Votei para marcar o fim da onda Bolsonarista

ondaOnda bolsonarista não se repetirá nas eleições de 2020, e isso deverá aumentar os problemas de Jair Bolsonaro

Acabo de retornar do campus da Uenf onde fui votar nos meus candidatos para prefeita (Profa. Natália Soares – 50) e vereador (Cristiano Papel – 50123).  Afora as ruas do entorno que foram emporcalhadas por candidatos sujismundos, a área de votação estava bastante calma e a tranquilidade imperava.

Imagem

Além dos meus votos específicos, essa eleição marca para mim o fim da breve onda Bolsonarista que varreu o Brasil em 2018. Pela forma que as eleições transcorreram em meio à pandemia letal da COVID-19 não tenho dúvidas de que o breve reinado de Jair Bolsonaro e  as forças retrógradas chegará ao fim já neste primeiro turno com a derrota da maioria dos candidatos que tentaram colar a sua imagem no presidente da república.

Em Campos dos Goytacazes, a vitória eleitoral pode até não ser dela, mas o lançamento da candidatura do PSOL marcou um ponto de inflexão em relação à inação das forças de esquerda ocorrida em 2016. Além disso, a desenvoltura apresentada pela Professora Natália Soares em um plantel de candidatos majoritariamente masculino é um excelente sinal que aponta para as possibilidades existentes de se fazer uma forma diferente de política, que começa por não ter nenhuma ligação com as oligarquias familiares que controlam a política local.

Entendo que em ocorrendo um segundo turno, o melhor seria que se evitasse a judicialização da disputa e que os candidatos restantes façam vários debates em  que se concentrem a explicar as suas propostas e não em atacar o DNA alheio. Só assim o eventual vencedor poderá ter a real legitimidade para mudar o rumo catastrófico em que o jovem prefeito Rafael Diniz entregará a cadeira de prefeito a quem quer que vença. 

Aliás, falando no brevemente ex-prefeito Rafael Diniz, eu só espero que ele possa aprender algo com o resultado amargo que as urnas deverão lhe confirmar que a maioria da população de Campos dos Goytacazes não mais o quer como chefe de executivo, muito em parte em função do estelionato eleitoral que sua gestão representou desde o dia em que ele tomou posse. Quem sabe assim, ele possa um dia voltar a transitar com alguma tranquilidade pelas ruas da cidade.

Já no plano nacional, antecipo que os resultados das urnas não apenas trarão mais dissabores ao presidente da república que, certamente, será o maior derrotado de um processo eleitoral em que ele não conseguiu lançar o seu próprio partido político. Com isso, seus apoiadores espalhados por dezenas de siglas caminham em sua maioria para a derrota, fato esse que deverá se somar a uma série de dificuldades já vividas por Jair Bolsonaro. 

A eleição de Joe Biden e a catarse desesperada de Jair Bolsonaro

biden bolsonaroJoe Biden (à esquerda) e o presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Imagens de Tom Brenner / Getty; Andressa Anholete / Getty Images

A confirmação da eleição do democrata Joe Biden para presidir os EUA a partir do dia 20 de janeiro de 2021 parece ter gerado um efeito dominó dentro do governo Bolsonaro que promete emoções fortes para o sistema político brasileiro. Eu confesso que estou genuinamente surpreso com o grau de degradação em que o governo Bolsonaro afundou desde que Donald Trump foi fragorosamente derrotado, tanto no voto popular como no Colégio Eleitoral, mas é óbvio que um efeito ricochete está em desenvolvimento.

A grosso modo a eleição dos EUA não deveria produzir tanto efeito no Brasil, pois eles nem são mais nem nosso principal parceiro comercial, e a economia brasileira depende muito mais da demandas da economia chinesa do que de qualquer outra.

A explicação para o evidente desespero que tomou conta de Jair Bolsonaro parece ser outra. Os mais apressados podem pensar que se trata da aliança ideológica que Bolsonaro e alguns dos seus principais ministros pensavam ter com os EUA sob o comando de Donald Trump. Eu já penso que, em se tratando de Jair Bolsonaro, a única ideologia que realmente conta é a do dinheiro. E a eleição de Biden trará dificuldades para o tipo de “economia de fronteira” que Bolsonaro estabeleceu, com a ajuda célere de Ricardo Salles e Tereza Cristina, dentro da Amazônia Legal e do Pantanal. 

