Servidor público apoiando Bolsonaro = frango fazendo propaganda para a Sadia

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Tenho visto uma série de manifestações feitas por servidores públicos de apoio a Jair Bolsonaro.  Das duas uma: ou esses servidores não examinaram a cartilha ultraneoliberal que o fundador do BTG Pactual Paulo Guedes promete implementar para exterminar o serviço público ou leram e não se importaram com o futuro dos seus cargos e salários.

Essa movimentação de servidores públicos em prol de uma agenda ultraneoliberal com elementos de nazifascimo é mais uma prova de que desse segmento não se deve esperar sempre que haja consciência sobre a função social do cargo público. 

O interessante é que se formos olhar de perto quem dentro do serviço público apoia Jair Bolsonaro e suas ideias que expressam uma espécie de nazismo tropical, veremos que muitos dos que o apoiam não são exatamente servidores modelo ou, tampouco, são pessoas que respeitam o direito alheio fora da sua repartição ou órgão púiblico. Tomando pelo meu próprio local de trabalho, posso dizer que algumas das piores figuras são hoje bolsonaristas desde criancinhas. E isto não me surpreende nem um pouco.

Mas não deixo de ficar com a sensação que daqui a pouco estes serão os mesmos a dizer que foram enganados por um estelionato eleitoral caso Bolsonaro seja eleito e comece sua “revolução” exterminando o serviço público, dando continuidade ao trabalho que Michel Temer não irá concluir.

 

Hamilton Mourão, o vice indigesto, gera furor no Twitter com suas declarações contra os trabalhadores

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Falas do vice Mourão contra direitos trabalhistas geram 187 mil tuítes, aponta FGV DAPP

Falas de general Mourão sobre 13º e férias remuneradas foram responsáveis por cerca de 18% do debate sobre presidenciável do PSL no período; apoiadores do deputado foram ao Twitter pedir que Bolsonaro impedisse novas declarações polêmicas do vice e do economista Paulo Guedes

As declarações contra direitos trabalhistas previstos na Constituição dadas pelo general Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro, repercutiram intensamente no debate sobre Bolsonaro desde o começo da tarde desta quinta-feira (27). Das 14h de quinta até as 13h desta sexta (28), de um total de 1,01 milhão de referências ao deputado federal no Twitter, 187,3 mil (18,7%) abordaram a fala de Mourão crítica ao 13º salário, ao pagamento de adicional de férias aos trabalhadores e outros benefícios trabalhistas. Foi um dos principais picos de repercussão econômica na discussão eleitoral sobre Bolsonaro desde o início da campanha.

Até as 23h de quinta, as menções ao assunto tiveram volume de menções médio de 14 mil tuítes por hora, com ampla visão negativa sobre a fala, principalmente a partir do impacto que poderia gerar na campanha de Bolsonaro. Tal repercussão crítica ocorreu, inclusive, entre apoiadores do deputado, que foram ao Twitter pedir que Bolsonaro impedisse novas declarações polêmicas, também com referências ao economista Paulo Guedes.

Alguns perfis, no entanto, endossaram a opinião de Mourão, com críticas ao que chamaram de “manipulação da imprensa” e mesmo ao próprio Bolsonaro, por entenderem que a leitura do general acompanha princípios associados à redução do Estado e ao estímulo à classe empresarial. Por isso, mostraram-se contrários à manutenção dos direitos criticados por Mourão e traçaram comparativos com, por exemplo, o sistema de remuneração nos Estados Unidos — ao questionar o 13º salário e o adicional de férias, o vice de Bolsonaro os havia chamado de “jabuticabas”, porque só existem no Brasil.

Paulo Guedes e escolha de Mourão como vice em xeque

Dentro do debate sobre os comentários de Mourão, o principal subtema foi a crítica ao 13º salário, respondendo por 52,7 mil tuítes, com majoritário sentimento negativo. Já a opinião sobre as férias remuneradas dos trabalhadores respondeu por 33,8 mil postagens. O economista Paulo Guedes, que este mês também fez comentários polêmicos e rejeitados pelo próprio Bolsonaro, foi citado em 8,7 mil tuítes, em especial por conta da proposta de recriação da CPMF.

Outro tópico relembrado na web foi a defesa, por Mourão, de uma constituinte elaborada por “notáveis”, sem a necessária atuação de parlamentares eleitos. Esse debate foi mobilizado por tuíte de Bolsonaro com críticas ao próprio vice, no qual defendeu o direito constitucional ao 13º salário e definiu como “ofensa” criticá-lo. A repercussão direta do posicionamento do candidato gerou 16,8 mil publicações.

