Governo Temer corta orçamento pela metade e coloca em grave risco a sobrevivência da ciência brasileira

cortes

A revista Nature publicou ontem um artigo assinado pelo jornalista Cláudio Angelo, coordenador de comunicação do Observatório do Clima, onde são apresentados dados sobre o corte de quase 50% do orçamento destinado ao financiamento de projetos científicos pelo governo “de facto” de Michel Temer ( Aqui!  ).

A figura abaixo que aparece na referida matéria mostra o aprofundamento de um ritmo de esvaziamento dos cofres das agências federais, mas que desemboca no menor orçamento para a área da ciência nos últimos 12 anos!

MCTIC2-budget

As consequências deste verdadeiro ataque ao desenvolvimento científico e tecnológico são muitas, pois o enxugamento orçamentário terá efeitos drásticos sobre o andamento de projetos estratégicos, bem como diminuirá o nível de formação de recursos humanos. Apenas estes dois fatores somados já deverão causar um profundo e duradouro retrocesso na capacidade brasileira de responder a uma série de desafios emergentes, começando, por exemplo, pelo retorno de doenças como a febre amarela.

Entretanto, o que este corte radical num orçamento que já vinha encolhendo deverá trazer como efeito colateral é a perda da capacidade ainda incipiente de gerar dinamismo a partir de tecnologia própria, aumentando ainda mais a nossa pesada dependência em conhecimento produzido fora do território nacional.

Entretanto, é preciso notar que se colocarmos a situação do financiamento da ciência dentro do projeto já esboçado pelo governo “de facto” de Michel Temer, há um perfeito encaixe. Afinal, um governo que avança um processo radical de terceirização do trabalho e quer impor um dos sistemas de pensões e aposentadorias mais draconianos do planeta não pode ter mesmo nenhum compromisso com o desenvolvimento científico.  Convenhamos que não haja porque Michel Temer ou o seu ministro/banqueiro Henrique Meirelles fazerem diferente. Aliás, é preciso lembrar que essa tesourada radical no orçamento da ciência e tecnologia objetiva pura e simplesmente injetar mais dinheiro no sistema de especulação financeira. Em outras palavras, deixa-se a ciência à mingua por um lado e, por outro, se colcoa ainda mais recursos públicos no sistema de especulação rentista.

O problema até aqui é que as reações a estes cortes continua sendo mínimo, e mesmo os posicionamentos expressos pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) foram meramente protocolares, pois não expressam de forma objetiva o tipo de desorganização que a falta de investimentos causará na ciência brasileira.

Toda essa situação deveria, ou deverá causar uma forte resposta de toda a comunidade científica brasileira. Denunciar o caráter obscurantista e retrógrado desses cortes é uma tarefa que toda a comunidade científica tem a obrigação de realizar. Ou é isso ou o caminho do aeroporto, ao menos para aqueles que ainda são jovens o suficiente para rumarem para o exterior.  

7 pensamentos sobre “Governo Temer corta orçamento pela metade e coloca em grave risco a sobrevivência da ciência brasileira

  1. […] reeling as federal funds slashed by nearly half” e também nos comentários do post “Governo Temer corta orçamento pela metade e coloca em grave risco a sobrevivência da ciênc…, do geógrafo Marcos Pedlowski, da Universidade Estadual do Norte […]

  2. David Beserra disse:

    Absurdo tudo isso. Já optei pelo aeroporto, há 6 meses.

  3. Marco Antônio disse:

    Professor Marcos existe a carreira de cientista no Brasil?

    • Não, mas o Brasil não é exceção nessa formalização da profissão. Além disso, como aqui a iniciativa privada contrato poucos pesquisadores, a maioria vai parar nas universidades e institutos públicos de pesquisa, onde são assimilados como docentes.

  4. Marco Antônio disse:

    Professor Marcos o “Ciência sem Fronteiras” que alguns chamam de “Turismo sem Fronteiras” foi proveitoso para o país? O senhor saberia informar isso?

    • Marco Antônio, creio que apesar de todos os problemas que eventualmente ocorreram no “Ciência Sem Fronteiras”, o fim da opção para intercâmbio para estudantes de graduação. Já coordenei um programa de graduação no âmbito da CAPES por 10 anos e os ganhos foram substanciais para os estudantes. Assim, ainda prefiro gasto com estudantes do que economia porca para entregar ainda mais dinheiro para os bancos por meio da especulação financeira. Não sei se você sabe, os gastos com juros consomem praticamente 50% do orçamento da União. Esse sim é o gasto que deveria ser minimizado, e nunca os investimentos com a educação.

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