A eleição de Biden, por interesses puramente estratégicos dos EUA, deverá impor um freio no saque das reservas minerais e da biodiversidade amazônica, ainda que sob a desculpa de proteger o clima da Terra. Essa é certamente a questão que mais importa a Bolsonaro e os grupos que trabalharam para colocá-lo na chefia do executivo federal (incluindo, por exemplo, grileiros de terras e garimpeiros clandestinos), apesar das figuras totais dos montantes extraídos ilegalmente nesses 23 meses de governo serem ainda desconhecidas. Mas se pensarmos apenas na extração ilegal de ouro e madeira, o valor deverá alcançar cifras milionárias.

A incapacidade militar do Brasil, que a declaração estapafúrdia de Jair Bolsonaro sobre “sair a saliva e entrar a pólvora” apenas deixou mais explícita, associada ao aprofundamento da combinação entre a crise sanitária e a econômica, que não param de se agravar, deverá tensionar o sistema político brasileiro a níveis tão ou mais altos ao daqueles que antecederam o golpe parlamentar executado contra a presidente Dilma Rousseff.

Ah, sim, se os candidatos explicitamente apoiados por Jair Bolsonaro forem derrotados nas urna neste domingo, é provável que a agudização da crise se aprofunde, pois ficará ainda mais claro que a onda bolsonarista de 2018 já seguiu seu curso e quebrou na praia, deixando a fraqueza da posição do presidente da república ainda mais evidente.

Então, meus caros, a ordem é se segurar, pois a catarse bolsonarista deverá testar os nervos nacionais até o limite do rompimento. A ver!

Rede Internacional pelo Desmatamento Zero comenta fala de Bolsonaro

desmata

Na última quinta-feira, 12, o presidente Jair Bolsonaro comentou uma medida incluída em documento do Conselho Nacional da Amazônia Legal, que propõe criar mecanismos de expropriação de propriedades, no campo e nas cidades, com registros de queimadas e desmatamentos ilegais. “Para mim a propriedade privada é sagrada. O Brasil não é um país socialista/comunista”, escreveu o presidente nas redes sociais.

De acordo com Fabíola Zerbini, diretora da TFA (Tropical Forest Alliance)* para a América Latina, o tema requer contextualização:

“É preciso separar com clareza o que são áreas de ocupação ilegal, que vão contra a lei, e o que são áreas de propriedade privada, com direito adquirido e que podem, sim, ser desmatadas nos limites estabelecidos pelo Código Florestal. O Estado brasileiro tem obrigação de fazer cumprir a lei, de cobrar e de penalizar os que não a cumprem. E outro aspecto a considerar é que o Brasil está em um contexto geopolítico e de mercado internacional que passa necessariamente pela questão ambiental. O desmatamento causa um direto impacto negativo econômico, por exemplo, na não atração ou não expansão de investimentos. Além disso, no mundo atual, nenhum comprador ou investidor, nenhuma marca quer se associar ao desmatamento. Existe também a cobrança cada vez maior do consumidor europeu, do norte-americano e mais recentemente, também do consumidor chinês, em relação a produtos ‘limpos’ do ponto de vista ambiental. Essa pressão só tende a aumentar e se o Brasil continuar se posicionando de forma vaga ou ambígua, certamente vai ficar para trás. No Brasil, temos inteligência, projetos, narrativa e todas as condições para efetivamente tratar a Amazônia como um valioso ativo e não como um problema”.

*A Tropical Forest Alliance (TFA), ou Aliança para as Florestas Tropicais, é uma rede que reúne múltiplos parceiros na busca e na implementação de soluções para o combate ao desmatamento resultante de atividades comerciais em áreas de florestas tropicais. Iniciativa do World Economic Forum, a TFA trabalha com representantes governamentais, do setor privado e da sociedade civil, como povos indígenas e organizações internacionais, na identificação de desafios e na elaboração de soluções para transformar ideias em ações efetivas na América Latina, na África, na China e no Sudoeste Asiático.

Capa da “Isto é” sinaliza que lua de mel com Bolsonaro pode ter chegado ao fim

Capa de ISTOÉ sobre Bolsonaro viraliza nas redes sociais - ISTOÉ  Independente

A capa da revista semanal “Isto é” (que para certos analistas deveria se chamar “Quanto é”) é um sinal inequívoco de que a lua de mel das classes dominantes com o Jair Bolsonaro pode ter chegado ao fim, tamanha a virulência empregada contra o presidente da república (ver imagem abaixo).

wp-1605287862848.jpg

A capa da semana da edição de IstoÉ está repercutindo forte nas redes sociais e virou um dos assuntos mais comentados no Twitter na manhã desta sexta-feira (13/11). A edição traz uma imagem do presidente Jair Bolsonaro, caracterizado de Coringa, personagem famoso do cinema e dos quadrinhos. Além disso, a capa traz os dizeres: “Inconsequente, irresponsável, insano”, e também “fanfarrão”.