À esquerda e entre influenciadores, outro ponto de debate foi a posição do general como “principal adversário” de Bolsonaro na campanha, junto a Guedes. Perfis de humor, de atores políticos e de celebridades afirmaram, com acentuada ironia, que Mourão rotineiramente consegue fazer “estragos” contra Bolsonaro que nenhum adversário político se aproxima de obter ao atacá-lo. Cerca de 900 publicações, inclusive, lembram que outros nomes ficaram próximos de integrar a chapa presidencial, como a advogada Janaina Paschoal, o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança e o astronauta Marcos Pontes. Afirmam que, com qualquer outra escolha, o desgaste seria menor que o provocado por Mourão.

FONTE: Insight Comunicação

 

As manifestações do “EleNão” sinalizam um ponto de inflexão na campanha presidencial

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Assisti via as redes sociais (já que as empresas de TV literalmente boicotaram a cobertura) às massivas manifestações que ocorreram em cidades brasileiras e no exterior contra a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro à presidência da república. Claramente essas manifestações tinham um caráter pluripartidário e, obviamente, feminino.

É preciso que se diga que campanhas eleitorais não são vencidas pelo tamanho de manifestações. Resultados eleitorais dependem de elementos muito mais complexos que incluem, inclusive, a força das máquinas partidárias que apoiam esta ou aquela candidatura.

Entretanto, não há como negar que se a energia apresentada nas manifestações de ontem se apresentar na hora em que os brasileiros forem às urnas no próximo dia 7 de Outubro, há uma chance de que todas as pesquisas eleitorais feitas até aqui tenham falhado em captar o índice real de rejeição que Jair Bolsonaro ostenta na população brasileira, apesar da ação diligente e agressiva dos seus apoiadores.

Abaixo dois vídeos da manifestação que ocorreu no centro da cidade do Rio de Janeiro onde não apenas a quantidade, mas principalmente o grau de mobilização que foi expresso por seus participantes deixam clara e cristalina a situação que poderão se materializar em poucos dias.

Erro
Este vídeo não existe

Quem estiver interessado em mais informação sobre o conjunto desses atos sugiro acessar [Aqui!]

E os sinos continuam dobrando para Bolsonaro…..

Placas tectônicas da política se movem e fazem várias vítimas: é o que mostra a capa do O Globo

Quem abriu o site do jornal O GLOBO nesta 6a. feira (28/09) notará que as placas tectônicas da política brasileira estão se movendo rapidamente e os resultados não são bons para três candidatos: Jair Bolsonaro, Marina Silva e Geraldo Alckmin, os quais são agraciados por vários artigos dos principais colunistas do jornalão da família Marinho (ver imagem abaixo).

capa ogloboA principal vítima do que hoje parece ser um “landslide” de notícias negativas é Jair Bolsonaro que mereceu um artigo intitulado “As barbaridades que Jair Bolsonaro e seu vice dizem” do inabalável Merval Pereira. Mas Ancelmo Gois também nos informa que Bolsonaro já até marcou sua próxima cirurgia, enquanto Nelson Motta nos conta quais critérios afetarão o voto feminino no dia 07 de Outubro. 

Quando colocadas juntas essas peças há um apontamento único que é a de que a situação de Jair Bolsonaro começa a passar por um processo de derretimento, o qual deve ser acelerado pela onda avassaladora de denúncias que circula hoje na mídia corporativa.

Mas também há espaço para que se anuncie mais problemas para o PSDB quando as operações da Polícia Federal contra Marconi Perillo, um dos principais grão tucanos que ainda não tinham passado por um escrutínio similar ao de Aécio Neves.  Não faltou ainda um anúncio fúnebre para a candidatura de Marina Silva na forma de um artigo assinado por Bernardo Mello Franco.

E quem sobra nessa sopa? Aparentemente Fernando Haddad e Ciro Gomes. Se for isso mesmo, vamos ver com quem a família Marinho irá se alinhar.  Alguém arrisca um palpite?

Às vésperas do 1o. turno, mídia corporativa dobra os sinos para Jair Bolsonaro

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“Por quem os sinos dobram” é um romance de 1940 do escritor estadunidense Ernest Hemingway, considerado pela crítica uma das suas melhores obras.  Se o título do livro fosse aplicado à atual campanha presidencial e aos seus candidatos, eu não teria dúvida de afirmar que eles dobram para Jair Bolsonaro e são embalados pelos mesmos veículos da mídia corporativa que o badalaram para o sucesso.

