Dia de caos na Praia do Açu. E não foi por falta de aviso!

O dia de hoje marca uma nova etapa nas agruras na vida da população da localidade da Barra do Açu, onde há vários meses vem sendo notado o avanço do processo de erosão da faixa de praia. Após dezenas de postagens, relatórios técnicos e entrevistas com a mídia local e estadual, estou recebendo imagens que mostram uma invasão inédita da água do mar dentro das ruas internas daquela localidade, que fica distante menos de 7 quilometros do Terminal 2 do Porto do Açu.

Agora vamos ver como reagem as autoridades municipais, o  INEA e a Prumo Logística frente a um processo que ameaça engolir uma das localidades mais tradicionais do município de São João da Barra. E, antes que comecem, por favor não culpem a Natureza. É que as digitais que estão ai são bem humanas, e e só ler os EIAs e RIMAs usados pelo Grupo EBX para obter suas licenças ambientais no Porto do Açu!

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Em meio à omissão dos responsáveis, mar avança nas ruas da Praia do Açu

A população das ruas mais próximas da orla da Praia do Açu está vivendo dias de apreensão com o avanço das águas oceânicas sobre pontos que até recentemente era impensável que chegariam. Agora com o período de marés altas, os dias estão se sucedendo e água está invadindo a comunidade, coisa que moradores antigos testemunham nunca ter visto em suas vidas, as quais foram passadas naquele que já foi um dos principais balneários da região.

E o que os responsáveis por oferecer respostas práticas sobre o problema fazem? Via de regra o único órgão que vem se manifestando é a Defesa Civil de São João, mas apenas para oferecer respostas lacônicas que procuram oferecer um cenário de calma e tranquilidade que quem observa a situação mostrada nas imagens abaixo, e que foram produzidas na manhã desta 5a. feira, não consegue compartilhar.

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Como o pico da maré alta ainda não ocorreu, as cenas acima que mostram a tomada da área entre os postos de Saúde e de Polícia poderão se alastrar pelo resto da comunidade, causando graves perdas a uma população que já não tem muito para perder.

A minha expectativa é que o novo superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), o Sr. Luiz Fernando Felippe Guida, tire o seu órgão da inércia e envie técnicos para avaliar o avanço do processo erosivo na Praia do Açu, de modo a acionar a Prumo Logística Global para que comece a realizar as medidas de contingência que, porventura, tiverem sido previstas nos EIA/RIMAs do Porto do Açu e da Unidade de Construção Naval da OS(X) que previam alterações ambientais em função da implantação destes empreendimentos.

De quebra, espero que o Ministério Público Federal acione a Prefeitura de São João da Barra, o INEA e a Prumo para que saiam do estado de omissão em que se encontram e comecem, finalmente, a fazer algo mais do que declarar que irão conduzir estudos técnicos para avaliar as soluções a serem tomadas. A hora do “embromation” já passou, e é preciso passar urgentemente à ação.

 

Ururau: Mar volta a avançar no Açu, em SJB, e deixa a população assustada

Defesa Civil está de prontidão e informa que não houve desalojados e desabrigados

Ururau/Arquivo/ Defesa Civil está de prontidão e informa que não houve desalojados e desabrigados

O mar voltou a avançar e deixar os moradores da praia do Açu, em São João da Barra, Norte Fluminense, apreensivos. A maré alta pegou a população de surpresa nesta quarta-feira (18/03), mas apesar do susto, ninguém ficou desalojado ou desabrigado. A Defesa Civil local está de prontidão 24 horas para qualquer eventualidade.

De acordo com o coordenador de Defesa Civil local, Adriano Martins, a situação é mais crítica na rua do popular ‘Chacrinha’, aonde a água chegou a invadir a varanda de um estabelecimento comercial. “A maré está aumentando e deve ficar assim por mais três dias. As ruas mais baixas também ficaram alagadas, mas a drenagem é rápida e a situação logo volta ao normal”, comentou o coordenador informando os números do órgão para qualquer necessidade: (22) 2741 8370 ou 199.