O fato é que a capa da “Isto é” é uma daquelas chamadas bombas semióticas que reúnem imagem e palavra para realizar um ataque contundente contra um presidente exercício; ataque esse que as publicações mais normalmente críticas a Bolsonaro não tinham ainda ousado realizar. Considero que essa capa capa é fundamentalmente um sinal de rompimento com um presidente que já se sabia no momento da eleição que não teria o necessário controle emocional para realizar o papel de chefe do executivo federal.

As razões para um eventual rompimento de pelo alguns segmentos das classes dominantes com Bolsonaro podem ser muitas. Mas o principal elemento parece ser o rompante que o presidente da república teve recentemente em relação ao presidente eleito dos EUA, Joe Biden, que vem indicando que irá exigir (isso mesmo, a palavra é exigir porque manda quem pode, obedece quem tem juízo) que o governo Bolsonaro mude sua atuação em relação à proteção ambiental dos biomas da Amazônia e do Pantanal.

O rompante de Bolsonaro de indicar que partiria para a via militar contra Biden constrangeu principalmente membros das forças armadas e, por isso, se mostrou como algo que ameaça interesses maiores do que ele pode controlar, a começar pela postura canina das elites brasileiras de seguir exatamente o que a cena política estadunidense determina. E a eleição de Joe Biden indica que haverá uma mudança significativa na forma de tocar a política externa dos EUA, incluindo a volta para o Acordo de Paris e para a Organização Mundial da Saúde.

Por isso tudo, os resultados do primeiro turno das eleições municipais que ocorrem neste domingo poderá significar um agravamento desse estado de abandono, caso as candidaturas apoiadas naufraguem como parecem que irão naufragar.

Trump é derrotado nos EUA, e Bolsonaro perde no Brasil

soccer shirtJair Bolsonaro e Donald Trump trocaram camisas das seleções nacionais durante encontro na Casa Branca. A derrota de Trump representa uma dura perda política para Bolsonaro no Brasil

A agora confirmada derrota do presidente Donald Trump na sua tentativa de reeleição representa uma dura perda para Jair Bolsonaro no Brasil.  É que ao perder eleição, Trump remove de Bolsonaro de se manter como uma espécie de cópia malfeita no Brasil. 

Um dos elementos centrais da presidência cambaleante de Jair Bolsonaro tem sido a implementação de uma espécie de “nacionalismo de vassalagem” onde a submissão dos interesses estratégicos do Brasil aos de Donald Trump (e não necessariamente dos EUA) agora terá que se confrontar com a realidade de que o novo presidente estadunidense exigirá (isso mesmo, o verbo é exigir) uma mudança na forma com que o governo Bolsonaro se relaciona os biomas da Amazônia brasileira.

De nada adiantará qualquer simulacro de nacionalismo para dizer que o Brasil tem o direito soberano de usar os recursos naturais existentes na Amazônia como bem entender, pois o agora eleito Joe Biden já disse que exigiria uma mudança na situação de descontrole existente na proteção da Amazônia. Nessa área há ainda que se lembrar que Biden já disse que um dos seus primeiros atos como presidente será recolocar os EUA no Acordo de Paris para combater as mudanças climáticas.

Há ainda que se lembrar que Jair Bolsonaro será compulsoriamente obrigado a mudar os ocupantes dos ministérios do Meio Ambiente e das Relações Exteriores, o primeiro por ser visto como anti-ambiente e o segundo por ser umbilicalmente alinhado com o ideário de Donald Trump. O que Bolsonaro fará com Ricardo Salles e Ernesto Araújo ainda não se sabe, mas está óbvio que eles não ficarão nos postos que ocupam depois de do 01 janeiro de 2021.

Agora, há que se dizer que em outros aspectos ainda mais cruciais como o da tecnologia 5G e das relações comerciais com a China, a eleição de Joe Biden representa uma péssima notícia não apenas para Jair Bolsonaro, mas principalmente para o Brasil. É que os democratas já indicaram que nesses dois itens, eles deverão adotar uma postura ainda mais agressiva do que a adotada por Donald Trump. Como a economia brasileira hoje respira em função do que a China compra do Brasil,  a situação que se abre não será nada fácil. Por isso mesmo, se alguém tem que estar feliz com a vitória de Trump são as corporações estadunidenses e não os brasileiros.

