofisticada de drenagem de recursos públicos em nome de um punhado de políticos e suas empresas.

Assim, que nenhum servidor se iluda! A intenção desse pacote não é regularizar salários e pensões atrasados, mas sim iniciar um processo de enxugamento da máquina pública que ainda causará milhares de demissões, cassará direitos garantidos pela Constituição e ampliará ainda mais o controle do serviço público por empresas terceirizadas.

A única saída para o Rio de Janeiro será a ação política organizada para quebrar um ciclo vicioso que mistura práticas nada republicanas com um receituário neoliberal que deixaria Margareth Tatcher com inveja. 

E lembrem-se esse pacote de maldades não é a única saída que resta ao Rio de Janeiro. Este pacote é a única saída que interessa aos que vem saqueando o Rio de Janeiro.

Cesta básica? Os servidores e aposentados precisam é de seus salários e aposentadorias pagos em dia

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Em determinadas conjunturas históricas a realização de determinadas ações que parecem justas e corretas podem dificultar que se consigam as soluções para os problemas que as mesmas procuram resolver. Em muitos casos, podem até agravá-las.

Vejamos por exemplo a simpática campanha de recolhimento de cestas básicas que está sendo realizada pelo Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (Muspe) para assistir servidores e aposentados que foram deixados de lado pelo (des) governo Pezão e estão há vários meses vivendo uma situação que não tem nada de “mero aborrecimento” como classificaram alguns juízes (com os gordos salários totalmente em dia, frise-se) do Tribunal de Justiça fluminense.

Essa campanha do Muspe pode até matar momentaneamente a fome dos servidores e aposentados, mas não resolve o problema. E, pior, os coloca na situação objetiva de aceitarem passivamente que o desrespeito continue, visto que quem vai para longas filas de doação, acaba voltando para casa com o piores sentimentos humanos, a começar pela completa sensação de humilhação e desprezo.

Então a ação de recolher e doar cestas básicas será inútil se não for acompanhada de um processo de politização que oferece um claro calendário de mobilizações que catalisem a raiva que tenho visto em muitos servidores, de modo eles a transformem em um sentimento positivo que, por sua vez, poderá ser mais eficiente para derrubar esse (des) governo que já não deveria existir mais faz tempo.

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Mas aí é que mora o problema, pois percebo uma aceitação passiva da cantilena de que o pacote de Maldades imposto pelo ministro/banqueiro Henrique Meirelles é uma pílula amarga aceitável para os servidores fluminenses,,  o único plano como gosta de dizer o agora licenciado (des) governador Pezão.  Não se fala nos prejuízos de curto e médio prazo que os servidores públicos do Rio de Janeiro irão ter que arcar para receberam seus corroídos salários em dia. Nem dos muitos direitos que foram ou serão cassados para que o estado tente de se recuperar das políticas desastrosas e da roubalheira que imperaram sob o comando de Sérgio Cabral et caterva.

Por isso, a decisão dos servidores da Secretaria de Ciência e Tecnologia (SECT) de se manterem nas ruas e pressionando o (des) governo Pezão poderia servir de exemplo para todas as categorias e seus sindicatos. É que está mais do que demonstrado que com o (des) governo Pezão a única linguagem que seus membros entendem é o da pressão das ruas, sem as quais as reuniões que ocorrem em portas fechadas só servem mesmo para que os participantes tomem cafezinho juntos e posem para fotos risonhas ao final delas.

Desta forma, é que reafirmo: o que os mais de 200 mil servidores e aposentados demandam são seus salários e aposentadorias pagos em dia. E essa demanda deve guiar as ações dos que realmente desejam construir uma saída positiva para a profunda crise política, financeira e moral em que o Rio de Janeiro foi colocado pelo ex (des) governador Sérgio Cabral e seus colaboradores que hoje desfrutam as benesses oferecidas pelo estado ao prisioneiros de colarinho branco.

 

(Des) governo Pezão e a crise salarial: quando o acaso é descaso

O jornal “O DIA” desta 3a. feira (16/05) traz uma matéria informando que 4.500 servidores foram “sorteados” para ficarem sem seus salários pelo (des) governo Pezão,  a maioria referente ao mês de março (Aqui!). O número de “esquecidos” cresce um pouco (“só”  40.000 mil casos a mais) na matéria produzida pelo jornal “EXTRA” (Aqui!)

As informações que eu tenho é que até o sistema de pagamentos do estado do Rio de Janeiro entrou em parafuso com a ausência de comando no Palácio Guanabara.  Tal situação já é de conhecimento corrente, mas não explica como 4.500 salários de servidores da ativa e de 40 mil aposentados do RioPrevidência foram “sorteados” ao acaso para que não recebessem salários já atrasados. 