Exemplos recentes disso são as matérias publicadas pelo jornal Folha de São Paulo vando conta de problemas envolvendo a guarda de um de seus filhos [1 &2], e mais ainda a matéria publicada pela revista (revista?) Veja dando conta de um suposto roubo de um cofre contendo jóias e dinheiro vivo da mesma ex-mulher apontada pelo matutino da família Frias [3].

Como há muito tempo que se sabe que Jair Bolsonaro não é lá um santo (aliás santo é Geraldo Alckmin segundo a contabilidade paralela da Odebrecht), a pergunta é de porque somente agora esses fatos estão sendo trazidos ao conhecimento da população brasileira. Aliás, é incrível a lista de bens que Jair Bolsonaro já acumulava em 2007 (ver lista abaixo). O problema é de que porque só agora a revista Veja decidiu trazer isto ao conhecimento dos brasileiros.

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Por não crer em busca de elucidação jornalística genuína, o motivo só pode ser a decisão do grande capital rentista multinacional que domina a economia brasileira de que a dupla formada pelo capitão e pelo general não é suficientemente confiável para levar a cabo o plano de destruição da economia nacional que foi iniciada com grande maestria pelo presidente “de facto” Michel Temer.

E que os apoiadores dos candidatos de esquerda não se alegrem com essa repentina caçada à chapa dos militares. É que certamente ao tentarem destruir a imagem de Jair Bolsonaro. Certamente não é para garantir a vitória deles em eleições que estão marcadas por um claro processo de exceção. 


[1] https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/09/ex-mulher-afirmou-ter-sofrido-ameaca-de-morte-de-bolsonaro-diz-itamaraty.shtml

[2] https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/09/brasileiros-que-conviveram-com-ex-mulher-de-bolsonaro-na-noruega-confirmam-que-ela-relatava-ameaca.shtml

[3] https://veja.abril.com.br/politica/o-outro-bolsonaro/

Em ato de sincericídio, vice de Bolsonaro indica intenção de acabar com o 13o. salário e o adicional de férias

Em matéria publicada pela Revista Veja somos informados de mais algumas pérolas que se pretende implementar numa eventual vitória da chapa formada por Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão.  Segundo nos informa, o jornalista João Pedroso de Campos , em uma palestra realizada na Câmara de Dirigentes Lojistas de Uruguaiana (RS), o general da reserva apontou como os principais alvos de uma futura reforma trabalhista o 13o. salário e o adicional de férias que seriam “jabuticabas” que só existem no Brasil [1].

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Eu não sei bem o que anda acontecendo com o General Mourão no Rio Grande do Sul, mas esse tipo de revelação das intenções da chapa que ele forma com Jair Bolsonaro beira o que se pode chamar de “sincericídio”. 

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O problema é que se as audiências para quem ele anda revelando as reais intenções das políticas que seriam executadas em seu governo adoram ouvir este tipo de absurdo,  para a classe trabalhadora brasileira estes são retrocessos inaceitáveis.

É que aquilo que está sendo chamado de “jabuticaba” pelo general da reserva (que recebe salários bem acima da média dos trabalhadores brasileiros) são itens fundamentais para que as pessoas possam equilibrar suas contas ao longo de um ano de trabalho. 

E como já disse para um amigo que tinha um estabelecimento comercial e reclamava de pagar esses direitos trabalhistas aos seus empregados, a saída para cessar esses pagamentos é bem simples: que se eleve o valor dos salários pagos no Brasil.  Mas isso não parece ser uma prioridade para o pessoal da chapa liderada por Jair Bolsonaro.

Aliás, há que se agradecer ao general Mourão por toda a sua sinceridade. É que ela ajudará muitos eleitores indecisos a  escolherem de forma mais esclarecida quem deverá ser o próximo presidente do Brasil. Valeu general!


[1] https://veja.abril.com.br/economia/vice-de-bolsonaro-diz-ser-contra-pagamento-de-13o-salario/

De relho na mão, Hamilton Mourão nos avisa do seu perfeito mundo velho

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O general da reserva Hamilton Mourão é insuperável na elucidação do que realmente a sua chapa presidencial pretende para o Brasil. A primeira coisa é acabar com a estabilidade dos servidores públicos, abrindo o retorno para o arbítrio que existia antes dela. 