OUTRO CASO 

No início de janeiro deste ano, o avanço rápido do mar resultou na erosão em trecho da estrada litorânea entre o Xexé e Maria da Rosa, no Cabo de São Tomé. Devido à destruição de trecho da estrada, na curva situada nas proximidades da Ponte sobre o Rio Açu, em Maria Rosa, a Defesa Civil de Campos interditou o local para evitar acidentes, com queda de veículos dentro do mar.

Na época, o secretário de Defesa Civil de Campos, Henrique Oliveira afirmou que foram adotadas medidas emergenciais. “A solução nos remete à construção de enrocamento (formado por fragmentos de rocha compactados em camadas de rochas) na orla daquele trecho, mas essa alternativa é de elevada complexidade técnica. Há necessidade de estudo hidrológico, ações que não são de competência dos municípios, porque ali, na orla, decisões dessa natureza competem à Marinha do Brasil e ao Ibama”, detalhou o secretário.

Entrevista no Jornal O Diário sobre a crise na UENF e os problemas no Porto do Açu

Uenf com a ‘alma’ comprometida

Por Keylla Thederich

Isaías Fernandes
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Em voga sempre que o assunto tem a ver com a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), o professor Marcos Pedlowski analisa a atual situação da instituição que está assolada em uma crise, fala sobre o presente e o futuro da universidade, sobre a política ‘antiuniversidade’ do governo Pezão e sobre a importância da universidade para o desenvolvimento da região. Ele fala também sobre o corte de R$ 19 milhões no orçamento da Uenf para este ano, que pode agravar a situação de atraso em pelo menos três meses no pagamento das contas. Pedlowski também fala sobre a salinização e a erosão que ocorrem no município de São João da Barra, principalmente, com a construção do Porto do Açu.

O Diário (OD) – A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) atualmente enfrenta uma de suas piores crises. As contas estão atrasadas, as bolsas não foram repassadas e houve corte no orçamento. Qual é o problema mais grave da Uenf, hoje?

Marcos Pedlowski (MP) – A Uenf simplesmente não tem dinheiro para funcionar. Os problemas são muitos e emergenciais. Hoje, se eu quiser dar uma prova, tenho que comprar cartucho para a impressora, comprar papel, não tem combustível para os alunos fazerem trabalho de campo. As coisas só continuam a funcionar porque temos a verba dos projetos. Estamos vivendo uma situação caótica.

OD – O senhor se lembra de a universidade ter passado por uma crise dessas?

MP – Estou aqui desde 1997. A situação de endividamento da universidade, como está ocorrendo agora, só vi situação parecida no último ano do Governo Marcelo Alencar, em 1998. A última fase áurea da Uenf ocorreu no Governo de Garotinho (1999/2002), que tirou a universidade de uma forte crise.

OD – Hoje, quanto a Uenf custa ao Governo do Estado do Rio de Janeiro?

MP – Hoje, a Uenf custa para o Governo do Estado menos de R$ 13 milhões por mês. Está muito barata. Para termos uma universidade em condições e expandir, como deveria ser, custaria R$ 300 milhões e isso não é nada se compararmos aos orçamentos das universidades de São Paulo, que são bilionários, de primeiro mundo.

OD – O governo cortou R$ 19 milhões do orçamento da universidade para este ano. Isso agrava muito a situação?

MP – Nos últimos oito anos, o orçamento encolheu. Para este ano, o orçamento estipulado era de R$ 173 milhões e passou para R$ 154 milhões, sendo que cerca de R$ 104 milhões serão destinados para pagamento de salários, R$ 10 milhões para as bolsas e sobram R$ 40 milhões para pagar as contas de 12 meses de água, luz, telefone, serviços de limpeza, segurança, entre outros. O governo fez um verdadeiro arrocho nas universidades.