Como no (des) governo Pezão não há muito espaço para o acaso, o que sobra mesmo é descaso. E esse descaso é uma tática que visa dividir e humilhar servidores concursados com o objetivo claro de impedir que possam exercer suas atividades, das quais a população fluminense depende diretamente.

Aos servidores em geral é preciso lembrar que este “acaso” serviu ainda para fragmentar ainda o funcionalismo estadual entre os que receberam ou não seus salários. Por isso mesmo as ações reparadoras deveriam vir mesmo dos sindicatos cujas categorias já receberam até os salários de Abril. É que sem este tipo de solidariedade não haverá como derrotar o pacote de maldades que foi preparado pela dupla Temer/Meirelles para usar o Rio de Janeiro como laboratório avançado de seu extermínio do serviço público brasileiro.

Anaferj coloca o dedo na ferida: dinheiro para pagar salários existe, o que falta é vontade de fazer o certo

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O blog mantido pela Associação de Analistas da Fazenda Estadual do Rio de Janeiro (Anaferj) publicou hoje uma postagem que deixa nu todo o argumento do (des) governo Pezão de que não há dinheiro para pagar os salários atrasados do servidores estaduais (Aqui!).

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Segundo a Anaferj, “a arrecadação do Estado é suficiente para pagar a folha. O governo deliberadamente opta por honrar outras despesas e rastejar no chão para a União em troca de mais endividamento.

Apesar de não ser analista de fazenda, faz tempo que eu desconfio dessa crise (seletiva) que assola o Rio de Janeiro. É que apenas nos últimos meses o governo “de facto” de Michel Temer já arrestou vários bilhões de reais para continuar pagando a misteriosa dívida acumulada pelo (des) governo do Rio de Janeiro ao arrepio da necessidade de mais de 200 mil famílias cujos cabeças são servidores estaduais.

Além disso, não me consta que haja ocorrido a suspensão de determinados pagamentos, a começar pelos bilionários contratos da área da saúde terceirizada. Quando muito ali vem ocorrendo demoras pontuais, mas nada que se compare ao que está sendo feito com os servidores públicos concursados.

Outra área para a qual venho chamando atenção é a do pagamento de debêntures, a começar pelas emitidas pelo chamado “Rio Oil Finance Trust“. Apenas para esse caso é certo que vários bilhões arrecadados por impostos foram parar nas contas bancárias dos chamados “fundos abutres” que estão se beneficiando da desastrosa operação Delaware que foi comandada pelo atual secretário estadual de Fazenda, Gustavo Barbosa. Só neste caso, a sangria é desatada, e ninguém parece se importar, já que os abutres estão sendo alimentados.

O fato é que uma parcela dos servidores estaduais e os pensionistas e aposentados do RioPrevidência estão sendo usados como bucha de canhão nas tratativas impostas por Michel Temer e Henrique Meirelles.  O problema do Rio de Janeiro é claramente político, e não financeiro.

E em outras palavras, a crise do Rio de Janeiro tem uma caráter seletivo, mas muito seletivo mesmo!

Por isso tudo é que realmente não me parece aceitável a postura da maioria dos sindicatos e associações de servidores que estão mantendo uma postura espectante frente não apenas ao drama de seus representados, mas, principalmente, diante da estratégia do (des) governo Pezão de usar o atraso no pagamento dos salários como uma ferramenta de guerra ideológica que visa mormente a desmoralizar os que estão sendo deixados, propositalmente é preciso que se diga, na rua da amargura.

Finalmente, há que se observar que há quem ainda trata o (des) governador Pezão e seus (des) secretários com a deferência que eles não merecem. Afinal de contas, nem interlocutores qualificados eles são mais.  Para tratar com esse (des) governo que seja apenas a data da renúncia ou do impeachment de Luiz Fernando Pezão. Simples assim.

Como Pezão ainda é o (des) governador do Rio de Janeiro?

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Se um alienígena vindo de alguma galáxia distante aportasse no Rio de Janeiro neste momento não iria apenas se deslumbrar com suas belezas naturais, nem com seu povo que combina irreverência com disposição impar para continuar enfrentando as dificuldades do cotidiano. Essa alienígena provavelmente ficaria surpreso com a permanência do (des) governador Luiz Fernando Pezão à frente do executivo estadual.

É que , convenhamos, o seu (des) governo acabou mesmo antes de começar, e os últimos 16 meses têm sido uma completa tragédia. Não falo aqui apenas do calote salarial que está sendo aplicado, nem dos múltiplos de corrupção que chegaram muito perto do (des) governador e sua equipe.  A questão chave que emerge desse suplício coletivo em que o (des) governo Pezão se tornou é a sua flagrante incapacidade de gerar alternativas que não impliquem em mais sofrimento e degradação da qualidade de vida da maioria da população.