Houve analista de TV brasileira que afirmasse que uma eventual vitória de Donald Trump repercutiria positivamente para os candidatos apoiados por Jair Bolsonaro nas eleições municipais que se aproximam no Brasil. Agora, como temos o resultado oposto, há que se ver qual será a performance dos candidatos apoiados pelo presidente brasileiro.  Eu continuo achando que o elemento mais importante da derrota de Donald Trump que foi a sua postura irresponsável frente à pandemia da COVID-19 ainda não foi colada em Jair Bolsonaro no Brasil, o que pode fazer com que ele saia ileso da derrota de Donald Trump. 

 

Flávio Bolsonaro é afinal denunciado pelo MP/RJ por crimes relacionados ao esquema da “rachadinha” na Alerj

CAE - Comissão de Assuntos Econômicos

Flávio Bolsonaro foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por organização criminosa, peculato, lavagem e apropriação indébita.Foto: Pedro França/Agência Senado

Passados dois anos após ter irrompido no cenário político brasileiro o esquema de apropriação indébita de parte dos salários dos servidores lotados no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, o Ministério Público do Rio de Janeiro finalmente apresentou sua denúncia formal contra o filho primogênito do presidente Jair Bolsonaro por organização criminosa, peculato, lavagem e apropriação indébita.

Fosse ele uma pessoa comum (no sentido de não ser um político com vários mandatos e parte de uma das principais dinastias políticas do Brasil), Flávio Bolsonaro já teria sido denunciado muito antes. Aliás, desconfio que se fosse membro de um partido de esquerda, a denúncia também não teria demorado tanto.

O fato é que agora com a denúncia formalizada, vamos ver como se comporta a justiça brasileira. É que segundo decisão do Supremo Tribunal Federal, a ocupação de um determinado cargo político (no caso de Flávio Bolsonaro, o de senador) não oferece imunidade para crimes cometidos em outros cargos anteriores. Assim, como o esquema denunciado é anterior à ocupação do atual cargo, Flávio Bolsonaro não poderia ser isentado de responder pelo esquema imputado a ele e ao seu “jack-of-all-trades” (em bom português, um pau para toda obra), o ex-policial militar e ex-motorista pessoal Fabrício Queiroz.

Mas que ninguém prenda a respiração por conta de decisões que garantam que ninguém, nem mesmo um senador que é filho de um presidente da república, esteja acima da lei.  É que um recente caso sobre um estupro de um jovem “influencer” na bela Ilha de Santa Catarina mostra quão tortuosos os caminhos percorridos pela justiça brasileira podem ser.

Entretanto, no caso da presente denúncia pode ser que apesar de tanta demora haja alguma oportunidade para que a mesma progrida. A ver!

Sob intensa pressão, Bolsonaro recua de decreto para privatização da UBS. Mas a pauta continua posta

bolsonaro 1Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto. Por ADRIANO MACHADO

Os veículos da mídia corporativa estão noticiando que o presidente Jair Bolsonaro acaba de anunciar que irá revogar o Decreto No.10.530 de 26 de outubro de 2020 em função da repercussão altamente negativa que o anúncio do início da privatização do Sistema Único de Saúde causou em diversos segmentos da sociedade brasileira.

Essa tática de recuar rapidamente após jogar um mega bomba em meio a uma pandemia letal em que a necessidade de uma sistema público de saúde ficou clara no mundo inteiro não deve servir para enganar ninguém.

bolso pazuello

General Pazuello toma posse no ministério da Saúde ao lado do presidente Jair Bolsonaro.  Por Marcelo Camargo/Agência Brasil

A verdade é que ainda esta tarde o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, havia jogado sobre as costas do general Eduardo Pazuello o custo político de haver demandado a implantação de uma medida de que se provou altamente impopular.

Mas a verdade é que o objetivo básico do decreto já foi alcançado pelo governo Bolsonaro. Esse objetivo era simplesmente colocar na pauta política a privatização de um sistema de saúde que está garantido pela Constituição Federal de 1988 como sendo universalmente gratuito.