OD – Como o senhor mencionou, o governo “arrochou” as universidades. É um problema só de corte orçamentário?

MP – O PMDB não tem uma visão de desenvolvimento científico e tecnológico. Desde o Governo Sérgio Cabral, houve uma sucessão de secretários que não têm o perfil tecnológico. É uma política que incentiva anomalias e distorções. Eles (Cabral/Pezão) têm uma visão “antiuniversidade”, bem diferente do que Darcy Ribeiro tinha em mente quando criou a Uenf. No Rio de Janeiro, as universidades estão funcionando de maneira caótica e não era pra ser assim, pois somente na Região Metropolitana Fluminense temos a maior concentração de universidades do país. Não estão valorizando esse potencial. A universidade não é um bem de um governante ou partido político, mas sim da população.

OD – O senhor citou o professor Darcy Ribeiro. Pode-se afirmar que a Uenf cumpriu ou cumpre o seu papel, o que foi idealizado há 22 anos quando foi criada?

MP – Cumpriu, mas temo que não cumprirá mais se a situação continuar desse jeito. A Uenf foi criada a partir de um abaixo-assinado da população e idealizada para promover o desenvolvimento político e social do Norte/Noroeste Fluminense e Região dos Lagos. A Uenf foi criada para ser modelo de geração de conhecimento e retorno social. Não pode perder sua visão, o elemento da reprodução intelectual porque senão passa a ser uma fábrica de diplomas, perde sua alma, sua essência. A ciência é a rotina da universidade. Se você asfixia a universidade, acaba produzindo lixo acadêmico. É preciso revisitar a visão de Darcy, não da forma idealista, mas de forma a conceber o desenvolvimento.

OD – A Uenf corre esse risco?

MP – Muitos de nossos alunos estão hoje trabalhando em grandes empresas ou atuando em universidades federais. A Uenf tem produtividade científica, é a melhor do Estado do Rio de Janeiro e a 11ª do Brasil. O que estamos vivendo agora, por exemplo, com os alunos bolsistas que estão fechando a porta da universidade para protestar um direito que lhes é garantido, é o que tem que acontecer quando alguma coisa está errada. A universidade tem que ter capacidade de criticar, tem que ter pensamento crítico, senão não pode ter o título de universidade.

OD – Mesmo com essas dificuldades, a Uenf tem uma importância fundamental para a região. De alguma forma isso pode se perder? Como o senhor vê o futuro da Uenf?

MP – Na verdade, a Uenf não está se dando ao respeito. Não estão respeitando a população que precisa dessa universidade, os professores, os alunos. A Uenf, através de seus organismos, tem que se dar ao respeito para ter o orçamento que merece, para ter o desenvolvimento, para cumprir o seu papel. Eu penso que precisamos fazer alguma coisa agora, para que daqui a 15 anos todo trabalho não se perca, para que não estejamos nos doando, trabalhando à toa, para que essa universidade não consiga cumprir seu destino.

OD – Nesta semana, uma comissão da Uenf em visita à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), conseguiu apoio de deputados estaduais da região em prol das causas da universidade. O senhor acredita que com esse apoio a situação pode melhorar?

MP – A expectativa da comunidade universitária é de que, ao visitar o campus, os deputados voltem para a Alerj mais bem informados e com mais elementos para trabalhar no sentido de que sejam feitos esforços no legislativo a fim de retirar a universidade da situação crítica em que nos encontramos neste momento. Além disso, como os parlamentares em questão são aqui mesmo da região, creio que essa visita é importante porque nos dá a oportunidade de mostrar o que está sendo feito com o dinheiro público que nos é entregue. Em outras palavras, essa também seria uma oportunidade de fazer um tipo de prestação de contas para aqueles que podem ser nossos aliados dentro do legislativo estadual. A expectativa que essas visitas trazem é sempre positiva. Agora, temos que ter uma espécie de otimismo que não esteja isento de uma postura pró-ativa e responsável em torno da defesa da Uenf, especialmente num momento histórico tão adverso como o que estamos enfrentando por causa do arrocho orçamentário que está sendo imposto pelo governador Luiz Fernando Pezão.