A última medida, que agora se encontra suspensa temporariamente pela justiça, foi a suspensão do passe escolar para mais de 27.000 estudantes  que sem este benefício não terão mais como ir para a escola e, provavelmente, se somarão a um crescente exército de pessoas que não possuem qualquer função social. E, por isso mesmo, se tornam cada vez mais dependentes dos bandos criminosos que parecem estar cada vez mais fortes.

Entretanto, apesar das evidências de que seu (des) governo se encontra numa condição de insolvência, Pezão continua firmemente sentado na cadeira de (des) governador. Essa situação é sui generis, já que Pezão não tem demonstrado sequer que entende as ramificações da falência política de seu (des) governo. Agora, se é assim por que é que Pezão ainda foi apeado do poder por meio dos mecanismos institucionais existentes?

A resposta para mim é simples: ele continua a ser útil ao projeto de desmanche do setor público, não apenas no âmbito fluminense, mas em todo o Brasil. E aí que parece surgir a real explicação da permanência de Pezão no Palácio Guanabara. É que sem ele, o presidente “de facto” Michel Temer e seu ministro e dublê de banqueiro Henrique Meirelles não teriam um estado que serviria como um experimento avançado para as medidas de arrocho que pretendem aplicar em todo o Brasil.

Entender essa relação entre Pezão e Temer é fundamental para que haja a devida reação contra seus planos de ataque ao serviço público e de constrangimento dos servidores públicos.  É que sem entender essa conexão vamos continuar no papel incompleto de vítimas de um (des) governante incompetente. A verdade é que a ameaça é muito maior, e o Rio de Janeiro é hoje apenas um laboratório para as políticas ultraneoliberais que já foram  aplicadas na Grécia e na Espanha.

Reagir a esse quadro então terá de passar por uma mudança de postura, principalmente dos sindicatos,  que precisam encarar o (des) governo Pezão como um inimigo estratégico que deve ser combatido sem nenhum tipo de concessão às chantagens que estão sendo impostas em troca de coisas básicas, como passes escolares e pagamentos de salários.

E não esqueçamos: Pezão é Temer, e Temer é Pezão!

Governo Temer corta orçamento pela metade e coloca em grave risco a sobrevivência da ciência brasileira

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A revista Nature publicou ontem um artigo assinado pelo jornalista Cláudio Angelo, coordenador de comunicação do Observatório do Clima, onde são apresentados dados sobre o corte de quase 50% do orçamento destinado ao financiamento de projetos científicos pelo governo “de facto” de Michel Temer ( Aqui!  ).

A figura abaixo que aparece na referida matéria mostra o aprofundamento de um ritmo de esvaziamento dos cofres das agências federais, mas que desemboca no menor orçamento para a área da ciência nos últimos 12 anos!

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As consequências deste verdadeiro ataque ao desenvolvimento científico e tecnológico são muitas, pois o enxugamento orçamentário terá efeitos drásticos sobre o andamento de projetos estratégicos, bem como diminuirá o nível de formação de recursos humanos. Apenas estes dois fatores somados já deverão causar um profundo e duradouro retrocesso na capacidade brasileira de responder a uma série de desafios emergentes, começando, por exemplo, pelo retorno de doenças como a febre amarela.

Entretanto, o que este corte radical num orçamento que já vinha encolhendo deverá trazer como efeito colateral é a perda da capacidade ainda incipiente de gerar dinamismo a partir de tecnologia própria, aumentando ainda mais a nossa pesada dependência em conhecimento produzido fora do território nacional.

Entretanto, é preciso notar que se colocarmos a situação do financiamento da ciência dentro do projeto já esboçado pelo governo “de facto” de Michel Temer, há um perfeito encaixe. Afinal, um governo que avança um processo radical de terceirização do trabalho e quer impor um dos sistemas de pensões e aposentadorias mais draconianos do planeta não pode ter mesmo nenhum compromisso com o desenvolvimento científico.  Convenhamos que não haja porque Michel Temer ou o seu ministro/banqueiro Henrique Meirelles fazerem diferente. Aliás, é preciso lembrar que essa tesourada radical no orçamento da ciência e tecnologia objetiva pura e simplesmente injetar mais dinheiro no sistema de especulação financeira. Em outras palavras, deixa-se a ciência à mingua por um lado e, por outro, se colcoa ainda mais recursos públicos no sistema de especulação rentista.

O problema até aqui é que as reações a estes cortes continua sendo mínimo, e mesmo os posicionamentos expressos pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) foram meramente protocolares, pois não expressam de forma objetiva o tipo de desorganização que a falta de investimentos causará na ciência brasileira.

Toda essa situação deveria, ou deverá causar uma forte resposta de toda a comunidade científica brasileira. Denunciar o caráter obscurantista e retrógrado desses cortes é uma tarefa que toda a comunidade científica tem a obrigação de realizar. Ou é isso ou o caminho do aeroporto, ao menos para aqueles que ainda são jovens o suficiente para rumarem para o exterior.