Mas como pode ser observado nas entrelinhas da matéria, o general da reserva Hamilton Mourão também explicita a sua visão de que o  Brasil precisa retroagir 30 anos (ou seja para pouco depois do fim da ditadura militar de 1964) para restabelecer as formas de convivência que existiam antes (ou seja, aquelas onde a homofobia e o racismo era parte do normal e do aceitável na convivência entre os brasileiros). Isto seria, segundo ele, para recuperar a alegria perdida porque os brasileiros não podem mais “brincar uns com os outros”.

Segundo Mourão,  “o Brasil a um “cavalo maravilhoso que precisa ser montado por um ginete com mãos de seda e pés de aço”, Mourão criticou o que considera travas para o país, como a elevada tributação, o excesso de leis, o “ambientalismo xiita” e a “hegemonia do politicamente correto“.

E para deixar claro como pretende alcançar este retrocesso,  Mourão posou com um relho na mão.

Em suma, o retrocesso que eles pretendem vai muito além da hipotética caça aos corruptos. O fato é que eles querem caçar são as formas plurais de relacionamento onde as diferenças são respeitadas em nome de um convívio mais democrático entre as pessoas.

Em Bagé, vice de Bolsonaro defende fim da estabilidade no serviço público

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Recebido aos gritos de “mito” e tendo na mão um rebenque como o usado por ruralistas para hostilizar militantes petistas em março, durante a caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Rio Grande do Sul, o candidato a vice de Jair Bolsonaro (PSL), general Antônio Hamilton Mourão (PRTB), palestrou na noite desta quarta-feira (26) para cerca de 2,5 mil pessoas na Associação Rural de Bagé. 

Mourão defendeu a revogação da estabilidade no serviço público e uma profunda reforma do Estado, com prioridade à saúde, segurança, educação e agronegócio. 

— Por que uma pessoa faz um concurso e no dia seguinte está estável no emprego? Ela não precisa mais se preocupar. Não é assim que as coisas se comportam. Tem que haver uma mudança e aproximar o serviço público para o que é a atividade privada — afirmou Mourão.

Comparando o Brasil a um “cavalo maravilhoso que precisa ser montado por um ginete com mãos de seda e pés de aço”, Mourão criticou o que considera travas para o país, como a elevada tributação, o excesso de leis, o “ambientalismo xiita” e a “hegemonia do politicamente correto”.

— Temos uma crise de valores, resultado de mais de 30 anos de processo de desconstrução da identidade nacional provocada por uma intelectualidade. Perdemos a alegria de brincarmos um com os outros — declarou. (…)

EleNão em ritmo de samba mostra que onda de criatividade pode abalar campanha de Jair Bolsonaro

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Em determinados contextos históricos, o inesperado é que acaba empurrando o ritmo e a direção das coisas.. Até que ponto componente vai operar nas atuais eleições presidenciais ainda é difícil determinar, mas há aparentemente um movimento vindo da base da sociedade brasileira que poderá fazer contra a candidatura de Jair Bolsonaro o que os marqueteiros de campanhas opositoras ainda não chegaram nem perto de conseguir.

Vejamos como exemplo o samba que é cantado abaixo cujo mote é a hashtag “EleNão”.

Se essa onda de criatividade contra a candidatura de Jair Bolsonaro tomar mais corpo, não é difícil estimar o tamanho do impacto que terá. É que, diferente dos seus apoiadores que invariavelmente recorrem à argumentos agressivos, o que se vê neste samba é uma fina combinação entre ironia e bom humor em prol da desconstrução da mensagem política de Bolsonaro.

Por ora, curtam o samba pois os dois artistas anônimos são excelentes.

As propostas de Bolsanaro (cuidado com as letras!)

CARTEIRA

Por João Guilherme Vargas Netto*

As propostas trabalhista e sindical registradas pelo candidato Bolsanaro na Justiça Eleitoral e que fazem parte de seu programa de governo, totalmente submisso a Paulo Guedes, representante da bolsa, da banca e dos rentistas, são um ultraje à história de resistência e de organização dos trabalhadores. Merecem repulsa.

Reativando antigas propostas neoliberais e agravando ainda mais os efeitos danosos da lei trabalhista celerada, compactuam com uma maior desorganização sindical e agridem de maneira letal a própria Constituição.