OD- Outra questão em que o senhor atua é quanto aos impactos da instalação do Porto do Açu. Desde que as construções foram iniciadas, problemas como a salinização e erosão nas praias de São João da Barra vêm ocorrendo com maior frequência. Pode-se dizer que esses problemas são uma consequência do Porto?

MP – Não creio que seja uma questão apenas de intensidade, mas sim do Porto do Açu ser a raiz desses problemas. É que tanto no caso da salinização como da erosão costeira, esses processos foram previstos nos Estudos de Impacto Ambiental e descritos nos Relatórios de Impacto Ambientais que foram preparados pelo Grupo EBX para obter as licenças ambientais dos diferentes empreendimentos que foram ali implantados, começando pelo próprio porto. A dispersão da areia é outro fenômeno que só está ocorrendo porque a areia dragada do mar foi depositada no entorno do Porto do Açu.

OD – O senhor acredita que essa situação pode ser revertida?

MP – Em relação a reverter a manifestação desses diversos problemas ambientais, e que têm impactos também sobre a produção agrícola e a saúde humana, eu vejo que um primeiro passo seria uma mudança de postura por parte do Inea (Instituto Estadual do Ambiente) e da Prumo Logística em relação à própria magnitude e persistência dos mesmos. Há que primeiro se sair de uma posição de negação de que os problemas estão ocorrendo para depois para a tomada de decisões sobre as medidas corretivas que devem e podem ser executadas. O fato é que saída técnica existe para a maioria dos problemas, mas enquanto perdurar uma postura de negação que resulta numa omissão prática, não há como começar a propor quaisquer soluções que sejam.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/uenf-com-a-alma-comprometida%3Cbr%3E-19708.html

Suderj informa: no INEA regional, sai Justen e entra Guida

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O Diário Oficial do Rio de Janeiro traz hoje uma publicação (veja abaixo) dando conta da exoneração do superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Rene Justen, que vai ser substituído por Luiz Fernando Felippe Guida.

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Em uma rápida busca na internet, pude verificar que o novo superintendente regional do INEA é dirigente do Partido Verde e fez (ou ainda faz) parte do auto-intitulado “Movimento Marina Silva por um Brasil justo e sustentável”. Em outras palavras, Guida está no PV, mas pode ir acabar na Rede de Marina Silva, caso esse partido saia da condição de natimorto para a de uma realidade partidária.

De toda forma, espero que o Sr. Guida esteja pronto para os múltiplos desafios que a sua superintendência têm que enfrentar de forma urgente aqui na região Norte Fluminense, a começar pelo processo de salinização de águas e solos e da erosão costeira que hoje afetam de forma drástica parcelas significativas do litoral de São João da Barra. De quebra, ainda temos a situação crítica por que passa o Rio Paraíba do Sul, principalmente nas imediações do seu delta.

Em suma, espero que não seja mais uma das muitas mudanças que estão ocorrendo no (des) governo Pezão apenas para acomodar aliados políticos e apoiadores de campanha. É que no âmbito das questões ambientais, a situação que vivemos é simplesmente dramática para continuarmos tendo o INEA apenas como emissor de licenças ambientais “Fast Food”. Simples assim!

 

Nova visita à Praia do Açu e um vaticínio: nada poderia estar mais longe do normal!

Hoje tive a oportunidade de realizar mais uma visita à Praia do Açu e pude verificar um rápido avanço na “língua erosiva” que está consumindo a faixa central daquilo que já um dos principais pontos de veraneio para os habitantes de São João da Barra e municípios vizinhos.