Essa bomba semiótica se combina com outra lançada pelo indescritível Ricardo Barros (PP/PR), líder do governo Bolsonaro na Câmara de Deputados que na última segunda-feira (26/10) havia proposto a realização de uma assembleia nacional constituinte para escrever uma nova constituição federal, visto que a de 1988 seria uma “que só tem direitos” e que  “torna o Brasil ingovernável”. 

O centro de toda essas manobras aparentemente despropositadas é sedimentar a ideia de que precisamos ter uma profunda reforma do Estado que remova todos os direitos que estão garantidos na Constituição de 1988. Esse, aliás, é o projeto com o qual Jair Bolsonaro foi acolhido pelas elites financeiras e pelos latifundiários como o candidato que defenderia um processo de destruição das garantias sociais existentes no Brasil.

Por isso, antes de que alguém queira celebrar o último recuo de Jair Bolsonaro, é bom lembrar que todas essas aparentes sandices irão emergir com força logo após as eleições municipais. A profundidade e a ferocidade dos ataques que virão dependerão dos resultados das eleições, mas não apenas deles.

EUA tentam subornar outros países para entrar no movimento anti-China: editorial do China Daily

china eua

Em um movimento um tanto bizarro, uma vez que as travessuras de Washington geralmente não são tão abertamente expostas, o governo americano parece ter recorrido a pagar para que outros países se juntem à sua campanha de pressão contra a empresa de telecomunicações chinesa Huawei, e mais amplamente a China.

Na terça-feira, Washington se ofereceu para financiar a compra por empresas de telecomunicações brasileiras de equipamentos produzidos por empresas não chinesas, com funcionários da US International Development Finance Corporation, do US Export-Import Bank e do National Security Council dizendo a repórteres que havia financiamento disponível para cumprir este objetivo.

O fato de a suposta delegação comercial dos Estados Unidos em visita ao Brasil ser chefiada pelo conselheiro de Segurança Nacional Robert O ‘Brien, e não pelo representante comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, é o bastante para denunciar o caráter da visita. Embora este último tenha deixado bem claro, dizendo que há um elemento China “em tudo o que todos nós fazemos”, e Washington estava “preocupado” com os investimentos chineses no país e queria contrabalançar a influência da China excluindo a Huawei e investindo no Brasil indústrias de aço, etanol e açúcar.

Embora o Brasil pareça disposto a confiar sua autonomia comercial, senão sua segurança nacional, aos Estados Unidos – para atingir as necessidades políticas do próprio presidente Jair Bolsonaro e não nação – os Estados Unidos têm um orçamento limitado para atrair outros países para o seu lado, e outros possíveis beneficiários da generosidade de Washington saberão agora que podem negociar com firmeza por sua cumplicidade.

Funcionários do Exim Bank disseram que a instituição tem 20%  de sua carteira de US $ 135 bilhões disponíveis para negócios comerciais com empresas que desejam fazer parceria com os EUA como parte de seu chamado Programa sobre a China e Exportações Transformacionais, lançado em julho de 2020.

O programa, que o presidente do Exim Bank Kimberly A. Reed chamou de “uma das iniciativas mais significativas na história de 86 anos do Exim Bank”, nada mais é do que uma folha de figueira para autorizar o governo Trump a usar fundos governamentais para atrair outros países a aderir EUA na tentativa de “neutralizar” a competição das empresas chinesas.

A política de dinheiro por conivência é mais um sinal da perda de confiança dos EUA em suas habilidades de liderança e na competitividade de suas empresas.

Em uma amarga ironia, enquanto Washington está subornando tão generosamente outros países para embarcarem em sua onda anti-China, os governos locais nos EUA estão clamando por financiamento do governo federal para pagar pela atualização da infraestrutura muito necessária, especialmente novas redes de telecomunicações.

Como o maior parceiro comercial de bens com mais de 120 países, o comércio exterior da China foi de US $ 4,74 trilhões no ano passado, entre os quais quase metade foi de importações de produtos agrícolas, matérias-primas e energia, que são as principais exportações dos países de origem.

Os países tentados a seguir o exemplo do Brasil devem ter em mente que os EUA podem não ter dinheiro ou mercado para substituir a China.

Embora eles possam ser tentados pelas notas verdes oferecidas, eles devem pesar os ganhos e perdas de aceitar tais contratos deixe-me-pagar-a-conta, pois eles virão com restrições.

fecho

Este editorial foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo China Daily [Aqui!].