Mas onde se destila o pior veneno é na esdrúxula proposta da carteira de trabalho verde e amarela, que, ao lado da verdadeira carteira de trabalho azul, dividiria os trabalhadores que as tiverem assinadas em dois grupos inconciliáveis: os que têm direitos e os que não os têm, submetidos à extorsiva “livre negociação individual”. Os trabalhadores (principalmente os jovens) com a carteira verde e amarela serão igualados aos milhões de trabalhadores informais, precarizados e subutilizados. Seria uma carteira de trabalho “fake”, uma armadilha, um escárnio.

E o que mais espanta e enraivece é a simbologia collorida adotada pelo candidato, que conspurca as cores da bandeira e afronta a nacionalidade.

A infeliz manobra de collorir de verde e amarelo o documento que consagraria a tríplice perversão (nacional, democrática e social) não pode passar incólume sem uma crítica desapiedada. É preciso desmascarar o falso simbolismo do patriota desvairado e demonstrar que, além de sua agressão aos direitos dos trabalhadores, o candidato agride também a sensibilidade dos verdadeiros patriotas e dos homens e mulheres de bem.

Em minha indignação convoco aqui o poeta maior Castro Alves, voz condoreira da luta contra a escravidão:

“Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
…………………………………………………
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!…”

*João Guilherme Vargas Netto é consultor sindical e membro do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar).

FONTE: http://www.agenciasindical.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=9321&friurl=_-1682018—As-propostas-de-Bolsanaro-cuidado-com-as-letras-_

Os Aecistas inconformados de ontem são os bolsonaristas de hoje

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Estando fora do Brasil por força de um período sabático na Universidade de Lisboa, tenho ficado particularmente pouco impressionado com as múltiplas análises dos índices alcançados pelo deputado federal Jair Bolsonaro nas pesquisas eleitorais. Particularmente de setores do que eu chamo de esquerda institucional vejo pessoas razoavelmente sérias que estão à beira de um ataque de nervos não apenas com a força eleitoral de Bolsonaro, mas com a virulência demonstrada por seus apoiadores.

Ora, eu realmente não sei qual é a grande surpresa com esse fenômeno que mistura ojeriza à qualquer sinalização de equidade social com a disposição objetiva de resolver as coisas no Brasil na base da porrada, especialmente se quem estiver no lado que for apanhar for pobre e negro.

É que sabidamente existe um setor significativo da sociedade brasileira que instrumentaliza outros segmentos para que suas inúmeras regalias e vantagens não cheguem nem próximas de serem tocadas por políticas públicas que sirvam para aliviar a abjeta desigualdade social que existe no Brasil.

E mais, me impressiona o fato de que ninguém lembra que nas eleições de 2014, a vitória de Dilma Rousseff se deu na base de fórceps, muito em função de sua pobre performance como presidente, mas também por uma pesada combinação de interesses que desaguaram na figura de Aécio Neves, apresentado então como a figura da redenção, ta como Jair Bolsonaro se apresenta neste momento.

Além disso, tenho visto manifestações de muitos que votaram de forma apaixonada em Aécio Neves que agora se apresentam de forma igualmente intensa em favor da eleição de Jair Bolsonaro. Em outras palavras, o eleitor inconformado com a derrota de Aécio Neves migrou de forma decisiva e majoritária para Jair Bolsonaro. E não é por nenhum motivo obscuro, mas porque ambas as candidaturas expressam a ojeriza que muitos não conseguem esconder a um país que possa ser menos desigual, menos discriminador e menos violento para com a maioria pobre da sua população. O dito combate à corrupção não passa de uma capa protetora extremamente conveniente para esconder essa verdade.

O pior é que em vez se fazer a discussão acerca dos programas e explicitar a plataforma profundamente anti-popular que Jair Bolsonaro traz consigo, vemos uma opção para jogar a disputa para o campo da democracia contra o fascismo. É que apesar de justa a defesa da democracia, ela não coloca às claras como o Brasil foi submerso na crise colossal em que se encontra, e quem foram os responsáveis por isto.

Finalmente, independente de quem for ao segundo turno ou de quem vencer as eleições, existem tarefas duríssimas para serem enfrentadas pela classe trabalhadora e pela juventude brasileira para os próximos anos. É que tudo indica que seja Bolsonaro ou outro que vencer, haverá um ataque ainda mais duro aos direitos sociais e à capacidade do estado brasileiro de operar em favor dos mais pobres.