A refinaria e as jóias, tudo junto e misturado

Ainda que sirva muito bem para a campanha de limpeza ideológica para erradicar (ou menos tentar) Jair Bolsonaro do posto de “mito”, a história das jóias não declaradas também se presta para não discutir o essencial, que foi o crime de lesa-pátria cometido na privatização da Refinaria Landulfo Alves (Rlam) para o fundo soberano Mubadala por US$ 1,8 bilhão quando avaliadores tinham dito que a unidade valia entre US$ 3 e US$4 billhões.

Ao não determinar imediatamente que sejam tomadas as devidas providências para anular essa venda absurda, o que são os US$ 16 milhões que as jóias apreendidas pela Receita Federal no Aeroporto de Guarulhos equivale ao que os gringos chamam de “saco de amendoins”. 

Aliás, como voltamos a beirar os R$ 6,00 pelo litro de gasolina na cidade de Campos dos Goytacazes, há que se lembrar que uma das promessas de campanha do candidato Lula era rever uma outra situação de lesa-pátria que é o chamado Preço de Paridade Internacional (PPI) é uma política de preço criada em 2016, durante o governo do ex-presidente de facto Michel Temer. É que graças ao PPL que estamos pagando muito mais do que devíamos enquanto país produtor de petróleo, com os principais beneficiários sendo os acionistas minoritários da Petrobras.

Se não houver imediatamente a realização de esforços para anular tanto a privatização da Rlam como a vigência do PPL, o governo Lula estará cometendo um estelionato eleitoral grave, visto que mudanças efetivas na gestão da Petrobras e da política de combustíveis estavam sim entre as promessas de campanha.

Por último, é importante ver se alguma medida vai ser tomada para rever o lote de jóias que passou batido pela Receita Federal em Guarulhos e que hoje estão no acervo pessoal de Jair Bolsonaro. Aliás, pensando bem, o que será mais que passou pela alfândega nas muitas viagens realizadas pelo ex-presidente que hoje estão em seu “acervo pessoal” e não nos depósitos de bens públicos que são os lugares onde esses “regalos” deveriam estar?

Revista Veja coloca o dedo nas jóias do (des) governador Pezão

A revista Veja publicou no dia de ontem (07/12) uma matéria mostrando que não é apenas o (des) governador Sérgio Cabral que precisa explicar as suas aquisições de jóias aos procuradores da operação Lava Jato, mas também o seu pupilo mais famoso, o atual (des) governador Luiz Fernando Pezão (Aqui!).

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A matéria da Veja, assinada por Leslie Leitão e Thiago Prado, cita inclusive o roubo de 15 caixas de jóias que ocorreu no apartamento de Luiz Fernando Pezão no dia 30/04/2012, fato que já havia sido mencionado aqui neste blog numa postagem feita no último 23/11 (Aqui!).

O angu fica mais grosso quando se constata que a joalheria, a  Blume Jóias, onde a esposa de Pezão fez suas compras era de propriedade da mulher do executivo da Odebrecht, Benedicto Júnior, a senhora Ronimar Machado Mendes, em sociedade com Verônica Vianna, mulher do ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes (um dos mais controversos secretários estaduais da era Cabral e um dos membros mais famosos da “Gangue dos Guardanapos”. Aliás, era nessa mesma joalheria que Adriana Ancelmo, esposa do (des) governador Sérgio Cabral, comprou parte do seu estoque de jóias.

Aliás, a matéria da Veja traz uma imagem (ver abaixo) da esposa do (des) governador Pezão junto com Adriana Ancelmo (à esquerda na foto) posando alegremente na entrada da Blume Jóias, o que confirma que o amor pelas jóias não está restrito ao casal Cabral.

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O (des) governador Pezão se manifesta na matéria negando qualquer malfeito nas compras de jóias que ele e sua esposa porventura tenham feito na Blume Jóias. Resta saber se todas as transações possuem notas fiscais emitidas, o que não ocorreu com o casal Sérgio Cabral/Adriano Ancelmo.

De minha parte, enquanto ainda espero a conclusão do pagamento do meu salário de Outubro, gostaria mesmo de saber é se a Blume Jóias também foi agraciada com algum tipo de “generosidade fiscal” por parte dos (des) governos comandados por Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.  A resposta a esta pergunta poderá vir a valer um colar de ouro ornamentado com esmeraldas.