A morte por COVID-19 do senador que negava a gravidade da pandemia

bolso arolde

Presidente Jair Bolsonaro e o agora falecido senador Arolde de Oliveira cantaram juntos o hino da infantaria do Exército no dia 19 de novembro de 2019. Foto: Agência Brasil/Fábio Rodrigues

Inicialmente é preciso que se diga que toda e qualquer vida perdida para a infecção causada pelo coronavírus há que ser lamentada. Afinal, todo aquele que morre tem amigos e parentes com laços próximos de convivência que torna a morte um elemento trágico.

Dito isso, há que se mencionar o caso da morte por COVID-19 do senador Arolde de Oliveira (PSD/RJ) que replicou como poucos as teses negacionistas do presidente Jair Bolsonaro (ver abaixo a reprodução de um tweet de Arolde de Oliveira acerca do que ele rotulou de “vírus chinês” e do que seria uma “inutilidade do isolamento” social para evitar a propagação da COVID-19).

wp-1603380698663.jpg

A verdade é que o senador Arolde de Oliveira era uma pessoa educada com um bacharelado em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), que esteve presente no meio político por quase 4 décadas, sempre como ocupante de cargos eletivos.  Isso o habilitava a ter uma compreensão mais racional e cientificamente ancorada dos riscos trazidos pela COVID-19.  Mas, claramente por causa dos seus acertos políticos, o senador optou por adotar o mesmo caminho negacionista do presidente Jair Bolsonaro. Isso torna sua morte aos 83 anos uma espécie de opção pessoal pela exposição ao risco extremo.

Assim, por mais lamentável que seja a morte de Arolde de Oliveira, me vem à cabeça a questão sobre todos aqueles que foram por ele influenciados em sua negação da letalidade da COVID-19.  Será que estão todos bem e ilesos ou estão tendo ou já tiveram o mesmo destino do senador? E se não estiverem bem e ilesos, como estarão sendo tratados?

The Guardian noticia caso de aliado de Bolsonaro preso com dinheiro nas nádegas

Polícia encontra dinheiro escondido entre as nádegas do aliado Bolsonaro

O senador  Chico Rodrigues foi pego com notas durante uma busca em sua casa

chico rodriguesChico Rodrigues teria 30.000 reais (mais de £ 4.000) em suas cuecas. Fotografia: Adriano Machado / Reuters

Por Tom Phillips no Rio de Janeiro para o “The Guardian”

Os esforços de Jair Bolsonaro para se retratar como um cruzado anticorrupção sofreram outro golpe depois que a polícia supostamente apreendeu um maço de notas de banco entre as nádegas cerradas de um de seus aliados.

Chico Rodrigues, o vice-líder do presidente brasileiro no Senado, teria sido pego com a trouxa escondida na quarta-feira, durante uma busca policial em sua casa. A operação fez parte de uma operação contra a suspeita de apropriação indébita de fundos públicos para combater a COVID-19.

O jornal Estado de São Paulo disse que duas fontes disseram que 30.000 reais (mais de £ 4.100) foram guardados nas cuecas de Rodrigues, um senador pelo estado de Roraima, no Amazonas.

 Para dar uma ideia de como a situação era absurda, algumas das notas recuperadas estavam manchadas de fezes”, relatou a Revista Crusoé , a revista conservadora que divulgou a história.

“Foi um cenário de considerável constrangimento”, disse a Crusoé sobre o momento em que a polícia fez a descoberta enquanto vasculhava a casa do senador na capital de Roraima, Boa Vista.

Os brasileiros compartilharam a notícia com a hashtag viral #PropinaNaBunda (Bribe up the Bum). Muitos sugeriram que o achado seria lembrado “nos anais da história”.

Rodrigues não deu nenhuma explicação imediata para o conteúdo de sua cueca, mas negou qualquer irregularidade, dando a entender que rivais estavam tentando manchar seu nome. “Tenho um passado limpo e uma vida respeitável. Nunca me envolvi em nenhum tipo de escândalo ”, insistiu o homem de 69 anos.

O presidente de extrema direita do Brasil conquistou o poder em 2018 prometendo erradicar o roubo político depois do que alguns chamaram de a maior investigação de corrupção da história .

“Não acredito que haja [corrupção] em meu governo”, disse Bolsonaro na quarta-feira, ameaçando desferir um “chute no pescoço” de qualquer político fraudador.

Seu governo tem sido afetado por escândalos, incluindo suspeitas de que um de seus filhos políticos, Flávio,  chefiou uma rede de corrupção. Flávio Bolsonaro negou essas afirmações.

fecho

Este artigo foi inicialmente escrito em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].