As imagens que mostro abaixo demonstram que o processo erosivo está avançando de uma forma surpreendente, mesmo para mim que venho acompanhando o caso a partir de repetidas visitas “in loco”.  Além disso, o que vi hoje desmente de forma cabal a declaração surrada de que “as coisas voltaram ao normal” na Praia do Açu.

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O fato é que minha impressão é de que se não houver uma ação emergencial, o avanço que está ocorrendo de forma acelerada acabará comprometendo as ruas mais próximas do que ainda resta da Avenida Atlântica. Nessa batida, não há mais porque as autoridades municipais e estaduais, bem como a Prumo Logística,  insistir na posição de que o problema ocorrendo na Praia do Açu é “normal”, e que não decorre da construção do Porto do Açu. É que, como já insisti aqui várias vezes, o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) utilizado pela OS(X) para requerer e obter suas licenças ambientais junto ao Instituto Estadual do Ambiente (INEA) já previa a ocorrência deste fenômeno erosivo. Simples assim!

Praia do Açu: caindo, caindo, caiu!

As imagens abaixo mostram uma construção que até ontem estava de pé e abrigava um bar na Praia do Açu, mas que desabou na manhã deste sábado (07/03). 

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Diante destas imagens de destruição, eu fico imaginando qual seria a resposta que seria dada a um jornalista que perguntasse a alguém da Prefeitura de São João da Barra, do INEA ou da Prumo Logística como está a situação na Praia do Açu.  Será que eles repetiriam os mantras “a situação voltou ao normal” e “temos estudos que mostram que não é culpa do Porto do Açu”? Difícil mesmo é convencer os moradores daquela área que é isso mesmo e que eles não têm com que se preocupar!

Em meio à indiferença oficial, Praia do Açu continua sua sina em direção ao desaparecimento

Hoje me foi perguntado por mais um órgão de imprensa sobre o processo de erosão que continua avançando e devorando com voracidade a Praia do Açu. Lembrei a mais este jornalista que este processo erosivo estava previsto no Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) que foi utilizada pela OS(X) para obter as licenças ambientais para construir a sua unidade de construção naval no Porto do Açu. 

Dai ouvi uma informação que também não é nova. Segundo me informou o jornalista, a Prefeitura de São João da Barra teria declarado que a situação tinha voltado ao “normal” na Praia do Açu, e que um projeto estaria sendo desenvolvido para controlar o processo erosivo que hoje ameaça levar boa parte da Praia do Açu! 

Pois bem, observem as imagens abaixo que foram produzidas na tarde desta 6a. feira (06/03) e me digam se algo parece “normal” no que é mostrado.

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E como pontuei numa mensagem anterior, talvez com vídeos a situação dramática que está em curso na Praia do Açu fique mais clara. E, felizmente, vídeos continuam brotando no Youtube, como o que vai abaixo.

Dai é que pergunto novamente: onde andam o INEA e a Prumo Logística Global para apresentar medidas de mitigação urgentes para este fenômeno que ocorre dentro da chamada “Área de Influência Direta” do Porto do Açu? Uma resposta antes que tudo desapareça será muito bem vinda. Especialmente pelos moradores daquela localidade!

MAB convida para reunião com Secretário do Ambiente em Cachoeiras de Macacu para tratar da Barragem de Guapiaçu

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O MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) convida os movimentos sociais e a população para participarem de Encontro no dia 6 de março, a partir das 12 hs, em Cachoeiras de Macacu, com presença confirmada do Secretário Estadual do Ambiente, André Corrêa, e os agricultores ameaçados pela construção da grande barragem no Rio Guapiaçu. O local do encontro será: Sede da comunidade Serra Queimada (no Km 16 da RJ 122 é a entrada da comunidade – deste ponto em diante, será sinalizado com bandeiras).  

Para os estudantes da UFRJ e UFRRJ, está saindo ônibus de Seropédica (6:30) que passará na capital (8:30). Detalhes, falar com Fabricio (fabriciotelo@hotmail.com ou (21) 96913 8231 – tim). Há vagas.

Os principais impactos da grande barragem do Guapiaçu são: remoção / desapropriação de 3 mil famílias de agricultores e assentados da reforma agrária; desmatamento de 12 milhões de árvores da Mata Atlântica (Crime Ambiental); prejuízo econômico de R$ 100 milhões por ano devido ao risco de inundação de extensa área agrícola do município (equivalente a 500 hectares) considerada de altíssima fertilidade e produtividade, além da perda (extinção) de 15 mil empregos.

O governo do estado, até o momento, não se dispôs a analisar as Alternativas técnicas e locacionais existentes para garantir o abastecimento dos municípios do Leste da Baía de Guanabara, tais como: o aproveitamento de reservatórios de água da CEDAE abandonados a mais de 20 anos e a construção de pequenas barragens nos rios da região que reduziriam bastante a área de inundação gerando um impacto socioeconômico e ambiental bem menor que o previsto no projeto da grande barragem, além da revitalização da bacia hidrográfica etc.

Matérias publicas sobre os impactos da barragem ver links:

https://www.youtube.com/watch?v=0VjZ6ro6BCk&feature=youtu.be&list=UU3UDbLgGfCfxiHDc7m8faQQ

http://odia.ig.com.br/odiaestado/2015-02-11/construcao-de-barragem-em-cachoeiras-de-macacu-gera-polemica.html

https://www.youtube.com/watch?v=mszh7ijEUYY&feature=youtu.be

Contamos com sua presença e ajuda na divulgação desta atividade em Cachoeiras de Macacu.
Águas para a Vida, não para morte!

Salinização à vista! A difícil vida dos agricultores familiares no entorno do Porto do Açu

Venho acompanhando a saga de centenas de famílias de agricultores familiares que tiverem o supremo azar de ver o Porto do Açu instalado justamente em seu território. Em cada visita que faço no entorno do porto, iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista e hoje controlado pelo fundo de investimentos EIG Global Partners, encontro mais evidências que só com muita teimosia é que a agricultura familiar ainda resiste e produz alimentos no que já foi o celeiro agrícola de São João da Barra.

Nesta tarde de sábado (28/02) fiz mais uma visita de campo a uma família que até recentemente estava concentrada na produção de hortaliças. Segundo o que me foi dito essa mudança foi inicialmente apoiada pelo conglomerado de Eike Batista que iniciou um projeto produtivo que beneficiou em torno de 12 famílias. E tudo parecia ir bem até o final de 2014 quando os plantios começaram a dar sinais de que estavam com algum tipo de estresse, pois as perdas começaram a serem consideravelmente maiores.  Depois de detectado o problema, análises feitas na água usada para irrigar os plantios indicaram, surpresa das surpresas!, que o nível de salinidade estava acima do aceitável para uso na irrigação. O mais problemático é que frente à perda da maioria das mudas, o agricultor teve que simplesmente extinguir mais de 90% da área plantada, o que lhe causou óbvias perdas financeiras.

Em outras palavras, o fenômeno que foi apontado pela extinta LL(X) e por representantes do Instituto Estadual do Ambiente como sendo pontual no tempo e no espaço pode não ter sido nem uma coisa nem outra. E de qual fenômeno falo eu? O da salinização das águas superficiais e, muito provavelmente, do lençol freático, fruto do derrame de água salgada oriunda do aterro hidráulico construído do Porto do Açu. Essa possibilidade é aumentada pelo fato de que a propriedade que eu visitei usa água de um poço cuja profundidade normal é de aproximadamente 7 metros. Em outras palavras, se há salinização, esta é do lençol freático!

Diante do que observei, aproveito para perguntar quando é que os responsáveis pelo empreendimento (a EIG Global Partners) e a agência ambiental responsável (o INEA) por observar o cumprimento das medidas reparadoras para danos ambientais vão sair da fase da negação para a fase do oferecimento de respostas.

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